TRANSCENDER-7
O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE NA PÓS-MODERNIDADE
Em 26/07/07 – adaptado
CAPA/CONTRACAPA/ORELHA
Dialeticamente oposto a Sigmund (seu quase-xará) Freud. Para o autor da Psicanálise, o homem queria a ordem e a segurança. Para Bauman, na pós-modernidade a força sobrepujante é a vontade de se ver livre (influência dos pressupostos nietzscheanos no departamento da psicologia), o que, repetido na imensa maioria dos indivíduos, gera a sociedade amoral e caótica de nossos tempos (pode-se dizer que a amoralidade é um estágio transitório rumo à imoralidade).
Bauman não se centra no mote pós-moderno corriqueiro – a fragmentação do sujeito –, mas na universalidade do medo provocado pelas mudanças – sobretudo a velocidade da Economia e da Cultura. O que é, fora de Bauman, “o indivíduo pós-moderno estilhaçado”, para o filósofo se trata de um contraponto interessante, na medida em que pluri-indivíduos são melhores que mono-indivíduos. Estamos sempre certos e errados ao mesmo tempo de acordo com todos e nós mesmos. Rousseau não o imaginaria.
Sem ética e sem a possibilidade do conhecimento, o homem tipicamente freudiano e sedento de segurança e parâmetros se encolhe, perplexo, tal qual a criança trêmula na quina de seu quarto, no escuro, após ter um pesadelo e acordar simplesmente sozinha. Sem chão, sem teto, sem Deus.
POSFÁCIO – Um enceto pelo fim
“No jogo chamado liberdade, os perdedores param logo de se desesperar e os vencedores param logo com a autoconfiança”. Significa que a vida é um osciloscópio, uma contradição, um paradoxo. Tal pode ser comprovado pelo Jogo do Prisioneiro (o dilema da defecção) e por situações correlatas como “furar uma fila”. Viver em sociedade é um eterno conflito, um perene perde-ganha. O ser humano começa, finalmente, a abraçar a idéia da responsabilidade: aceitação do acaso, eliminação do bode expiatório (que é o suporte de religiões como o Cristianismo) e da “busca da felicidade”.
A existência são dialéticas - tende-se a ser e experimentar tudo – do mais doce ao poço da amargura. Antíteses e ambivalências determinam o destino, o que é o mesmo que dizer que este é indeterminável. Inexiste a idéia fomentada de progresso. Todo sistema tende ao caos. Assim, como isso é verdade para a sociedade entrópica pós-moderna, é também para a curta vivência do indivíduo. Interessante observar que o atual panorama é decorrente de explosões na humanidade. Do empreendedorismo e das necessidades conscientes e inconscientes do homem. Humano, demasiado humano. Todos os movimentos, culturais ou políticos, de vanguarda eram não mais que a negação da realidade pregressa. Os próprios vitoriosos, que substituíam o regime antigo, eram pisoteados por um novíssimo manifesto. O pós-modernismo pode ser explicado de duas maneiras opostas, bastando que se mude o referencial:
- o esgotamento do modelo modernista. Uma vigília permanente e insossa, sem vencedores, perdedores ou novidades;
- a ultra-aceleração desse modelo. As vanguardas duram dias, horas, minutos, segundos. São micro-revoluções, que incluem cada vez menos beneficiários e por intervalos temporais desprezíveis. É como se o que houve na História (a dialética) jamais tivesse mudado estruturalmente. A alteração foi no ritmo de tal dialética. Podemos classificar a velocidade das modificações ideológicas como infinita. Há bilhões a todo momento e na realidade não há nenhuma, pois todas se aniquilam.
Preâmbulo da dialética trágica – não se aceita a morte da meta-narrativa e da essência humana (e de fato o quadro de estafa, esgotamento de alternativas, é mero reflexo do último limite lógico da crença no progresso, não se trata de um “sentimento verdadeiro”). É a derrocada capitalista e a emergência de algo inaudito... Resumo: no Estado mínimo, a falta de qualquer assistência coletiva leva alguns (e continentes inteiros) à indigência. O pobre não tem o capital; como pode ser livre, fazer escolhas? O rico vive assombrado pela ânsia da perda da riqueza e não é livre, pois seus próximos passos são impulsos desse temor terrível. Quadro insustentável. Sintoma do anacronismo do Estado-nação: A inversão do adágio reaganiano, “Não pergunte o que você pode fazer pelo Estado, pergunte o que ele pode fazer por você”. Recurso à guerra e ao belicismo em total antinomia com o sentimento geral.
O mundo é ilógico – ainda que seja uma pista de peças de dominó cujas prerrogativas são tão-somente o derrubamento ocasionado pela peça vizinha e a conseqüente repetição do ato com a peça posterior, isto significa que o mundo não pode ser um alvo gnosiológico, explicado intelectualmente, em nenhum campo do saber. Significa, para quaisquer considerações doravante, que a tal pista, apesar de potencialmente ser única e de repetir padrões, nunca poderá ter seu trajeto definido (a Sociologia falha em sua missão fulcral) – pelo contrário, não há esse “trajeto definido”, porque a realidade como um todo, passado e futuro, “não está lá”, vai-se fazendo. Exemplos capitais do que se quer demonstrar: o Princípio da Incerteza de Heisenberg, a Relatividade einsteiniana e mesmo a ciência histórica, principalmente durante as quebras de paradigma do século XX. A Física quântica é a necrose do mecanicismo e portanto de todos os postulados científico-morais do Ocidente.
Um Dostoievski na encruzilhada do milênio – Deus não passa de uma idéia que vira o álibi para matar e poderia muito bem tornar-se sinônimo do Totalitarismo. Por Deus, comete-se cegamente qualquer ato e nunca se é o responsável. Uma sociedade sem Deus, inicialmente, é onde reina a democracia, a validade e o reconhecimento de todos os pontos de vista. Mas a democracia é ainda a fuga da responsabilidade, no homem e para o homem. É uma centralização/delegação (Hobbes) na “imoralidade organizada estatal”. Crise fatal do monoteísmo (e o Estado aqui como religião). Transvaloração parecida com a ocorrida na decadência do mundo grego (fim do Olimpo e emergência do maniqueísmo).
P. 250: “Mas a tarefa supliciante de resistir aos atrativos da fuga também não é o fim da história”, corroborando a “volta à baila” do homem como sujeito e não apenas cacos de vidro históricos.
BIBLIOGRAFIA
BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. São Paulo: Jorge Zahar, 1998.
Escrito por wormsaiboty às 13:31
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TRANSCENDER-6
UMA INCURSÃO NA TV ESTATAL – resenha de um livro de uma antiga professora...
(De 18/12/07 a 25/12/07)
CAPÍTULO I – Comunicação: um instrumento de política?
Além das redes do Senado (07) e da Câmara (14), há um canal dos políticos locais! O provável canal 9. Há, ainda, vejo eu (pois não consta no livro) a TV Justiça (10) e a NBR (“a TV do governo federal”), segundo o que já apurei uma infâmia que significa um espaço na mídia controlado pelos caciques do PT (atualmente) e patrocinado pelo contribuinte, sem distinção de legenda. A logomarca (NET-13) se assemelha muito à da TVE, que eu sequer sei se ainda existe (nos moldes antigos), uma vez que ao conferir o 16 me deparo com a inscrição “TV Brasil”. Não obstante, duvido que houve seu assassinato. Dines ainda tem o observatório; Kfouri seu programa; e o Roda Viva extinguir-se seria um escabroso disparate. Quereria saber o que mudou infra-estruturalmente (menos/mais recursos). (1) Estará este livro da Renault (2) atualizado sobre tantos trâmites? Medianamente.
Por fim, como o governo federal conseguiu aprovar um projeto tão duvidoso de canal de televisão levando-se em conta a necessidade de aprovação da medida nas Casas e que a CPMF foi derrubada graças a traições internas? Este livro não cobre tal decisão. Questões ora pendentes. A respeito desse último dado gostaria de fazer um pequeno contraste entre o primeiro e o segundo mandatos do Lula/13: de compradores de votos da oposição, os mensaleiros passaram a provadores do próprio agridoce veneno. Não denominei Luiz Inácio de “Lula/13” à toa: será apenas coincidência o canal ser o décimo terceiro na grade da “Globo de elite”? (3)
O problema da argumentação sob a qual gira o livro é em sua raiz: a democracia representativa não é entendida; ou pensa-se que a democracia participativa (direta) é o objetivo final de qualquer sistema (inclusão – efetiva – utópica de 100% do eleitorado), o que é o mesmo que desconhecer, faticamente, o regime democrático contemporâneo. Eventos como o Cristianismo, a Reforma Protestante e o Totalitarismo impedem que se veja a democracia como a mesma de antes (autores democráticos da ementa de Introdução à Ciência Política, especialmente SARTORI).
“Ninguém é burro” – quando eu conheci o verdadeiro entorno me dei conta de que, sendo esta anomalia sofrível e sem escapatória, o ser humano é fantástico. Principalmente estes que não decidem ou regulam os destinos político-econômicos de uma nação, do que advém que quase a totalidade das pessoas são “máquinas” (no bom senso) preparadas para proceder da maneira mais desejável no âmbito pessoal, seja qual for tal dimensão (lei da sobrevivência – há muito mais sabedoria onde a vida é mais simples; a sofisticação da modernidade é apenas o mascaramento de uma intensa mediocridade e falta de tato para a vida!).
Habermas e seu “mundo da vida”: considerações que, ao que parece, o burro do professor Hércules Barros ignora (página 18). Coloquei nesta mesma divisória o meu material de preparação para seminário em que explanei Habermas (maio de 2006). Não obstante, eu era incapaz de entender o Agir Comunicacional, e diante de paradigmas muito mais importantes da “teoria do conhecimento”, considero-o, de qualquer maneira, fútil.
Dahl (salvo engano) ou Schumpeter (4) e o conceito de accountability. Bobbio também. Bibliografia começando a me interessar (p. 19)...
AVELAR, Lúcia – influência, desta vez, patente (pp. 21-22).
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela Mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. Boa referência para obter dados postumamente.
Habermas e suas três esferas públicas:
a) episódica: encontros em casas noturnas, cafés e nas ruas – abrasileirando, boates, bares (na “noite”) e no espaço público, de modo essencialmente caótico.
b) Presencial organizada: esta primaria por um tipo – antes inexistente – de planejamento. Incluiria reuniões periódicas e com temática e público definidos, tais quais as da Igreja, do clube de futebol, dos colecionadores de selos do bairro, dos sindicatos e, surpreende Habermas, dos “roqueiros”. Eu, que vivo neste meio, tendo a considerar a gama de shows como eventos mais tendentes à aleatoriedade. Ademais, hoje o estilo não é uma causa que se abrace, há infinitas dissidências e seus ideais são tão vazios e confusos como aqueles difusos em coletividades maiores. Jürgen deveria ter reformulado este exemplo.
c) Sua menina-dos-olhos, a abstrata: o reino do hiper-real, o encontro virtual (midiático) de grupos que comunguem interesses. Eis aqui o terreno promissor da ótica habermasiana, a arena mais propícia à contestação do poder e à manifestação de sua ação comunicativa. Claro que a eficiência deste item “c” dependeria fundamentalmente do controle privado exercido pelas cúpulas diretivas das revistas, dos jornais, das emissoras de áudio e videodifusão e – por que não? – das pressões exercidas pelas figuras mais vistosas, economicamente, na condução dos endereços, práticas e liberdades eletrônicas (a world wide web). Há a vertente mais difícil de fiscalizar, o tête-a-tête do MSN e do Orkut. Ademais, em Habermas, se leio a VEJA já estou participando da terceira esfera, queira eu ou não compartilhar meus pontos de vista na seção de cartas. Esta é uma complexa e potencialmente infinita rede.
RASCUNHO DE MINHA ATUAÇÃO NAS TRÊS ESFERAS
a) Meu contato com a subcultura rockeira ou roqueira, que insisto em posicionar aqui. Nunca são obedecidos rituais como local, horário ou pessoas, com sempre raras e mutáveis exceções. Como poderia chamar tais “contingências” de produtivas se não há o mínimo debate político ou um continuísmo? É apenas uma catarse realimentadora de falsas esperanças!
b) Não participo de nada, não sou nada. Poderia catalogar vagamente minha inclusão em um (acéfalo) miolo de universitários que, mesmo na minha área, não obsequiam a mesma formação que a minha. Nossos contextos dificilmente batem. Quando sim, de frente.
c) De fato, a mídia é onde eu mais existo. Estão formados contatos seletivos na Internet, publicações apreciáveis que delineiam meu discurso (ou anomia), toneladas de livros que me servem de subsídio e alguns canais de TV. Não uso de forma alguma o rádio. Comunico-me diretamente com pessoas “importantes” como antropólogos doutores (via Orkut) e jornalistas do Observatório (via formulário), sem falar na própria administração de dois recintos livres para circulação de informações, o NewGen e o X-TudoTudo (isso que eu chamaria de metalinguagem), com a inédita divulgação irrestrita de material integralmente meu, como este fragmento finalmente digitalizado. Há forçosamente interação entre minha iniciativa e a dos leitores do ponto em que alguém mais está lendo esta sentença!
CAPÍTULO II – O Parlamento descobre a tevê
MOTA. A Ética Eletrônica de Glauber. Um estudo sobre Cinema e TV.
Destaque do capítulo (p. 41): em 2010 expiram as primeiras licenças de cabodifusão e haverá, pelo entendido, referendo para que se cumpram as renovações. Terá o povo, na prática, alguma voz?
Intersubjetivo, para Renault: aquilo que parte de um sujeito ou objeto e que é entendido por um outro sujeito. (grande coisa – tudo é intersubjetivo!)
CAPÍTULO III – Ao vivo: dos plenários para a casa do cidadão
Há a reapresentação de sessões que haviam sido transmitidas em tempo real, o mínimo que se deveria fazer para permitir que o trabalhador-médio contemplasse, tal qual os “sem-ocupação”, a movimentação na Casa.
Trata-se de algo inédito na medida em que, além de ser ao vivo, é uma transmissão espontânea, ao contrário da TV comercial, que desde a invenção do videotape passou a manipular os mínimos detalhes de qualquer “live entry”. Significa que desde que os programas podem ser gravados em fitas até os que a priori não precisavam desse recurso sucumbiram a ele. A hiper-realidade e o simulacro tomaram conta, ultimamente (na realidade estamos falando de quase meio século, no Brasil), de todo tipo de aparição televisiva, o tipo de exibição massiva por excelência e que detinha – detêm – o controle de cada segundo dos enquadramentos.
Escrito por wormsaiboty às 00:29
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Rumo à grande política – claro que os funcionários da Câmara e do Senado são preparados para simular a maior preocupação possível com o povo, mas como disse um ex-presidente americano, é impossível não ser desmascarado a longo prazo (enganar todos todo o tempo), até porque tal ambiente, cheio de antagonismos, favorece discussões acaloradas, que fogem de qualquer “teatro”. Mas como o tempo do telespectador é curto, adverte-se que durante o tempo majoritário das “transmissões espontâneas” (das câmeras, não dos pele-e-ossos) o político-raposa estará longe de estar nu!
Absurdamente, o número de dias úteis semanais nas câmaras legislativas é de 3! Segundo o jornalista Villas-Boas Corrêa essa “moda” principiou à mudança da capital do Rio para Brasília (e lá que tem praia...).
Há reprises ao longo do ano inteiro (embora elas se intensifiquem nos recessos legislativos), nos dias da semana de inatividade, porém com edição das gravações (a la “era do VT”).
Programas extras: jornais, entrevistas, documentários.
Primeiros tempos (Minas): amadorismo.
Diferença crucial das redes em relação às eleições: não são de acesso obrigatório. É uma vantagem para os 5%, 1%, 0,005% ou qual for a cifra de eleitores interessada em fiscalizar seus políticos. Não são capazes de mover a roda da História no que concerne ao quadro de anomia do sistema representativo. Não é a panacéia nem um desastre políticos. Será iniciativa nula? Essencialmente. Uma adaptação da Casa ao Espetáculo debordiano. De qualquer forma, senhores, incitar milhões é visto com ceticismo pelos politicólogos contemporâneos. Por ora, Deixemos a vileza correr solta. Intervenhamos pontualmente.
Mesmo eu, com tempo livre, consideraria maçante adentrar tal rotina; além disso, tal feita não descartaria a possibilidade de votar errado em seguida (aliás, o que é “errado”? Não partamos do pressuposto de que a igualdade absoluta e a democratização sejam impossíveis... Partamos do seguinte princípio: nem todos os indivíduos querem a democracia...). Além do que, acompanhar as sessões do plenário exige um “acompanhamento por fora”, o que implica se envolver com a mídia não-raro chapa branca/tendenciosa. Pese em uma balança – seja sensato: tem certeza de que é melhor se meter? Cuidado para, ao invés de ser a carroça, não se tornar o boi! A Folha de São Paulo, exemplarmente, foi o primeiro veículo a cobrir e criticar incisivamente a “TV pública com feições privadas”. Letícia, de certo, desaprovou.
Renault desmascarada: estulta, não compreende joguetes de palavras (como os de Heitor Cony) e não perde a oportunidade de defender os canais legislativos. A leitura de seu livro deve ser feita com extrema aversão em relação à postura da própria autora quando o atento leitor perceber juízos de valor em cena (faceta freqüente).
Transmissão por satélite: significa que domicílios com antena parabólica puderam captar o serviço. As “TVs do poder” eram uma realidade mesmo para os não assinantes de TVs a cabo já em 1996.
Câmeras quase imóveis: ainda um jeito de selecionar informação. Não existe objetividade.
CAPÍTULO IV – “É melhor do que o sepulcro caiado!”
“Sepulcro caiado” designa aquilo que se omite. A autora da frase foi Heloísa Helena (ex-PT; hoje PSOL), referindo-se provavelmente à transmissão ao vivo sem edição, que pelo menos não encobre bastante das práticas dos colegas senadores. Pelo contrário, disseca a podridão.
BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia.
Toda essa iniciativa não passa, a mim, de um catalisador do elitismo e da desigualdade brasileiras. Todas as intenções neste país saem trocadas, mete-se os pés pelas mãos.
P. 110 – o “sepulcro caiado” é a sujeira da Casa. Segundo a então senadora Heloísa Helena, era melhor a constatação, o desvelo, de um complô para absolver Jader do que a manutenção das obscuridades debaixo do tapete, pois o desconforto inicial de cada brasileiro àquilo seria posteriormente premiado com um amadurecimento ético dos políticos e instituições do país. Em suma, a expressão que nomeia o capítulo quereria dizer: a exposição dos males [pelas lentes das três câmeras da TV Senado] é muito melhor a longo prazo, em que pese o mau cheiro do princípio das ações. É ruim de qualquer modo constatar a corrupção, mas antes dispor de um instrumento para começar a aferi-la do que fingir que tudo vai bem.
É mais do que óbvio que por qualquer meio, mesmo que não a Internet, o receptor é também produtor. É tautológico demais se debruçar em um ponto tão clarividente.
ARENDT, Hannah. A Condição Humana.
LEI 8.977-95 – obriga a exibição de filmes (o que inclui documentários) e desenhos animados nacionais (difícil de se encontrar esse último artigo!) na grade de programação de alguns canais do pacote básico da operadora. Talvez sejam implicações secundárias dessa mesma lei que causam o atual rebuliço bicameral: deve haver cotas para programas nacionais, e cotas, inclusive, para canais nacionais, o que reestruturaria de modo falsiforme (pretendendo “acréscimo de cultura” – outro mito –, retiraria a pouca já existente) a integridade das TVs a cabo? A pergunta foi a resposta. Falsiforme. A lei do “fim da legenda” nos filmes nacionais foi rejeitada (passaria a haver somente produções já dubladas, mesmo nas telas de cinema, diminuindo o índice de leitura que jamais ultrapassou o patamar do baixíssimo mesmo dentro da classe “mais esclarecida” do país). Esperemos que o bom senso prevaleça novamente. (5)
Pronto, Letícia. Julgo que não esteja mais em débito com a senhora! Boas festas (27/12/2007). [dedicatória invertida a uma professora que me reprovou por faltas na matéria Redação para Audiovisual na faculdade de Jornalismo – estava em vias de abandoná-la para me dedicar ao curso de Sociologia na federal –; não nego que infringi o regulamento, mas meu trabalho sobre a corrupção estatal-global (me refiro às corporações de Roberto Marinho) e que você pode conferir no site citado na nota 3 foi simplesmente sobre-humano. Tive apenas uma ausência de atividade facultativa no final do período e fui escabrosamente caluniado. Provavelmente nenhum aluno já aprovado na disciplina demonstrou tanto afinco e interesse e citou seu nome tantas vezes! Ironias de uma vida de docente...]
Afora isso, para quem tem sede de mais, apresento comentários de margem ao longo de toda a obra (exemplar 3 da Biblioteca João Herculino, Brasília-DF), esta, aliás, de uma colagem de capa vagabunda (fácil de identificar).
MINI-GLOSSÁRIO TÉCNICO
Contraplano: nome que se dá ao ângulo inverso ao do falante (ator), que focaliza o ouvinte-antagonista, aquele que, mudo, só olha. Durante esses poucos segundos, que adicionam dinâmica, pode-se dizer que a voz em questão “está em off” (vide verbete abaixo). Inexistem nesses canais de plenário os contraplanos. Eles são hegemonicamente vistos em programas de auditórios, filmes e novelas no circuito comercial.
Fade out: desaparecimento gradual da imagem.
Informação em off: informação que, quando publicada, não exibe fonte – são furos jornalísticos obtidos de maneira informal, quer seja, normalmente o informante pede para não ser citado; o comum, entretanto, é permanecer como “fofoca que morre nos bastidores” caso não encontre um dado mais substancioso para ser construída uma notícia.
Voz em off: a fala sai, sim, no vídeo, mas desacompanhada da imagem da pessoa. É diferente de informação em off (vide verbete), que às vezes não sai.
NOTAS
(1) Encontrei ainda um canal chamado SescTV, reservado para instituições sem fins lucrativos.
(2) Letícia Renault escreveu um livro que é um estudo de caso sobre a implantação do primeiro canal legislativo do país não-interno (transmissível para domicílios), da assembléia de deputados de Belo Horizonte. O título da obra se encontra na seção “Bibliografia”. Adicionalmente, apesar de ter vindo à baila em 2004, os dados da pesquisa não se estendem para além do ano de 1998, o que limita um pouco minha própria abordagem, feita em cima da desta especialista.
(3) A esse propósito (relações promíscuas Rede Globo / Estado brasileiro), favor verificar o DOSSIÊ GLOBO (http://xfilesfiles1.zip.net, 6 de setembro de 2008), trabalho apresentado em uma banca de Jornalismo baseado em Daniel Herz, Fernando Morais e Pierre Bordieu, et al.
(4) E ainda: AVELAR ou qualquer outro autor da Unidade III (ementa de Introdução à Ciência Política do período 2/2007 na Universidade de Brasília). O Blog mapeará esse conteúdo em novos episódios do TRANSCENDER.
(5) O projeto que prevê a entrada em prática dessa lei de 95 (até 2008 não-cumprida) e que é contra os interesses de todas as concorrentes da Rede Globo (que é a única capacitada para atender a demanda, com suas verdadeiras cidades-estúdio que produzem conteúdo – em que pese a qualidade ultra-questionável – incessantemente) encontra-se há meses em tramitação na Câmera, objeto que é de contínuos adiamentos. Para mais informações sobre o andamento do processo, de suas implicações e dos expoentes contra e a favor da lei na Casa, acesse http://www.liberdadenatv.com.br.
BIBLIOGRAFIA
RENAULT, Letícia. Comunicação e Política nos Canais de Televisão do Poder Legislativo no Brasil, 2004.
IDÉIA VINDOURA
Reunir num único documento todos os “negritos avermelhados” que indicam futuras referências para a dissertação final ou minimamente novas reflexões de interesse. O TRANSCENDER é uma busca sem final!
Escrito por wormsaiboty às 00:28
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A CALAMIDADE INVISÍVEL NO PILOTIS – uma etnografia de um condomínio típico de classe média
a) Transcrição:
ATA DA 59ª ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO CONDOMÍNIO DO BLOCO “J” DA SQN 308, REALIZADA NO DIA 20 de agosto de 2008
Aos 20 dias do mês de agosto de 2008, às vinte e trinta horas, em segunda e última chamada, no escritório do BLOCO ‘J’ da SQN 308, foi realizada a 59ª Assembléia Geral Extraordinária para deliberar sobre os seguintes assuntos: I- Leitura e aprovação da ata anterior; II- Deliberação sobre o requerimento do Morador do apartamento 607 (retirada das grades que bloqueiam a entrada da área de serviço, pelas escadas, e das fechaduras que bloqueiam a porta externa dos elevadores do 6º andar) e OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 7º E 8º DA CONVENÇÃO DO CONDOMÍNIO E ARTIGOS 4º E 5º E SEUS INCISOS, DO REGIMENTO INTERNO DO CONDOMÍNIO; III- Assuntos Gerais. Compareceram à Assembléia os condôminos dos aptos 103, 104, 105, 106, 107, 108, 205, 206, 306, 503, 505, 603, 605, 607 e 608 que firmaram o livro de presença. Ao declarar aberta a Assembléia, o Sr. Ladário Teixeira Neto (apart. 605) se apresentou para presidir e convidou a mim, Severina Marques (apart. 103), para secretariar a referida assembléia. Iniciados os trabalhos, o Morador do apartamento 608 solicitou a palavra para questionar a necessidade da presente reunião, tendo em vista que o pleito de seu vizinho (Morador do apartamento 607) já havia sido atendido (retirada das grades) de forma consensual. O presidente salientou que o motivo para a realização da reunião não se restringia à retirada das grades, mas também em razão do respeito e do cumprimento das normas constantes da Convenção e do Regimento Interno do Condomínio que deveriam ser exortados naquela reunião, bem como pelo fato do Morador do apartamento 607 não haver manifestado o desinteresse pela reunião. Consultado o referido morador, este reiterou seu interesse pela assembléia. Dando continuidade à reunião o presidente da mesa perguntou se todos haviam lido a ata anterior, sendo dispensada a sua leitura no momento com a aprovação da mesma. Feita a leitura do edital de convocação pelo presidente da mesa, logo iniciou a discussão sobre a retirada das grades existentes no condomínio que obstruem o acesso da área de serviço pelas escadas. O Morador do apartamento 608 apresentou suas justificativas pela manutenção das grades até dias atrás. A Moradora do apartamento 105 solicitou a palavra para justificar a necessidade das grades em razão da segurança que estas lhes proporcionam. Apresentados os motivos legais (Lei nº 4.591/64 e Código Civil/2002) e normativos (Convenção do Condomínio) que proíbem a manutenção das mesmas, foi requerida, pelo Morador do apartamento 608, a votação nominal do pedido de retirada das grades, justificando que tal procedimento traria maior legitimidade à decisão. O presidente da assembléia consentiu ao pedido, esclarecendo que o resultado não mudaria a solução a ser tomada, uma vez que qualquer decisão contrária estaria infringindo a lei, bem como, para que se aprovasse tal medida (manutenção das grades) seriam necessários os votos de 2/3 dos moradores do bloco, pois importaria em modificação da Convenção. Iniciada a votação, os moradores dos apartamentos 105, 603, 604 e 608 manifestaram-se a favor da manutenção das grades e os moradores dos apartamentos 103, 104, 106, 107, 108, 205, 206, 306, 503, 404, 605 e 607 aprovaram a retirada imediata das grades. Com o resultado, a moradora do apartamento 105 solicitou prazo para retirada das grades para, primeiro, fixar uma grade em sua porta. A assembléia consentiu ao pedido fixando-lhe o prazo de 15 dias para tal procedimento. Dando continuidade à discussão do item 2 do edital – retirada de fechadura das portas dos elevadores do 6º andar, da prumada 07/08 –, a assembléia fixou idêntico prazo aos moradores daquela prumada para efetuar a retirada das mencionadas fechaduras, bem como de proceder aos reparos nas portas dos elevadores, fechando os buracos que por ventura ficarem no local. Em seguida passou-se à discussão do item III – Assuntos Gerais, em relação ao fato registrado pelo Morador do apartamento 607, comunicando a existência de sistema de circuito interno instalado pelo Morador do apartamento 608. O presidente fez lembrar que qualquer obra na área comum deve ser solicitada à Assembléia Geral de acordo com o artigo 7º da Convenção do Condomínio. O Morador do apartamento 608 afirmou que a colocação do sistema foi realizada com o consentimento do vizinho de porta. O presidente fez observar que, apesar de haver consentimento do vizinho de porta à época, tal consentimento não afasta a necessidade de autorização da assembléia para tal obra. Assim, não havendo tal autorização a assembléia fixou o prazo de 15 dias para a retirada do equipamento, dando por notificado o mencionado morador naquela assentada. O morador do apartamento 608 não aceitou ser notificado naquele momento, exigindo notificação por escrito. A assembléia, para evitar maiores celeumas, determinou que a notificação fosse efetuada por escrito pela Síndica, mantendo o prazo assinalado para retirada do equipamento, esclarecendo, desde já, ao Morador do apartamento 608, que o descumprimento da determinação importará em multa prevista na Convenção e Regimento Interno, bem como, se necessário, a adoção das medidas judiciais cabíveis e previstas na Convenção do Condomínio. Dando continuidade à assembléia, o presidente efetuou a leitura de correspondência entregue pelo Morador do apartamento 607, determinando que a mesma seja anexada ao livro de ocorrência para adoção de medidas administrativas que forem cabíveis, se necessário. Dada a palavra aos moradores presentes foi exortada por todos os presentes a necessidade de exercitarmos a relação da boa vizinhança, convivência e do respeito mútuo. Suscitado o problema dos espaços utilizados para estacionamento das motos na garagem foi, por unanimidade, aprovado que a discussão seja remetida para assembléia ordinária, na qual será apontado, após estudos pela Administração do Condomínio, Conselho Fiscal e Comissão de Obras, se há ou não espaço físico para estacionamento exclusivo de motos, bem como a manutenção ou não da locação e uso dos espaços destinados à área de movimentação do corpo de bombeiros. Estendida a palavra aos moradores, foram relatadas queixas quanto à manutenção da limpeza do prédio, sendo querida à Síndica que providenciasse, junto aos empregados do Condomínio, maior zelo em relação à limpeza dos jardins, garagem e demais dependências internas do prédio; foi questionado o alcance do sistema do circuito interno que cuida do estacionamento externo do prédio, pois não filmou toda a ação dos marginais que realizaram o furto de bens existentes no interior do veículo de morador do prédio, estacionado ao longo do meio-fio da calçada, ao que foi aprovada a realização de estudo e levantamento das necessidades para atualização e ampliação do sistema de segurança do condomínio para cobrir as áreas “cegas” do estacionamento externo do prédio; questionou-se a necessidade de reavaliar a manutenção do sistema atual de contratação direta de pessoal para limpeza e segurança ou substituição do pessoal existente por empresa especializada em conservação, limpeza e segurança de condomínio, ao que foi determinado que a Síndica realizasse uma tomada de preço, devendo apresentá-la na próxima assembléia; a Moradora do apartamento 505 apontou problemas com os ninhos de morcegos na estrutura do prédio, em particular na altura de sua janela, na junta de dilatação, ao que foi determinado que a Síndica realizasse tomada de preço para obra de fechamento das frestas em que se acomodam os morcegos; foi comunicado ainda que há moradores jogando comida pela janela, com o intuito de alimentar pombos, mas que tem atraído ratos aos jardins do prédio, ao que foi determinado que a Síndica efetuasse o fechamento dos buracos utilizados pelos ratos como ninho e que tomasse outras medidas necessárias para eliminação desses roedores. Nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente deu por encerrada a reunião, agradecendo a presença de todos e solicitou que eu Severina Marques – Síndica lavrasse a presente ata que vai assinada por mim e pelo Presidente.
b) Comentários:
Que peça de direito espúria! (E qual não o é?) O que é isso? “Morador”? Letra maiúscula e obtusa falsificação de um nome próprio! OBSERVÂNCIA DO (...), caps lock para promover o policiamento, mania de tiranizar as pessoas. Como se estivesse inscrito no código genético deles (e bastasse lembrar!), e como se houvesse educação e ar polido na frase, havendo, na verdade, porque se é impessoal, e sendo impessoal não há confrontos! Teme-se o confronto direto! Mas o pedido de se observar essa ou aquela lei é certo. Pedido ou ordem, só que suavizada em papel, embora não se o deixe esquecer, pela letra de fôrma. São todos recursos que nos deixam pasmos: a burocracia se estende a cada diminuta e reles guarita condominial de quase-ricos! Transpira a colonização portuguesa. Nada mudou...
Eu nem sabia que podem, de repente, deliberar meu destino em reuniões nas quais só comparecem cinqüentões! E não há, tampouco, o interesse desses senhores de que jovens se imiscuam em seus negócios, como lamentamos e tememos o fato de que no futuro poderemos ser nós, a perder horas preciosas com uma desfaçatez de mundo antigo, de democracia grega, da qual na realidade não sobrou pedra sobre pedra – lidamos com obtusos!
15 apartamentos em 48: belo público! Assim se discute o bem comum! Mas o mais cômico é que há apenas dois nomes, duas pessoas, em toda essa peça, essa tergiversação legalista que apenas discorre sobre o engessamento de vidas em cubículos ao invés de mostrar qualquer sinal de que algo se movimenta e que nesse movimento não há decadente. Dá até para pensar que o documento foi parido por um escrivão-chocadeira, um ente mecânico qualquer. Em tempo: sou do 507 e meus pais preferiram passear do que ir à reunião. Às quartas-feiras, ademais, muitas famílias estão comendo pizza e vendo seus jogos de futebol.
O “espírito cívico” destes nobres cidadãos é tão elevado que a figura mais interessada (homem, mulher? Em que quantidade?), o apartamento 608, quis que não houvesse reunião. Tinha mais o que fazer. E é aí que entramos:
Problema 1: Grades dentro de outras grades (subjetivas e objetivas!) – Mora-se no cerne de várias “fortalezas”, prédios insossos uniformizados por Niemeyer, quadradões. É-se seguro. A falta de segurança propalada é decorrente apenas do contraste, já que dentro de mil celas ninguém aparece e, se um pedinte o aborda na rua, vai aparentar uma infração gravíssima. Perda de noção da realidade. Mora-se no último andar de um apartamento já num setor mórbido da entre-quadra, sem muito barulho ou acontecimentos. Adicione a isso o fato de enfrentar-se o ciclo medonho casa-trabalho-mercado-casa, sem cessar, estacionando a caminhonete na garagem e desconhecendo mesmo a sombra de uma árvore. Ar-condicionado é com o que uma pessoa assim mais está à vontade! E ainda se enjaula ACIMA da lei. O que é um feito notável: vide que a lei praticamente nos obriga ao confinamento, e as pessoas providenciam, sabe-se lá como, exceções para que consigam um meta-confinamento, uma supra-prisão! Passam por cima de qualquer direito de qualquer outro em meio a isso, como se vê (instalação arbitrária das GRADES). E, cá entre nós, a grade ali evitaria uma obediência irrestrita a um “marginal” caso este estivesse armado? Logo mais veremos a “natureza de cagão” desse tipo de pessoa (o morador, não o ladrão!), no tópico 6. Espessura do ferro considerável, porém muitas brechas entre suas várias linhas horizontais e verticais... Uma bala passa! O principal: se era medida ilegal, porque ocupou metade do tempo (ao que parece) das “deliberações” (palavreado chique)? E por que ainda houve votação, se só um punhado de carolas vociferava pelo direito de as ter em suas residências? – lembrando-se do paradoxo... Estes que latem em nome da Constituição e de sua liberdade positiva, negativa ou lá o que seja (sempre em prol do próprio pecúlio e que se dane a pimenta nas vistas terceiras!) são os primeiros a infringir os dispositivos legais. Típico do amesquinhamento do homem, da sua mediocrização. Instinto de rebanho, síndrome de pessoas. Não vive o perigo. Não vive. E o que é o perigo? Ser roubado? Ganha-se o suficiente para repor qualquer objeto furtado. Segurança dos filhos? Estes já estão empiricamente mortos, uma vez que seguem os passos dos pais em anular a própria existência com planos idiotas e contrários à própria satisfação do organismo, a – afinal! – unidade da vida! Vontade de ser prisioneiro, vontade de existir em vão! Última observação: a Moradora do 105 (letra maiúscula: os seres-bingo!) fez bem: encolheu a PRÓPRIA prisão – assim fico eu mais livre de qualquer contágio das ovelhas...
Problema 2: Aliás é sobre a nomenclatura “marginal” que me concentro agora! Marginal: trata-se tão-somente do não-idiota. O sujeito que vive a vida. Blinda-se-o de qualquer verossimilhança com estas pessoas que freqüentam a reunião, mas eu diria que – havendo separação abismal entre elas – a defasagem seria vantajosa para o “criminoso”: todo praticabte de infrações é digno de dizer-se “homem fibroso”. E mais: todos são imorais embora não o confessem! Preferem o véu da moralidade. Digam-me o que pensam fazer de mim ao ler minha análise? Pensamentos são ações!
Problema 3: O estranhamento do convívio com animais! O que é o morcego senão um primo nosso, um companheiro na aventura pela noite enigmática! Volto a considerar a esquizofrenia a ruína da alquebrada civilização ocidental-tupiniquim.
Problema 4: Ao invés de “exercitarmos a relação da boa vizinhança, convivência e do respeito mútuo“, assim, via decreto, dissimuladamente, espirituais condôminos, que tal explodir a garagem? O “carro-alcoolismo” de vocês é a fonte de 98% dos males não-obstáveis da ata da reunião enquanto não se atacar a discórdia pela raiz – soluções superficiais, paliativos, barrigadas? Parece-me a relação capitalismo-meio-ambiente! Reitero que não existirá espírito solidário entre mandatários de clubes do bolinha ou do condomínio enquanto seres humanos, quando não estiverem em casa, no trabalho ou no super-mercado 24h mais próximo (onde o segurança espanca os “marginais”!) se encontrarem dentro de um automóvel, surdos ao mundo, envoltos por vidros “fumê”... Cegos não são alguns pontos do circuito de câmeras, mas vocês!
Problema 5: “Bem como”, “por ventura”... Jargões do direito que, imensamente repetidos, não passam de analfabetismo e pobreza. Ah, Machado, veja a perversão do seu realismo!
(continua abaixo)
Escrito por wormsaiboty às 18:26
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Problema 6: O mais humilhante, embora não para mim: o apartamento 608, nitidamente o maior criador de caso dessa instância administrativa chamada “vizinhança da minha casa”, digo, seus MEMBROS, gostam de se verem cagando em terceira pessoa. Deve ser tudo que sua miríade de câmeras P&B consegue proporcionar. Notemos que eles pretendiam manter grade-e-filmadoras! Indubitavelmente não corro riscos ao publicar isto na Internet: seu alheamento à REALIDADE está em tão recrudescido grau que cogito se já não compraram passagens para o reino do nada ou se não procuraram, de repente, imitar Kant, trancando-se num bunker repleto de comida, livros e filmezinhos... A vida é preciosa, e até plantas têm ciência disso! Paquidermes!!
Problema 7: Quando o desemprego não afeta as peles dos “bem-resguardados” (agora um pouco menos, não é verdade!??!) não é sequer citado como problema. A demissão ou não do atual corpo de porteiros depende de uma mera convenção sobre tabelas de preços ou contentamento ou descontentamento com o regamento das flores! A vida desse pessoal que labuta, vindo cedo da rodoviária, é uma problemática terciária. Talvez lembrem deles quando o lixo orgânico passou um dia sem ser recolhido – e aqui se recolhe o lixo, coisa que outros moradores em outros pilotis precisam fazer por conta própria, até as lixeiras do centro da quadra! Aliás, seria saudável, já que os senhores só usam as pernas para acelerar e frear naquelas máquinas imundas...
Nossa vida cotidiana brasiliense está rachada. Requer-se a imediata ruína de tudo ou, ao menos, a mais branda passagem de bastão – gente velha será tão surda a mim quanto o é nos sinais (e seus filhos já aprenderam muito bem que gente em farrapos é lixo ambulante). Porém, nós, os reflexos do mimo intenso e irrestrito, não disporemos de dinheiro que nos permita manter essa existência luxuosa. Quantos advogadinhos sem-emprego terão que se mudar para a Candangolândia! Finalmente respirarão oxigênio! Brindo-vos, senhores! Vamos todos juntos, viver a vida intensamente...
Escrito por wormsaiboty às 18:25
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TRANSCENDER-5
VONTADE DE POTÊNCIA
VOLUME II – Um complemento de leitura, como com Latour!
Justiça seja feita ao maior livro de todos os tempos: não havia sido lido nem comentado à altura há 5 meses
(observações de 18/08 a 29/08/08)
CAPÍTULOS QUE ANTECEDEM A OBRA, NA OBRA
Após, ou no meio de, uma cronologia do indivíduo Nietzsche, um verdadeiro tratado sobre a Ciência e seus (des)caminhos, da Grécia Antiga e do Império Romano até aça. Uma vista cuidada sobre os limites de Freud, a narrativa do relativismo do século XX decorrente da obra do filósofo.
Agora me lembro de uma “besteirinha”: na recepção do curso de Sociologia na UnB trata-se com visível enfado mal-disfarçado por um misto de comiseração e descontração a declaração abundante do calouro, já desfeita no ceticismo veterano, “Quero mudar o mundo”. Idiotas!
P. 43 – parágrafo exuberante!
Continuação rodapé 51 (sobre absorvê-lo acriticamente):
(...) é aí que não o faço, pois ele quer que eu não adira de corpo e alma! Como se ele fosse o único que pudesse chegar aonde chegou e eu não encerrasse minha própria individualidade. Ele não é um santo meu. Tenho meus hábitos só meus, e uma teimosia que certamente se estende ao “ler Nietzsche”. Uma teimosia que pode muito bem anular estas linhas. O que gosto em mim é que vejo que o tempo passa: em dois anos me revoluciono, vivo a contingência! Por fim e ingenuamente, é como se ele tivesse nascido para mim.
Exemplos banais de que sou surdo a ele quando convém: posso ter filhos, torço por um clube de futebol a ponto do fanatismo boçal, ouço uma música que ele chamaria de lixo, detesto viajar... E o dado mais relevante: certamente eu abomino o convívio com as personalidades mais parecidas comigo e com ele!
Nietzsche recomenda que eu o leia em ritmo de mastigação
Culpar um homem pelos próprios dissabores e fracassos é bem típico do povaréu alemão!
AURORA – p. 65 – A descrição da sociedade dos fortes!
70/71 – MONOGRAFIA
76 – A excelência. Não estou sozinho.
VIVA A MEGALOMANIA! Que pena, xará! Mas devemos aceitar que viemos antes da História!
77/78...
Choro, mas afirmo a vida acima de tudo. Sou o contingente da predeterminação, o predeterminado, necessário, inevitável, das aleatoriedades. Megalomaníaco, se quiser. Os últimos fatos me vieram relatar que todo personagem, todo grande personagem histórico, se repete uma vez. Eu sou outro preâmbulo do novo-homem, desta vez na encruzilhada de outros dois séculos. Talvez farsesco ou para sempre anônimo. Mas isso não tira os meus méritos...
Dizer que eu não sou só eu muito me fortalece! Eu sou um universo, uma vontade própria que varre e que ensurdece, que rompe e atesta vigor num espaço grande e indispensável, comparado com seja lá o quê. Nisso está o plausível amor à rivalidade! Luta e vitória! Derrotas, se quero vitórias, viva! P.S.: não tenho base (ainda), mas penso que Bauman é um pobre coitado – e míope.
ADENDO – apostila cujo autor ignoro provinda do CASO: A busca incessante pela verdade ou a crítica suprema do Valor Verdade e o que este implica e assume para o pensamento ocidental.
Compara-nos a uma mosca: ela também se sente o eixo central do universo e crê que a verdade está sob sua jurisdição. A verdade é uma moeda sem rosto! (sobre a verdade e a mentira em um sentido “extra-moral”, texto de 1873)
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INÍCIO FÁTICO
89/90 – O inesquecível esboço
P. 65 e arredores – Sobre o caráter anti-clássico e invariavelmente decadente da Música. Wagner <-> Carl Orff, conversas com Igor e Bianca. E, um pouco antes, todo o arsenal contra Wagner. O riso torna-se simplesmente fácil!
Ver-se como decadente já é um sinal de força, de que se chega a uma totalidade e que se vai transmutar.
Pp. 142-3: ótima síntese da lógica anti-vida cristã.
P. 145 – Nota de rodapé que justifica a interpretação de que Nietzsche é o homem que tentou salvar o Cristianismo.
P. 149 – Genealogia do amor no Ocidente: os judeus!
Afirma-se VONTADE DE POTÊNCIA como um compêndio de duas metades polares: a primeira pessimista-denuncista, a segunda otimista-construtiva. Destruição – após exposição de motivos – do mundo moribundo e erigimento da “terra da vida, eternamente retornável” em seguida.
Pp. 155-156 e arredores – o papel do Estado na sedimentação do fracasso do ideal cristão (fracasso no sentido humano: Estado e Igreja felizes de mãos juntas como símbolo da decadência do forte homem helênico).
O Cristianismo primitivo era uma coisa boa. O apóstolo/santo Paulo e Novo Testamento são os verdadeiros vilões morais: inverteram as prerrogativas de Jesus. Os germanos, etnia recente, se tornaram paulinos.
Pp. 161-162... Um bom humor contagiante no momento crítico de descrever nossa própria ruína como civilização!
P. 165 – o histórico da luta de classes a la Nietzsche, em detrimento de Marx.
A HISTÓRIA CONDENSADA DO OCIDENTE ATÉ DEPOIS DE HOJE
Esclarecimento no rodapé da mesma página: falar em democracia, por volta de 1890, era se referir basicamente ao socialismo, a forma extrema (e cristã) da justiça social, a transferência de foco de Jesus, de Paulo, de Lutero ou do papa para a Política, o Estado. Próprio da décadence européia. Instinto de rebanho puro. A sociedade sadia é a que se estrutura em castas. Porém analisemos nosso paradigma liberal-democrático em princípios do século XX: continua insuficiente, porque força e vigor não são os requisitos para se galgar a pirâmide social. Quão mais alto na escala, menos os valores da vida são respeitados. Imperam, ainda, a máscara, a comiseração, a predileção pelo sonho. Mas finalmente é uma maturidade niilista mais intensa: o nivelamento total já foi descartado. Elementos como eu proliferam nas cidades – estes covis da debilidade, onde não se sabe o que é lei natural, homem ou vontade de potência. A esquizofrenia de uma sociedade que se olha para si entendendo a própria fragmentariedade de modo passivo é um dos últimos estágios na demanda pela transvaloração. Se a história de todas as histórias é o enredo dos imemoriais escravos buscando a redenção, a superação dos inimigos, tempo mítico chegou em que a torpeza da moral burguesa sofrerá o golpe letal.
Escrito por wormsaiboty às 15:43
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DESCENDÊNCIA E ATESTADO DE LOUCURA
Reflexão solta – é meu pai como o pai de Nietzsche? Ligado a tempos tradicionais e a mim oposto, se bem que afável? É preciso crer que sou um Messias. E os Messias provêm de lugares inauditos – do seio tipicamente decadente-burguês. O holocausto desta civilização é justamente o germe da próxima – e que transvaloração seria exeqüível sem um tanto de megalomania? Assumo-me um louco: somente alguém com essa tipificação clínica na sociedade atual poderia se propor a superá-la: não porque esta seja insuperável, apenas que é preciso ser louco pelos parâmetros desta falsa ciência que está aí para se aperceber da vida! Causa-me tédio ver como os marxistas (e muitos outros, mas escolhi um termo bem próprio ao alienismo!) rechaçariam minha dialética trágica com um boletim burguês (meu exame de sanidade mental) ao mesmo tempo que me ofereceriam um assento em sua sociedade de iguais!
Quando se fala que Deus morreu e o Muro de Berlim caiu, eis uma dupla morte de totens dos inferiores. Mas nossa sociedade não é menos opressiva que a soviética: apenas que somos regidos de maneira descentralizada, de alto engodo.
Lembram que o Blog nasceu há três anos tentando responder à pergunta “QUAL É O MELHOR SISTEMA POLÍTICO-ECONÔMICO?”. Finalmente estou pronto para uma resposta adequada: é a AURORA de Nietzsche, uma sociedade de castas em que a Chandala sejam os sacerdotes, e em que o zênite seja composto dos imoralistas.
Blanquis e Le Bon – quem são esses fortuitos “asseclas contemporâneos” do Eterno Retorno?
P. 206 – sublinhado sobre a grande questão que me aflige há ano e pouco. Jamais poderei esquecer minha pretensão cristã de culpar a totalidade, diante do quê Marco Antônio, professor de Semiótica (um grito de desespero do homem afogado, esta “ciência”), retorque: “E então... Doravante é necessária ainda mais responsabilidade...” ou então: “Muito bem! Agora aumenta sua responsabilidade”. Aí está: a “gênese do mal” não existe, como não existe o mal. O Devir é inocente. Meus pais são inocentes e eu por minha vez sou (Frederico é um demente). Não existe uma causa; mas se posso crer que é um prêmio... Uma auto-celebração do Devir, e minha, que vêm e aparece tão-somente para dizer em uníssono – porque eu sou ele, e ele sou eu, somos o que passa e esse é um momento célere, de auge, de cume, de festa (eu cunhei o nome e o conceito, para dizer que os cunhei) – QUÃO BELA É A VIDA!
P. 207 – maltrata a Sociologia como ela merece, rainha da décadence que é!
P. 217 – Nietzsche no domínio dos anticoncepcionais!
Na mesma página, mas em outro subtítulo, o alemão enceta sua viagem pelo mundo grego arcaico. Lembremos que inexistia a pérfida noção de bem e mal, ao menos como oposições.
Referência: “Circe de ...”
Deusa da Morte, do encantamento, da hipnose
Geralmente entendido como “calcanhar-de-aquiles” aqui
A LÓGICA CARTESIANA, EINSTEIN, HAWKING, PLATÃO – O porquê da incondicionalidade do devir e da impossibilidade da verdade
Pp. 233-238: aula – como se refuta a intensa “fé na verdade” de Descartes. Lembrar-se que a humanidade que cresce e afirma uma verdade a dado ponto não é mais que, analogicamente, uma criança que adquire a potência suficiente para sistematizar seus julgamentos. Isso não é dizer que ela atingiu qualquer julgamento absoluto, e o mesmo para a humanidade! Tudo remete a categorias de simplificação da realidade! Lembrar-se de que assim como a criança que se torna um jovem que reflete e que não pode por isso relatar, por mais experiências que faça, a história do universo até antes de si é o mesmo caso da espécie humana subitamente em posição reflexiva diante do universo no qual se encontra desde um momento sobre o qual jamais obtém qualquer certeza. Seria petulância, outrossim, depositar em René toda a chance de “ter-se descoberto” o absoluto. O absoluto é simplesmente a idéia, a negação do mundo real em prol de um suposto mundo-verdade. É interessante rememorar, inclusive, que a própria idéia sempre precisa do devir para se cristalizar. A cristalização, a tipificação em torno de duas ou mais dimensões, de algo que faça sentido, que seja mais que nada, inevitavelmente se escora no espaço e no tempo, espaço-tempo, uma coisa só, não se altera um sem alterar o outro. Implica, afinal, na confirmação do devir e na ausência de coisas-em-si e do ser – e também do nada. Cientistas ainda hoje têm dificuldade de digestão no assunto: referem-se ao Big Bang como “singularidade, fuga das leis da Física”, seja esta, aliás, a Clássica ou a quântica. Basta a apreciação de um filme, no entanto, para compreender (tela, superfície bidimensional; relógio, passagem das cenas). Mas mesmo um pônei rosa estático ou a idéia de uma criatura todo-poderosa só podem ser expressos no devir. Estranho é um absoluto dependente!
O homem só pode ser a medida do homem – jamais de outros valores. A mosca também se crê, como já mencionado, o eixo central do universo. Há que se pensar que nossa vida sendo eterna na temporalidade é o suficiente – chega de idealizar – materializemos! Quem idealiza é sempre insuficiente. Ademais, esse espaço de vida que temos é bastante para bastante criações. Ainda que normalmente o Eterno Retorno não seja apreendido antes dos 20 anos, restam muitos para se sentir imortal E o supremo consolo: quantos homens não morreram crendo no mundo-verdade? Não pode ser eterno aquele que não se cria eterno! Tenho mais de quarenta anos de criações pela frente!
Nietzsche foi o mais fenomenal definidor do mundo! Dissolveu-o e fundou outro no lugar.
“Não existe contraste: é pela lógica que temos a idéia de contraste e de lá transportamo-la falsamente às coisas” p. 244
Não há a oposição entre um tempo perene, o dos ciclos, e o tempo uno, que vivo agora, linear e incorrigível: é um só, se bem que um, dois, oito ou infinitos... isto também é convenção.
P. 245 – O verbete VERDADE em Nietzsche. E, mais abaixo, sínteses precisas de todas as principais lições do livro.
O erro humano: tem uma visão panorâmica do que já passou e uma visão estreita e particularista de si. Os dinossauros se julgavam o “fim”, o equilíbrio da natureza (desaceleração da percepção evolutiva)! Daí a analogia no meu longínquo seminário a respeito da humanidade de um minuto em um dia de cosmo. A propósito, até o que disse da inversão de Schopenhauer estava certo. Pergunto-me se Cláudia Maria Busato já leu Vontade de Potência.
Se o autor tem repulsa por tudo que é cristão, e o mundo hoje é quase todo cristão, ele encerra em si muito de niilista passivo, vontade do nada. É necessário ir além e empregar uma de suas ferramentas: implodir os dualismos. Exemplo: paganismo/cristianismo. Se quisermos ser animais nosso totem é um borrão entre deus e nosso sentido da visão. O que deve existir é a aprovação de que se pense e de que se tenha idéias – cristalizações –, contanto que cientes do devir (sirvam ao devir).
Nietzsche é platônico num senso: pode-se considerar sua Filosofia a elaboração de um mundo-verdade. Sucede-se que esse mundo-verdade é precisamente o espelho deste mundo!
(em outro resumo – compreendo que a Câmera latouriana dos objetos seja o retorno à natureza, o anti-socialismo em grandessíssimo grau.)
O que não bate em F. N.: sua descrição da emergência de uma nova raça, de potência crescente, mais elevada, e a simultânea afirmação de que “não devemos nos querer melhor”.
Pp. 258-262 – A mecânica do devir. Seu livro é o trotado do mundo fluido. É uma cristalização impossível do devir! São águas. É eterno e verdadeiro. Demole todas as concepções, até as próprias. É um apanhado de tudo o que a Filosofia já discutiu.
Pp. 264-265: sublinhado que atravessa as páginas. Chamo de “Paradoxo de Majin Boo” essa aquisição suprema de potência, o ter o inimigo e com quem lutar, não ser toda a potência. FISIOLOGIA PERFEITA.
Minha principal preocupação: como professor e esbanjando superioridade, como deveria alimentar minha vontade de potência? Fora de sala? Instigando o rebanho? A quê? “Neguem-me, é o que peço”? Um grito de desesperado? Inimizades nas salas dos professores (ideológicas)... Não sei não, acho que vou acabar debaixo da ponte... Eu devo ser meu rival! Até o fim...
P. 278: Dostoievski e o crime em Zaratustra. A máquina punitiva do Estado (imoral).
P. 279 – Corrobora minha auto-formulada tese! “À espera de uma oportunidade”, de uma brecha que seja, para cometer o crime. Ser grande reside quase que exclusivamente na infração a normas. Até o rebanho o sabe.
Um terrível (apenas grande, mas que confunde os estultos) PARADOXO: ao negar o átomo, a coisa-em-si, o próprio sujeito, Nietzsche é o próprio retorno à natureza, portanto REAL. Latour e seu esquema de “abertura incomensurável da esquizofrenia e perda de noção entre sujeito e objeto” não me sai da cabeça. Os existencialistas absolutamente não entenderam o recado!
P. 290 – chegamos ao belo. Domínios da minha MONOGRAFIA.
Listar:
Grifo baixo p.291 (357)
P. 292 – “mulherzinhas histéricas!!!”
P. 294 – quarto, em chave. IPSIS LITERIS!
P. 295, rabeira – 363 – “o grande erro de ARISTÓTELES”
(ver também destaques no http://groups.yahoo.com/group/sesshou/files/, pasta de Ciências Sociais)
DIVINA COMÉDIA, de Dante Alighieri: a maior das tragédias. Rumamos à idade trágica.
Pp. 310-11: Nietzsche e o dinheiro.
Bendigo-me!
Escrito por wormsaiboty às 15:40
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TRANSCENDER-4
(inicialmente) 4 NOTAS ACERCA DE “ANTIGO REGIME E REVOLUÇÃO”, OBRA CLÁSSICA DE TOCQUEVILLE
1) Por que o desejo de igualdade francês é algo que enfraquece seu povo
P. 47 – Tocqueville é um aristocrata nacionalista defensor até as últimas conseqüências do direito à liberdade; no que não vejo contradição: sucede-se que a França é um país tradicionalmente déspota cujo segredo de conservação é o apelo à igualdade que obscurece o homem como um todo, justamente porque apaga as individualidades, esquecendo-se de que o livre-arbítrio é o principal requisito para o êxito de uma nação. O autor é um nobre orgulhoso que enxerga na capacidade de auto-crítica da classe a chave para o enriquecimento de um povo digno – o despotismo é apenas uma forma dos aristocratas enfraquecerem-se a si mesmos, porque súditos engessados implicam em majestades catastróficas. A raiz da redenção está no reconhecimento dos sangue-azul de que seu tempo já passou, e que não compreendê-lo ou respeitá-lo aceleraria a própria derrocada. Uma sociedade com mais liberdade é, sim, a mais igual; mas a liberdade (genuína) deve vir antes; antes da liberdade forçosa, por decreto. Ter mais ou menos posses não vai tornar alguém melhor ou uma alma mais próxima da salvação que outra. Desde que se compreenda que igualdade significa manutenção de individualidades, o povo está mais bem-servido.
2) A complexa índole do autor
Para compreender a intrincada personalidade de Tocq. deve-se ter em mente o seguinte comentário do professor: “Ele é um liberal político”. A última palavra permite a coexistência entre seu ódio pelo capital e sua posição de aristocrata moralista). Em Tocq. há uma repugnância estética pelo mundo burguês. Sem embargo, como visto, ele não pode ser marxista se tem extrema aversão à igualdade como pilar social (sempre pensar no dualismo franco-inglês, e na situação alemã, inclusive).
3) Analogia do tapete
Por todo o livro transpira-se o estágio contraditório que vivia a civilização francesa: na superfície feudal, era desde a época pré-revolucionária um Estado moderno sob o tapete. A revolução não CRIOU a sujeira que arruinou os móveis do Ancien Régime, ela foi apenas a puxada do imundo tapete.
4) A essência da obra
Hoje se diz que somos dois Brasis: a França era no século XVIII duas Franças. A coexistência de uma nação sumamente medieval com um Estado que atendia a avanços e | | |