O Esgoto a Céu Aberto na Sua Rua


FRANKENSTEIN - OU O MODERNO PROMETEU - Mary Shelley; trad. Pietro Nassetti

"Também me tornei poeta, e durante um ano vivi num paraíso que eu mesmo criara."

 

"<Que ser nobre!>, você irá dizer. E ele realmente o é. E, no entanto, totalmente iletrado. É tão quieto quanto um turco e tem um comportamento um tanto rude, o que torna sua conduta ainda mais surpreendente e, ao mesmo tempo, diminui a simpatia que ele de outro modo poderia inspirar."

 

"(...) uma crença no assombroso inserida em todos os meus projetos, que me coloca distante dos caminhos normais dos homens, impelindo-me para o mar bravo." -- Robert Walton

 

"Um homem assim tem dupla existência; por mais que sofra e esteja oprimido por decepções, faz-se quando se recolhe a si mesmo, rodeado por uma auréola na qual não penetram a dor ou a revolta."

 

"Eis que chega, afinal, o tempo em que o pesar se transforma em vício e é preciso coragem e conformação para bani-lo."

 

"Ingloriamente, pediam-me que trocasse quimeras mirabolantes por realidades acanhadas."

 

"Nada é mais doloroso para a alma humana que a lassidão, o trágico marasmo, que sobrevêm à rápida seqüência de fatos e sentimentos tumultuosos, como a paisagem desoladora da floresta após a passagem destruidora da tormenta."

 

"Eu fugia às pessoas. Fazia-me mal tudo o que pudesse lembrar alegria. Mergulhava na mais negra, profunda e mortal solidão."

 

O mau filho à causa torna.

 

"Antes, eu considerava o relato das maldades e injustiças que lia nos livros, ou de que ouvia falar, como coisas de tempos idos ou males imaginários. Mas, agora que a desgraça veio até nós, os homens me parecem monstros sedentos de sangue, sempre prontos a se devorar uns aos outros."

 

"O próprio sussurro do vento era como vozes da natureza chamando-me à vida e convidando-me a esquecer as lágrimas. Mas - ah, inquietude, ah, inconstância da natureza humana! - o deslumbramento logo se desvanecia e eis-me de novo acorrentado aos meus presságios, subjugado a meu inferno interior!"

 

"Por que há de o homem vangloriar-se de sensibilidades mais amplas que as que revelam o instinto dos animais? Se nossos impulsos se restringissem à fome, à sede e ao desejo, poderíamos ser quase livres. Somos, porém, impelidos por todos os ventos que sopram, e basta uma palavra ao acaso, um perfume, uma cena, para provocar-nos as mais diversas e inesperadas evocações.

Dormimos.

Eis que um sonho nos envenena o sono.

Despertamos.

Um pensamento errante contamina o dia.

Sentimos, imaginamos, refletimos, rimos, choramos,

Abraçamo-nos à dor, ou libertamo-nos das penas.

Vário é o caminho, mas para a alegria ou a tristeza,

É sempre franco,

O amanhã jamais igualará o ontem,

Nada, exceto o mutável, pode perdurar!"

 

"Creia-me, Frankenstein, eu era bondoso. Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente só, como agora. Se você, que é meu criador, me renega, que posso eu esperar de meus semelhantes, que nada me devem?"

 

“Não tenho amigos, Margaret. Quando estou entusiasmado com o sucesso, não tenho com quem dividir a alegria; e se estou tomado pela decepção, ninguém procura me dar apoio. Pretendo colocar meus pensamentos no papel, é verdade, mas esse é um recurso muito pobre para alguém manifestar seus sentimentos. Desejo a companhia de uma pessoa que tenha afinidades comigo, que pense como eu. (...) Não tenho ninguém próximo a mim, sereno e corajoso, que tenha uma mentalidade elevada e aberta, cujas aptidões sejam iguais às minhas, para aprovar ou corrigir meus planos. Como tal amigo iria suprir as falhas do seu pobre irmão! Sou muito impulsivo na execução e impaciente demais diante das dificuldades. Mas também é terrível para mim o fato de ser um autodidata. Até os 14 anos vivi sem preocupações, e a única coisa que li foram os livros de viagens da biblioteca de nosso tio Thomas. Naquela idade conheci os poetas consagrados de nosso país. Mas foi só quando eles perderam o poder de me inspirar que percebi a necessidade de conhecer outras línguas além da minha. Agora, aos 28 anos, tenho menos leitura que muitos estudantes de 15. É verdade que tenho pensado mais e meus sonhos são mais amplos e magníficos; mas eles precisam de (como dizem os pintores) harmonia”

 

“Olhando e perscrutando pelas redondezas, não vi nem ouvi alguém que se me assemelhasse a mim. Então eu era um monstro, uma nódoa na terra, da qual todos os homens fugiam e a quem ninguém queria reconhecer por seu igual!”

 

“Achava-me parecido, e ao mesmo tempo, estranhamente diferente dos seres sobre os quais lia e cuja conversa escutava. Solidarizava-me com eles, compreendia-os parcialmente, mas não tinha sua formação mental.”

“O volume de Vidas Paralelas, de Plutarco, que me caíra às mãos continha a história dos fundadores das repúblicas primitivas. Essa obra exercia em mim um efeito bem diferente do provocado por Os Sofrimentos do Jovem Werther. Dos devaneios de Werther, aprendi desespero e tristeza; Plutarco me elevava os pensamentos. Alçava-me além da esfera de minhas próprias reflexões aos páramos [céu; descampado] dos heróis dos tempos idos. (...) Já o Paraíso Perdido [Milton] produzia-me emoções de outra espécie, muito mais profundas. Li-o, tal como os outros volumes de que me apossara, como se fosse história verdadeira, que, nesse caso, me despertava todos os sentimentos de admiração e terror que a figura de um deus onipotente, combatendo suas próprias criaturas, era capaz de excitar. (...) Não havia Eva para mitigar minhas tristezas nem participar dos meus pensamentos. Eu era só. Ocorriam-me as súplicas de Adão a seu Criador. O meu, porém, onde estava? Ele me abandonara e, na amargura do meu coração, eu o amaldiçoava.”

 

“As estrelas tremeluziam, zombando de mim, e as árvores agitavam os galhos desnudos sobre minha cabeça, como em gestos de escárnio.”

 

 

“Mesmo que viessem a deixar a Europa e habitar as paragens do Novo Mundo, poderia advir que um dos primeiros resultados do relacionamento por que suspirava o monstro fosse a geração de filhos, e uma raça de demônios se propagaria pela face da Terra, espalhando o terror entre a espécie humana.”



Escrito por a mosca filosófica às 13:22
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CRÍTICA & CLÍNICA - Deleuze

"A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever? Mesmo quando é uma mulher que devém, ela tem de devir-mulher, e esse devir nada tem a ver com um estado que ela poderia reivindicar."

 

"Toda escrita comporta um atletismo; porém, longe de reconciliar a literatura com os esportes, ou de converter a escrita num jogo olímpico, esse atletismo se exerce na fuga e na defecção orgânicas: um esportista na cama, dizia Michaux."

 

"Escrever não é contar as próprias lembranças, suas viagens, seus amores e lutos, sonhos e fantasmas. Pecar por excesso de realidade ou de imaginação é a mesma coisa: em ambos os casos é eterno papai-mamãe, estrutura edipiana que se projeta no real ou se introjeta no imaginário. É um pai que se vai buscar no final da viagem, como no seio do sonho, numa concepção infantil da literatura. Escreve-se para pai-mãe."

 

"As duas primeiras pessoas do singular não servem de condição à enunciação literária; a literatura só começa quando nasce em nós uma terceira pessoa que nos destitui do poder de dizer Eu (o 'neutro' de Blanchot). Por certo, os personagens literários estão perfeitamente individuados, e não são imprecisos nem gerais; mas todos os seus traços individuais os elevam a uma visão que os arrasta num indefinido como um devir potente demais para eles: Ahab e a visão de Moby Dick."

 

"A doença não é processo, mas parada do processo, como no 'caso Nietzsche'. Por isso o escritor, enquanto tal, não é doente, mas antes médico, médico de si próprio e do mundo. O mundo é o conjunto dos sintomas cuja doença se confunde com o homem. Não que o escritor tenha forçosamente uma saúde de ferro (haveria aqui a mesma ambigüidade que no atletismo), mas ele goza de uma frágil saúde irresistível, que provém do fato de ter visto e ouvido coisas demasiado grandes para ele, fortes demais, irrespiráveis, cuja passagem o esgota, dando-lhe contudo devires que uma gorda saúde dominante tornaria impossíveis"

 

"Um dia talvez saberão que não havia arte, mas apenas medicina" Le Clézio

 

"Fim ultimo da literatura: pôr em evidência no delírio essa criação de uma saúde, ou essa invenção de um povo, isto é, uma possibilidade de vida. Escrever por esse povo que falta... ('por' significa 'em intenção de' e não 'em lugar de')."

 

"A única maneira de defender a língua é atacá-la... Cada escritor é obrigado a fabricar para si sua língua..." André Dhôtel - Terras de Memória

 

"E Céline, não podemos nos impedir de dizê-lo, por mais sumário que o sintamos: Viagem ao fundo [putzgrilla!] da noite ou a decomposição da língua materna; Morte a crédito e a nova sintaxe como uma língua no interior da língua; Guignol's Band e as exclamações suspensas como limite da linguagem, visões e sonoridades explosivas. Para escrever, talvez seja preciso que a língua materna seja odiosa, mas de tal maneira que uma criação sintática nela trace uma espécie de língua estrangeira e que a linguagem inteira revele seu fora, para além de toda sintaxe."

 

"Acontece de felicitarem um escritor, mas ele bem sabe que está longe de ter atingido o limite que se propõe e que não pára de furtar-se, longe de ter concluído seu devir. Escrever é também tornar-se outra coisa que não escritor. Aos que lhe perguntam em que consiste a escrita, Virginia Woolf responde: Quem fala de escrever? o escritor não fala disso, está preocupado com outra coisa."

 

"Louis Wolfson, autor do livro Le Schizo et les langues, chama-se a si mesmo 'O estudante de lingua esquizofrênico', 'O estudante enfermo mentalmente', 'O estudante de idiomas demente' ou, segundo sua grafia reformada, 'O jovem öme sqizofrênico'."

 

"O segundo livro de Wolfson, Ma mère musicienne est morte..., será apresentado como um livro escrito a quatro mãos, precisamente por estar entrecortado pelos protocolos médicos da mãe cancerosa."

 

Hier francalemão alemês aquontem õtéqui

 

"É esse o procedimento geral: a frase Don't trip over the wireNe trébuche pas sur le fil [Não tropece no fio], torna-se Tu'nicht trebucher uber eth he Zwirn. A frase de partida é inglesa, mas a de chegada é um simulacro de frase que utiliza várias línguas, alemão, francês, hebraico: tour de babil ["torre de blablabel"]. Ela faz intervir regras de transformação, de d em t, de p em b, de v em b, mas também regras de inversão (como o inglês Wire não é suficientemente investido peio alemão Zwirn, invoca-se o russo prolovoka que transforma wir em riv ou, antes, em rov)."

 

"Os gramáticos do século XVIII ainda acreditavam numa língua-mãe; os linguistas do século XIX manifestam dúvidas e mudam as regras de maternidade bem como as de filiação, às vezes invocando línguas que não passam de irmãs. Talvez seja preciso um trio infernal para ir até o fim."



Escrito por a mosca filosófica às 23:30
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"assim como uma música excede a circunstância em que é tocada bem como a execução que dela se faz."

 

"Por toda parte vazios subsistem e se propagam de tal modo que o único acontecimento que se eleva, oferecendo sua face negra, é um fim do mundo ou explosão atômica do planeta, que o estudante teme seja retardada pela redução de armamentos."

 

"Esse emprego do estetoscópio [ligado a um gravador portátil] o satisfaz particularmente nos hospitais que frequenta, já que considera a medicina uma falsa ciência, muito pior que todas as que é capaz de imaginar nas línguas e na vida. Se é exato que montou esse dispositivo já em 1976, bem antes do surgimento do walkman, podemos considerá-lo seu verdadeiro inventor, como ele o diz, e pela primeira vez na história uma bricolagem esquizofrênica está na origem de um aparelho que se espalhara por todo o planeta e que, por sua vez, esquizofrenizara povos e gerações inteiras."

 

"Como justificar a vida, que é sofrimento e grito? Como justificar a vida, 'maldosa matéria enferma', ela que vive de seu próprio sofrimento e de seus próprios gritos? A única justificativa da vida é o Saber, que só ele é o Belo e o Verdadeiro. É preciso reunir todas as línguas estrangeiras num idioma total e contínuo, como saber da linguagem ou filologia, contra a língua materna, que é o grito da vida."

 

"Deus é a Bomba, isto é, evidentemente, o conjunto das bombas nucleares necessárias para esterilizar por radiatividade nosso próprio planeta por sua vez extremamente canceroso..., Elohim han petsita, literalmente Deus ele bombardeia"

 

"O que é o saber senão a aventura da vida dolorosa no cérebro dos grandes homens (que, aliás, parece um irrigador dobrado)?"

 

Lewis Carroll - Sílvia e Bruno

 

"O texto admirável de Quincey, Os últimos dias de Emmanuel Kant, dizia tudo, mas apenas o avesso das coisas que encontram seu desenvolvimento nas quatro fórmulas poéticas do kantismo."

 

Quem é D. H. Lawrence (Apocalypse)?

 

"Se as personagens, situações e objetos do masoquismo recebem esse nome, é porque adquirem na obra romanesca de Masoch uma dimensão desconhecida, sem medida, que transborda do inconsciente não menos que das consciências."

 

"A mulher-carrasco lança sobre o masoquista uma onda retardada de dor, que ele utiliza, mas não para dela extrair prazer, evidentemente, e sim para remontar-lhe o curso e constituir um processo ininterrupto de desejo. O essencial vem a ser a espera ou o suspense como plenitude, como intensidade física e espiritual."

 

Kant - A Trindade

 

"A obra de Masoch, inseparável de uma literatura de minorias, impregna as zonas glaciais do Universo e as zonas femininas da História. Uma grande vaga, a de Caim, o errante, cujo destino está para sempre suspenso, mescla os tempos e os lugares. A mão de uma mulher severa atravessa a vaga e se estende em direção ao errante."

 

"Whitman, numa meditação particularmente 'convulsiva', se diz hegeliano, afirma que só a América 'realiza' Hegel e põe os direitos primeiros de uma totalidade orgânica. Exprime-se então como um europeu, que encontra no panteísmo uma razão para inflar o seu eu."

 

Bartleby [?]

 

Ballanche - Essais de palingénesie sociale (romance experimental do XIX)

 

Melville - Redburn / Pierre or the ambiguities / Billy Budd / The Confidence-Man (O Vigarista)

 

Henry Miller - Plexus Nexus Sexus

 

"Diz-se que os maus romancistas sentem a necessidade de variar seus indicativos de diálogo, substituindo o <disse> por expressões como <murmurou>, <balbuciou>, <soluçou>,<escarneceu>, <gritou>, <gaguejou>... para marcar as entonações. A bem da verdade, parece que em relação a essas entonações o escritor só tem duas possibilidades: ou fazê-lo (como Balzac, que efetivamente fazia o pai Grandet gaguejar quando este tratava de algum assunto ou fazia Nucingen falar num dialeto que deforma, e em cada caso sentimos o prazer de Balzac), ou então dizê-lo sem fazê-lo, contentar-se com uma simples indicação que se deixa ao leitor o cuidado de efetuar: como os heróis de Masoch, que não param de murmurar, e sua voz tem de ser urn murmúrio apenas audível"

 

"O corpo é um animal. O que o corpo faz, ele o faz sozinho. Lawrence faz sua a fórmula de Spinoza: não sabemos o que pode um corpo! Em plena sessão de tortura, uma ereção"


Alfred Jarry - Ubu Roi

 

"O presente envenenado do platonismo foi ter introduzido a transcendência em filosofia, ter dado à transcendência um sentido filosófico plausível (triunfo do juízo de Deus)."

 

 

"Observou-se com freqüência que as idéias platônicas, e mesmo as cartesianas, continuavam sendo <táctil-ópticas>: coube a Plotino em relação a Platão, e a Spinoza em relação a Descartes, elevar-se a um mundo óptico puro."



Escrito por a mosca filosófica às 23:29
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THE DECAMERON – Giovanni Boccaccio; trad. de John Payne

DIC: palfrey - palafrém; cavalo chique, de corrida.

 

I can bide for you, even if I can’t abide you.

 

Suportar o mundo, quando ele não tem mais valor. Tão contraditório quanto natural, quando se trata da apatia. Energia criadora negativa. Temos crédito para NEGATIVADOS (META).

O insuportável é só uma perspectiva falha

A arte de engolir sapos gelados em silêncio

O talento de prescindir d’ação, tubo de vácuo da inércia.

Trovões e caminhão do lixo sempre acabam com a festa. Só tenho um sapato. Não sei por que não me mato.

Veneno de rato. Me pediram para ir ali num rato, comprar um pão e dar um oi-ncom-pra-ensível.

MAS...

a fonte seca.

...e a biblioteca não está sempre aberta. Falta de ambição ainda é uma ambição.

O mundo me quer?

Não me dêem poder – ele uma vez disse...

Mas já pedi e muito para me darem mulheres...

Sem elas posso ser terrível...

 

Aniversário meditando o suicídio

...imagina na Copa!

 

Muitas vezes a sabedoria está na... letargia? Do escritor.

 

* * *

 

DIC: hen-coop – gaiola de galinha

        whinger – he who whines a lot

        breeches – culotes; calças; peças íntimas de tempos antanho.

        ginger bolus – bolo de gengibre

        aloe – babosa

        donning – vestindo-se (to don)

        gossip (outros sentidos) – padrinho; amigo(a); confidente.

 

Calandrino, Bruno e Buffalmacco: o trio com mais estórias.

 

Só putaria!

 

1348, Florença – A Peste

 

No Leste do mundo, quem sangrasse pelo nariz e fosse portador do mal já deveria encomendar seu caixão. Mesmo animais como porcos eram infectados por coisas como roupas de humanos doentes jogadas no lixo. Alguns contadores de causos da nobreza passavam pelas igrejas das cidades arrasadas para consolar a população sobrevivente.

 

“a sin that’s hidden is half forgiven.”

 

Phillippe le Borgne – Felipe II da França, o Caolho

O termo italiano, il Bornio, é ambivalente: serve para designar aquele que tem um olho tanto quanto aquele que não vê bem (míope).

Em terra de cego, míope muito avançado sem oftalmologista por perto é vice-cônsul apenas.

Em terra de cego, quem atira a primeira pedra que acerta é rei.

 

“Alessandro, after many excuses, put off his clothes and laid himself beside the abbot, who put his hand on his breast and fell to touching him no otherwise than amorous damsels use to do with their lovers; whereat Alessandro marvelled exceedingly and misdoubted him the abbot was moved by unnatural love, [...o que parecia uma coisa...] Alessandro accordingly put his hand to the abbot’s bosom and found there two breasts, round and firm and delicate, no otherwise than as they were of ivory, whereby perceiving that the supposed prelate was a woman, without awaiting farther, he straightway took her in his arms and would have kissed her”

 

Anguersa, the old form of Anversa, Antuerp.”

 

“Whatsoever na ass giveth against a wall, such he receiveth.” = “Quale assino da in parete, tal riceve”

 

“Disputing with words might me prolonged without end; thou wouldst say and I should say, and in the end it would all amount to nothing.”

 

“he softly uncovered the former and found that she was as fair, naked, as clad, but saw no sign about her that he might carry away, save one, to wit, a mole [sinal; imperfeição; verruga; “nevus”] which she had under the left pap [mamilo] and about which were sundry [vários] little hairs as red as gold [!].”

 

“Then, tearing open the fore part of her clothes and showing her breast, she discovered herself to the Soldan [sultão] and all else who were presente and after, turning to Ambrogiuolo, indignantly demanded of him when he had ever lain with her, according as he had aforetime boasted; but he, now knowing her, and fallen well nigh dumb for shame, said nothing. The Soldan, who had Always held her a man, seeing and hearing this, fell into such a wonderment that he more than once misdoubted that which he saw and heard to be rather a dream than true.”

 

“there was no day in the year sacred to one saint only, in reverence of whom he showed man and wife should abstain from carnal conversation”

 

“Wilt thou rather abide her for this man’s whore and in mortal sin than at Pisa as my wife?”

 

“an Paradise might be created upon Earth, they could not avail to conceive what form, other than that of this Garden, might be given it nor what farther beauty might possibly be added thereunto.”

 

“Fairest ladies, there be many men and women foolish enough to believe that, whenas the white fillet is clapped upon her back, she is no longer a woman and is no longer sensible of feminine appetites, as if the making her a nun had changed her to stone; and if perchance they hear aught contrary to this their belief, they are as much incensed as if a very great and heinous misdeed had been committed against nature, considering not neither having regard to themselves, whom full licence to do that which they will availeth not to sate, nor yet to the much potency of idlesse and thought-taking.”

 

“but the nuns gave me so little wage that I could scar[c?]e find me in shoon withal. Besides, they are all young and methinketh they are possessed of the devil, for there was no doing anything to their liking”

 

“Egad, thou didst well to come away. How is a man to live with women? He were better abide with devils. Six times out of seven they know not what they would have themselves.”

 

“and I have again and again heard ladies, who come to visit us, say that all other delights in the world are but toys in comparison with that which a woman enjoyeth, whenas she hath to do with a man. Wherefore I have often had it in mind to make trial with this mute, since with others I may not, if be so. And indeed he is the best in the world to that end, for that, e’[v]en if he would, he could not nor might tell it again. Thou seest he is a poor silly lout [rústico] of a lad, who hath overgrown his wit, and I would fain hear how thou deemest of the thing.”



Escrito por a mosca filosófica às 12:29
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“<Alack!>, rejoined the other, <what is this thou sayest? Knowest thou not that we have promised our virginity to God?> <Oh, as for that,> answered the first <how many things are promised Him all day long, whereof not one is fulfilled unto Him! An we have promised it Him, let Him find Himself another or others to perform it to Him.> <Or if,> went on her fellow, <we should prove with child, how would it go then?> Quoth the other, <Thou beginnest to take thought unto ill ere it cometh; when that betideth, then will we look to it; there will be a thousand ways for us of doing so that it shall never be known, provided we ourselves tell it not.>”

 

“Before they departed thence, each of the girls must needs once more prove how the mute could horse it, and after divising with each other, they agreed that the thing was as delectable as they had heard, nay, more so. Accordingly, watching their opportunity, they went oftentimes at fitting seasons to divert themselves with the mute, till one day it chanced that one of their sisters, espying them in the act from the lattice of her cell, showed it to the other twain. At first they talked of denouncing the culprits to the abbess, but after changing counsel and coming to an accord with the first two, they became sharers with them in Masetto’s services, and to them the other three nuns were at divers times and by divers chances added as associates.”

 

“she kept him several days, proving and reproving that delight which she had erst been wont to blame in others. At last she sent him back to his own lodging, but was fain to have him often again and as, moreover, she required of him more than her share, Masetto, unable to satisfy so many, bethought himself that his playing the mute might, an it endured longer, result in his exceeding great hurt.”

 

"Wherefore, being one night with the abbess, he gave loose to his tongue and bespoke her thus: <Madam, I have heard say that one cock sufficed unto half a score hens [galinhas], but half a score men can ill or hardly satisfy one woman; whereas needs must I serve nine, and to this I can no wise endure; nay, for that which I have done up to now, I am come to such a pass that I can do neither little nor much; wherefore do ye either let me go in God's name or find a remedy for the matter.> The abbess, hearing him speak whom she held dumb, was all amazed and said, <What is this? Methought thou wast dumb.> <Madam,> answered Masetto, <I was indeed dumb not by nature, but by reason of a malady which bereft me of speech, and only this very night for the first time do I feel it restored to me, wherefore I praise God as most I may.> The lady believed this and asked him what he meant by saying that he had to serve nine. Masetto told her how the case stood, whereby she perceived that she had no nun but was far wiser than herself"

 

"and their bailiff [oficial de justiça] being lately dead they made Masetto bailiff in his stead and apportioned his toils on such a wise that he could endure them. Thereafter, albeit he began upon them monikins galore [abundantemente], the thing was so discreetly ordered that nothing took vent thereof till after the death of the abbess, when Masetto began to grow old and had a mind to return home rich. The thing becoming known, enabled him lightly to accomplish his desire, and this Masetto, having by his foresight contrived to employ his youth to good purpose, returned in his old age rich and a father, without being at the pains or expense of rearing children, to the place whence he had set out with an axe about his neck, avouching that thus did Christ entreat [rogou] whoso set horns to his cap."

 

 

"I have bethought me that men oftentimes do messages on such wise that ill answers ensue" [sobre machos fofoqueiros]



Escrito por a mosca filosófica às 12:28
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"Dom, contraction of Dominus (lord), the title commonly given to the beneficed clergy in the middle ages, answering to our Sir as used by Shakespeare (e.g. Sir High Evans the Welsh Parson, Sir Topas the Curate, etc.)."

 

Muitas mulheres casadas não tinham como sair de casa, e tinham de bolar severos estratagemas ou esperar pelo bom acaso a fim de cumprir seus anseios amorosos de traição.

 

"None will know the thing, and even were it to be known, it is better to do and repent, than to abstain and repent."

 

"Eles [os frades corruptos de nosso tempo] denunciam a luxúria nos homens, de sorte que aqueles que foram admoestados, desistindo das mulheres, deixam as últimas livres para os admoestadores."

 

"Boccaccio seems to have taken his idea of the Old Man of the Mountain from Marco Polo, whose travels, published in the early part of the 14th century, give a most romantic account of that chieftain and his followers."

 

"it is well known that the lower-class Italian has a romantic passion for cheese. According to Alexandre Dumas, the Italian loves cheese so well that he has succeeded in introducing it into everything he eats or drinks, with the one exception of coffee."

 

A nona estória do terceiro dia foi recontada por Shakespeare em uma de suas peças, cujo título agora me foge [depois apurado: TUDO BEM QUANDO TERMINA BEM]. Uma filha de médico de modesta condição viaja até o Rei de França para curá-lo de uma doença que ninguém mais cura e pedir em troca a mão de um nobre, seu amigo de infância, para marido. O Rei se cura; o homem se casa, ordenado pelo Rei, mas expressa descontentamento com a sua sorte. Foge para guerrear na Itália enquanto a esposa reina em seu condado. Talvez que essa História seja uma fábula conhecida - o Conde da Toscânia?

 

A esposa manda mensageiros, e o conde responde que só volta para ela no dia em que seu anel predileto estiver no seu dedo e os dois tiverem um filho! O "não" cifrado volta-se contra o feiticeiro, pois usando da inteligência a esposa renegada, convertida em peregrina, obtém os dois tesouros do marido reticente, que por sinal, perdulário, se apaixonara por uma italiana de baixa condição. A esposa, combinando com a mãe da cortejada, se disfarçou da mulher amada. Anos depois, os filhos já crescidos, de volta ao condado, onde de novo residia o Conde, ela demonstrou - com suas provas vivas e morta - que tinha vencido a aposta; rendido, o "Príncipe" resignou-se a viver feliz para sempre com sua donzela...

 

Personagens (aportuguesados) da peça:

CONDESSA ROSSILHÃO

BERTRAM, O CONDE

Há o acréscimo de PAROLLES, o companheiro velhaco do Conde em suas viagens concupiscentes

 

"Rustico, who lived on roots and water, could ill avail to answer her calls and told her that it would need overmany devils to appease hell, but he would do what he might thereof." metáfora sexual

 

Diz um provérbio milanês: "melhor uma gorda leitoa do que uma puta arrumada"!

 

DIC: feign - pretender, simular

        fain to: querer muito; estar inclinado a.

 

Lá onde os números se confundem copiosamente...

 

"Ah, luckless maid, would I had died tofore!"

 

O CÂNTICO DE FILOSTRATO

 

"How void my misery is of all relief

Thou mayst e'en feel, so sore I call thee, sire,

With voice all full of woe;

Ay, and I tell thee that it irks me so

That death for lesser torment I desire.

Come, death, then: shear the sheaf

Of this my life of grief

And with thy stroke my madness eke assain;

Go where I may, less dire will be my bane."

 

Quão despida minha miséria de todo alívio

Tu deves 'té sentir, tão maltratado eu te chamo, garanhão/Pai,

Com voz cheia de desgosto;

Sim, e eu te digo que me aborrece a ponto

De eu preferir a menos tormentosa morte.

Venha, morte, então: decepe a muda

Dessa minha vida de pesar

E com tua porrada minha loucura tome conta de mim;

Vá onde eu for, menos árido será meu exílio.

 

"One only charge I give thee, ere I die,

That thou find Love and unto him alone

Show fully how undear

This bitter life and drear

Is to me, craving of his might he deign

Some better harbourage I may attain."

 

Uma só dívida eu te deixo, assim que morrer,

Que você encontre o Amor e nele somente

Mostre inteiramente quão pouco querida

Essa vida amarga e deprimente

É para mim, desejando dele a condescendência

 

De que um melhor porto seguro eu alcance.



Escrito por a mosca filosófica às 12:24
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P. 329 (EPUB version):

"they fell asleep without any covering, so overheated were they what with the weather and what with their sport. Caterina having her right arm entwined about Ricciardo's neck and holding him with the left hand by that which you ladies think most shame to name among men."

 

"Quick, wife, get thee up and come see, for that thy daughter had been so curious of the nightingale [rouxinol!] that she had even taken it and had it in hand." "How can that be?"

 

"An he would part from me in good terms, needs must he first marry her, so it will be found that he had put the nightingale in his own cage and not in that of another."

 

ESTÓRIA 5.1

 

CIMON, IFIGÊNIA, LISÍMACO & CASSANDRA

EM RHODES PRIMEIRO, DEPOIS CRETA

Mais desventuras gregas por mulheres, dignas de Helena de Tróia.

 

"Cimon, abide with God."

"I will begone with thee", respondeu o rústico Cimon, ainda mais bestializado pela beleza da suposta deusa expulsa do Olimpo.

 

[grifos meus]

"Com homens não é assim; eles nascem aptos para mil coisas, não só para isso, e maior parte deles é pertencente aos velhos em detrimento dos jovens; já as mulheres nascem tão-só para isso e suportar crianças, e é por isso que elas são recompensadas; daí, se de nenhuma outra parte, tu deves apreender que mulheres estão sempre prontas para o esporte; ainda mais que uma só mulher cansaria vários homens num jogo, ao passo que nem tantos homens podem cansar uma só mulher; como somos nascidas para isso, te digo que tu farás bem em não dar nada [trocadilho impossível em Português - "loaf" - vadiar, pão] pelo pão-de-aveia de teu marido; de modo que sua alma em nada reprovará tua carne quando já fores velha. Cada um tem desse mundo apenas aquilo que toma para si, e especialmente no caso das mulheres, que devem mais que o homem fazer uso do tempo que têm; tu verás que, quando envelhecemos, nem marido nem ninguém nos olhará, nos mandam à cozinha para contar estórias para o bichano e contar potes e panelas; e pior, eles nos colam rimas e dizem: <Fofoca/bocadinhos para as putas jovens; a mordaça/forca para a língua da matrona.>

Sendo assim, não me digas nada senão quem te agrada e deixe-me arranjar; mas uma coisa te aconselho, minha filha, sejas diligente comigo, já que sou um pobre corpo e terei em ti doravante uma compartilhadora nos indultos e pai-nossos [a interlocutora é freira] que mandarei rezar, para que Deus faça deles luz e velas para teus mortos."

 

"[esses frades pouco beatos] not like doves, but like very turkey-cocks, with crest and erect and breast puffed out"

 

DIC: cuckold - one whose wife is unfaithful

 

"O my God, praised be Thou ever! For, though Thou hast made me poor, at least Thou hast comforted me with a good and honest damsel to wife. See how she locked the door within as soon as I was gone out, so none might enter to do her any annoy."

 

"What is to do now, that thou returnest home so soon, this morning? Messemeth thou hast a mind to do night to-day, that I see thee come back, tools in hand; and if thou do thus, on what are we to live? Whence shall we get bread? Thinkest thou I will suffer thee pawn my gown and my other poor clothes? I, who do nothing but spin day and night, till the flesh is come apart from my nails, so I may at the least have so much oil as will keep our lamp burning! Husband, husband, there is not a neighbour's wife of ours but marvelleth thereat and maketh mock of me for the pains I give myself and all that I endure

(...)

In what an ill hour was I born, at what an ill moment did I come hither! I who might have had a young man of such worth and would none of him, so I might come to this fellow here, who taketh no thought to her whom he hath brought home! Other women give themselves a good time with their lovers, for there is none [I know] but hath two and some three, and they enjoy themselves and show their husbands the moon for the sun. But I, wretch that I am! beucase I am good and occupy myself not with such toys, I suffer ill and ill hap, I know not why I do not take me a lover, as do other women. Understand well, husband mine, that had I am mind to do ill, I could soon enough find the wherewithal, for there be store of brisk young fellows who love me and wish me well and have sent me to do it, for that I was no mother's daughter of that ilk; and here thou comest home to me whenas thou shouldst be at work."

 

O que fazer agora, que tu retornaste para casa tão cedo, essa manhã? Eu acho que te deu na tua cabeça de fazer do dia noite hoje, vendo-te assim voltar, ferramentas nas mãos; e se tu o fazes, com o que vamos sobreviver? De onde tiraremos o pão? Achas que vou deixares penhorar meu vestido e minhas outras roupas humildes? Eu, que não faço nada a não ser me arrastar de lá para cá dia e noite, até a carne desgrudar de minhas unhas, até ter pelo menos o óleo para manter nossa lâmpada queimando! Marido, marido, não há uma só esposa de vizinho nosso que não se espante e faça piadas dos sofrimentos por que tenho de passar e tudo que suporto

(...)

 

Em que péssima hora fui nascer, em que momento horrível vim parar aqui! Eu que poderia ter tido um homem jovem de valor e não querer nada com ele, então eu viria a esse sujeito aqui, que não dirige nenhum pensamento a ela sua esposa que ele trouxe para casa! Outras mulheres desfrutam de um bom tempo com seus amantes, já que não tem nem uma só [que eu saiba] que não tenha uns dois ou três, e sabem aproveitar a vida, e enganam os maridos, mostrando a lua pelo sol. Eu, desgraçada que eu sou! porque sou boa e não me ocupo desses brinquedos, eu sofro males atrás de males, nem sei porque não me arranjo um amante, como fazem outras mulheres. Entenda, marido meu, que se tivesse eu inclinação para o mal, saberia como fazê-lo, uma vez que há inúmeros jovens vigorosos que me amam e me desejam e já me procuraram, porque eu não sou filha da puta dessa laia das outras; e vens tu aqui enquanto devia estar trabalhando!



Escrito por a mosca filosófica às 12:24
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"and as it happened often that folk cannot for ever brook one same food => "e como acontece freqüentemente do povo não poder suportar por muito tempo um mesmo prato de comida, desejando ora ou outra variar a dieta, essa senhora, seu marido deixando de satisfazê-la, tornou-se enamorada de um jovem chamado Leonetto e bom partido e agradável, mesmo que não de alta extração. Ele da mesma forma se apaixonou por ela, e como vocês sabem, nesses casos é comum que, quando as partes não conseguem sufocar o desejo, não demora muito para o amor se consumar."

 

"there is no call to use that loyalty between servants and masters that behoveth friends and kinsfolk; nay, servants should use their masters, in so far as they may, like as themselves are used of them."

 

"This bitedeth thee for none other what than that thou stinkest terribly at mouth, and I know not what can be the cause thereof, for that it used not to be thus. Now this is a very unseemly thing for thee who hast to do with gentlemen"

 

"Carolando, i.e. dancing in a round and singing the while, the original meaning of our word <carol>."

 

DIC - squint: zarolho

 

"scholars, - I will not say all, but the most part of them, - know where the devil kept his tail. Wherefore, ladies, beware of making mock of folk, and especially of scholars."

 

"You men drink so much of an evening that you do nothing but dream all night and fare hither and thither, without knowing it, and fancy you do wonders. 'Tis a thousand pities you don't break your necks"

 

"men have a byword which said, <Good horse and bad horse both the spur need still, And women need the stick, both good and ill>"

 

"how often aforetime had father loved daughter, brother sister, stepmother stepson, things more monstrous than for one friend to love the other's wife, the which had already a thousand times befallen!"

 

"Things honourable pertain unto maturer folk; I can will nought save that which Love willed."

 

"If it appear to her that she had been deceived, it is not I who am to blame therefor, but she, who asked me not who I was."

 

"It is the belief of many philosophers that the actions of mortals are determined and foreordained of the immortal Gods, wherefore some will have it that all that is or shall ever be done is of necessity, albeit there be others who attribute this necessity to that only which is already done. If these opinions be considered with any diligence, it will very manifestly be seen that to blame a thing which cannot be undone is to do no otherwhat than to seek to show oneself wiser thant the Gods, who, we must e'en believe, dispose of and govern us and our affairs with unfailing wisdsom and without any error; wherefore you may very easily see what fond and brutish overweening it is to presume to find fault with their operations and eke [ainda; além disso] how many and what chains thy merit who suffer themselves to be so far carried away by hardihood as to do this. Of whom, to my thinking, you are all, if that be true which I understand you have said and still say for that Sophronia is become my wife, whereas you had given her to Gisippus, never considering that it was foreordained from all eternity that she should become not his, but mine, as by the issue is known at this present."

 

"you of your judgement gave Sophronia to Gisippus, a young man and a philosopher; Gisippus of his gave her to a young man and a philosopher; your counsel gave her to an Athenian and that of Gis. to a Roman; your counsel gave her to a rich youth, his to a very rich; yours to a youth who not only loved her not, but scarce knew her; his to one who loved her over his every happiness and more than his very life. (...) True, he is an Athenian and I am a Roman. If it be disputed of the glory of our native cities, I say that I am a citizen of a free city and he of a tributary one; I am of a city mistress of the whole world and he of a city obedient unto mine; I am of a city most illustrious in arms, in empery and in letters, whereas he can only commend his own for letters."

 

Titus

 

"Let me tell you, king, that it was an exceedingly great glory to you to have overcome one's self, wherefore do you, who have to correct others, conquer yourself and curb this appetite, nor offer with such a blot to man that which you have so gloriously gained."

 

 

"To-morrow, as you know, it'll be 15 days since we departed Florence, to take some diversion for the preservation of our health and of our lives, eschewing the woes and dolours and miseries which, since this pestilential season began, are continually to be seen about our city."

 

"Most noble damsels, for whose solace I have addressed myself to so long a labour, I have now, methinked, with the aid of the Divine favour, (vouchsafed me, as I deem, for your pious prayers and not for my proper merits,) throughly accomplished that which I engaged, at the beginning of this present work, to do; wherefore, returning thanks first to God and after to you, it behoved to give rest to my pen and to my tired hand."

 

"De novo, como são, essas estórias, como tudo o mais, podem causar dano e benefício, de acordo com a disposição do ouvinte. Quem não sabia que o vinho, embora, segundo Cinciglione e Scolajo (*) e muitos outros um excelente bem para pessoas em saúde, é daninho para quem tem febre? Deveríamos dizer, então, que porque o vinho maltrata os febris ele é ruim? Quem não sabia da utilidade, não, necessidade do fogo para os mortais? Porque ele queima casas e vilas, é mau? Armas asseguram o bem-estar daqueles que desejam viver em paz e ainda assim matam os homens, sem malícia alguma per se, mas pela perversidade de quem as usa errado."

 

(*) Dois notáveis recomendadores do vinho em seu tempo.

 

"Que livros, que palavras, que letras são mais sagradas, valorosas e veneráveis que as das Divinas Escrituras? E existem muitos que, mal-interpretando, conduziram outros e a si mesmos para a perdição. Tudo em si mesmo é bom de algum modo e mal-usado doutro; assim também minhas estórias."

 

 

"Embora um bom tempo tenha passado de quando comecei a escrever até esta hora presente em que finalizo minhas tarefas, não escapou de minha memória que eu recomendei esta minha obra a mulheres ociosas e não outros, e dentre aqueles que lêem para passar o tempo nada pode ser tão longo, já que a leitura atendeu seus propósitos. Resumos cabem melhor aos estudantes, que estudam não para os ponteiros do relógio andarem, mas para aplicar melhor o tempo, ao contrário de vocês mulheres, que têm em suas mãos todo o tempo que não passam nos prazeres do amor; ainda mais que nenhuma de vocês vai a Atenas ou Bologna ou Paris estudar, então mais vale falar a vocês que a quem se aguçou pelas letras. Bem, não duvido que muitas de vocês dirão que o acima está cheio de gracejos, excentricidades, prosódias e lisonjas e que pareceria feio a um homem de peso e gravidade escrever assim. (...) declaro, pois, que não sou pesado, sou leve o bastante para boiar na água feito noz, e considerando as pregações fradescas, de censurar homens por seus pecados, hoje não mais que gracinhas e esquisitices e zombarias, concebo que esses últimos não estão à toa em minhas estórias feitas para espantar a melancolia das mulheres. Porém, se elas rirem demasiado desses causos, as Lamentações de Jeremias, a Paixão do Nosso Salvador e a Queixa de Maria Madalena aí estão para curá-las."



Escrito por a mosca filosófica às 12:23
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SAMEOP

O irárt noc oaaiverc se euqmemoho.

 

homemória

 

homemorróida

 

Emorrhoidão, o primeiro homem

 

EStreitártaroslaçoslandoBOÇO

 

 

Sobre a história (ciência que Hegel – filósofo alemão aquele país que demorou a esperança – RIP – é a última que morre a se reunificar do(s) século(s XVIII e) XIX  quase identificou ao jurídico) do universo.



Escrito por a mosca filosófica às 19:36
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THE APPLE TREE

John Galsworthy

 

“Maladjusted to life--man's organism! One's mode of life might be high and scrupulous, but there was always an undercurrent of greediness, a hankering, and sense of waste. Did women have it too? Who could tell? And yet, men who gave vent to their appetites for novelty, their riotous longings for new adventures, new risks, new pleasures, these suffered, no doubt, from the reverse side of starvation, from surfeit. No getting out of it--a maladjusted animal, civilised man!”

 

“Life no doubt had moments with that quality of beauty, of unbidden flying rapture, but the trouble was, they lasted no longer than the span of a cloud's flight over the sun; impossible to keep them with you, as Art caught beauty and held it fast.”

 

"My dear fellow," Garton was saying, "pity's only an effect of self-consciousness; it's a disease of the last five thousand years. The world was happier without."

 

 

"My dear chap, all our modern unhappiness comes from pity. Look at animals, and Red Indians, limited to feeling their own occasional misfortunes; then look at ourselves--never free from feeling the toothaches of others. Let's get back to feeling for nobody, and have a better time."

 

 

"Ah! That's so English! If you speak of emotion the English always think you want something physical, and are shocked. They're afraid of passion, but not of lust--oh, no!--so long as they can keep it secret."

 

 

Quão pueril! Eu, no Gisno, não mais que 17, silencioso, recatado, ascético... Contemplando meus próximos 50 anos e pensando: já sou maduro! já sou velho! Olha como brincam os adolescentes; eu sou diferente. Tenho uma calma serena para tudo e sei apreciar a vida. E hoje... perdeu-se isso?! "Emburreci" no mundo do trabalho? Ou sou sempre aquele com mais a dizer e que é o menos tagarela dos colegas? A desgraça dos comunicativos-seletivos. Cuspindo a semente da maçã podre.

 

Except for a definite irritation with his friend, natural when you have tramped with a man for three days, Ashurst's memories and visions that sleepless night were kindly and wistful and exciting.”

 

"'Ope as yure leg's better, zurr."

 

"Thank you, it's getting on."

 

“Of man--at any age from five years on--who can say he has never been in love?”

 

“Algumas naturezas são tornadas mais ásperas pelo amor que lhes prestam; outras, como a de Ashurst, são absorvidas, aquecidas, comovidas e aliviadas, quase exaltadas, pelo que elas sentem ser uma espécie de milagre.”

 

"What had he known of love, till she seized his hand and kissed it! And now--what did he not know? But to write of it seemed mere insipidity!"

 

"Each queen wasp killed meant two thousand fewer wasps to thieve the apples which would grow from that blossom in the orchard; but who, with love in his heart, could kill anything on a day like this?"

 

"Time goes fast for one who has a sense of beauty, when there are pretty children in a pool and a young Diana on the edge, to receive with wonder anything you can catch! Ashurst never had much sense of time."

 

"I love her! But do I really love her? or do I only want her because she is so pretty, and loves me?"

 

 

 

 



Escrito por a mosca filosófica às 20:39
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ANTOLOGIA DE UM SÓ - UM RETORNO ÀS ORIGENS

JOAQUIM MANUEL DE MACEDO - A MORENINHA

 

Capítulo "Aposta Imprudente"

 

(...)

 

- Augusto, minha avó é a velha mais patusca [fanfarrona; tipo de bolo; boceta] do Rio de Janeiro.

 

- Sim?... que idade tem?

 

- Sessenta anos.

 

- Está fresquinha ainda... Ora... se um de nós a enfeitiça e se faz avô de Filipe!...

 

- E ela, que possui talvez seus 200 mil cruzados, não é assim, Filipe? Olha, se é assim e tua avó se lembrasse de querer casar comigo, disse Fabrício, juro que mais depressa daria o meu 'recebo a vós' aos cobres da velha, do que a qualquer das nossas 'toma-larguras' da moda.

 

- Por quem são!... deixem minha avó e tratemos da patuscada. Então, tu vais, Augusto?

 

- Não.

 

- É uma bonita ilha.

 

- Não duvido.

 

- Reuniremos uma sociedade pouco numerosa, mas bem escolhida.

 

- Melhor para vocês.

 

- No domingo, à noite, teremos um baile.

 

- Estimo que se divirtam.

 

- Minhas primas vão.

 

- Não as conheço.

 

- São bonitas.

 

- Que me importa?... Deixem-me. Vocês sabem o meu fraco e caem-me logo com ele: moças!... moças!... Confesso que dou o cavaco por elas, mas as moças não têm posto velho.

 

- É porque ele não conhece tuas primas, disse Fabrício.

 

- Ora... o que poderão ser senão demoninhas, como são todas as outras moças bonitas?

 

- Então tuas primas são gentes?... perguntou Leopoldo a Filipe.

 

- A mais velha, respondeu este, tem 17 anos, chama-se Joana, tem cabelos negros, belos olhos da mesma cor, e é pálida.

 

- Hein?... exclamou Augusto, pondo-se de um pulo duas braças longe do canapé onde estava deitado: então ela é pálida?...

 

- A mais moça tem um ano de menos: loira, de olhos azuis, faces cor-de-rosa... seio alabastro [mármore branquinho]... dentes...

 

- Como se chama?

 

- Joaquina.

 

- Ai, meus pecados!... disse Augusto.

 

- Vejam como Augusto já está enternecido...

 

- Mas, Filipe, tu já me disseste que tinhas uma irmã.

 

- Sim: é uma moreninha de 14 anos.

 

- Moreninha! diabo!... exclamou outra vez Augusto, dando novo pulo.

 

- Está sabido... Augusto não relaxa a patuscada.

 

- É que este ano tenho pagodeado meu quantum satis; e, assim como vocês, também eu quero andar de contas justas no mês de novembro.

 

- Mas a pálida?... a loira?... a moreninha?...

 

- Que interessante terceto! exclamou em tom teatral Augusto; que coleção de belos tipos!... uma jovem com 17 anos, pálida... romântica, e portanto, sublime; uma outra, loira... de olhos azuis... faces cor-de-rosa... e... não sei que mais; enfim, clássica e por isto bela. Por último, uma terceira de 14 anos... moreninha que, ou seja romântica ou clássica, prosaica ou poética, ingênua ou misteriosa, há de por força ser interessante, travessa e engraçada, e por conseqüência qualquer das três, ou todas ao mesmo tempo, muito capazes de fazer de minha alma peteca, de meu coração pitorra [Mais uma palavra rica de nosso idioma: 1. pequeno pião; 2. cabeça; 3. gênero de molusco; 4. pessoa baixa e gorda.]!... Está tratado... não há remédio... Filipe, vou visitar tua avó. Sim, é melhor passar os 2 dias estudando alegremente nesses 3 interessantes volumes da grande obra da natureza do que gastar as horas, p. ex., sobre um célebre Velpeau[*], que só ele faz por sua conta e risco mais citações em cada página do que todos os menininhos fizeram, fazem e hão de fazer pelo mundo.

 

[*] Anatomista francês, teria descoberto a leucemia. Quando se usa tipoia no braço, o procedimento ganhou seu nome.

 

- Bela conseqüência! É raciocínio o teu que faria inveja a um calouro, disse Fabrício.

 

(...)

 

- E de qual gostaria mais, da pálida, da loira ou da moreninha?...

 

- Creio que gostaria, principalmente, de todas.

 

- Ei-lo aí com sua mania.

 

- Augusto é incorrigível.

 

- Não, é romântico.

 

- Nem uma coisa nem outra... é um grandíssimo velhaco.

 

- Não diz o que sente.

 

- Não sente o que diz.

 

- Faz mais que isso, pois diz o que não sente.

 

- O que quiserem... Serei incorrigível, romântico ou velhaco, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou, enfim, mau e perigoso, e vocês inocentes e anjinhos. (...) verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem um 'eu vos amo', mas também a nenhuma pedi ainda que me desse fé; pelo contrário, digo a todas o como sou; e se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis, a culpa, certo que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros, amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas... sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... Mas entre nós há sempre uma grande diferença; vós enganais e eu desengano; eu digo a verdade e vós, meus srs., mentis...

 

- Está romântico!... está romântico!... exclamaram os 3, rindo às gargalhadas.

 

- A alma que Deus me deu, continuou Augusto, é sensível demais para reter por muito tempo uma mesma impressão. Sou inconstante, mas sou feliz na minha inconstância, porque, apaixonando-se tantas vezes, não chego nunca a amar uma vez...

 

- Oh!... oh!... que horror!... que horror!...

 

- Sim! Esse sentimento que voto às vezes a 10 jovens num só dia às vezes numa mesma hora, não é amor, certamente. (...) ...eu mesmo passar 2 ou 3x por dia por uma só rua, por causa de uma moça?... e para quê?... (...) Para que ela chame as vizinhas que lhe devem ajudar a chamar-me tolo, pateta, basbaque e namorador?... (...) muitas vezes alguma de vós, quando me ouve dizer: 'sois encantadora', está dizendo consigo: 'ele me adora', enquanto eu digo também comigo: 'que vaidosa!' (...)

 

- Que mimos de amor que são as primas deste senhor!...

 

(...)

 

- Bem, escrever-se-á um romance, e um de nós dois, o infeliz, será o autor.

 

 

(...)



Escrito por a mosca filosófica às 10:57
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ENTRELINHAS DE ZARATUSTRA

"olho afável que pode ver sem inveja até mesmo o excesso de felicidade!"

 

Meu barbante e minha calopsita

Eu sei da tua seiva

Eu sirvo ao silvo do silvícola

O seu self selvagem

Sou da nata dos nativos

Aposto nos apócrifos

Envergo o verbo

Medito num meio de merecer o mel,

e abdicar do sarcófago da múmia

Cato cacos de cantos centrados no espírito

Escrevo e nem sei se devo

algo a alguém

 

Não posso avançar dois degraus-monolitos de uma vez!

 

Um deus tão sujo (e duas caras) que eu chamei de BIDÊUS.

 

Quem desdenha algo, quer comprar outra coisa.

 

O deus-eco mais fraco do século XX foram os aliens da Area 51. Além das estrelas um motivo para ainda continuar vivo. A igreja oval achatada e cheia de luz e muitas graças. Feérica crença agitada. Sob encomenda para as massas.

 

Está desconfiado do sentimento de desconfiança?

 

Aquele que pensar de modo diverso, que encaminhe voluntariamente seus passos para o manicômio.

 

"Estou amuado hoje."

"Vá assistir um filme!"

 

Tromba em mim com tua tromba, dinha

 

rever em cear, se há...

 

A cavalo cuidado, não se olha os pendentes!

 

Vou jogar com o sol a pino no boliche das galáxias!

 

"Dei a luz a um grilhão, agora sou feliz, não morrerei sozinha, pois o maldito transmite a maldição pelo sangue!" E. "Meu Absoluto vem do meu Próprio Eu, meu Ventre. Mas para disfarçar a blasfêmia ao meu Deus intangível, distante, frio, chamo-o de Outra Coisa, também 'inacessível', rá! mas o truque é que ele é minha carne! Manjado o golpe, porém no mundo lá fora do útero ele ainda é comprado!"

"O Mais Limpo vem do sujo, impuro, ignominioso!"

"Assinado: a mãe de um Deusinho!"

meu bojo ai que nojo!

 

Desculpe, mas não vou pagar o que eu devo, pois, de mais a mais, nunca poderei. Devo e devo duas, três vezes. E só aumento a dívida. Resgate que já se tornou maior que a vida. Por isso não me mate, não antes que o tributo alcance maior quilate!

 

O Em-Si não vê o jornal. Ele é profundo.

De pé descalço,

e barriga ao vento

Agora eu vou, pra longe de casa agora eu vou.

De garras afiadas subjetivas, sempre

Pinta aqui um sinal de que tudo vai bem

O cotovelo cria casca, enrijece pelo todo

A fábrica continua a todo vapor a produzir o gel-dádiva-mor

Cada preguicinha tem o seu porquê, o seu desmascaramento: e não era nada disso

Cada pêlo hirsuto está também mancomunado

com o centro de controle ousado

 

Simíope é o macaco

Mansurdo às agressões

O entortamento diante de cada ser - reverência secreta?

Pombinhos acadêmicos esquálidos,

falo de quase todos em somente 2 linhas

Cada gota de suor faz parte de algo maior

Pernas: pra que as quero?

Ombros: para suportar o peso dos escombros.

 

Não alterar o trajeto da corrida que estou vencendo.

 

A julgar pelo que me vem acontecendo, a esperança é a última que dorme!

 

* * *

 

Era de Ouro - Era de Prata - Era de Bronze...

No futebol, nos games, na música, na literatura, até no clima e na vida...

 

Até os bobos-da-côrte precisam, eventualmente, de um bobo-da-côrte.

 

A vida é uma churrasqueira, negra e escura.

 

(...)[XF]

 

O mundo pára depois da sexta-feira, e depois rearranca de 2ª marcha

Ele bebe metade da água do copo e joga o resto fora, mesmo que o faça duas vezes, de sede: ele não suporta ir até o fundo...

Não obedeça os impulsos de teus sonhos.

  Queres sair? Queres "te divertir"?

Ainda não, bastardo! Espere mais um pouco,

 

o ceu está nublado.



Escrito por a mosca filosófica às 23:00
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Estás cansado? Problema teu, ponha no automático.

 

Vou saber te recompensar!

 

Sou tão profundo que não sou nem Eu!

 

Mesmo lésbicas adotam crianças.

 

Não és suficientemente rico para mo dar de presente.

                                               mudar

 

Eu tenho o Direito de ser injusto.

 

Eu quero ser o senhorio.

 

Quem espera nunca alcança, porque perdeu o momento propício. Foi o tempo que congelou seu coração ou foi ao contrário?

 

P. 85: Mondiodrongo

trabalho monjolo paciência enjôo

lazer (não confundir) jogo portenho tango

Mongo django livre jungle capitalismo

emoções educação parasita lei da selva

Sonso mansão dia longo televisão comendo

roncando meleca Sim? P! Sons of decadence

exemple sans élégance, c'est fatal! Dio mijo mijódromo descarga gambitos gol Gnomo DEUS-DUENDE

Campeão mondial de la preguiça va mal, et toi lette?

 

Tímpano Maia

 

maduro mamole dá duro, durma e mame este é o teu lema! Ele é o mal e a loucura encarnados.

 

"Seu sonho era ver seu filho se formar na faculdade"

Sonhar grande e alto não é o forte dos sem-asas!

Erguer-se depois da queda não é prerrogativa dos castrados.

 

"Meus inimigos se tornaram poderosos e desfiguraram tanto a imagem de minha doutrina que meus prediletos se envergonharam dos dons que lhes fiz."

 

Nós, os sábios, os escolhidos, [insira aqui o vocativo], obedecemos a eterna dialética do bater e assoprar, do subir ao monte do ar rarefeito mas puro e descer à canalha, carregando uma mensagem!

É que às vezes não estamos nem à altura de nós mesmos.

Outras vezes estamos tão altos que nos tornamos magnânimos!

A visita do anjo que nos acalanta é a nossa própria!

A prova de que estamos no bom caminho é que até a ralé gosta de viajar, ensaia ser alpinista!

Ninguém a não ser pássaro chega tão longe comendo alpiste!

Para ser o snowboarder, o esquiador das idéias brancas de neve, é um mandamento solar saber descer em velocidade!

Hotelaria em mim mesmo. Cartão sem limite. Self-service, coração open bar.

 

 

Quem é Sansão para sancionar?

Quem é o forte para bater?

Quem é o sensual para bailar?

Quem é o deus para criar?

Quem é você para dizer?

Quem é o tabelião para cobrar?

Quem é o pobre para pagar?

Quem sou eu para escutar?

Quem é a criatura para honrar?

Quem é o leproso esquálido para estacar?

Quem é o fraco para deixar passar?

Quem é o interdito para não amar?

De quem é essa dose para eu tomar?

De quem é esse tomo para eu ler?

De quem é essa LER para eu curar?

De quem é essa cúria para eu distribuir?

De quem é esse distrito para eu poluir?

De quem é esse pólen para eu assoprar?

De quem é esse sopro para eu comprimir?

De quem é esse comprido para eu cavalgar?

De quem é essa pá e esse esgar?

 

Pinto esgotado

assim o artista se cansa

Lusifica a língua

lubrifica a herança

 

Pardo se esgoela no apito

da vida alheia

Fisguei uma isca!

Sara e Ifrit me beijam na ameia

 

O Big Bang da burrice universal

 

O azarado com dinheiro é o único desgraçado que não pode comprar a sua sorte.

 

Dou aula de modos aristocráticos, mas não falo da História!

                            ariscos

                        de arrisco

 

Estou cada vez mais convicto de que ou você lê ou você VIVE.

 

Fug ID io da psicanálise

 

 

O Judeu Gás Metano



Escrito por a mosca filosófica às 22:59
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ERRO? Percepção mutável ancorada no presente mais imediato de que tudo vale, apesar dos pesares, mesmo a pena ou negando a idéia ultrajante. Como saber qual das duas é produto de uma maior 'imaturidade espiritual'? Ciclo ininterrupto porque contingente. Não decide nada. Número de vezes? Irrelevante, quando todo castelo vira areia e não há poupança. O imbecil do Odium fati - de pessimista e de tolo basta euzinho!


Mas toda areia vira castelo uma hora!


158 MANUAL DO EU VIVO

. Nãos aos tímidos

. Sim aos vaidosos

. Deixar-se levar pela gentalha

. Ocultar minha identidade e esquecer a deles

Página do SUPERDRAGÃO, a nêmese para o S-H.

Eu sou apenas carne da sua carne, que se separou há muito tempo...

Até a Fênix morre por alguns instantes. Ela retira sua energia do próprio não-Fênix, de quandonde não estava ali devindo, não estava mais. Seu zero vazio inexistente é seu inconsciente. Seu antes e além, seu momento.


Eu sou Shido, ele é Arrombado.


O Instante é odioso porque ele é Pai.


Se Chefe de Família fosse cargo DAS, você estaria no FGTS.


Nietzsche em russo (?) é NÃO...


Rafael x OS-QUE-NUNCA-MUDAM

 

Handicap na coordenação motora da voz. Cordas vocais que já não sabem o que querem, nem como se vibra. Sou tão parecido assim com o traste parasita que mais abomino?!

 

A sua presença me causa cansaço existencial.

 

CAPESCA UM GRANDE PEIXE PAI DE PEIXE PEIXÃO É  CHÃO E PÉ, PAIXÃO.

        COXA TCHACO  encontra-se um caminho fora das artes-marciais

                                                                              tesar tesão

 

bigode de Gobi’s Valley até vocês! Liaison

 

Por que os animais são oniscientes?

 

Faço as coisas mais estúpidas que é para me curar da insistente sabedoria!

 

Ave não tem medo de cair, se espatifar; ave tem vertigem de baixitude!

 

Comer a eis ou não, ex a questão!

 

Para mandar é onipresente, para cuidar, nem tanto.

 

“we can expect Shakespearean work from Shakespeare or we can expect Shakespearean work from a monkey sitting at a typewriter” – Crack Addict, GameFAQs

 

Deus criou o mundo em 6 dias

no sétimo a Samara o matou.

 

Deus, se vc tá me ouvindo, abaixa a tampa do vaso.

 

O eterno respingo de todas as coisas.

A eterna restinga

 

Meio-dia e meia-noite no País dos Escuros Tópicos

                                                Tropeços Claros!

Me sinto mais à vontade... 9 da matina, vida vespertina, 3 da tarde!

 

Felizmente sou infeliz! Ass: superpoeta e grávido e crente!

 

Dragon Ball Zaratustra

Assim é a Filosofia

Vê se não te Frustra!

 

BALANÇO GERAL – duplo sentido

 

O homem bom x o bandido

O trabalhador

a vítima

(o carrasco!)

O homem adulto, formado

Pai de família

Carrólatra que não bebe

 

O mau do bandido é ainda ser penoso trabalhador, bode expiatório, executor da sentença de outros, homem (no sentido mais jurídico do termo – órgão reprodutor, sujeito consciente das responsabilidades, maior de idade), sustentáculo de dependentes e “tirador de documentos” demais. Tudo isso ele é demais, em tudo isso ele se inclui, é apenas uma reflexão em superfície levemente mais turva. Poderíamos trocar de posição, num mau dia para ambos!

 

O mundo que o apresentador quer

O mundo que o apresentador teme

nenhum dos dois irá se consumar

porque o civilizado é frágil e arrumado demais para tomar providências verdadeiras

mas o bandido é só ele cuspido;

daria tudo por um terno-e-gravata e respeito

O fraco, sem porta-vozes, se obriga a ser forte

 

Poderia surfar nesta ladainha para sempre!

      MAIO-nese – ó, mas já é junho!

 

Recolham-se, os sete pedaços ca-ca-capitais!

 

Fique triste! Você não está sendo filmado!

 

Até a próxima regorjearuminação!



Escrito por a mosca filosófica às 22:56
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VIAJAR AO ESPAÇO!

A grande ambição... do homem romântico. Quando o sonho se concretizou (pela metade), no século XX, já era ultrapassado, quimera, sem graça. De que valia tanto esforço para queimar combustível, se não se poderia ir além da Lua, o satélite natural da Terra, já desvendado em todas as suas crateras desde aqui pelos telescópios dos astrônomos? Restava o lado negro, é claro, o mais feio, inominável, o lado escuro da Lua. Que o resto da negra imensidão do cosmo, aliás, tão feia quanto o ponto cego dos astros familiares, fosse explorado por macacos, ratos, cães, robôs e o raio que o parta, menos gente!

 

A porta para o inconsciente não está dentro de você no mundo real. O mundo dos obuses, o mundo da inflação. Que resta de mim sem o vil metal; só estas hastes gastas de madeira que sequer se dobram? A dúvida me devora, como as operações dos Homúnculos Sem-Mãe devoravam a armadura do meu irmão! Uma casca vazia, sem alma, eram alguns dos outros; mas eu sou o contrário, alma sem conteúdo carnal - pouco importa!...

 

Sacrifiquei tudo, mas ainda me sobrou muito.

 

Assinado: uma Ostra chamada cismo - ou seria a Pérola dessa mesma Ostra?



Escrito por a mosca filosófica às 22:47
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CANÇÕES DE AMOR - Petrarca

-- comentador: William Dudley Foulke --

 

"he has come down to us after 6 centuries as 2nd only to Dante among the 5 great classic authors in Italy and as a worthy of the companionship of Homer, Virgil, Horace, Cervantes, Shakespeare, Milton, and Goethe on the world's roll of fame."

 

Esta é a única obra no vernáculo de Pet. O demais está em Latim.

 

Petrarca nem nascera (1304) e Dante, o Gibelino, já havia sido banido de Florença (1302). Mas em verdade Francesco é de Arezzo. Só que entre os exilados, dois anos antes, lá estava seu Petracco, pai!

 

"Pistoia", cidade italiana

Tonga - nação polinésia

 

Súbita lembranã de sonho: revista Nosso(s)/Seu(s)/O(s) Amig(uinh)o(s)

 

P. 12: curiosa história de como um dos últimos exemplares de Cícero sumiu para sempre.

 

Lady Laura como a "Beatriz de Petrarca".

 

Santo Agostinho - Confissões

 

stupefied on the field

 

Roma, a Cidade Eterna

 

"Eu nunca vejo o rosto de uma mulher, exceto pelo da esposa do meu oficial de justiça, e se você a visse, suporia estar diante de um pedaço do deserto líbio ou etíope. Feições chamuscadas, queimadas de sol, sem um traço de frescor ou sumo jovial que reste. Se Helena tivesse uma tal cara, Tróia ainda estaria de pé." "[mas] Sua alma é tão branca quanto sua pele é TRIGUEIRA..." "Aqui [em Vaucluse] os únicos sons são os ocasionais ruminares do gado e balidos das ovelhas, as canções dos pássaros, e o incessante murmurar da correnteza." "é tudo muito quieto da aurora ao crepúsculo (...) disciplinei tão bem minha garganta e minha barriga, que o pão do meu pastor me basta"

 

"minha frivolidade mulheril me diz que não há nada tão bonito fora da Itália"

 

Pra ser nada, você ainda precisa de muito, gata!

 

Entre mim e a felicidade, o pavimento mais rico: um só livro. É do que é preciso.

 

Pan-Atenéia, as Olimpíadas Intelectuais

 

Lauraeado!

 

"On April 25 [1342], Pope Benedict XII died, and Clement VI ["O Devasso"] succeeded him. Petrarch may well have been anxious to acquire the favour of the new pontiff, since his livelihood was largely dependent on papal patronage."

 

debalde me banhei de balde

 

"[Devido a ele] A mania for composing poetry [fantasmagoria!] became epidemic."

 

"On the night of February 23 [escrevo dia 23/02/14], after passing successfully through the camp of the besiegers with a small unarmed escort, he was attacked by a troop of robbers and was only saved by flight. His horse fell and threw him, the guides lost their way, and P., wounded from the fall, spent the night upon the ground in the midst of a raging storm." [fuga do sítio de Milão e Mântua a Parma]

 

"In the beginning of 1348 the Plague appeared, brought by merchants out of India through Constantinople." "Those who were attacked generally died at the end of 3 days."

 

Conheceu Boccaccio aos 46.

 

"They wanted to send me to school at my age, to teach me to write in a low and crawling manner."

 

O tratado "semi-louco" de Petrarca, que se enfureceu contra a classe dos médicos em uma querela infantil: "Invectives Against a Certain Physician"

 

Sujeito craque em cair do cavalo - metaforicamente ou não!

 

"I love solitude and silence, but I am a prattler [tagarela] among my friends. I compensate for the chatter of a day by the silence of a year."

 

"There is nothing so fatiguing as intercourse with the public or with someone we do not love and who has not the same interests that we have."

 

1359 - finalmente lê a Divina Comédia. "Neither the injustice of his fellow citizens nor his own quarrels, nor exile, nor poverty, nor the love of wife and children - nothing could distract him from his studies, although poetry demands silence and repose." "As youth is flexible, drawn to admiration and imitation of what it admires, I feared that in reading the works of those who had written in the same language, I would become, without knowing it or wishing it, their copyist."

 

Um pedante numa discussão com P.: "Be a good Christian as much as you like; for my part I don't believe anything of all of that. Your Paul, your Augustine, and all the rest you boast of [se gaba de], were only platters. Ah! if you could read Averrois you would see how superior he is to all such folk." Apology against the Calumnies of a Frenchman

 

Averróis, o discípulo de Aristóteles

 

O Papa Urbano V se mudou de Avignon para Roma e depois voltou com o rabo entre as pernas. Papas pareciam morrer com simples resfriados, ou eram eleitos muito velhos... Ou os dois.

 

Letter to Posterity, a autobio.

 

"In spite of his long friendship with Boccaccio, Petrarch had never read the Decameron until this year. [o último de sua vida, 1374]"

 

Um virador-de-chave da libido como Roberto Carlos. Logo um clitóris quente se transformará, em sua percepção febril, no cálido e inefável 'amor de Deus'.

 

"Só via separação, distrações ocupacionais, ou um novo amor, pode um antigo amor ser curado. Mas os antídotos mais efetivos são doença, feiúra e velhice! Mulheres não merecem ser amadas, já que são um sexo desumano e frívolo para quem a trapaça se tornou um hábito. Briga e descontentamento invadem o lar com esposa, especialmente sendo ela rica e de família nobre. Aquele que tendo uma vez casado vem a se casar de novo é um tolo, e aquele que dá uma madrasta a sua criança é o mesmo que arremessa uma tocha ardente na própria casa. Se não fosse pecado e proibido por Deus, o concubinato seria melhor que um segundo casamento."

 

 

Geoffrey Chaucer - Canterbury Tales



Escrito por a mosca filosófica às 16:37
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"I wish to perysh, yet I aske for helth; (Wyatt)
  I loue another, and this I hate my selfe;

  I fede me in sorrow, and laugh in all my payne"

 

"os frívolos encantos de uma beleza perecível com que eu me ocupei por demais."

 

"Ela tinha escrito em seu justo colar <Não deixe ninguém me tocar, meu César [Senhor] achou melhor me fazer livre>"

 

"A juventude me corrompeu; o gentio me tirou do caminho; mas a velhice me corrigiu, e me ensinou a verdade: que juventude e prazeres são vanidades."

 

"But, alas! There is nothing lasting among mortals, and if aught [qualquer coisa] of sweetness chanced to present itself in life soon comes the bitter end."

 

etc. = &c.

 

* * *

 

"'Tis [It is] now, O Lord, the eleventh circling year

Since I am fettered by this pitiless chain

Which to the weak is ever most severe;

Have mercy on my undeserved pain!

Guide Thou my wandering thoughts some better way"

 

"Follow the few and not the common herd."

 

"Lo'! a true friend to rescue me draws nigh"

 

bark at the sea moon:

"My bark the raging surges overwhelm,

Tossing at midnight on the winter sea.

'Twixt [It twisted] Scylla and Charybdis. (...)"

 

"Amid these waves knowledge and skill are vain,

And I despair of reaching port again."

 

"Provençal sestines" - rígida métrica com as mesmas últimas palavras de cada verso pré-definidas; estrutura cíclica.

 

woodland would lend?

 

"What miracle to see her on the grass,

Where like a flower she sits! Or watch her press

Her breast on that green bush; or mark her pass

In the fresh springtime, in her loveliness"

 

"I know that still alive I could not be,

If she, of women fairest and most pure,

Came not in dreams at early morn to me,

The time when every dream is true and sure."

 

"Since I was born where Arno's stream doth glide

From land to land my restless feet have sped,

And life was naught [nought?] but bitterness and pain."

 

"Virgin, my only hope doth rest in thee!

I know that thou will help my sad estate."

Uma virgem, e não a, para me restabelecer!

 

"And all the fruit of love is bitter shame

And vain repentance, till it clearly seems

 

The things that charm the world are idle dreams."



Escrito por a mosca filosófica às 16:35
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TIMEU-CRÍTIAS - Platão

DIC (grego): kai - conjunção "e"

 

"o culto cretense do touro" itauriano apaixonado da bota que deu um chute no traseiro brasileiro pastiche-iche-iche sanduíche panduíche iídiche

 

Chama a atenção a alta incompreensão de Platão pelos filósofos antigos seus discípulos.

 

Esse discurso é a ressaca dos diálogos da República.

 

"Sólon, o mais sábio de entre os Sete Sábios"

 

"era bom que ele não tivesse usado a poesia como passatempo" (*)

 

Egípcios, os pais da História: "nasceis de novo, do princípio, tal como crianças, sem saber nada do que aconteceu em tempos remotos, quer aqui, quer entre vós."

 

"ilha essa que era maior do que a Líbia [costa oeste africana] e a Ásia juntas"

 

(*) "é que, ao contrário da maioria dos poetas de seu tempo, Sólon não compunha por indicação de um patrono."

 

Plutarco - Vida de Sólon / Questões Platônicas

 

"Deucalião, filho de Prometeu" Diluvião Pluvião

 

Heródoto - (título indeterminado) história do Egito

 

"uma imagem eterna que avança de acordo com o número; é aquilo a que chamamos tempo"

"Dizemos que <é>, que <foi> e que <será>, mas <é> é a única palavra que lhe é própria de acordo com a verdade"

 

Planeta = errante

Nossa terra mais firme é a mais vadia

A água é que é sólida! Soledade, só se for!

 

"Eis o que diremos novamente: a órbita do universo, visto que engloba todos os gêneros e é circular, tende por natureza a querer concentrar-se em si mesma e comprime todas as coisas, não permitindo que lugar algum permaneça vazio."

 

O grande monólogo do amigo de Sócrates.

 

"Por causa da gula, a espécie humana tornar-se-ia completamente estranha à filosofia e às Musas, e seria desobediente à parte mais divina que há em nós."

 

"o fluxo de palavras é o mais belo e excelente de todos os fluxos."

 

Hipócrates - Sobre a Doença Sagrada (Epilepsia)

 

"entre as formas de purificação e reforço do corpo, a melhor é a que se alcança através da ginástica. A segunda é a que se consegue através das oscilações ritmadas nas viagens de barco ou noutro meio de transporte que nos mantenha livres de fadiga."

 

Mulher, o animalzinho para as perversões do grego. Dois vira-latas trepando na rua cheirando um o cu do outro, isso eram as safistas na Antigüidade. Ser "grego" hoje: o chauvinismo involuntário. A a-genitalização da sociedade. Do sociedade. Socismo. O corpo é mole, o coeficiente de resistência da carne é fraco, e esta é uma dura lição!

 

"É por isso que a natureza das partes íntimas dos homens é desobediente e autônoma, semelhante a um ser-vivo desobediente da razão" Justificativa moral para a viadagem. O Diogo reencarnará como uma ema ou um peixe fedorento.

 

"visto que naquele tempo as ocupações respeitantes à guerra eram comuns às mulheres e aos homens, isso é uma prova de que todos os seres-vivos da mesma condição - tanto fêmeas como machos - são por natureza capazes"

 

 

Quando o filho é pior que o pai, este joga-lhe na cara; quando é melhor, é tripudiado mesmo assim - pois as condições de vida dele foram mais fáceis, tudo graças aos esforços colossais do desafortunado-pelas-Musas Pai.



Escrito por a mosca filosófica às 12:39
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15/03/11

Esse sonho é diferente de todos os outros no sentido mais importante – ele já teve sua interpretação concluída, perfeita e freudiana, sem tirar nem pôr. Pela única pessoa que poderia fazê-lo. Isso mesmo: eu mesmo. Antes de ter escrito qualquer coisa aqui: porque eu o fiz dentro do sonho de hoje, e lembro com nitidez – e agora posso superinterpretar minha própria interpretação, que não devo menoscabar:

 

Eu anotava num caderno esse último sonho sinistro, parecendo um adolescente no auge da confusão – até pelo título escolhido... Lá vamos nós tentar recuperar minúcias... Eu rasurava o primeiro título escolhido, algo mais ameno, “Os Meus Pais... (algum verbo)”. Ou “O que os meus pais (verbo)”. Sei que ao final ele tinha três palavras que começavam com “N”, o que me remetia de cara ao Nirvana – pela própria letra do alfabeto, pela minha intenção, por ter o “tamanho” de Smells Like Teen Spirit (era essa a sensação durante a representação, que a palavra, que o título que escolhi, tinha a mesma dimensão do título da música do Nirvana, ocupava o mesmo número de caracteres, aproximadamente!) e por conter uma idéia de amputação/suicídio/morte. O próprio nome de banda Nirvana é um tanto revelador, já que sonoramente eu não me sinto ligado ao grupo nem um pouco. O afeto contido no emprego desta nomenclatura – embora evoque instantaneamente o conjunto de Kurt Cobain, o suicida – é todo de outra ordem. No sonho eu interpreto, e julgo estar sendo definitivo na minha análise, meu sonho-síntese, para meu próprio terror.

 

I

 

No sonho-síntese, a família celebra algo na varanda de uma cobertura sem parapeito... Parece Ano-Novo ou data marcante idem, minha mãe está arrumada, a tia Rosângela, minhas primas, estão por ali... Ouço vozes... De certo modo, eu me sinto, nesse átimo, enquadrado em algo extremamente repetitivo, mera conseqüência de uma vida estúpida que já vivi[1]. E não só repetitivo, maçante, mas também angustiante, opressor, eu diria. Eu que nunca gostei da minha família. Parecia, de certo ângulo, um autor onisciente que contempla um dos momentos tardios de sua trama... A história já vem avançada, chegará um dia ao seu fim, e os escassos momentos felizes vão passando, sem perdão, como na mesma velocidade em que um estranho qualquer passa as páginas do álbum de fotografias... Aquilo tudo deveria ser ilusório, apenas uma seqüência de frames de uma película já conhecida e muito batida. Simplesmente não tinha a coloração do real. Como um conto de fadas, se desmancharia fácil pelo império do tempo. Eu bem sabia, como numa profecia, também o que vinha a seguir, e que destoava da “normalidade” desse evento de família... Como se esperasse isso há milênios, ou décadas, vejo, bem ao lado, e lentamente, de forma que podia ter interferido em sua trajetória (fosse para empurrar de vez ou salvá-lo), mas preferi ficar de expectador, o corpo do meu pai silenciosamente deslizando pelo ar, nós que estávamos no topo de algum prédio, à noite, corpo que eu já sentia desprovido de carne e sangue pulsante, um tanto inócuo, só uma casca, mergulhando de ponta rumo ao concreto. E ao mesmo tempo que foi lerda a queda do corpo enquanto ele estava no mesmo patamar que nós da festa, ao mesmo tempo parece ter se dado em 1 ou 2 segundos, se se considerar que assim que se atirou do chão da cobertura para o piso lá embaixo, tão distante, não houve tempo para nenhum gesto ou pensamento de minha parte: metade (da cintura para cima) de seu corpo estava submersa, soterrada, abaixo da calçada. Espatifou-se. Claramente morto (como era um sonho, não está descartada qualquer anormalidade, com ar de naturalidade, haja vista não estranharmos pessoas que voam ou mortos que ressuscitam enquanto não estivermos despertos e de lucidez recuperada). O choque do corpo com o piso havia gerado um forte estrondo. De forma que quando os outros ouvem o baque e são noticiados do desastre, vem logo à tona um dissabor característico dos meus sonhos de morte (uma espécie de rubor facial, grande pesar e vexame, paralisante, mas que nunca senti, dessa mesma forma, a não ser em representações oníricas). E veio porque todos conversavam animadamente, era uma ocasião festiva e foi uma morte inesperada (desculpem pelo chavão!) de um ente próximo, cujo comportamento contrastou imensamente com o da família desde o início do sonho... Curioso que só eu tenha notado o corpo no momento em que ele se jogava. O restante das pessoas só se deu conta do trágico por conta do forte barulho, que já indicava o final da abrupta trajetória daquele corpo, vários andares abaixo. Ao notar o rosto da minha mãe contemplando o cadáver (ou o que era visível dele), apreendendo o que tinha acontecido e que foi tão efêmero e súbito, me enchi de assombro. Mas dissimulado, até certo ponto, porque queria passar outra imagem aos convidados da festa. Por dentro, na realidade, eu era capaz até de alegria, uma alegria longamente anunciada em desejos e palpitações... O presente sonho se encerra ali, e depois sou eu desperto (ou eu já me imaginava como tal) relatando tudo numa folha de papel. Sabe-se que um sonho NO sonho faz com que devamos inverter todos os sentidos – posto que o único substrato do onírico é o real, o que foi representado nele como OUTRO sonho é manifestamente um parêntese ou o pronto acréscimo da palavra NÃO a tudo o que deriva desse real: o oposto do que você quer, o contrário do desfecho desejável... Aos que relativizam essa característica, não considero nada casual a escolha dessa forma negativa de representar a morte do meu pai para mim mesmo. Não como forma de censura que retirasse o fundamental e mais imoral da interpretação do sonho, justamente porque é um dos sonhos de que me lembro com mais exatidão e fidelidade, além de seu teor ser pesadíssimo. Caso fosse realmente uma mensagem positiva, não seria difícil que pulássemos agora para outra etapa do sonho ou que eu tivesse de me despertar do meu sono para rememorá-lo conscientemente e quase sem brechas (o que costuma acontecer quando temos um pesadelo), como o fiz somente ao acordar verdadeiramente. Mas ao “acordar e continuar dormindo”, ou seja, criar o subterfúgio do sonho dentro do sonho, e ter sabido de todas essas operações logo que acordei no mundo real, ficou patente para mim que o que eu fiz foi emitir uma sinalização clara, sem distorções, do que é que eu deveria refutar, o ideal que deveria ser ignorado (meu pensamento crônico da vida consciente de desejo de morte do meu pai). Revelar-se-ia, assim, com um pouco mais de análise a posteriori, o conteúdo latente significativo de verdade, por trás desse teatro tão convincente que encenou a morte do meu pai (ora, dir-se-ia que o sonho é sempre simbólico, mas ele não acaba aqui! Há mais coisas para desvendar, nem tudo me foi dado de presente! Se disse logo acima que quando acordei o sonho já estava totalmente interpretado, foi apenas figura de retórica).

 

Na interpretação do sonho NO sonho, eu, inclusive, me mostrava satisfeito, vingado, quitado, mas, por outro lado, pesado, desgastado, de alguma forma muito severa, enfim, ressentido, rindo amargamente por dentro da postura condenável dos meus pais – daí o prazer em rabiscar o título e reescrevê-lo mais cruel ainda. E agora preciso chegar à cena final do sonho... A parte mais hermética, que complementa a tão transparente mensagem do trecho acima:



Escrito por a mosca filosófica às 15:40
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II

 

Uma espécie de bar de entrequadra, desses típicos daqui, é o ambiente. Bem na orla da calçada, já invadindo a vegetação, dialogo, em uma mesa, ou sem a mesa, mas sei que sentado, com um interlocutor mais ou menos da minha idade a quem tentava explicar “minha teoria”. Eu dizia que árvores novas continuavam sempre nascendo, ou algo assim, em oposição às podres e velhas, que morriam. E então me aparecia uma árvore “nova”, recoberta de um musgo bem verde e vivo, e formigas sem cessar brotavam dela e me forçavam a agitar as mãos e os braços, porque elas vinham em grande quantidade para cima de mim, de todas as direções. O interlocutor se gabava dizendo que eu estava errado e ele certo, mas apesar do incômodo da comichão provocada pelas formigas e tentando espantá-las, eu afirmava confiante: “Não, isso só comprova que eu estou certo!”. Algo mais acontecia nesta cena e de repente eu me via com todas as pontas dos dedos das duas mãos decepadas (e por um instante pareciam mesmo caules de árvores serrados!),[2] como a dizer: uma árvore genealógica que não prossegue é o que de pior pode haver, sinônimo de esterilidade e anti-vida, sem frutos.

 

Para além da morte de meu pai, já exteriorizei a alguns confidentes o forte desejo de extirpar minha própria raça. Eu, pequeno, força apenas reacionária de um mundo decadente, não tendo filhos (nem metas de que me orgulhasse) e morrendo, implicando assim a ainda mais real e ulterior “re-morte” de meu pai, que findaria sem netos, ou seja, o fim da linhagem. Porém, percebi que no fim das contas estamos vinculados de tal forma que querer a morte de um é querer consumar a morte do outro... E acho que nem é isso o que eu quero – o que qualquer impulso vital quer... Ficou claro que eu não podia ter um juízo independente, que havia algo mais forte que eu me sustentando e me puxando, mesmo que inclusive me oprimindo, ora ou outra, mas garantindo, de qualquer maneira, minha existência e meus pensamentos de fundo. Existia esse algo que me superava, por trás, soberano, cimentava todos os meus atos, sendo impossível ser contra ele, já que qualquer estado de ânimo meu, ainda que belicoso e adverso para com a própria árvore que me deu origem, seria um mero reflexo do estado de espírito deste “primeiro” ente, que vou deixar aqui como uma abstração (todos os meus finados avós reunidos, quem sabe).

 

O principal já foi fornecido, mas não esgotei a escrita aqui. Cronologicamente, depois da cena das árvores e do espanto das formigas, e da constatação da amputação múltipla, já estou num carro, só não sei se estacionado ou em movimento. Uma mulher, talvez da minha idade, me pergunta algo a respeito de todos os engodos que se sucederam, e o homem, ao lado dela, talvez eu, talvez não (imagens sobrepostas, parece um amigo chamado Gabriel, muito provavelmente porque a mulher também se parece com uma Gabriela que pensei ter visto num carro qualquer dia desses, no banco do carona, estacionado em uma entrequadra), contestava: “É preciso não acreditar em nenhuma mentira – nem nas dos comerciais...”. “Nem nessas?”, ela insistia. Mas a personagem masculina seguia resoluta em seu ponto de vista...

 

III

 

E há, ainda, no miolo do sonho, um outro trecho que por enquanto omiti para não jogar informações demais e atrapalhar a narrativa central (I), que parece ter sido uma ramificação mais madura de várias problematizações aqui levantadas, antes do “suicídio paterno” na sacada do prédio. Estou em casa só, tenho muito tempo para fazer o que quiser, com bastante liberdade à disposição, como se tivessem viajado e me deixado ali. Uso uma espécie de tecido na cabeça que serve de bandana, algo que pertence aos produtos de limpeza da casa ou que fazia parte da decoração. Talvez uma toalha, mas um tanto gasta e irreconhecível. Ao mesmo tempo, o banheiro está bem sujo e diferente do convencional, com a tampa da privada estofada e colorida como se fosse um sofá, mas o urinol está úmido. Encontro-me meio atordoado porque gostaria de fazer alguma coisa, talvez cantar, cantar várias músicas na seqüência, mas não sei por onde começar nem como encontrá-las... Em seguida, em outro trecho, estou tentando dormir, mas sou acordado pelos parentes da casa que abrem a porta fazendo estardalhaço. O Diogo é o culpado, e me irrita bastante. Alguns objetos do criado-mudo e da cama são mudados de lugar, como almofadas, meus óculos, que estavam longe de mim e de repente estão no meu rosto, e os controles remotos, que vão parar na minha mão. Ligo a TV mas pretendo continuar dormindo, ou fingir que estou dormindo, para os demais da casa. Posso pressentir a presença do meu pai e da minha mãe. Mas agora estou de pé, desperto, e recepciono o Alex, Gnomo, amigo do meu irmão Diogo, com quem costumo ser mais simpático do que com o próprio. Ele está sem camisa e começamos a lutar – de brincadeira. Tento acertar chutes, e socar com toda a força, mas são golpes fracos demais, que não causam praticamente efeito. Quando ele tenta uma joelhada ou investida, sinto que poderia me derrubar, mas ele não luta pra valer, e eu faço a esquiva ou o bloqueio, mas com dificuldade. Gnomo tenta me dar dicas de como combater melhor, me avisa para não abrir a guarda antes de aplicar o direto com a direita, notando que eu abaixava o outro braço e ficava vulnerável.

 

De repente o cenário muda. Somos três – eu, Gnomo e o Diogo, se bem que outrora é o Aloísio, meu antigo vizinho, ao invés do Gnomo – acompanhando o jogo sub-17 do Brasil, no horário do almoço. Minha mãe entra no quarto, aparentemente trazendo um lanche. GOL da Seleção nessa mesma hora! A bola parece que nem passou da linha, o lance foi muito rápido para acompanhar com os olhos. Havia ali uma bola, na nossa frente, e eu sentado começava a brincar com ela, fazendo embaixadinhas curtas, com o joelho – até passava para o Árlesson (outro amigo meu que morava perto e com quem convivi nos anos de infância, como com o Aloísio, que agora substituía meu irmão na cena), que estava de costas, e cutucava a cabeça na bola, talvez involuntariamente...

 



[1] E mais tarde preciso narrar uma cena prévia (ou um conjunto delas) que não estaria diretamente nessa interpretação escrita do final do sonho, mas que cronologicamente, da ótica do acordado, é-lhe anterior. [Vide número III]

[2] Dentro do próprio sonho, “descobrindo” que estava sonhando (mas esquecendo disso logo depois, ou eu realmente despertei mas voltei logo a dormir), me pus a perguntar por quais causas externas, por quais hipóteses, havia-me representado as mãos decepadas: 1) fui ao médico no mesmo dia e ele não tinha o dedo polegar da mão direita; havíamos apertado as mãos e eu estranhei bastante; 2) pensei na possibilidade de estar deitado sobre uma das mãos e ela se encontrar dormente. Não sei se acordei e constatei que a tese estava correta, me deitando corretamente, ou se a sensação de dormência, de que recordo com perfeição, foi artificialmente produzida, como o formigamento dos insetos na cena imediatamente anterior!



Escrito por a mosca filosófica às 15:38
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ULYSSES

P. 122 - "Mulher ruiva trepa que nem cabrita" Buck Mulligan, o Tom-Bombadil Asceta-Nimeka da estória.

 

"A minha decimassegunda costela sumiu! Eu sou o Übermensch, Kinch banguela e eu, os superomens."

 

DANDO DEDALUS A AULA E MARTELANDO DE SI PARA CONSIGO

 

"Para eles também a história era uma estória como outra qualquer repisada demais na memória"

 

"Mas podem ter sido possíveis visto jamais terem sido? Ou era só possível o que veio a ser? Tece, tecelão do vento."

 

Camilla burra a úlcera

Ao mendigo o que é do mendigo.

 

No mundo há uma coisa: P. 129

as mães e os que não existem

 

Querido não-diário:

a mim nunca aconteceu nada de extraordinário.

Se pelo menos eu já tivesse morrido!

 

cãibra nas canelas

 

"parece que a história vai levar a culpa"

 

138. "Prevejo que o sr. não vai permanecer muito tempo aqui neste trabalho. O sr. não nasceu para ensinar, acho eu."

 

Kairoschuro, a Grande noite

 

"Ela podia não gostar de eu aparecer por lá sem avisar. Tem que ser cuidadoso com as mulheres. É pegar elas com a calça na mão uma vez só. Nunca mais te perdoam."

 

Ai, lá vai!

 

"Digamos que Robinson Crusoé seja realista. Bom então Sextafeira enterrou ele. Toda Sextafeira enterra uma Quinta se você pensar direito."

 

Passes em profundidade que eu não alcanço com meu passo.

  Esticar as canelas!

  Jogarei futebol outra vez?--embaixô nível

 

D., a síntese de tudo que é deletério.

 

Trancado numa escotilha há vários anos. Sem um penny. O barulho de suas passadas me irrita. Seu sotaque desanimado me irrita. Sua empolgação e superexcitação pelo banal me enervam. Sua burrice ao último grau e sutileza cem por cento embotada me são quase venenosos. Sua falta de higiene me conspurca a mim! Seu ar de conselheiro e bom amigo e protetor me dá ganas homicidas. Sua pobreza em todos os sentidos é rotundamente lastimável. Perpétua perda de tempo até reclamar dele!

 

18/11/13

 

"Pirro, iludido por um oráculo, fez uma última tentativa de recuperar as fortunas da Grécia. Leal a uma causa perdida."

 

TÍTULO ALTERNATIVO: O Publicitário & O Professor

O Monjolo & O Execravel|zinho

 

311: Ser vegan dá mijadeira e gases

"Deus fez a comida, o diabo os cozinheiros."

 

345: a 2ª esposa de Sócrates.

"Poderá qualquer homem amar a filha se não amou a mãe?"

 

"saudar a espuminata Afrodite"

                   recordar a cara-gozada Eline

"Uma vez galanteadora, galanteadora 2x."

                                  galã te adora

 

P. 361 - ESQUEMA DOS TRAÍDOS DA ESTRUTURA DO LIVRO - esboços de maridos

 

Agüentar ler Tomás de Aquino?

 

Tantas peças de Shakespeare ilidas!

 

Sidney - Arcadia - muito lido por Sh.

 

Remorsura do inteleito

 

"Depois de Deus Shakesp. foi quem mais criou."

"na economia do paraíso, predito por Hamlet, não há mais casamentos, sendo o homem glorificado, anjo andrógino, a esposa de si próprio."

 

"Enquanto vocês vão com o trigo eu já estou voltando com o pão que o diabo amassou!"

 

P. 616: "Ide e fazei o mesmo [estende sua esposa ao amigo]. Assim, ou coisa que o valha, falou Zaratustra, outrotra régio docente de Letras Francesas na Universidade de Oxfode (...) Trazei um estranho a vossa torre e não demora tereis o segundo melhor leito. Lembrai, ó Erin (...) como trouxestes a meus portões um estranho para cometer fornicação a minha vista e engordar e dar coices como Yeshurum. (...) pecastes contra a luz e fizestes de mim tal abominação, que me desdenhastes como um mercador de mezinhas e me renegastes pelos romanos e os indianos de negra voz com quem vossas filhas se deitam lascivas?"

 

P. 928: "Ele pessoalmente, sendo de viés cético, acreditava que não tinha o menor dos pruridos  em dizê-lo também, que o homem, ou os homens no plural, estavam sempre rodando em volta numa lista de espera por uma senhora, mesmo supondo-se fosse ela a melhor esposa do mundo e eles se dessem bastante bem juntos hipoteticamente, quando negligenciando seus deveres, ela escolhia cansar-se da vida de casada, e se dispunha a um ligeiro flerte com a polida lascívia para garantirem-lhe sua atenção com propósitos espúrios, sendo o desenlace as afeições dela focarem-se em um outro, à causa de muitas liaisons entre mulheres casadas ainda atraentes seguindo firmes rumo aos quarenta e homens mais jovens, como sem dúvida diversos casos famosos de paixões femininas provaram cabalmente."

 

Mozart - "12ª Missa" > "Gloria"

Rossini - "Stabat Mater"

"Dom Giovanni" "Martha", "M'appari"

Mendelssohn

Ivan St. Austell; Hilton St. Just

Jan(s) Pieter(szoon) Sweelinck - "Juventude tem seu fim" ("Mein Junges Leben hat ein End")

Johann(es) Jeep

 

"Ele refletiu que a progressiva expansão do campo do desenvolvimento e da experiência individuais era regressivamente acompanhada por uma restrição do domínio correlato das relações interindividuais."

 

"ergueu-se sem ferimentos conquanto concutido pelo impacto (...) e por alavanca de primeiro tipo exercida em seu fulcro [do corpo dele ou da tranca da porta] ganhou retardado acesso à cozinha através das dependências de empregada subadjacentes, igniu um fósforo lucífero por fricção, liberou gás de carvão inflamável girando a manopla, acendeu uma chama alta que, por regulagem, reduziu a quiescente incandescência e acendeu finalmente uma vela portátil."

 

"O que é o lar sem a carne enlatada Ameixeira?

  Incompleto.

  Com ela um recanto de júbilo."

 

 

mete em (p)si e cose



Escrito por a mosca filosófica às 23:40
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ROBERTO CARLOS EM DETALHES

Paulo César de Araújo

 

Natural de Cachoeiro de Itapemirim-ES. O acidente em que amputou-se parte de sua perna direita foi aos 6 anos, atropelado por um vagão. P. 30: "Na época, em casos semelhantes, era comum fazer a amputação da perna acima do joelho, prática mais rápida e segura. Mas [o médico de 34 anos] Romildo tinha acabado de ler um estudo americano sobre ciência médica que explicava que os membros acidentados devem ser cortados o mínimo possível. Assim, a amputação da perna do garoto foi feita entre o terço médio e o superior da canela - apenas um pouco acima de onde a roda de metal passou. Essa providência fez com que RC não perdesse os movimentos do joelho direito e pudesse andar com mais desenvoltura." Seis anos. Quando algo assim nos acontece nós registramos... Não querer me separar da minha mãe... Pára-choque dum Voyage. Nada de mais, nem visita ao hospital. Se eu dormi um dia numa "casa de saúde" (polissonografia), foi muito.

 

"Devido aos poucos recursos de sua família, RC atravessou o restante de sua infância andando de muleta. Só depois que se mudou para o RJ, aos 15 anos, conseguiu colocar sua primeira prótese"

 

"Havia garotos, filhos de médicos e advogados, que não estudavam piano porque os próprios pais não deixavam, com receio de que eles se tornassem bichas. E violão também não, porque era visto como coisa de pinguço, da ralé." Elaine Manhães, professora de piano de RC

 

"O violão é mole de enganar. Você toca um pouquinho e todo mundo acha que você toca muito. Já o acordeom, não; quando o cara não toca muito bem, é um instrumento muito perigoso. E se o cara toca mal, é um instrumento insuportável" Edu Lobo

 

 

"Foi só após a eclosão da bossa nova, em 1958, que o violão (por conta de João Gilberto) e o piano (por conta de Tom Jobim) ganharam a liberdade de ser tocados por todas as classes e sexos sem preconceitos." "os pais de RC eram avançados para a época." O menino ainda aprendeu violino.

 

Foi flamenguista e botafoguense antes de vascaíno!

 

"Rico, culto, [gordo] e falastrão, Carlos Imperial era o oposto de RC em tudo"

 

Ronaldo Bôscoli, um aspirante a musicólogo e crítico frustrado que distorceu a história da bossa nova.

 

Ronnie Von tinha um programa na TV desde o sempre: "Os Mutantes - nome sugerido pelo próprio Ronnie Von quando foram se apresentar no programa." "Pensei em morrer, procurei um psiquiatra e levei algum tempo tomando tranquilizante. Não suportava as pessoas repetindo sempre aquela mesma história de que Paulinho Machado de Carvalho tinha me convidado para fazer um programa na Record por medo de que, em outro canal, me tornasse uma ameaça para seu grande astro." Robertinho queridinho da mamãe

 

MPB (Elis Regina - longe de santinha - & cia.) x Roberto Carlos

João Gilberto: quando todos queriam a tese ou a antítese, ele proclamava a síntese.

 

RC explodiu aos 25 anos.

 

RC x Geraldo Vandré (a velha "arte política") / RC x Chico

 

O que surpreende é a proximidade de Jorge Ben com a Jovem Guarda.

 

"Caetano Veloso começou a se interessar pelo universo pop a partir de um caminho intelectual proposto por dois franceses: Edgar Morin e Jean-Luc Godard. O primeiro com o livro Cultura de massas no séc. XX, sobre a mitologia hollywoodiana."

 

"Como bem aponta o historiador Marcos Napolitano, a mística posterior criada em torno do tropicalismo superdimensionou o ato de ruptura de Caetano e Gil com o código vigente na MPB."

 

"Ouvir Elis Regina cantar As Curvas da Estrada de Santos era como assistir à queda da úlotima resistência." R.I.P. 19/01/82

 

"Chico Buarque foi o primeiro compositor a alcançar prestígio e popularidade de cantor." Intérprete de si mesmo.

 

Erasmo Rotundão

 

Dicionários de rimas, sinônimos e antônimos [ainda que redundante]!

 

Augusto da Costa, o zagueirão-xerife e capitão de 50 que era censor na Ditadura.

 

"No final dos anos 80, RC estava cada vez mais recluso e caseiro (o que Myrian Rios não queria), cada vez mais católico (o que ela ainda não era), cada vez mais supersticioso e, provavelmente, já sofrendo do transtorno obsessivo-compulsivo, o TOC (o que ainda não se sabia)."

 

Anos 90 e Maria Rita - a comprovação de que artista de barriga cheia e coração quente tem a cabeça vazia, o espírito insípido e as mãos impotentes. Artista feliz, obra infeliz.

 

PONTO DE CONTATO (p. 567): "O TOC foi descrito pela primeira vez em 1838, pelo psiquiatra francês Jean-Étienne-Dominique Esquirol."

 

 

"RC aboliu a luta de classes na música popular brasileira" "ele é o lado kitsch dos ouvintes mais sofisticados e é o lado mais sofisticado dos ouvintes mais kitsch."



Escrito por a mosca filosófica às 20:03
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HISTÓRIA DA ARTE - H. W. JANSON - 5ªed.

A Vênus de Willendorf, estatueta gorda, o ícone de fertilidade no paleolítico.

 

Stonehenge, a fantástica paisagem de pedra num amplo círculo que servia para demarcar as mudanças de estações, na Inglaterra.

2 minutos sombrios, austeros mas inquietos. Bate o vento, o coração palpita... Faixa isolada das demais.

 

É preciso aventar a possibilidade de povos como o egípcio conhecerem o mapa-múndi e já terem cruzado o oceano!

 

"Estilo deriva de stilus (estilete utilizado pelos Romanos para escrever) e designava o modo de traçar as letras ou a escolha e ordenação das palavras."

 

* * *

 

poubelle, la plus belle

demorei tanto pra te comprar, agora eu quero só VOUCHER!

De artiutilitária para antiutilitária é somente uma letrinha...

utilitário e tribulário pra mim é a mesma coisa.

 

* * *

 

Os gregos possuíam alturas como 1.80, 1.85m...

  E os deuses, mais de 2m.

E por que não falar do pinto das estátuas?

 

À ce propos, notável como nos nus das esculturas clássicas os testículos são sempre maiores que o pênis em si. Será que:

1) trata-se de uma estilização intencional;

2) era assim mesmo;

3) necessitavam os escultores de um ponto de apoio mais seguro para que o falo não caísse do monumento?

 

"Tudo é 25"

 

Nós os que gostamos de sofrer - "a palavra pathos, que significa sofrimento, em especial o sofrimento que nos impressiona mas não nos causa horror, porque é suportado com dignidade e estoicismo." P. 134 [grifos meus]

OS ANTÍPODAS DE DIOGO

Os goleiros da vida, maratonistas, escritores, gênios incompreendidos, doentes crônicos, fumantes

 

"a tradição [da realeza divina] não morreu com Constantinopla. Os czares da Rússia reivindicaram o manto dos imperadores bizantinos. Moscou tornou-se a 'terceira Roma' e a Igreja Ortodoxa Russa ficou tão estreitamente ligada ao Estado como o estivera a sua antepassada bizantina."

 

CRUZ GREGA

 

P. 250: "segundo o Corão, estátuas são vistas como inspiradas por Satanás, mas nada se diz das pinturas"

 

Sinto que quanto mais tempo passa, mais me acovardo com a morte.

 

A Torre de Pisa é apenas parte de um complexo maior, que inclui uma basílica, como de praxe na Idade Média: torres eram um complemento catedrático, sinônimas de poder e opulência.

 

Quem diria, o Gótico é a INTENSA LUMINOSIDADE!

 

Os Países Baixos ainda são altos!

Deus tem umbigo?

 

A prensa em madeira - XILOGRAFIA - já era conhecida da Antigüidade. As chapas de metal é que agilizaram - revolucionaram - o processo na Europa Moderna - TIPOGRAFIA-.

 

O deus está nu.

                                  É nu?

 

Rafápicel

Filho de peixe, peixão pode ser. Pássaro voador.

 

* * *

 

P. 425: "Inicialmente dedicado a todos os deuses do mundo romano, o Panteão foi re-dedicado a todos os mártires do Cristianismo quando se tornou uma igreja, e no Renascimento Pleno viria ainda a acolher os restos mortais de outra raça imortal - a dos artistas famosos, como Rafael."

 

Marsílio Ficino, o Neoplatonista. "Engenharia" a fim de incluir a arte neo-pagã no culto cristão.

 

Será que os pintores tinham um "código de ética"? Jamais comer uma retratada?

 

P. 582 - Winckelmann - Considerações Sobre a Imitação de Obras Gregas (1755)

 

William Blake

 

MANET, longe de ser um maneta, revolucionou-ressimplificou a arteArte: "desprezou" a sombra, fez do tri um bidimensional, ou chamou atenção para os parênteses em que está qualquer quadro.

 

O talvez-um-dia-rico MONEt vem depois (A-O) e foi/era seu discípulo... Eduardo & Cláudio Mas ambos se retroalimentaram e a coisa virou também Cláudio & Edu Até a cunhada de MANET (edu) sabia pintar, MORISOT (e não MARISOT); a moça, aliás, era popular no meio: entablara relations com Daumier e Corot, a velha velha guarda!

 

O IMPertinente impressionismo também veio ANTES do EXP.

 

* * *

 

Me ensinei a parar azar, estas!

Claustrofóbico desde a barriga!

rede de cascatas de dominós

dormir que nem bebê de novo é um sonho - literalmente.

Derrubando o Muro de Berlim que separa o inferno do céu

 

* * *

 

Glossário

 

ÂNFORA: vaso necessariamente oval, delgado e elíptico com duas asas; origem grega.

GOLGOTHA: "é a transliteração grega de crânio em aramaico."

 

MÍSULA: minha estante conectada à parede para sustentar CDs e livros.



Escrito por a mosca filosófica às 15:59
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THE TALE OF TALIESIN

- Uma compilação historiográfica medievalesca fabulosa -

 

Soube de sua existência através do segundo álbum de estúdio do Deep Purple

 

Um nobre guerreiro que se tornou senhor, TEGID FOEL.

Sua esposa, mestra em magia negra, KERRIDWEN.

O filho feio do casal, MORFRAN ou AFAGDOU.

O ajudante de feitiçarias, o jovem GWION BACH, que fortuitamente acabou se beneficiando do feitiço de 366 dias preparado no caldeirão da família, no lugar do filho feio, tornando-se assim um mestre em sabedoria.

GWYDDNO GARANHIR, o homem que ficou rico apenas pescando num açude, todo Dia das Bruxas, uma fantástica quantidade de peixe.

Seu filho, ELFFIN FAB GWYDDNO, que veio a, na mesma data, depois da família se tornar pobre, pescar a bolsa de peles em que GWION BACH havia sido aprisionado e jogado no lago por KERRIDWEN (análogo ao nascimento gosmento de Mussot!).

TALIESIN, o nome d ebatismo do ressuscitado GWION, que na língua antiga ("Tal Iesin") significa O DA TESTA RADIANTE.

 

Entre o despejo de GWION no lago e o nascimento de TALIESIN, passaram-se 40 anos. Sua primeira morte fôra nos primeiros anos do lendário ARTHUR. Agora, o rei era MAELGWN. TALIESIN começou então a cantar. "Vou arranjar riquezas maiores que 300 tesouros"

 

HEINI VARDD, aquele com o dom da poesia, que não é rival para TALIESIN.

 

RHUN, o filho concupiscente de MAELGWN.

 

O dedo decepado com um anel importante... Familiar?

 

"Nenhum sábado passou desde que conheço minha esposa em que ela não tivesse aparado suas unhas antes de dormir."

 

Por ser tirânico, MAELGWN GWYNEDD é punido pela sabedoria e artimanha inesgotáveis de TALIESIN.

 

"São João o Divino me chamou de Merlin"

"Eu fui Jesus, filho do Deus misericordioso"

"Estive na Arca com Noé e Alfa"

"Estive em Canaã, no massacre de Absalão"

"Duelei ao lado do meu Pai no lugar mais alto, quando Lúcifer caiu"

"Fui o porta-estandarte na vanguarda de Alexandre"

"Estive antes da fundação de Roma e nas ruínas de Tróia"

"Eu fortaleci Moisés nas águas do Jordão"

"Fui o primeiro médico e estarei sobre a face da Terra até o fim dos dias"

"Eu sou uma das quatro letras do Tetragrammaton [DEUS, JAVÉ]"

 

7 horas, o tempo de Adão-e-Eva no Paraíso

Após a Queda, habitaram a Ásia. Ah, o milagre da multiplicação!

trigo trigoso

essa obsessão do cristão por (re)conciliar(?) sua estória universal com a dos gregos e aqueus e pagãos e Saturnos e Titãs e Platões!!

 

Salomão Sansão sansãosalobra sensaborão sua lobasalo métrica



Escrito por a mosca filosófica às 23:26
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AN ESSAY ON POPULATION

Malthus

 

Um livro típico de um gênio que vivesse em 1798 (embora tão empolado!): "A grande questão está agora em pauta, se o homem avançará acelerado para o infinito e ilimitável, rumo a um aperfeiçoamento inconcebível, ou se está condenado a uma perpétua oscilação entre alegria e miséria, e depois de todo esforço, a seguir a uma distância imensurável das metas desejadas" E então, o que você acha?

 

DIC: knave - patife

        err - errar

        ale-house - cervejaria

 

Aparentemente, do lado dos otimistas estão Godwin e Condorcet; e pelos pessimistas/pragmáticos, Adam Smith e Hume ocupam o corner. Fight!

 

"Zingis Khan"

 

Os vários séculos de civilização de que dispomos de dados históricos apontam, em geral, para uma grande migração Norte-Sul.

 

Segundo Malthus, o celibato freqüente não é moda moderna, mas era até mais acentuado durante a selvageria e a barbárie.

 

Quem não sofre de miséria, sofre de vício, degenerescência, desgraça psicológica. É basicamente a lição mais poderosa do livro.

 

A "lei da esmola" na Inglaterra, e por que ela só agrava o problema.

 

"Corn countries are more populous than pasture countries, and rice countries more populous than corn countries."

 

"The vices of mankind are active and able ministers of depopulation. They are the precursors in the great army of destruction; and often finish the dreadful work by themselves. But should they fail in this war of extermination, sickly seasons, epidemics, pestilence, and plague, advance in terrific array, and sweep off their thousands and ten thousands. Should success be still incomplete, gigantic inevitable famine stalks in the rear, and with one mighty blow levels the population with the food of the world."

 

Condorcet achava que no futuro distante seríamos mais como vampiros, pois nossa saúde nos permitiria viver séculos e milênios, individualmente!

 

CONDOR C => ave de rapina americana e alvinegra

 

A questão não é em quantos bilhões de anos o Sol desaparecerá, mas se podemos viver sem a Lua até lá!

 

"The present rage for unrestrained speculation seems to be a kind of mental intoxication, arising from the great discoveries of late years" Tão contemporâneo!

 

CAPÍTULO 16: o problema do campesinato chinês.

 

"The French economists consider all labour employed in manufactures as unproductive." Um discurso numa sociedade prestes a desaparecer em que artigos do segundo e terceiro setores eram, com efeito, supérfluos, quase daninhos, da ótica de um não-industrial, mesmo se inglês: "China is the richest country in the world, without any other."

 

"Foreign commerce adds to the wealth of a state, according to Dr. Adam Smith's definition, though not according to the definition of the economists."

 

"...mas nós devemos ser perpetuamente esmagados pelo recuo dessa pedra de Sísifo."

 

Não podia se despedir/desperdiçar de nós sem uma HegeliaNADA básica!

 

"Não é infreqüentemente observado que talentos são mais comuns entre caçulas que entre primogênitos (...) Esforço e atividade são em geral absolutamente necessários num caso e apenas opcionais no outro." INTERPRETAÇÃO: enquanto vigia a Lei da Primogenitura, isso era ainda mais palpável; não obstante, hodiernamente, velhas causas continuam a engendrar as disparidades: pais mais velhos e mais próximos da morte, o próprio peso dessa semi-profecia, etc.

 

Me written for you to read. A perfect me. An untouchable Rafael.

 

"Ainda tenho todo o tempo do mundo" Mr. D.

 

Mr. R. premido pela urgência - até exacerbada - em todas as suas ações.

 

Uma obra temente a Deus. Comida para a alma. "It is probable that no two grains of wheat are exactly alike."

 

"Não é de modo algum um dos ditos mais sábios de Salomão que <não há nada de novo sob o sol>."

 

"Um Sócrates, um Platão ou um Aristóteles, embora confessadamente inferiores em conhecimento aos filósofos de hoje, não aparecem muito aquém em capacidade intelectual."

 

Endeusa Newton.

 

"The Supreme Being would appear to us in a very different view if we were to consider him as pursuing the creatures that had offended him with eternal hate and torture, instead of merely condemning to their original insensibility those beings that, by the operation of general laws, had not been formed with qualities suited to a purer state of happiness." Curioso como Malthus insinua, primeiro, que o Ser Supremo não "mete o dedo" em nenhuma de suas Leis desde que o Universo funciona, mas, em segundo lugar, compreende as Sagradas Escrituras como milagre de exceção!

 

 

Calaboca, Mathusgda! Malthusalém. A vitória final do Mal,Thus this is a paradox!



Escrito por a mosca filosófica às 23:15
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MAIS JUVENTUDE, MAIS BELEZA

Virginia Castleton Thomas (1972)

 

Uma onda de nostalgia me invade

 

A hataioga

 

"Elimine-se o segundo carro da família e alguém será obrigado a caminhar parte do tempo. Eliminem-se todos os automóveis e a família inteira será forçada a andar, e a despeito das inconveniências resultantes disso, todos provavelmente muito lucrariam com a nova atitude corporal."

 

"o simples recurso de besuntar a pele com cremes, recobri-la com hidratantes e ocultá-la sob uma maquiagem cuidadosa não consegue esconder o abatimento profundo dos músculos faciais."

 

"lábios franzidos, músculos tensos e olhos semicerrados - indícios de desconfiança em relação à vida."

 

DESCONFIADO, DESDE SEMPRE

COW vário

O EFÊMERO EFEMINADO

 

Não é engraçado que os judeus tenham uma reputação de povo sujo, sendo que, ao mesmo tempo, diz-se que a fimose contribui para infecções na região do prepúcio? Parece que, pelo menos no tocante a este ponto, estamos diante de uma raça bastante limpinha desde o nascer de cada um!

 

"as angústias e sofrimentos físicos desconhecem relógios ou horários. (...) É durante as horas de sono profundo que o organismo se acalma e renova suas forças, preparando-se para mais um dia de vida. (...) O sono não constitui um estado cataléptico, pois mesmo quando os músculos não opõem resistência a um total relaxamento, suas contrações não cessam."

 

"Via de regra as pessoas apressadas, impulsivas ou sorumbáticas estão sujeitas a esse estado de vigília. (...) A pessoa irritadiça representa outro insone em potencial. Durante o dia ela não pára a fim de pensar antes de dizer palavras duras a alguém e, ao anoitecer, paga o preço de sua irreflexão sob a forma de remorso. Entretanto, o simples fato de passar noites em claro, atormentada pela culpa em virtude das ríspidas palavras proferidas, não constitui solução alguma para seus problemas."

 

"A mente de um insone detém-se ora aqui, ora ali, analisando primeiro uma série de pensamentos e depois outra. E, não tendo resolvido nada, retrocede, vezes sem conta, ao problema que o atormenta."

 

"Há muito considera-se a alface um sedativo capaz de produzir um sono natural e tranqüilo, sem efeito colateral algum."

 

"Na França, todas as farmácias e lojas de departamento vendem as gant de massage, luvas para massagem de textura áspera e feitas de diferentes materiais, desde lã até fibras vegetais."

 

 

"As terminações nervosas de um organismo saudável são revestidas de cálcio, e ele dá origem ao estado de paz que põe fim às irritações indefinidas."



Escrito por a mosca filosófica às 21:35
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CAOS DE 5 PONTAS

Pra onde vai o Caos, soberano inderrotável?

por trás de mil véus e avatares

Como o cabelo, sempre que é cortado

pela raiz inesgotável regenera

Negro e cacheado

espiral do ócio agonístico infinito

Com ele não há discurso

seu império é a velocidade impetuosa

Em vão qualquer empáfia menor contra essa

Se não há cânone ou decanto que de canto res vale

mais que superficialmente em nossa pele

A galinha depenada fica nua no quê,

se não pode ser em pêlo?

 

* * *

 

Dentro do caos deve haver a luz

o moto perpétuo do buraco negro...

Uma estrela só é cadente para quem está caído.

 

os pensamentos que tenho em mente, cabelo curto me causarão

 

Me derroto se não me derreto por você

 

você que me derrota se se derrete por mim

 

 

INSIGNEficância



Escrito por a mosca filosófica às 19:58
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ASSIM DIRÁ O HOMEM

Um homem está ao relento, do lado de fora da entrada de uma extensa gruta, tudo isso no altiplano de um morro de encosta bastante íngreme que dá para uma estrada de terra. O homem não passa de um jovem.

 

Lá embaixo alguns passantes fazem uso da estrada. Parece uma procissão que sai de uma vila em direção a algum sítio mais afastado e menos profano. Há uma grande pedra no mesmo cimo em que o jovem se encontra. Embora não seja perfeitamente regular, ela é redonda e rolaria pelo declive com facilidade.

 

O jovem se estirou sobre o topo chato da montanha e contemplou o céu pensativo. Não sabe por que está ali, não sabe que multidão é aquela lá embaixo. Por puro tédio, seria capaz de fazer aquela pedra rolar. Por tédio e ócio, brincaria de deus, se tornaria um homicida. Por capricho, rebaixar-se-ia como valor humano. Agora que essa fagulha de malignidade reluziu despretensiosamente em seu campo de ação consciente, agarrou-se a ela como se trepadeira fosse, e não podia mais se livrar dela.

 

Atos gratuitos não geram despesas. Tudo de que precisava era ir até lá, movimentar os músculos, animar-se a tirar do lugar todo aquele peso. No fim, em movimento ou estático, tanto faz, tudo é monstruosidade da natureza.

 

Nem bem ele havia se perguntado se deixaria seu corpo ser guiado pela nova vontade, a pedra já tinha percorrido toda a ladeira, e como a fila de sujeitos caminhando era ininterrupta, alguém foi atingido letalmente. Em que pese o forte ruído da descida e a visibilidade considerável que se tinha da pedra, a rampa tinha sua bruxaria de fazer com que o objeto ganhasse mais e mais velocidade ao final da trajetória e surpreendesse os cálculos dos homens. Os companheiros do homem que morreu na mesma hora do impacto com a pedra tentaram alertá-lo, mas este infeliz integrante do comboio pensou que ainda era possível desviar quando já não era. A pedra passou-lhe por cima como um trator. Adicionalmente, a distância muito grande e enganosa entre o ponto inicial de escorregamento da pedra e a estrada não deixava que nenhum homem, na base ou no topo do monte, percebesse as feições de quem estava na extremidade oposta. Foi um crime anônimo.

 

O rapaz, da boca da gruta, apenas pressentiu algo trágico, sem entender direito. Ouviu lamentos femininos e uns três varões bradando impropérios. Mas eram vultos indistinguíveis. Se é que havia um cadáver, ele já fôra há muito escondido pela multidão que se avolumava em torno quando o jovem tentou espreitar correndo alguns metros e forçando a vista. Só a pedra era perceptível daquela distância, colosso agora imóvel e inofensivo.

 

Como se inquietasse porque os minúsculos homens lá embaixo não se moviam, e após um instante de alvoroço tudo soasse calmo, resolveu que iria descer, por mais imprudente que fosse sua jogada. É possível que essa reação já estivesse embutida na vontade de arremessar a pedra, fazendo de homens estranhos meros pinos de boliche.

 

Após a resfolegante descida cheia de vento, interpelou os homens. Ofereceu auxílio. Deu a entender que esperava se deparar com machucados ou feridos, mas não com um moribundo. Alguns o receberam de modo irritado, por saberem de onde aquele rapaz chegara: “Foi você que nos jogou essa pedra maldita?”. O jovem ficou realmente embaraçado. Não poderia ter simulado a cor corada da pele do rosto. Mas mentiu convincentemente. Disse que havia outros homens lá, que ele não concordara com a idéia macabra de um deles e tentou demovê-los da ação bárbara e despropositada, obviamente sem sucesso. Explicou que, como tentativa de expiação, desceu para entender direito o que a pedra havia provocado. Esperava que perguntassem o que estavam fazendo ali naquela gruta assustadora e que tipo de ligação o aproximava de homens tão abjetos. Mas foi outro o questionamento: “E, pois, por que demorou tanto para descer do morro?” É verdade. Ele não sabia por que hesitara antes da descida. “Esperava que alguém fosse ter conosco”, respondeu sua máscara instintiva. Alguns dos ouvintes emitiram um misto de guincho de dor pelo amigo atingido pela pedra, resmungo bonachão e gargalhada galhofante. E então lhe viraram as costas e foram olhar para o morto uma última vez. Uma das mulheres do bando foi a única que não o desprezou e ressaltou o evidente: a pedra vitimou uma pessoa, portanto o jovem havia chegado tarde demais se queria ajudar, e a menos que fosse um médico ou feiticeiro, nada poderia ter feito, de qualquer maneira.

 

O descaso em relação a um possível perigo ou algoz deixou o assassino e mentiroso tomado de um furor incontrolável. Quando as atenções se deslocavam para o material em decomposição, o rapaz insistiu: “Escutem... Não querem subir até a caverna para verificar o que eu disse?”

 

– Isso não é preciso, confiamos em você.

 

O rapaz engoliu em seco. Ficou minutos gelado por dentro, estirado, ali, de pé, em meio a desconhecidos, enquanto um pequeno grupo dentre os homens da caravana se encarregava de levar o corpo na direção do poente, ou seja, da vila. Não se sabe se ouvia os balbucios dos homens restantes. Estalava os dedos da mão e as juntas pelo corpo inteiro, tentando se livrar do choque provocado pelo último revide do diálogo: “Não desconfiavam de mim, não iam subir pela trilha careca do morro atrás do responsável? Com que tipo de lassidão me deparo neste lugarzinho? Uns frouxos!”

 

Com um sobressalto, o jovem se removia a si mesmo das reflexões um tanto inúteis e fazia o possível para interromper o caminho dos homens que, àquela altura, também caíam em si e se dividiam: uns seguiam em romaria para o leste, aonde já deviam ter ido não fosse o incidente; outros, todos os que estavam acompanhados da esposa, principiavam a caminhada em sentido contrário, o sentido do cadáver. Não contavam com aquele homem mais novo que todos eles gesticulando e balançando mais catatônica que euforicamente, tropeçando nas palavras... Vomitando uma confissão! “Fui eu que matei! Não há mais ninguém lá! Eu fiz rolar esse pesado pedregulho... Esperem, vocês não podem voltar para suas casas desse jeito – se dirigiu em especial aos que já iam longe, n’oeste –, ignorando quem fez isso com seu amigo morto.”

 

Fez-se um círculo em torno do confessor, olhares e barbas ameaçadores se tornavam mais nítidos. Ele esperava que o “líder” entre eles o sacudisse pela roupa e exigisse o porquê daquele ato, pior, daquele teatro. O porquê de ter descido, o porquê de ter se condoído a princípio, de ter, em outras palavras, se oferecido para ser a janta caso fosse desmascarado, mas em seguida se revelando a si próprio, como se fosse um cativo resignado que se atira vulnerável caldeirão fervente adentro, sem nenhum trunfo, num automatismo de brutamontes. Mas ninguém se mexia e ele se viu compelido a fazer sua versão retrospectiva completa, como que constrangido por uma mão invisível a chacoalhar sua gola, mas na verdade atendendo o pedido do próprio júri de sua cabeça.

 

Depois do discurso detalhado, esbaforido, o Sísifo de ocasião se deixou desmilingüir e pousou no solo, de cócoras, lentamente. A sua volta, para além de várias ondas de murmúrios se propagando aos oito cantos, um misterioso consenso mudo tinha brotado como efeito. Muito longe de demonstrarem qualquer feição amigável e sem mesmo olhar nos olhos do infrator, do perturbador daquele fim de tarde quente na aldeia, os ouvintes se escoraram nas palavras austeras de um porta-voz, centralizado na multidão: “Eu não sei qual poderia ser a direção tomada pelo mundo caso os mais novos e impetuosos fossem os únicos guias das coisas e dos destinos dos entes. Nós não entendemos que deva haver qualquer tipo de reparação diante de uma perda, de uma pedra, de um mal. Perdoamos você por ser o que é, se é isso que busca, essa idéia de redenção, de renascer e regenerar-se. Perdoamos você por ser o que é e por ter chegado aqui e cruzado nosso caminho. Mas temos o direito de exagerarmos nas suspeitas da próxima vez. Qualquer palavra sua soará como uma pedra. Seu destempero deve tornar qualquer um que faça parte do seu passado um desconfiado por natureza, você mesmo se comportou como se esperasse que reprisássemos aquilo que foi sua vida até este ponto, não é mesmo? Sua alma afundaria se fosse separada do seu corpo e jogada num lago, ela é mais pesada que a rocha que rolou por essa encosta, mas se isso fosse tudo... Seu lago não tem fundo. Não há o nirvana que procura.”

 

 

O jovem, abandonado finalmente a si, só pensou que malignidade nenhuma parecia fazer sentido quando não era combatida, quando era até permitida. A postura desses homens desencorajava, ridicularizava, o tipo do valentão vil, ou simplesmente essa espécie que hoje abunda, a dos adolescentes de alma, rosto calejado ou não, cansados do mundo, indiferentes a qualquer destruição e qualquer milagre. Aqueles homens logo se afastariam de sua vida, mesmo simbolicamente, e ele continuaria sua jornada? Como poderiam, se ele em primeiro lugar é que deveria rolar como uma pedra para longe dali? E vislumbrava, o rapaz, uma grande e espessa parede, uma muralha intransponível e cinzenta, de centenas de rochas iguais à que agora podia ser chamada de sua. Deveria amadurecer para buscar transpô-la. Destruir as lembranças. Os homens o perdoariam, mas ele continuou culpando-se diante do reflexo das águas.



Escrito por a mosca filosófica às 18:33
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo XI

Dos sonhos a realidade (à) deriva

 

Uma injeção de ânimo na veia da vida

 

Saltimbanco é aquele que tenta saltar mas dá de cara com o banco?

 

SONO AMORDAÇADO // MEU INIMIGO VISCERAL

 

A negação suprema e absoluta do mEU eU (do nosso MUNDO), esse é Meu Pai. Vinte e cinco anos no cesto de lixo do clube. Deserto noturno notívago de emoções. Incrustadas. Crustáceo frio, incapaz de raciocínio, só sabe, manja, capitalizar!

 

Tua voz me traumatiza, tu és uma uniforme, insossa cacofonia! Tudo que ruge e troveja é sempre igual. No almoço, na viagem, tomando cerveja, vendendo queijo - é o tom desafinado gutural do VOCÊ NUNCA FOI NADA, EU ACONTECI, SOU JUDAS ISCARS&OTES - façam minha ode! -, SOU O MAIORIAL. Um gênio incompreendido do dinheiro, que no final das contas nem tenho. Dai-me um espelho! Um celular, pedregulho rústico para meu dedo caviloso. Eu sou Stonehenge! Eu não me desgasto, o REMÉDIO SOU EU! QUER PEDRA MAIS AUTÊNTICA?

 

O rádio da minha voz de Clark Gable que não canta mas se gaba com glabro era vidro e se quebrou - me roubaram, o respeito e dignidade, mas fui tolo e um asno, devia ter percebido e reagido... Meu próprio filho! Eles não prestam!, incoerentes vermes parasitas exploradores que rastejam.

 

Batam palmas para o intelectual professor-filósofo, ha-HA, desenhos?--? CRIANÇA!

 

O velho aqui tá ficando gagá, mas hoje não me importune, quero governar e meus ódios destilar! O parasita que é poeta, como gosta de terceiros declamar, é um (QUE NÃO)PARA,-CITA!

 

Louvem seu céu de brigadeiro enquanto podem! Tomo 11 e tomo muito mais - depois faço um quatro, porque sei que sou capaz!

 

 

Arranque a chave e jogue fora - tranque-me no meu mundinho!



Escrito por a mosca filosófica às 13:47
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(MEI)A PARÁBOLA PERFEITA DO AMOR

A caçula de três irmãs. Uma mais sexy, outra mais prendada.


"N" garotas rivais, "n" casais...


São Revereke Furinkan

rever a quem, furar o olho e entrar pelo cano?


Musse ama Shampoo que ama Ranma que ama Akane mas não admite.


Uma cow-girl misteriosa ama Hyoga que ama Akane que ama Ranma mas não dá o braço a torcer.


Kuno ama a garota de rabo-de-cavalo (que não sabe que é Ranma) e também Akane, simetricamernte, perfeitamente, esse malabarista, embora sua irmã é que seja boa de malabar!


Ukiyo, a supracitada irmã de Kuno e um zilhão de outras amam Ranma-homem.


Akane é amada por uma dúzia de cavalheiros-animais.


Happosai ama os seios de todas as mulheres.


Nabiki não ama ninguém. Kasumi ama fazer um Tofu. O Sr. Panda ama a comida de todos, exceto da Akane.


Será que esqueci de alguém?



Escrito por a mosca filosófica às 13:08
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DES MALADIES MENTALES - Esquirol

Tomo II

 

"le lypémaniaque concentre en lui-même toutes ses pensées (...), est egoïste et vit trop en dedans. Dans la monomanie, au contraire, la sensibilité est agréablement excitée (...) le monomaniaque vit trop au dehors, et reporte sur les autres le superflu de ses sentimens."

 

"des sangsues fréquemment appliqués à l'anus"

 

"Souvent aussi les méditations ascétiques, la lecture des romans jettent dans cette maladie les individus essentiallement dominés par l'orgueil et la vanité."

 

Erotomania - monomania erótica =/= ninfomania (totalmente psíquica, a primeira). Inclusive é freqüente o delírio amoroso por objetos inanimados (é um sentimento casto, antes de pervertido). "pendant le sommeil ils ont des rêves, qui ont enfanté [geraram] les succubes et les incubes." "la crainte, l'espoir, la jalousie, la joie, la fureur, etc., semblent [parecem] concourir toutes à-la-fois ou tour-à-tour rendre plus cruel le tourment de ces infortunés." Bem mais comum nas mulheres - ciclotímica, acentuada na menstruação.

 

O MONOMANÍACO RACIONALIZANTE/ADO: "descontentes, falam mal daqueles que amam e deles fogem" "eles sabem se conter e se dissimular perante estranhos por breves períodos" "ocorre em filhos únicos crescidos sob os olhos indulgentes da mãe" "atacam com audácia, sabem se valer do dinheiro" "vivem continuamente em querelas e rixas" "rancorosos com animais" "brigões em festas" "o nome de algumas pessoas era o bastante para fazê-lo rugir"

 

P. Rayer - Mémoire sur le Delirium tremens, 1819.

Leveillé - Mémoire sur la folie des ivrognes ou sur le Délire tremblant

 

"lassidão espontânea" "na esperança de se fortificar, ela bebe vinho" "ela aumenta pouco a pouco a quantidade"

 

As histéricas da Alemanha (101). Em relação às francesas, as camponesas germânicas sofrem de calor e umidade excessivos. Alcoólatras. Cozinha pesada. Chá em grandes quantidades. Quando vem o inverno, elas ficam de nervos tão excitados que incendeiam objetos ou a casa. Fêmeas pré ou púberes. Acessos acompanhados de convulsões e crises epilépticas. Sonambulismo. Impulsos suicidas. Retrofilia (mal nostálgico).

 

Pinel - Traité de la Manie

 

"Je suis Robespierre, un monstre, il faut qu'on me tue."

 

"Depois dos 4 anos essa criança [fêmea] se entregava ao onanismo com garotos de 10 a 12 anos; o afastamento desses garotos é a razão de sua tristeza. Se não se a vigia continuamente, ela volta, sozinha, às mesmas práticas."

 

DIC: epistaxe - hemorragia nasal

        l'embompoint - ligeiramente gordo (avoir de)

 

"Le foie est volumineux et jaunâtre. La vésicule biliaire contient un liquide noir, visqueux et épais"

 

"acordado em sobressalto"

 

"Jamais on n'a pris un idiot pour un maniaque"

 

Idade mais comum da mania: 20-30 (homens)

                                 demência: 40-80

 

"o súbito sentimento de uma força sobrenatural"

 

"uma imaginação ardente e fogosa, especulações as mais perigosas" "acessos de epilepsia e afecções cutâneas."

 

"A insolação, a exposição ao fogo, causam freqüentemente a mania" CAMUS

 

"As fêmeas, já que o amor é a coisa mais importante de suas vidas, se subtraem muito mais dificilmente que os homens às más influências do amor contrariado."

 

"O medo causa a supressão da menstruação"

 

"[Mania] depois da desaparição de um reumatismo, da gota, das hemorróidas, duma evacuação habitual..."

 

"Os avisos, as inquietudes, as advertências, os conselhos de amizade, da caridade paternal, do amor, contrariam, agastam, irritam e fazem emergir pouco a pouco o doente ao mais alto grau da mania."

 

 "o maníaco é um Proteu, assume mil formas"

 

"Um jovem maníaco ficava furioso todas as vezes que via uma mulher acompanhada dum homem, persuadido de que eram sua esposa e o amante."

 

"Em geral os maníacos emagrecem" "face pálida, vermelha durante o furor" A força incrivelmente ampliada (O IGOR DE DRÁCULA)

 

"podem suportar o frio mais rigoroso" "famélicos e sequiosos" "o sono é penoso" "eles trocam a todo instante de tom, de idéia e de linguagem" "quanto mais maliciosos, mais felizes" "riem do mal que fizeram e do que vão fazer"

 

"à mesure que..."

 

DIC: petite-vérole - catapora



Escrito por a mosca filosófica às 18:06
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"séparation d'avec son mari"

 

"a contração dos músculos da face"

 

A "loucura de 24h". O "louco da lua cheia" ou do "29 de fevereiro" "J'ai vu des furoncles énormes, suivis d'une abondante suppuration, mettre fin à la manie."

 

Cuidados na dieta: carne branca, legume fresco, frutas. Mau hálito é sintomas da mania. Isolamento: parabéns, Hospital-Dia! "Viagem ao campo" "uma dor pulsativa e a vermelhidão nas têmporas ou no crânio revelam essa tendência a congestões cerebrais"

 

A água a 14°C que cura uma vastidão de sujeitos!

 

"Il ne faut pas oublier que, dans la manie, la constipation est une symptôme aussi fâcheux que les déjections liquides et abondantes." "Os banhos quentes moderam a irritação geral causada pelas evacuações pós-substâncias laxativas."

 

Vinagre com cânfora. Ópio (!) para constituições robustas.

 

"A máquina rotatória é, atualmente, totalmente descartada."

 

A demência (Aninha)

 

"ils parlent comme ils raisonnent, sans avoir la conscience de ce qu'ils disent"

 

"ces malades n'ont la mémoire des vieillards; ils oublient dans l'instant ce qu'ils viennent de voir, dentendre, de faire"

 

"les passions sont nulles ou presque nulles dans la démence."

 

"ils rient et jouent alors que les autres hommes s'aflligent; ils répandent des larmes et se plaignent alors que tout le monde est satisfait et qu'ils devraient l'être eux-mêmes" "leur colère n'a que la durée du moment" "celui-ci écrit perpétuellement, mais ce qu'il écrit est sans liaison, sans suite, ce sont des mots après des mots quelquefois relatifs à leurs anciennes habitudes, à leurs anciennes affections" "sua letra é irreconhecível" "il est quelques malades qui ne peuvent tracer une lettre ou rapprocher celles qui pourraient former le mot le plus court et le plus familier"

 

"la face est pâle, les yeux sont ternes mouillés de larmes, les pupilles dilatées, le regard incertain; tantôt le corps est maigre et grèle, tantôt il est chargé d'embompoint"

 

"La démence ne doit pas étre confondue avec l'imbecilité ou l'idiotisme." O imbecil nunca pôde desenvolver a inteligência (não há um ex-professor imbecil). São como crianças grandes. Os idiotas são igualmente (sempre foram) semi-animais. (*)

 

 

Resumo da condição do demente numa palavra: INDIFERENTE.



Escrito por a mosca filosófica às 18:06
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A riqueza e a intelectualidade predispõem os indivíduos à demência-senilidade precoce. "esgotamento por excesso de estudo"

 

"A epilepsia causa freqüentemente a demência" (10% dos epilépticos)

 

"a constituição hemorróidica predispõe à demência"

 

"paixões exaltadas longamente" "caráter tímido, submisso, irresoluto, reprimido"

 

Quando a mulher alterna mania e demência, o retorno da menstruação significa a vinda dos acessos maníacos.

 

A demência leva à paralisia e ao escorbuto. Parte se deve às péssimas condições higiênicas dos hospícios franceses.

 

"Reconhecia-se alguns sinais remotos de paralisia à sua hesitação ao pronunciar certas palavras."

 

"les overtures de corps qui ont si souvent éclairé la médecine sur le siège des maladies, n'offrent aucun résultat satisfaisant pour la connaissance du siège et de la cause inmédiate du délire des individus qui sont dans la démence."

 

"la monomanie d'orgueil, ordinairement compliquée de paralysie"

 

"il est des sujets qui, avant de tomber dans la démence [senile], deviennent d'une grande susceptibilité, s'irritent pour la moindre chose; ils sont très actifs, veulent tout entreprendre et tout faire."

 

"Devenu d'une susceptibilité extrême, M... s'irrite et s'emporte à la plus simple observation."

 

"Après trois mois, M... n'a presque plus d'idées, il ne se souvient plus de rien, il ne dit plus que des mots sans liaison et sans suite, répétant, souvent, million, chevaux, château, voiture, etc."

 

"Qualques mois ont suffi pour faire arriver M. C... à ce dernier degré de l'existence intellectuelle et morale."

 

"...et cet homme si jeune, si brillant dans le monde, si distingué par son intelligence, n'est plus qu'un automate."

 

"Je déclare que le malade ne guérira point: première parce que trois fortes congestions avaient précédé l'état maniaque, et qu'il y a quelque lésion cérébrale; deuxième parce que malgré la loquacité incessante, quelques mots sont incomplètement prononcés, et parce que la marche quoique vive et brusque, est mal assurée."

 

"La nature s'obstine à garder son secret malgré les constantes recherches de médecins et de philosophes de tout les âges."

 

310: o demente comedor de insetos ("Igor" de novo)

 

"Le rectum étant paralysé, la défécation est presque impossible. A matéria fecal pode se acumular por 20 a 30 dias sem que o doente reclame. Uma das conseqüências é a inflamação e a gangrena."

 

 

(*) Quem já foi inteligente não pode mais ser um IDIOTA (paciente de IDIOTIA). Irreversível. Precoce para começar e "terminar": pacientes vivem até os ~30. Todos são pobres.

 

a) imbecis;

falam e são parcialmente educados (eternas crianças).

 

b) idiotas propriamente ditos.

no máximo soltam monossílabos;

não têm ou não expressam sentimentos e paixões.

 

Exemplos de um imbecil:

- aprendeu a andar aos 4 anos;

- a falar aos 6;

- a ler e escrever a duras penas, mas sem continuidade, pois sua atenção não lhe permite ("Elle connait quelques lettres, c'est tout.");

- canta poucas canções ("Elle chante quelques airs");

- "Toujours content, il rit sans motif";

- "il vit au jour le jour";

-  aos 37, menos inteligente que uma criança de 10;

- rude e campestre;

- "às vezes mija na cama e culpa as serviçais";

- sua mãe não conseguiu ensiná-la a tricotar;

- ela "flerta" com mancebos - tem 19 mas nunca menstruou ("la vue des hommes lui faisait monter le rouge à la face").

 

"leurs affections ne sont pas durables; ils recherchent l'union des sexes, souvent avec emportement."

 

"Leurs gestes, leurs poses sont bizarres et rarement en harmonie avec ce qu'ils pensent ou ce qu'ils disent."

 

Irritáveis, parasitas.

 

Pacientes favoritos dos empregados do hospício. Dão menos trabalho.

 

"l'habitude, l'imitation ont une grande influence sur les idées"

 

Bobos da côrte podem ser imbecis parciais. Assim como os Três Patetas Igor Jorge Lucas me entretêm! "Si les grands avaient leurs fous, le peuple se dédommageait en célébrant dans le différentes villes, ce qu'on appelait la fête des fous."

 

"geralmente os imbecis são crédulos, tímidos e obedientes." "os malfeitores abusam bastante dessa predisposição"

 

Certa glutoneria e vedetização de artigos de higiene. Puberdade tardia pode trazer vício do onanismo.

 

Exemplos de um idiota literal (?):

(Esquirol divulga os nomes desses pacientes)

 

A maior interação dos idiotas é com a música: "Le passage des sons graves aux sons aigus provoque une contraction soudaine de tous les muscles de Quéneau, comme si elle était atteinte par une décharge électrique. Cette expérience renouvelée plus de 20 fois, a eu toujours le même résultat."

 

DIC: entêté(e) - obstinado(a); persistente.

 

        cochon - porco; maníaco sexual.



Escrito por a mosca filosófica às 18:04
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"Les déjections ne sont involontaires que pendant la nuit; le jour, elle va aux latrines."

 

"M. V. est âgé de 17 ans; sa taille est de 0,70m." Muitos são glutões, mas "son appétit est médiocre, il préfère les légumes à la viande" "tout objet, toute personne qu'il n'a pas vus encore le préoccupent. Si un étranger entre dans la maison qu'il habite, il crie" "Lorsqu'il entend une voiture, il dit brrr, voulant sans doute imiter le bruit des routes." "il déchire [morde, machuca] ses lèvres, se frappe la tête contre le murs et les meubles, se donne des coups de poing dans les yeux"

 

"M. G. est onaniste." "On a observé qu'en le laissent sur son lit sans couvertures, il s'abstient: est-ce la crainte ou la honte qui le retient?"

 

"elle sait compter jusqu'à 20 et au-delà" "Elle connaît la valeur de quelque monnaie" "Elle témoigne son affection à la manière de quelques animaux, en s'approchant des personnes, en se frottant contre elle" Phillipe Lima: "ses paupières, habituellement en mouvement, sont quelquefois fermées comme si elle dormait."

 

Uma fêmea de 10 anos, que aos ~2 anos se tornou idiota epiléptica (parou de se desenvolver), se masturba. "Son squelette, que je conserve dans ma collection, est très remarquable."

 

"Les idiots sont sourds, demi-sourds, ou entendent mal" "ils sont muets, ou ils articulent avec difficulté, quelques monosyllabes." "ils voient mal, ou sont aveugles." "Le toucher n'est pas sûr aussi." "ils se roulent sur les ordures les plus sales et les plus fétides." "ils mangent de l'herbe, de la paille, du linge, de la laine, du tabac, des matières fécales; ils boivent l'urine, l'eau des ruisseaux"

 

"Les idiots tendent les bras et les mains d'une manière vague, convulsive, ils saisissent gauchement les corps" "ceux qui marchent, se meuvent sur eux-mêmes, sans but"

 

"La parole est inutile à celui qui ne pense pas, qui ne desire pas"

 

"presque tout les enfans idiots chantaient plus ou moins bien quelque air" "ils semblent être des machines montées pour produire toujours les mêmes mouvements"

 

"J'ai trouvé il y a 20 ans, dans l'hospice de Poitiers, étendus sur la paille dans une même cellule, deux petits idiots dont l'un riait toujours, et l'autre pleurait continuellement."

 

"J'ai vu un idiot, agé de 13 ans, qui, dès l'âge de 7 ans, avait tous les signes de la virilité, le pénis très volumineux et le pubis couvert de poils; il paraissait ne vivre que pour l'onanisme."

 

"est-il plusieurs qui se mutilent" "si le mort était resté tranquille, je ne lui aurait rien fait."

 

"Gall rapporte qu'un idiot ayant tué 2 enfans de son frère, vint en riant raconter à ce malheureux père ce qu'il venait de faire."

 

"Harder conta de um idiota que degolou um homem após ter visto a degola dum porco."

 

"Il y a plus d'idiots dans les campagnes que dans les villes." "Nous avons à la Salpêtrière une idiote dont la mère n'a eu que trois enfans, dont deux filles idiotes et un garçon idiot." "J'ai vu des idiotes devenir mères: je n'ai pu savoir ce que sont devenus leurs enfans."

 

"Selon Cuvier, un petit crâne et une grande face sont l'indice d'une intelligence moins grande." Mãos e pés desproporcionais (pense na compleição do goleiro Cássio). "on distingue sous la peau 5 doigts à la main droite, et 6 à la gauche"

 

"Le cretinisme est une varieté remarquable de l'idiotie. Les crétins sont les idiots des montagnes" locais úmidos - músculos relaxados ao invés de tensos. Barrigudos. Pequena estatura e cabeça desproporcionalmente grande. Cabelos sempre claros (?). Não existe cretinismo inato. A suspensão do desenvolvimento das faculdades se dá até o quarto ano.  Aprendem a andar aos 10-12.

 

Albinos! "La cornée privée de pigmentum, laisse apercevoir les vaisseaux sanguins qui traversent le bulbe oculaire, ce qui donne aux yeux une couleur rosée" "ils ne voient bien que pendant le crépuscule et pendant que la lune éclaire l'horizon. Cet état est souvent compliqué d'imbecilité ou d'idiotie." "Os albinos não são uma raça de homens, como já se pretendeu. O nascimento de um albino é um acidente." "Cette infirmité est plus fréquente entre les tropiques qu'en Europe." "on lit dans les fragmens de Ctésias que les Indiens sont noirs naturellement et non par l'influence du soleil; mais j'ai vu, dit cet auteur, 2 femmes et 5 hommes qui étaient blancs." O caso dum garoto que era cego durante o dia, até os 7 anos. Muito míope.

 

les savants sauvages "les savans font des livres pour prouver que c'est un sauvage, qu'il deviendra un Leibnitz, un Buffon" "le prétendu sauvage n'était autre qu'un idiot. Tel avait été le jugement de Pinel sur le Sauvage de l'Aveyron."

 

"elle ne connaît ni la tristesse, ni l'ennui, ni la coquetterie" "lorsqu'elle rit elle ouvre largement les lèvres et montre les dents" "sa voix est rauque imitant le cri grave d'un chat." "elle mord les autres et elle-même." "On est obligé de tenir cette idiote dans la camisole pour l'empêcher de se laver avec son urine"

 

 

* * *

 

 

"l'asile du malheur où gérmit souvent la vertu."

 

"quel est celui qui peut se promettre qu'il ne sera point frappé d'une maladie qui marque ses victimes dans tous les âges de la vie, dans tous les rangs, dans toutes les conditions?"

 

Dois anos seria o suficiente para diagnosticar um louco incurável. O índice de cura dos hospícios é de menos de 10%. Melhor poucos grandes estabelecimentos que "um asilo a cada quarteirão". Dentro deles é essencial uma sub-departamentalização para não misturar espécies antitéticas de loucos, graves e convalescentes, quietos e melancólicos com agitados e febris. Separação entre os sexos.

 

soixante

 

Asilos => para incuráveis

Hospícios/hospitais => objetivando a possível cura

 

Não é recomendado instalar pacientes em andares, somente térreo, a não ser que se tomem inúmeras precauções. "Peut-on exiger qu'elle est plus facile et plus prompte. Peut-on exiger qu'un directeur monte et descende les escaliers plusieurs fois le jour? ses forces physiques se refuseraient à son zéle."

 

Estabelecimentos campestres, não só pelo ar mais puro mas pensando também no menor preço do metro².

 

Platão X Hipócrates

a loucura é uma bênção de deus (crença originada no Egito) x concepção pré-moderna de doença

 

Breve histórico manicomial:

 

Templo de Saturno, onde se veneravam os dessa condição. Mas as Saturnálias dos Romanos conviviam com outra função bem mais burocrática e relevante do ponto de vista estatal: sede do Erário.

 

Antes do Cristianismo, a loucura era "mais feliz".

 

Início dos asilos europeus: séc. XVII. (Antes disso: internações na África, séc. VII.)

 

Acreditavam que a loucura fosse contagiosa pelo convívio, "surtout en Allemagne".

 

"Os loucos devem comer carne só 2x por semana" + pão e leite diários "et beaucoup de légumes"

 

Uma camisa branca para cada paciente de 8 em 8 dias.

 

Maiores estabelecimentos parisienses: Salpêtrière e Bicêtre. Terceiro: Charenton (bem atrás).

 

 

1792, pós-Rev. - Pinel é nomeado chefe de Bicêtre.



Escrito por a mosca filosófica às 18:03
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* * *

 

"le traitement psychique de la folie" [grifo meu - a raiz das dificuldades de José "Ashaninka" Pimenta]

 

"L'indifférence en matière de religion est telle en France, qu'on n'y observe point de folies provoquées par le fanatisme religieux ou par la mysticité"

 

"Y eut-il en France plus d'exaltation dans le fanatisme politique et d'effervescence dans les passions que depuis 1786 jusqu'en 1792? La societé entière semblait être frappée de vertige."

 

Em 1817: só por volta de 500 loucos em hospícios espanhóis. O país havia sido invadido pela França napoleônica.

 

"A Loucura do Tempo"

 

"solennellement"

 

DIC: la croup - dor-de-garganta acentuada; difteria.

 

Jornalista, mesalista, analista.

 

No princípio do XIX, só a Nobreza tinha estatísticas sólidas sobre a loucura.

 

"vingt-et-un"

 

* * *

 

Sobre atos de uma pessoa ainda não-interditada que comprometam, por exemplo, seu patrimônio: "tout ce qui se fait depuis l'invasion de la folie jusques au jugement d'interdiction, est illégal, discrétionnaire, et soumis tout au plus à la surveillance administrative."

 

"Que d'aliénés ont lutté long-temps et péniblement contre l'égarement [confusão], l'exaltation de leurs idées, contre leurs funestes impulsions, avant que leur délire se soit révélé par quelque acte apparent. L'observation suivante prouve jusqu'à quel point un aliéné peut cacher son délire: s'il peut dissimuler son état aux personnes avec lesquelles il vit, ne jouit-il [goza] pas de la plus grande portion de son intelligence!"

 

DIC: friponnerie - vileza

        outre - afora

 

"Il est des individus qui recouvrent la raison, dès qu'ils quittent leur domicile, et qui la perdent de nouveau dès qu'ils y rentrent." "mille sentimens divers les exaltent ou ou les découragent"

 

"les grands artistes, les gens de lettres, les savans, sont très obligeans [doces]"

 

"les maniaques sont d'une susceptibilité excessive, toutes leurs impressions physiques ou morales les irritent et les portent à la colère"

 

"ils se rappellent tous les accidens qui ont signalé le début de leur maladie (...) Le regret, les remords sont continuellement irrités par la présence des lieux témoins [testemunhas] de leurs égaremens, et par celle des personnes qui ont été victimes de leur fureur." "ils croient que les autres les condamnent" "Souvent, lorsque la folie éclate, les organes digestifs sont en mauvais état"

 

"Il lit des livres de médecine, et enfin il se persuade qu'il doit succomber à une ancienne affection syphilitique."

 

J. F. Gall - Sur les fonctions du cerveau et sur celle de chacune de ses parties (tratado de Frenologia já obtido, em Inglês)

 

"Entrait-elle dans la chambre de ses enfans et de son mari et les trouvait-elle endormis, l'idée de les tuer venait aussitôt la saisir." O impulso de matar gente fraca e débil.

 

"o delírio nos loucos é precedido e acompanhado por cefalalgia, de dor de estômago e dores abdominais; esses sintomas precedem a impulsão à morte, os loucos se exasperando à medida que esse desejo se torna mais enérgico."

 

"Como descobrir se o corpo do morto foi dependurado após a morte ou se ele morreu mesmo enforcado" (persiste a dúvida: alguém pode tê-lo enforcado ao invés dele mesmo; mas se o homicídio foi via outro método que não o estrangulamento, isso ficará claro)

 

"Je me tuerai!" "Si j'étais assurée de me bien porter un jour, de pouvoir travailler, d'être heureuse, je voudrais vivre; mais cela étant impossible, je me tuerai, on a beau faire."

 

"O sangramento do ovário direito lembra uma observação constante nas Memórias da Sociedade Real de Medicina, sobre uma mulher que, tendo sido traída pelo amante, se enforcou. À abertura do cadáver, constatou-se uma hemorragia idêntica em metade do órgão."

 

DIC: meninge - massa cinzenta (envoltório do cérebro)

        cuir chevelu - couro cabeludo

 

Não é sempre que se formam arroxeados e equimoses nos estrangulados. Os sinais de estrangulamento são desfeitos se o cadáver for retirado de sua posição em pé, mesmo várias horas depois da morte. Mesmo assim, os enforcamentos variam de caso a caso.

 

Como há/havia leis na França do autor que proíbem/iam a exumação dos cadáveres pertencentes a ditos suicidas, esse exame é/era raro/tabu, e não se pode/podia constatar em larga escala os erros de diagnósticos dos médicos modernos (anteriores) e antigos acerca do tema.

 

Em outras palavras, o legista precisa conhecer a hora exata da morte e se mexeram ou não na posição da corda ou do corpo da vítima.

 

Qual a punição bíblica para os que ultrajam os mortos? Condenar restos mortais de um cristão à proscrição alegando suicídio, quando na realidade a pessoa houver sido assassinada? Um santo mandado por engano para o inferno!

 

SINAIS GENÉRICOS DE ESFORCAMENTO (na dúvida, absolva!):

- pele lívida;

- língua e lábios tumeficados (inchados), dobrada ou entrecortada pelos dentes [no caso da língua];

- escuma sanguinolenta na garganta, ao redor da boca e nas narinas;

- inflamação dos olhos, pálpebras estouradas, entreabertas;

- rigidez corpórea (rigor mortis);

- contração dos membros ou intestinos;

- hematomas nos braços e coxas;

- pulmões, coração e cérebro cheios de sangue.

 

 

Tu es raide avec moi!



Escrito por a mosca filosófica às 18:01
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomos IX-X

Gata, se eu fosse você, só visava a obter uma nota nesse teu boletim cheio de vermelhidões: a aprovação com louvor do meu coração!

 

Já senti a dor do estrangulamento? Diversas vezes.

 

* * *

 

Andar.

 

Maratona. Ah, os gregos! Correr vários kilômetros. Gradação, nem 8 nem 80, nem 20 nem 40. Marcha atlética. Ou caminhar até os pés sangrarem - o Judeu Errante. Que máquina emperrada esse ser humano!

 

Quando se fala tanto dessas faculdades prodigiosas, até parece que os menos aptos são proscritos da humanidade. Para mim que até correr 5km já constitui milagre. Os que não podem, não dá, não dão conta, obesos, frágeis ou malformados: o que eles são? Seria a quintessência do homem, poder correr ou ser um andador legítimo? Andador legítimo do velho.

 

E da mulher, qual é que é a síntese, o ramo de ouro, o sine qua non? Sambar?

 

Joyce escreveu "uma página a cada 3 dias". Não era um corredor.

 

* * *

 

 

Sinto que estou para trocar de pele.



Escrito por a mosca filosófica às 17:50
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20 000 LÉGUAS SUBMARINAS

Capitão Farragut

 

"Conselho era o meu criado. "apto para todo o serviço"

 

Sr. Pierre Aronnax

 

Ned Land

 

P. 13: o mal-agourento Cabo Horn

 

Dessa vez o criado é mais calmo que o patrão!

 

"Se o sr. quisesse ter a bondade de não arregalar os olhos tanto, talvez visse melhor."

 

Monstro fosforescente

 

Bem mais direto que Moby Dick.

 

bombordo: esquerda

estibordo: direita (lembra leste, à direita no mapa-múndi)

 

Animais jogadores

 

"Ora esta! Parece que está blindado com chapas de 6 polegadas!" Baleia de metal / Nautilus

 

Capitão Nemo

 

Sente-se sono no fundo do mar.

 

55: a importância sobeja do sal para a água não evaporar

 

"Foi Tasman quem descobriu o arquipélago, em 1643, o mesmo ano em que Torricelli inventava o barômetro e Luís XIV subia ao trono da França. Qual desses acontecimentos foi mais útil à humanidade?"

 

"A Ilha de Timor, cuja superfície é de 6.625 léguas quadradas, é governada por rajás, príncipes que se dizem filhos de crocodilos, o que para eles significa que são descendentes da mais nobre origem a que um ser humano pode aspirar." "Os crocodilos da ilha são alimentados com jovens virgens, em ocasiões especiais."

 

82: o cemitério submarino

 

II Parte

 

"as águas do Oceano Índico são tão transparentes que chegam a provocar vertigens em quem se debruça sobre a sua superfície."

 

"Os abutres, únicos coveiros daquela região"

 

"O inglês Percival falou de um indígena que conseguia ficar cinco minutos sem vir à superfície, mas isso é pouco crível. Sei de alguns pescadores que agüentam até 57 segundos. Outros, mais hábeis, ficam submersos até 87. Mas são raros e quando voltam a bordo põem sangue pelo nariz e pelos ouvidos. Penso que o tempo médio que podem agüentar é de 30 segundos." "Geralmente  esses pescadores morrem novos. A vista vai-lhes enfraquecendo, aparecem-lhes úlceras nos olhos e feridas no corpo."

 

"Estive analisando a etimologia da palavra requin (esqualo [tubarão]), que vem do latim Requiem!"

 

"Quem sabe se de hoje a cem anos se verá um segundo Nautilus?"

 

"O Atlântico! Imensa extensão de água cuja superfície cobre 25 milhões de milhas quadradas." "e que termina por estas duas pontas temidas de todos os navegadores: o Cabo Horn e o Cabo das Tormentas."

 

"cerca de 10 mil léguas em 3 meses e meio o Nautilus havia percorrido, distância superior a qualquer um dos grandes círculos da terra."

 

"O meu romance caía-me das mãos no primeiro volume, o meu sonho ia ser interrompido no melhor momento."

 

"Sabia que se calcula em 2 milhões de toneladas a prata que se encontra em suspensão nas suas águas." "Compreende agora por que sou tão rico?"

 

"A Atlântida de Platão [diálogo Timeu e Crítias], esse continente negado por Orígenes, Porfírio, Jamblique, D'anville, Malte-Brun e Humboldt, que consideravam o seu desaparecimento uma lenda. Aceito por Possidônio, Plínio, Ammien-Marcellin, Tertuliano, Engel, Sherer, Tournefort, Buffon, D'Avezac, estava diante dos meus olhos."

 

"O Mar dos Sargaços cobre toda a parte submersa da Atlântida. Há quem admita que as numerosas ervas de que está semeado são arrancadas às pradarias deste antigo continente. No entanto é mais provável que essas ervas sejam levadas à região pela Gulf Stream [grande corrente marinha que envolve o perímetro do Mar do Sargaço, porção do Atlântico tão calma em contraste que mais verossímil seria chamá-la de um colossal lago], que as tira das costas da América e Europa. Foi essa uma das razões que levou Colombo a acreditar na existência de um novo mundo."

 

"a quantidade de oxigênio dissolvido na água do mar aumenta com a profundidade em vez de diminuir"

 

"Queria chegar ao pólo? Todas as tentativas já feitas para atingir esse ponto do globo terrestre tinham falhado." "A 16 de março, por volta das 8h, o Nautilus, seguindo o 55º meridiano, cortou o círculo polar antártico."

 

"Os muros foram inventados para estimular os sábios."

 

"Era como uma primavera relativa fechada atrás do banco de gelo, cujas massas longínquas se elevavam no horizonte norte."

 

"Nenhum mamífero, excetuando-se o homem, tem matéria cerebral mais rica do que a das focas."

 

"Se o desaparecimento do sol coincidisse com o meio-dia do cronômetro, estávamos mesmo no pólo." "o Capitão Nemo desfraldou uma bandeira negra com um 'N' gravado no tecido."

 

"O Capitão Nemo, para grande aborrecimento de Ned Land, não gostava das costas habitadas do Brasil, pois passou por elas com grande velocidade."

 

"Eu tinha agora o direito e as condições de escrever o verdadeiro livro do mar, e queria que mais cedo ou mais tarde esse livro fosse publicado."

 

"Que fantasia da natureza! Um molusco com bico de ave!" "A sua cor inconstante mudava com extrema rapidez, segundo a irritação do animal, passando sucessivamente do cinzento-lívido ao castanho-amarelado." "que vitalidade o Criador deu a eles, uma vez que têm dois corações." "Os braços e a cauda desses animais renovam-se por reintegração. Em 7 anos a cauda do calmar de Bouger teria tido tempo de crescer."

 

"a 2800m de profundidade avistei o cabo telegráfico jazendo no solo" "O primeiro cabo foi estabelecido nos anos de 1857 e 8, mas depois de ter transmitido cerca de 400 telegramas, deixou de funcionar. Em 1863, os engenheiros construíram novo cabo, medindo 3.400km e pesando 4.500t, o qual foi embarcado no Great Eastern. Esta tentativa falhou mais uma vez." "Os americanos não se desencorajaram. O audacioso Cyrus Field, promotor da empresa e que nela arriscava toda sua fortuna, fez uma nova subscrição, que foi imediatamente coberta. O feixe de fios condutores isolados num invólucro de guta-percha estava protegido por uma cobertura de matérias têxteis contidas dentro de uma armadura metálica." "13/07/1866" "Várias vezes, ao desenrolarem o cabo, os eletricistas verificaram que tinham sido feitos buracos nele com intenção de lhe deteriorar o interior. O capitão, os oficiais e os engenheiros reuniram-se e deliberaram: quem quer que fosse apanhado a praticar aquele ato criminoso seria lançado ao mar sem qualquer julgamento. Depois disso não se repetiu tal incidente." "a corrente elétrica que passa da América à Europa em 0.32 segundos" "A duração deste cabo será, sem dúvida, infinita, porque se verificou que o invólucro de guta-percha melhora com a permanência na água"

 

Contornos poeanos - O MAELSTROM NO FIM TRÁGICO!

 

"Sabe-se que, no momento do fluxo, as águas encerradas entre as Ilhas Faroe e Loffoden são precipitadas com irresistível violência, formando um turbilhão de que nunca nenhum navio conseguiu escapar. De todos os pontos do horizonte acorrem vagas monstruosas e formam um redemoinho precisamente chamado Umbigo do Oceano [Omfalos aquoso!], cujo poder de atração se estende a uma distância de 15km."

 

"(trovões)

Quem jamais pôde sondar as profundezas do Abismo?

                                  - Eclesiastes

    apenas dois homens (...) o Capitão Nemo e eu

 

 

                         FIM"



Escrito por a mosca filosófica às 16:28
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A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS, Júlio Verne

Phileas Fogg e Passepartout - amo e servo.

 

"um Byron de bigode e suíças" "Mr. Phileas (...) a pessoa mais exata e mais sedentária do Reino Unido" "indivíduo equilibrado em todas as suas partes, muito refletido, tão perfeito quanto um cronômetro de Leroy ou Earnshaw." "Não dava uma passada a mais, indo sempre pelo caminho mais curto. Não perdia tempo, sequer um instante, a olhar para o teto." "vivia só, e por assim dizer fora de toda relação social. Sabia que na vida é preciso ter em conta os atritos, e como os atritos atrasam, para os evitar, não entrava em contato com ninguém."

 

"no homem, assim como nos animais, os próprios membros são em si órgãos expressivos das paixões."

 

"Se os escultores da Antiguidade conheciam 18 maneiras de compor a cabeleira de Minerva, Passepartout só conhecia uma para arranjar a sua: 3 passadas de pente, e estava penteado." "Depois de ter tido, como se sabe, uma mocidade bastante vagabunda, aspirava ao repouso."

 

"Um verdadeiro robô! Ora, não me importa servir um robô!"

 

"Nada de biblioteca, nada de livros, que seriam sem utilidade para Mr. Fogg, posto que o Reform Club colocava à sua disposição duas bibliotecas, uma consagrada às letras, outra ao direito e à política."

 

Um homem que não receia começar o dia com o pé esquerdo.

 

2h58 lendo um jornal.

 

"- A Terra é bastante vasta

 

- Era outrora..."

 

920h; 15.200min

 

"Traga para baixo meu mackintosh [capa de chuva], e minha manta de viagem."

 

1 libra = 20 francos

 

"Meu relógio! Um relógio de família, que veio do meu bisavô! Não varia 5 minutos por ano! É um verdadeiro cronômetro!"

 

Fix e suas idéias fixas.

 

164 - o coelho à indiana com gosto de gato!

 

"teria até esfregado as mãos, se estivesse na sua índole fazer um movimento inútil."

 

"zebus, espécie de bois com corcovas"

 

"paroxismo de raiva chamado mutsh na língua hindu"

 

"Alaabad, a cidade de Deus, é uma das mais veneradas da Índia, por ter sido edificada na confluência de dois rios sagrados, o Ganges e o Jumma, cujas águas atraem os peregrinos de toda a península. Sabe-se ademais que, segundo as lendas do Ramayana, o Ganges tem a sua nascente no céu, de onde, graças a Brama, desce para a terra."

 

"Ao meio-dia e meia, o trem parou na estação de Benares. As lendas bramânicas afirmam que esta cidade ocupa o local da antiga Casi, que estava outrora suspensa no espaço, entre o zênite e o nadir, como a tumba de Maomé. Mas, nesta época mais realista, Benares, a Atenas da Índia no dizer dos orientalistas, repousava muito prosaicamente no solo"

 

Desgastar-se por causa de metafísica? Nem morto!

 

"Um grande fumador de ópio pode fumar 8 cachimbos por dia, mas morre em 5 anos."

 

"Algumas vezes os passageiros ficavam completamente envoltos pelas ondas que recebiam filosoficamente." "A pouca duração da tempestade devia-se a sua própria violência"

 

"no Japão a profissão de soldado é tão estimada como desprezada na China."

 

DIC: laca - verniz derivado de resina/gama encontrada na China e no Japão (usado no cabelo como fixador - laquê?!)

 

"levando com elegância o traje nacional, o kirimon, espécie de roupão cingido por uma faixa de seda formando na cintura, pelo lado de trás, um laço extravagante - que as senhoras de hoje parecem ter emprestado das japonesas."

 

"saki, licor tirado do arroz em fermentação"

 

O Lago Salgado [Salt Lake City, etc.], de milhares de kilômetros quadrados e que, devido à sua altitude e densidade da água, não comporta peixes. Costa Oeste dos EUA. "Neste país tão singular, onde os homens não estão por certo à altura das instituições, tudo se faz 'ao quadrado', as cidades, as casas e as tolices." "com os hábitos negligentes dos americanos, pode-se dizer que, quando eles se põem a ser prudentes, é loucura não o ser."

 

"Nada de reflexão, é inútil!"

 

"A velocidade comia o peso."

 

As railways americanas são uma coisa de louco pelo seguinte: conectavam nada a lugar nenhum. É como se cortassem a Mata Atlântica, o Cerrado, o Pantanal e a Floresta Amazônica antes de haver qualquer povoação; como se asfaltassem o DF antes de Brasília! Assim, quando nasceram as cidades já não eram ilhas algumas...

 

"A plataforma da estação lhe queimava os pés, e ele não podia levantá-los. A luta recomeçou dentro dele."

 

A Volta ao Livro em 8 Dias

 

"Teria dado uma de suas orelhas para ouvir com a outra o que era dito."

 

"Não se é americano sem que a visão de 60 mil dólares lhe cause uma certa emoção."

 

Queimar meio-navio para a fornalha continuar queimando e ele avançando - arrebatadoramente poético! Formidável, formoso, prodigioso!

 

Nunca usou um balão!

 

"Sabemos, com efeito, a que deploráveis extremos são levados às vezes esses ingleses monomaníacos sob a pressão de uma idéia fixa." p. 729

 

"Em que fica provado que Phileas Fogg nada ganhou fazendo a volta ao mundo [nem nada perdeu], a não ser a felicidade" (título do Capítulo 37)

 

 

Os 2 veículos mais bizarros: trenó (a vento!) e elefante.



Escrito por a mosca filosófica às 21:23
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CALL OF CTHULHU

Conto de 1926, extremamente freudiano, como se verificará!

 

Lovecraft é um sujeito bastante versado!

 

Antropólogos norte-americanos são tão engraçados! Nada têm a ver com nossa formação...

 

Monstro que acorda nos sonhos das vítimas...

 

Um vodu mais antigo e sinistro que qualquer vodu africano.

 

Sinto forte inspiração do Metallica, mesmo em álbuns posteriores. “Great Old One”, entre outros exemplos que eu poderia elencar.

 

“until the time when the great priest Cthulhu, from his dark house in the mighty city of R'lyeh under the waters, should rise and bring the earth again beneath his sway. Some day he would call, when the stars were ready, and the secret cult would always be waiting to liberate him.” Com efeito, a aparência de nosso “amigo” é a de um polvo assustador

 

O homem é pequeno e irrelevante diante das forças aqui em questão.

 

“free and wild and beyond good and evil, with laws and morals thrown aside and all men shouting and killing and revelling in joy. Then the liberated Old Ones would teach them new ways to shout and kill and revel and enjoy themselves, and all the earth would flame with a holocaust of ecstasy and freedom.”

 

“No book had ever really hinted of it, though the deathless Chinamen said that there were double meanings in the Necronomicon of the mad Arab Abdul Alhazred which the initiated might read as they chose, especially the much-discussed couplet:

 

That is not dead which can eternal lie,

And with strange aeons even death may die.

 

“In a short time I became convinced of his absolute sincerity, for he spoke of the dreams in a manner none could mistake.” O tipo de convicção que às vezes mata.

 

“I felt deeply moved despite my rational beliefs.” a luta entre o espírito científico de um homem egresso do século XIX e as superstições emergentes

 

“My attitude was still one of absolute materialism, as l wish it still were, and I discounted with almost inexplicable perversity the coincidence of the dream notes and odd cuttings collected by Professor Angell.” Um workaholic típico, que sacrifica todo o resto em prol do trabalho, até matar a própria racionalidade. A começar por ser esta missão um karma hereditário herdado do tio-primo.

 

“He said that the geometry of the dream-place he saw was abnormal, non-Euclidean, and loathsomely redolent of spheres and dimensions apart from ours. Now an unlettered seaman felt the same thing whilst gazing at the terrible reality.”

 

“The Thing cannot be described – there is no language for such abysms of shrieking and immemorial lunacy, such eldritch contradictions of all matter, force, and cosmic order. A mountain walked or stumbled. God! What wonder that across the earth a great architect went mad, and poor Wilcox raved with fever in that telepathic instant?”

 

Um pouco de Lost, também, devido aos templos anti-euclidianos, à fumaça e outros detalhes.

 

“what an age-old cult had failed to do by design, a band of innocent sailors had done by accident. After vigintillions of years great Cthulhu was loose again, and ravening for delight.”

 

“I have looked upon all that the universe has to hold of horror, and even the skies of spring and the flowers of summer must ever afterward be poison to me. But I do not think my life will be long. As my uncle went, as poor Johansen went, so I shall go. I know too much, and the cult still lives.”

 

 

“Who knows the end? What has risen may sink, and what has sunk may rise.”



Escrito por a mosca filosófica às 17:27
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O ORFANATO

As duas crianças cutucam Gohan, outra criança ainda menor, com um galho, hesitantes. Temem um não sei quê do corpo inconsciente, estirado de bruços na areia.

 

- Será que ele tá morto, mano?

 

- É claro que sim, tá vendo que ele não se mexe, mana?

 

Mas antes que o cadáver pudesse ser alvo de mais exames interessantes por parte da dupla, um objeto brilhante chama ainda mais a atenção dos investigadores-mirins: é uma espada de bom fio, deposta ao lado do caído.

 

- Uau! Que maravilha! Eu sou um pirata, iá!

 

- Cuidado, você pode se cortar! - respondeu Gohan, tão de repente de pé, ao reparar no estranho balançando sofregamente sua espada pesada. As ondas batem nos calcanhares de Gohan. Ele ainda veste as mesmas botas.

 

- Um fantasma!

 

- Essa espada é minha... - mas Gohan, fraco, desfalece novamente.

 

O garoto solta a espada, de susto...

 

- Fantasmas podem morrer? - era a dúvida de sua irmã de 6 anos.

 

* * * 


Quando Gohan voltou a acordar estava debaixo de um teto. Uma casa. Embora o lugar fosse velho e as paredes e o forro estivessem todos descascados.

 

- Ai minha cabeça!

 

Os dois estão de pé bem perto da cama improvisada, e parecem empolgados.

 

- Este é o Rum, Garrafa de Rum, meu irmão mais velho, e eu sou a Cris! Qual é o seu nome?

 

- Eu me chamo Gohan. Onde estou?

 

- Esse é um dos nossos esconderijos secretos, gostou?

 

- De onde você veio?

 

- Eu não sei! Acho que tentei atravessar o mar e de repente...

 

Gohan não pôde terminar a frase (e acho que não terminaria...) porque Rum, hiperativo, já havia saltado para o canto, onde se pôs a batucar sem ritmo e sem jeito no que sobrou de um antigo órgão aristocrata.

 

- Você quer ser nosso amigo? Aqui é a República das Crianças! Aqui não tem adultos mas todos que agüentam ficar sem chorar são bem-vindos!

 

Rum dá um peteleco na orelha direita de Cris, que faz meia-volta furiosa e começa a puxar o mano pelos cabelos, e depois o morde no cotovelo.

 

- Quem aqui é chorão?! Isso era antes!

 

- Ué, mas eu não disse nada!

 

Os três riram.

 

 

* * *

 

 

- O primeiro lema dos órfãos é: os órfãos se ajudam uns aos outros! Que tal, CORRAM?

 

- Ã... é Gohan! GO! É que, bem, eu, ã, eu tenho uma... ã, uma...

 

- HAHA, GO-AN - Gohan! Você é gaguinho?

 

- Me desculpa! É que faz muito tempo que não falo com ninguém, a última pessoa com quem falei nem era assim uma pessoa, sabe?

 

- Não, não sei, garoto esquisito!

 

- Gohan, chega de papo besta, você não quer conhecer os outros?

 

- Os outros? Tem mais gente?

 

- Mas é claro que tem!

 

* * *

 

Não muito longe dali...

 

Um furgão com três pessoas uniformizadas de semblante fechado percorre a estrada esburacada...

 

* * *

 

E de volta:

 

- Sabe, Gohan... Há dois anos teve uma tsunami na vila, e você não vai acreditar! Quase nenhuma casa ficou de pé! E os adultos, nossos pais e os pais de todos, fizeram de tudo pra nos proteger. No final, os que não morreram afogados acabaram doentes e depois morreram! Uns amigos da gente também morreram! Foi muito triste!

 

- É sério? Quem é o mais velho de vo...

 

A sala estava lotada. Era uma assembléia de boas-vindas. Mas um apito, silvo realmente irritante, do lado de fora interrompeu a conversa. Quem ficou de sentinela na copa da árvore notou a aproximação do furgão.

 

- SÃO AQUELES CARAS DE NOVO!

 

- Ô, QUE SACO!

 

- GOHAN, CORRE, SE ESCONDE!

 

- Quem?

 

- VEM LOGO, VEM LOGO!

 

- Todo dia eles vêm, esses caras não desistem! Pessoal, pro plano!

 

O robusto motor parou de roncar com um breque. Barulho de portas se abrindo e se fechando rapidamente.

 

- É, esses moleques e suas emboscadas...

 

- Vamos! Hoje eles vão ter uma surpresa maior que a nossa!

 

 

Dois eram homens parrudos. Mas a motorista, uma mulher.



Escrito por a mosca filosófica às 16:11
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- Rápido, CORRAM, eles vão te pegar! Sobe, sobe, sobe!

 

Eram terríveis lances de escada, às escuras.

 

- Esse é o terraço! Olha ali, na ponta! Tem um bambu! A gente usa pra pular praquela casa da árvore! E ninguém alcança a gente aqui! Gohan, peraí, eu levo a Cris que não sabe pular, depois eu volto e te levo!

 

- Espere, garoto!

 

Antes de Rum voltar, os funcionários da van tinham adivinhado que se ocultavam no terraço e encurralaram Gohan. "Fim da linha, pivete! Ou se esborracha ou vem com a gente!" Um dos homens tirou um porrete de dentro das calças beges imundas.

 

Gohan deu os três passos pra trás que o parapeito ainda permitia.

 

- Não se mexe! Ninguém vai machucar você! A menos que peça!

 

Do outro lado as crianças gritavam: "E agora? Se o Gohan não tem o bambu, ele não..." Mas Gohan fechou os olhos, e quando um dos gorilas ia abraçá-lo...

 

ZOOOOMP!

 

Ele pulou feito o Homem na Lua. Todas as testemunhas se confundiram, relatando, depois, a história para quem não tinha visto: disseram que ele, o recém-chegado, o novato, um dos mais novos, não tinha nada de bobo, tanto é que VOAVA!

 

Os trabalhadores do orfanato da cidade vizinha se recusavam a acreditar no milagre.

 

- Mas o que eles querem? Tinha gritado Gohan, depois de chegar sem ajuda de uma vara de bambu à casa d'árvore.

 

- Eles vão levar a gente pra prisão!

 

- Vão comer a gente vivo!

 

- A mulher que tá com eles é bruxa!

 

- É sim! Um garoto que conseguiu fugir da prisão disse que não davam comida nenhuma e levavam surra!

 

- É verdade! Eles te levam pra tomar banho e até cortam suas unhas!

 

- Urg...!

 

Mas quando as crianças viram, os dois brucutus e a outra capanga já tinham se dispersado pelo acampamento juvenil. Um deles apareceu puxando uma linda moça pelo braço, de dentro de outra casa, metade desabada.

 

- Me solta agora, seu velho tarado!

 

Um vulto velocíssimo retirou a indefesa donzela do maciço pulso do gorilão de uniforme. De cara suja e uma faixa amarrada na testa, à moda de um revolucionário, o vulto se revelou como um outro menino, mas um pouco maior que todos os demais, aparentando uns 14 anos. A menina resgatada, de uns 11 anos, com cara de miss acampamento aliviada, se ocultou detrás do corpo do atlético adolescente, exceto que esticou o pescoço e mostrou a língua para o feroz ex-captor.

 

- É o Fígaro!, vários dos meninos na casa d'árvore exclamaram.

 

- Ela não quer ir com vocês, seus ratos! Rosnou ameaçadora a grossa voz do garoto delinqüente. Agora seria Fígaro contra o gorilão mais próximo. Ele avança com um cassetete, mas Fígaro não quer saber de machucar ninguém com as próprias mãos: só ginga com o corpo e faz o grandalhão tropeçar vexatoriamente e comer terra.

 

Os outros funcionários sabem que podem menos ainda com o rebelde mais velho e já ensaiam um recuo. Só para decretar o lado vencedor, os meninos abrigados no alto saúdam os do furgão com várias pedras. A mulher ao volante, contrariada, tenta argumentar, mas as crianças fazem um escarcéu e ela mal é ouvida por si mesma. Resolve chamar seus homens para o veículo e arrancar cantando pneu.

 

- Esses pirralhos acham que podem viver soltos assim pra sempre! Grrr...

 

Ponto para a República!

 

- Já podem descer! Hm... Você é novo aqui? Fígaro encara Gohan, mas seu olhar não é bem de censura, e sim complascência.

 

- É, encontramos o CORRAM na beira do mar depois da tempestade! - isto foi Rum quem disse.

 

- Não, o meu nome é Gohan! Muito prazer.

 

- Sabe, ele ainda é muito pequeno, vamos ter que cuidar dele e dar de comer também! - veio, oportunista e empurrona, a Cris.

 

- Rá, olha só quem fala! Você também é bem pequena, não é? Atalhou Fígaro. Risos gerais. - Bem, Gohan, a única regra é: um órfão é bonzinho com outro órfão!

 

Ambos, Gohan e Fígaro, apertaram as mãos.

 

* * *

 

O dia correu na maior tranqüilidade e despreocupação, típica da idade, e sem supervisão neste República livre, com todos os tipos de brincadeira, de adivinhação a combate policial, amarelinha a pega-pega. Gohan nem se lembra da última vez que riu tanto assim!

 

* * *

 

No dia seguinte, Gohan foi com seus novos amigos passear no restante da ilha, ou continente, o que quer que fosse essa terra, e descobriu que aquela não era a única cidade! Havia, a vários quilômetros das casas semi-destruídas, mais longe da costa, centros muito mais desenvolvidos - uma grande feira ao ar livre só com adultos trabalhando, por exemplo!

 

Já estava tudo esquematizado. Gohan parecia um filhinho-da-mamãe todo fofinho e arrumado, então ele é que devia dar início ao golpe: salivante diante da tenda onde anunciavam com vigor maçãs frescas e brilhantes, ele desmaiou convincentemente, fazendo uma roda de almas preocupadas se fechar em torno dele num instante. Virou o foco de atenção da feira.

 

Enquanto isso, enquanto prestavam socorro ao pobre Gohan, outros meninos esvaziavam os estoques de tudo que podiam, abastecendo seus sacolões de comida. Assim a República prospera!

 

Quando descobriram a armação, já era tarde demais. Uma negociante corpulenta ainda partiu pra cima do bando dizendo "ô, mas que malandros sem-vergonha!", mas cansou rápido, pois não estava habituada a exercícios. Os mais adiantados iam com toda a bagagem conquistada no saque-de-mestre, em bicicletas enferrujadas. Gohan, que longe de ser bobo se ergueu do chão assim que se vira ignorado pelos adultos em meio ao tumulto, corria quase tão depressa quanto as rodinhas das magrelas.

 

- Não foi divertido, CORRAM? Podemos viver sem os nossos pais!

 

- É, gostei muito!

 

Depois disso, inconscientemente, o sorriso de Gohan sumiu do rosto e ele ficou cabisbaixo.

 

- Mas o que foi? - perguntou a bonitinha do bando, salva por Fígaro no dia anterior, que era sensível para essas coisas.

 

- Ah, não foi nada, he-he!

 

 

* * *



Escrito por a mosca filosófica às 16:10
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De novo o sossego litorâneo, só se ouvindo o bater das ondas nas encostas pedregosas, o grasnido das gaivotas e o barulho do estômago trabalhando lento, depois da rica refeição. Aquela hora no fim da tarde que dá uma leseira na gente, danada de boa...

 

Muito estranho, mas pela primeira vez desde o desastre o furgão do orfanato não apareceu e as crianças puderam relaxar e curtir. O futuro era brilhante e promissor!

 

* * *

 

Escureceu. Gohan, enquanto os meninos dormem, procura uma moita do lado de fora. Esgueirando-se, percebe uma presença. Antes que pudesse se assustar, dá-se conta de que é Fígaro, imponente, ereto, ar de não-cansado.

 

- Oi, o que você tá fazendo aqui?

 

- Eu tô de sentinela, Gohan. Precisamos proteger a República o tempo todo. A gente nunca sabe quando aqueles brutamontes vão voltar...

 

- Você acha mesmo, Fígaro? Acho que eles desistiram!

 

(ou será na verdade que Gohan queria ir além de um passeio ao mictório?)

 

- Além do mais... Há outras pessoas com más intenções por aí, Gohan. Nem sempre são do orfanato.

 

- Fígaro...

 

- O que foi, Gohan?

 

- Eu tenho um segredo... Na verdade eu não sou órfão... Não sou... totalmente órfão... Tenho uma mãe que me espera na Montanha Paoz... E meu vovô também...

 

- Então era isso, por isso você é diferente! - um dos moleques mais novos gritou, do parapeito da janela. Não estavam tão adormecidos assim...

 

- Me... me desculpem!

 

- Ora, Gohan, não precisa se desculpar! - Fígaro - Só tem um problema: a Montanha Paoz fica meio longe, como você veio parar aqui? Tem ainda uma extensa rodovia e aí sim na Floresta de Bambus você já pode se considerar em casa. Mas vamos te levar lá! Amanhã...

 

- Como?

 

- Eu tenho um plano pra roubarmos o veículo!

 

E deu uma piscadinha. Tudo dependeria da visita dos inconvenientes adultos do maldito orfanato.

 

- Ei, CORRAM, sua mãe é legal com você?

 

- Ãhm, acho que não, ela fica brigando e me mandando estudar o tempo todo!

 

Óbvio que riram, mas aqueles que sabiam que jamais veriam sua mamãe de novo sentiram uma muda ponta de inveja.

 

- Gohan, de que matéria você mais gosta?

 

- Ah, eu acho que sou bom em Geografia, Desenho e Matemática!

 

- Eu detesto Ginástica! Mas gosto de Inglês.

 

- Já eu prefiro Ciências!

 

- Eu nunca fui pra escola... - acrescentou a Cris, desanimada.

 

- É claro, você é muito novinha!

 

Ela faz seu gesto costumeiro de dar a língua. Aliás, quantos linguarudos na República!

 

- Pelo que eu tô vendo, vocês tão a fim de ir pra escola, certo? - Fígaro se intrometeu.

 

- Não, além disso tanto faz! Agora não adianta mais mesmo!

 

- Ué, vocês podem se matricular na escola quando quiserem!

 

- Não fala isso, Fígaro, que papo é esse agora?!? Aquele lugar cheira a remédio!!

 

- Eu também não quero voltar.

 

- É, nem eu!

 

 - Você conhece bem, já que fugiu!

 

- HAHAHA!

 

O papo continuou, besta, mas confortador, e os grilos cricrilejavam. Ninguém dormiu muitas horas aquela noite...

 

- Então, pessoal, amanhã acordem cedo porque vamos levar o Gohan à mãe dele!

 

- Ié!

 

- Oba!

 

- Viva o CORRAM!

 

Gohan corou, mas se contentou por dentro, embora uma dúvida cinza ainda o importunasse em alguma parte...

 

* * *

 

Todos a postos. Sabiam, no íntimo, que os gorilas impiedosos não os deixariam em paz dois dias consecutivos, sem falar que viriam mais bem-preparados. Mas a recíproca também era verdadeira: ninguém deixaria o ronco de um motor pegá-los de surpresa dessa vez.

 

- Não vê nada?

 

- Não! - Rum, de binóculo.

 

- Está passando da hora! - Fígaro, preocupado.

 

- Ei... E-espera! Tá vindo! Tão vindo!

 

- Abaixem-se todos! Vamos fingir que tá tudo normal!

 

Dessa vez eram três, e não dois, os seguranças-armários. Logo que se retiraram da van, uma salva de pedras destinada a batizá-los foi atravessando o ar.

 

- Tomem isso, e isso! - Até a Cris e as outras garotas caprichavam na pontaria dos estilingues.

 

Os homens se dispersaram para se tornarem alvos mais difíceis, afastando-se da combe. Era a brecha desejada por Fígaro, que não teve dificuldade em expulsar rispidamente a motorista choramingona. Ele assoviou e toda a molecada se preparou para embarcar no bagageiro gigante. Ninguém queria ficar pra trás.



Escrito por a mosca filosófica às 16:06
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- Ah não!

 

Sirenes se ouviram. Eles tinham se planejado ainda melhor.

 

- Desçam do carro! - vociferou Fígaro - Esses sabujos chamaram a polícia!

 

Estavam cercados por incontáveis motocas e viaturas. O incidente de ontem na feira já havia despertado a atenção das autoridades. Sem plano nenhum, os meninos começaram a lutar com funcionários do orfanato e homens-da-lei, indistintamente. Uns com mais dificuldade, outros  menos. Era notória a vantagem de Fígaro e de Gohan no corpo-a-corpo, que sozinhos davam conta de vários deles. Até a Cris mordia o braço de seus aprisionadores, valente! Voavam voadoras e pedrinhas pra tudo que era canto. Os adultos devolviam com bravatas, botinadas e cacetadas. Pois é. Para a jovem República, estava claro que toda resistência tinha um limite, e até Fígaro foi dominado e algemado ao furgão pelos mais velhos. Gohan, num rompante de fúria (sempre um rompante de fúria), sacou sua espada, deu um de seus pulos fenomenais e quebrou o elo de ferro com a maior facilidade. Mas quando Fígaro se ergueu, assustado, e virou-se de costas, viu que todos os mais novos exceto seu salvador já estavam sob custódia. Haviam perdido? Fígaro parou para meditar uns dez segundos, enquanto os policiais, confiantes, mantinham-se alertas, prestes a dar o bote final. Um relâmpago atravessou-lhe a mente. Estamos falando de Fígaro, o líder da República em dissolução: "Melhor assim... Sentirei saudades."

 

- Gohan, vem comigo! - e correram.

 

O gesto surpreendeu os policiais, que não imaginavam que os pestinhas se deslocassem na direção oposta.

 

- E os outros?!

 

- Só vem comigo!

 

Ouvia-se os gritos daqueles pequeninos, já amarrados e sem consolo algum:

 

- Fígaro! Fujão!

 

- Traidor!

 

- Não deixa a gente aqui, Fígaro!!

 

G. e F. montaram num conversível da polícia, arrancaram e deixaram a República e as ruínas e as moscas, e os adultos, e a Lei, e os amigos, para trás. Para ser fiel aos fatos, o mais velho e parrudo dos capangas do orfanato ainda tentou se agarrar ao pára-choque, mas sua queda foi de gibi. As crianças-reféns só não sabiam se riam ou se lastimavam, enraivecidas pelo abandono do ex-estimado líder.

 

- Fígaro!!! CORRAM!! - Em vão um ainda tentou: eles já tinham sumido de vista...

 

* * *

 

Na auto-estrada os dois, Fígaro ao volante, ainda tiveram de fintar alguns policiais motorizados, mas estes acabavam batendo ou perdendo a pista. Quando chegaram à Floresta de Bambus e se retiraram do carro, Gohan abordou Fígaro, sério e indignado:

 

- Por que, por que você largou seus amigos? E empurrava seu parceiro de fuga na altura do quadril, sem querer compreender. Fígaro deu-lhe um murrão na cara que o derrubou.

 

- Acorda, Gohan! É a melhor saída pra todos eles! Eles não têm idade pra serem uns vândalos! Não merecem essa vida que eu levo! - Dava pra sentir a umidade em seus olhos - Gohan! Eu percebi... Você não é um garoto comum! É muito mais forte do que eu, e olha seu tamanho!

 

- Você vai voltar, Fígaro?

 

- Não! Se eu voltasse, não encontraria mais ninguém! Bom... A gente se vê... por aí! Seja bonzinho pra tua mãe!

 

- Traga eles, Fígaro! Mas esse grito foi só um último ornamento à amizade que cresceu entre eles. Assim como os moleques da finada República berravam à toa, Gohan já sabia que Fígaro não devia ter escutada nada, por causa do barulho do carro. E no fundo concordava com o mais velho, embora isso fosse bem triste. Rum, Cris, a "miss" e os outros! Então ele se virou e foi trotando pela mata... Em dez minutos chegaria...

 

- Tá perto! Já reconhecia os padrões de vegetação da vizinhança - Uf, uf... Puff!... Já posso ver minha casa!!! - Cansado, mas era todo sorrisos e alívio. Chi Chi, sua mãe, fatiando legumes na cozinha, nada podia ver, mas seus sexto sentido entrou em ação -- seu coração apertou. Chi Chi correu para o quarto do garoto, deixado como estava há seis meses, esperando o retorno do dono. Vários livros empilhados, repletos de equações e teorias das mais estranhas...

 

- Hum! Suspirou, e engoliu o vento, amarga.

 

Ela, sem saber a que estava obedecendo, saiu correndo da casa, mirando ao longe...

 

Era na mesma direção de Gohan que ela fitava. Ambos, mãe e filho separados pela catástrofe, não uma tsunami, mas algo bem pior, iriam voltar a se encontrar!

 

"...sua mãe é legal com você?...eu nunca fui pra escola!...seja bonzinho pra tua mãe!..."

 

Essas frases invadiam a consciência do garoto-guerreiro-misterioso. Mas por quê? Por que agora? Espera... tem algo faltando!

 

"Garoto especial..."

 

"O mundo precisa de você...a invasão."

 

Suas veias estalaram e se dilataram...

 

- Eu não posso! Se eu voltar as costas, todas as casas e famílias vão acabar!

 

Seu problema de amnésia estava de todo curado, de súbito. Não só sua identidade no deserto, antes de conhecer o Senhor Robô, mas todos os eventos macabros de meses atrás se perfilaram em seu álbum de fotografias mental. Não só sua mãe, mas até seu pai, e o outro...

 

E ele correu ao avesso. Tarde demais para Chi Chi, que não conseguiria alcançá-lo por nada. Nem seu coração terno de mãe podia com as passadas miraculosas de Gohan, o eleito... E, de mais a mais, ela não viu nada nem ninguém nos contornos da floresta, a não ser folhas farfalhando e bambus balançando. Podia ter sido tudo uma ilusão da carência e da loucura da solidão... - Goku, Gohan!... - Ela amarrotou uma foto que segurava na mão direita...

 

* * *

 

Gohan já evadia a floresta e chegava ao pé de uma montanha. O céu límpido. Começou a ventar muito. Pétalas de cerejeira e folhas agrediram sua cara, em redemoinhos ascendentes. Ele olhou pra cima. Lá estava ele, tapando o Sol. O turbante impecavelmente branco, apesar da negra sombra que projetava. Semblante fechado, poderoso, pairando no ar.

 

- Qual é a sua missão, pequeno? Indagou, tonitruante, taxativo. Vamos, me diga!

 

- É vencer os saiyajins... E salvar - A TERRA!

 

- Isso mesmo. Vamos voltar.

 

Voltar? Pra onde, se não é pra casa?! Ao Deserto. Ao Deserto vasto e cruel, de onde só por milagre se poderia escapar. Mas Gohan não tinha escapado? Treinar lá, com seu mestre, para produzir mais milagres.

 

 

Contagem regressiva.



Escrito por a mosca filosófica às 16:04
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O SENHOR ROBÔ

Abandonado no deserto. O garoto nem sabe direito como foi parar ali. Seu pai está morto. Ele chora. Tem uma espada que mais parece um facão e se alimenta de pequenos animais. Isso é tudo com que conta. Não pode se lembrar de sua idade, de seu nome, nem de seu propósito, a não ser... Sua mãe! Ele tem uma mãe e precisa chegar até ela. Fugir desse lugar como puder. O solo arenoso dá lugar a um outro tipo de piso. Calcário rachado, desgastado pelo sol perene da região.

 

Após alguns passos na pouco convidativa e árida superfície, o chão começa a ceder debaixo dos pés do garoto. Ele está em uma galeria subterrânea! Uma câmara enorme se estende diante de seus olhos. A luminosidade é escassa. Ele analisa as pinturas rupestres que encontra gravadas nas paredes. Tem certeza de já tê-las visto antes! Algumas delas não são imagens, são letras: querem descrever qualquer coisa ou dão um aviso importante. O garoto desafortunado procura uma saída, mas o único jeito seria escapar por onde entrou, o buraco no teto, a mais de quatro metros de altura. A temperatura não é como lá fora. Faz frio. O garoto, vestido apenas em um kimono esfarrapado, cabelo desgrenhado, se encolhe e encosta em uma das quinas irregulares, sem nenhuma idéia.

 

Mas, ciente que de alguma forma está sendo observado, ergue o olhar de súbito, desconfiado. Em frente, na extremidade oposta do salão, há um objeto, ou talvez um amontoado de detritos cintilantes. A cor prata do montículo reflete a pálida luz que consegue penetrar na gruta, produzindo um belo efeito à vista. O garoto se reergue sobre trêmulos membros inferiores e se aproxima, devagar. A cada passo as coisas ficam mais claras: trata-se de um robô! Mas deve estar "morto". À guisa de comprovar sua condição de solitário nesse sítio tão inóspito, o garoto cutuca o esqueleto platinado, cadáver tecnológico, com sua pequena espada infantil, ainda embainhada, bem na parte do tronco, que continha uma grande cabeça inanimada, à maneira de uma moldura que envolve um relógio, vermelha, ao contrário da cor de metal enferrujado do envoltório. E se fosse o coração da máquina, sua bateria, um botão, o botão de ligar/desligar? O garoto intruso premedita alguns passos para trás. O que ele quer com o ferro-velho dos outros? Não há tempo para brincadeiras. Seu estômago clama por outras providências... Cadê a mamãe?

 

Antes de executar o plano - sair de perto dessa parede e desse boneco estranho -, o garoto é surpreendido por movimentos. O robô, cerca de três vezes mais alto e duas vezes mais largo que o menino, se aproxima perigosamente articulando duas hastes enormes e bambas que o cientista que o criou deveria chamar de pernas. Um brilho qualquer partiu de dentro da cabeça do bicho, uma centelha inquisidora, acompanhada de voz bruxuleante, de walkie-talkie. O garoto acaba de lembrar que na antiga vida que levava ele já brincara de guerra-por-rádio com seus amigos, e a voz dos companheiros, distante, saía mais ou menos assim:

 

- Quem é você? Como ousa me incomodar?

 

O menino espadachim solta um berro. Pó cai em sua cabeça. Talvez não tenha sido uma boa idéia! Como não obteve uma resposta inteligível, o robô voltou à entrevista:

 

- Quem está aí?

 

- Eu sou um garoto do deserto... Tentando sair do deserto... Eu não tenho um nome, Senhor!

 

- Você não tem um nome? Eu preciso do seu nome, eu não posso reconhecer um ser vivo sem um nome!

 

- Eu... eu...

 

Um relâmpago atravessa a mente hesitante do garoto e tudo parece mais coerente do que há poucos segundos:

 

- Meu nome é... Gohan!

 

- Ah, então se lembrou!

 

- Desculpe, Senhor, mas o que o Senhor faz num esconderijo tão afastado?

 

- Gohan, isso não interessa. Desligue o interruptor e saia o quanto antes.

 

- Mas não tem saída!

 

- Atrás de mim!

 

- Mas... mas... Só o que tem é a rocha!

 

- Tenho no meu computador os dados. Não sei quanto tempo passei desativado. Mas você precisa sair daqui, Gohan.

 

- Deve ter tido um desabamento. Nós estamos presos, Senhor!

 

- Gohan, isso não é minha responsabilidade. Desligue-me, humano! Desligue-me! Já não tenho mais a quem servir ou qualquer propósito. O ideal seria que eu jamais fosse despertado uma terceira vez...

 

- Sr. Robô, eu vou morrer aqui... Me faça companhia até o final!

 

- Isso é absurdo. Isso é absurdo, Gohan!

 

- Você, quer dizer, o Sr., o Senhor só sabe repetir? O Senhor tem vontade própria também, não tem?

 

- O que é isso?

 

- Senhor robô, o Senhor sabe como a gente faz para subir até aquele orificiozinho lá no teto?

 

- Gohan, meu visor foi muito prejudicado pela desativação. Sou quase cego. Por favor, você não pode me pedir nada. Eu não sou um robô atlético. Eu era um robô da ciência. Agora minha vontade é dormir o sono dos sábios.

 

Desesperado, Gohan emprega todas as artimanhas que conhece para convencer o robô astuto e obstinado a achar uma solução, querer sair do lugar e ir com ele pelo deserto... Mas era inútil. A máquina, obsoleta, teimava em ser um zero:

 

- Gohan, vou parar de responder as suas perguntas. Este lugar está condenado. Meu computador calcula que em 12 horas, sem interferência de seres vivos, todas as pedras vão desabar e soterrar essa caverna. Esse espaço oco dentro do chão vai deixar de existir. Todos os que se negarem a sair morrerão. Você tem de saltar por sua própria conta. Adeus.

 

Alguns minutos de silêncio...

 

- Ainda está aí, Gohan?

 

- Sr. Robô, eu vou consertar os seus olhos. Eu conheço tecnologia!

 

Gohan remexeu nuns fios que se ligavam às órbitas redondas daquela criatura artificial e, voilà, como que convertidas em lanternas elas adquiriram uma chama dourada, e passaram a enxergar Gohan nitidamente.

 

 

- Gohan, o que você fez foi inútil! Eu só quero dormir. O que garotinhos tão precoces fazem longe de seus pais? Desligue-me! Desligue-me!



Escrito por a mosca filosófica às 00:03
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Gohan obedeceu e dormiu de cansaço. Quando voltou a si, sobressaltou-se com algo rastejante a poucos metros e seu instinto o fez religar o Senhor Robô, bem no botão vermelho encefálico.

 

- Gohan!!

 

- Calma, Sr. Robô! Aqui tem cobras, o Senhor pode matá-las para mim?

 

- Gohan, você é um garoto intrometido e carente! Eu não devia, mas porque detesto choro de criança, vou assá-las para você...

 

- Muito obrigado, Sr. Robô!

 

E assim Gohan, de um golpe só, saciou o estômago e se livrou da companhia dos répteis asquerosos. O amigo robô disparou raios laser de cavidades estranhas em suas laterais. Sua eficácia para preparar churrascos é prodigiosa!

 

- Está satisfeito com o banquete, Gohan? Agora me desligue. Minha bateria vai acabar, mas eu gostaria de me despedir sem delongas...

 

- Eu acho que queimei a língua, Senhor Robô, mas estava uma delícia! Embora eu prefira o tempero da minha mamãe...

 

- Gohan...

 

- O que é, Senhor?

 

- DES...

 

- Tá bom, tá bom, já sei! O Sr. não teria uma mola para me ajudar a sair daqui?

 

- Gohan, lamento mas não consigo pensar em nada! Você pode, por consideração, apertar o meu botão?

 

- É que... Olha, só vou fazer umas perguntas antes, pode ser?

 

- Não, Gohan!

 

- Vou fazer sim, o Senhor não tem escolha!... Por que o Sr. está aqui?

 

- É uma longa história, Goha...

 

A voz do robô fica mais trêmula do que o normal.

 

- Senhor, Sr., o que foi?

 

- Eu não tenho mais energia para continuar es.. ...ver..

 

- Robô, robô, Sr. Robô! Essa areia toda infiltrando nos circuitos do Senhor, é por isso que perdeu a mobilidade, não é?

 

- ...

 

- Não precisa responder, eu vou tirar nós dois daqui, dou algum jeito! ALGUÉM ME AJUDE!!!

 

Tendo elevado a voz para pedir ajuda, Gohan se esqueceu de que poderia precipitar um deslizamento. Muito pó cede do teto e algumas porções do salão de calcário trincam. Gohan sabe que não terá muito tempo e que seu amigo não poderá mais ouvi-lo. Mas ele sabe - agora - que é uma criança diferente, senão não estaria no deserto passando por provações, nem teria uma espada ou... tanta sorte de arranjar um amigo até num calabouço tão escuro, no fim do mundo. Algo formiga dentro dele e ele se sente o rei do universo. Como quem pula por sobre um girassol ou um pé-de-milho, ele salta incríveis quatro metros e se agarra à beirada do buraco por onde havia caído. A borda é frágil, vai ceder se Gohan não puxar seu corpo para cima rápido. É o que ele faria, se não se lembrasse, na última hora, que esquecera de desligar o botão!

 

- SENHOR ROBÔ, O SENHOR NÃO PODE SOFRER POR MINHA CAUSA!!

 

A criança deixa-se cair de volta ao breu em dissolução. Seu último grito de solidariedade faz outras tantas rochas se desprenderem do teto. Mas ele precisa alcançar o botão luminoso... Ele deve isso ao anfitrião da caverna...

 

Ao tentar acioná-lo, o robô emite uma grande descarga, Gohan leva um choque e desmaia.

 

* * *

 

- Gohan, Gohan, acorde! A caverna está por um fio! Você ficou inconsciente depois de tocar em mim enquanto eu estava em curto! Mas graças a você ativei minha bateria reserva!

 

- Senhor... Senhor Robô, o Senhor está bem?!? Que bom!... Me desculpe... Eu me esqueci de desligar o botão quando estava prestes a sair e...

 

- Isso não importa mais. Não temos muito tempo.

 

Uma pedra de grandes dimensões cai perto dos dois, fazendo Gohan sobressaltar.

 

- Eu vou arremessar você, Gohan. Suba em mim e sente sobre a minha cabeça!

 

- Não, Senhor Robô! Eu não quero! E se eu sentar no botão o Senhor vai desligar para sempre! Preciso salvar o Senhor do desabamento!

 

- Não seja tolo, criança! Estamos condenados se você não fizer o que eu te digo. O botão não vai me desligar. Eu posso mudar minhas configurações. Viu?

 

O robô passou a emitir uma aura azul, diferente da dourada de antes.

 

- Isso, assim mesmo. Agora comprima meu botão vermelho até o fundo! Prepare-se para EJETAR!

 

Um grande estrondo indicava que não só Gohan evadira em grande velocidade do reino subterrâneo como o próprio reino subterrâneo já não existia...

 

- Senhor Robô, onde o Senhor está? SENHOR ROBÔ!!

 

 

As lágrimas de Gohan são o único indício de umidade no vasto deserto, mas são logo arrancadas de seu rosto pela ventania. Breve anoitecerá e a temperatura diminuirá sensivelmente. Gohan não tem forças para erguer os escombros formados após o impacto para procurar seu heróico e mais novo amigo. Ele desembainha sua espada, engole em seco, ergue a cabeça e obedece uma voz interior que o incita a seguir em frente...



Escrito por a mosca filosófica às 00:03
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5min

José de Alencar

 

"Por que é que Deus deu o aroma mais delicado à rosa, ao heliotrópio, à violeta, ao jasmim, e não a essas flores sem graça e sem beleza, que só servem para realçar as suas irmãs?"

 

Apaixonando-se à primeira vista no ônibus.

 

Ex-Vanes(ser).

 

"Aos grandes males os grandes remédios, como diz Hipócrates. Resolvi fazer uma viagem." "Se algum dia se apaixonar, minha prima, aconselho-lhe as viagens como um remédio soberano e talvez o único eficaz."

 

CANETA ROSA É METALINGUAGEM, VIADO!

 

"Mandei selar o meu cavalo (...) e saí, sem me importar com a manhã de chuva que fazia."

 

"Quando acordei, o dia despontava sobre as montanhas da Tijuca."

 

 

Mas quando vou curtir o drama, a situação, já sei que estou cansado demais, e a melhor parte, o trabalho, o sofrimento, já passou.

 

Cerro com serrotes, chega de carne e oficina!

Do diabo chacoalhado cheio de dentes errados

Serrei o fim, e agora ele era dois.

 

"um homem como eu, que andava todo dia desde a manhã até a noite, a ponto de merecer que me apelidassem de Judeu Errante"

 

O Holandês Subterrâneo

 

TÊN[DI]NI[TE]s

 

Bons tempos em que doentes iam para a Europa!

 

 

"Não tinha um trono, como Ricardo III, para oferecer em troca de um cavalo, mas tinha a realeza de nosso século, tinha dinheiro."



Escrito por a mosca filosófica às 23:53
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NADA DE NOVO NO FRONT

Erich Maria Remarque

 

"Remarque que, junto a Goethe, é o escritor de língua alemã mais lido no mundo"

 

Os soldados fumavam 40 cigarros por dia.

 

"Aliás, é engraçado como o infortúnio do mundo provém tão freqüentemente de homens baixos: são muito mais enérgicos, de gênio muito pior do que os indivíduos altos."

 

"Esses educadores têm sempre os seus sentimentos prontos, na ponta da língua, e os ficam espalhando a todo instante, sob a forma de lições."

 

"Katczinsky insiste que isto é próprio da educação - o excesso de estudo torna os homens burros. E, se Kat o afirma, é porque pensou muito antes de fazê-lo."

 

"do mundo que haviam arquitetado, víamos que nada sobrevivera."

 

"Aprendemos que um botão bem polido é mais importante do que 4 livros de Schopenhauer."

 

"Se confiássemos no pensamento, já seríamos um monte de carne espalhada por todos os lados."

 

"o traseiro (...) Embora a carne seja muita, os tiros nesse lugar são terrivelmente dolorosos, além de se ter que permanecer meses a fio no hospital, deitado de bruços, e depois ficar capenga, com quase toda certeza."

 

"a dor de barriga da frente de batalha"

 

"Eu nunca tinha ouvido cavalos gritarem e quase não posso acreditar. É toda a lamentação do mundo"

 

"É raro cair mais de uma granada no mesmo buraco, e, por isso, procuro entrar nele."

 

HomeNaja a nossa cobra de estimação.

 

"Matar um piolho de cada vez não é fácil quando os temos às centenas."

 

"Como é que merda de vaca chega ao telhado?"

 

GUERRA ESPIRITUAL - "Estamos isolados dos que trabalham, da atividade, da ambição, do progresso."

 

"Os ratos aqui são particularmente repugnantes, pelo seu grande tamanho." "No setor vizinho, os ratos atacaram, morderam e roeram dois grandes gatos e um cachorro até matá-los."

 

Quando enchem os soldados de comida, sabe-se que é porque não contam com sua duração.

 

Pás são armas tão úteis quanto granadas no front.

 

"Só Tjaden deleita-se com as boas porções de rum"

 

"O sono pesa-me nas pálpebras e mexo os dedos dos pés dentro das botas para ficar acordado."

 

"nem um rabo de cachorro é bastante fino para escapar a este fogo."

 

"Guardo uma casca de pão na mochila, depois de comer o miolo"

 

"de onde os inimigos tiram tantos canhões?"

 

"O primeiro dos rapazes parece ter efetivamente enlouquecido. Corre e bate com a cabeça na parede como um bode, quando consegue soltar-se." "Desistimos de jogar cartas"

 

A RESSACA BÉLICA - "os lábios estão ressequidos, a cabeça dói mais do que depois de uma noite de pileque."

 

"Desamparados como crianças e experientes como velhos, somos primitivos, tristes e superficiais..."

 

"Ontem, ainda estávamos debaixo do fogo; hoje, dizemos bobagens, deixamos correr a vida; amanhã voltaremos para as trincheiras."

 

 

"Quem não é obsceno não é soldado"



Escrito por a mosca filosófica às 22:27
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Não se sabe se estão na França ou na Alemanha, pois é precisamente isso que a guerra vai decidir. Mais adiante no livro: "De qualquer maneira, é melhor que a guerra seja aqui do que na Alemanha. Olhem só esses campos devastados!"

 

"Que ela vá para o diabo, com seus gorjeios e o seu palavreado!"

 

"Agora, já consigo andar, falar e responder, sem medo de ter de me apoiar de repente na parede, porque o mundo torna-se mole como borracha, e as veias, secas como iscas."

 

Perdido em uma megalópole? Prefiro chamar-me de livre!

 

"o guinchar dos bondes parece-se com o das granadas."

 

"todos os soldados deveriam receber a Cruz de Ferro..."

 

"acabam sempre falando do que lhes interessa pessoalmente." "Falam demais." A guerra da vida em paz no meio de gente abelhuda!

 

"Estes são outros homens, homens que não compreendem bem, de quem tenho inveja e que desprezo."

 

"Os livros, que eu comprava aos poucos com o dinheiro que ganhava dando aulas; muitos deles, de segunda mão (...) Comprei a coleção completa, pois sempre fui meticuloso, não confiava em editores de trechos escolhidos" "Adquiri alguns de maneira não muito honesta: pedia-os emprestado e não os devolvia"

 

"Quero projetar-me no pensamento daquela época. Ela ainda está no quarto, eu sinto, as paredes conservaram-na."

 

"Estou agitado, mas não é isso que desejo, pois não está certo. Quero sentir novamente aquele deslumbramento calmo" "a impaciência do futuro, a alegria alada do mundo dos pensamentos"

 

Alunos davam o troco em professores se ocorria de possuírem uma patente mais elevada. Belo universo paralelo! "seu ofegar é música para os nossos ouvidos."

 

"Por que sempre tenho de ser eu o mais forte, o mais controlado?"

 

"Ah, mãe, mãezinha!" "Nunca deveria ter aceitado a licença."

 

"batatas mofadas são deliciosas iguarias, e o luxo maior é uma sopa rala de arroz." "Apenas as sobras que a colher não alcança são despejadas nas latas de lixo."

 

"quanta miséria cabe nestes dois pontinhos negros, nestes olhos que apenas um polegar conseguiria cobrir!"

 

As botas dos alemães eram as piores botas de soldado da guerra!

 

"[os prisioneiros russos] eram muito mais animados. (...) Agora, já estão todos apáticos e indiferentes, com disenteria, a maioria nem se masturba mais, tão fracos se acham, embora, às vezes, as coisas fiquem tão sérias que todos na barraca o façam em conjunto." "ocasionalmente um ou outro mendiga uma ponta de cigarro." "estes seres silenciosos, com seus rostos infantis e suas barbas de apóstolos" "Todo cabo é um inimigo pior para o recruta, todo professor é um inimigo pior para o estudante do que eles para nós."

 

Nada de ruga na fronte.

 

"Meu pai e minha irmã dão-me um vidro de geléia e um embrulho com bolinhos de batata (...) À noite, passo a geléia nos bolinhos e como alguns. Mas não têm pra mim o mesmo sabor, e então saio para dá-los aos russos."

 

"Um rei também tem de ficar em posição de sentido em frente a um imperador?"

 

"O estertor recomeça: como o ser humano morre lentamente."

 

Defeitos na descrição narrativa.

 

"Matei o tipógrafo Gérard Duval. Vou ter de me tornar tipógrafo, penso, confusamente, tornar-me tipógrafo, tipógrafo..." "Não penso mais no morto; agora ele me é totalmente indiferente." "É unicamente para não dar azar que balbucio mecanicamente"

 

"Leitão fresco faz mal aos intestinos." "Tjaden torna-se de tal modo refinado e exigente que só fuma charutos pela metade." "Como príncipes, nós nos sentávamos nelas, enquanto fazíamos planos de alugá-las mais tarde [as poltronas de veludo vermelho]: um cigarro/hora"

 

"Suas palavras parecem sair de um livro."

 

"Ele lhes opera os pés chatos, e vocês, na verdade, não terão mais compensação, terão pés tortos e serão obrigados a andar de bengala para o resto da vida." "Estão aqui para que tratem de seus ferimentos, e não de pés chatos! Vocês não os tinham no campo de batalha?" "Precisa de cobaias; para ele, assim como para todos os cirurgiões, a guerra é uma época magnífica."

 

"Só o hospital mostra realmente o que é a guerra." "Matar: nossa primeira profissão na vida." "O mais velho de nossa enfermaria é Lewandowski." "um tiro na barriga, o que é muito mais perigoso com o estômago cheio."

 

"a indiferença dos selvagens, a fim de que, apesar de tudo, sentíssemos de cada momento o positivo e o armazenássemos contra o ataque do Nada." "a chama dolorosa e terrível da ansiedade" "Mas enquanto os aborígenes podem permanecer embrutecidos assim para sempre, porque este é o seu estado natural e o máximo que podem fazer é continuar a desenvolver-se pelo exercício de suas forças espirituais, conosco dá-se o contrário: nossas forças interiores não tendem para o desenvolvimento, mas para a regressão."

 

"os gendarmes, estes desprezíveis policiais do exército"

 

"Abandonamos a esperança de que haja um fim."

 

DIZEM QUE O HUMOR É MAIS REFINADO QUANDO PARTE DAS VÍTIMAS DE UM INTENSO SOFRER - "Já tenho uma perna-de-pau; mas se eu for lá para o campo-de-batalha e alguém me arrancar a cabeça com um tiro, mando fazer uma cabeça de pau para mim e passo a ser o oficial-médico!"

 

 

"De que lhe serviu ter sido tão bom aluno de matemática na escola?"



Escrito por a mosca filosófica às 22:26
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo VIII

InuYasha: o último grande êxtase. Época do amor.

Sou um nada, desprezível.

Minha barba coça. Não roça em ninguém,

Luz elétrica implica em segurança

Vou me recolher ao meu feudo

Se eu tivesse um Buraco do Vento já tinha me sugado há muito tempo. Mas uma Tenseiga insiste em estar desembainhada na minha cinta, pulando, vibrando, a cada pseudo-morte emotiva. Bleargh!

Cada vez se torna mais difícil. Tenho zero amigos e pouco ou nenhum convívio com Zé Ninguém.

Sou um tratante! Onigumo

Ou um representante do canil

Pele branca babuinesca

Risada aberta mentirosa

Maltrato meus escravos que são-sou eu.

Parábola imperfeita do horror

Vá para outras praias, seu órfão!

Fuja quando mais (menos?) lhe é conveniente, microsábio!

Dispare uma flecha desenvenenada no coração do Destino Moribundo.

 

Os Kugas de minha vida são todos, que roubam minhas namoradas



Escrito por a mosca filosófica às 17:38
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo VII

IGOR JORGE LUCAS defeitos hiper-especiais ALOÍSIO

 

Os defeitos de uma geração. O lunático autista de sua arte não-comercial... Mas é engraçado: não estou falando de mim! Na literatura, até que é escusado (ó, conferencistas!). Mas e o músico que não gosta de platéia? PS: Eline sacana.

 

Spaghetti tostado, cordas vocais nunca 100% utilizadas. O menino que também lê revistas dos anos 90 mas não tem vergonha da própria esquisitice. O corno da internet.

 

O outro, seu antípoda, quer fazer melhor que eu: quer deixar de graduar-se e enganar os pais. Antes isso que se desgastar, se exaurir e ter um pífio diploma em mãos. Corta esse cabelo!

 

* * *

 

 

Diferente do trio trapalhão, alta (?) linhagem, peito estufado, jogador de futebol americano. Ele malha todo dia, e no entanto é cult: faz até aula de canto. Guitarra aprende com o João da Esquina, parlante de español, adora alugar o DVD de Friends na blockbuster e doar seus videogames para a caridade. Conselheiro-mor de todos os amigos, esse sabe o que faz, menos consigo! Ah, e os perigos do comunismo...



Escrito por a mosca filosófica às 17:05
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo VI

ACORRENTADO AO FRACASSO

 

Por quê?

 

Chimpanzés de academia, não sabem lidar com o corpo, não sabem o que é o corpo, que ademais não vai só até os ombros.

 

A vida inteira comezinha reduzida ao romance burguês? Sapatonês?

 

Fontes de mal, desestabilizadores, no-breaks para as desgraças, dilúvio de opróbrios.

 

Olá, bunduda, suas meias estão demasiado arriadas!

 

Cigarras donas do crepúsculo atrasado. Choro tardio, tadinho.

 

Sinais de abatimento, má nutrição? Estou acorrentado ao fiasco passado, o futuro - e até o sono - me é negado.

 

MUSSOT ÉBRIO & O PSEUDO-SUICÍDIO

 

Toda hora o sentimento parece que vai aflorar

 

 

Por que não uma sucessão de acertos?



Escrito por a mosca filosófica às 16:23
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A FORMIGA E A CIGARRA - A REVANCHE

Essa história acontece em solo europeu, por motivos que os artistas brasileiros conhecem muito bem...

 

A formiga, todo mundo sabe, é o trabalhador competente e compenetrado, que vende (aluga, cede) sua mão-de-obra tanto no verão quanto no inverno para suprir suas necessidades (um pouquinho mais no verão, é verdade).

 

A cigarra, o pessoal conhece como a vilã da fábula (infantil?), aquela que tem repulsa ao modus operandi do proletário e que por isso paga a conta no final (todo vilão, no reino do maniqueísmo, se torna a derradeira vítima). Vamos apresentar um início, um meio e um fim alternativos para esta triste lição de moral!

 

* * *

 

A cigarra canta no verão, e se dá ao luxo de deixar de cantar no inverno, a fim de preservar suas valiosas cordas vocais. Mas longe de recriminá-la pela postura, devo enaltecê-la; e nem preciso oferecer meu teto e meu cobertor quentinho a esta amante do ócio, quando o clima apertar, pois a cigarra tem tudo isso e muito mais: ela é uma celebridade das casas de ópera!

 

Por ser uma artista, a cigarra ganha numa só estação o suficiente para se sustentar por muitas estações. Ela tem um dom. Muitas formigas há que levem e tragam folhas e torrões de açúcar de lá para cá, de cá para lá, incessantemente, sob o sol forte, o vento inclemente, as mais variadas intempéries - mas cigarras são poucas, são raras, e como tal são mais prestigiadas.

 

A cigarra de nosso brevíssimo enredo passou o verão inteirinho cantando ao invés de "meter a mão na massa", carregar peso, carpir um lote, plantar batata, sabe como é! No inverno, restava-lhe ler as cartas dos fãs, e estalar os dedos, em expectativa, preparando-se (psicologicamente, que fique bem claro) para os espetáculos da próxima (e cobiçada, pela platéia de insetos!) temporada.

 

Sim, amigos: nesta pequena fábula adulterada, a formiga é que tem inveja do excelente planejamento e previdência da amiga refinada!

 

 

 

Carpe diem, fazendo o que tu amas!



Escrito por a mosca filosófica às 22:26
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OVERDOSE SHAKESPEAREANA

A) MACBETH, O Rei da Escócia

 

"Para o mundo enganardes, a aparência tomai do mundo."

 

"congelada pelo meu sopro a ação se torna em nada."

 

"O que nos atrapalha é a tentativa, somente, não a ação."

 

"...que vai para os fogos eternos pela estrada semeada de rosas."

 

"A bebida provoca o desejo mas impede a execução"

 

"O trabalho agradável é remédio da canseira."

 

"Esgotado se acha o vinho da existência, só restando simples borra no fundo desta adega com que possa jactar-se."

 

"Tirante ele, não há pessoa alguma de quem eu tenha medo, e junto dele meu gênio se intimida, como dizem que com o de Marco Antônio acontecia, quando junto de César."

 

"Toca ao morto decerto melhor sorte que a de alegrar-se assim quem lhe deu morte."

 

"O que não tem remédio, não devera ser pensado sequer. O que está feito, não está por fazer." Talvez a vida não devesse ser pensada. Nem o fato de nos arrependermos e pensarmos sobre a vida.

 

"tenho o espírito cheio de escorpiões"

 

Inveja do futuro.

 

"dobra-se o ferro enquanto ele está quente."

 

"Se estivesse em meu poder, atiraria logo no inferno o doce leite da concórdia"

 

O remorso remoça.

 

Sempre a frase existencialista perto do fim... A desta: som e fúria; o louco.

 

"Começo a achar a luz do sol enjoada. Ah! se este mundo se acabasse em nada!"

 

Outro tirano.

 


B) OTELO - O Mouro de Veneza

 

"palavrório sem sentido, carecente de prática; eis sua arte."

 

"Chicote nessa gente muito honesta!"

 

"Chorar, depois de salvo, uma desgraça, é chamar outra ainda mais feia e crassa."

 

"O roubado que ri, rouba ao ladrão"

 

"Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades."

 

"o que denominais amor não é mais do que um sarmento ou uma vergôntea [ramo novo e fraco]"

 

"veneziana arqui-sabida"

 

Só gasto tempo com idiotas para proveito próprio ou por distração!

 

"Então ela é sagrada? Mas o vinho que ela bebe é feito de uva!"

 

"É amaldiçoado todo copo bebido fora da conta, sendo o seu conteúdo o próprio diabo!"

 

"A honestidade, como os tolos, ao patrão só dá prejuízo."

 

"Que promessa, minha pomba?"

 

"Nem dois anos são suficientes para conhecermos os homens. São estômago, somente, e nós, os alimentos. Todos eles nos devoram com ânsia; mas, repletos, nos vomitam." Desdêmona

 

 

C) TUDO BEM QUANDO TERMINA BEM

 

"antes ser censurado por calado do que por falador."

 

"Deve morrer a corça tímida que aspirava a um leão para consorte."

 

"Não há medida política na república da natureza capaz de preservar a virgindade. Sua perda é de utilidade para a população."

 

"Se nos nascesse uma mulher boa por cada cometa ou cada tremor de terra, a loteria só teria a lucrar; mas primeiro o homem arrancará o próprio coração sem que encontre uma nessas condições."

 

"Quanta bala a zunir! Que estrondo! É duro! Quem casa cedo é assim, não tem futuro."

 

Jeremy Bertram

 

O perigo consiste em enfrentar o perigo, que é como os homens morrem e as crianças nascem. Mas como você é infantil, pode ir! O máximo que lhe irá acontecer será nascer de novo...

 

"Quando morta, ficareis como agora: fria e séria."

 

"Nunca suportei a vista de gatos; de agora em diante, para mim ele não passará de um gato."



Escrito por a mosca filosófica às 15:09
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D) REI LEAR

 

Já sou rabugento como um velho Lear!

 

Homens (filhos legítimos): "entre o sono e a vigília concebidos."

 

"Por que bastardo? Por que mal nascido, se minhas proporções são tão bem feitas, a alma tão franca e a compostura toda tão certa como a de qualquer rebento de uma senhora honesta? (...) Essa é a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem - muitas vezes por culpa de nossos próprios excessos - pomos a culpa de nossos desastres no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos celerados por necessidade, tolos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas; bêbados, mentirosos e adúlteros pela obediência forçosa a influências planetárias, sendo toda nossa ruindade atribuída a influência divina... Ótima escapatória para o homem, esse mestre da devassidão, responsabilizar as estrelas por sua natureza de bode. (...) Pelo pé de Deus! Eu teria sido o que sou ainda que a mais virginal estrela do firmamento houvesse piscado por ocasião de minha bastardização."

 

Edmundo

 

"falhando o berço, o espírito o assegura."

 

"Não sou tão jovem, senhor, para amar uma mulher por causa de seu canto, nem tão velho para me apaixonar por ela sem motivo: tenho 48 anos na carcunda."

 

"Nunca sofremos o pior, enquanto dizer podemos: Isto é o pior de tudo." Preferia perder a visão que perder a língua.

 

"digna não sois da poeira que vos atira ao rosto o vento rude. (...) Olha em ti própria, demônia! A original deformidade não é tão repelente nos demônios como numa mulher."


 

E) RICARDO III

 

"eu, que privado sou da harmoniosa proporção, erro de formação, obra de natureza enganadora, disforme, inacabado, lançado antes do tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito e de tal modo imperfeito e tão fora de estação que os cães me ladram quando passo, coxeando, perto deles." Ricardo, o novo Edmundo

 

"tu, vergonha do ventre da tua mãe, tu, odiado produto dos quadris do teu pai, tu, farrapo de honra, tu, desprezível..." PIOR AINDA É A MEDIOCRITAS.

 

Neste mundo há os tolos e os que conhecem Shakesp.

 

"Não, não. Foi-se o meu sonho prolongando para além da vida."

 

"Tua perda engrandecer é agravar o causador. Pensando nisto aprenderás a maldizer."

 

 

F) A COMÉDIA DOS ERROS

 

"Sou no mundo como uma gota d'água que à procura de outra gota d'água no oceano se encontrasse."

 

 

"E a febre que é, senão um grande acesso de loucura?"



Escrito por a mosca filosófica às 15:08
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AS FLORES DO MAL - O LAR CALVO

Tannhäuser de Wagner

 

Você, como poeta, é um exímio poeta!

 

Póstumo, só me interessa Rimbaud.

 

Hermes Trismegisto

 

* * *

 

PAI DE MIM MESMO - DUNGEON MASTER

 

Princípio. Labirinto de rato. Heloise. À primeira bifurcação me desdobro. Sou dois, sou três, sou quatro... Cada eu segue seu destino... fatídico. Múltiplas mortes. Sinto integralmente cada uma delas. Os becos sem-saída - vó! - vêm com suas cordas - hangman - e um pote fino e comprido para uma torrente de lágrimas esguias. Um deles, no entanto, Rafael nem pior nem melhor que ninguém (que os outros Rafaéis), chegará ao final. Será uma saída ou só mais uma parede?

 

VôSeiya morrer

 

* * *

 

O mundo (a população do mundo) se divide entre aquelas que têm inveja do pênis, aqueles que têm inveja de outros pênis e os negros. Melhor é ser gay!

 

 

O spleen assenta no infinito,

ou o absoluto habita sobre o tédio?

 

 

 

Cf. Perfume de Mulher - é mais fácil para um cego fingir que vê - até ao volante - que para um dotado de luz nas córneas simular a cegueira.



Escrito por a mosca filosófica às 01:18
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PARERGA E PARALIPOMENA

Continuação de O Mundo Como.`

 

Sou saudável? Sou belo? Sou forte? Sou moderado ou incontinente? Enérgico ou indolente? Sou a cópia de alguém? Devo ter escrúpulos de alguma coisa? Que tipo de inteligência, paciência, polidez? E tudo isso de acordo com quem?

 

"insatisfação íntima"

 

"para um é pobre, insípido e monótono, para outro é rico, interessante e importante."

 

Quão bem estou adaptado ao meu lar? Um PlayStation1 me basta. Que raro! Torcer dentro de casa, sem me entorpecer. Uma só graduação, sem nada após... Mas... infindáveis livros, sermões, jogos, discos, e ainda da sede não me livro... Mulher: o quanto UMA pode apetecer? Meu quarto poderia ser do que é só 1/4? Uma porta com chave ou sem, que diferença! Poucos animes, grandes colóquios... Dor na coluna, tênis reluzentes queridos, panorama desdo meu umbigo. Cheio de estilo imortal recorrência inenjoativa! Sem ofenDas.

 

"similis simili gaundet" - cada qual com o seu igual

 

TRATADO SOBRE A TESTA - hoje estou mais bêbado que ontem, mesmo não tendo bebido (nem mesmo bebida).

 

"se a individualidade estiver mal condicionada, todos os prazeres serão como vinhos finos numa boca impregnada de fel."

 

"[a gargalhada] constitui o maior dos bens para seres cuja realidade apresenta a forma de um momento presente infinitesimal situado entre duas eternidades."

 

"realizar exercícios diários a céu aberto, banhos frios"

 

Filosofia Para Paralíticos

 

Seqüestrado no Ingá, onde os quatro cavaleiros bebemos saudáveis.

 

"Uma sensibilidade excessiva produzirá uma desigualdade de humor, excessos de alegria periódicos e melancolia predominante. Como o gênio é condicionado por um excesso de força nervosa e, assim, de sensibilidade, Aristóteles muito corretamente observou que todos os homens ilustres e eminentes são melancólicos"

 

Por que sou tão único-dicotômico, poço inseguro e cético mas adoro o crônico som do meu próprio riso?

 

"quando uma afecção mórbida do sistema nervoso ou do aparelho digestório manifesta um mau humor inato, isso pode chegar ao grau em que a insatisfação permanente produz um cansaço de viver e, conseqüentemente, surge uma tendência ao suicídio." [grifos meus] "Descrições detalhadas desse estado mental são fornecidas por Esquirol em Des maladies mentales." [PARTE I?]

 

"um espírito eminente, fora nos momentos de fadiga, está fora do alcance do tédio."

 

"A vida de um tolo é pior que a morte" Jesus de Sirach

 

"Neste mundo temos pouca escolha entre a solidão e a vulgaridade." Ranna está aqui, mas eu sorrio, porque na realidade sou eu que não estou.

 

P. 10 - a patacoada racista!

 

"Até mesmo um cigarro é bem-vindo como substituto do pensamento."

 

Dias em que o tédio de escrever um review não é menor do que o de freqüentar uma festa na casa do tio Dedé.

 

NÓS: "habituam-se gradualmente a vagar entre os demais como se fossem seres de espécie distinta e, em suas meditações sobre os demais, a servir-se da terceira e não da primeira pessoa do plural."

 

"Para o homem destinado a imprimir a marca de seu espírito na humanidade inteira, não existe mais que uma só felicidade e uma só desgraça. isto é, poder aperfeiçoar suas habilidades e completar suas obras ou não. Todo o resto lhe é insignificante."

 

"sem ócio, não seria mais que um Pégaso tolhido"

 

Filisteu: o homem abandonado pelas Musas. (Papai) "Nenhuma aspiração em adquirir conhecimento e juízo por eles próprios anima sua existência" "ostras e champagne são o fim supremo de sua existência" "é uma característica própria do filisteu uma seriedade grave e seca, semelhante à do animal." Sim, e com eles dá-se tão bem! "as sociedades, sendo compostas de tais filisteus, tornam-se logo tediosas" "A última coisa que espera de seus amigos é a posse de qualquer espécie de capacidade intelectual." Gonçalo & cia. "inveja surda e secreta", que só não oculta quando já passou do ponto na bebedeira. "arrastam consigo desgraças e males de toda espécie."

 

"meu ensaio premiado Sobre o Fundamento da Moral § 22"

 

O Nada seduz até quem sabe que ele não existe.

 

Proteu não é Prometeu. Ao invés de queimar e incandecer, ele gosta de se molhar e refrescar.

 

"Aquele que herda de seus pais uma fortuna suficiente para viver será, em geral, recalcitrante [temperamental]; está acostumado a caminhar tête levée; não aprendeu todas essas artes de mendigo. Talvez até se vanglorie de ostentar certas habilidades que possui, mas deveria compreender quão insuficientes são perante o mediocre et rampant (...) se as coisas chegarem a ser indignas, se faz contemplativo e misantropo. Não se vence com isso no mundo."

 

"É difícil abrir passagem onde as condições miseráveis da casa são obstáculo ao desenvolvimento dos altos dotes." Juvenal, Sátiras

 

No momento, meu interesse pela Vanessa é exclusivamente sexual. Quero que saiba que não voltei para você dois anos. Quanto tempo dura um tesão, um fetiche? Até ela me trair de novo, com alguém mais feio. FOCO!

 

Sobre o orgulho e a va(l)idade: mais intenso justamente na minha época mais crítica - quer dizer muita coisa. Há uma barreira da "tolerância da humilhação cotidiana" além da qual eu não aceito trafegar.

 

"Recomendo, como antídoto [à ética cavalheiresca, mero preconceito vicioso e estúpido], a leitura da história do sr. Desglands, na obra mestra de Diderot, Jacques le fataliste."

 

"Rousseau é da opinião de que se deve vingar uma ofensa não pelo duelo, mas pelo assassinato. Vide Emílio"

 

Não existiam infecção venéreas no Mundo Antigo?

 

"a excelência amadurece com lentidão"

 

"Quando uma cabeça e um livro colidem, e produz-se um som oco, isso provém sempre do livro?" Lichtenberg

 

Acusa a glória de Hegel de passageira: "proclamada a trompetes por um círculo de amigos interesseiros e repercutida pelo eco de cabeças ocas; - mas como sorrirá a posteridade quando, um dia batendo à porta desses edifícios de palavras exageradas, desses ninhos de uma glória desaparecida, desses viveiros de convenções mortas, encontrar tudo completamente vazio, sem nenhum pensamento que responda com confiança: entre!"

 

"Um músico se comprazeria pelos aplausos de aprovação de seu público se soubesse que, com a exceção de 1 ou 2, esse consiste inteiramente de pessoas surdas que, para esconder umas das outras sua debilidade, aplaudem ruidosamente assim que vêem os únicos que podem ouvir movendo suas mãos?"

 

Pré-requisitos para a glória:

1) Formular teorias (as que envolvem "números" ou "curvas" demais fatalmente serão breves).

2) Ser um conhecedor do todo (vs gameslogia) => Poetas; filósofos.

 

 

* * *



Escrito por a mosca filosófica às 21:35
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"lastimável filosofastro Fichte"

 

"Na velhice é um consolo saber que se tem detrás de si o trabalho de viver."

 

"Há sabedoria naquele que com um olhar sombrio considera o mundo como uma espécie de inverno e não se ocupa senão de proporcionar-se abrigo."

 

"quanto mais insignificante for em si mesmo aquilo que aflige um homem, mais feliz ele será. Ser sensível a banalidades implica bem-estar, visto que no infortúnio não as sentimos absolutamente."

 

Wilhelm Meister como um romance de natureza intelectual/não-moral, de estrato superior, por exemplo, a Walter Scott.

 

Alcance de velhas metas: distrações; manutenção de aparências. "somos alquimistas que, enquanto buscavam o ouro, descobriram a pólvora"

 

"é preciso que já esteja iniciado no conhecer-te a ti mesmo"

 

"a superioridade intelectual fere por sua simples existência, sem que nisso haja qualquer intenção."

 

"Os adolescentes se reúnem entre si; unicamente os dotados de uma natureza mais nobre já buscam às vezes a solidão."

 

Petrarca - De Vita solitaria

 

Zimmermann - Da Solidão

 

"devido ao prolongado isolamento e solidão, nosso caráter se torna tão sensível que nos sentimos inquietos, aflitos ou irritados pelos acontecimentos mais insignificantes, por palavras e até por um olhar, enquanto que tais coisas passam despercebidas por aqueles que sempre estão no tumulto da vida."

 

Moratín - El Café o sea la comedia nueva

 

"O material para seus sonhos sombrios são desgraças que, mesmo remotas, de certo modo nos ameaçam efetivamente."

 

"chaque fou a sa maratotte"

 

Cabanis - Des Rapports du physique et du moral de l'homme

 

"muitos espíritos nobres e muitos grandes sábios padeceram de demência em sua velhice, voltando a uma nova infância e chegando até à loucura." Ex: Walter Scott, Wordsworth, Southey (todos poetas ingleses do XIX) "seduzidos por honorários elevados, exerceram a literatura como um ofício (...) esforços inaturais" "todo aquele que coloca seu Pégaso no cabresto e apressa sua musa com o açoite terá de pagar por isso" Kant também. Contra-exemplos (velhos potentes): Goethe, Wieland, Knebel (quem?), Voltaire.

 

"A respeito de muitos indivíduos, o mais prudente é dizer: empregarei em meu favor aquilo que não posso mudar."

 

"é verdade que muitos na sociedade poderão se sentir como um dançarino que foi a um baile onde não há senão aleijados; com quem dançará?"

 

"o homem demonstra seu caráter no modo como lida com banalidades" Sêneca

 

"reconciliar-se com um amigo com o qual se havia rompido é uma fraqueza que terá de ser paga quando esse, na primeira ocasião propícia, volta a fazer exatamente o mesmo que havia produzido a ruptura"

 

"Quem encontra defeitos nos demais trabalha em sua própria reforma."

 

A estória do olho que via a si mesmo sem precisar de um espelho

 

Eu vi o trono vago, mas não quis sentar-me ali.

 

O que sinto no sono (A QUEDA, A QUEBRA) pode ser acrofobia (medo de altura).

 

"Apenas animais de sangue frio têm a mordida peçonhenta"

 

Para mim, a vida não é um jogo de gamão, mas um de xadrez em que enfrentamos Kasparov, que consulta o Deep Blue, enquanto já não conseguimos pensar direito à causa de cefaléia e dor de barriga.

 

"A coragem é, depois da prudência, uma qualidade essencial à nossa felicidade; se herda a primeira do pai e a segunda da mãe." Diogo bastardo? "aquilo que se possui dessas qualidades pode ser desenvolvido pela resolução firme e pela prática."

 

"Os seres distintos e bem dotados que, como tais, não pertencem em absoluto ao mundo dos homens e se encontram, em proporção de seus méritos, mais ou menos isolados, experimentam dois sentimentos opostos em relação ao mundo. Em sua juventude, têm a sensação de terem sido abandonados pelo mundo; na idade madura, têm a sensação de terem escapado dele." Aos 13, o mundo começa a desabar ao meu redor. Sinto-me sozinho mesmo viajando ao lado dos pais. Preso nos pensamentos, e num rosto que não é o meu. A tentativa de união com o bando só podia dar no que deu... Abandonado outra vez, até encontrar nova ressonância (recaída?) aos 16... Francis Fukuyama, Marx... Instrutores na minha última caça da quimera-borboleta. A adolescência foi até os 20 anos. Ultrapassei meu irmão, que se hoje parece meio-irmão, já é muito... A biblioteca, o álcool, os games, a música, o desporto - tudo isso é meu refúgio gigante e multifacetado! Até empregos podem ser refúgios... "VAI VER O JOGO ONDE?" De vez em quando eu volto ao mundo para fazer compras.

 

"quanto mais jovens formos, mais é provável que estejamos submetidos ao tédio." De certa forma, todos voltamos a ser crianças na igreja!

 

"Verificamos que na maioria das vezes os grandes escritores não produziram suas obras mestras senão por volta dos 50 anos."

 

"Abandonados por Vênus, buscamos alegria e diversão em Baco."

 

"Aparecimento de uma terceira dentição, algo que ocorre em alguns casos raros entre os anciãos."

 

"O dia da morte é melhor que o dia do nascimento." Eclesiastes (7:1)

 

 

"Aos 30 anos reina Marte, e então o homem é impetuoso, forte, robusto, belicoso e altivo."



Escrito por a mosca filosófica às 21:34
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FAUSTO

A ciência, a matemática, tudo estragaram. A moça despetalando, bem-me-quer, mal-me-quer não fala. Já calcula... como o atleta do dominó faria.

Jogar para que, se sei que vou perder?

 

317: do "plágio" ou "inspiração"

 

Vol. II P. 260 v.7.428-7.433

Se é mitológica, é única a mulher;

Recria-a o poeta como lhe prouver.

Não envelhece, nem fica madura,

Mais sedutora, sempre, sua figura.

Raptam-na, moça; idosa, ainda é do amor a meta;

Pois basta! não se atém ao tempo o poeta.

 

O próprio Fausto(s) é tão fragmentário quanto o MESSIA(S).

 

 

Poesia & Verdade, a autobiografia de Goethe



Escrito por a mosca filosófica às 21:00
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NEUROMANCER

William Gibson

 

"como se uma centena de conversas, independentes umas das outras, tivesse atingido simultaneamente a mesma pausa."

 

"Para Case [24 anos], que havia vivido na incorpórea exaltação do ciberespaço, isso [ter o sistema nervoso artificialmente danificado] constituiu a Queda."

 

Linda Lee, a junkie.

 

"Depois de um ano de urnas, o quarto no 25º andar do Chiba Hotel parecia enorme." Típico de um Japão do amanhã...

 

O quebra-gelo da Ciberguerra Fria: ICE - Instrumentos de Contra-Espionagem.

 

"Estava lá quando eles inventaram a sua espécie."

 

Julie Deane, homem.

 

"Em casa. A casa era o EMAB, o Eixo Metropolitano Atlanta-Boston, o Sprawl."

 

Se alguém se acoplasse ao meu corpo e mente dessa mesma forma, a primeira coisa que sentiria seria um desconforto na bunda: "O que é isso, estou cagado? Tão cansado, inútil e impotente... E que vista suja!"

 

Guerra Penetrante é o "Snatcher"...

 

D  O   I   DO  D  E     Á    C  I    DO

             dão                           sido

  dói        dândi                               dó

                       dia     assíduo

             dude

             dodge

                                há           Seedorf

                    odiasse

 

Zion

 

Simstin: a pessoa fica plugada na outra.

 

 

Por que quer me desligar? Sou indiferente!



Escrito por a mosca filosófica às 20:52
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo V

Se eu morresse agora, qual seria meu preâmbulo?

 

[Inspirado pelo último episódio da série Lost.]

 

Não numa igreja; sem caixões. Incluiria pessoas de todas as épocas. O Diogo me levaria de carro, eu e a Eline no banco de trás. Quem sabe o Aloísio no outro banco da frente.

 

Pode ser um grande Marreco's Fest com um telão monstruoso mostrando a Libertadores de 2005. Todo mundo comemorando! Minha aparência? 16 anos.

 

Medo de que tudo esteja mais vazio e triste do que imagino...

 

Muitos parentes mortos, bem corados. Reunião da galera pra jogar Mortal e Mario Kart. Uma ou duas aulas com alguns dos meus favoritos... Ah, e é claro, as melhores comidas! Prazeres são terrenos, temporários, lei do desapego/desapreço.

 

Dragon Ball. Uma espinha na testa, "pelos velhos tempos". Aliás, estarei impecável de terno, farda e sapatos engraça...xados. Não procure representatividade no que não tem... Já escrevi demais, deixe agora que me leiam - tarde de autógrafos? Rádio Gisno, uma droga ou outra... Pais são avatares? E o maior desejo de todos outorgado ao final: poeira cósmica, chega de reencarnações!

 

Chegamos de dia, céu cinzento, partimos de noite... Grande ante-sala!

 

Talvez a ante-sala sejam os sonhos entrementes de todos os dias. As duas vidas irão se fundir, ao cabo.



Escrito por a mosca filosófica às 14:40
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo IV

A raiva está me comendo por dentro. Força vital lá embaixo. O mais trivial é o mais sofrível. Tudo dói. Não tenho energia para meus principais projetos e qualquer afazer cíclico-obrigatório cansa como um banquete no Mangai.

 

* * *

 

MEU ESTRANHO CASO...

 

Padeço da Síndrome de Asperger?

 

Obcecado pela atividade da escrita.

 

"significant difficulties in social interaction and nonverbal communication"

"It differs from other autism spectrum disorders by its relative preservation of linguistic and cognitive development." sintomas não obrigatórios: desengonçamento corporal, uso estranho da linguagem.

 

HANS ASPERGER - 1944 -> 1981 - conceituação moderna; doença contestada (formalmente eliminada do DSM 05/2013).

começa na infância e é contínua

 

"Intense preoccupation with a narrow subject"

"failure to develop friendships (...) impaired behaviors in areas such as eye contact, facial expression, posture and gesture."

"this failure to react (...) may come across as insensitive." "forced eye contact" ! UFA, agora estou mais aliviado!

"They may stick to inflexible routines"

"complex whole-body movements (...) look more voluntary or ritualistic than tics"

"oddities in loudness, pitch, intonation, prosody, and rhythm."

"Individuals with AS may fail to monitor wether the listener is interested or engaged in the conversation" Não entendem humor baseado em metáforas (HM)

"AS have deficits in visual memory"

"They may be unusually sensitive or insensitive to sound, light..." "poor handwriting" [!] "sleep problems"

 

* * *

 

CORTINAS E LUAS / OU: PELO SIMPLES FATO DE

 

Sinto-me desconfortável em todo esse luxo

A luz azul que pisca e não se apaga

os travesseiros que quão mais numerosos mais me deixam na mão, alquebrado, dorido, retesado

Extensões dos meus olhos com os quais não posso ver senão contornos dos entornos

essas poderosas lentes

vaso sanitário de 5 em 5 minutos

dor nas pernas, a culpa é minha

fumo um cigarro, o chão está gelado

come uma maçã

podre pode-se lavar, o bom ovo é bom selecionar

 

Sonhos de estudos perdidos, não posso esquecer, dada minha natureza exigente, o quanto eu poderia ter exigido menos de mim todo esse tempo

 

Digita, digita, digita o manuscrito, estende a roupa, fecha a porta, dobra a trouxa

 

Dorme sem remédio para fracos

tudo menos trabalhos

escravidão a céu aberto

 

que gosto de nada no fim do cigarro

     sim, gosto de água

 

     70% de nosso corpo não existe



Escrito por a mosca filosófica às 13:20
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo III

Não sei por que meus parentes mais próximos não parecem se preocupar nem um pouco com a morte. Engano meu: com a minha morte. Isso é só o que me ocupa e sinto-me menos saudável que qualquer um dentre nós quatro. Sinto que há algo podre no meu interior. Seja o enxofre que vivo exalando, minha sempre manchada derme ou meus tecidos musculares...

 

Algo não processa! Da capacidade respiratória e a vista à finura e instabilidade dos dedos, nada consigo desempenhar bem. Minha vida está cheia de rasuras. Até a barba é falha!

 

Mas quanto ao que está escondido e ninguém pode ver - nem eu, o míope, mas posso sentir -, não pode ser só intelectual minha diferença (proeminência?) em relação a eles. Quase todo mês que vivo parece ser o último. Me arrasto para cumprir meu cotidiano, e ninguém percebe. Cada carteira, caminhada, fisio, aula, livro ou jogo me deixa mais debilitado. A voracidade com que devoro meus alimentos não pode ser bom sinal. A porta do meu quarto parece a tampa da minha urna - só precisava ser um pouco mais escura.

 

Me assombra dormir a poucos metros de alguém que namora a morte com uma inconsciência e uma constância tão explícitas. Só mesmo diante da mais dormente das sensibilidades tal espetáculo não seria aterrador - ignorar o show o qual você dirige, UAU!

 

Me espanta a não-consideração da alternativa, em pessoas "tão velhas". Falam do futuro como se já houvessem encomendado mais 30 anos!

 

GASES GAZES HOSPITAL HOSPÍCIO

le cahier de demain

 

"A vida inteira pela frente"

"O destino em suas mãos"

"Vontade de viver"

"Suicidas são pecadores"

 

A isso eu digo que sou vaso bom, e quebrarei cedo, que não depende de mim e não sei em que altura do túnel estou. Em que anel da minhoca... mas já é debaixo da terra.

 

Olaria é o meu rabo!

 

Falta o pathos antigo nessas pessoas contaminadas... Quem menos quer é quem mais se dedica, que flutuação em outra dimensão é essa, diogo minúsculo?

 


Sou o contrário de Reno, nasci homem de animais impávidos, lobos que não querem me deixar ir rumo à cidade antropomorfa já fundada!


O caçula entra no casulo

 

Quem se envenena por dentro e embriaga por fora se pensa imortal. É tal sua soberba, a desse neandertal nada sóbrio!

 

"Nunca morri, logo não vou morrer"

 

A Pedra de Sísifo é só uma alegoria, mas a minha vida não! O que dizer de gente que só quer ser útil em momentos úteis? De imbecis que se isolam? De tudo e todos?!

 

Alguns são tão tolos que se fosse fisicamente possível dissecariam o próprio cadáver com prazer e zombeteiramente, sem saber que estão cavucando suas tripas!

 

Somos pré-salame, já etiquetados, na fila, rolando numa esteira dentro de um imenso freezer.

 

Mas enfim... não sei minha posição e se alguns querem se jogar antes do tempo não vou impedir. Talvez eu seja mesmo rejeitado pelo controle de qualidade...

 

PENSANDO NO DESTERRO DO BEZERRO



Escrito por a mosca filosófica às 12:43
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo II

Vocês são vermes com nutrientes riquíssimos que eu, o especialista, sei como aproveitar.

 

XXV

 

Monstro gorduroso, repelente

superpança, longe de atraente

Arrota, peida, hemorróidas

Cara inchada, pouca articulação

Igual os primos, inclusive reles vagabundo, incriador

O prato não está onde deveria estar, ó baleia!

Terás dinheiro, terás roupas e bons amigos,

quem sabe até beleza! Mas de nada vale

se não couber numa quarenta

 

Trinta e oito era o que eu queria usar...



Escrito por a mosca filosófica às 12:12
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O DIA EM QUE BRASÍLIA ASSUMIU SUA VERDADEIRA FORMA

Uma megalópole. Pessoas escorrendo pelo ladrão, como ratos, afobados, de cá pra lá. Quem sabe de longe façam sentido e sejam uma turba coordenada. É assim que um tempo se resume.

 

Mas falo do seguinte. Em um ponto que não chegou a vivenciar a realidade da superpopulação. Um oásis perdido de máscaras e parcos zumbis. É ainda mais estranho, ouso dizer, quando uma casa de um ou dois membros fica de repente vazia do que a deserção pós-festa ou banquete! Uma cidade que já era meio-fantasma, com a outra metade do copo finalmente vazia? Onde a normalidade não seria obtusamente diferente, mas aí é que está a sutileza do espanto. Pensávamos que estávamos acostumados ou que nos podíamos acostumar aos dias de solidão absoluta, quando ela era apenas relativa. E a solidão relativa é bastante acolhedora.

 

Olhei pela janela assim que acordei. Não notei nada de diferente. Saí do apartamento e desci pelas escadas, como de hábito, já que o elevador não funciona faz tempo. Ninguém na guarita. Nenhum carro em movimento. Ninguém dentro dos carros parados. A não ser que se ocultassem por trás dos vidros escuros. Um carro ou outro se encontrava parado no meio da rua, uma porta ou portas abertas. Percorri a quadra. Subi à W3. Ainda não senti vida, nem pombas ou pássaros. É de tarde, suponho. O silêncio não é ensurdecedor, como diz o clichê: ele só é ele mesmo, inacreditável tanto quanto a calma mantida pelo pulsar de meu organismo. Imaginei, um dia, que eu podia ser O Escolhido e que isso aconteceria, e então meu primeiro pensamento era poder correr pelado impune, invadir um frigorífico e ter com o que me suster por muito tempo. Agora que chegou, será realmente assim? A moral não me massacrará sempre? Ou eu me descobrirei a pior companhia tão rápido quanto o tédio me invadir e eu implorar pela "reversão"?

 

 

Devo começar lendo livros, praticando assaltos ou atingindo 200 por hora num veículo aleatório? Esperar inerte ou provocar a morte? Decidi escrever memórias antes de ter do que lembrar-me.



Escrito por a mosca filosófica às 12:03
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IMPLICAÇÕES...

Uma decepção tão copiosa quanto a de quem vê a Estátua da Liberdade parcialmente soterrada em areia. Falo da perspectiva de quem descobre que não há um último ideal: a) de homem; b) histórico em progresso. Que as guerras violentas das próximas castas não me dizem respeito. Mas não me dizem respeito não no sentido existencialista mesquinho e sim quando reparo que aquilo que os meus descendentes fazem, vingando-se por mim, não representa um acréscimo de valor, porque seria contraditório - dado o círculo - que eu fosse o acréscimo do valor deles mesmos. Nós somos os super-homens. Que o cosmo se retroalimente e seja sempre novidade, isso nada tem que ver com o meu eterno. Ser um super-homem é chegar a esta conclusão de inultrapassabilidade. Segue-se daí que na hesitação entre coroarmos o passado ou o futuro, coroamos a nós mesmos. Realizar-se sem suprimir-se.

 

Séculos áridos.

 

A principal implicação é para o Messias e sua busca infrutífera, posto que é perfeito.

 

Um alienígena mais bonito do que nós?



Escrito por a mosca filosófica às 23:48
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O PROBLEMA DO NIILISMO E DA VONTADE EM SÊNECA

"[Após descrever o perene estado de descontentamento do indivíduo consigo mesmo, que oscila de superexcitações à apatia] Tudo isto se agrava quando, superada uma tão odiosa angústia, nos refugiamos no ócio e nos estudos solitários, nos quais não se saberá resignar uma alma apaixonada, dotada de uma necessidade natural de movimento [calos nos pés!] e que não encontra em si mesma [um poço cinza] quase nenhum consolo [como quando me estiro na cama pensando na Patrícia e leio o trecho mais vibrante e lúcido da Literatura Universal, o livro de cheiro de cola de capa verde, e sorrio para o amanhã ignoto] (...) De sorte que não mais suportamos nossa casa, nosso isolamento e as paredes de nosso quarto; e nos vemos com amargura abandonados a nós mesmos. (...) este redemoinho de uma que não se fixa em nada [deste blog que se repete, e a mensagem sai cada vez mais fraca] (...) esta sombria impaciência que nos causa nossa própria inércia (...) daí esta disposição para amaldiçoar seu próprio repouso, para lamentar-se por não ter nada a fazer e para invejar furiosamente todos os sucessos do próximo [e ainda rir disso. E rir, e rir, e rir de novo! O quão "sério" esse problema!] (...) [Então] começa o homem a se queixar do século, a se irritar contra a sorte, a se recolher cada vez mais em seu canto (...) qualquer coisa do mundo nos parece uma carga. Isto conduziu muitas pessoas ao suicídio"



Escrito por a mosca filosófica às 23:42
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OS PENSADORES - EPICURO, LUCRÉCIO, CÍCERO, SÊNECA & MARCO AURÉLIO - Várias Obras

PRÓLOGO

 

 "Ao contrário do que se propunha o socratismo, epicuristas e estóicos fazem da ciência sobre a natureza das coisas a base para suas construções morais."

 

"Cícero foi o mais eminente representante da escola filosófica eclética"

 

"O neoplatonismo constituiu a mais perfeita manifestação de sincretismo religioso dessa época [século II ao séc. VI d.C.] e teve em Plotino (204-270) seu principal representante." "o canto de cisne do pensamento da Grécia Antiga" "Antes de se calar, a filosofia medita sobre um último tema: o silêncio"

 

Epicuro: discípulo do discípulo de Demócrito. Um dos primeiros ou o pai do existencialismo, no senso moderno.

 

"À dor do presente pode-se escapar por meio da lembrança dos prazeres passados ou pela expectativa de prazeres futuros." Construir seu doloroso inventário.

 

"Segundo Diógenes Laércio, a obra de Epicuro compreendia cerca de 300 títulos" Nenhum sobreviveu na íntegra.

 

Embora Zenão, o primeiro estóico, seja um apólogo da racionalidade cósmica absoluta, o espírito heraclitiano do eterno vir-a-ser nele reside.

 

Estóicos e epicuristas não se distanciam na busca perena pela SERENIDADE.

 

Zenão é, ainda, grego; Sêneca romano (nascido na Espanha).

 

"Cronologicamente, o segundo grande representante do estoicismo romano foi Epicteto (c. 50-130 ou 40-125)" Escreveu 8 livros e restaram 4. Marco Aurélio: seu ávido leitor. "Aos 11 (!) anos de idade, M. A. conheceu o estoicismo" Os dois são frasistas por excelência.

 

MARCO AURÉLIO

 

A) MEDITAÇÕES

 

Diz que seu pai, o imperador Antonino Pio, acabou com a pederastia.

 

"o entregar-se às tarefas habituais logo após os acessos de dor de cabeça, refeito e em pleno vigor" "o não tomar banho em hora imprópria" "não se preocupar com requintes à mesa [dedicado à Célia 'A Múmia']

 

"o ter preservado minha juventude e não ter usado a virilidade antes do tempo, tendo-o, ademais, ultrapassado"

 

"é possível viver na côrte sem necessitar de guarda pessoal" "o ter-me curado das paixões amorosas concebidas ao depois"

 

Casou-se com a prima, filha de sangue de seu tio, quer seja, o antigo imperador e seu pai adotivo, pois foi órfão ainda cedo.

 

Ao mesmo tempo que se afirma livre de superstições e crendices, relata consultas com um oráculo. Estranhos tempos!

 

"Previne a ti mesmo ao amanhecer: 'Vou encontrar um intrometido, um mal-agradecido, um insolente, um astucioso, um invejoso, um avaro'." Às vezes tudo num só!

 

"Lança de ti a sede de leituras, para não morreres rezingando [resmungando] e sim com real contentamento, agradecendo de coração aos deuses."

 

"Rebaixa-te, minha alma, rebaixa-te!"

 

"Não te distraiam os eventos surgidos de fora"

 

"desvairam, com efeito, aqueles que, ao cabo de tantas ações, se enfastiam da vida e carecem dum alvo para onde orientar todos os seus impulsos e, numa palavra, as suas cogitações."

 

"Em todos os teus atos, ditos e pensamentos, procede como se houvesses de deixar a vida dentro de pouco."

 

"Como tudo desaparece depressa! No espaço, os corpos mesmos; no tempo, sua memória!"

 

"Nada mais digno de pena do que aquele que a tudo faz a volta completa, investigando, como diz Píndaro, o âmago da terra"

 

"Mesmo se houveres de viver 3000 anos ou 10 mil vezes esse tempo [30 milhões], lembra-te de que ninguém perde outra vida senão aquele que está vivendo, nem vive outra senão a que perde."

 

"Heráclito, autor de tratados tão valiosos sobre a destruição do mundo pelo fogo, morreu cheio de água por dentro e todo untado de bosta."

 

"Não esquece que o interesse por toda a Humanidade é conforme com a natureza humana."

 

"seja o deus que há em ti, o superior de um ente viril (...), um príncipe que a si próprio tenha disciplinado"

 

"Quem é digno não encena dramas, não dá gemidos, prescindirá do isolamento e da multidão"

 

"A gente procura para si retiros nas casas de campo, na beira-mar, nas serras; tu também costumas anelar vivamente por isolamentos desse gênero. Tudo isso, porém é o que há de mais estulto, quando podes retirar-te em ti mesmo à hora que o desejes."

 

"Com efeito, com o que te irritas? Com a maldade humana? Sossega."

 

 

"a gloríola te fascinará? (...) a volubilidade e falta de critério dos aparentes aplausos"



Escrito por a mosca filosófica às 02:09
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"O mundo é mudança; a vida opinião" Demócrito

 

"Suprime a opinião e estará suprimido o lesaram-me, suprime o lesaram-me e estará suprimido o dano."

 

"A esses que hoje vêem em ti uma fera e um símio, dentro de 10 dias parecerás um deus, se tomares atrás, aos princípios e ao culto da razão." má tradução

 

A glória póstuma de Marco Aurélio

 

"Se as almas sobrevivem, como pode comportá-las o ar desde a eternidade? (...) Como aqui a transformação e dissolução de uns após alguma duração abrem lugar para outros cadáveres, assim as almas transferidas pelo ar, depois de subsistirem algum tempo, se transformam, se derramam, ardem absorvidas pela razão seminal do universo e dessa maneira deixam lugar às que emigram depois."

 

"Um apostema do mundo, quem se retira e aparta da razão da natureza comum por não se conformar com os acontecimentos; porque a natureza que os traz é a mesma que te trouxe."

 

"Tudo é passageiro, logo se torna lendário, logo o olvido completo o sepulta. Isso digo daqueles que luziram de maneira admirável, porque os demais, apenas morrem, somem, são desconhecidos."

 

"Que é, afinal, a memória eterna? Um vazio apenas."

 

"Todo ser é de certa forma a semente do que dele há de vir a ser."

 

"ontem, um pouco de muco, amanhã, múmia ou cinzas."

 

"Ser como o promontório onde se quebram incessantemente as ondas; ele queda-se ereto"

 

"Olha o abismo de tempo atrás de ti e o outro infinito à frente." Marco "O Plagiado[JPS]" Aurélio

 

"mesmo a mais simpática das pessoas de teu convívio te custa suportar, para não dizer que a ela mesma custa agüentar-se."

 

"De que tenho agora a alma? Duma criança? Dum adolescente? Duma mulherzinha? Dum tirano? Duma rês? Duma fera?" Provavelmente essa é sua hierarquia decrescente da pureza.

 

LIVRO V

 

"13. Consisto em causa formal e material; das duas, nenhuma se desfará no não-ser, assim como não proveio do não-ser. Logo, cada parte de meu ser irá localizar-se, por via de transformação, numa parte do universo; esta, por sua vez, se mudará numa outra parte do universo e assim infinitamente. Por via de semelhante transformação surgi eu, bem como meus genitores; poder-se-ia remontar a outro infinito, pois nada impede se afirme isso, ainda que seja regido o universo por períodos delimitados."

 

O ANTI-PARMÊNIDES

 

DIC: bodum - cheiro forte de bode não-castrado

 

"Tu te irritas com quem tresanda bodum? Tu te irritas com quem tem mau hálito? Que queres que ele faça? Sua boca é assim; suas axilas são assim; tais partes hão de ter por força tais exalações."

 

"O que tanto se estima na vida: vazios, podridões, ninharias, cães que se mordem, crianças briguentas, que riem e logo estão chorando."

 

"A substância do universo é dócil e maleável; a razão que a rege não tem em si nenhum motivo de fazer o mal, não tem maldade, não faz mal nenhum e dela nada recebe nenhum dano."

 

"A melhor maneira de arredá-los é não parecer com eles."

 

Para euforia de Zagallo, os aforismos 13 são sempre os melhores.

 

"a presunção é uma embusteira formidável e quando mais te imaginas entregue a tarefas sérias, aí é que estás sendo mais ludibriado."

 

"Como é estranha sua atitude! Não querem louvar os homens que vivem na mesma época e em sua própria companhia mas dão grande importância a terem o louvor da posteridade"

 

"A morte é o descanso das repercussões sensórias, do titerear dos impulsos, das divagações do intelecto e dos serviços à carne."

 

"Que prazeres enormes terão experimentado os bandoleiros, os devassos, os parricidas, os tiranos!"

 

"Não vês como os artífices, com se adaptarem em certa medida aos profanos, nem por isso deixam de ater-se aos princípios de sua arte e não suportam afastar-se deles?"

 

"Quem viu o presente viu tudo, não só o que existiu desde a eternidade como tudo o que haverá no tempo infinito, pois tudo tem a mesma origem e o mesmo aspecto."

 

"Assim como te enfadam as funções no anfiteatro e espetáculos semelhantes, assim deves sentir a respeito do curso da vida, pois tudo, de alto a baixo, são os mesmos efeitos das mesmas causas. Até quando?"

 

"Nada há de novo; tudo é corriqueiro, tudo é efêmero."

 

"Ao homem é sumamente possível ser como um deus sem ser reconhecido por ninguém."

 

"É cômico não fugir à própria maldade - o que é possível; e querer fugir à dos outros - o que é impossível."

 

"Um dos fatos que contribuem para a despretensão é o de já não depender de ti o teres vivido toda a existência ou, pelo menos, desde a juventude, como filósofo."

 

"Falar, quer no Senado, quer na presença de quem for; com apuro e clareza"

 

"Último de sua linhagem"

 

"Mecenas foi protetor de Horácio e Virgílio; seu nome tornou-se apelativo de todos os ricos que amparam escritores e artistas."

 

"Ganhar sem orgulho e perder com abnegação."

 

 

"A homem nenhum pode suceder nada que não seja contingência humana; nem ao boi que não seja de boi."



Escrito por a mosca filosófica às 02:08
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"Comunicaram-te que fulano fala mal de ti. Comunicaram isso; que ficasses prejudicado não comunicaram."

 

"Matam-te, espostejam-te, perseguem-te com maldições? Que há nisso que impeça tua mente de conservar-se pura, sensata, prudente, justa? É como se alguém, parado junto duma fonte clara e doce, a insultasse: ela não deixaria de manar sua água boa de beber."

 

"Queres ser louvado por um homem que se maldiz três vezes por hora? Queres agradar a um homem que de si mesmo não se agrada?"

 

"As coisas, por si mesmas, param do lado de fora, sem nada saberem de si e nada manifestarem."

 

"Qual a razão de dizeres que tudo saiu errado e que tudo sairá sempre errado e nenhum poder se encontrou jamais, entre tantos deuses, que venha a corrigi-lo, e que o mundo está condenado a afundar em misérias perpétuas?"

 

Receita de Epicuro: que o doente não converse sobre a doença e continue seus estudos habituais.

 

"Podia não haver impudentes no mundo? Não podia. Não reclames, portanto, o impossível" "Com a lembrança de que é impossível não existir essa espécie de gente, serás mais indulgente para com cada um."

 

"O permaneceres tal qual tem sido até agora e te deixares nessa vida lacerar e conspurcar é próprio de indivíduo grosseiro e apegado à vida"

 

"O que querem os deuses? Não querem ser adulados e sim que a figueira faça o mister de figueira, o cão o de cão, a abelha o de abelha e o homem o de homem."

 

"Quem depositou o sêmen na matriz retira-se; daí por diante outra causa se encarrega de completar e acabar o nascituro. O que foi e o que é!"

 

"Ninguém é tão sortudo que à cabeceira de seu leito de morte não velem alguns jubilosos com o triste acontecimento."

 

"por menos inteligência que tenha, o quarentão viu, em retrato, todo o passado e o futuro."

 

"Que essa preparação [para a morte] provenha de um juízo próprio e não dum simples sectarismo, como o dos cristãos" Primeira menção à religião em seus escritos; surpreende a oposição!

 

"Crescer no mesmo tronco, sim; adotar os mesmos princípios, não."

 

"Desprezam-se mutuamente, mas mutuamente se bajulam; querem dominar uns aos outros, mas submetem-se uns aos outros."

 

"O ente amado tudo compreende de imediato no olhar dos amantes."

 

"Quão rançoso e falso quem diz: 'Resolvi ser sincero contigo!' - Que fazes, homem? Esse preâmbulo não se usa. Sinceridade deliberada é cutelo [arma de degolar]. Nada mais ignóbil que amizade de lobo; foge dela mais que tudo."

 

"O rato do mato e o caseiro; a timidez e fugacidade deste."

 

"Quem beija um filhinho deve, ao que dizia Epicteto, murmurar no íntimo: 'Talvez morras amanhã'."

 

"Ladrão do livre-arbítrio não existe" Epicteto - e eu acresço: não se pode roubar o que inexiste!

 

"Não discutimos um tema qualquer, mas se estamos loucos ou não." E.

 

"No uso dos princípios devemos ser como o pugilista e não como o gladiador; a este basta largar a espada e estará morto; aquele tem sempre a mão e não precisa mais do que fechá-la."

 

 

SÊNECA

 

A) CONSOLAÇÃO A MINHA MÃE HÉLVIA

 

"Muitas vezes, minha boa mãe, estive a ponto de escrever-te para te consolar: sempre me detive. Muitas considerações levaram-me a ousar: principalmente, pensava que teria esquecido todas as minhas preocupações, se tivesse conseguido secar por um pouco tuas lágrimas, embora não podendo enxugá-las por completo; além disso, tinha certeza de que, se conseguisse confortar antes a mim mesmo, minha tentativa de tirar-te da prostração teria sido mais eficaz; enfim, temia que a sorte, sobre a qual fui vitorioso, pudesse vencer algum dos meus queridos; de qualquer maneira, pondo a mão sobre a minha chaga, era levado a querer curar tuas feridas."

 

"nas doenças nada há mais danoso que um remédio intempestivo."

 

"Toda dor que passa os limites do suportável tira necessariamente a faculdade de escolher as palavras"

 

"as pessoas que passaram toda a vida na desgraça devem suportar com forte e imutável constância mesmo as dores mais graves."

 

"mas não há ninguém a quem uma madrasta ótima não tenha custado sempre demasiado caro."

 

Filho do meio de três irmãos homens.

 

"Faz pouco tempo que recolheste os ossos de três netos no mesmo seio em que foram criados" - o filho de Sêneca é um deles; Sêneca que 20 dias depois é exilado.

 

"quanto mais monumentais se erguem os tetos das salas de jantar, tanto mais todas essas coisas nos escondem o céu."

 

"as mães, que, com feminina incapacidade de controle, querem controlar os poderes dos filhos"

 

"Nossos antepassados estabeleceram 11 meses de luto para as mulheres que choravam o marido"

 

"Se a ela [minha tia] fosse dado por sorte viver nos tempos antigos, tão simples em sua admiração pelas virtudes, quantos escritores, disputando entre si, celebrariam essa esposa que, esquecendo ser uma fraca mulher, esquecendo o mar, terrível mesmo para os corações mais fortes, expôs ao perigo sua própria vida para sepultar o cadáver [do marido]"

 

A província do Egito é sempre malfalada pelos homens públicos do Império: lugar instável, chacoalhado amiúde por intrigas e mexericos.

 

 

saraiva: granizo



Escrito por a mosca filosófica às 02:07
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B) DA TRANQÜILIDADE DA ALMA

 

"que ninguém me roube um dia, pois jamais ele me indenizaria de uma tal perda"

 

"Escreve, pois, para ocupar teu tempo, escreve para ter proveito e não para tua glorificação, num estilo desprovido de brilho"

 

"Por Hércules!"

 

"O hipocondríaco considera como febre a menor impressão de calor."

 

"tu não precisas mais nem lutar contra ti nem te censurar nem te atormentar. Estamos na etapa final: tem fé em ti mesmo e convence-te de que segues o bom caminho"

 

"A ausência de inquietações e o equilíbrio da alma a que aspiras são o que os gregos chamavam 'euthymia'"

 

O transtorno do humor já era conhecido de há muito.

 

"sempre amam somente aquilo que abandonaram, como aqueles que só sabem suspirar e bocejar"

 

"é o cúmulo que um ancião carregado de anos seja incapaz de provar o quanto tem vivido, a não ser pela invocação da sua própria idade."

 

"Por mais vasta que seja a parte do mundo que te é vedada, aquela que te é permitida será sempre maior."

 

"outros não sabem dominar sua cólera e explodem com palavras imprudentes ao menor mau humor: para estes, o repouso é preferível à atividade"

 

"hoje em dia [!], com tão grande penúria de pessoas honestas, deve-se ser menos exigente na escolha [dos amigos]."

 

"Jamais um talento que se força produz o que se esperava; e forçar a natureza é sempre inútil." "devemos sentir-nos sempre superiores à tarefa que realizamos" "As despesas de ordem literárias, as mais justas de todas, não são estas mesmas razoáveis, a não ser que sejam moderadas." "Para que servem inúmeros livros e bibliotecas, se o proprietário encontra apenas o tempo em sua vida para ler as etiquetas?" "Uma profusão de leituras sobrecarrega o espírito, mas não o ilustra." "40.000 volumes foram queimados em Alexandria." "Eu não vejo lá nem gosto nem solicitude, mas orgia da literatura; e quando digo da literatura minto, pois o cuidado pelas letras lá não era cultivado"

 

"Não invejemos as situações elevadas: pois o que julgamos ser o cume não é mais que a beira de um abismo."

 

"Suas saídas absurdas e inúteis lembram as idas e vindas das formigas ao longo das árvores, quando elas sobem até o alto do tronco e tornam a descer até embaixo, para nada." "preguiça agitada"

 

"devemos imitar Demócrito antes que Heráclito: este não podia aparecer em público sem chorar, o outro sem rir"

 

"o mais espontâneo de todos os sentimentos, a dor, tem também sua afetação."

 

"Hércules queimado vivo" mas acabei de ler na Divina Comédia que morreu envenenado vergando-se a uma túnica!

 

"Misturemos as duas coisas: alternemos a solidão e o mundo."

 

"o sono também é necessário para restaurar nossas forças; mas se ele continua dia e noite é a morte. Suspensão e supressão não são absolutamente sinônimos."

 

"É preciso, igualmente, ir passear em pleno campo, pois o céu aberto e o ar puro estimulam e avivam a inteligência"

 

"Pode-se mesmo, por vezes, chegar até a embriaguez: não, de modo algum, para nela mergulhar, mas para nela encontrar a calma, pois ela dissipa as inquietações, modifica totalmente o estado da alma e afasta as tristezas, assim como cura certas doenças."

 

"É impossível alcançar o sublime e o inacessível, enquanto a alma pertencer a si mesma"

 

Velo de ouro: pele de cordeiro de ouro; lã.

 

C) MEDÉIA (com um acento bem grande pra você)

 

Iolco Ranma / Kurama Iolco

 

Rei Creonte

 

"Acasto, filho de Pélias [o rei facínora assassinado por arte], subiu ao trono e perseguiu Jasão e Medéia, que fugiram para Corinto, onde foram recebidos pelo rei André Sanchez."

 

Medéia, a verdadeira natureza da mulher.

 

"a tocha de pinho que precede o cortejo nupcial"

 

"Deixa de lado o medo feminino e reveste teu espírito com todas as crueldades do Cáucaso."

 

Aquele que guarda rancor, o tipo Ceariba, é mulher de genitália trocada!

 

"Mas são demais medíocres os crimes que agora estou lembrando... Tudo isso eu fiz, quando virgem; é preciso que minha dor se levante ainda mais terrível: agora que sou mãe, meus crimes devem ser maiores."

 

A vida não é soldado para fazer sentido sempre que mandarem.

 

Jasão venceu Dioniso e venceu Apolo?

 

"tu que em tuas ações reúnes uma malvadez feminina a uma força viril e a uma completa inconsciência"

 

Cila, Sicília. Ex-ninfa siciliana do Peloro. Circe a transformou.

 

"Daqui a alguns séculos, chegará um momento em que o oceano abrirá as barreiras do mundo: uma imensa terra, Tétis descobrirá um novo mundo. E a Islândia não será mais o mais longínquo ponto da terra."

 

"Caribde: O nome lhe adveio de um monstro feminino que, ao roubar os bois de Hércules, foi fulminado por Zeus e transformado em escolho"

 

Creonte é filho de Sísifo. Já Medéia, neta do Sol.

 

"O fruto de teus crimes é não considerar mais nada como criminoso. Apenas há lugar para a astúcia."

 

"Vários são os mitos do fim de Orfeu: foi despedaçado pelas mênades [dionisíacas] enciumadas; ou foi dilacerado pelas mulheres trácias"

 

Aquiles se faz; Aquiles se paga.

 

Nem todos os Titãs juntos cometeram tantos crimes!

 

D) APOLOQUINTOSE DO DIVINO CLÁUDIO

 

Morón: idiota em grego

 

 

"Em Atenas, as leis permitiam o casamento entre filhos do mesmo pai, não da mesma mãe; no Egito, também da mesma mãe."

 

EPICURO

 

A) ANTOLOGIA

 

"O ser bem-aventurado e imortal não tem incômodos nem os produz aos outros"

 

"Antes de mais, nada provem do nada"

Antes de mais nada, tudo provém do nada

 

"não deve supor-se que nos corpos limitados exista a possibilidade de continuar passando até o infinito a partes cada vez menores."

 

As variedades de átomos não são infinitas. Eles, sim. "o universo também é infinito pela multidão dos corpos e pela extensão do vazio." "Os [átomos] pesados não se moverão mais velozmente do que os pequenos e leves." "É necessário que se movam com igual velocidade" "Nada impede a infinidade dos mundos."

 

"não giramos em vão falando do bem"

 

"O homem que tenha alcançado o fim da espécie humana será honesto mesmo que ninguém se encontre presente..."

 

 

"Devemos escolher um homem bom e tê-lo sempre diante dos olhos, para vivermos como se ele nos observasse e para fazermos tudo como se ele nos visse." Quem? Eu mesmo.



Escrito por a mosca filosófica às 02:06
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2013: VELHOTES AUDAZES, LETRADOS & SARADOS!

35 anos depois do (agora pen)último álbum de estúdio com Ozzy, cerca de 45 anos após as primeiras reuniões da banda... a lenda negra revive. Sábado Negro, o quarteto que continua sendo o ápice e a referência máxima dentro do tema "música pesada", dá uma volta completa no círculo: sua contemporaneidade são as próprias origens, com exceção do carcomido baterista. Muitos boatos há a respeito do seu não-retorno ao lado dos outros Três Cavaleiros do Apocalipse, mas pouco de confiável podemos entrever mediante tanta névoa - nem as entrevistas dos músicos deixam os entreveros claros. Mas, como a noite, essa banda nunca nasceu para ser clara!

 

O que esperar de [[[13]]], o álbum que nem precisaria ter saído numa sexta-feira para deixar todos de cabelos em pé? Mais do que uma revolução ou injeção de novo fôlego, é um pastiche que mostra que ninguém ali caducou de verdade, e todos sabem reprisar a velha fórmula das canções clássicas do Sabbath, aproveitando-se dos novos e tecnológicos instrumentos para maximizar o impacto.

 

"O Final do Começo" abre estrategicamente o CD. O clima é de faroeste. Versos-clichê, na boca de Ozzy, tornam-se uma verdade universal testada e consagrada pelo tempo. O ar "anti-científico" e pessimista das primeiras letras nos rememoram algumas incursões do Technical Ecstasy, embora a sonoridade esteja bem mais grave e intimidadora. Como sabemos, a lentidão do Black Sabbath é 50% de sua sensação de peso, e nem isso é capaz de manter os thrashers compulsivos e tarados por velocidade afastados da obra, graças ao virtuosismo não-aborrecido de Iommi e ao baixo sinistro de Butler, dobradinha que deixa qualquer malcriado dorme-sujo em casa onde quer que esteja ouvindo, estirado num sofá de veludo preto imaginário. Mas essa porrada foi só um aquecimento diante da faixa 02...

 

A faixa é 2, mas o número 4 - Volume 4 - é o que vem à tona de imediato. O jogo dialético sombra-luz não tem fim nas imediações do BS. Não que alguém esteja cansado por enquanto. O niilismo ataca novamente após hibernar quase meio siglo, e as filosofias do século XIX renovam sua fama de "as mais atuais" para o homem ou Homem, o que quer que ainda reste após o deicídio longamente anunciado pelas trombetas e promovido por nossas próprias mãos. Remanesce uma hesitação, uma dúvida. Ele realmente morreu? Continua, o evento, mero pressentimento de uma alma rancorosa e sem resposta no fundo da caverna...

 

Não é de um dia para o outro que o Além, cada vez mais desacreditado, perderá toda a sua importância paliativa, e que a esperança de sua existência de fato cessará. Até que a esperança se converta em maldição, nos agarraremos a qualquer indício de uma pós-vida. Interlocutor, você pode ajudar o eu-lírico perdido dessa canção-tumba? A agonia é muito mais longa que a duração das lamentações verbais, não se esqueça... Embora elas permaneçam como um eco surdo em nossas mentes por não poucos dias após escutarmos!

 

Johnny Blade - A Continuação? É o que parece. "Loner" é a revisitação de um tema muito conhecido pelos esquizóides fãs de Sabbath, incompreendidos entre seus pares inferiores. Ou superiores? Somos incapazes de adaptação por sermos além-do-medíocre ou sub-homens rapaces? Seria impossível tentar ser gregário sem culpa depois de ouvir o trecho:

 

I wonder if the loner can assimilate.

A life less lived alone plays devil's advocate.

 

Através de uma música assim, comunica-se o incomunicável.

 

Em seguida, ninguém vai deixar de reparar que a Caravana de Planetas (não confundir com Caverna de Platão) ainda não terminou - também pudera, anos-luz são muita coisa para ser atravessados em décadas! Sabbath nunca foi sinônimo de clausura em um gênero só. Ele foi definidor, principalmente, de um (com seus diversos sub-ramos), mas isso não significa inaptidão para o restante. Lírico, melan(al)c(o)ólico, triste: assim é o lado sentimental dos quatro. Nada diferente do nosso, ou de uma criança. Só quando a Terra adquire as dimensões de um ponto perdido no espaço, oculto pelo brilho fraco e azul de Doppler de um Sol que já não é mais do que uma estrela semi-visível da galáxia vizinha, nos damos conta da nossa condição de desacompanhados de tudo e todos a não ser poeira que vaga sem gravidade por aí...

 

The love I feel as I fly endlessly through space

Lost in time I wonder will my ship be found

 

A idade da razão se sobrepuja ao desespero da nave perdida no abismo sem-fim e absurdo. Seu terror sobrepuja esse do viajante solitário, marujo do céu, porque talvez seja muito pior definhar na Terra, o falso lugar da lógica e do império da racionalidade. O relâmpago e o trovão - nessa ordem - são a síntese da desordem, e até hoje a ciência não os domou. Até hoje? Talvez estejamos no lucro de não termos sido tostados pela fúria vendética de uma nimbus gigantesca cansada de nós! Uma extinção sustentável a curto prazo é do que somos profetas. Como é viver sabendo-se que não há herdeiros para o que fize(r)mos? Nossa insônia é só um sintoma... Somos sementes estéreis, a despeito de podermos ser criativos acerca do nosso momento fatal.

 

Já se perguntou quando esses músicos morrerão? Se pensa que é heresia de fã, deveria, porque eles se perguntam o tempo todo. Como é isso de querer viver e morrer ao mesmo tempo? Ah, francamente... Todos nós sabemos! Somando o ontem, o hoje e o amanhã, ao menos. A vida carrega cores desbotadas de sonho, mas é melhor ter sonhos ruins e pesadelos do que afundar sem uma reminiscência, uma Musa a cantar suas desgraças...

 

Se existe uma canção que eu considero menos do que as outras nesse conjunto nada menos que semi-perfeito, é "Damaged Soul", mas talvez seja só questão de tempo. Curiosamente, é a introdução mais intelectual do CD inteiro, me lembra o quase-jazz distorcido pelas assombrações do álbum seminal. O vocal de Ozzy também foi propositalmente trabalhado para parecer excepcionalmente jovem e altissonante aqui. "Evil" e "graveyard" já aparecem nas primeiras linhas. Isso que é saber pagar um tributo a si mesmo! "Age of Reason" e "Beggining of The End" refluem ainda neste ponto da trilha:

 

Religion won't save me, the damage is done.

The future has ended before it's begun.

 

Enquanto Deus e o Diabo duelam na Terra do Sol os perdedores somos apenas nós.

 

"Querido Pai", o nome, havia me deixado cético quanto ao "fim" (proto-, ilusório) do ressurgimento. Mas não é só a chuva final que remete ao começo de tudo, senão a qualidade que perpassa todos os segundos da produção. Não se deixe enganar pelo título piegas como eu fui. Parece o cabeçalho duma carta, se pensar bem, algo já visto em Dehumanizer, sem o Ozzy. Até os "yeahs" do cantor se encaixam bem nessa música. Uma carta de despedida para deus, quem sabe. Quem sabe? Talvez o dentista de Ozzy que coleciona revistas TIME. Crucificado numa cruz de espírito. Isso deve doer, sr. Frankenstein ao contrário! Somos melhores como formigas do formigueiro da fazenda de crianças ou como peças de um lego de um adulto? Em realidade esse foi um Juízo Final às avessas, com um martelo pesadíssimo segurado pelo povo.

 

Mas o epílogo era falso. Ainda tem o BÔNUS da orgia sonora. Quem um dia já fez um hino à maconha e outro tão poderoso ao pó agora está do lado de cá, do Proerd e da consciência da vanidade dos prazeres: "Methademic" é a vingança do corpo contra seus fugazes espoliadores. Titio Ozzy também é maximus moralia, meus amigos! Você jovem vive rápido demais, tão rápido quanto essa música, uma Sympton of The Universe deluxe edition. Uma Sabotagem tão gratuita quanto bem-vinda...

 

"Peace of Mind" e "Pariah" parecem nascidas do mesmo caldo, aquele caldo anti-cristão em eterna ebulição que, insaciável, depois de tanta porrada no disco ainda quis dar umas últimas chibatadas sádicas no mito do messias e seu ultra-ícone, Jesus:

 

A product of a virgin birth

Another god on earth

Yes that's your fantasy (...)

Make your own truth, and get out of my way

 

 

Do outro lado do mundo foi onde tudo começou. O homem virou homem. Nada mais justo do que haver uma faixa exclusiva para os olhos-puxados, então. Faixa cujas iniciais equivalem a "NIB", um dos clássicos mais velhos da banda - fechando com chave negra.



Escrito por a mosca filosófica às 16:33
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COMUNISTA CHATO

Passa o ferro

carril, a mulher...

Jivagando pelas terras

De neve vermelha de sangue

onde o povaréu urra e geme

Ganharam, ganharam, aboliram a História

só o que sobra sobrou sobrará é um sobrado,

um chalé, um xale qualquer

fogão à lenha

Num ninho de palha se embrenha

 

        Mas se o lobo uiva, não é nada mal!



Escrito por a mosca filosófica às 19:48
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DE DICA TÓRIAS

De meus pais, ambos, o talento culinário.

De meu pai, a fibra moral e o norte.

De minha mãe, a paciência e a resignação.

De meu irmão, a faculdade do perdão aos defeitos dos outros.

De minha única avó que conheci o suficiente, a meiguice e a fortaleza num corpo frágil.

De minha tia Socorro, a hospitalidade.

De meus tios Nilo e Nilson, o bom humor constante.

Dos tios e casados Rosângela e Dedé, o apoio nas horas críticas e sombrias - e sobretudo a idéia, a referência ao meu alcance, de papéis familiares.

Das minhas segundas mães, o complemento da eclética criação que recebi.

 

Da prima Rosilda, as primeiras de muitas conversas fiadas!



Escrito por a mosca filosófica às 02:16
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VIDANTE NOVANDANTE

PURGATÓRIO & PARAÍSO

 

Mulder enganou a todos.

O que eu queria era encher a cara

Quebrou-se a jarra

 

Eu ouço um "E aí?" e acordo. Minha voz ou a do meu irmão. Mas que bela peça pregada!

 

Imploro aos Céus de Dante uma trégua.

Já sou ferido demais pela humanidade...

 

 

VIDA NOVA

 

Dante não era "pedófilo" se ele também tinha 9 anos ao se apaixonar! Amor congelado.

 

Obedece ao tirano dos sonhos.

 

Sofria de "TOC das nove horas". Vida Nove.

 

Adoeceu por nove dias!

 

"como seja fato que se concede aos poetas maior licença no falar do que aos prosadores"

 

Corruptela:

 

Tem tal virtude em sua gostosura

Que nunca foi por outras penetrada,

Tida mulher fazendo andar pouco trajada

 

De decote, pós-plástica, a bunda dura



Escrito por a mosca filosófica às 14:35
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FLORES VÃS

As conversas com amigos. Inocentes. Sobre o futuro. Despretensiosas. De pé. Enrolando para haver a despedida. O estômago só roncará depois. O céu enegreceu. Sei que foi só fumaça, era com o interlocutor de dentro, eu quero crescer, estourar, enrugar, gemer, ah

 

O sofrimento é o que nos torna únicos. A música é a única prova. O único sofrer está nela.

 

Eu sou o que eu não posso ser na telinha jogando o jogo real da vida.

 

* * *

 

[untitled]

 

Já fui mais sozinho?

Me apegando a terapias

Rolando no vômito

Estudando

Sendo expulso, reentrando, descansando

Exasperando-me por coisas vãs

O pão comprando

Já fui mais sozinho?

Cinema sem amigos...

A família decepcionando

Não estou namorando

        Quero pedir carona no coração de alguém

Muito ermo esta parada, este ponto.

 

* * *

 

VÃ VOCÊ

 

Você é o gato de Schroedinger do meu coração

viva e morta, puta e bela esposa, imprestável ex-amiga e vício mais vivo, meu amanhã, meu eterno e meu nada, insignificante a ponto de merecer meu poema.

 

Alguém mais interessante como um personagem que conservo.

Casca de carne.

 

Você é só isso

Casca de carne.

A musa inspiradora dum escritor

Mas eu prezo a escrita mais que qualquer coisa, então

Realmente isto está 20 mil léguas acima de 1 beijo.

 

 

Você é uma planta desprovida de atitude que tem pena de mim.



Escrito por a mosca filosófica às 13:23
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BAUDELAIRE POR I. JUNQUEIRA (CCXXIII - Spleen 47)

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,

Cada flor se evapora igual a um incensório;

Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;

Melancólica valsa e lânguida vertigem!

 

Cada flor se evapora igual a um incensório;

Fremem violinos como fibras que se afligem;

Melancólica valsa e lânguida vertigem!

É triste e belo o céu como um grande oratório.

 

Fremem violinos como fibras que se afligem;

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!

É triste e belo o céu como um grande oratório;

O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.

 

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório

Recolhem do passado as ilusões que o fingem!

O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem...

 

Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!



Escrito por a mosca filosófica às 13:37
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo I

Pode alguém se desvincular da música? De uma paisagem, não é preciso ser cego, basta fechar os olhos. De uma sensação, recolher o corpo. Do olfato, prender a respiração. Do paladar, retrair a língua. Mesmo com todos os estímulos aos sentidos trabalhando ao mesmo tempo, mesmo diante de um furacão de sensações, o homem tem como, no olho do torvelinho, se concentrar, se controlar, se desligar, raciocinar só de si para consigo mesmo, ignorando qualquer coisa lá fora - ainda que digam que o "consigo mesmo" só pode estar em relações com os sons, os cheiros, os tatos, os gostos, as imagens...

 

Assim seria com os outros quatro sentidos mais fracos e mais simples, mais rasos, mais epiteliais. Mas A MÚSICA não é driblada por nenhuma finta ou artimanha da consciência. Ela é suprema. Os surdos ainda escutam. E não podemos falar aqui dos mortos. Estar vivo e centrado em si o suficiente para não ser desestabilizado pela música - este é o ponto. Só com outra música? Silêncio pode ser música?

 

 

O resultado de uma vitória é só outro confronto? Em última instância, outros combates ou a derrota, a agonia sempiterna seguida do sepulcro?



Escrito por a mosca filosófica às 14:01
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DEMÔNIO AFRICANO, @ AfroDite

Pele sebosa

Vaca mimosa

Tábua rancorosa

Carne de porco

Espírito de freira,

quer dormir com

as freiras

e professoras

 

Garçonete cantora

Um boquete por hora

Para espantar a modorra

Se mete a ser mãe,

agora

 

Fora o dispêndio,

vai envelhecendo

se maltratando,

as ex peranças

ex fumando

 

Melhor amiga Maria

Mas em verdade

É Madalena,

A Quenga

Triste como as hienas

 

Por trás é que arde,

boa menina

Imigrante cuja sina

É fazer um Deus

virar Obina

 

Dorme ao meu lado

estuda comigo

joga os búzios

esfrega os lábios,

geme um pouquinho

ex-namorado

idólatra do umbigo

queimou meus fusos

ao dar pra larápios

 

Perfume da vagina

Imagina terrores

te amei tanto

comeria teu estrume

por que essa cara

de espanto, Dolores?

 

Sempre sem pensar 2x

Pra mim todo te quis

Sinto que a bala que

passou por um triz

Te tornou meretriz

 

 

O que foi que eu fiz?



Escrito por a mosca filosófica às 19:32
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O PORTAL DAS SOMBRAS - O LUGAR, A PESSOA

Tem sempre algo extraordinário sobre castelos, não acha? - especialmente para nós filhos da América que nunca vimos nem entramos num pessoalmente! Muita coisa de épico pode acontecer em mansões, cidades-fantasmas, densas florestas e pântanos que nem deixam passar a luz do sol pelas copas das árvores mais altas... Mas um castelo é a forma mais pura do terror. Um castelo é... um castelo - e vice-versa, como diria o filósofo. Os vários pórticos e infindáveis corredores (como que talhados não para gente, mas para gigantes) que se imbricam em labirintos que desafiam qualquer evolução da arquitetura e da engenharia, todos os "ecossistemas" abrigáveis numa só propriedade de alguns kilômetros quadrados, num só terreno, numa só dimensão, numa mesma propriedade e território... Bibliotecas menos visitadas mas contendo mais volumes do que as de grandes centros universitários, capitais e sedes mundiais da intelligentsia, salas de banquete com louça de cristal e jardins encantadores que coexistem sem constrangimento algum com câmaras de tortura úmidas e fétidas no extremo sub-solo! É, o castelo é um mundo em si, que representa a ambigüidade do homem diante da natureza e todos os estratos sociais ao mesmo tempo.


Um sem-par de figuras mitológicas tem espaço dentro do castelo. E das mitologias mais antitéticas e díspares, diga-se de passagem. O Portal das Sombras é o ticket de entrada para é uma viagem traumática pela orla de gaiolas de aberrações, caldo cultural forte para quem não tem o estômago preparado, um coquetel de folclores de deixar ébrios contumazes no chão.


Ah, é tão duro, mas necessário, voltar à realidade!...


Sou mais poético do que verdadeiro, saberia Fernando Pessoa!



Escrito por a mosca filosófica às 17:19
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SOMBRAS QUE SE APROCHEGAM...

1855

 

Jack, O Estripador, o maior serial killer de todos os tempos, está relembrando um por um de seus assassinatos e tentando desvendar seus motivos mais profundos para cometê-los, se existirem, antes de terminar a sua grande obra chamada vida com o homicídio-apoteose: o próprio. Antes do suicídio se consumar, uma entidade interrompe Jack e diz que ele não conhece a sensação de poder como pensa que conhece, nem a de privar o ser humano, efetivamente, da existência, já que há muitas verdades metafísicas que ele ignora. Para ele se tornar um serial killer completo, deveria segui-lo. Seguir Legion. Aliciando Jack, ele quer que o estripador o ajude a erguer uma catedral do medo capaz de reunir todas as almas penadas do Outro Mundo, a ser batizada de Asilo, o pré-requisito para fazer os dois planos (o além e o aqui-e-agora) fundirem-se num só. Em troca, Jack ganharia o direito de ser o vice-pontífice desse reino do horror e a imortalidade: poderia, agora sim, se matar no mundo dos vivos, somente para ser eternizado como Jack, O Estripador, o morto-vivo - Jack, O Supra-Extripador! E é o que ele faz...

 

... os guinchos dum patinho de borracha na banheira deserta, a risada dum bebê que não pressente o perigo, uma broca de dentista em funcionamento, e depois vários e intensos gritos de morte, de crianças e mulheres - acompanham a soturna e deliciosa melodia de Beethoven ...


1999

 

Michael LeRoi jubilou no curso de literatura por vícios como o álcool, e como não queria voltar à casa dos pais, no estado natal, cabisbaixo e derrotado, tratou de achar um bico como taxista - a profissão mais legal do mundo, dizem - no mesmo local, a fim de ganhar a vida. Miserável vida. Numa noite de trabalho, um dos passageiros de Michael não era flor que se cheirasse e acabou sendo assassinado num linchamento coletivo, bem na sua frente, logo após descer do veículo. Temendo pela própria vida, Mike dá o fora da cena do crime cantando pneu. Algumas horas depois ele descobre que o passageiro falecido havia deixado uma sacola no banco de trás com muito dinheiro - 20 mil dólares -... Pelo menos para ele, isso era muito dinheiro, sim. Grana, muita grana! Que Mike usa para comprar presentes para toda a família antes de passar merecidas férias em sua antiga residência, simulando que está tudo bem, que ele vai seguir carreira...

 

Os mesmos fulanos que tiraram a vida do passageiro desconhecido descobrem tudo sobre Michael LeRoi e sua vida precária e patética. Os pais e o irmão caçula de Mike são os primeiros a pagar - com a vida - pelo inocente uso dos 20 mil dólares... Como se a situação do taxista, ex-taxista ou seja lá o que ele for agora, não pudesse piorar!! 


Drenando um pouco mais de seu vigor vital para chorar as mágoas num bar de quinta categoria, Mike é abordado por uma mulher muito suspeita, Agnetta, doravante apenas Nettie. Uma sacerdotisa de magia negra, poderosa manipuladora e rainha dos vodus. Ela seduz o bêbado e ambos dormem juntos essa noite. Com seu dom macabro, o propósito desse flerte é cedo revelado: ela costura uma máscara na altura do peito de Mike, que daqui em diante será conhecido somente pelo apodo Shadow Man, uma entidade capaz de fazer travessias entre as duas dimensões do universo, o Lado dos Vivos e o Lado dos Mortos. Isso porque agora ele não está nem vivo nem morto, propriamente falando... Na verdade, esse dicotomia é tão absurda quanto a descrença no absurdo!

 

... na poeira ou terra batida, é um som seco e áspero, como o de pequenas e frágeis pedras sendo esmigalhadas pela sola de sapatos frementes; atravessando canos, alumínio ou metal, o som é aquele típico clank, clank; superfícies molhadas farão aquele squish, squish análogo ao dos monstros do lago nessie ... 


Ultimamente, a ancestralmente sábia e bela Nettie, que não sabemos há quanto tempo co-habita com os vivos, anda tendo sonhos proféticos acerca da vinda do Apocalipse. São cinco - e não quatro - os arautos do Armageddon. A energia negra que possibilitará a invasão está próxima de ser finalmente reunida e despejada, ela o sente. Alguém passou os últimos séculos colecionando almas...

 

 

Michael, Jack, Legion, Nettie...

 

... o tempo está correndo e Shadow "Mike" Man, a mando de Nettie, precisa correr atrás das almas negras pendentes antes dos inimigos LOUCOS, ou será o fim dos tempos como a humanidade os conhece e concebe! A profecia interpretada por Nettie significa que, além de Jack, Legion tem outros subordinados super-eficazes no seu trabalho mesquinho de artesão da carne podre: outros dos maiores serial killers da História se juntaram à dupla nessa cruzada | anti-cruzada, prótons e neutrinos no café-da-manhã ...



Escrito por a mosca filosófica às 22:15
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CARTAS CHILENAS

Tomás Antonio Gonzaga / Critilo

 

"Há muitos fanfarrões no mundo, e talvez que tu sejas também um deles"

 

Reino estranhol

 

"E limpa, das pestanas carregadas,

  O pegajoso humor, que o sono ajunta."

 

"Que coisas, (tu dirás), que coisas podes

  Contar que valham tanto, quanto vale

  Dormir a noite fria em mole cama"

 

"Não falta tempo em que do sono gozes:

  Então verás leões com pés de pato,

  Verás voarem tigres e camelos,

  Verás parirem homens"

 

O governante chileno que é um Sancho Pança às avessas.

 

"Nem Zeus pode tudo"

 

"De fogo devorante e ao longe soa,

  De compridos trovões, o baixo estrondo."

 

"Noutro tempo

  Ninguém se retirava dos amigos,

  Sem que dissesse adeus.

  Agora é moda

 

  Sairmos dos congressos em segredo."



Escrito por a mosca filosófica às 23:32
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REINAÇÕES OBSCURAS

Assim que entrou no bar sua figura se distorceu em três:

 

MOSCA FILOSÓFICA:

E o que acontecerá, num mundo sem dinheiro outra vez?

 

OCIDENTAL OBSCURO:

Como chegamos a isso?

 

MESTRE TRÁGICO DO EXISTIR:

Eu voltarei a reinar supremo!

 

OO:

Bobagem: não importa em qual mundo, sempre estaremos eclipsados! Nossos sonhos debaixo dos escombros, a promessa nunca cumprida. E você, Mosca Pensante?

 

MF:

Eu não estarei viva até lá, para mim isto basta.

 

MTE:

Seu nome é mesmo "Ocidental"? Pois parece que o Oriente, e o Sol, e a Lua, e todas as estrelas desta e de outras galáxias não passam de buracos negros, uma ruína perene, se é que isto não seria um contra-senso! Tem medo do amanhã?

 

OO:

O Mestre devia saber, eu sou o ocaso de todos os tempos e otimismo não posso enxergar. Fui ensinado desde cedo que é falácia. Mesmo que sejam mesmo, você impetuoso, o outro cavalheiro inseto esperto, superiores a mim, não importa, desde que do meu ponto de vista Deus, Gaia, o estrume e o escaravelho estão igualados.

 

MF:

Quem vai pagar a conta?

 

MTE:

Vocês não são moscas, são homens-tentáculos, sempre agarrando nossas pernas e nos fazendo descer do céu. O nosso céu pessoal. Mas ainda hoje e ainda na terra eu sou senhor. Como diz você, Sombrio: contra os fatos! Dentro do meu coração tenho espaço para todas as contradições, e até para o seu NÃO! E sobra um bocado para a indecisão.

 

OO:

Mas me conte do seu Reino, Quimera do Circo!

 

MTE:

Meu avesso regurgita moedinhas, eu sou o fliperama que despeja fichas ao invés de puxá-las. Quem quer ser um indigente? Moscas não conseguem se pensar sem seu açúcar, porque sem seu açúcar estão mortas. Mas eu sou massinha de modelar. Eu sou a esperança para frente e até para trás. Sabe escrever, não sabe? Sabe se ser - e ainda lamuria pelos cantos! O triste é que gostaria de lhe dizer que falta algo, mas não falta nada! Você já tem você. O resto são moscas na sopa, ou no refrigerante, certo? Vou zunir minha verdade, estilizada: sou do topo da casta. O sonho com pés no subsolo, cabeça na estratosfera, banho gelado ou que escalda.

 

Com o tempo o Um vira nós 3 - ou até nós 4, quando o Judeu Maometano quer ressuscitar -, as pessoas rumam cada uma para um canto, concertam seus solilóquios, treinam interações e depois festejam juntas, não importa se como escravos ou senhores. Saturno acabou, que venha Marte!

 

Quando as forças produtivas colapsam, o forte e seu instinto protetor é que cagam as regras!

 

 

...



Escrito por a mosca filosófica às 12:49
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OS DONOS DO PODER

Raymundo Faoro - 3ª edição, 2001

 

Formação do Patronato Político Brasileiro

 

"J'adjouste, mais je ne corrige pas." Montaigne

 

Portugal, esse outro Palmeiras, que só agoniza, tendo como fardo e simultâneo guindaste do ânimo seu passado cheio de glórias, conquistas e feitos notáveis. Antes seu fim honrado do que desse jeito se arrastar... Camões - Antiquado Imodesto. Os séculos foram inclementes com a Terrinha...

 

"Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, no remoto ano de 1140"

 

"monhadego ou monaria, i. e., o direito da Coroa de herdar os bens dos vilões (vilani) que morriam sem prole."

 

"a carta de foral - pacto entre o rei e o povo"

 

"o estatuto da Covilhã, segundo o qual se cobrava das mulheres mundanas um soldo cada mês, pelo direito de exercerem a profissão"

 

"Justiça salomônica, cuja caricatura fez do governador Sancho Pança o modelo dos juízes do caso a caso, espectro racional ao serviço das decisões arbitrárias."

 

O dinheiro é a medida de todos os homens-coisa.

 

"Portugal não conheceu o feudalismo." O Estado - a máquina - tem um cunho invencível de obrigatoriedade; o mesmo não se podendo dizer dos senhores vassalos. O feudalismo foi um grande acidente europeu.

 

"A velha lição de Maquiavel, que reconhece dois tipos de principado: o feudal e o patrimonial, visto, o último nas suas relações com o quadro administrativo, não perdeu o relevo e a sua significação."

 

"A persistência de magnatas territoriais" na História não pode ser indício suficiente para decretar o feudalismo de um regime - nem mesmo entre as nações européias em sua idade medieva. A lista de exigências do modelo é mais ampla.

 

"Outro passo ainda e os legistas, doutores e letrados, conservando os fumos aristocráticos, serão sepultados na vala comum dos funcionários, onde a vontade do soberano os ressuscita para as grandezas ou lhes vota o esquecimento aniquilador."

 

Camões entenderia perfeitamente bem as raízes do talento brasileiro para escavar o pré-sal.

 

A luta de classes que não houve. Se "sempre há luta de classes", então nunca há. Pois guerra só é guerra pelo contraste com os períodos de paz.

 

"Perece uma dinastia, a dinastia afonsina, filha da infância do reino; em seu lugar, ergue-se a gloriosa dinastia de Avis (1385-1580), plataforma social e política da conquista do mundo desconhecido pelas audaciosas naus de Vasco da Gama. Nasce, assistida pela violência, pelo dissídio, pela guerra, a nação épica de Os Lusíadas, sonho de curta duração, meteórico, que deixou, na sua cauda de luz, uma constelação ainda íntegra."

 

"Os estamentos governam, as classes negociam."

 

"ismaelita" - parece mas não é... Ismael, O (Proto-)Árabe.

 

"O vinho, o azeite, as frutas e o sal - as quatro pedras da economia portuguesa"

 

"Certo, um setor ficou alheio ao contágio, inassimilável: a burguesia judia, saliente no século XIV, ao ponto de ser preservada do ódio popular pelo Mestre de Avis [trecho ambíguo]. Mas ela pagaria caro pela diferença e autonomia."

 

Muito diferentes dos ingleses: "Podemos, pois, concluir dizendo que até as reformas pombalinas a concepção dominante no nosso [português] país foi a da escolástica, aristotélica e tomista."

 

"É dinheiro de encantamento que se converte em carvões" Diogo do Couto

 

"D. João II, O Príncipe Perfeito" - maquiavélico antes de Maquiavel.

 

 

A Índia interiorana jamais veio a ser colônia portuguesa.



Escrito por a mosca filosófica às 00:32
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"O reino, renascido e revigorado com a Revolução de Avis, incapaz de digerir a presa, entregava-a, na parte suculenta, aos banqueiros italianos e do norte da Europa, contentando-se com as sobras ostentatórias, que escorregavam para as garras ávidas da nobreza - militares e funcionários."

 

"O comerciante [pecador maldisfarçado] não devia ser nobre, mas o capitão do navio, homem mais de guerra do que de comércio, devia ter o sangue azul."

 

"Os cargos dos governos e das fortalezas davam-se por três anos para contentar quanto possível o maior número."

 

 

 

"cada um dança segundo os amigos que tem na sala" "vê tudo e olha pouco" "a quem vela, tudo se lhe revela" "ouve e não escuta"

 

"Se basta hum Provedor em cada Província, para que são 5 ou 6? Se basta hum Corregedor para 20 léguas de destrito, para que são tantos" "Não há só multidão de funcionários: estes acumulam 2, 3 e 4 cargos, ajudados de muitos oficiais, no cultivo do ócio, agarrando com as unhas ardentes todo o comércio, a economia inteira."

 

"Nem o açúcar do Brasil, nem o escravo africano, nem o ouro de Minas Gerais - nada salvará este mundo, condenado à mansa agonia de muitos séculos."

 

"o Estado fonte de todos os milagres e pai de todas as desgraças."

 

"mais contra a sombra de Rousseau do que contra o Rousseau histórico" No fundo somos todos sociopatas. Quando deveríamos ter medo dos fantasmas autoproduzidos por nossa esquizofrenia.

 

Raymundo Faoro é o gênio trágico que o Brasil teve mas ainda não descobriu: "A história não é senão um cemitério de elites, que correm, ao longo do leito secular, como um rio: a classe dirigente de hoje não será a mesma de ontem."

 

Cuidado: para Faoro, uma democracia (classes) ou aristocracia (estamentos) não precisa ter uma elite. Alguns autores ainda trarão o estamento-líder como classe (não-social) ou intelligentsia (Manheim/Toynbee). Quase "casta".

 

Montaigne, "o mais universal dos escritores europeus do seu século" + 100 anos: Hans Staden.

 

Contra Sombart e Sílvio Romero.

 

"As vilas se criavam antes da povoação, a organização administrativa precedia ao afluxo das populações. Prática que é modelo da ação do estamento, repetida no Império e na República: a criação da realidade pela lei, pelo regulamento."

 

"Tomas Morus, na sua época, escreveu em vão a Utopia: só um século depois foi ela habitada, para decepção de muitos e engano de poucos."

 

A Irlanda sempre foi o depósito de lixo - humano ou não - da Inglaterra.

 

"o inglês trouxe a sua mulher para a colônia, ao contrário do português"

 

"A riqueza dos colonos dos primeiros séculos é uma lenda, enganadoramente criada para embelezar a história."

 

"Desde o primeiro século da história brasileira, a realidade se faz e se constrói com decretos, alvarás e ordens régias."

 

"As minas aceleram o curso da disciplina americana às rédeas do soberano, rédeas firmes e curtas." "O inconfidente é bem o protótipo do homem colonial: destemperado e afoito na conspiração, tímido diante das armas e, frente ao juiz, herege que renuncia ao pecado, saudoso da fé."

 

"O funcionário é o outro eu do rei"

 

Como que uma "história do cargo público ou servidor no Brasil". Essa é a minha escusa nos estudos!

 

"soldo estipulado em dinheiro e pimenta"

 

A genealogia do arbítrio militar brasileiro - 228

 

Cartas Chilenas

 

238 et circa: a obstinação dos jesuítas

 

Importante lembrar que o lucro dos monocultores de cana era de, em média, apenas 8%. Os traficantes de escravos, que vendiam a rodo e a crédito, tinham-nos na mão.

 

Dois fracassos do Primeiro Reinado: o BB, que nasce para morrer, e a companhia siderúrgica, que só nasce no papel.

 

No duelo proto-imperial federação x confederação, a proa conservadora de José Bonifácio, que termina exilado.

 

"O Poder Moderador situa no Senado a barreira de defesa ao despotismo das maiorias parlamentares."

 

"Na cúpula do sistema, a segunda Câmara, o Senado vitalício, cuja papel conservador e refreador da opinião pública foi ressaltado por dom Pedro I." Enquanto isso, a Câmara temporária seria um vestibular-para-novos-conservadores maldisfarçado!

 

"O talhe de D. Pedro I não se coadunará com o arcabouço por ele montado, mas encontrará em D. Pedro II, conjugado à maturidade do plano, o príncipe para conduzir a máquina, maciamente." "educado na neutralidade bonapartista" "o conservadorismo, estuário natural da vitória"

 

365: o juiz de paz (x juiz de direito). Inesperado poder da figura: "O centro do sistema estava no juiz de paz, armado com a truculência de seus servidores, os inspetores de quarteirão, de triste memória nos anais do crime e da opressão: 'era talvez a 3ª autoridade depois da regência e dos ministros'." "O juiz de direito, nomeado pelo imperador, era menos que um juiz de paz." (!) Tudo isso no confuso código penal de 1832.

 

DIC: jugular (verbo) - [logicamente] degolar!

 

"A desconfiança ao poder - que levou à descentralização e à supressão do Conselho de Estado - leva ao poder sem freio, ao poder incontrolado, ao arbítrio do mandonismo impune."

 

 

Engana-se quem taxa os movimentos sociais da Regência de "separatistas". Era mero discurso, tática. Entre os enganados, Euclides da Cunha.



Escrito por a mosca filosófica às 00:31
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Teria sido aberto o parlamentarismo, para vigorar durante todo o II Reinado.

 

Menos de 5% da população seria votante.

 

"O poder, se não corrompe, amansa e infunde o esquecimento das loucuras da mocidade."

 

"O princípio 'o rei reina, mas não governa' seria formulação de Chateaubriand [1816], treze anos antes que Thiers o lançasse diante da câmara dos deputados, dramaticamente."

 

"Lucidamente, no cume da pirâmide, sabe a majestade que seu poder ocupa um espaço vazio, preenche o vácuo e, como Leviatã, nasce do mar, trazido nas naus portuguesas, indomesticável!"

 

"Não espanta que o Império, com seu cortejo solene de espectros, não resista a uma espada desembainhada simbolicamente, numa parada sem sangue."

 

"Espalhar pelas cidades e pelo interior, onde o emprego era uma sorte grande, diplomas de eleitor era distribuir bilhetes de loteria para um sorteio sempre renovado"

 

Ao invés de ter sido incluído a posteriori, na verdade o voto do analfabeto foi excluído das eleições, após ser inicialmente válido.

 

"Tomem-se, ao acaso, 20 ou 30 brasileiros em qualquer lugar onde se reúna a nossa sociedade mais culta: todos eles ou foram ou são, ou hão de ser, empregados públicos; se não eles, seus filhos." "Quem melhor do que Silveira Martins sentiu o espírito do insondável, ao dizer que 'o poder é o poder', como Jeová é o que é?" "Só vive, pensa e governa no Brasil o espírito burocrático."

 

478: o Barão de Mauá, voz solitária pró-padrão papel-moeda, que, paradoxalmente, era o único meio realmente utilizado. O padrão-ouro era ambicionado por todos os outros agentes econômicos, única forma possível do Império tropical possuir moeda própria forte.

 

"todos os orçamentos [do império] foram encerrados com déficits."

 

"Parentes, amigos e compadres, os comissários [empresários intermediadores] não dispensam os juros de 12 a 18%, calculados nos saldos das contas correntes" O latifundiário sempre refém desse adiantador de crédito, que movimentará o negócio a médio prazo da exportação (o café necessitava de meia década de cultivo, em cada safra). Por sua vez, os capitalistas ingleses farão dos comissários, brasileiros, seus servos no jogo de títeres global.

 

 Joaquim Nabuco: "O antigo fazendeiro trabalhava para o traficante que lhe fornecia escravos, como o atual trabalha para o correspondente (comissário) ou para o banco que lhe adianta capitais. Uma boa parte da riqueza nacional é eliminada do país pelo comércio de exportação, cujos lucros ficam em parte no estrangeiro"

 

"A frustração dos planos de Mauá [o industrialista precoce] não se deve a um capricho governamental, como capricho não foi a tarifa Alves Branco. O café cresce e se expande, pressionando, em todos os campos [literalmente!], a política econômico-financeira."

 

"Lançai uma estrada de ferro desde S. Cristovão até o Pará, desmontai as cachoeiras de S. Francisco e entupi desde a foz até a nascente com os clippers e os ericsons; fundai um banco, dois mais (...)" Cronista. O punch direto continua: "Iluminai o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Gávea (...) fundai um hospital para as vítimas do ágio no dia supremo das tribulações."

 

Primeira aparição do termo "plantation" somente à página 511!

 

"Quarto Banco do Brasil"... e contando!

 

"seria um crime se não fosse uma lei"

 

"O império não subsistia apenas graças ao apoio do fazendeiro como se pretende na historiografia tradicional."

 

DIC: bovarista - que tem repulsa pelo atrasado, só quer o novo. O contrário de romântico.

 

"Não data do término da guerra do Paraguai, portanto, a divergência entre a ordem civil e a militar, conforme repetida e generalizada afirmação."

 

"A embriaguez revela o sonho do homem sóbrio."

 

"a voz grossa e altaneira do bandeirante ainda discernível no fiapo da arrogância cafeeira."

 

"Nasce, aprovado pela Lei de 30 de dezembro de 1905, o 4º Banco do Brasil, que é o atual [?] BB." "Banco central, cornucópia da União"

 

Instituto de Defesa Permanente do Café (1922). Tão permanente que dura 3 longos anos!

 

belle époque: a febre do século, para não ser pouco literal dizendo "milênio".

 

A industrialização não "começou" em 1930. É certo que havia surtos de fabricação têxtil desde a Colônia, brevemente arrefecidos. Ondas de um mar irregular. Porém, em se tratando de uma indústria moderna e mais diversificada, o "pontapé varguista" é mais um mito ou figura de linguagem: já nos anos da I Guerra Mundial a República se viu forçada a praticar uma maciça substituição de importações.

 

"Não se pode dizer, para o Brasil, o que se disse para a Rússia: esta não possui um Exército, mas o Exército possui a nação." Engraçado  como o exército é sempre pincelado como um poder neutro, de vocação a-política, subordinado à Constituição Civil, incapaz - mantidos esses moldes - de vir a tomar o poder no futuro, menos de 20 anos depois do fim do livro. Os militares da transição Monarquia-Rep. teriam sido meros agentes establizadores.

 

"café puro se possível, café com leite se necessário"

 

"Federalismo", no contexto da República Velha: "estadismos", ou "são paulo-minas geraisismo", uma vez que significava o enfraquecimento da União, o que hoje seria considerado o poder federal. E ao contrário de hoje, o Distrito Federal não elegia seu governador.

 

The Economist: não é de hoje que metem o bedelho.

 

 

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Escrito por a mosca filosófica às 00:31
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ADENDO NATALINO

 

Um idiota - parasita - só quer usar o telefone. O outro - esquizóide, pois está sempre a falar sozinho - a regulagem do sistema de som de sua caranga. Por fim, a intrometida só quer passar a imagem de altruísta para o resto da família em frangalhos: nada de refrigerantes pela metade. Tudo pelo verniz.

 

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"Não nos podemos embelecar com esses desmoralizados truques do mundo em que envelhecemos" Rui Barbosa