O Esgoto a Céu Aberto na Sua Rua


O PRIMEIRO HOMEM

04/12/11-23/01/12


"Calma!", disse o brigão.

 

"e na verdade não há ordem mas somente loucura e caos quando o filho é mais velho que o pai."

 

Prometo sessões solenes de tweets para compensar-vos.

 

(g)áudio

 

Estava em depressão profunda porque não falava com ninguém, não falava com ninguém porque estava em depressão profunda...

 

Não se repita! Não se repita! Não se repita!

 

Você é tão repetitivo que vou te chamar de "má notícia em minha vida"!

 

Tenho aracnofobia e muitas vezes minhas bolas de cabelo, de pontas quebradas, parecem-se com aranhas. Existe maior clareza na mensagem? Vivo me sobressaltando comigo mesmo...

 

Gente que interpreta o adjetivo "politizado" sempre como um elogio. Sarney é bastante politizado!

 

Mais desrespeitoso que usar um cobertor branco no escuro para assustar a visita de credo espírita.

 

"tavernáculo da língua", disse o boêmio erudito.

 

Na Rússia as pessoas são muito calmas, a cabeça não lhes sobe tanto ao sangue!

 

Meu neurologista parece o André Sanchez.

 

Semana da Loucura em substituição à Semana Universitária, inscrições abertas!

 

Mais superprotegido e mimado que o crânio do Peter Cech.

 

Jogador que corre os 100m rasos antes de bater o lateral.

 

penistenciária

 

estabeleCIMENTO

 

O pretexto para sair "beijando pescoços de donzelas" por aí é simplesmente sonhar que se converteu em vampiro!

 

Tartarugas gigantes e agora gatos... Um gato falante que chama as outras tartarugas da casa (sic?) de cães!

 

Gagárotão - O coroa transado

 

Aos que defendem o cheiro da bosta: uma coisa é a matéria orgânica do cavalo da fazenda, outra são os dejetos dos mendigos doentes da cidade, que recebem os acolhedores restos do McDonald's!

 

Nível de tédio/velhice/carência: sentado à beira da janela para fiscalizar a movimentação da rua do bairro.

 

"Mas esse trabalho de escritório partia do nada e levava a lugar nenhum. Comprar e vender, tudo girava em torno desses atos medíocres e inapreciáveis."

 

"Nunca tinha visto até então o que uma mulher usava debaixo da saia, e essa visão brusca secou-lhe a boca e causou-lhe uma tremedeira louca."

 

Camus encenou (dirigiu) Os Possessos.

 

"Pede-se perdão àqueles que sabemos que nos podem perdoar."

 

"MENTIRA

  Desde quando o homem honesto que se recusa a acreditar no mentiroso é que é o cético?"

 

"A exceção é a antiguidade. Os escritores começaram na escravidão. Conquistaram sua liberdade."

 

Brisville, talvez não o melhor mas o primeiro biógrafo de Camus.

 

"A natureza tem um grande livro onde registra minuciosamente todos os excessos que vocês cometem." "tente conservar em branco a página que lhe é reservada no Grande Livro da natureza."



Escrito por a mosca filosófica às 18:41
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SHINING, L'enfant Lumière

29/12/11-03/01/12

 

"Convaincu que tout hôtel digne de ce nom abritait bien un rat ou deux"

 

"et Dieu sait quoi encore?"

 

"Quatre présidents nous ont fait l'honneur de séjourner dans la suite présidentielle: Wilson, Harding, Roosevelt et Nixon."

 

"Je ne bois plus." "Voici quatorze mois que je n'ai pas touché une goutte d'alcool." "le mal de blédards" - enclausurado por muito tempo no mesmo ambiente com as mesmas poucas pessoas.

 

20 anos, a idade para começar a falar palavrões.

 

Sesame Street, a nossa Vila Sésamo.

 

"Alice au pays de merveilles"

 

O protagonista - ou pai do protagonista - Jack é fortemente baseado na vida do próprio King: um professor, ou ex-professor, demitido de uma escola por causa de um aluno e um ataque temperamental, que tenta decolar na carreira de escritor. Mas será que S. K. tinha/tem/teve problemas com o álcool?

 

"un garçon qui allait peut-être devenir un écrivain important et qui en tout cas était éminemment qualifié pour initier les adolescents a ce grand mystère, l'art d'écrire." "Il avait déjà publié vingt-quatre nouvelles, il travaillait sur une pièce de théâtre et il y avait peut-être un roman qui mijotait dans l'arrière-boutique."

 

"Il buvait du café très fort et un nombre incalculable de coca-cola."

 

"Comme elle [sua esposa] était étudiante en sociologie et n'avait pas fait d'études litteraires"

 

"Telle mère, telle fille"

 

"quand il passait la soirée avec Al Shockley, il n'y avait plus de limite."

 

"il ne parvenait plus à écrire."

 

"Devant ce paysage, Wendy découvrit la vérité du cliché littéraire"

 

Danny é chamado pelos pais ora de "professor" (referência ao Peronalonga, "velhinho") ora de "coelhinho".

 

"conte de fées"

 

Danny detesta peixe...

 

"l'arriere-grand-père" bisavô

 

" - On peut le prendre en toute confiance.

  - C'est ce qu'on a dit du Titanic"

 

"L'avion ne va pas s'écraser, prof."

 

"Papa et Maman s'aimeient. C'était l'essentiel. Le reste, ce n'était que des images dans un livre. Elles pouvaient faire peur, mais elles ne puvaient pas faire mal."

 

"Truman Capote (...) Un homme charmant, d'une politesse exquise, a l'européenne."

 

"Va te faire foutre, espèce d'enculé."

 

Segundo consta, NOVELAS são de tiro curto e ROMANCES são os tijolaços.

 

"Alcoolique, il l'était encore et le serait toujours." "Il y avait seulement quelquer part, dans son circuit intérieur, un interrupteur défectueux, un disjoncteur qui ne fonctionnait pas" "Quant à ses accès de colère, c'était la même chose."

 

"rouleau compresseur"

 

"et plus il se passionnait, plus il bégayait."

 

"Vous me détestez parce que vous savez que je sais...

  Parce qu'il savait quoi?"

 

"Jack Torrance (...) le Shakespeare américain!"

 

poids: peso. poids mort

 

22h30, nós precisando sair de casa com urgência para o ano-novo e meu tio liga pro meu pai - é a hora que ele se propõe a "escrever um audio book".

 

heavytalização musical

 

Le moment de Maman.

 

"Quel rapport pouvait-il y avoir entre cet élegant palace et le monde ténébreux d'Edgar Allan Poe?"

 

"Le phénix qui renaît de ses cendres."

 

"haricots Campbell's"

 

"Une moustache de lait sur sa lèvre"

 

De todas as modificações kubrickianas, a que me deixa mais indignado é mudar a cor das paredes do hotel de azul para vermelho.

 

"j'arrive même a trouver un certain charme à l'abstinence." Al

 

"Et il s'irritait de petites choses. (...) Son langage était devenu plus grossier."

 

"N'oublie pas de te servir du fil dentaire."

 

"ils avaient dépassé le point de non-retour."

 

"Vous êtes vraiment la crème des barmen."

 

"les vingt cocktails imaginaires"

 

"La vérité, c'est que le Droit Chemin ne méne pas au paradis, mais en prison."

 

"Elle était n... n... elle ne portait rien." "j'ai fait pipi dans ma culotte. Comme un bébé"

 

"Ce thême avait déjà été traité des milliers de fois."



Escrito por a mosca filosófica às 14:57
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...E PSICOLOGIA REVERSA NÃO VAI FUNCIONAR

 

Não "encontro a paz" ou "sou feliz" ou "posso seguir tranqüilo com suficientes esperanças" desde há muito. Vai completar 5 anos, para se dizer a verdade, se é que eu não estou superestimando 2007, 2006... Primeiro foi a UnB. Finda, veio a escola. A maldição continuou depois de 3 de agosto com um "piripaque" em algum lugar do meu computador, sem falta, a cada menos de 60 dias: outubro, novembro... e agora em janeiro. Sinto que eu sou O Escolhido, só que ao contrário. Uma nuvem negra me perseguiria e trovejaria em mim até no Paraíso, lugar das nuvens brancas. Até no deserto, na estiagem de minhas emoções. Qualquer êxito profissional ou pessoal me é eminentemente proibido.

 

"Et nous y voilà de nouveau."

 

"une bicyclette avec des stabilisateurs."

 

"Californie, le pays des oranges e des self-made men."

 

"Je n'ai fait que mon devoir."

 

"Pas juste, bon Dieu de merde."

 

"Un don? Non, plutôt une malédiction."

 

"bataille de boules de neige"

 

É muito engraçado comparar a mente de um menino de 5 anos e a de um adulto para lá de cético quando ambas enfrentam a mesma situação terrível - Jack se recusa a acreditar, filosofa sobre o mau funcionamento de seus nervos e se enraivece, rabugento; Danny quer correr e gritar nesse pesadelo que enfrenta acordado.

 

"Agent secret. Souviens-toi que tu es un agent secret."

 

"Le lion [de pierre!] le plus proche n'était plus qu'à cinq pas de lui."

 

"L'ascenseur, le sous-sol, le terrain de jeux, la chambre 217 et la suite présidentiele étaint des endroit (sic) dangereux."

 

Há dois avocats: o "avocado" e o "advogado"!

 

"Vous passez votre temps le cul sur une chaise à faire des parties de belote?"

 

"- C'est gratuit pour vous, Mr. Torrance"

 

"La morsure du serpent est moins cruelle que l'ingratitude des enfants"

 

"Un homme qui ne peut pas s'imposer à sa propre famille n'intéresse pas notre manager."

 

Exímia trilha sonora a desse livro!

 

"La fête était finie." "Je me servirai moi-même, putain de merde."

 

"Nous voilà arrivés sains et saufs."

 

"Il était de plus en plus persuadé qu'il ne sortirait pas vivant de cette aventure."

 

"Dieu veille sur les ivrognes et sur les enfants. Amen."

 

"Du vin nouveau dans de vieilles bouteilles."

 

"Mais le silence, encore plus inquietant que les cris"

 

maillet: martelo; hors: fora; oublier: esquecer.

 

"Et il n'était pas pressé de le decouvir."

 

"Qui aime bien, châtie bien" Quem ama bem, castiga bem.

 

"Le pire est passé maintenant."

 

"Le monde ne nous veut pas de mal, mais il ne nous veut pas de bien, non plus."

 

* * *

 

Somente aos 17 anos comecei a me aventurar de verdade pela literatura de quinta grandeza. Confesso que durante a adolescência primeva sofria dos mesmos males do tipo médio de colega da escola: lia os livros apontados para as provas sem muito gosto, porque não compreendia o contexto ou o sentido daqueles escritos, achava-os herméticos e maçantes. Lembro-me particularmente de ter tentado ler Cemitério de Elefantes do Dalton Trevisan, um exemplar quase que perdido aqui em casa, aos 12, sem nenhum sucesso! Confesso que os últimos seis anos, no entanto, parecem uma eternidade, uma vez que significaram o encontro do meu eu de carne com minha vocação espiritual. Clichê místico-verbal, mas sincero para descrever o que houve!

 

Vivemos tempos incertos em que inclusive escritores profetizam o fim do formato livro, a ressurreição do homem como um ente mais selvagem, desprezador de bibliotecas e de clássicos universais tais quais Dom Quixote, que já teriam cumprido sua missão. Não sei se terei filhos, posso até não plantar uma árvore diretamente (embora venere a natureza), mas se morrer antes de publicar um livro (é verdade que o ditado diz apenas "escrever") não partirei em paz!



Escrito por a mosca filosófica às 14:55
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LE CHÂTEAU DE DRACULA

27/12/11

 

J. H. Brennan - Noël Chassériau - 1986

 

Máquina de verbetes ligada:

loup: lobo

dé: dado

manquer: perder

fuite: fuga

dos: costas

lorsque: quando / logo que

besoin: necessidade

sapin: pinheiro

pierre: pedra (mas claro!)

cauchemar: pesadelo; íncubo.

sentier: trilha

étroit: estreito

sol: chão

bois: madeira

tandis: enquanto

siège: assento

chandelle: candelabro

flacon: frasco

chauve-souris: morcego

aile: asa

clef: chave

l'oeil: vista

croc: dente

placard: closet

salaud: porco; bastardo.

encore: "mais", "ainda", no lugar de plus no fim da frase.

pompe: tênis

Coccinelle: um modelo da Volks.

poche: bolso

gosse: criança

coeur: coração

ivre: bebum

sanglot: soluço

bouche: boca

briquet: isqueiro

raquette: bota para andar na neve

torticolis: torcicolo

concombre: pepino

cloque: bolha

l'aube: madrugada

flic: o polícia

fiston: recém-nascido

 

A edificação, na verdade a Transilvânia, tem por vizinhos imediatos a Turquia e a Polônia.



Escrito por a mosca filosófica às 13:26
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UTOPIA

24/12/11

 

Funeral, é tão funesto, é tão real! Mas não é divertido.

 

O cadáver duma flor...

 

"Dir-se-ia, ao ouvi-los, que a sociedade vai perecer se surgir um homem mais sábio que os seus antepassados."

 

"os ladrões não são os piores soldados, como os soldados não são os ladrões mais tímidos; há muita analogia entre esses dois ofícios."

 

"E, no entanto, que é que fabricais? Ladrões, para ter o prazer de enforcá-los."

 

"Juízes e carrascos por cima da lei divina"

 

T. M. grande fã de Platão.

 

Há escravos em Utopia. Os carniceiros da ilha. Têm força militar e precauções mil.

 

"Desconhecem os dados, o baralho e todos os outros jogos de azar, tão estúpidos como perigosos."

 

"Os melhores pedaços são dados aos velhos das famílias que ocupam lugares fixos e de destaque."

 

Considerados epicuristas por Rafael, o interlocutor de Morus na História.

 

"os nossos insulares proíbem a caça aos homens livres"

 

"Os filhos de escravos não são escravos."

 

Espécie de eutanásia legalizada!

 

"Uma dama honesta e grave mostra ao prometido sua noiva, donzela ou viúva, em estado de completa nudez; e reciprocamente, um homem de probidade comprovada, mostra à rapariga seu noivo nu." "Este costume singular fez-nos rir muito"

 

"O adultério é punido com a mais dura escravidão." "A reincidência no adultério é punida com a morte."

 

"A simples solicitação ao deboche é passível da mesma pena que o estupro cometido."

 

Reclama das leis prolixas dos povos europeus, mas isso é porque não conheceu a República Federativa do Brasil.

 

Um romance que mostrasse o futuro de Utopia - uma distopia que cresceria com poderes magnânimos, e imperiais, estendendo suas garras indefectíveis sobre o restante do globo. As segundas intenções do estilo de vida utopiano vão se deslindando aos poucos.

 

Como oferecem recompensas para as nações inimigas tentando evitar a guerra franca, corre-se em direção à bancarrota.

 

Mulheres podem ser soldados, livremente.

 

"De perto, em lugar de espadas, combatem com machados, cujo corte ou peso ocasionam inevitavelmente a morte, qualquer que seja a direção do golpe."

 

Única condenação religiosa: o ateísmo. "A esses materialistas não se rendem homenagens"

 

"O temor é para eles um mau augúrio"

 

"Os utopianos não imolam animais nos seus sacrifícios."



Escrito por a mosca filosófica às 12:49
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DRÁCULA, Bram Stoker

28/11/11

 

DIC: taquigrafia; estenografia - a arte do Internetês, antes do internetês!

 

"Aqui estou escrevendo, numa mesinha de carvalho, onde, possivelmente, nos velhos tempos, alguma jovem se sentou, enrubescida, para escrever cartas de amor."

 

"A sensação que provocavam em mim era estranha, ao mesmo tempo de desejo e de pavor. Sentia uma vontade ardente que elas me beijassem com aqueles lábios vermelhos."

 

"O que ele deseja é absorver tantas vidas quanto seja possível. Deu muitas moscas a uma aranha, muitas aranhas a um pardal, e queria um gato para comer muitos pardais..." topo da cadeia alimentar...

 

"Se não conseguir dormir, recorrerei ao cloral, o moderno Morfeu..."

 

Renfield é o Gollum desta história: "Aqui estou, para cumprir suas ordens, Mestre".

 

"Depois de muita reflexão, resolvi escrever ao meu velho amigo e mestre, o Professor Van Helsing, de Amsterdam, que conhece mais a respeito de enfermidade desse tipo que qualquer outra pessoa do mundo."

 

"Riu até chorar, tornou a rir e a chorar, muitas vezes, como uma mulher."

 

"O nosferatu não morre como a abelha quando se pica."

 

"Ouvi dizer que os loucos têm uma força prodigiosa e acho que ia vencer"



Escrito por a mosca filosófica às 12:08
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SOBRE AS MULHERES - Diderot

27/11/11

 

"[O escritor Thomas, seu compatriota, por ele admirado] É um hermafrodita, que não tem nem o nervo do homem, nem a brandura da mulher."

 

"O contraste dos movimentos violentos com a doçura de seus traços as torna hediondas"

 

"para tornar-se louca, faltaria à mulher apaixonada apenas a inteira solidão que ela procura."

 

"A suprema felicidade lhes foge entre os braços do homem que adoram."

 

"Aquele que as adivinha é seu inimigo implacável."

 

"O momento mesmo em que estiverem inteiramente entregues a seu projeto será por vezes o momento mesmo de seu abandono."

 

"Não há talvez alegria comparável à da mãe que vê seu primogênito; mas esse momento terá um preço bem caro." "É pelo mal-estar que a natureza as dispôs a tornarem-se mães."

 

"A mulher, infeliz nas cidades, é mais infeliz ainda no fundo das florestas."

 

"mais civilizadas que nós por fora, permaneceram verdadeiras selvagens por dentro, todas maquiavélicas, da maior à menor."

 

"Percebe-se que Rousseau perdeu muitos momentos aos joelhos das mulheres" Ambos eram contemporâneos.



Escrito por a mosca filosófica às 11:37
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O PROCESSO

01-03/12/11

 

Saraiva de Bolso

 

Qual a diferença entre Bucapeste e Budareste?

 

Muitas vezes pergunto a profissão dos pais de alguém e escuto "judeus" como resposta pia e honesta. Assim como vejo muitas famílias cujo altar se dedica soberanamente ao Deus Mamon. Como diz Varg, um judeu pode morrer, mas os judeus, o sangue judeu, jamais perecerão. "como uma projeção de si mesmo (...) os judeus são orgulhosos de si (...) e devem ser castigados ainda uma última vez"

 

De tantos pontos em comum aqui em casa, talvez as pp. 17 e 23 e seus sublinhados sejam o estopim!

 

O que sempre é diferente entre mim e os solitários europeus são as paisagens ciganas destes! Mudar de país e de ares como quem pega um subway/expresso para a Ceilândia...

 

Tantos talentos, ó Tântalo!

 

28: "Essa paixão epistolar [a segunda importante!] (...) iria iniciar-se por um sonho singular."

 

Seria ético quebrar o sigilo dos e-mails dos mortos, assim como se fez e se faz com as cartas trocadas pelos de fama que já expiraram?

 

Babel babão

 

Modesto Car onipotente?

 

Insul(t)ou-se nos sonhos.

 

Pergunte-se o que é se perguntar sobre saber que isso é o seu Destino, ou seja, sobre o próprio destino. E escrever isso! Homem-balança, como aquilo que pesa poderia ser pesado? Uma certeza e uma pêra solúvel por baba corrosiva na mão.

 

Nada mais triste que poesia vazia de auto-denominados poetas sem grandeza suficiente para admitirem a própria felicidade afetada!

 

Cinto que é pouco sincero - pois te emagrece!

 

Interlocutor de rádios dalma

 

A cor da bunda é a verdadeira cor da pessoa... a menos que se freqüente uma praia nudista e se durma ou doure de bruços.

 

Como mostram num episódio d'Os Simpsons, um condenado à morte na cadeira elétrica movida a luz solar passaria sentado bem umas 24h para começar a ter sua pela chamuscada...

 

Ao contrário da conhecida metáfora, a vida não é um quarto bagunçado, mas quase isto: uma cozinha. E, particularmente, sinto que essas últimas semanas têm sido minha panela de pressão a pleno vapor. Não sei se devo temer, no entanto: o gás está no fim.

 

Distingue-se (bem) o bem e o mal.

 

145: exegese às margens - "cuidado com elas!"

 

157: provavelmente Josef age de má-fé (?)

 

"'Estou conseguindo ajuda da parte das mulheres, pensava K., maravilhado; 'primeiro foi a senhorita Bürstner, depois a mulher do porteiro dos tribunais e por fim agora a enfermeira que parece ter uma incompreensível necessidade de mim. E como está sentada em meus joelhos, como se este fosse o único lugar que lhe pertença!'"

 

170: já há várias páginas, um grande discurso sobre trâmites burocráticos

 

"cansado já pelo que teria de vir"

 

"Talvez ao entregar-se a tais reflexões não fazia senão enfraquecer sua própria energia de resistência"

 

água-furtada: Silveira Bueno - "Último andar de uma casa, quando suas janelas dão para o telhado."

 

"Nem os poucos anos nem o defeito corporal tinham podido evitar que estivesse já inteiramente pervertida. Em vez de sorrir, contemplou K. fixa e seriamente com olhar provocante. K., fazendo como quem nada percebesse da atitude da jovem, (...)"

 

Uma Síndrome de Estocolmo me invade... O pior é que eu sou o seqüestrador...

 

Alguma lei natural me impede de ser produtivo como eu queria...

 

O pé-grande, quando fica com o pé atrás, realmente vira um desconfiado insuportável!

 

240: pode ser só uma metáfora da morte literal, "Como procrastinar e consumir seu tempo tecendo e retecendo teias-de-aranha".

 

"mantendo o pé entre a folha e o batente da porta"

 

"Mas você já deve ter percebido o caráter pegajoso dessa mulher, não é mesmo? (...) Leni acha formosos (sic) a maior parte dos acusados."

 

"Meu processo (julgamento, até) também já começou.

 

Cuido de 23 d(o)entes num asilo fétido tão próximo de mim…

 

276-8: cena do sentinela - lida alhures.

 

Mais o simbolismo dos aniversários de meia-idade. Os dois primeiros carrascos seriam os pais. Estamos detidos. Vinga-se disso, e então se arrepende. Os três funcionários do banco são os três magos. O superintendente é o responsável pelo batismo. De antemão já pecamos - basta dar forma à transgressão, paulatina.

 

288: Bürstner  - ratificação

 

"que no começo do processo eu queria já terminá-lo, e que agora em seu final, quero tornar a começá-lo de novo?"

 

Se a felicidade fosse uma lixeira, arremessaria minha boina dentro dela.

 

Sonhos 04-05/12

 

Top Gear... TKOF'96... ônibus... escritos... Drácula. trilha irretocável, 2º Orochi no menu, 4000-hit combo, alguma linha que me trouxesse da W3 Sul, guarda-chuva no meio da pista, gente jovem, dificuldade de atravessar a pista ou se manter de pé.



Escrito por a mosca filosófica às 23:48
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HA-HA-HA

30/11/11

 

- Você é casado?

- Não, sou um homem cansado!

 

Dizem que metrôs são tristes, povoados por zumbis, autômatos, mais máquinas que o que os locomove! Mas eu queria ao menos... andar de metrô até o deserto da minha casa!

 

Mais metrôs para mais homens tristes praticarem o seu suicídio cotidiano!

 

Quem avista, amigo é!

 

- Bagdá? - perguntou o turista.

- Não dou, não! - respondeu o barbudo

 

Tatu(s)agem na penumbra do estúdio subterrâneo enquanto toca uma música na toca.

 

Bazuca... ponta-ria, ria, ria!

 

Quer pagar(: até) q(d/t)o?

 

Redundantesco

 

Tem atacante que nunca é egoísta. Veja, por exemplo: quando é gol do Eto'o, é sempre de autoria de dois jogadores (gol dueto)!

 

Duas ou três pessoas??? Não é possível que você não saiba contar!

 

Time que está perdendo não faz catimba, compreendido?

 

O ritual cumprido será comprido.

 

Tal qual o internauta mais bem-intencionado quando clica para receber o grande prêmio de 1 milhão de reais, o tolo ser humano, sem perceber, encharca a natureza de vírus e cóleras incuráveis. Quem será o especialista desse amplo e caótico sistema? A atmosfera está pesada, mas persistimos, sem tentarmos o reboot... Porque se ele for tentado sabemos que talvez não frutifique. Que pena, já não podemos formatar o universo, não tem um "fora" para sermos salvos, dentro de cristais, em back-ups... Seria necessário que abdicássemos de ser quem somos, que abdicássemos de ser, que abdicássemos... Vermes que ainda chupam com suas ventosas o detrito final da barriga condoída.



Escrito por a mosca filosófica às 21:02
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NOITE NA TAVERNA & POEMAS ESCOLHIDOS

30/11/11

 

"A. de A. (Manuel Antônio) falece no Rio de Janeiro, no dia 25 de abril, aos 20 anos de idade (1852)."

 

"Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrafa são como os da mulher: só valem beijar enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava?"

 

"se entendeis a imortalidade pela metempsicose, bem! talvez eu a creia um pouco; pelo platonismo, não!"

 

"A nós frontes queimadas pelo mormaço do sol da vida"

 

"Na jangada do náufrago, no cadafalso, no deserto, sempre banhado do suor frio do terror é que vem a crença em Deus!"

 

"O ateísmo é a insânia (...) A verdadeira filosofia é o epicurismo."

 

"Depois enjoei-me dessa mulher. A saciedade é um tédio terrível."

 

"a Espanha, onde o clima convida ao amor"

 

"ou estás bêbado ou morto!"

 

"Bofé que encheram-me o crânio de chumbo derretido!..."

 

"ébrio como Noé, o primeiro borracho de que reza a história!"

 

"Pour quoi? c'est que mon coeur au milieu des délices,

  D'un souvenir jaloux constamment oppressé,

  Froid au bonheur présent, va chercher ses supplices

    Dans l'avenir et le passé?" Alexandre Dumas

 

"Quanto a amantes, meus amores eram como a sede dos cães das ruas, saciavam-se na água ou na lama..."

 

"- Que tens, Johann? tiritas como um velho centenário!" Johann, o fratricida incestuoso inconsciente.

 

"Vinte anos!... não vivi um só momento!"

 

"E por três noites padeci três anos"

 

"Basta de Shakespeare. Vem tu agora,

  Fantástico alemão, poeta ardente"

 

"Meu quarto, mundo em caos, espera um Fiat!"

 

"e eu acordava

  Arquejando a beijar meu travesseiro?"

 

lazzaroni: vagabundo em italiano!

 

"Como o vinho espanhol, um beijo dela

  Entorna ao sangue a luz do paraíso.

  (...)

  E que ela fosse leviana e bela

  Como a leve fumaça de um charuto!"

 

"Desconfio que a moça me namora!..."

 

"Vale todo um harém a minha bela,"

 

"Que noiva!... E devo então dormir com ela?

  Se ela ao menos dormisse mascarada!"

 

"Não pode haver inferno com Senhoras!"

 

Dizem que balada no céu é como as terrenas: mesmo de graça, de mulher é carente!

 

"Te amo tanto que não ouso te amar." Marot

 

Dulce Néscia

 

"Todo o meu ordenado vai-se em flores"

 

"Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido

  Cujo sol (quem mo dera)! é o dinheiro...

§

  Minha desgraça, ó cândida donzela,

  O que faz que meu peito assim blasfema,

  É ter para escrever todo um poema

  E não ter um vintém para uma vela."

 

"Solta essa trança tão bela,

  Quero nela suspirar!"

Maníaco pelos cabelos ela soltar!

 

"nos seios da perdida!"

 

"mimosa"

 

"Não acordes tão cedo! enquanto dormes
  Eu posso dar-te beijos em segredo..."

 

"Venderiam o beijo derradeiro

        Da virgem que os amou!"



Escrito por a mosca filosófica às 16:31
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FUCOZADAS 2011 & NIETZSCHEANISMOS

02-23/11/11

 

Seres pouco imaginosos observam o panorama neutro do alto da montanha.

 

Os gays se acham muito extrovertidos, mas ainda são muito introvertidos para o que requer a espécie humana.

 

Versos de Drummond:

"Em vão mulheres batem à porta, não abrirás,

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

(...)

E nada esperas de teus amigos."

"Chegou um tempo em que não adianta morrer."

"Amar a nossa falta mesma de amor"

 

"apenas ânsia de um beijo que nunca foi dado" Iracema Macedo, filósofa

 

"Assim, ao mesmo tempo em que Rousseau é o interlocutor comum a Sade e Nietzsche é também objeto de paródia e refutação incondicional."

 

"Não existem sujeitos nas orgias."

 

com um(a) tal(e)vez(a) eu te conquisto

 

OS 5 PREFÁCIOS PREFACIADOS POR SÜSSEKIND

 

Citações nietzscheanas (seriam inéditas para mim?):

 

"Sua viagem para a imortalidade é mais penosa e mais acidentada do que qualquer outra, e contudo ninguém pode acreditar com mais segurança que chegará à sua meta do que o filósofo, porque ele não saberia onde deve ficar, se não fosse sobre as asas vastamente abertas de todos os tempos"

 

"Desejamos que ele [o leitor] seja suficientemente formado para pensar em sua formação de modo restrito e até desdenhoso."

 

"a escravidão que se esconde de si mesma" "mentiras transparentes"

 

"e se chegasse a ser verdade que os gregos sucumbiram por causa da escravidão, é muito mais certo que nós sucumbiremos por causa da falta de escravidão" déjà vu

 

"fica muito claro (...) que o estado não se fundamenta no medo do demônio da guerra" "terei que entoar oportunamente um canto de louvor à guerra."

 

Várias citações homéricas, foi bom ter deixado para ler A Ilíada em 2011.

 

"um ensinamento secreto da conexão entre estado e gênio", enxergado mesmo em Platão, que rejeita o gênio artístico. Porque o estado só faria sentido como um pathos de um homem só, ou de pouquíssimos. Nem que se queira ele poderá ser apoderado pela base da pirâmide!

 

"a cultura jornalística, a degradação máxima do processo iniciado pela dissociação entre pensamento e vida."



Escrito por a mosca filosófica às 19:40
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TUDO O QUE MAIS INTERESSA A UM HOMEM

20/09/11-14/10/11

 

0) SONHOS

 

02/10

 

1

 

Cachorros me mordam! Mas a mandíbula desses animais não me pode causar dano, eu posso pegá-los pelo focinho e arremessá-los.

 

2

 

Tranca tripla no banheiro, a porta parece menor do que o batente e é possível empurrá-la para frente e puxá-la para trás. Tento me proteger de uma criatura do porte de um rottweiler.

 

3

 

Tento fazer a reconciliação com a Jacky Fly.

 

4

 

Depois de dizer que detesto meu pai na frente dele, minha mãe e meu pai acham que a melhor atitude é cortar a minha Internet. Eu me ponho do lado de fora de minha própria janela, dependurado, e ameaço me soltar para o vazio...

 

08/10

 

1

 

Eu tinha de trocar as lentes dos meus óculos por outras melhores, e meu método pouco ortodoxo de fazer isso era comendo ou mordendo as lentes até que elas virassem simples cacos ou estivessem completamente rachadas.

 

2

 

Maniax me instrui para pegar algum ônibus de determinada satélite de volta para casa. Insegurança, falta de convicção de que a linha irá passar...

 

3

 

Eu estou no banco de trás e minha mãe dirige – como que me busca na escola. Mas faltava o outro, que estava atrasado. Meu irmão? Rafito! Havia alguma expectativa quanto a comparação de notas, quem sabe na prova de sociologia! Outro personagem de que me lembro agora é um bebê muito inteligente, de um ano, que seguro no colo e ele sorri. Não sabe falar mas entende tudo que eu digo. É loirinho.

 

4

 

Vasculho nas coisas do meu irmão e, numa profusão de revistas de mulher pelada, encontro várias Heroes, revista gringa de HQs e animes, edições antigas, valiosíssimas! Além disso, um dado simples de 6 lados!

 

02/11 (pós-Rivotril)

 

Saio bêbado pela W3 Norte, encontro o Maniax, ele se depara com um desafeto e leva uma surra, vários murros na cara. Passo num supermercado e compro coisas aleatórias, entre elas cerveja. Algo acontece que eu perco a memória. Já não sei onde estão as mercadorias.

 

De repente acordo em casa, as sacolas plásticas espalhadas pelo chão. Muitas são de salgadinhos, pois no fim das noites ébrias eu fico com muita fome. A embalagem da pipoca de microondas se encontra rasgada, ainda com algum conteúdo dentro. Devo tê-la inflado ainda no supermercado pedindo a ajuda de algum funcionário. Pouco tempo depois de acordar, brigo com minha mãe por motivos e através de termos incognoscíveis (porém recordo que minha principal queixa era a de que eu começara a ouvir e ver coisas que não existem – e meus pais não estavam acreditando). Dou tapas alternados nos dois lados de sua face, como fizeram com Jesus. Já como uma auto-represália, tento esmurrar meu próprio maxilar mas os socos não saem fortes como eu queria.

 

Pouco tempo depois, piso em uma latinha amassada de cerveja consumida. Lembro da utilização do remédio...

 

a) DOENÇA MENTAL E PSICOLOGIA

 

Medicina orgânica x medicina mental

 

Janet

 

Psicastenia – doença parecida com a minha. Doravante, qualquer outra assinalada com (*).

 

“astenia mental” (*)

 

Digamos que meu pai desenvolveu até a metade minha rica paranóia. (**)



Escrito por a mosca filosófica às 16:42
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“Mas o fluxo do pensamento permanece intacto na sua estrutura, mesmo se é mais lento nos psicastênicos (...) o neurótico, mesmo quando apresenta obliterações de consciência como o histérico, ou impulsos incoercíveis como o obsedado, conserva a lucidez crítica com relação a seus fenômenos mórbidos.”

 

(**) ou que nossas doenças estão em troncos antitéticos: a psicose para ele e a neurose para mim.

 

“a essência da doença não está somente no vazio criado, mas também na plenitude positiva das atividades de substituição que vem preenchê-lo.”  “A doença não é uma essência contra a natureza, ela é a própria natureza, mas num processo invertido”

 

Psicastenia de novo – p. 21

 

Alerta: estar já trocando o diálogo pelo monólogo. “Como o professor psicastênico que só podia proferir sua conferência diante do espelho.” “eis porque tantos sujeitos, obsedados ou psicastênicos, apresentam, quando se sentem observados, fenômenos de liberação emocional, como os tiques, as mímicas, as mioclonias de toda espécie.”

 

O peso de um simples cumprimento, da opinião que irá deixar. “o sorriso (...) se destaca (...) como a expressão de uma ironia que se cala e ameaça. O universo da perseguição brota de todos os lados”

 

“o critério social da verdade já não tem mais valor para o doente”

 

“os psicanalistas rejeitam cada vez mais a noção bio-psicológica de libido”

 

O absurdo da comparação entre o doente mental e o primitivo ou a criança.

 

paranóia (sensos semi-comprometidos)=>oniróia

 

De certo modo o que eu disse atrás não se encaixa: por ser “menos doido” (ou refletir em cima disso), eu não sou uma loucura mais bem-desenvolvida e lapidada, como se torna óbvio! E enquanto eu/ele puder envelhecer e piorar...

 

“O erro originário da psicanálise e depois dela da maioria das psicologias genéticas, é, sem dúvida, não ter apreendido estas duas dimensões irredutíveis da evolução e da história na unidade do devir psicológico.”

 

A ambiguidade de Freud: a meio caminho de ter superado as concepções evolucionistas.

 

“irrealizar o presente” nos doentes; o passado é o futuro; games, sexo (“você precisa de uma terapia”)... Escola.

 

“o obsedado defende-se sobretudo pelo isolamento” “o paranóico caracteriza-se pelos mecanismos de auto-referência” “angústia (...) a apoteose sensível da contradição psicológica” Pináculo DBZiano: as lágrimas de Vegeta e a expressão incrédula e colérica de Goku.

 

35: descrição do comportamento do meu pai

 

Obviamente, meu quadro traz a vantagem de eu me forçar a fazer um compêndio, de eu me voltar para mim mesmo e as coisas que passaram. As pessoas da minha idade ainda vivem “no presente” e otimistas em relação ao futuro. Os “normais” (Véber?). Eu só antecipei a crise de meia-idade/pós-morte-paterna?

 

“monotonia circular”

 

Angustiódromo

 

quer viver, quer sentir o dissabor

 

Por que penso na minha avó Maria? Maria Clara Gamotivos para não se matar. Gamo em você. Não queria mais agir... 2003, 2004, 2007... 2010, 2011. Intervalos palpitantes. Palpites burros e errados. Será que ainda estabelecerei contato contigo neste misterioso dia de... 2012? Me descafeinando... Trabalho, a maior angústia – não ter tempo para angústias. Reprisinfinita represa de sensações. Por que vc não luta? A minissérie crossover de Seiya Balboa. Angústia mesmo de terminar o texto. Ninguém aperta o botão vermelho. Ninguém que conta (que quer trepar) seus males espanta. Angustia priori.

 

Quando o doente pensa não estar doente e apenas se comportar de maneira sui generis.

 

“preocupações hipocondríacas que se encontram tão frequentemente na psicastenia” “[o doente] vê no começo da doença a explosão de uma existência nova que altera profundamente o sentido de sua vida, com o risco de ameaçá-la.” “Apreendem a doença como um destino [ler e escrever isso como pura Moira]; ela só termina sua vida rompendo-a.” esse tempo todo fui enganado. Por isso, todo o “esforço acadêmico” foi vão.

 

“termos técnicos da filosofia heideggeriana” – LÁ VEM!

 

“sentimento de estranheza diante da linguagem, o sistema de expressão, o corpo do outro”

 

45: o mesmo efeito da maconha como surto esquizofrênico em uma paciente – meu distúrbio x5? “como se toda a sala só fosse dentes” “a consciência não pode mais reconhecer seu corpo”

 

No começo da Idade Moderna, era-se bastante complacente com o comportamento do louco. Condenou-se o criminoso ao mesmo tipo de segregação que o louco.

 

Pinel, médico francês. Posteriormente, nome de um hospício.



Escrito por a mosca filosófica às 16:41
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b) HISTÓRIA DA SEXUALIDADE

 

DIC: jouir (francês) – gozar

        kairos (grego) – o momento oportuno

        pituíta – muco

 

Ainda parecemos uns vitorianos! Ou eles eram mais bem-resolvidos?

 

Quarto dos pais, o “antro sagrado do sexo”, recanto exclusivo da permissividade. Isso até cada jovem ter o seu carro...

 

Masturbar-se 2x por dia em tempos de extrema ansiedade...

 

“No que diz respeito ao sexo, talvez a mais inexaurível e impaciente das sociedades seja a nossa.”

 

Jurandir Freire Costa

 

20 (PDF): reflexões sobre Don Juan

 

29: a sociedade da confissão – revelações sórdidas viram até livros!

 

“a guerra contra o onanismo, que durou quase 2 séculos no Ocidente.”

 

Charcot, o “mestre” de Freud.

 

O fosso entre o didatismo enfadonho de um Therborn e a real histosociologia.

 

“nós entramos em uma fase de regressão jurídica”

 

“Hoje em dia, a compreensão plenamente consciente do instinto sexual importa mais do que o ato sexual.”

 

74: sobre a pecha de “tarado” de Freud

 

* * *

 

7: Burckhardt

 

Engraçado como tanto há o discurso da verdade acessível através da transa como da verdade através da abstinência/do celibato.

 

22: o prazer anal masculino em Aristóteles!

 

Resta saber se seria vergonhoso se o próprio Zeus fosse afeito a essas coisas – há relatos homossexuais na mitologia?

 

“O excesso e a passividade são, para um homem, as duas formas principais de imoralidade na prática dos aphrodisia [termo lato dos gregos para designar ‘relações sexuais’ ou algo que disso se aproxime].”

 

“É conhecido o gesto escandaloso de Diógenes: quando tinha necessidade de satisfazer seu apetite sexual, ele se satisfazia a si próprio em praça pública.”

 

Sexo, usualmente à noite, na Grécia.

 

Antístenes “se dava a qualquer uma”, a primeira que aparecesse em sua frente, feia ou bonita. Mas não se entrega ao excesso, não é hedonista: é uma medida para atender a um pedido urgente do corpo, que se repete apenas de espaços em espaços.

 

Xenofonte – Memoráveis (Xenofonte também possui uma obra denominada Banquete)

 

Incesto como questão de eugenia: assimetria de idades e descendência arruinada (um dos dois da cópula já passou do apogeu). Exemplo clássico encontrável: Aquiles-Pátroclo (primos)!

 

Pseudo-[nome do filósofo], nos diálogos antigos: o que quer dizer? Ficção com fundo de verdade? Atribuição duvidosa. Não-raro, de um discípulo ou de alguém póstumo que tem parentesco com a escola de pensamento do autor nomeado.

 

Coisas que interrompem o meu sono: muriçocas, cãibras, diarréia súbita, mendigos bêbados, pesadelos...

 

Normalmente o nome próprio grego em Francês é como o Português mas sem a sílaba final: Antiphon – Antifonte, Xenophon – Xenofonte, Aristote – Aristóteles.

 

32: o espírito agonístico – “Os adversários que o indivíduo deve combater não estão simplesmente nele ou perto dele. São parte dele mesmo.” Platão: “o mais vergonhoso dos fracassos consiste em ser vencido por si mesmo”.

 

“A virtude na ordem dos prazeres não é concebida como um estado de integridade mas como uma relação de dominação”

 

35: o sábio que pensa em coisas antes de dormir, para chamar o sono, em Zaratustra, é pitagórico!



Escrito por a mosca filosófica às 16:41
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Platão, nas Leis, fala de minha facilidade com os livros: “Aquele que quiser se sobressair um dia no que quer que seja deve se aplicar nesse objeto desde a infância, encontrando, ao mesmo tempo, seu divertimento e sua ocupação em tudo que se relacionar com ele.”

 

36: paideia

 

“O mais real dos homens é rei de si mesmo.” Platão

 

“mau tirano” => “os abusos sexuais do déspota, quando ele se põe a desonrar os filhos – meninos ou meninas – dos cidadãos, são frequentemente invocados como motivo inicial dos complôs para derrubar as tiranias e restabelecer a liberdade: assim foi com Pisístrato em Atenas, Periandro em Ambrácia e outros mais que Aristóteles menciona no V livro da Política.” Honra pública que mais de 2200 anos depois Berlusconi não aprendeu a preservar...

 

“A temperança é, no sentido pleno, uma virtude de homem.”

 

Para o grego, a chave ativo/passivo era mais relevante na atribuição de um “gênero” à pessoa (não existia “opção sexual”).

 

Hipócrates, o primeiro médico.

 

“O regime físico não deve portanto ser cultivado por si mesmo de modo demasiado intenso.” Platão

 

“é necessário reter que a dieta não é concebida como uma obediência nua ao saber do outro: ela deveria ser, por parte do indivíduo, uma prática refletida de si mesmo e de seu corpo.”

 

Acabo de ler que Sócrates estimulava os outros a anotar coisas!

 

Há bulimia desde Hipócrates! “vomitório três vezes por mês para os temperamentos úmidos, duas vezes por mês para aqueles que são secos.”

 

Um temperamento úmido em público pode denunciar o quanto alguém é seco por dentro e vice-versa.

 

“ninguém deve fazer uso freqüente e contínuo do coito” Diocles, com ressalvas para os mal-humorados, depressivos, peidorreiros e gordos! Pré-adolescentes e idosos estão proibidos.

 

Esquema aristotélico:

frias, úmidas, ápice da ninfomania no verão

♂ quentes, secos, ápice da ninfomania no inverno

Negociações? Outono-primavera? Eu fui feito no inverno – isso explica minha excelência?

 

 

O que falam esses pudicos sobre orgias? Onde está? Chatinhos!

 

É verdade que todas as vezes que lembro de sofrer polução e acordo estou na mesma posição, deitado de costas. Mas ejacular no sonho nada significa além de certa umidade no prepúcio e intensa ereção. Tampouco evita de interromper seu sono.

 

55: sobre a abstenção nos atletas

 

Os gregos acreditavam que o sêmen era produzido pelas, ou pelo menos atravessava as, costas, região da medula espinhal. “é da cabeça que [o esperma] viria”, dizem outros.

 

A mulher após o gozo (58), ainda sentindo prazer enquanto o homem não ejacula.

 

Demóstenes – Contra Nera [a cartilha “anti-feminista” de então]

 

Relações de poder do lar são o microcosmo da Política de Aristóteles: uma aristocracia quando a casa é bem-governada; uma oligarquia quando a mulher não cumpre seu papel e o marido acumula funções demais. Em outras formatações, o “governo” pode descambar para o caos da tirania, da “maioria” ou de 1 só.

 

O amor do varão por outros rapazes na Grécia se dava sobretudo em tenra idade, na adolescência. A assimetria da idade (mestre-discípulo). E afinal, beijar o Ashton Kutcher não deve ser melhor do que beijar a Katz?

 

“a relação entre dois homens feitos será mais facilmente objeto de crítica ou de ironia: é porque a suspeita de uma passividade, sempre mal vista, é particularmente mais grave quando se trata de adulto.”

 

“todo um jogo de adiamentos e de chicanas destinados a retardar o término e a integrá-la numa série de atividades e de relações anexas.” O cu doce/coquete viril. Correr através dos bosques e até mesmo rumo à escola atrás de seu amado púbere! E, aliás, é a primeira barba que leva à idade adulta.

 

philia”, a amizade entre dois homens maduros, que nasce do ocaso do amor, que é necessariamente ligeiro.

 

Imagina ter uma idade em que será alvo contumaz de cantadas? Uma espécie de ser mulher, impensável hoje!

 

Na Antiguidade, não deixava de haver os aficionados por batidas de carros, embora fossem mais lentas e menos drásticas, com toda certeza.

 

Não há namoro hetero?

 

“prostituição masculina” – excluída da política

 

Parece que somando-se todas as civilizações conhecidas, a sodomia é o pior pecado. O beijo não é assimétrico como a metida no cu. Quando as mulheres fazem os cílios, elas estão caçando!

 

PROJETO – história de um escravo grego (1ª pessoa – o que ou como é ser objeto?) – eu mesmo nunca vi algo assim!

 

c) NIETZSCHE E A GENEALOGIA (microfísica)

 

Foucault leu até Paul Rée para comentar.

 

“a injustiça e a instabilidade no espírito de alguns homens, sua desordem e sua falta de medida são as últimas conseqüências de inumeráveis inexatidões lógicas de falta de profundidade, de conclusões apressadas de que seus ancestrais se tornaram culpados.” N.

 

“Má alimentação, má respiração, corpo débil e vergado daqueles cujos ancestrais cometeram erros” F.



Escrito por a mosca filosófica às 16:40
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VARGSMAL

25-29/09/11

 

DIC: gira (espanhol) – cruzada

        diana (espanhol) - alvo

 

“Todos estamos de acordo que um judeu que seja nazista é um judeu com um defeito espiritual, e que da mesma maneira um alemão que seja cristão é alguém com um defeito espiritual.” “O racismo alemão não é medo do estrangeiro, nem ódio, ou um complexo de inferioridade. É um signo de saúde espiritual e amor por si mesmo e por sua própria raça!”

 

“Hoje é mais difícil morrer que viver.” “Viver superprotegido é igual a abandonar suas próprias habilidades e perder, assim, por falta de uso, a resistência quando o perigo aparecer.” “Somos uma gente agonizante.”

 

“crença pagã Asatru” “paganismo wotânico”

 

“são as sagas familiares aquilo de que as crianças precisam para se desenvolverem de forma construtiva.” “Porque se nosso pai e mãe nada significam para nós, por que nós que somos seus rebentos deveríamos ser algo melhor?” “Algumas tradições dizem que se uma mulher grávida sonha com um morto, é porque o morto deseja nascer de novo a partir dela.”

 

“Eu me desgosto quando o Valhalla é comparado ao ‘paraíso’, como se fosse ‘o paraíso do pagão’. Esta é uma coisa sem sentido. No salão do pai-de-todos, come-se, bebe-se e se luta todos os dias.”

 

“São os jovens adolescentes quem menos tem temor de entrar em uma briga. Os mais velhos são mais covardes.”

 

As igrejas cristãs da Noruega eram construídas em lugares considerados sagradas para a arcaica religião pagã. Profanam-se assim as tumbas dos mortos. Seus parentes mais próximos seriam cristãos. Sobre a felicidade de ter podido escolher o próprio corpo de valores.

 

“judeu é sinônimo de misantropia”

 

“Os indivíduos morrem, mas um povo pode viver para sempre”

 

Noruega: os hiperbóreos insulares. Nor-way; tão simples!

 

Tyr: deus da guerra

 

Fenris, lobo que causava muitos problemas aos deuses e deusas de Asgard, foi detido por Thor em uma ilha, até que começasse o Ragnarok. Fenris representa a irracionalidade da própria humanidade, e na Batalha Final ferirá mortalmente Odin, causando, portanto, sua auto-destruição.

 

Por incrível que pareça, o modo de vida viking é uma suavização da era “Tyrânica” de força bruta, em que passa a imperar um maior coleguismo e a inteligência. Ética viking: não se deve golpear um homem que está caído ou muito mal.

 

Perfeito exemplo do estruturalismo mitológico: “Depois do próximo Ragnarok se esquecerão dos deuses de hoje, e haverá novos: Odin será substituído por Vidarr e Vali, Thor por Modi e Magni, Freyja por Hnoss, etc. Este é um processo eterno, e é realmente só outra opção de nome para o mesmo deus, pois os mesmos deuses vivem em seus filhos, do mesmo modo que ocorre conosco as pessoas.”

 

“Eu estou vivo hoje porque reagi com ira no lugar de medo quando ouvi que o comunista-homossexual me mataria! Se eu tivesse reagido com temor, então com toda sinceridade teria sido um covarde, e um covarde deve morrer.”

 

“Nós vivemos muitas vidas antes que o mundo decaia novamente.”

 

terça-feira=>martes=>Tuesday=>Tysdag. O DIA DA GUERRA.

4ª feira=>Odin-Wotan

5ª feira=> Thor (anotei isso em algum lugar!)

 

Era costume banhar-se apenas aos sábados, e lavar sua casa junto!

 

“Nos tempos Vikings nós éramos tão altos como nós somos agora, enquanto que estávamos na fase mais baixa para a estatura das pessoas durante 1700-1800.”

 

“A Dinamarca está separada da Noruega e da Suécia por um oceano, e é completamente diferente destes dois em sua natureza.” Os noruegueses sempre foram mais camponeses. Por outro lado, as outras duas etnias viraram piratas exploradores do mar. “Dinamarca era nosso escudo contra o poder do judeu” “[Suecos,] agora simples covardes.” Islândia, o quarto povo. “a bandeira da Dinamarca é a mais antiga do mundo” “Ter uma cruz (associada ao cristianismo na bandeira se converte em um bloqueio (mental) para entrar no reino pagão.”



Escrito por a mosca filosófica às 14:09
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“Nós sabemos que foi Leif Erikson quem descobriu a América” Ano 1000! “Leif” quer dizer “provido de sorte” no dialeto local.

 

“Zaratustra, que estabeleceu o reino Persa, era branco-ário”

 

P. 30 – Detalhes insossos de Marx: “Duas das filhas de Marx cometeram suicídio e morreram porque Marx não quis gastar o dinheiro para os remédios de que elas necessitavam.”

 

“simplesmente outro azulejo na parede judaica”

 

(HAHA) “Quando uma mãe dá a luz a um filho com um homem de outra raça, a possibilidade de dano cerebral aumenta a 20% devido à forma da pélvis.”

 

“nós cagamos castanho!”

 

Segundo os cálculos de Vikernes (37), os números do Holocausto são supervalorizados.

 

41: a baboseira “Illuminati”

 

Livro escrito em 97. É uma espécie de continuação do Mein Kampf!

 

“Eu, um jovem inteligente, saudável (modesto?) sou etiquetado como um ‘Satânico’ e ‘adorador do diabo’, tentam me retratar, além disso, como débil mental e louco.”

 

48: nomenclaturas do Black Metal

 

“Há muitas pessoas que me detestam fortemente. Por quê? Porque eu sou orgulhoso e arrogante como meus antepassados! Hoje a pessoa deve ser modesta e humilde” “Todos nós pagãos temos razões para sentirmo-nos bem com nós mesmos e melhor que todos os outros, pois nós somos bons.”

 

“Eu sou um loiro natural, tenho olhos azul-claro, e sempre vejo as fotos no jornal em que os quadros me retratam tão sombrio que neles parecia que tinha cabelo preto ou castanho escuro e olhos escuros. Um canal de TV sempre mostra minha cara assim para me fazer parecer um ‘horrível satanista’.” “eu só tingi meu cabelo de preto uma vez e nunca mais.” “Eu não apóio esses jovens magricelas que usam jaquetas de couro preto apertadas. Não posso suportar os ‘adoradores do diabo’, eles simplesmente são como os judeus-cristãos. Eu não apóio o chamado ‘black metal’, posto que o único metal que eu ouço é na verdade a música Arya norueguesa, como Darkthrone ou minha própria música Burzum, e não suporto ser comparado com outros inferiores.”

 

55: Pink Floyd, The Wall

 

“Já que é para fantasiar, poderia dizer que se alguma vez conseguir ir ao ‘céu’, estarei à frente de um exército que romperá o crânio de ‘deus’ e seus débeis anjos.”

 

Com 3 anos já pulava a cerca da escola. “A escola primária tomou minha vida e alegria de viver.” “O Ginásio (secundário) é a mais intensa fase da Judificação dos escolares! A Universidade é um passo além dessa intensa Judificação, mas o Ginásio o deixará louco, bastante louco para destruir o resto da saúde na alma de um estudante.” “Acusam os ‘Nazis’ de terem colocado ciganos e judeus em campos de concentração, mas hoje o Sistema judeu põe todas as crianças neles!” Aos 6, seu pai o ensinou a empunhar armas brancas.

 

“As pessoas são como os livros, e o mundo é como uma biblioteca.” Ler livros inteiros, e saber que um bom livro o levará a uma cadeia de bons livros...

 

“Comunicação sexual um só deveria ter com um livro em especial.” “tentar ter só uma parceira estável.” Sodomia como doentia.

 

Os gêneros – boa dissertação (60). Bissexualidade como fenômeno estritamente feminino. O atrair-se pela beleza, e não pela inteligência: “Os homens mais inteligentes pensam que as mulheres mais bonitas são igualmente inteligentes, senão mais inteligentes, então aquelas que não o são tanto necessitam parecer muito inteligentes para atrair um companheiro.” A mulher superior – exatamente! – é aquela que deixa o homem brilhar mais, para a despeito reinar verdadeiramente. Não compita, criatura! Ou antes, não do jeito errado...

 

63: sobre as gangues e brigas de bairro

 

O espaço já não vale mais nada...

 

Para ele, “Europa”, como colcha de retalho, não faz sentido. Só a Germânia e seus galhos...

 

A favor da legalização de todas as drogas – atalho para varrer a escória. Mesmo Coca e café seriam “drogas”. “É uma rotina diária para as mulheres usar creme hidratante na pele, o que diminui a habilidade da mesma de reter e produzir umidade por si mesma; a pasta de dente debilita a resistência da boca contra as bactérias que produzem cáries, e a escova de dentes, pela abrasão, pode debilitar o esmalte e outras partes.” “Nós também emitimos um odor natural próprio que necessita ser apreciado para não desaparecer.”

 

Ladra tanto, mas será que tem filhos? Devia ter pelo menos 6, todos loiros e brigões como o pai.

 

“A paz converteu o homem em um ávido usuário da prostituta, com um marcado complexo de inferioridade!” “A nós que não somos clientes da puta, os psicanalistas nos vêem como se estivéssemos cheios de complexos de inferioridade, como psicopatas e loucos, ou pelo menos explicarão nossas idéias e condutas como de pessoas mentalmente enfermas, só porque nós temos o instinto de um homem saudável.”

 

69: Nietzsche. Caminho para o super-homem: treinar. 20 minutos de alongamentos diários e serás um bailarino! “uma carreira rápido no bosque um par de vezes por semana” excusas excusas excusas... “Para estar de bom humor, abandonar o café e a comida pouco saudável”



Escrito por a mosca filosófica às 14:02
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O TEMPO DAS TRIBOS

03-12/09/11

 

Michel Maffesoli

 

* * *

 

06/09

 

1

 

Clarinha está tomando banho no meu banheiro, talvez de roupa. Eu e minha mãe mantemos uma conversa com ela, natural, Minha mãe do lado de fora do box apenas começa e depois me dá razão. Clarinha está debaixo do chuveiro e eu de frente para ela, rente à parede oposta. O cubículo parece bem maior aqui. O tópico da conversa parece ser a ascensão materialista na vida. A última parte: ela quer ter um MP3 Player, um absurdo! Fatalmente ele iria se quebrar, seria um desperdício. Eu testemunho que não tenho MP3 há muito tempo e que nem mesmo no celular tenho escutado as minhas músicas. Nesse momento da retórica eu pego meu celular – ele está à direita, como se a bancada negra onde se posicionam sabonetes e xampu se localizasse ali. Clarinha, debaixo d’água, chora...

 

2

 

O homem pensa que retira todas as possibilidades de vitória da mulher e sai-se rindo. Ela também ri, amargamente, e se joga da cobertura do prédio. Cai em uma varanda, do andar inferior, sendo fortíssimo o impacto.

 

3

 

Novos carrinhos para a minha coleção.

 

09/09

 

Diogo e Gnomo me levam para algum agito, no Santana. Gnomo dirige, muito imprudentemente. Eu vou no banco de trás. Me oferecem vodca e eu perco a consciência. Gnomo vira um copo de suco de laranja sobre o próprio peito. Passamos em frente ao INEI na 6N, parece que vamos estacionar na UnB onde garotas nos esperam...

 

11/09

 

1

 

Diogo diz que algum amigo seu diluiu álcool em alguma outra bebida, produto que tinha um nome muito original e que possuía 90% de teor alcoólico. Aloísio ouve sua estória.

 

2

 

Eu voltava a estar nos pátios e vegetações do CMB numa espécie de reconciliação – fazíamos esquerda e direita-volver como se não houvesse amanhã. Tinha uma conversa amistosa com um tenente-coronel gordo e bonachão.

 

3

 

Jogava golzinho com meu pai, tentando “refazer” jogadas da final da Copa de 70 (Carlos Alberto Torres).

 

4

 

Pago ingresso do cinema: é um filme de animação infantil. Não entro na sala de exibição, apenas fico do lado de fora catando docinhos nas estantes (desses de chocolate e coco das festas).



Escrito por a mosca filosófica às 12:42
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* * *

 

DIC: prospectivo – relativo ao futuro

        acaciano – sujeito afetado, grave, porém desprovido de conteúdo

        taken for granted – aceito como óbvio

 

P. 9 (PDF): um livro somente para “espíritos livres”. Abordagem holística x monográfica. “Essa é a ambição deste livro. Sociologia sonhadora!”

 

“cada época repete, de maneira aguda, múltiplas variações em torno de alguns temas notórios.”

 

“O individualismo é um bunker obsoleto” “a astrologia, em particular, não pode mais ser considerada um assunto de mocinhas sonhadoras.” Antigamente a astrologia cuidava do destino da cidade. “dar calor humano”, dar colo, “cerrar fileiras”, “corrente para frente”... “Viver sua morte quotidiana”

 

21: Le Bon

 

Os franceses e o fascínio pelo Minitel.

 

29: Holderlin e Nietzsche: “É também na solidão do atalho de Eze, que este outro ‘louco’ sofreu a irrupção dionisíaca.”

 

113: rasgação de seda a Morin. Como se pudesse ser diferente!

 

Bouglé, que defende o retorno das castas.

 

O grande exemplo do Japão para se tergiversar sobre Ocidente-Oriente e tradição-modernidade.

 

“O catastrofismo vigente permanece, de fato, muito dialético (hegeliano), muito linear (positivista), e, ainda por cima, cristão (parusia), para conseguir apreciar as múltiplas explosões de vitalismo que caracterizam todos esses grupos ou ‘tribos’ em fermentação constante, que se encarregam, de um modo o mais imediato, dos múltiplos aspectos de sua existência coletiva. Trata-se do politeísmo. Mas isso, como freqüentemente ocorre, os intelectuais, e mais precisamente os sociólogos, só compreenderão post festum!” [primeiro e terceiro grifos: do autor; segundo grifo: meu]

 

“Se na tradição psicanalítica cito Groddeck, é (...) que ele se baseia em Nietzsche, cuja atualidade ainda não foi totalmente explorada” Cita Nie., mas não está na bibliografia...

 

“já sabemos, desde Durkheim que a efervescência é o indício mais seguro daquilo que é prospectivo, daquilo que é chamado a durar, talvez mesmo a se institucionalizar.” Falando em Durkheim, o presente autor oferece leis sociológicas, para quem diz que isso é impossível ou impraticável. 64: Durkheim e sua obsessão pela solidariedade; o anacronismo do modelo ambivalente. 122: Maffesoli e sua sugestão – o ideal seria INVERTER solidariedade orgânica e sol. MEC. uma pela outra! Era fluido e ficou rijo...

 

34: a volta do Tao. 36: sobre o “ressurgimento do religioso”. 43: da utilidade do diabo.

 

La Boéthe (PAS)

 

“Os membros das classes populares são desde sempre os epicuristas da vida cotidiana.”

 

Poder: exercer dominação e controle sobre outros

Potência: sobreviver (o escravo, o fraco, o submerso sempre exercem potência... A passividade consciente e inteligente é esse exercício.)

 

“Fim da política” não significa “império do indivíduo”, mas o contrário!

 

Se entrosa bem com os três clássicos. É de nomes assim que eu preciso. Me admira a Kátia babar por ele!

 

56: “habitus” de Mauss, que quer dizer a mesma coisa do habitus do “original” Bode-ê.

 

“Eu não pretendo participar desse sarapatel moral que atualmente está no rigor da moda.”

 

Anarquia não é precisamente o descontrole, o caos e a ausência ou supressão de regras, mas a organização sem-Estado.

 

Otimismo... “a justa vingança dos valores do sul contra os do norte.”

 

78: sobre a segmentação de classes nas praias brasileiras.

 

Proletariado: realidade-unidade efêmera do XIX; a multiplicidade sempre vence.

 

“Podemos observar, com efeito, que, com o auxílio da micro-informática, essas formas de associações em vias de extensão que são as redes (o neotribalismo contemporâneo) se apóiam na integração e na recusa afetiva. Este paradoxo, signo patente de vitalidade, é, em todo caso, uma chave das mais úteis para qualquer procedimento compreensivo.”

 

“Dionísio, deus (semi-deus?) tardio, perturba o helenismo clássico, mas permite que ocorra a eclosão do helenismo.” “a civilização enlanguescente necessita dos bárbaros para regenerá-la.” Recorre muito a exemplos místico-dionisíacos bobinhos do Brasil, quando sente mais necessidade de suprir lacunas empíricas em sua tese.

 

Amante de Simmel.

 

“Je suis son Homme” – juramente do vassalo no ato de posse.

 



Escrito por a mosca filosófica às 12:40
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SEXO E PODER – A Família no Mundo – 1900-2000

09-16/08/11

 

Göran Therborn

 

Westermarck, pré-freudiano a caracterizar o tabu do incesto. Le Play, anterior mesmo a Durkheim, brilhante estatístico da família moderna.

 

30: o potestas romanum, direito inalienável do pai sobre a prole (mesmo de tirar-lhes as vidas).

 

39: a França e a Alemanha como países europeus (com exceção da Rússia) mais conservadores para casamentos na virada do século.

 

Ibsen – Casa de Boneca

 

56: Seneca Falls – importante etapa do feminismo americano.

 

68: o Código de Manu data de 2500 anos. Comparado aos cânones hinduístas, o Islã é bastante flexível.

 

Até o Descobrimento do Brasil, em Portugal, se cometia o sati, ou seja, a execução (voluntária ou não) da viúva juntamente aos restos mortais do marido! “Cultos”

 

Constatação óbvia ou surpreendente, a depender do prisma: uma sociedade matrilinear é chefiada, mesmo assim, por homens, “o sexo mais excelente”.

 

92: transição japonesa Tokugawa=>Meiji. Meiji significava paz, mas se resumia em um imperialismo bélico. 210: mais dados sobre o Japão de Kenshin.

 

 

101: o “Utopia” chinês

 

103-4: poligamia como fenômeno mais raro do que se pensa em qualquer cultura; característica do divórcio unilateral masculino muçulmano dos “3 repúdios”.

 

118-9: Lenin – ou seria Stalin?

 

O aborto não-criminoso precoce na Rússia.

 

Um sujeito que cita duas vezes Francis Fukuyama com ¼ do livro tende a perder meu respeito!

 

154: os reacionários americanos

 

163-4: os hilários classificados matrimoniais indianos. “A garota deve ser simpática, esguia e educada.” “ganhando cinco algarismos” 167: a poluição pela comida. 198: “A antiga lei hindu diferenciava oito formas de se adquirir uma esposa e as listava em uma classificação virtuosa, estando enamorar-se ou apaixonar-se entre as menos virtuosas, na posição seis.” [Gandharva]

 

181: o trick or treat chinês!

 

206: finalmente, Freud

 

244: será que nunca se transou tanto quanto no Nazismo? 370: “Durante a guerra, quando se realizaram as esterilizações eugênicas, o natalismo era mais irrefreável: ‘A coisa essencial para o futuro é ter montes de filhos’, disse Hitler (que não tinha nenhum) a seu próprio círculo em outubro de 1941.”

 

A poliginia (poliandria ainda nem foi citada no livro) é fenômeno mais freqüente na África, onde chega à metade da população em alguns países. Ex: Nigéria e Senegal.

 

278: espécie de atualização de Durkheim

 

293: importante peculiaridade lingüística do Sueco, que adotou o “tu” somente nos anos 60.



Escrito por a mosca filosófica às 11:47
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APOCALÍPTICOS E INTEGRADOS

25/07/11-08/08/11

 

Umberto Eco

 

“la cultura es un hecho aristocrático, cultivo celoso, asiduo y solitario de una interioridad refinada que se opone a la vulgaridad de la muchedumbre:

 

‘Por que quereis arrastar-me a todas as partes, ó ignorantes? Eu não escrevi para vós, mas para quem possa me compreender. Para mim, um vale por cem mil, e nada a multidão.’ Heráclito”

 

“Caeterum in claustris coram legentibus fratibus, quid facid ridicula monstruositas, mira quaedam deformis formositas ac formosa deformitas? Quid ibi immundae simiae? quid feri leones? quid monstruosi centuari? quid semihomines? quid maculosae tigrides? quid milites pugnantes? quid venatores tubicinantes? Videas sub uno capite multa corpora, et rursus in uno corpore capita multa. Cernitur hinc in quadrúpede cauda serpentis, illinc in pisce caput quadrupedis. Ibi bestia praefert equum, capra trahens retro dimidiam; hic comutum animal equum gestat posterius. Tam multa denique tamque mira diversarum formarum ubique varietas apparet, ut magis legere libeat in marmoribus quam in codicibus, totumque diem occupare singula ista mirando quam in lege Dei meditando. Proh, Deo! Si non pudet ineptiarum, cur vel non piget expensarum?”

 

P. 12 – o super-homem de Nietzsche tal qual enxergado por Gramsci (do autor, vale consultar Literatura e Vida Nacional): o protagonista dos folhetins oitocentistas, entre eles o Conde de Montecristo (Alexandre Dumas, também escreveu Os 3 Mosqueteiros), Athos [?], Rodolfo de Gerolstein e Vautrin (Balzac).

 

“mito nostálgico” “invitación a la pasividad”. Horkheimer e o método da negação. Adorno – Minima Moralia / O Caráter Fetichista da Música e a regressão da audição. O crítico que se deixa cegar pelas emoções. Eis o Apocalíptico. “Manifestação mal-dissimulada de uma paixão frustrada, de um amor traído.”

 

É kitsch criticar o kitsch. Esnoba a Sessão da Trade, a despreza; mas na verdade não consegue resistir a ela!

 

“Espelhos, nenhum ser consciente descreveu o que vossa essência oculta...” Rilke

 

“Sua conspiração é, quiçá, induzir os seus a desligarem a televisão. Mas que esta permaneça ligada para os demais, é evidentemente uma fatalidade à qual a crítica não pode se opor.”

 

Estranhamente meta-!: “Poderá vir o momento em que nos confessamos a nós mesmos que o Dom Quixote (ou qualquer outro livro) não nos interessa, e aí está o começo da sabedoria.”

 

Para quem já pensou em fazer um RPG de “O Profeta”...

 

“yuxtapuesta” “distracción snob”

 

Gillo Dorfles (antiga recomendação Marco Antônio): A Oscilação do Gosto / O Dev(en)ir da Arte

 

71: 1ª descrição das HQs (oposição à Biblia pauperum).

 

84: o eterno engodão de Aristóteles

 

94: trechos de O Velho e O Mar de Hemingway

 

Saussure – Cours de Linguistique Générale

 

Boldini, pintor que atravessa o XIX e o XX, talvez o 1º evocador de pin-ups e do que seria a pornografia.

 

Cuidado com os adjetivos! Já venho com a impressão de que em alguns trechos meu último conto (“O CULPADO DE SÍSIFO”) se assemelha mais a literatura barata.

 

O que a Gizelle havia dito: Joyce é o precursor de inúmeras técnicas do Cinema, muitas delas popularizadas por Kubrick.

 

148: explicação da gíria “X9”

 

160: sobre Bourdieu e Passeron

 

163: recorre a Hume

 

175: Morin e Marilyn Monroe. Vire-se a p. para Morin + niilismo e a ascensão do HUMOR.

 

191-2: O Rei Rodolfo de Eugène Sue, mal-interpretado como sinônimo de subseqüente a Zaratustra?

 

224: Lukács chama Joyce, Proust e Kafka de escritores decadentes. Barilli contrapõe-se.

 

227: Moby Dick

 

246: Superman... teria sido uma excelente aula... Na minha cabeça sempre é!

 

251: as duas faces de Janus do Superman

 

257: o paradoxo de Langevin, do homem que viaja a 300 mil km/s e quando retorna à Terra todos de sua geração já estão mortos.

 

258: Supergirl é prima de Superman!; a verdadeira morte do s-h... Casar-se com uma colega jornalista já é avizinhar-se dela... Lembremos que a Mônica e o Cebolinha todo ano comemoram o aniversário...

 

259: a homossexualidade no DC Universe!

 

273: o vestuário gay. E colorex.

 

276: Smallville e a calvície de Luthor

 

282: Denis The Menace

 

Minduim é Charlie Brown! E o Snoopy, Xerêta. Esta sim a série de quadrinhos filosófica, em detrimento do Superman.

 

302: “falamos naquela tendência primitiva (que emerge até mesmo [e sobretudo!] no mais culto de nós), que nos leva a fruir, durante o dia, daqueles momentos de repouso e distensão em que o apelo elementar de um ritmo repetido, de um jogo já conhecido, de uma brincadeira verbal ou de um modelo narrativo sem imprevistos, se revela como complemento indispensável de uma vida psíquica equilibrada.”

 

Temo que jamais o jazz possa vir a ter para mim o mesmo tipo de apelo que o metal.

 

310: Rita Pavone e Paul Anka

 

328: sobre o diretor de imagens da televisão

 

368/377: o selvagem e o cinema



Escrito por a mosca filosófica às 11:23
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A MISÉRIA DOS QUE CRÊEM

18-21/07/11

 

a) EM QUE CRÊEM OS QUE NÃO CRÊEM? Umberto Eco / Carlo Maria Martini

 

“A experiência demonstra que somente nos arrependemos daquilo que pressentimos poder fazer melhor.” padre

 

“Não é pois, ainda o momento de deixar-se embebedar pela televisão, enquanto esperamos o fim.”

 

“Há ascetas orientais que cobrem a boca para não ingerir e destruir microorganismos (sic) invisíveis.”

 

b) MISÉRIA DA FILOSOFIA

 

Mészáros e Lukács reafirmados como bons intérpretes.

 

Ideologia Alemã referido como um calhamaço!

 

“o primado ontológico da economia, que funda a teoria social moderna, descoberto por Marx, opera no interior de uma estrutura teórica que produz um objeto (teórico) para reproduzir um objeto real na perspectiva da totalidade.” Sobre a “eleição da variável” José Paulo Netto.

 

Em algo, Proudhon fora mais sábio: enxergou a Face de Janos do Socialismo.

 

c) CRÍTICA AO PROGRAMA DE GOTHA

 

26: “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual segundo suas necessidades.” Já no comunismo.

 

31: lição soviética: fazer a revolução nacional e isolar-se não é mais do que uma traição.

 

35: Lassalle, o principal inimigo. Saudade desses tempos combativos de honra aos grandes adversários que não vivi. Nunca tive um adversário, nunca vi um grande homem e não sabemos o que é honra; quanto mais se se imaginar que este inimigo ideológico deveria estar quase que na minha causa ou time – um nietzscheano alternativo! Impossível!

 

“Esta fantasia de que com empréstimos do Estado pode-se construir uma nova sociedade como se constrói uma nova ferrovia é digna de Lassalle.”

 

42: “a ditadura revolucionária do proletariado.

 

“o Estado [burguês, lógico] do futuro, na Suíça”

 

46: o sistema “socialista” de Fidel (saúde e educação). “designar o Estado como educador do povo! (...) é o Estado quem necessita de receber do povo uma educação muito severa.” HAHA!

 

“a combinação do trabalho produtivo com o ensino, desde uma tenra idade, é um dos mais poderosos meios de transformação da sociedade atual.”

 

61: Engels tripudia do socialismo francês e da noção de “igualdade absoluta” que querem para o comunismo, reflexo dos ideais burgueses da Revolução de 1789.



Escrito por a mosca filosófica às 09:57
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MITO DO ETERNO RETORNO

Eliade, Mircea

 

14-18/07/11

 

{SONHO1

- Aldo vilão – me dava carona de moto até a Asa Norte, e o veículo parecia muito fácil de virar;

- Beijos quentes e apalpada de seios com Tania – garota sorridente, pequena... “deditos”;

- Dando aula para Árlesson e Júlio César na mesma sala;

- Péssimo no futebol – brincadeira do bobinho –, perdendo até para uma mulher (ó, mas que misógino!).

 

SONHO2

- O boo que pegou a estrela. Também sonhei que fazia tanto calor que eu tinha que ligar o ventilador.}

 

Cosmo x História. Para o homem primitivo, “Tudo o que ele faz já foi feito antes”. Na era do ouro (in illo tempore)... Adão teria sido enterrado abaixo do lugar em que Jesus foi crucificado. Esse mesmo sítio, o Gólgota, teria estado em uma altitude suficiente para não submergir perante o Grande Dilúvio. “umbigo do mundo”

 

“tour” em francês é torre.

 

P. 27 – “Os aborígenes da região sudeste da Austrália, por exemplo, praticam a circuncisão com uma faca de pedra, porque foi assim que seus ancestrais lhes ensinaram a fazer”

 

Amantes rolando no orvalho matinal... “as orgias realizam-se em certos períodos críticos do ano, como, por exemplo, no momento em que brotam as sementes ou a plantação amadurece para a colheita, e sempre há uma hierogamia [sexo entre um deus e um humano] como seu modelo mítico.” “a libertinagem vista como regra na Europa central e do norte, no momento do festival da colheita, e contra a qual as autoridades eclesiásticas lutavam com enorme persistência.”

 

Na Antiguidade, dois séculos parecem o bastante para canonizar uma biografia. Entre nós, exceto para a Igreja Católica, nenhum milênio (se bem que nosso estilo moderno de pensar não durou ainda 1000 anos) serve para consagrar ninguém com feitos fantasiosos, folclóricos (justamente porque nos opomos ao folclore).

 

A não ser... Especulações e boatos jamais esclarecidos totalmente acerca dos mais venerados. E Homero não fala duma guerra ocorrida dois séculos antes no tempo?

 

61: quando Marduque vence Tiamat. “do mesmo modo que o desaparecimento da lua nunca é final (...) o desaparecimento do homem tampouco é final” “o Grande Ano” – Beroso // Heráclito => fragmento 26B =66D

 

86-8: páginas mais instigantes – o autor afirmará em Prefácio que seu E.R. nada tinha a ver com aquele nietz., mas posso verificar que esse, que foi o chamariz da minha leitura, afinal, está sendo contemplado.

 

97: absoluta correspondência. Platão teria enunciado o eterno retorno (quando todos os astros se realinham no céu). “a idéia de que a conjunção de todos os planetas é suficiente para provocar uma convulsão universal, sem dúvida alguma é de origem caldéia.”

 

133 (5): Não fosse o papel decisivo de uma restrita elite sacerdotal, a massa – mesmo aquela que já conhecia Javé – continuaria politeísta.

 

“A crença na periódica destruição e criação do Universo já pode ser encontrada no AtharvaVéda.” Ragnarok como herança germânica do hinduísmo (indo-arianismo).

 

“Assim, uma Mahãyuga dura 12.000 anos (Manu, I, 69ss; Mahãbhãrata, III, 12, 826).” decadência constante... “a Kali Yuga, na qual nos encontramos presentemente, é considerada como a ‘era das trevas’.” “Os 12.000 anos eram considerados ‘anos divinos’, cada um deles com a duração de 360 anos, o que produz um total de 4.320.000 para um único ciclo cósmico. Mil desses períodos constituem uma Kalpa; 14 Kalpas formam uma Manvantãra. Uma Kalpa é equivalente a um dia [12h]! na vida de Veda [um Deus] (...) A vida de Veda é constituída de uma centena de ‘anos’.” Mas o universo dura ainda mais que a vida desse deus, e é perpetuamente renovável! 4 quatrilhões e 88 trilhões de anos!!! “essa verdadeira orgia de números”

 

Nenhum credo, por mais pessimista, consegue desbaratar a necessidade de “algo” depois do fim, tornar o Apocalipse o momento de “fim dos fins”, uma vez que ele é sempre um início, ou re-início, só mais uma etapa dentro de um processo em si mesmo infinito de repetições de ciclos, ou seja, de finitos.  Nem no ocidente, nem no oriente, em qualquer época, o homem escapa disso. “Desta maneira, no ponto final da filosofia marxista da história, encontramos a era de ouro das escatologias arcaicas.” Ah, os sofredores do XXe siecle! O projeto malfadado de Dilthey. “Heidegger tinha se dado ao trabalho de mostrar que a historicidade da existência humana proíbe toda esperança de transcendermos ao tempo e à história.” De acordo com o autor, o historicismo, conservador, burguês, é assumido pelo expectador, aquele que não sofreu suficientemente da violência. Quereria isso dizer que todo marxista (preservação da metafísica messiânica) seria um sofredor nato? O sofredor nato seria o fraco, que não agüenta, ou seria o forte, com vislumbre (mas, por favor, não ao ponto de poder ser chamado de “realista”)? Não poderia haver um sofredor que suportasse a visão nietzschiana das coisas (ou isso seria uma aberração), nem alguém que não viveu as agruras na pele crendo na legitimidade de uma justiça trans-histórica iminente? Como se fosse questão de escolha: querer-se consolar! Eu poderia acreditar na utilidade de crer em deus, mas esta hipótese está descartada (má fé impossível a essa altura). O engraçado é que antes desse trecho imaginava que Marx seria pintado como o grande demiurgo da História humana contínua. “luta”

 

“em outra obra” “em outra obra” “voltar ao tema” “em out

 

“anticlímax que fatalmente se faz seguir a qualquer gesto exuberante da vida”

 

153: além do homem; a sabedoria cheia de frescor e aberturas do homem (ou seja lá o que for) do Oriente. O problema de Cioran – hipertrofia da consciência. Cita Mannheim e a proposta de uma Sociologia do Conhecimento.

 

 

Estamos na Quarta Era.



Escrito por a mosca filosófica às 22:37
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MEIN KAMPF

27/04/11 a 14/05/11

 

DIC: volkisch – popular

 

“engenheiros, médicos e tantos reviravam latas de lixo para encontrar comida, os judeus, comerciantes em sua maioria, expunham suas mercadorias sugerindo serem beneficiados pela situação, era solo fértil para as pregações anti-semitas.”

 

“Os marxistas e revolucionários russos eram judeus.”

 

Proibição do livro no país – e Sodoma e Gomorra?

 

Hitler havia pensando em ser padre na infância.

 

Parece meu pai, o pai de Hitler: queria a carreira de funcionário público para o filho e ele, em contrapartida, cursar Humanidades. De fato, é incrível: “Sua amarga juventude fez com que o êxito na vida fosse por ele visto como tanto maior quanto considerava o mesmo como produto de uma férrea disposição e de sua própria capacidade de trabalho. Era o orgulho do homem que se fez por si que o induzia a querer elevar seu filho a uma posição igual ou, se possível, mais alta que a do seu pai, tanto mais quando, por sua própria diligência, estava apto a facilitar de muito a evolução deste.” “Nunca, jamais, em tempo algum, eu seria funcionário público.”

 

Aos 13 anos, encasqueta que deveria pintar.

 

“O filho, que entre outras qualidades do pai havia herdado a teimosia, retrucou com uma resposta semelhante mas no sentido contrário.” “O velho tornou-se irritado e eu também, apesar de gostar muito dele.”

 

Aluno “bipolar em notas”. Melhor aluno em GEO e HIST.

 

15 anos: politizado.

 

P. 12: “O ensino da história universal nas chamadas escolas médias ainda hoje muito deixa a desejar.”

 

Pötsch, o velho professor de História de H.

 

Assistiu Lohengrin de Wagner aos 12.

 

Pai morre precocemente. E em segredo H. deve ter comemorado. Dois anos depois, a mãe também. Herança teria sido das mais parcas.

 

Inclinação para a arquitetura.

 

“raras visitas à Ópera – feitas com o sacrifício do estômago”

 

17: pequeno-burgueses x proletariado. O parvenu, yuppie do período, assassino da solidariedade de classe.

 

19: anomia e niilismo (porém dos miseráveis). Hedonismo. O operário maldito que sofre a maioria do tempo para obter o soldo e só consegue dissipá-lo abruptamente, isto é, de um golpe só, com noites fervilhantes às quais se sucede a ressaca. Mas ele sabe disso, sabe, no entanto, que tanto faz, não terá esse dinheiro para sempre e se não fizer assim, nenhum esforço terá sido válido. O pequeno ócio vira desperdício de saúde, esbanja-se todas as melhores cartas na primeira mão, porque se não for este o sentido, nem mesmo se é permitido entrar no jogo: todos o fazem. É um grito de dor mudo da alma humana que espera o inédito, uma anarquia redentora ou simplesmente aniquiladora – que não vem... Vida e cinza se tornam sinônimos.

 

21: sobre o caráter da cultura francesa

 

“Ao lado da música, a arquitetura me parecia a rainha das artes.”

 

23: da seleção de conhecimentos no mar de livros. Memória de “mosaico”. Parágrafo infelizmente autobiográfico: “Um leitor, por exemplo, que, por esse meio, não fornecer à sua razão os fundamentos necessários, nunca estará na situação de defender os seus pontos de vista ante uma contradita, correspondam os mesmos mil vezes à verdade. Em cada discussão a memória o abandonará desdenhosamente. Ele não encontrará razões nem para o fortalecimento de suas afirmações, nem para a refutação das idéias do adversário. Enquanto isso acarreta, como no caso de um orador, o ridículo da própria pessoa, ainda se pode tolerar; de péssimas conseqüências é, porém, que esses indivíduos que ‘sabem’ tudo e não são capazes de coisa alguma, sejam colocados na direção de um Estado.”

 

26: a lição aprendida – não se discute com marxistas, apenas se dá as costas (como fiz com o Thomas).

 

As massas “não sabem o que fazer da liberdade e, por isso, facilmente sentem-se abandonadas.”

 

“A social-democracia se recomenda sobretudo aos fracos de espírito e de caráter.”

 

30: o genial diagnóstico do sindicalismo como socialismo.

 

“no nevoeiro deste dadaísmo literário”, em referência à literatura comunista.

 

Hitler era avesso ao tratamento indigno experimentado pelos judeus na virada do século. O poder corrompe!

 

Ódio entranhado à sofisticada França. Vide galomania (verbete)!

 

“Que [os judeus] não eram amantes de banhos podia-se assegurar pela simples aparência.”

 

“Pense-se em que, por um gênio como Goethe, a natureza lança no mundo dezenas de milhares desses escrevinhadores que, portadores de bacilos da pior espécie, envenenam as almas.”

 

O Sionismo e o caráter de “eterno exilado” do judeu.

 

Algo como o PAÍS DO TRABALHADOR. Os mestres da sofística (Engels em Ideologia). Apaixonantes.

 

O Mito da Raça – último pilar metafísico soterrado. A última vez que se culpou um povo/uma etnia inteiro(a) por um fracasso.

 

FULCRAL (40): “A doutrina judaica do marxismo repele o princípio aristocrático da natureza. Contra o privilégio eterno do poder e da força do indivíduo combate a importância das nacionalidades e das raças, anulando assim na humanidade a razão de sua existência e de sua cultura. Por essa maneira de encarar o universo, conduziria a humanidade a abandonar qualquer noção de ordem. E como nesse grande organismo, só o caos poderia resultar da aplicação desses princípios, a ruína seria o desfecho final para todos os habitantes da Terra (...) e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter. (...) Por isso, acredito agora que ajo de acordo com as prescrições do Criador Onipotente. Lutando contra o judaísmo, estou realizando a obra de Deus.”

 

41: belas palavras (weberianas!) quanto à vocação política. “percevejos parlamentares”

 

Idade mínima pensada por ele para ingressar na política: 30.

 

44: dominação carismática!



Escrito por a mosca filosófica às 16:33
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O cerne do Hitlerismo: as convulsões européias dos séculos XIX e XX, que concerniriam a “questões sociais” inevitáveis, talvez, no máximo, “morais”, diria um sociólogo, eram na verdade o resultado de tensões primeiramente religiosas e, depois, deposto o véu, logo se veria, raciais (judaica, ariana, etc.). Em outras palavras, como ninguém, Adolf concatena marxismo e um antigo aristocratismo de sangue, enxergando a ascensão do proletariado como lógica porém circunstancial, tendente à tragédia. Talvez uma consumação hegeliana do movimento... Depósito de fé na nação.

 

a idéia de qualquer ditadura, dada a minha atitude em relação à casa dos Habsburgos, seria considerada um crime contra a liberdade e contra a razão.

 

48: a crise/entropia da democracia/parlamentarismo/fraca representatividade... “estúpido rebanho” “Toda ação genial neste mundo não é um protesto do gênio contra a inércia da massa?” “Onde está o limite que separa o dever para com a coletividade e o compromisso da honra pessoal?” Para não ser demagogo, só sendo tirano. O problema das maiorias e do sistema proporcional.

 

O “estágio” em Viena teria sido essencial para Hitler.

 

Hitler ou Stalin, afinal? Dane-se o homem prático, agora que entendi o potencial de uma criatura... Realmente me sinto torpe...

 

“a Afrodite parlamentar” – 52 – AULA de H. sobre a imprensa!

 

“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que ser ‘descoberto’ um grande homem por uma eleição.” “Justamente a convicção de que a reação individual pouco ou nada modificaria, mata qualquer impulso sincero que porventura surja em um ou outro.”

 

* * *

 

Cioran – On The Heights of Despair p. 14 – “Solitary walks are propitious to an intense process of interiorization especially in the evening, when none of the usual seductions can steal one’s interest.” “To awaken the modern world, one must praise laziness. The lazy man has an infinitely keener perception of metaphysical reality than the active one.”

 

* * *

 

56: fel hitlerista contra a burocracia

 

Se o que vale é o ser mais forte, o decreto da Providência e não o legal, Jesse Owens foi uma pedra no sapato realmente incômoda e inexplicável.

 

A política das ruas: “No comício se encontra um grande número de pessoas que vieram somente para ouvir o que o orador tem a dizer-lhes, ao passo que no salão de sessões da Câmara dos Deputados só há algumas centenas de indivíduos que estão em geral apenas para receberem o seu subsídio e não para receber esclarecimentos da sapiência de um ou outro ‘representante do povo’.”

 

“as palavras que, como golpes de martelo, conseguem abrir as portas do coração de um povo.”

 

“Por isso todo escritor devia restringir-se ao seu tinteiro, para trabalhar ‘teoricamente’ (...) Para chefe não nasceu ele”

 

68: “Faz parte da genialidade de um grande condutor fazer parecerem pertencer a uma só categoria mesmo adversários dispersos, porquanto o reconhecimento de vários inimigos nos caracteres fracos e inseguros muito facilmente conduz a um princípio de dúvida sobre o direito de sua própria causa.”

 

Admirador incondicional do austríaco social-democrata e “psicólogo das massas” Karl Lueger. “O Estado austríaco mostrava também (...) todos os sintomas de decadência.” “aquela excrescência desses cogumelos presentes em toda parte – judeus e mais judeus”

 

A Grande Alemanha é uma espécie de El Dorado. “quem não viu Munique, não conhece a arte alemã.” Oktoberfest

 

74: Itália e Alemanha como rivais até então

 

75: Lebensraum e Malthus

 

Não concordaria com o controle de natalidade chinês.

 

“Se é verdade que o mundo tem espaço para todos viverem, então que se nos dê também o solo necessário à nossa vida.” “tolices pacifistas” Menção da auto-suficiência dos EUA: não basta só a expansão econômica... “a única esperança de realizar a Alemanha uma política territorial sadia está na aquisição de novas terras da própria Europa. As colônias são inúteis para esse fim, por parecerem impróprias para o estabelecimento de europeus em grande número.” “A direção política do Reich teria de dedicar-se exclusivamente a esse fim” “Todas as alianças deveriam ser examinadas exclusivamente sob esse ponto de vista e apreciadas quanto à sua utilidade nesse objetivo.” Hitler, entre as criaturas marinhas, não seria um tubarão nem uma ariana Moby Dick, diria Darwin. Plano: depois da Europa, a Rússia! Imaginava uma aliança com a Grã-Bretanha! “renúncia a uma marinha de guerra alemã, concentração de todas as forças do Estado no exército.” Se não houvessem inventado o avião, não haveria WWII.

 

Flautista de Hamelin e Siegfried – 84, 85! A aversão hitlerista ao “economês”. virtude heróica x egoísmo mercantil

 

O ardil dos seculares judeus: “A religião mosaica nada mais é que uma doutrina para a conservação da raça judaica.”

 

A “superestrutura hitleriana”: “Justamente a Rússia demonstra, de maneira evidentíssima, que não são as condições materiais, mas as virtudes ideais, que tornam possível a formação de um Estado.”

 

A la Durkheim: “Não tínhamos a menor noção da natureza das forças que podem levar os homens à morte por sua livre e espontânea vontade.”

 

“Jamais um Estado foi fundado pela economia pacífica e sim, sempre, pelo instinto de conservação da espécie, esteja este situado no campo da virtude heróica ou da astúcia. O primeiro produz os Estados arianos, de trabalho e cultura, o segundo, colônias judaicas parasitárias.”

 

“A Prússia – célula mater do Reich”

 

“o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.”

 

Arquiduque Francisco Ferdinando, da Áustria, era de ascendência eslava e, portanto, anti-ariana. Porém, ele foi morto por extremistas sérvios!

 

100: da beleza e da propaganda. A arte do vulgar. “A arte da propaganda reside justamente na compreensão da mentalidade e dos sentimentos da grande massa.”

 

“A 7 de outubro de 1916 fui ferido.” Dois anos sem ouvir uma voz de mulher... Pelo relato, a Alemanha esteve mais próxima da vitória que na II Guerra. Em, de novo, outubro, só que de 1918, Hitler mais uma vez periga engordar as estatísticas das baixas: “Já algumas horas mais tarde, os meus olhos tinham se transformado em carvão incandescente. Em torno de mim tudo estava escuro.” 113: a queda do Imperador e a conversão em República. “Em vão” – 2 milhões de mortos no front.



Escrito por a mosca filosófica às 16:33
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Doutrinador               x      político

teórico                              prático

delineador do futuro            cultuador do presente

Para Hitler, deveria haver uma fusão dessas duas categorias, um projeto milenar... Mas quem sabe Lutero e Wagner entraram para a história como doutrinadores e Hitler apenas como político.

 

Meta imediata assim que chegasse ao poder: suprimir inflação e juro do DINHEIRO. “O Capital” como bíblia da finança internacional (supra-nacionalidades)! Grande conspiração. Compreendeu mal a relação Estado-Capital.

 

“eu sabia ‘falar’. Também a voz tinha melhorado bastante, a ponto de me fazer ouvir suficientemente em todos os pontos do pequeno compartimento dos soldados.” Os comícios em porões naquela Alemanha arruinada. “Como costumava acordar cedo, já antes de 5 horas, tinha o hábito de divertir-me em jogar, para os camundongos que passeavam pelo meu cubículo, pedacinhos de pão duro que haviam sobrado da véspera. Eu ficava a ver esses engraçados animaizinhos se disputarem essas preciosas iguarias.”

 

“já naquele tempo eu tinha uma aversão instintiva por pessoas que tudo começavam sem nada acabar. Todos esses trapalhões me eram odiosos. Eu considerava a atividade dessas criaturas pior do que a ociosidade.”

 

“Enquanto não estiverem todos convencidos de que o problema econômico vem em segundo ou terceiro lugar, e que os fatores éticos e raciais são os predominantes, não se poderá compreender as causas da infelicidade atual e impossível será descobrir os meios e métodos de remediar essa situação.” [grifo meu]

 

Para Hitler, 14-18 foi Alemanha/Império X Mundo.

 

“Os deuses celestiais saíram da moda, tornaram-se coisas do passado e, no seu lugar, instalou-se a orgia dos idólatras de Mamon.”

 

Uma “monarquia” não-hereditária, elegível e meritocrática, onde o líder fosse maior que a instituição.

 

134 – a imprensa judia

 

“A primeira condição que se torna necessário para o povo vencer as diferentes etapas é que a direção consiga convencer a massa do povo que a próxima etapa a ser alcançada é a última e que de sua conquista, tudo depende.” O-ou...

 

Erradicação da prostituição. “O casamento não deve ser uma finalidade em si, mas ao contrário”

 

139: os bundas-quadradas alemães. Cérebros hipertrofiadas.

 

“Devemo-nos livrar da noção de que a cultura física compete ao próprio indivíduo. Ninguém tem liberdade de errar à custa da posteridade, isto é, da raça.” “Hoje [ontem!] toda a nossa vida em público é uma espécie de estufa para o cultivo de idéias e atrações sexuais.” Quem seria o sucessor desse caso isolado?

 

142: a arte entre os bolcheviques – “Há 16 anos uma exposição de produções ‘dadaísticas’ teria parecido impossível e os expositores teriam sido levados ao hospício, ao passo que hoje são guindados à presidência das associações artísticas.” 143: do classicismo. Futurismo: autre décadence. “Assim como o século de Péricles apareceu corporizado no Panteon, o bolchevismo atual é representado por uma caricatura cubista.”

 

147: cristianismo que definha e islamismo emergente

 

“Assim como essa luta contra o Estado terminaria em completa anarquia, o ataque contra o dogma resultaria em um niilismo religioso.” e o ataque contra o dinheiro...

 

150: a tecnologia bélica; o Japão imperialista e impiedoso, sempre elogiado.

 

“O que o povo alemão deve ao exército pode-se resumir nesta palavra: tudo.” “Pela maneira de andar reconhecia-se o soldado treinado.”

 

Falta buscar as raízes do mito ariano. 158 – Prometeu; 159 – o mistério das trocas de influência entre Oriente e Ocidente. A história do Ovo de Colombo: sobre como é difícil ser um pioneiro. “‘O homem vence a natureza!’ Milhões de indivíduos repetem mecanicamente esse absurdo judaico.” “Quase sempre é preciso algum solavanco para provocar o gênio.” “A centelha do gênio já faísca, desde a hora do nascimento, na cabeça do homem verdadeiramente dotado de talento criador. Genialidade verdadeiramente é sempre inata, nunca fruto de educação ou estudos.”

 

“Sem tal possibilidade de empregar gente inferior, o ariano nunca teria podido dar os primeiros passos para sua civilização, do mesmo modo que, sem a ajuda de animais apropriados, pouco a pouco domados por ele, nunca teriam alcançado uma técnica, graças à qual vai podendo dispensar os animais.”

 

“O progresso humano se assemelha a uma ascensão em uma escada sem fim; não se chega de forma alguma encima (sic), sem se ter servido dos degraus inferiores.”

 

“O ariano sacrificou a pureza do sangue, perdendo assim o lugar no Paraíso, que ele mesmo tinha preparado. Sucumbiu, com a mistura racial (...) e o homem se esqueceu de si próprio.” Todo berço nobre só oferece um caminho: o declive para o plebeísmo, a maldição e conspurcação pelo “mundo real”. Difícil é conciliar a natureza sempre bélica com tal “Paraíso Primordial”.

 

Durkheimiando (como sempre): egoísmo x espírito de sacrifício => famílias, clãs => Estados

 

Judeu, O Poliglota

 

172: narra toda a evolução do Capital no Ocidente, mas atribui todo o processo ao ethos judeu. Cita dois dos poderosos órgãos conspiratórios de dominação, em território alheio (posto que, para o judeu, o mundo é o inimigo): a maçonaria e a imprensa. Todas as conquistas da democracia são a ele atribuídas. “grita-se constantemente contra o capital internacional, quando em verdade o que se visa é a economia nacional. É esta que importa demolir para que, no seu cemitério, se possa edificar triunfalmente a Bolsa Internacional.” dialética trôpega

 

“O exemplo mais terrível desse gênero é apresentado pela Rússia, onde o judeu, com uma ferocidade verdadeiramente fanática, trucidou cerca de trinta milhões, alguns por meio de torturas desumanas, outros pela fome, e tudo isso com o fito de assegurar a um lote de literatos judeus e bandidos da Bolsa o domínio sobre um grande povo.” “Não cogitam absolutamente de implantar na Palestina um Estado para ali viverem. O que eles desejam, é, unicamente, um centro de organização autônomo, ao abrigo da intrusão de outras potências. Querem apenas um refúgio seguro para a sua canalhice, isto é, uma academia para a educação de trapaceiros.”

 

Sem dúvida, qualquer totalitarismo europeu é fenômeno de esquerda.


Sempre cogita aliança com os ingleses – esses judeus...!?


O marxismo é tão científico quanto a Utopia de Morus: a social-democracia, a URSS, a China e nenhum fascismo foram jamais fiéis à doutrina, embora todos sejam em última instância rebeliões contra o Liberalismo.


Patrão e operário devem ocupar o mesmo lugar. Máquina beligerante: escravos são os de fora. Opulência aqui dentro. Mesmo princípio da nação americana. Fora que a máquina americana é tão perfeita que, além desse tipo de exploração, há a endógena de sempre. Hitler enxerga, inclusive, nos EUA, exemplo da xenofobia a adotar.

 


Hitler passou fome e sabia a tentação que provocava o anti-nacionalismo.



Escrito por a mosca filosófica às 16:32
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“Quem se propuser a ser chefe terá a mais ilimitada autoridade, ao lado da mais absoluta responsabilidade. Quem não for capaz disso ou for covarde demais para não arcar com as conseqüências de seus atos, não serve para chefe. Só o herói está em condições de assumir esse posto.” Objetivo crasso: destruir o parlamentarismo e vestígios da legalidade. “A organização é apenas um mal necessário. (...) um meio para um fim”

 

NACIONAL-SOCIALISTA X A INTERNACIONAL

“O futuro do movimento depende do fanatismo, mesmo da intolerância” Anti-coligacionista (irônico). Ao não se opor à religião vigente é tão somente a aceleração da decadência. “Os que nos votam ódio mais mortal são justamente os nossos melhores amigos.”

 

Com efeito, por mais plebeu que seja um ator ele sempre terá um subterfúgio para acusar o inimigo de ser muito mais baixo, vil e degradado do que ele. O maior exemplo é o lumpen de Marx, instância – quem diria! – burguesa ABAIXO dos proles explorados e pobres, camuflados em farrapos. Até o extremo do populista tem como exagerar e empurrar a batata quente para outras mãos...

 

Contra a imposição do idioma por um colonizador – a raça fraca não deve conspurcar a língua do forte. Exemplo de vencedor que se torna vencido: Portugal.

 

Anti-Leviatã

 

“É evidente que um povo altamente civilizado dá de si uma impressão mais elevada do que um povo de negros.”

 

“Só virão para nossas fileiras (...) os velhos de coração e de espírito moços.” “A história do mundo é feita pelas minorias”, o grande fato óbvio irreconhecível para Marx...

 

Contraceptivos já então nas farmácias e nos camelôs!

 

213: eugenia – grave problema desde Aristóteles.

 

6 séculos de bem-nascidos como meta: acabamos de perder mais 1... Começamos amanhã, então?

 

“as crianças não estão em condições de fazer a seleção da matéria que lhes é ensinada.” “Não se deve passar um dia sem que cada jovem tenha, pelo menos, uma hora de exercício físico, pela manhã e à tarde, em esportes e ginástica. Especialmente o boxe e o jiu-jitsu” “judeus bastardos de pernas tortas e desengonçadas” – autoidentificação?

 

“o professor não deve procurar tomar conhecimento de pequenas travessuras , cultivando a delação” “Não é raro de um pequeno delator sair um grande tratante.” Um criatório de bullies.

 

“Não é compreensível que milhões sejam obrigados a aprender 2 ou 3 línguas que, só em proporções insignificantes, podem utilizar e que, na maioria dos casos, esquecem inteiramente.” “Na juventude, dedicaram milhares de horas a um assunto, sem nenhum valor para a sua vida futura.”

 

223: os perigos vislumbrados da escola técnica.

 

Justamente o contrário do que vinha constatando hoje com Gizelle e Guilherme: “Não se deve afastar o estudo da história antiga, pois a história romana, bem apreciada nas suas linhas gerais, é e será sempre a melhor mestra não só para o presente como para o futuro.” Eu: agente ganha-pão da decadência.

 

“Nossa preparação política para a guerra, assim como a preparação técnica, foram insuficientes, não porque os dirigentes da nação tivessem pouca ilustração, mas, ao contrário, porque eram super-instruídos, cheios de ciência mas vazios de intuições sadias e, sobretudo, de energia e intrepidez.” Hipertrofia teórica (2)

 

“época (...) [d]os escrevinhadores mais sem espírito” Webão!

 

“É possível que o dinheiro se tenha tornado o poder dominante na vida de hoje, mas um dia virá em que os homens venerarão outros deuses, de mais elevação.”

 

“O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, com o seu programa de 25 teses, aceitou uma base que deve ser mantida inalterável.”

 

“É mais freqüente que um brilhante orador consiga ser um grande escritor do que vice-versa.”

 

Discursar à noite. “uma representação de Parsifal em Bayreuth produzirá uma impressão diferente da que se terá em qualquer outra parte do mundo.” Saint Seiya no fim de um dia, assim como a vontade de suicídio...

 

262: discussão das cores da bandeira; a suástica.

 

“revoluções preditas, geralmente não arrebentam”

 

O dia em que 50 nacionais-socialistas da milícia surraram 700-800 desordeiros comunistas – 267 “Tinham decorrido, mais ou menos, vinte e cinco minutos. O aspecto da sala era como se uma granada aí tivesse estourado.” “Nos policiais, essa mania de importância é típica. Quanto menores eles são, mais querem aparentar autoridade.”

 

279: O XVIII Brumário da Revolução Alemã!

 

Qual a relação da Rússia Soviética com a Segunda Internacional? A II Internacional era trotskista.

 

287: Schiller

 

“O boxe ou o jiu jitsu, no meu modo de ver, eram mais importantes que qualquer má ou incompleta instrução de tiro.”

 

Qualquer dia faço uma árvore genealógica das artes-marciais. Parece tão divertida quanto a das religiões ou dos estilos de música. Ex: JIU-JITSU (Japonês) => JUDÔ => JUDÔ JAPONÊS

                                                                                                              JIU-JITSU BRASILEIRO (Gracie)

 

291: muito divertido relato das “fraternas brigas de sangue e de rua” entre vermelhos vermelhos e Nac-Soc. Período romântico de milícias. O anti-Gandhi personalizado. Velho de guerra; homem entusiasta do poder, mas o poder motivado, apaixonado.

 



Escrito por a mosca filosófica às 16:31
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“Para o futuro da humanidade, não importa saber se os protestantes vencem os católicos ou os católicos os protestantes, mas sim, se o homem ariano é conservado no mundo ou se desaparece.”

 

303: sobre a compressão do espaço-tempo. “As facilidades do transporte moderno estão aproximando os homens de tal forma que, paulatina e continuamente, as fronteiras das raças desaparecerão e, com isso, o quadro cultural dos diferentes povos tenderá, pouco a pouco, a atingir o mesmo nível.”

 

Por um serviço militar “nômade”.

 

“A existência, no mesmo indivíduo, do teórico, do organizador e do líder é o mais raro fenômeno deste mundo. Quando isso se dá, trata-se de um gênio.” O contrário dum judeu. Ou de uma dupla afinada. Ainda não citou Goebbels.

 

“entre dez adesistas encontrar-se-ão no máximo um ou dois combatentes.” “tudo [no princípio] era infinitamente pobre, e, muitas vezes, sacrifiquei parte das minhas pequenas economias.”

 

316: “o princípio ‘führeriano’”

 

318: o problema da greve e dos sindicatos, grande semelhança com Mr. Durkheim

 

324: a dialética militarismo-florescimento cultural

 

“Não devemos ter a mínima dúvida de que o inimigo mortal, inexorável do povo alemão é e sempre será a França.” “A Inglaterra não deseja que a Alemanha se transforme em potência mundial, a França não nos quer como potência de espécie alguma. Há uma grande diferença nesses dois pontos de vista!” “só dois Estados na Europa podem fazer aliança conosco: a Inglaterra e a Itália.” “A preponderância militar da França é para o império inglês um pesadelo muito maior que as bombas dos nossos Zepelins.” Um erro crasso?

 

Delírio: Reino Unido x judaísmo ecumênico

 

“Esse povo [o francês], continuando cada vez mais a degenerar-se pela mistura com os negros africanos” “um atestado contra a existência da humanidade branca” “a constante consolidação da doutrina fascista” – uma ode aos companheiros mediterrâneos.

 

337: americanos como novos senhores do mundo / o eventual aliado oriental. “Judeus são os reis da Bolsa da União Norte Americana.” “O imenso império do oriente está prestes a ruir. O fim do domínio judaico na Rússia será também o fim da Rússia como Estado. Fomos escolhidos pelo destino para sermos testemunhas de uma catástrofe que será a mais formidável confirmação da verdade da teoria racial.” Ou mais contundente refutação!

 

“A Inglaterra jamais deixará a Índia separar-se, a não ser que ela caia na confusão racial (...) ou a não ser que a isso ela seja forçada pela espada de um poderoso inimigo. Os levantes indianos jamais terão êxito.”

 

Polônia: dos franceses, a leste.

 

348: a Alemanha e sua geografia desfavorável

 

Incrível guia para entender os futuros passos de H.: “Não se objete que, no caso de uma aliança com a Rússia tenha logo de aparecer a hipótese de guerra ou que, no caso afirmativo, possa ser feita uma preparação fundamental para a mesma. Uma aliança, cujo objetivo não compreenda a hipótese de uma guerra, não tem sentido nem valor.” “Como é ingênuo pensar que a Ing. e a Fra., em tal caso, esperariam um decênio, até que a aliança russo-alemã tivesse terminado os seus preparativos técnicos para a luta! Não.” “Assim, pois, o simples fato de uma aliança com a Rússia é uma indicação da próxima guerra. O seu desenlace seria o fim da Alemanha.”

 

“agora, há dez anos [o bolchevismo], dirige o mais tirânico regime de todos os tempos.” antes do Stalinismo!

 

Em que ano, afinal, vieram a conhecer/foram publicados seus escritos? 1926

 

Por que ele não pôde lograr aliança com os ingleses (maior intuito do líder do III Reich: isolar a Fra.)?

 

Desf(ile/orra) em Paris: o dia mais aguardado.

 

O que pouco se divulga é como raios só havia governos praticamente ditatoriais, na Europa da IIG, ou pelo menos governos de inconfundível direita, mundo afora.

 

A sorte alemã foi que quase nenhuma batalha, de 1914 a 44, se deu em solo nacional. “Dever-se-ia ter começado por alvejar a cabeça da hidra marxista e assim destruí-la de uma vez por todas.” “Assim como uma hiena nunca despreza um cadáver, assim também o marxista nunca deixará de ser traidor da Pátria.” PRENÚNCIO – “Se, no começo e durante a Guerra, tivéssemos submetido à prova de gases asfixiantes uns doze ou quinze mil desses judeus, desses corruptores de povos, (...) não se teria visto o sacrifício de milhões de compatriotas das linhas de frente.”

 

“A qualidade que emparelha Mussolini com os maiores homens do mundo é a sua determinação de não dividir a Itália com o marxismo”

 

11/1923 – cassação dos direitos do Partido Nac-Soc.

01/04/24 – prisão de H.

11/1926 – re-legalização

 

Terceira Via não é coisa da mórbida História sepultada, Blair!

 

Wiki: “Ao contrário do mito popular, fez uma boa vida como pintor, ganhando mais dinheiro do que se tivesse um emprego regular como bancário ou professor do liceu, e tendo de trabalhar menos horas.” 1.73m “o seu partido não obteve alguma vez uma maioria absoluta.” “Hitler era abstêmio, mas em sua idade adulta bebia ocasionalmente” “Não admitia que seus aliados e oficiais fumassem” “Hitler era uma pessoa polida e cordial no trato particular, quase paternal” “era canhoto”



Escrito por a mosca filosófica às 16:31
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PRELÚDIO A ECONOMIA E SOCIEDADE

31/05/11 a 04/06/11

 

a) continuação de Aron (em Weber)

 

Em tempos nos quais mesmo o PAI DE CINTURÃO é uma figura em extinção ou PROFESSOR DE PALMATÓRIA é um elemento extinto... DELEGACIA DA MULHER; REPRESSÃO A MANIFESTANTES. O CASO JEAN CHARLES (SUSPEITO COM MOCHILA NO METRÔ). A ESCOLA TAMBÉM PERDEU ESSE PODER, mas de qualquer modo era/é aparelho do Estado. PROIBIÇÃO DA POSSE DE ARMAS. Comentaristas que querem que o infrator no futebol seja absurdamente punido com detenção pós-carrinho violento.

 

P. 3 – política como vocação; p. 5 – o “quase-não-político”, o “peixe pequeno” e o “peixe graúdo”.

 

“Pecar para se salvar de um pecado ainda maior”

 

O compreensivismo. Intersubjetividade do fenômeno ≠ causalismo.

 

247: o “se...” histórico, tão pouco empírico.

 

“poderíamos acrescentar que a tendência dos historiadores é para considerarem ao mesmo tempo que o passado foi fatal e que o futuro é indeterminado. Ora (...) O tempo não é heterogêneo.” “a construção do irreal é um meio necessário para compreendermos como na realidade se desenrolaram os acontecimentos.”

 

“M. Weber não faz o elogio do maquiavelismo, e uma ética da responsabilidade não será necessariamente maquiavélica no sentido habitual do termo.”

 

P. 262 – os hindus e seus livros sacros. O grande consolo das castas inferiores é a transmigração das almas. Indra, o Céu indiano; Walhalla; Nirvana.

 

“Hitler e o general De Gaulle foram e são, de acordo com a definição weberiana, chefes carismáticos, por muito que sob outros aspectos difiram um do outro.” Aron – Weber morre em 1922.

 

267: o sobressair da dominação carismática

 

Intérprete Fleischmann – a descendência de Nie.

 

Tem idiota pra tudo: “Alguns tentaram até fazer de Weber um precursor de Hitler, quando ele se limitou estreitamente à análise sociológica e ideal-típica de uma forma de dominação que existiu em todos os tempos.” 277(19)

 

Serial Killer Corporation – matando um por um todos os executivos que ganham bônus do governo por falir famílias – um novo conceito em super-heróis.

 

13: jornalismo como vocação!

 

P. 25 – a(s) ética(s)

 

30 – IRMÃOS KARAMÁZOVI



Escrito por a mosca filosófica às 20:01
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b) ECONOMIA E SOCIEDADE

 

DIC: writ – mandado

        parvenu – dândi; ascendente social.

 

O inultrapassável: o poder do pai. O micropoder do pai. O macropoder do Estado. Mas aquele se faz sentir talvez em 1ª plana, para o indivíduo. Até que ponto um é outro e outro é um. O Estado tem a preeminência bélica mas a raiz mais funda é a do genos.

 

“Quem tem sede de vingança não se preocupa com o motivo subjetivo, mas apenas com o resultado objetivo, que domina seus sentimentos, da ação alheia que provocou sua necessidade de vingança. Sua cólera desencadeia-se indiferenciadamente sobre objetos mortos da natureza que lhe causam dano imprevisto, sobre animais que o ferem inesperadamente (...) e sobre pessoas que o ofendem sem querer, por negligência ou de propósito.”

 

“Actio de pauperie” – quando um animal teria todos os motivos para estar manso e algo endógeno o move a danificar o alheio, o dono não pode ser responsabilizado, mas nem mesmo o animal, que ignora o porquê de seus instintos.

 

“Noxae Datio” – parece mais o caso do ser que tem que pagar pelo erro do escravo, ou do pai pelo filho pequeno.

 

“Uma doutrina científica do direito público foi desenvolvida apenas no Ocidente, porque somente nele a associação assumiu totalmente o caráter de uma instituição com competências racionalmente articuladas e divisão de poderes.”

 

direito racional x irracional (mágico)

 

direito racional: formal x informal

margem ao idealismo, isto é, “a lei pela lei”, quando se olvida a origem e a razão não deixa de recair em magia e irracionalidade.

 

formalismo absoluto => casuística. Há então o constante feedback sociedade-lei, debate ó ajustamento

 

Stammler

 

O direito natural sofre mutações/distorções incríveis ao longo do tempo. Proibia-se que aquilo que mede a riqueza das nações e dos indivíduos fosse o papel-moeda, até há bem pouco tempo. Mas se isso significava ver uma nação findar-se e a espécie perecer, paradoxalmente não passaria de legalismo (legalismo divino!). Mas então esse porta-voz de Deus chamado human being se encarregava de fazer – em seu nome – os arranjos necessários. Qual o limite dessas reformas? Destruir o mundo, for life’s sake?

 

“O preço condenável como ‘antinatural’ era agora aquele que não se baseava na concorrência de mercado livre, isso é, imperturbada por monopólios ou outras intervenções humanas arbitrárias.”

 

“a axiomática do direito natural caiu hoje em profundo descrédito.” razões: a) ceticismo inerente à modernidade; b) crise da disciplina do meta-direito; c) avanço do racionalismo.

 

“a história da primeira década do século, especialmente das relações entre a Alemanha e a França, mostra o enorme efeito produzido por esse elemento irracional de todas as relações políticas externas.”

 

“um imperator, isto é, um príncipe guerreiro carismático”

 

Já havia claro contraste econômico entre Leste e Oeste alemães.

 

A Polônia e sua queda pelo vizinho oriental (a Rússia).

 

Imperialismos: a) continental: EUA, URSS, China, Roma, Cartago; b) ultramarino: Inglaterra, Holanda, Atenas.

 

“a forte tendência à expansão política, não é, portanto, nenhum produto casual, e para o futuro previsível cabe prognosticar-lhe um desenvolvimento favorável.”

 

Para Weber, não interessa se seria um imperialismo capitalista ou socialista: estranho seria ele não haver onde é lucrativo e em que todas as pré-condições estão dadas. (expansionismo forçado)

 

Tempo em que se julgava que a massa pouco tinha a perder com guerras. Ou nada.

 

“Uma casuística sociológica, em face do conceito valorativo empiricamente multívoco da ‘idéia de nação’, teria que desenvolver todas as espécies de sentimentos de comunidade e solidariedade em suas condições de origem e suas conseqüências para a ação social dos participantes.”

 

“arte e literatura puras, tipicamente alemãs, não surgiram no centro político da Alemanha.”

 

“Lutas salariais acontecem na Antiguidade e na Idade Média, até a época Moderna, somente como tentativas isoladas, cuja freqüência aumenta num ritmo muito lento; ficam totalmente atrás não apenas das rebeliões de escravos, como também das lutas no mercado de bens.”

 

Uma diferença palatável entre CLASSE e ESTAMENTO: fora do ambiente profissional, sujeitos de classes antagônicas são iguais. Um professor que cumprimenta um aluno na rua ou no ônibus, de forma até acanhada ou, pelo contrário, desamarrada, contanto que não com um olhar inquisidor, é a evidência disso!

 

Estilização weberiana p. 185 (189):

CLASSE => produção/aquisição de bens

ESTAMENTO => consumo dos mesmos (os tabus)

{sempre um tipo de monopólio excludente}

 

“os judeus constituem o mais grandioso exemplo histórico deste fenômeno [os párias].”

 

186: elogios a Nie., o budismo e o ressentimento.

 

“uma categoria profissional é um ‘estamento’” professores são os únicos que sabem lidar com o saber, por mais que ele “esteja no mercado” (aspas minhas).

 

“Épocas e países em que prevalece a importância da situação de classe são, em regra, focos de revoluções técnico-econômicas, enquanto todo retardamento dos processos de reconfiguração econômica conduz logo à formação de complexos ‘estamentais’ e restabelece a importância da ‘honra’ social.”



Escrito por a mosca filosófica às 20:01
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* * *

 

TIPOS DE DOMINAÇÃO

 

O sentimento de piedade no cerne da DOMINAÇÃO PATRIARCAL e a adoção/vínculo-de-enteado ser tão enquadrável nesta categoria como qualquer outra relação filial-sangüínea.

 

“Segundo o direito romano, ainda nos tempos históricos, podia ele declarar, em princípio, seu escravo o herdeiro (liber et heres esto) e vender seu filho como escravo.”

 

Dominação “patrimonial” é quando o lar se torna demasiado grande. Ainda não são nações que se constituem, mas já não são simples famílias. Isso em si já é arrocho do poder do chefe, porque ele perde capacidade de controle.

 

“O submetido cumpre seu dever militar como escudeiro, condutor de carro, armífero, bagageiro – como ocorre nos exércitos de cavaleiros da Idade Média e nos exércitos de hoplitas da Antiguidade, com suas armas pesadas – ou também como guerreiro particular do senhor.”

 

O Egito seria o exemplo clássico de patrimonialismo. Subsidiariamente, califados mil, incas e até a Companhia de Jesus no Paraguai.

 

Quanto maior é o império e mais ele se complexifica, mais se distancia do pat.: estatal-patrimonial.

 

Há o funcionário público patrimonial, que se distingue do burocrático por estar às ordens do senhor, basicamente, ao invés do regulamento. O Estado, neste ponto, não é burocrático porque o senhor administra tudo como se negócio privado fosse; ou, em termos mais exatos, ainda não consegue separar um papel do outro, não enxerga uma vida dicotômica entre a res publica e a biografia ou personalidade. (Lembrando que onde nasceu o termo “coisa pública” também isso não estava amadurecido e o Estado era uma grande esfera sem “autonomia” fatiada entre os patrícios que viviam, de qualquer modo, para a política e contavam sua riqueza em cabeças de gado.)

 

“noblesse de robe”

 

“Um clérigo solteiro era mais barato do que um funcionário a sustentar uma família.”

 

Egito: classe notória dos escribas. Trabalho compulsório e grande veneração do Faraó. Egito Ptolomaico: ~300 a 30 a.C. – decadência final e incorporação ao Império Romano (época de Cleópatra). Correção ao wiki: ainda como República, então em seus estertores, Roma anexou essa região.

 

Estado Chinês divergente deste exemplo mais puro. Confúcio x Burocracia – existência pautada na arte. Weber chega a comparar Confúcio a Lutero.

 

“nulle terre sans seigneur”

 

P. 286 – a fascinante instituição dos juízes de paz ingleses.

 

“O feudalismo é um ‘caso-limite’ da estrutura patrimonial, no sentido da estereotipagem e fixação das relações entre os senhores e os vassalos.” Vassalo = honrado, ao contrário do escravo? Na pirâmide social feudal, estaria acima dos artesãos? Existiram feudos em vários espaços-tempos, mas não de forma macroscópica como na Idade Média. Segundo Weber, o patrimonialismo pode coadunar com o feudalismo, mas como mera sub-espécie deste. Outras sub-espécies incluem: a) feudalismo litúrgico – dos cossacos; b) feudalismo “livre” – samurais; a européia, espartanos. Povos do feudalismo patrimonial – Roma arcaica e Egito Antigo.

 

“Doomsday Book”

 

feudo x prebenda: os primeiros são hereditários, mas têm de ser devolvidos caso o senhor morra. As segundas são exclusivas do atual possuinte e não expiram (caráter vitalício). A prebenda tem mais o caráter de um presente: o agraciado não paga impostos/tributos. Ou seja: o vínculo suserano-vassalo era o diferencial. Provavelmente, o filho do antigo senhor feudal, amarrado pelas circunstâncias, tinha de devolver o feudo ao camponês que perdeu temporariamente seu terreno após a morte do dono – não sem um novo ritual juramentar. “Novidade”: havia um contrato, e o servo podia renunciar ao feudo quando quisesse.

 

Os samurais tinham prebendas; recebiam também em arroz.

 

Ainda não falou da parte que cabia à Igreja, do acordo. Nem que apenas a “licença divina”.

 

Nos primeiros tempos, davam-se as armas e montaria; com a pacificação progressiva da Europa e o fim ou esmaecimento das Cruzadas, passou-se a adotar o “auto-equipamento” e o servo não era mais treinado militarmente.

 

A honra do cavaleiro podia ser tão grande que ele se convertia em senhor – mormente, no entanto, em sistemas feudais que (por esse e outros motivos) eram mais precários.

 

Sub-vassalagem. “guerras particulares entre os vassalos” “De acordo com seu princípio estrutural, o patrimonialismo era o ambiente específico para o desenvolvimento do ‘favoritismo’: são característicos dele os cargos de confiança junto do senhor”.

 

Educação nas raias do patrimonialismo (em flagrante contraste com os dogmas eclesiásticos): fomento à arte, ginástica... Ainda longe da atual segmentação do ensino, além do caráter cumulativo, presente no sistema de prebendas.

 

310: Marx

 

Tendências: a) patrimonialismo & capitalismo (na forma burocratizada e centralista); b) patrimonialismo x feudalismo, ou, mais precisamente: regionalismo e “endocracias” x poder universalizador do Capital.

 

Déja vu: por que ele, ao apurar a gênese do capitalismo, não está antagonizando mas complementando Marx, que não teve tempo de fazê-lo, e refutações ao trevor-ropismo [ou quiçá “hopismo”, em alusão a tão clamorosas esperanças!].

 

“socialismo estatal faraônico”

 

“Crise econômica” em Roma, no séc. III.

 

(324) 320: o jogo. “Uma perfeição especificamente artística, com livre ingenuidade, experimentou o jogo uma vez no curso da evolução histórica: na sociedade guerreira helênica feudal ou semifeudal, partindo de Esparta.”

 

“Do ponto de vista político, o alemão era e continua sendo, de fato, o ‘súdito’ específico no sentido mais íntimo da palavra, sendo por isso o luteranismo sua religião adequada.”

 

Hitler desponta como a última ressaca do Ancião Patriarca bávaro/bárbaro.



Escrito por a mosca filosófica às 20:01
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* * *

 

CARISMA

 

327: Aquiles

 

328: os ataques epilépticos dos profetas

 

“é um poder antieconômico por excelência” “fora dos vínculos deste mundo” “o celibato efetivo de numerosos portadores de um carisma profético ou artístico – tudo isto é expressão do espírito ‘apartado deste mundo’ daqueles que tomam parte no carisma.” Balzac, Lady Gaga, eu, entre outros.

 

“O portador pode perder o carisma, sentir-se ‘abandonado de seu deus’, como Jesus na cruz, mostrar-se a seus sequazes como ‘privado de sua força’: neste caso, sua missão está extinta, e a esperança aguarda e procura um novo portador.” Não raro é ele mesmo: Ronaldo. Mas um dia o abandono irreversível: Getúlio Vargas e sua viola no saco.

 

O carisma é contra o cotidiano. Quase como o amor!

 

O enfraquecimento da TRADIÇÃO é um indício pró-dominação tradicional. Me parece que a hegemonia carismática hodierna pode ser explicada como resíduos de uma época de transição e de protocristalização de novos templos... Religião da Humanidade... “No entanto, é o destino do carisma recuar com o desenvolvimento crescente de formações institucionais permanentes.” (decadência do mundo mágico)

 

“encarnações de Buda” (338) do fracasso do Budismo na Índia.

 

O carisma no escopo democrático: eleição em 2 turnos. Carisma intra-partidário. Professores na Alemanha sempre agiam em prol dos partidos burgueses.

 

347: Nie.

 

350: Maomé não deixou descendentes

 

O puritanismo e seu pathos democrático, homogeneizador e isonômico (assassino do carisma).

 

Circuncisão: vestibular-ritual para o despertar do car.

 

Carisma: importância explode positivamente no momento de guerras.

 

357: o ódio de Platão por Homero

 

* * *

 

PARTIDOS

 

Razões por que um parlamento só com representantes de profissões (estamentos) ao invés de partidos, no senso clássico, seria uma péssima idéia. P. (549).

 

EUA: terra do fisiologismo.

 

(556) Gladstone, O Carismático. Teria derrubado o tory Disraeli através de manobras no sistema eleitoral (fim do século XIX).

 

“hoje os parlamentares ingleses (...) nada mais são, em geral, do que um rebanho de votantes bem disciplinado.”

 

“Pode-se muito bem chamar o atual estado das coisas de ‘ditadura’ baseada no aproveitamento da emotividade das massas.”

 

“Os EUA já não podem ser governados exclusivamente por diletantes.”

 

Tentativas de Weber de vaticinar o futuro do parlamentarismo alemão: os social-democratas como obstáculo/incógnita. “os governos de coalizão continuarão sendo uma necessidade” [!] “agitadores remunerados”

 

(574) Paul Singer (?)

 

Demagogos: “tendência cesarista na seleção do líder.” Apontada por Weber como inevitável desde Péricles (caráter personalista do “fazer político”)!

 

Bismarck, anti-parlamentarista e pró-universalização do eleitorado.

 

“boulangerismo” na França!

 

Weber escreveu depois da I Grande Guerra?

 

“não se precisa ser sapateiro para saber se aperta ou não o sapato que o sapateiro fez.”



Escrito por a mosca filosófica às 20:00
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CADÁVERES, TRANSMUTAÇÕES, ESTIGMAS

Fragmentos de outrora (ano 2007) do autor de repente reunidos, sem temática específica...

 

a) Ranma ½

 

Para quem desconhece, a série animada japonesa Ranma ½ – escrita por Rumiko Takahashi, que durou incansáveis temporadas e só recentemente desembarcou no Brasil pelas telas do Cartoon Network e da PlayTV (o canal do filho do Lula) – trata de um romance utópico[1] entre o praticante nômade das artes-marciais Ranma Sautome e Akane Tendo, herdeira da escola de artes-marciais de seu pai que precisa, antes de assumi-la, de um noivo. O problema é que um não sabe dizer ao outro o quanto se amam, que personagens excêntricos vivem cruzando o caminho dos dois e que, fundamentalmente, Ranma não é inteiramente homem! Em suas viagens passadas, no duro treinamento, ao passar pela China, acabou caindo no poço amaldiçoado de Josenkyo, o que lhe provoca um incrível efeito colateral: uma ducha de água fria basta para que Ranma vire mulher; ele (ela!) precisa de água quente para retornar ao estado masculino. A trama gira em torno dessas e de outras nuances e personagens igualmente amaldiçoados. O pai de Ranma vira um cômico panda; o arqui-inimigo – e melhor amigo! – Ryoga Hibiki se converte em porco indiano que vira o mascote da casa e mantém sua identidade oculta; Shampoo – uma pretendente a mais de Ranma Sautome – vira gata – e o ponto fraco de Ranma são os felinos! –; Mousse – outro rival de Ranma e apaixonado por Shampoo – é um pato nas “horas vagas”; e assim por diante...

 

Tendo (não estou falando da família da Akane) um roteiro eminentemente infantil (olhe por dois segundos para a tela e perceberá a estupidez dos diálogos, demonstrações imaturas de afeto, personagens estereotipadíssimos fazendo a mesma coisa todos os episódios, centenas de competições e duelos babacas e uma ambientação cafona, em que a casa dos protagonistas é destruída dia sim, dia não e ninguém vai à falência, e onde o gênero Brega Anos 80 é a lei em termos musicais!), é ainda assim impossível não adorar o universo de Ranma! Como dito, Rumiko fisga, vicia, hipnotiza o telespectador letargicamente. Acessos de riso e bocejos intermitentes, não importa: uma vez rotineiro em sua vida, será dificílimo abandonar o anime. O mangá, a série tradicional, os OVAs e os longas-metragens são divertidíssimos.

 

CURIOSIDADE

 

Wendell Bezerra, eternizado como o super-saiyajin Goku, encarna o algoz-amigo de Ranma, Ryoga Hibiki, na versão tupiniquim do anime. Todas as outras vozes emprestadas aos personagens também são dignas de aplauso. Ranma, como não poderia deixar de ser, é dublado por um homem e por uma mulher, quando está moreno ou ruiva, respectivamente Márcio Araújo e Fátima Noya (sim, a transformação sexual também muda a cor de seu cabelo!).

 

 

 

b) X-Men

 

Quase todos já devem saber, mas vamos lá: Os Fabulosos X-Men são um brilhante universo ficcional criado pelo mesmo homem por trás do Homem-Aranha, Stan Lee, que serve de alegoria para muitas reflexões filosóficas. Na realidade paralela da obra, certos indivíduos são propícios a desenvolver mutações genéticas e ainda assim continuarem vivos. E não são deficientes, tampouco. Pelo contrário, são espécies de heróis, com habilidades especiais que o gênio humano sempre cobiçou em suas fantasias. Nessa Terra às avessas, a maioria dos humanos comuns, invejosos e receosos, reflexo de uma sociedade preconceituosa e desigual (Martin Luther King que o diga!), busca o extermínio ou a alienação total dos “novos seres”. Como estão em maior parcela, geralmente os políticos os representam, com projetos de leis como a criação de sentinelas, ciborgues com a missão de eliminar pessoas detectadas como portadoras do gene X. Isso quando o próprio político não é um mutante! Fato é que ou os mutantes arranjam um jeito de conviver fechados (em associações como a Escola para Pessoas Especiais Charles Xavier ou comunidades subversivas em pleno esgoto da metrópole!) – e neste caso geralmente passam a vida lutando contra humanos, quem sabe fazendo terrorismo – ou vivem integrados com os “normais”, porém sempre ocultando seus poderes (aqueles que podem fazê-lo, e estes, ainda assim, sempre correrão o risco de revelá-los repentinamente). Mas os mutantes não estão em guerra civil e militar apenas com a sociedade: muitas vezes se despedaçam em conflitos fratricidas, quando é necessário reivindicar a liderança e novos rumos para o movimento, se é que deveria haver um uníssono. É nesse cenário caótico (se pensar bem, a nossa realidade nunca diferiu tanto disso, tirando que não existem super-poderes) que o leitor é despejado.

 

 

 

c) Vampiros no Ocidente

 

De acordo com o autor d’O Livro do Vampiro, J. Gordon Meltron, a primeira caracterização conhecida da criatura que o credo cristão-gótico vem a chamar de Vampiro foi mesmo a do Conde Drácula, livro de 1897 – portanto muito mais tardio que a aura medieval e camponesa que dele emana –, de autoria de Bram Stoker. O personagem foi adaptado para o cinema no século XX, no qual não parou de sofrer reformulações, até chegar aos estereótipos hoje cristalizados na cultura pop. O que menos pessoas sabem é que a primeira aparição de um vampiro na telona não foi de Drácula, mas de Nosferatu, do diretor Friedrich Wilhelm Murnau. Sua intenção, ao menos o que consta dela, não era pegar esteio no sucesso dos contos do Conde, apesar da clara inspiração, porém tão-somente criar um mito diversificado e à altura dos primeiros. Friedrich, alemão, rodou o longa na França e ele acabou batizado de Nosferatu, Eine Symphonie des Garuens. Nosferatu era um vocábulo sinônimo de vampiro ou morto-vivo/não-vivo que aparecia uma vez na obra de Bram Stoker. A data da produção do rolo de filmagem "sagrado"? Com certeza o sangue da película não está dos mais frescos: 1922 (muito longe de dizer, por esta brincadeira, que o material não deva ser conferido!).

 

A verdade é que Nosferatu, Eine Symphonie des Garuens passou quatro décadas em branco e fora tido como perdido para sempre, até que o filme original foi redescoberto após longo e misterioso (digno de um Drácula) sumiço. A partir de então, tornou-se um fenômeno cult. Em 1972 veio o primeiro remake, boa notícia para quem não for fã do cinema mudo. Hoje em dia, Nosferatu e Drácula são provavelmente os dois genéricos mais disseminados de vampiro: não precisa ser exatamente ele – se vir um sujeito alvo, alto e magro, de expressão enrugada e ranzinza, testa larga e nariz adunco, e, o mais importante, de molares extremamente afiados, é um nosferatu com certeza!

 

CAMPBELL, Brian. Livro do clã: Nosferatu. Tradução de Marco Andre Mezzasalma & Nicole Mezzasalma; revisão de Deborah M. Fink. São Paulo: Devir, 2001. [recomendado estritamente para RPGistas]

 

MELTON, J. Gordon.  The Vampire Book – The Encyclopedia of the Undead (“O Livro dos Vampiros – A Enciclopédia dos Mortos-Vivos”. Detroit: Visible Ink Press, 1994. Versão brasileira.



[1] Porque platônico, jamais concretizado, num virulento “doce” ambíguo e recíproco que contamina os personagens, o elenco e os espectadores, numa letargia amorosa que irrita e ao mesmo tempo comove, especialidade da criadora Rumiko, autora de outras pérolas do “docismo” como Inuyasha.

 



Escrito por a mosca filosófica às 15:28
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ABC DO DURKHEIM

28/02/11-22/04/11

 

Acabei de lembrar uma das sessões do meu sonho, que vem sendo uma das mais assustadoras e recorrentes:

 

Sonhei que no meio de uma quadra da Asa Norte havia leões, elefantes e macacos à solta. E eu via um leão próximo que ainda não me tinha percebido e tentava aflitamente escalar uma grade para me pôr a salvo.

 

1.  RODRIGUES (org.)

 

FATO SOCIAL. P 49 – Spencer e a teoria pedagógica supostamente impraticável de “criar a criança em liberdade” – daria num ultra-tirano? Talvez tivesse vida curta... Vide crianças que comem o próprio cocô.

 

64: primeira DIVISÃO DO TRABALHO na História – a sexual.

 

80: SOLIDARIEDADE ORGÂNICA. O sujeito se torna inexpressivo diante do todo burocrático. Não pode o especialista entender da totalidade do conjunto (ironia: sociólogo escrevendo-o). SOLIDARIEDADE MECÂNICA. Na “sociedade selvagem”, qualquer sujeito sabe de “tudo” na aldeia, até porque desempenha de tudo, com marcadas exceções (curanderia, etc.).

 

81: analogias biológicas – a divisão moderna do trabalho e o direito do Estado desempenham em relação ao todo social o mesmo papel que o sistema nervoso no organismo humano. (mecânica – ser unicelular)

 

Direito penal: o mais antigo, fossilizado, mecânico; periférico na modernidade. Talvez por isso desperte um interesse sobrecomum.

 

Esse conteúdo da “solidariedade” não consegue mesmo entrar na minha cabeça! [Foucault diria que Durkheim está certo, mas ao contrário!]

 

86: os iroqueses, o mais próximo da “horda primitiva”. “Em princípio, todos os de mesma idade eram parentes uns dos outros no mesmo grau.” Todo tio é pai e está-se num matriarcado. “caos”

 

HORDA > CLÃ > SOCIEDADES SEGMENTARES (união de vários clãs, formando um grande clã) > Assim nasceram os primeiros reis (o chefe de uma família de milhares de pessoas).

 

Geralmente cada clã terá um totem, mascote ou símbolo (hoje temos os brasões de famílias): um animal ou planta. “Madureira”, “Oliveira”, “Passarinho”... Gilberto Freyre e seus trechos impagáveis sobre o assunto. Totem e tabu: interdição da matança. Freud apontará esse culto a um animal específico como a origem mais remota das religiões – depois, no Oriente Médio, quando vários super-clãs se fundiram numa civilização, eis aí a figura de um DEUS, que fosse ao mesmo tempo todos os animais porém nenhum. Dogma da não-imagem => Bíblia em quadrinhos como heresia.

 

O linchamento é público – aceitação da pena – maldição que recaía sobre toda a comunidade – origem inclusive do mito da casa mal-assombrada – marido e mulher pulando do desfiladeiro amarrados ou sendo queimados na fogueira como um corpo só – seria como amputar sua própria perna se se deixasse o outro ir embora só – hoje: goleiro Bruno condenado é o alívio da massa (lado sádico). O Mito de Édipo-Rei – Rei Laio e Rainha Medéia – o bebê abandonado, o vidente, a Esfinge, o “rei forasteiro”.

 

DIVISÃO DO TRABALHO ANÔMICA: sociologia mais ultrapassada. O ERRO consiste em atribuir ao desenvolvimento uma intensificação da solidariedade porque os corpos estariam aglomerados, muito mais próximos. As barreiras invisíveis contra os mendigos e mal-vestidos, a especulação imobiliária e a indiferença generalizada desmentem esse estado de coisas. Fuga argumentativa: CARÁTER PROVISÓRIO DAS DIFICULDADES, ÉPOCA DE REAJUSTE. Mas lá se vão mais de 100 anos. Estamos muito mais próximos, hoje, de um RETORNO À SOLIDARIEDADE MECÂNICA, dado o fracasso do modelo ORGÂNICO. “Perdido no mar de gente”, é como se sente o cidadão hodierno. CENA PARADIGMÁTICA DO ELEVADOR LOTADO, QUE ESCANCARA A SOLIDÃO.

 

101: obviamente, a crítica mais contundente dos modos de produção deve ser deixada para Marx!

 

ANOMIA

 

É quando a vida social perde o sentido para o indivíduo. Em alguns períodos da humanidade, essa crise de finalidades preenche quase todos os corações e mentes. Os séculos XIX, XX e XXI até aqui, nas sociedades de consumo, têm sido considerados um período de anomia. O indivíduo não mais enxerga a utilidade do que cumpre.

 

Exemplos de pensamentos anômicos: estudar para quê? Trabalhar para quê? Por que votar nas eleições? Qual a diferença que Deus faria ou não na minha vida? Por que amar os parentes? Se um dia vou morrer, o que estou fazendo aqui?

 

Estas são atitudes questionadoras e importantes para o amadurecimento do ente, embora no estado anônimo as respostas para tais problemas sejam invariavelmente rancorosas e pessimistas. Se não puder achar ALGO que justifique todo o esforço e energia empreendidos no seu viver, o homem perde o gosto por estar pisando a terra, respirando o ar e compartilhando a árdua existência com outros homens. Passa a enxergá-los como se fossem coisas, sem valor. Não é que ele se pense muito melhor que os outros homens e isso o irrite. Muito pelo contrário: não enxerga nada abaixo nem acima de si, se sente completamente vazio e despido de intenções, anula o próprio valor individual que ele deveria possuir, que deveria se dar, automaticamente. Em suma, o homem percebe que só poderia existir algum valor em si mesmo se pudesse estabelecer com outros homens relações de solidariedade. Relações de solidariedade de cada um com a sociedade, portanto. E, no momento, esta solidariedade se encontra perdida. A resposta se vincula à obtenção de algo, ou à tentativa de cumprir algo, maior que a própria vida, maior do que si mesmo. Ser lembrado após a morte pelas suas realizações. O que poderá ser? Para muitos, a resposta difere. Alguns exemplos são gerar uma descendência (vontade de imortalidade), para outros é concretizar uma obra artística perdurável no tempo e louvável até para culturas que se seguirem... Para os menos capacitados, seguir um modelo que tenha atingido tal status pode ser uma solução intermediária.

 

O fenômeno da anomia se mostra mais comum nos países de Primeiro Mundo, onde reina a frustração e escasseiam os novos objetivos. E também entre os mais ricos de toda e qualquer população. É mais freqüente em homens ou mulheres grávidas desquitadas que perderam o filho. O ser humano é maleável o suficiente para aceitar as impossibilidades da natureza mas quando, por qualquer motivo que seja, sente-se todo poderoso... é inevitável que os fatos o desmintam e o deprimam, instalando-se a anomia.



Escrito por a mosca filosófica às 11:35
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118: “As ambições superexcitadas vão sempre além dos resultados obtidos, quaisquer que sejam”

 

Tempos de ansiedade à flor da pele. Rejuvenescimento da humanidade – Hollywood values. Mulheres mais másculas e homens mais femininos. Androginia.

 

“essa corrida em direção ao saque não pode ter outro prazer que a própria corrida” caça-caçador

 

“O esforço é portanto mais considerável no momento em que ele se torna mais improdutivo.” ex: relação pai-filho

 

“Quanto menos nos sentimos limitados, mais insuportável parece qualquer limitação.”

 

Crianças só MUITO RARAMENTE apresentam disposição para cometer o suicídio. O adulto, mais poderoso, é também mais frágil e instável em alguns aspectos de sua vida emocional, justamente em função disso.

 

“Grandes poderes exigem grandes responsabilidades” Tio Bem

 

119: trecho faltante em SUICÍDIO ANÔNICO – PDF

PÁGINA 120 – IMBATÍVEL

 

“Quando não se tem outro objetivo que ultrapassar sempre o ponto a que se atingiu, quanto é doloroso ser jogado para trás!”

 

TRANSFORMAÇÃO DO MACACO EM HOMEM – Engels

 

“o trabalho criou o próprio homem.”

 

Polegar opositor

 

Para entender o Capitalismo... Travail.

 

Sonhos “engatinhantes”: primatas.

 

O mito do pé-mão: pouco desenvolvido.

 

MÃOS CALEJADAS DA TERRA – O primeiro órgão ultra-especializado – ficar/andar ereto e libertá-la – obra de milhões de anos. MACHADO DE PEDRA – trabalho PRODUZIU/FOI PRODUZIDO (pel)a MÃO. Da COORDENAÇÃO MOTORA BRUTA à COORDENAÇÃO MOTORA FINA (arte – pinturas milimétricas; instrumentos musicais; artes-marciais; escrita – mesmo a caligrafia mais feia de um alfabetizado ou douto é um signo lingüístico “n” vezes mais complexo que rabiscos aleatórios, está muito mais aparentado à letra mais bela em seu significado, embora se assemelhe a um “eletrocardiograma” em seu significante!).

 

“os gatos totalmente brancos e de olhos azuis são sempre ou quase sempre surdos.” Vovô Márcio – ao invés de cego?

 

“o animal de voz mais repulsiva, o papagaio, é o que melhor fala.” Imagine como seria se tivéssemos pássaros “cantores humanos” tão belos quanto os maiores mestres de ópera. Apesar de não poder ser filósofo, o papagaio: (p. 11) “Ensinai a um dizer palavrões (uma das distrações favoritas dos marinheiros que regressam das zonas quentes) e vereis logo que se o irritardes ele fará uso desses palavrões com a mesma correção de qualquer verdudeira de Berlim. E o mesmo ocorre com o pedido de gulodices.”

 

“Devemos reconhecer – e perdoem os senhores vegetarianos – que não foi sem ajuda da alimentação com carne que o homem chegou a ser homem.”

 

CONSEQÜÊNCIAS IMPREVISTAS DO DOMÍNIO DO HOMEM SOBRE A NATUREZA: “Quando os árabes aprenderam a destilar o álcool, nem sequer ocorreu-lhes pensar que haviam criado uma das armas principais com que iria ser exterminada a população indígena do continente americano, então ainda desconhecido.”

 

RAYMOND ARON

 

Quem disse que o amanhã vai ser melhor?

 

12 (PDF) [20 do livro]: Exaltação de Ari.

 

Tocqueville, o proscrito.

 

14: “penso ter sido injusto para com Émile Durkheim, pelo pensamento do qual sempre senti uma simpatia imediata. Provavelmente tenho dificuldade em suportar o sociologismo em que desembocam tantas vezes as análises sociológicas e as intuições profundas de É. D. Insiste, provavelmente mais do que seria justo, no que há de mais contestável na sua obra, quero eu dizer na sua filosofia.” haha!

 

“Pareto é um isolado, e, à medida que envelheço, vou-me sentindo próximo dos ‘autores malditos’” “grande economista”

 

“Resta o fato de M. Weber nunca me irritar mesmo quando o acho errado, ao passo que me sucede experimentar uma sensação de mal-estar perante Durk. mesmo quando os seus argumentos me convencem.”



Escrito por a mosca filosófica às 11:35
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“Continuo, quase contra vontade, a ter mais interesse pelos mistérios do Capital do que pela prosa límpida e triste de A Democracia na América.”


p. 31 – MUITO SEMELHANTE AO ITEM 2 DO MEU TESTE AOS SEGUNDANISTAS! Sobre o erro e imperfeição do homem, o supra-instintivo.


Althusser de bituca.

 

Montesquieu x Hobbes & Rousseau: além do bem e do mal.


“Mont. é num sentido o último dos filósofos clássicos e noutro sentido o primeiro dos sociólogos.” Morre aos 66. Gostava de publicações apócrifas.

 

PROBLEMA INSOLÚVEL MAQUIAVÉLICO DO AMANHÃ – o que está presente nas maiores mentes e no entanto não pode ser resolvido por nenhuma: o governante perfeito, que não passa de ideal, embora seja algo pautado no real. Quanto ao que o homem tem direito de sonhar para si e esperar dos outros homens, isso não é o real. Não termos estômago para cálculos o tempo todo e sabermos que o que resume o homem é a palavra AFETO... Havia um futuro e um presente, e saber que o atual real é passageiro, mas que sem essa passagem destino nenhum se concretiza, e que a conta, analogamente, será cobrada pelos abusos de hoje. “Fim do capitalismo” – Max Weber e K. Marx e “a lição do Império Romano”: vivemos nele, ele acabará... Não se vender, não ser tolo. Ser decadente e ser altivo. Indignação conformada. Anestesia mau-humorada. Não ser “o meu pai”/hedonista, não se enquadrar... Na margem, ser trabalhador/consumidor.


Diderot e D’Alembert são contemporâneos de Mont. e integram Os Enciclopedistas.


Três Estados ou Idades: TEOLÓGICA => METAFÍSICA => POSITIVA


Alto desprezo pelos historiadores (desde o sempre)!


46: a morte de Deus


Economistas: metafísicos.


Pensamento análogo às castas indianas (?): “O operário que se encontra na base da hierarquia temporal pode estar na hierarquia espiritual numa categoria superior, se os seus méritos e sua dedicação à coletividade forem maiores do que os dos seus chefes hierárquicos.”


Teórico contra a guerra: “os ocidentais não deviam conquistar a Ásia e a África, e que se cometessem o erro de espalharem a civilização pelas pontas das baionetas, disso só males resultariam tanto para eles como para os outros.”


“o último discípulo do providencialismo cristão”

 

Sinto-me ouvindo um Tim Maia desafinado e caretão!

 

53: Napoleão

 

“A dinâmica está subordinada à estética.” epíteto ordem e progresso

 

Ao contrário do que aparenta, não endeusa a razão. Reconhece no homem a nobreza do AGIR face à especulação desmedida, ou seja, não negligencia a parte afetiva.

 

Poligamia: patologia. “Na família, o poder espiritual, quer dizer, o poder mais nobre, é o da mulher.”

 

“Cansamo-nos de agir e até de pensar; nunca nos cansamos de amar.”

 

“Comte só reconhece dois filósofos políticos: Aristóteles e Hobbes.”

 

“Montesquieu é modesto. A modéstia não é certamente a qualidade dominante de A. Comte”

 

Moral, a “sétima ciência”.

 

“O sociólogo é uma espécie de profeta pacífico”

 

“O fundador do positivismo, disso não tenho dúvida, ficaria indignado com os sputniks, com a pretensão de se explorar o espaço para além do sistema solar.” C. seria hoje “sociólogo do conhecimento”.

 

Certos traços do Übermensch: Zeitgeist.

 

Clotilde de Vaux; o amor platônico.

 

CATECISMO POSITIVISTA, PDF “OS PENSADORES” p. 267

 

“secretário de Saint-Simon” “Catecismo dos Industriais” Anos depois: S.-S. é um “saltimbanco depravado”. Cadê o amor?

 

Casou-se com uma ex-prostituta antes de se apaixonar por Clotilde.

 

Vive de “esmola ideológica”. Dentre os mecenas, J.-S. Mill!

 

P. 67 – o dom. Anti-utilitário.

 

Apesar de cultuar os grandes homens, dotados, devido a seu legado, de uma “imortalidade subjetiva”, Comte tem critérios absolutamente discutíveis para seu Olimpo: defenestra Napoleão.

 

“Benjamin Constante, presidente da República” Valeu, Aron! Mais: “A divisa ‘O. e P.’ surge no pavilhão de fundo verde do Brasil.” [grifo obviamente meu] P. 68, nota 27.

 

Ora, se linguagem e propriedade material são equiparados, infelizmente vivemos uma crise socialista na língua, que não é mais monopolizada pelos mais capazes.

 

Nunca ouviu falar de Hegel não, ô?

 

Marx – 73 notas 102

Nota 1 – Lefébvre; Nota 4 – Schumpeter

 

Pela primeira vez o homem compreende a TRAGÉDIA DA HISTÓRIA. Não se pode evitar o destino.

 

Neo-oposição de classes: nunca a classe inferior se torna senhora.

 

“A humanidade nunca se põe senão os problemas que é capaz de resolver” talvez não sejamos MAIS capazes, porque a questão já não é mais colocada! O PROBLEMASIÁTICO!

 

Variegadas hermeneutas. Ex: Padre Bigo (!)

79: “Stalin (...) reduziu, sem dúvida, o pensamento de Marx do nível do ensino superior ao nível do (...) primário”

 

“astúcia da razão” – conceito de Hegel em Filosofia do D.



Escrito por a mosca filosófica às 11:34
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Falar de coisa ruim é sempre mais fácil (PRINCÍPIO DOS JORNALISTAS) – por isso que sabemos falar do Capital e apenas especulamos sobre os índios.


Sonho mijando na caixa de fitas velhas/doadas. “Roubando” Super Mario 64 e colocando-a no bolso.


88: Sartre e Merleau-Ponty


90: “negação da negação” unilinear (proposições lógico-matemáticas positivas): não seria a reprise da História, o amanhã, porque o neo-comunismo estaria num plano superior. Seria diferente do modo de produção antigo. Tal idéia é de Engels que, notadamente, pelo ensaio inconcluso, é grosseiro quando comparado ao colega: “tem-se discutido muito para saber se Marx aprovava a filosofia materialista de Engels.”


Aron: ex-marxista de tipo gusmoniano, só quer passar a entendê-lo, então, de um prisma formal/acadêmico. Subtítulos depreciativos tais quais “erros do marxismo”, sendo que não achou necessário expressar os “erros do comtismo”. “Mas Marx não era um professor.”

 

94: (bom) o mito proletário. O erro de Thomas Edson.


Programa de Gotha: esmiúça a ditadura do proletariado.


98: “para evitar o nihilismo”

 

Kautsky, Bernstein, Lenin


99: o engodo da sociedade do bem-estar sueca.

 

China e como (antes da Coca-Cola) os camponeses liam O Capital como se fosse a Bíblia.


“Engels assegura uma renda anual a Marx.” (1818-1883)


NOTAS


“um saint-simonismo proudhonizado que foi a fonte principal de Marx” Gurvitch


“Hegel – o mais fatalista dos filósofos conhecidos”

 

“Alguns textos idílicos de Marx chegam a desenhar uma sociedade futura em que os homens iriam à pesca de manhã, à fábrica durante o dia [sic], para à noite se retirarem a fim de cultivarem o espírito. Não se trata de uma representação absurda.”

 

Hyppolite, o “padrinho” de Foucault.

 

106: Marx e as multinacionais irresponsáveis (n. 31).

 

“[Weber] conservou a mágoa por não ter sido um homem de ação. Pertence à família dos sociólogos que são políticos falhados (...) como Tucídides, ou (...) Maquiavel”

 

DE VOLTA A ÉMILE DURKHEIM

 

Formas Elementares da Vida Religiosa seria seu grande livro. Exatamente por isso não deve ser passado para ensino médio.

 

A necessidade de uma nova religião e do fabrico de deuses.

 

Jules Monnerot – Os Fatos Sociais Não São Coisas

 

Os iroqueses se localizam no noroeste dos EUA.

 

185: Mito de Sísifo

 

Um homem ao qual venho me afeiçoando, “O Pai” Comte: “A. Comte, na sua representação da sociedade futura, deixava muito pouco lugar às eleições, aos partidos, aos parlamentos.” Contra essa corja de rodoviária, de sala de professores e de reuniões familiares que se comprazem em fofocar sobre os bastidores do faz-de-conta metafísico, diria um bom francês ainda de espírito. Durkheim: “aos olhos do sociólogo, eleições e parlamento são fenômenos superficiais.”

 

Sobre o “social” dos textos de Filosofia: “é uma confusão sistemática imaginar-se que há uma teoria sociológica do conhecimento.” Fetichização do instrumento que se tem à disposição.

 

O SUICÍDIO

 

Polêmica: o regicida é um suicida, para Durkheim!

 

Responda a minha pergunta: fumar é suicídio? Se responder que sim, sua categoria está larga demais. Depois que passaram a publicar aqueles avisos com fotos no verso de cada carteira, acho que a resposta é sim! Ou pelo menos se o sujeito fuma uma dessas por dia!

 

A definição. P. 7 – “chama-se suicídio todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato que a vítima sabia dever produzir este resultado.” – existe a morte acidental e também o fracasso da tentativa.

 

Animais não se suicidam – PARTICULARMENTE, não precisamos concordar – o escorpião faz por engano, não tem livre-arbítrio/consciência. Dizem que cavalos se matam... A mariposa voa em direção ao fogo, mas qual sua cadeia de intencionalidade?

 

Forma de medir a ANOMIA: maior taxa de SUICÍDIO nos PAÍSES RICOS.

 

Não ter deus bem poderia ser força: o EXISTENCIALISTA sabe que “não há esperança” nem outro mundo. Só ele é realmente suicida.

 

A partir de que idade começa-se a ser suicida? 5 anos.

 

“pelo fato dos suicídios ocorrerem sobretudo durante o dia. Razão deste paralelismo: a vida social atinge a sua plena atividade durante o dia.”

 

Causa mortis: acesso público garantido pelo Estado!

 

“A melhor prova de que a felicidade não aumenta com o progresso da sociedade moderna é a freqüência dos suicídios.”

 

Hereditariedade – famílias malditas de suicidas.

 

“Talvez as mulheres sem filhos sofram daquilo a que os psicólogos atuais chamam uma frustração.” Afrodite, A Redimida. Afrodite 1; Afrodite 2. Por dentro, por fora. Dia mais feliz de sua vida: dando a notícia à Danielle. Por ele, essa altruísta até voltaria ao amor antigo... Quanto tempo vai durar? Olhos azuis traiçoeiros. A “perfeição do crime” foi que com o pai anônimo a abstração e desimportância do emissor do gameta foi elevada ao último grau; e ainda mais o rebento sendo masculino. CEUB e a dificuldade para um adulto escrever... Fico pensando neste glorioso futuro desta eterna-prostituída... Nenhuma letra igual à dela na periferia. Nenhuma aluna caída de paixão? O problema são as velhas; e pior: as que ficaram pra titia! Alguns homens não passam de mulheres histéricas...

 

“Toda e qualquer situação que tenda a aumentar a disparidade entre os desejos e a satisfação traduzir-se-á por um coeficiente de agravamento.”



Escrito por a mosca filosófica às 11:33
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“durante os anos de guerra, o número de suicídios diminui”

 

Há egoístas mecânicos?

 

Suicídios coletivos japoneses: 2 em 1?

 

“suicídios camuflados” – como tem gente que mente sobre o que sonhou, tem família que mente sobre a motivação ou as condições da morte do finado, ou simplesmente dela nada sabe. Normalmente a quantidade deve ser maior do que a oficial.

 

“O fator religioso é difícil de isolar” Para medir o impacto da religião sobre os suicídios é necessário que todas as outras variáveis sejam iguais (nível de escolaridade, gênero, estado civil, profissão, residência urbana/rural...).

 

“não há ‘corrente suicidogênea’, a não ser na imaginação ou no vocabulário de D.”

 

Monomaníaco: o mito do meio-louco.

 

P. 17 (PDF): “Idéias, sentimentos mais diversos e até contraditórios, sucedem-se com um ritmo extraordinário no espírito dos maníacos.” “O mais insignificante incidente pode acarretar essas alterações bruscas.” “O fato de ver uma faca, de passear à beira de um precipício, etc., faz com que a idéia de suicídio nasça repentinamente no doente e o ato segue-lhe com uma rapidez tal que por vezes nem o próprio tem consciência do que se passou com ele.”

 

“A neurastenia é uma espécie de loucura rudimentar; deve pois ter, em parte, os mesmos efeitos. Ora, ela é um estado muito mais generalizado que a vesânia e tende a alastrar-se cada vez mais.” “os neurastênicos são pelo seu temperamento, como que predestinados para o sofrimento.” “Para o neuropata, toda a impressão é uma causa de mal-estar; todo o movimento uma causa de fadiga; os seus nervos estão como que à flor da pele, e por isso crispam-se no mais pequeno contato; a realização das funções fisiológicas, normalmente insensível, é para ele uma fonte de sensações geralmente penosas. É verdade que, em contrapartida, a zona de prazeres começa por sua vez também antes (...) graças a esta compensação, fica de posse das armas necessárias para enfrentar a luta.” mas... “para ele, neuropata, a vida [média] não é suficientemente amena. É claro, quando pode refugiar-se, criar um meio especial em que os abalos do exterior não o perturbam, consegue viver sem sofrer muito; é assim que o vemos por vezes abandonar tudo e todos e procurar a solidão. Mas se é obrigado a entrar na ‘confusão’, se não consegue abrigar-se cuidadosamente dos choques exteriores, a sua delicadeza de espírito doentia tem muitas hipóteses de experimentar mais dores do que prazeres.” N.E. neuropatia = neurose “Dado que as impressões mais ligeiras têm [no neurastênico] um eco anormal, a sua organização mental é constantemente abalada e, portanto, não pode fixar-se uma forma determinada. Está num permanente devir.” // piscina circular essa “se no momento de agir tudo estiver por começar, é impossível que a ação seja o que deveria ser.” “é levado a inventar formas originais de conduta; daí o seu gosto pela novidade. (...) na maioria das vezes [as combinações improvisadas] falham. É assim que, quanto maior fixidez o sistema social tiver, maiores dificuldades um sujeito tão móvel terá em viver nele.” “A debilidade muscular e a sensibilidade extrema que tornam este organismo impróprio para a ação, designam-no para funções intelectuais que reclamam por seu turno órgãos apropriados.” Quais? “é no preciso momento em que os neurastênicos são mais numerosos que têm mais razões de ser.” “Num povo envelhecido e desorientado, germinarão facilmente a ausência de gosto pela vida, e atitude de uma melancolia apática (...) numa sociedade jovem, é um idealismo ardente” Para D., a França é exemplo do primeiro povo e a Rússia se enquadra entre os “ativos esperançosos”. Que coisa!

 

“O suicídio é uma manifestação essencialmente  masculina”, embora o número de mulheres loucas seja maior

4:1

 

Judeus: mais loucos; menos suicidas.

 

“É por volta dos 30 anos que o perigo de loucura é maior”

 

“se é nas classes mais cultas e abastadas que o suicídio faz mais vítimas, não é nesses meios que o alcoolismo recruta os seus melhores clientes.”

 

Na velhice o movimento atinge seu apogeu.

 

Capitais: ilhas mortíferas.

 

Primavera: “O homem prefere deixar a vida no momento em que esta lhe é mais fácil.” A minha não está sendo...

 

“durante o Verão há um excedente de energia que tem de ser utilizado e que só pode manifestar-se sob a forma de atos violentos.”

 

“Se o suicídio exaltado ou exasperado é freqüente, o suicídio calmo e pensado não o é menos.”

 

47: a teoria do suicídio homicida (Lombroso e Ferri)

 

“verifica-se que o suicídio diminui à medida que a semana se aproxima do seu fim, a partir da sexta-feira.”

 

“Todo começo de mês...” => “Dir-se-ia que o ritmo da vida social reproduz as divisões do calendário; que há como que um renovar de atividade sempre que se entra num novo período e uma espécie de quebra à medida que cada período se aproxima do seu fim.” Todo carnaval...

 

Sonho Cair de grandes alturas – só o bom nietzscheano. A horripilante morte do Kubica – junto com meu pai, que duvida ou não consegue ver. Ozzy, perseguido, abraçado. Canto.

 

Dados de Durkheim: sempre interpretei como o contrário: no fim do dia estou cansado, no fim do mês não agüento mais e no fim do ano gostaria de deitar para dormir e morrer.

 

E, depois, maior é a atividade, maior deveria ser a solidariedade social, não?? Pelo contrário: afastar-se dos outros homens calha de ser a única maneira de evitar algo pior.

 

“Sobretudo nos grandes centros, a maior ou menor duração do dia deve ter pouca influência, porque a iluminação artificial restringe o período de obscuridade.”

 

P. 56 – conceito de imitação; seqüências de suicídios no mesmo local (Pátio – a força do social).

 

“há 4 a 5 vezes menos suicídios nos cantões católicos do que nos cantões protestantes.”

 

Judeus: “Têm toda a inteligência dos modernos sem partilhar o desespero destes.”

 

“Não é com demonstrações dialéticas que se arranca a fé pela raiz; é preciso que já tenha sido profundamente abalada por outras causas para que não possa resistir à força dos argumentos.”

 

O apelo de Durk. pelo respeito ao Ideal Científico (79).

 

“Podemos dizer, por conseqüência, que o estado de casado reduz o perigo de suicídio a cerca de metade”

 

“Os casamentos demasiado precoces têm uma influência agravante sobre o suicídio, sobretudo no que diz respeito aos homens.” [itálico no original]

 

“Os viúvos matam-se mais do que as pessoas casadas mas, em geral, menos do que os celibatários.”



Escrito por a mosca filosófica às 11:32
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“Ora, hoje em dia a neurastenia é antes considerada como um sinal de distinção do que como uma tara. Nas nossas requintadas sociedades, tão dadas às coisas da inteligência, os nervosos constituem como que uma espécie de nobreza.”

 

“A mulher encara portanto as segundas núpcias com tanta indiferença quanto o homem as encara com entusiasmo.” O homem, se sente mais a solteirice, também sente mais a viuvez.

 

Sugestão: poderia esticar a pesquisa para casados cujo(s) filho(s) morreu/ram e para o gênero dos filhos que mais contenta cada sexo (marido/mulher): haveria algum eco presente do complexo de Édipo? E ter 1, 2, 3, 4 filhos, teria que peso? Voilà! “Esta proteção é tanto mais completa quanto mais a família é densa, isto é, quanto maior é o número de seus elementos.” “Por muito pobre que se seja, e mesmo debaixo do ponto de vista do interesse pessoal, não há pior investimento do que aquele que consiste em transformar em capitais uma parte da descendência.” Altamente irônico! “a vida doméstica torna-se portanto lânguida e há momentos em que o lar está deserto.”

 

Engraçado como até esta época a palavra Alemanha não queria dizer muita coisa, e se falava em ducados como se fossem países.

 

101: as leis durkheimianas do suicídio. Corolário da imanência.

 

102: LINDA PASSAGEM (201 do livro p. d.)

 

Razão do suicídio egoísta: INDIVIDUALISMO como a marca de nossos tempos.

 

“Mas, sobretudo, por que o sofrimento?” “Pare o crente em comunhão total com a sua fé, para o homem fortemente embrenhado nos laços de uma sociedade familiar ou política, o problema não existe.” “na medida em que o crente duvida (...) torna-se um mistério para si próprio, não conseguindo assim escapar à irritante e angustiante pergunta: para quê?” [grifo meu] “Com efeito, pelo fato de termos tido acesso a uma existência mais ilustre, não nos podemos satisfazer com aquela que contenta a criança e o animal e eis que ela própria nos escapa e nos deixa desamparados.” “existência do nada” “vazio” “Não é necessário mostrar que num tal estado de perturbação, as mais pequenas (sic) causas de desalento podem facilmente dar origem às resoluções desesperadas. Se a vida não vale a pena ser vivida, qualquer coisa se torna um pretexto para nos livrarmos dela.” “correntes de depressão e de desilusão” “uma espécie de astenia coletiva”

 

104: os Messias Suicidas – intermediárias entre Sistemas Morais. “a miséria filosófica do corpo social.” “Quando não resta mais nada em comum, comunga-se na tristeza.”

 

Mulher, um ‘bicho mecânico’ em plena solidariedade orgânica: “Com algumas obras de caridade, alguns animais para cuidar, a velha celibatária tem a vida cheia. (...) isto não basta ao homem.”

 

Manu restringe o suicídio aos velhos que já possuam descendente. “Lois de Manou”

 

Jainismo (p. 109) “Sem dúvida que o jainismo, assim como o budismo, é ateu”.

 

Suicídio altruísta (morfologia): a) obrigatório; b) facultativo; c) agudo/místico.

 

Exército – suicídios aumentam com a patente. “De todos os componentes das nossas sociedades modernas, o exército é aquele que mais faz lembrar a estrutura das sociedades inferiores.” “Deduz-se (...) que o coeficiente de agravamento militar é tanto maior quanto o conjunto da população civil denota uma menor tendência para o suicídio, e inversamente. A Dinamarca é a terra clássica do suicídio e os soldados não se matam mais do que o resto da população.” “Em todos os exércitos, as tropas de elite são aquelas em que o coeficiente de agravamento é mais elevado.” A sina dos mais ricos: DINAMARCA X BURUNDI, HAITI...

 

“censura-se o rico que vive como um pobre, mas também é censurado acaso procure em demasia os requintes do luxo.” Maldito Albertino fatiador de textos!

 

“e é este contentamento mediano que dá origem a este sentimento de alegria calma e ativa”

 

124: incursão anômica pelo socialismo

 

ANOMIA (suicídio): fator velocidade ah! ansiedade! ah, egoísmo! uh ah u street fags, ah o bertino, que filtrou o de mais sociológico, paradoxalmente: quando Durkheim fala de falências econômicas e das classes.

 

126: enxerga a cegueira da esquerda e da direita. “a indústria, em vez de continuar a ser considerada como um meio com vista a um fim que a ultrapassa, tornou-se o objetivo supremo dos indivíduos e das sociedades. (...) Estorvá-los é como que uma espécie de sacrilégio.”

 

“o estado de (...) anomia é (...) normal.”

 

Encontrar a família como um novo velho homem...

 

135:Musset e a anomia (ânsia, afobação) do solteiro, que quer tudo (todas) e não consegue nada, e sempre na ordem estritamente física das coisas. “deseja-se aquilo que não existe” “Para que se chegue a este ponto [de sensibilidade exasperada], nem sequer é necessário que se tenham multiplicado indefinidamente as experiências amorosas ou que se tenha vivido como um Don Juan. Basta a experiência medíocre do celibatário comum. São incessantemente novas esperanças que despertam e que não se realizam, deixando atrás delas uma impressão de fadiga e de desilusão.”

 

ROLLA – Namouna; “vide o monólogo de Fausto na obra de Goethe.”

 

“[ao divórcio] o casamento já não é um simulacro dele próprio”

 

Economia do amor! Agora sim! E para os amantes-paranóides? Melhor o “solto convicto”. Namorar em nosso tempo: “Aliás, está tanto mais desinteressado do presente, quanto não está completamente seguro de o poder gozar”

 

136: o que eu já dissera sobre a “fidelidade platônica” do homem (porque é bicho infiel!) e a “infidelidade carnal” da mulher (porque é mais leal e simples) no blog!

 

138: o QUARTO TIPO DE SUICÍDIO, Fatalista. Diametralmente oposto ao anômico como EGO/ALT. Mulheres presas demais à NORMA (casamento). Clausura.

 

CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA       CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA

altruísta                                    baseada em casos individuais

egoísta                                     (vide a seguir)

anômico

fatalista

 

O senso comum: “considera-se vulgarmente qualquer suicida como um melancólico para quem a existência é um fardo.”



Escrito por a mosca filosófica às 11:31
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MORFOLOGIA DOS SUICÍDIOS

 

1. SUICÍDIO ANTIGO

 

Ex: Raphaël, Lamartine (1849). Um apaixonado-por-si-mesmo. O contemplativo. O insensível. Não acredita que possa amar alguém honestamente. Se se engaja em algo, é tão-somente com o fito de observar as próprias reações (montar o seu laboratório). A figura pode ser antiga, mas só fica individualizada e cognoscível durante o Romantismo.

 

Evoca-me o trecho de Fenomenologia que li ao pé da Natália, em frente ao CaSo: estóicos e o progresso do Para-Si da Consciência. “a doutrina tem necessariamente de conduzir ao suicídio.” “melancolia calma”, morte lenta e planejada – morrer de câncer de pulmão, de fadiga do trabalho,...? Aqui, ilustrações geniais! O homem que foi morrer de inanição na floresta e ainda sobreviveu 3 semanas... Segundo exemplo entre as vítimas-autores deste primeiro tipo morfológico de Durkheim: asfixia à queima de carvão, este que parece um método exitoso, conforme já vi em tutorial na Internet – entre num prédio incendiado, mas não se jogue nas chamas! Sente-se, inale e espere o “apagar das luzes”. Esse suicídio 1 requer “um grande desenvolvimento da ciência”. Destino dos céticos.

 

2. SUICÍDIO EPICURISTA

 

Mais ou menos como o anterior, só que é o dos oportunistas: de repente abriu-se a brecha, resolutamente embarca-se na nau. Típica frugalidade do jovem que sabe que dali em diante a saúde é uma ladeira e que não vale a pena se torturar na velhice.

 

3. ALTRUÍSTA OBRIGATÓRIO

 

Dispêndio de energia. Hamlet.

 

4. ALTRUÍSTA FORTUITO

 

Talvez Jesus Cristo/Sócrates!

 

5. SUICÍDIO COLÉRICO

 

Do tipo do criminoso que se mata para não ser preso pelo(s) homicídio(s) cometido(s). Ou mesmo partindo do ressentido que se vinga, por exemplo, da negligência dos familiares deixando um bilhete e suprimindo a própria vida, para que outros arquem com a culpa.

 

6. SUICÍDIO WERTHERIANO

 

O sujeito que acumulou muitas vitórias mas que finalmente esbarrou em seus limites – ou se decidiu tão rapidamente pelo fim que não percebeu que era apenas uma circunstância impeditiva. “W., esse coração turbulento, como se define a si próprio, apaixonado pelo infinito, que se suicida por causa de um amor contrariado.” Qualquer celebridade pode cair aqui (Getúlio Vargas).

 

7. SUICÍDIO DO PRESO-AO-CICLO

 

Por uma boa quantia de tempo, as pedras roladas acabam como a de Sísifo, e a pessoa se cansa, parece presa a um dia que nunca chega ao fim, pois sempre se repete. Se eu me suicidasse durante a UnB... Qualquer operário de fábrica de gestos mecânicos poderia se desenhar uma morte assim...

 

145: fusão ANOMIA+EGO. “É assim que acontecem os suicídios mistos em que o abatimento alterna com a agitação, o sonho com a ação, os arrebatamentos com a concentração do melancólico.” catatonia...

 

8. SUICÍDIO FANTASISTA

 

(ALTRUÍSTA+EGO.) Dos anômicos/esquizóides alheados que de repente abraçam causas (Wellington e sua conversão ao islamismo).

 

Aquiles, se sabia que ia morrer, simplesmente é suicida, tanto egoísta quanto altruísta. “o egoísmo mistura-se com o misticismo.”

 

“A morte escolhida pelo suicida é portanto um fenômeno totalmente estranho à própria natureza do suicídio.”

 

QUADRO-RESUMO 148

 

“Sabe-se, com efeito, que as deliberações humanas, da forma como as atinge a consciência refletida, são muitas vezes puramente formais, tendo como único objetivo corroborar uma resolução já tomada e motivada por razões que a consciência desconhece.”

 

“Em Atenas, se antes de executar o ato o suicida pedia autorização ao Senado invocando as razões que lhe tornavam a vida intolerável, e se o pedido era deferido segundo as normas, o suicídio era considerado como um ato legítimo”

 

CAMPO e RELIGIÃO CATÓLICA: menos suicídios; mais homicídios.

 

Estabelece relação direta, outrossim, entre ANOMIA e HOMICÍDIO (Brasil?). Faltaria poder medir se realmente são as nações cristãs que apresentam mais casos de suicídio anômico. CAPITAIS: grande bomba. Posso entender melhor agora por que a teoria dos 3 suicídios ao invés de 2!

 

187: o suicídio em galopante aceleração como índice doentio. Cita o pessimismo schopenhaueriano e os tipos mórbidos como os socialistas e os anarquistas. Cauteloso com o Budismo!

 

2 séculos de anomia... Podia ter um festival...

 

O paradoxo dos decadentes falando na educação das novas gerações visando à sonhada transmutação moral. A variável milagrosa! Mas está tudo condenado! Reformas, reformas, reformas, natureza e destino manifesto... Engodo, engodo, hora errada marcada no açougueiro... “Mas isto significa atribuir à educação um poder que ela não possui. Não é nada mais que a imagem e o reflexo da sociedade.” Bom! “Se o meio moral está viciado, os professores não podem deixar de estar impregnados de vícios, dado que vivem nele; mas, nesse caso, como poderiam inculcar nos educandos uma orientação diferente da que receberam?” Agentes da discórdia. Grande Matrix-para-boi-dormir. “É um círculo vicioso.” “nada vem do nada” as falhanças da prática dissipam rapidamente essas ilusões pueris.” “É preciso que este [indivíduo] se sinta mais solidário do que atualmnente com um ser coletivo que o precedeu no tempo, que lhe sobreviverá e que lhe é superior em todos os aspectos.” ma resposta construtiva para o problema é necessariamente metafísica. Bom, no que se refere à CORPORAÇÃO, quando ela é a ESCOLA VICIADA, não há nada mais que se possa fazer sem cair no ridículo... Eis o que faz com que os 20% finais dos textos, de qualquer texto, sejam sempre dispensáveis! Resíduo demagógico...

 

P. 196: D. e seu ódio pelo Estado. Incompatível com o ódio aos revolucionários.



Escrito por a mosca filosófica às 11:30
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A ILHA – ISLAND – Aldous Huxley

07/04/11-12/04/11

 

DIC: hiccup – soluço

       canvas – nobre tecido; especiaria; às vezes, uma pintura/quadro.

       bark – latido; uivo.

       buttock – bumbum

       breadfruit – jaca

  

O elemento edipiano foi removido do filme “O Náufrago”.

 

Dalí, Baudelaire...

 

“this improbable Highlander”

 

Há a presença de nativos nesse paraíso tropical.

 

1961

 

Trabalho investigativo regulado pelo relógio.

 

Britânico, não americano.

 

“So unhappy that he has to laugh like a hyena.”

 

“I don’t care where I’m from. Nor where I’m going. From hell to hell.” Provavelmente era criança durante a II Guerra.

 

“He tried not to listen; but ears have no lids”

 

O céu azul de abril e um desastre iminente…

 

“In religion all words are dirty words.”

 

“Conflicts and frustration – the theme of all history and almost all biography. (...) Buddha [teached] the blessed experience of Not-Two.”

 

Os estóicos (imperfeitos) e o Ser Supremo ou Bom. “the only genuine yoga.” Spinoza

 

“God = ‘God’.”

 

“L’état c’est moi” 36 X “like the Queen of England”

 

Antinous, The Raja of Pala, 17 anos.

 

Os problemas giram em torno da discussão do monopólio da exploração de petróleo na região. O jornalista Will Farnaby trabalha para um dos tubarões.

 

“Industrialization for industrialization’s sake.”

 

Algo sobre uma destruição considerável do mundo.

 

“Continuing Revolution”



Escrito por a mosca filosófica às 01:12
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P. 41 – a visita da mãe do príncipe a Will – “W. bowed...”

 

“Et combien sympatique!” “You understand French, of course, Mr. Farnaby?”

 

“a World Movement to save Humanity from self-destruction.”

 

“I canceled my last four lectures in Brazil” o tipo de líder religiosa que realmente amealharia muitos adeptos por aqui.

 

57-8: a enfermeira gostosa

 

“Você é uma aberração de um jeito, eu sou de outro. Um esquizóide (não é o que você é?) e, do outro lado do mundo, um paranóico. Ambos vítimas da mesma praga do século vinte. Não a Peste Negra, dessa vez; mas a Vida Cinza. Já esteve interessado no poder?”

 

59: o turismo sexual

 

“We’re all demented sinners in the same cosmic boat – and the boat is perpetually sinking.”

 

P. 63 e anteriores: medicina moderna x medicina tradicional

 

“Thank goodness,”

 

Ilha bissexual.

 

69: filosofia oriental x ocidental

 

Maithuna, “the yoga of love” – o tantrismo – “it’s just birth control without contraceptives”

 

71: Freud

 

“the perfect stranger, who is the other half of your own self”

 

Ensino sexual prático nas escolas.

 

“Whenever the parental Home Sweet Home becomes too unbearable, the child is allowed, is actively encouraged – and the whole weight of public opinion is behind the encouragement – to migrate to one of its other homes.”

 

Casa do Dedé: onde as emoções chegam à superfície.

 

Suicídios só podem acontecer no calor da madrugada, Sr. Durkheim!

 

“Hybridization of microcultures – that’s what our sociologists call the process.”

 

“You can’t get rid of them, can’t take a holiday from them”

 

“Fourteen years of family servitude. How I envy you! Free as a bird!”

 

Vender cartões telefônicos do lado de for a da loja – genialidade, espontaneidade proibidas. Entre e sente-se. E prenda direito esse seu cabelo muito alto!

 

90: “Se suas crianças levam essas boçalidades a sério, crescem como pecadores miseráveis. Se não levam, acabam sendo cínicos miseráveis. E se reagirem desse cinismo miserável, já estão aptos a se tornar o Papa ou um Marxista. Não me espanta vocês precisarem de todos esses milhares de prisões e igrejas e celas para Comunistas.”

 

“no Communist pie in the twenty-second century.”

 

“No, old friends would never do. But from this dark little outsider, this stranger to whom he already owed so much and with whom, though he knew nothing about her, he was already so intimate, there would come no foregone conclusions, no ex parte judgements – would come perhaps, he found himself hoping (he who had trained himself never to hope!), some unexpected enlightment, some positive and practical help. (And, God knew, he needed help – though God also knew only too well that he would never say so, never sink so low as to ask for it.)”

 

“Cold War I”

 

“Eu fui um sucesso porque eu era irremediavelmente de Segundo-escalão.”

 

Mulheres feias com quem eu me casaria:

 

 

“The sex addicts are also person addicts. In other words they’re lovers.”

 

E um Chuck o quadruple, it Will be necessary… to get close.

 

“pink alcove” o leito de amor com a amante Babs.

 

Sonho: Diogo e Katiuscia passam pela porta do meu quarto inesperadamente. Eu estava me masturbando, de lado, e de costas para a porta, deitado na cama, sem cobertor, mas vestido, de bermuda, com uma das mãos dentro da cueca. Segredo revelado. Até quando?

 

Nomenclatura-paródia de AMN: “Those are the Alpha Plus undesirables. As a journalist you rank as a Beta. Not the kind of person we should ever dream of inviting to Pala. But also not the kind who, having managed to get there, requires to be summarily deported.”



Escrito por a mosca filosófica às 01:11
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“Por quem você preferia ser devorado – um lobo ou um tigre? Desde que o carneiro é a caça, dificilmente isso importa.”


P. 108 – Os 99,9% condenados, segundo o Calvinismo.


“I have a theory that, wherever little boys and girls are systematically flagellated, the victims grow up to think of God as ‘Wholly Other’ – isn’t that the fashionable argot [jargão] in your part of the world? Wherever, on the contrary, children are brought up without being subjected to physical violence, God is immanent. A people’s theology reflects the state of its children’s buttocks.”

 

Os mais privilegiados são os que mais sofrem, não se esqueça disso! Sofrimento subcutâneo.

 

Pedras no sapato do teórico Huxley: Tuíla; James Hetfield? Santo Agostinho e Lutero: “os dois mais imperdoavelmente flagelados bumbuns/traseiros de toda a história do pensamento cristão.” A conversão desses grandes líderes – “the perfect Pavlovian setup.”

 

113: “E pensar que as pessoas reclamam que a vida moderna não faz sentido! Olhe para o que a vida era quando fazia sentido! Um conto contado por um idiota ou um conto contado por um calvinista? Dê-me o idiota sempre!”

 

15% da população não se dá bem com alucinógenos.

 

“you spend 9/10 of your time on foam rubber. Spongy seats for spongy bottoms – at home, in the office, in cars and bars, in planes and trains and buses.” “You don’t allow your teenagers to work, so they have to blow off steam in delinquency or else throttle down steam till they’re ready to become domesticated sitting-addicts.”

 

“And finally we don’t spend a quarter of the gross national product preparing for World War III or even World War’s baby brother, Local War 3.333.”

 

143: o rodízio de empregos!

 

“Materialismo abstrato é tão ruim quanto idealismo abstrato – ele faz da experiência espiritual imediata algo quase impraticável.”

 

“You can expect one Peter Pan among every Five or six male children.”

 

147: “But Adolf [H.] was sexually backward. Other boys made advances to girls, and the girls responded. Adolf was too shy, too uncertain of his manhood.” E seu “Mundo à Parte”, como se julgava um Miquelângelo e não era nada. “Hitler’s the supreme example of the delinquent Peter Pan. Stalin’s the supreme example of the delinquent Muscle Man. (...) the one who always feels impelled to Do Something and is never inhibited by doubts or qualms.” “Peter Pans are wonderfully good at starting wars and revolutions; but it takes Muscle Men to carry them through to a successful conclusion.”

 

Will: “I was thinking of my father. A little wood-chopping might have been the making of him – not to mention the salvation of his wretched family.”

 

“Rock climbing’s a branch of applied ethics; it’s another preventive substitute for bullying.”

 

“all too human” várias vezes no livro.

 

Se você fosse forçado a ir com alguma freqüência a um templo budista, culto, ou qualquer tipo de cerimônia religiosa ou ritual, por qual periodicidade optaria? Semanalmente? Não, agenda muito cheia. Talvez uma vez por mês e ainda assim descumprisse o trato.

 

“o que é melhor – nascer estúpido numa sociedade inteligente ou inteligente em uma insana?”

 

“Time even in this place of timeless meditation. Time for dinner breaking incorrigibly into eternity.” Me, staring at the microwave oven while I hear Aloísio’s dad voice (today should it be – dead voice?) – then in this night we are gonna play N64 and watch “Total Mess Mayhem – and would it be forever, Nietzsche?

 

Anxiety for peeping, eating, talking... Self-generated apprehension. Gloriously numb and erroneous for the sake of being free to be wrong about health and wealth.

 

“Para os animais, nós somos Satanás.”

 

Polly, o papagaio (184).

 

“So never take yes for an answer, even when, as now, yes is self-evident.”

 

“Will laughed. ‘God said, Let Darwin be, and there was Nietzsche, Imperialism and Adolf Hitler.’” “Darwinism was the old neolithic Wisdom turned into scientific concepts.”

 

Bebês não são picados por serpentes porque não tremem de medo delas.

 

195: orientalização do Ocidente e vice-versa

 

“So we teach our children all kinds of breathing games, to be played whenever they’re angry or upset.”

 

“Por elas mesmas, as humanidades não humanizam. Ler Platão ou ouvir uma leitura de T. S. Eliot tampouco educam a integridade do ser humano.”

 

204: jogos de sorte para as crianças

 

214: o treinamento de professores

 

216: o dualismo dos gregos

 

227: a primeira morte – o animal de estimação. Não vivi o ritual de despedida. Com ninguém.

 

“beijos e conseqüentemente nascimento e depois morte para ainda mais uma geração de testemunhas do pôr-do-sol.”

 

“Você nunca viu alguém morrendo e você nunca viu ninguém tendo um bebê. Como chegou a saber as coisas?”

 

242: Édipo provoca risos nos Palaneses

 

253: a experiência espiritual de sair do próprio corpo e vê-lo

 

Drogas/alucinógenos: “Speaking was difficult. Not because there was any physical impediment. It was just that speech seemed so fatuous, so totally pointless.”

 

260: lombrado ao som de Bach

 

“There was a tempo, but no time. So what was there?”

 

Mustaine leu essa porra!

 

“Grateful is heaven itself”



Escrito por a mosca filosófica às 01:10
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ARISTÓTELES – POLÍTICA

09/03/11

 

Preceptor de Alexandre, O Grande. “Romperá com seu real discípulo depois do assassínio de Calístenes” No entanto: “Jamais se envolveu com política prática.”

 

Um dos primeiros a perceber que existem leis que governam a sociedade, e elas não estavam em nenhum outro tipo de conhecimento previamente desenvolvido. Pensamento dinâmico: as instituições mudam.

 

Meu limite: é que o pai que temos determina o raio de nossa genialidade. O meu, infelizmente, é bem curto. Zeus não respeitou seu pai, por que esperaria recebê-lo dos filhos sem a emprego da violência? O fosso etário entre pais e filhos. Profilática: que o filho seja gerado no Inverno! Adoro meus “rasgos de cólera”, “Dia de fúria”. Estranhamente encarnado numa fazenda abelhuda...

 

Foi o criador do célebre modo peripatético: ensinar de pé e em movimento, ao ar livre. Estimula o fluxo de idéias e o espírito questionador – vocês sabem por que o psicólogo/psiquiatra/psicanalista muitas vezes prefere o paciente deitado?

 

Muitas de suas obras se perderam. Algumas são atribuídas a si, mas provavelmente provêm de discípulos.

 

Estudou 158 Constituições de Estados – na época a Grécia estava em dissolução, e a República Romana em ascensão. Havia “zilhões” de pequenos Estados (cidades-Estados) – a geografia política do mundo era bem diferente do que é hoje. Contribuiu com as bases do Direito Moderno. “ideal reformador”

 

Até a forma como a população se distribui no espaço é digna de problematização.

 

Metáforas biológicas!

 

Considerações efêmeras sobre a escravidão. “Não é apenas necessário, mas também vantajoso que haja mando por um e obediência por outro” 14 – PDF

 

18: a amizade entre senhor e escravo.

 

“Há serviçais e serviçais, e há senhores e senhores.”

 

ECONOMIA (*)  CREMATÍSTICA

(Modesta e nobre X Supérflua, grotesca e vil)

“Tampouco foi a natureza que produziu o comércio que consiste em comprar para revender mais caro.”

 

(*) despida em absoluto do “D” marxista (ciclos D-M)

 

22: escambo; moeda; acumulação. “Ora, é absurdo chamar ‘riquezas’ um metal cuja abundância não impede de se morrer de fome”

 

24: o médico vendido. O professor vendido.

 

“a bondade intrínseca do Estado”

 

“a mulher passaria por atrevida se não fosse mais reservada do que um homem em suas palavras.”

 

42: da vocação

 

“a felicidade consiste em ação” “[a vida ativa] abarca também as meditações que tratam dessas ações e desses projetos”

 

COMO FUGIR DA LEI DA SELVA (“SOBREVIVÊNCIA DO MAIS FORTE”):

A paz à guerra;

O repouso ao trabalho;

O honesto ao útil e necessário.

 

48: “Ao fazer a guerra, vários Estados se conservaram, mas, assim que conseguiram a superioridade, entraram em decadência, semelhantes ao ferro que se enferruja pela inação.” “a guerra nos força a ser justos e temperantes. Pelo contrário, na paz e no repouso, é comum que a prosperidade nos torne indolentes.”

 

59: atletas: não ter filhos. “não seja permitido criar nenhuma que nasça mutilada” “Desde os primeiros momentos do nascimento, é bom acostumar as crianças ao frio” “São as primeiras impressões as que mais nos afetam”



Escrito por a mosca filosófica às 03:29
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57: música

 

70: já fala no nome “Itália”!

 

Montesquieu: rip-off.

 

“a beleza e a estatura não pertencem à maioria.” Ora, veja só, às vezes me acho um não-maldito!

 

“Democracia” não é o governo da maioria, etimologicamente, mas dos pobres.

 

“Mas onde as leis não têm força [para premiar a meritocracia] pululam os demagogos. O povo torna-se tirano” A antecipação do Socialismo e do paradoxo de Robespierre. A verdade é que desde sempre se falou em revolução.

 

Uma hora fala em Deus, noutra fala em Zeus.

 

“arraia-miúda”

 

“para bem comandar é preciso ter antes obedecido”

 

130: “A mediania é, pois, o melhor estado”

 

“os homens que menos provocam revoltas são os que se sobressaem quanto ao mérito.”

 

152: da morte conspiratória de Filipe. “quase todos os usurpadores conservaram a soberania durante a vida, apesar do ódio público, mas quase todos os seus sucessores perderam-na incontinente.” “A mais longa tirania foi a de Ortógoras e de seus descendentes, em Sício. Durou cem anos.” Ainda assim, não teria sido, literalmente, uma das mais cruéis.

 

“Pelo fim do serviço militar obrigatório! Vote 25050.” Minha plataforma.

 

Sobre a taxação – p. 160.

 

“Os homens facilmente se corrompem pela prosperidade, pois nem todos são capazes de suportá-la”

 

161: bem atual – sobre os parlamentares e seus vencimentos: A idéia aristotélica de se não auferir SALÁRIO ao político profissional. Assim, será uma função por VOCAÇÃO, e não COBIÇA. Só os mais ricos, que já são ricos, estariam aptos, mas eles teriam menos chances de legislar em causa própria; e os pobres não se sentiriam ultrajados como hoje se vê com os sucessivos “auto-aumentos” que se concedem os deputados.

 

Já cobrava TRANSPARÊNCIA das autoridades em relação às receitas e gastos, mesmo sem um site na internet para publicá-lo.

 

“No caso de algum rico ultrajar [aos mendigos], será punido mais severamente do que se tivesse insultado um igual.”

 

Da liberdade e da igualdade na Democracia: “sofisma miserável.”

 

170: “Que deixe para si mesmo a distribuição das honras e entregue a seus oficiais a aos juízes as punições.” Maquiavélico, literalmente. Não seria o caso de Maquiavel ser um aristotélico?

 

178: Aristóteles X Platão-Marx no tocante à propriedade privada.

 

Recomenda-se também, como medida anti-viciosa, um teto para rendimentos por indivíduo ou família, sem falar na dignidade do pão (banquetes públicos) aos indigentes. (O SER HUMANO É CORRUPTO, ENTÃO A LEI DEVE CORRIGI-LO)

 

187: roubar para matar

 

“a audácia das mulheres lacedemônias é sempre nociva”

 

Estado de poucos milhares de pessoas!

 

“Não se deve exigir que um mesmo homem seja flautista e sapateiro.”

 

Platão: famoso precursor do feminismo; e queria instituir a obrigatoriedade da ambidestria!

 

205: Drácon, o severo



Escrito por a mosca filosófica às 03:28
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DO QUE SE FALA?

O mundo é constituído de portais móveis de acesso: é a única condição para o aparecimento de um novo homem. Quando tem de acontecer, a pessoa fica 9 meses na soleira desse estranho portal, esperando que lhe cantem a senha. Não há uma regra fixa para determinar como e com que freqüência se movem os portais, nem quanto tempo depois de utilizados eles se fecham. Há um número bastante elevado deles, porém muitos não preenchem as condições necessárias para convidar humanos. Ficam em estado de latência por um grande período, até que se saiba que viraram pedra e que não serão acometidos da magia da viagem, sob nenhuma hipótese, até que devagarinho se fecham, desaparecem, somem até os registros de que um dia foram uma tentativa. Em compensação, há tantos outros portais que recebem mais de uma pessoa! Não há realmente um limite conhecido, mas o portal envelhece e se danifica com o uso, como qualquer das criaturas que passa por ele. Há relatos de portais que recebem e por onde passam aqueles que um dia se converterão também em portais. Muitos seres humanos não conseguem se separar, por gratidão, do portal que lhe trouxe a este mundo, e o conservam ao lado por muitos anos, até que a lei natural encerre a existência de um dos dois (usualmente do portal em primeiro lugar) ou que o sujeito seja chamado para participar de complicados processos de forjas de novos portais, para os quais se exige muita responsabilidade e um certo exclusivismo: tudo o mais na vida do indivíduo passa a ser executado em função do seu novo trabalho. Outros seres humanos, porém, vêem seu portal desmanchar logo depois do acesso. Muitos passam décadas sem vê-lo, sem lembrar de seu aspecto, até que há um reencontro. Certo é que, embora tragam muitas pessoas, portais não podem oferecer o percurso inverso: ninguém pode abandonar este mundo para voltar, e do que havia ali é tabu comentar!

 

Quando em algumas regiões do mundo os portais parecem já ter perdido o fôlego de outrora, há sempre uma contrapartida, um outro lado do mundo em que os portais vivem uma era de ouro e dão boas-vindas a muitos seres. Não se sabe quando e como surgiu o primeiro portal e até quando poderá ingressar gente e os portais poderão funcionar e cumprir sua missão, que é afinal o que eles sabem fazer. Quem tenta adivinhar são os próprios marujos dessa migração dimensional, que tentam estabelecer um limite máximo de portais, bem como um número mínimo, sem os quais o equilíbrio seria desfeito. Atualmente há uma quantidade assustadora deles, mas a vontade de que eles existam declinou. Tentaria descrever, se pudesse, a melancolia e a sensação de estranhamento provocadas quando o portal se despede de seus respectivos viajantes. Estes olham para onde não mais está mas poderia estar aquele, ou seja, para o vazio, fundamentalmente, e exclamam: “A porta por onde eu vim se fechou! Que consolo tenho eu, senão terminar a minha parte da eterna obra de perecimento, mais humilde do que nunca?”.



Escrito por a mosca filosófica às 15:04
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SELEÇÃO DO SEXO

Já devo ter escrito isso em algum lugar, mas... Eu não estou à altura de mim mesmo! Sou “ocasional” demais...

 

Vantagem, afinal, para Eduardo, de Gabriela em relação a Isadora (OS SOFRIMENTOS DO JOVEM EDWARDS): é um ser que olha para cima e obedece, sem arrogância, mesmo que (e porque) você não seja um pai (tão mais velho assim).

 

“Se alguém não está desejoso de ter filhos, deveria estar desejoso de não ter sexo!” “Se você não quer os filhos, então sofra as conseqüências!”

Bom humor frio chuvoso cheiro de brilho gloss de morango nu

 

Castidade – pesque a idade de ouro, contamine-se amputado e já esquecido do orgasmo intra-carnal... Deixe que ela foda com quantos queira quantas vezes achar que deve. Supere a dor e a inveja, não deixe que se torne palavras vagas e estranhas. Encare-os como marcianos em relação a sua Terra. Não quero este troféu. Sei das tentações e retrocessos de fora, de fora desta película e desta membrana, quando não sou mais peixe no aquário... Pensa que 6 putas suntuosas ao seu redor não o modificariam... E se sonhar que...

 

Uma vez um dengo, sempre um dengo, hei de querer

é o maior prazer da humanidade, fazer orgias e infectar o ar... OITO

Meter, meter, meter... Se errou o alvo, não tens o que temer... Síncopes sincrônicas

         tudo é tão ralo e frágil que desmancha como o sêmen na limonada...

Eu te valorizei, abelha-rainha...

Se está cansado, vire homem, faça o que é de praxe e se corrompa...

por isso tenho a certeza – NÃO NASCI PARA TRABALHAR.

Precalcinha anti  -gravi10 da situação

Recall citrus ante



Escrito por a mosca filosófica às 13:21
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ILÍADA

07/02/11 a 05/03/11

Dover-THRIFT EDITIONS

 

[rápido glossário dos deuses e alguns humanos e híbridos]

Jove: Zeus; Júpiter.

Juno: Hera

Réia: mãe de Zeus (uma titã)

Leto: ? mãe de Apolo, mulher de Zeus; a. k. a. Latona.

Helena: filha de Zeus e Leda

Tíndaro: pai adotivo de Helena

Aquiles: filho de Peleus e da imortal Tétis; neto de Poseidon; bisneto (pelo pai) e sobrinho-neto (pela mãe) de Zeus.

Poseidon: Netuno

Ajax (1 dos 2): segundo em perícia guerreira entre os aqueus

Apollo: deus-Sol; antigo Hélio.

Ârtemis: Lua; Selene, entre outros nomes.

Hermes: Mercúrio

Vênus (signo de touro!): Afrodite; primeira Vênus; filha de Urano.

Cronos: Saturno

Hades (rebaixado!): Plutão

Gaia: Terra

Ares: Marte

 

DIC: ransom – fiança; prêmio.

       couch – leito

       oath – juramento

       vessel – navio

       chin – queixo

       sire – pai

       cloak – manto; disfarce, máscara.

       ere – early

       covenant – tratado

       spear – lança; arpão.

       shepherd – pastor

       cuirass – couraça

       reins – rédeas

       I will make amends – eu vou me redimir

       soothe – acalmar; aplacar.

       bosom – colo; busto.

       wield – controlar

       yield – aposentar; abdicar.

       jaws – presas

       swell – que aumenta; fluxo das ondas do mar.

       stain – estigma; mancha.

       aegis – égide; proteção; amparo.

       grief – aflição; pesar; desgraça.

       bier – leito mortuário a céu aberto

 

iii: “We know charm of the Elizabethan translations, but he who would attempt one that shall vie with these must eschew all Elizabethanisms that are not good Victorianisms also.” “Prose differs from verse much as singing from speaking or dancing from walking”

 

Homero teria aversão a descrever cenas violentas!

 

Agamemnon quer ouro e tributos, o máximo que conseguir chupar, de seus súditos. “pegue o que conseguir levar”

 

O complexo sistema da dádiva – parece que os aqueus/gregos não podem ver um rabo-de-saia.

 

Um tempo tão cheio de mal-educados!

 

31: Páris, o cagão

 

Toma-lá-dá-cá entre Hera e Zeus.

 

Falas repetidas...

 

46-8: cenas fortes

 

Qual a diferença, em uma guerra corpo-a-corpo como essa, entre estar na primeira fila ou na retaguarda. Tanto faz, por que o medo? Ou a imprudência? O que será que eu escolheria?



Escrito por a mosca filosófica às 16:16
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Muito papo furado e língua solta durante as lutas.

 

Trecho bastante recorrente: “The hero fell on his knees, and propped himself with his hand resting on the ground till the darkness of night fell upon his eyes.” – a escuridão descendo aos olhos daquele que submerge ao Hades.

 

“the immortal blood” – deuses de linhagem inferior podem ser facilmente feridos por um humano com perícia (55).

 

“for the gods do not eat bread nor drink wine”

 

“Olympus, where the gods dwell.”

 

Imortal? 56 – os deuses feridos por reles humanos, a carne fraca da equação. Lembra-me Beren/Morgoth. O próprio Hades subiu de seu lar ao Olimpo, injuriado. “no man who fights with gods will live long or hear his children prattling about his knees when he returns from battle.”

 

Vênus, a Deusa do Amor, não casa com a Guerra, com o perdão do trocadilho.

 

62: a armadura de Atena!

 

Marte, uma verdadeira criança mimada. “Mars roared as loudly as nine or ten thousand men in the thick of a fight” “We gods are continually suffering in the most cruel manner at one another’s hands while helping mortals” M., deus da Guerra. “I hate you worst of all the gods in Olympus, for you are ever fighting and making mischief” Zeus

 

“not even the child unborn and in its mother’s womb; let not a man of them be left alive, but let all in Ilius perish, unheeded and forgotten.”

 

Já pensou no cheiro do campo de batalha dali a pouco?

 

71: “Wine gives a man fresh strenght when he is weared, as you now are with fighting on behalf of your kinsmen.”

 

Atena e Apolo, desde sempre irmão e rivais demais.

 

É impressionante o número de mortes acidentais na batalha: “queria ferir fulano, mas ele desviou (por ‘culpa’ de um deus) e o arpão acertou um outro, de menor fama, insignificante e sem peso na soma de forças, eu diria, porém, sem dúvida honroso e ainda um guerreiro forte, cheio dos antepassados irreprocháveis, que estão nos anais da História por seus feitos, conquanto estejam agora no Hades, para onde também irei resignadamente – quando, é claro, chegar a minha hora.”

 

Atena tem olhos cinzas.

 

O Estupro de Zeus – uma mortal, qualquer que seja, obviamente não o recusaria, pois o constrangimento inicial já seria se apaixonar, dada a diferença de poderes e majestades. Mas e se tivesse um inexplicável orgulho e relutasse? Teria suas pernas abertas por um trovão.

 

Hera e Atena, as conspiradoras.

 

Guerras respeitáveis em que os adversários paravam ao anoitecer e se recolhiam a suas bases, para voltarem à carga quando houvesse novamente luz natural.

 

Tudo em prol do “queridinho de Zeus”, o homem mais espetacular. Agamemnon: “I Will give him seven excellent work-women, Lesbians, whom I chose for myself when he took Lesbos.” Hoje, o que aconteceria com Aquiles? A renca de jornalistas tem raiva de privilégios.

 

E que capacidade de memorização!

 

A ira de Aquiles: “coward and hero are held in equal honour, and death deals like measure to him who works and him who is idle.” O “diálogo com a mãe” fôra travestido no filme, e está na fala aquilina dirigida a Ajax e Ulisses. O mesmo dilema de Hamlet, afinal. “He may offer me ten or even twenty times what he has now done, nay – not though it be all that he has in the world, both now or even shall have; he may promise me the wealth of Orchomenus or of Egyptian Thebes, which is the richest city in the whole world, for it has a hundred gates through each of which two hundred men may drive at once with their chariots and horses; he may offer me as the sands of the sea or the dust of the plain in multitude, but even so he shall not move me till I have been revenged in full for the bitter wrong he has done me. (...) My life is more to me than all the wealth of Ilius while it was yet at peace before the Achaeans went there” [o teatro da vontade]

 

Limpar-se antes de honrar os Deuses!

 

104: Fênix era bem mais velho e criou Aquiles

 

Mais uma nota de rodapé: “Essa é uma estranha estória. Iphidamas, aparentemente ainda um jovem, com pai e mãe, e pelo menos um irmão mais velho ainda vivos, é exorbitantemente rico, e paga uma alta soma a seu avô para casar com sua própria tia. Isso, no entanto, é o que Homero parece dizer.” (!)

 

Isso foi um divisor de éguas na minha vida.

 

“lazy ass”

 

“I, however, am no god to be able to tell about all these things, for the battle raged everywhere about the stone wall as it were a fiery furnace.”

 

Padre M. Alves Correia – não leia nada desse infeliz!

 

“Then the son of Oileus severed the head from the neck in revenge for the death of Anphimachus, and sent it whirling over the crowd as though it had been a ball, till it fell in the dust at Hector’s feet.”

 

“Even cowards gain courage from companionship”

 

“...so that he fell heavily to the ground.” “...and his limbs failed beneath him” modos de descrever a morte.

 

“death, life’s foe”

 

“Cowardly she-wolves that you are”

 

“All things pall [fenecem] after a while – sleep, love, sweet song, and stately [imponente] dance”

 

Como pode indivíduos valerem tanto? Privilegiados no campo de batalha jamais destinados a perecer. Por mais forte que seja um homem, nenhum valor único à propalada “estratégia de peões”. A tendência realista seria que os homens proeminentes fossem logo rechaçados e varridos do front pela união invencível dos medíocres. Sem dúvida o melhor jeito de sobreviver na guerra é ser covarde para passar despercebido. Mas meia-covardia (meia-coragem) é punida com amputações e deformidades futuras.

 

Personagens de contos-de-fadas contam contos para suas crianças quando esses seres de mentirinha estão indo dormir?

 

168: medo de um escândalo sexual olímpico (Hera & Zeus)!

 

“tearing the eye-ball from the socket”

 

À espera de um milagre... ...que não vai acontecer. As verdades de um tolo ou as mentiras de um sábio? Não, não tomei o chopp com o Maniax, ansioso, antes da minha primeira aula! Mas como que executei esse ritual cerca de 5 meses depois ao regressar às classes em julho, com Diogo e um terceiro. Música, essa máquina de repisar emoções, cada vez de energia mais decrescente. Eu vou me livrar da UnB, eu vou me livrar... 2 cenários: desempregado, folgado, desestressado (?!), empurrando o destino com a barriga e mais sabido. Até abril, “só festa”. Pós-julho: 1>SR; usar BCE regularmente, inclusive para estudos (ou desencanar?) – emergência: sem carteirinha, ir lá quase diariamente OU tirar a de ex-aluno. Preparar-se melhor para a carreira. Dobrar pai furioso. Cursinho para próximo de definitivo? 2º cenário dos 2 possíveis: “independência” (?), experiência, adulteza, queda de fichas... Incógnita.

 

Agora eu que dou a aula, Mr. Edson! Queiram ou não, apreciem meus métodos ou não! Fale-se do Flamengo na sala dos professores ou não!

 

Não significa alguma coisa o umbigo ser para dentro e nossa vida/personalidade se dividir entre dia e noite? Tudo é uma comédia, não é? Até esse comentário! Divirta-se!

 

A(ma)r(go)s

 

Do dente do dragão nasce o guerreiro tebano.

 

{Sonhos com gatos recém-nascidos e inofensivos.

Sonhos submersos na água. Ambiente cada vez mais familiar. Morrer debaixo d’água.
Ficar cego, matar a cabeça ameaçadora do Freeza derretendo-a na lava.}

 

P. 173: exercício de futurologia de Zeus/Jove. O Lego com sangue humano.

 

Eis um caso familial à parte em que é sempre o pai ou a mãe aquele que testemunha a morte do filho, e não o contrário: quando se é um deus, pleno de rebentos.



Escrito por a mosca filosófica às 16:16
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Breve divagação de um trabalhador incipiente: Como é ser um pobre rico, ou um rico pobre, dividido entre dois mundos? Periférico central-suburbano, se bem que citadino marginal-metropolitano? Pai ou Estado, tudo não passa de uma grande mesada, não semeio nem planto nada! Tratado como gado um dia, serviço VIP no próximo. Nunca se esquecer de como as coisas – até as mais fortes vigas – são bambas e frágeis. E como qualquer precariedade resiste a longo prazo.

 

178: “He kicked down the wall of the Achaeans as easily as a child who playing on the sea-shore has built a house of sand and then kicks it down again and destroys it – even so did you, O Apollo, shed toil and trouble upon the Argives, filling them with panic and confusion.”

 

Ódio desses neoproles voluntários que têm mais de um emprego! Ódio dos que não conseguem PARAR.

 

Karina: what do you mean?

 

A lição do “quase”.

 

Será que não seria comum acabar mutilando e espatifando seus próprios “comrades”, tendo em vista que o raio de alcance das armas era extenso o havia um aglomerado tão impressionante, caótico e móvel de homens? Haja perícia para evitar esse destino infeliz. Perícia, preces e sacrifícios de bois a Jove e Atenéia!

 

“the sweat rained from every pore of his body”

 

Aquiles tinha realmente os melhores equipamentos; entre os quais, uma lança pesadíssima para qualquer “grego normal”, para ele era leve como brisa. Ele também maneja uma espécie de Biggoron. Aquiles não foi só, mas levou cinco companhias de homens em 50 navios, que estavam desde sempre ancorados na praia, próximos ao centro da batalha, aguardando suas ordens.

 

Troianos: forasteiros mas nem tanto (todo deus tem seus favoritos).

 

Pátroclo foi morto por Apolo pessoalmente (ou “divinamente”?).

 

A metáfora freqüente do leão que avança sobre sua presa para caracterizar o guerreiro valente que se lança sobre os despojos do adversário ou amigo morto em combate, visando a ficar com suas armas e tesouros: ninguém pode parar um leão.

 

No livro, Pátroclo não está mascarado, nem tampouco é confundido com Aquiles ao ser executado.

 

Heitor é em verdade muito menos que o segundo homem em poderio. Pátroclo, talvez Ulisses e outro aqueano como Ajax são capazes de vencê-lo numa luta justa. Embora o Olimpo jogue sujo.

 

“fight might and main”

 

“he [Hector] put on the immortal armours of the son of Peleus”

 

Menos de um terço do livro é devotado às peripécias de Aquiles! E mesmo o cavalo de Tróia, terá aparição bem súbita. Tão súbita quanto a de Papai Noel no Carnaval.

 

“they reached the rich” “great grief”

 

220: “Mesmo Hércules, o mais amado por Zeus – mesmo ele não pôde escapar da mão da morte, porque o destino e a temível raiva de Hera o derrubaram, bem como eu devo cair quando estiver morto se tal destruição é o que me espera.”

 

“As upland shepherds that cannot chase some famished lion from a carcase, even so could not the two Ajaxes scare Hector son of Priam from the body of Patroclus.” “shrink from the thought that Patroclus may become meat for the dogs of Troy.” Heitor, o carniceiro, primeiro ancestral do goleiro Bruno.

 

“Then Juno [Hera] sent the busy sun, loth though he was, into the waters of Oceanus”

 

“The god of war deals out like measure to all, and the slayer may yet be slain.”

 

Tempos em que a loucura momentânea era só a interferência de um deus.

 

“But a man can fight all day if he is full fed with meat and wine”

 

233: “Ulysses answered, ‘Achilles, son of Peleus, mightiest of all the Achaeans, in battle you are better than I, and that more than a little, but in counsel I am much before you, for I am older and of greater knowledge.”

 

Briseis não é cu-doce (coquete) aqui. Não deve haver cena íntima.

 

Aquiles jejuou, em luto, até a batalha.

 

Filhos de Aquiles.

 

“laughter-loving Venus”

 

Hades tem medo de que os tremores de seu vizinho de cima, Netuno/Poseidon, possam fazer seu teto desmoronar!

 

“No man may fight Achilles, for one of the gods is always with him as his guardian angel”

 

“Nay, hero, pray to the ever-living gods, for men say that you were born of Jove’s daughter Venus, whereas Achilles is son to a goddess of inferior rank. Venus is child to Jove, while Thetis is but daughter to the old man of the sea.” O irmão “mais fraco” de Zeus.

 

Poseidon tem cabelos negros.

 

“as though he were a god”

 

É um desce-sobe da carroça danado!

 

Por onde anda Páris a esta altura?

 

“kindle a fierce fire” 254. Hera ao seu filho, Deus Vulcano.

 

266-7: pouco mais de uma página, o “duelo final”. “Though men forget their dead when once they are within the house of Hades, yet not even there will I forget the comrades whom I have lost.” “Achilles glared at him and answered, ‘Dog, talk not to me neither of knees nor parents; would that I could be as sure of being able to cut your flesh into pieces and eat it raw, for the ill you have done me, as I am that nothing shall save you from the dogs” Aquiles raspou sua cabeça no enterro de Pátroclo.

 

Aquiles tinha cavalos imortais que foram presentes dos deuses a seu pai, Peleu(s). Ao que tudo indica, não foi por amor que Tétis se casou com este humano.

 

“The woodman does more by skill than by brute force”

 

281: corrida maluca!

 

“she-mule”

 

Competições acirradíssimas e até sangrentas no próprio acampamento grego; como se não estivessem em meio a uma guerra e todos ali fossem parceiros incondicionais! Agon: no fundo, todos são parceiros, e Aquiles não odeia Heitor coisa nenhuma! Premiação: uma mulher vale menos que um caldeirão. “painful art of wrestling” – Ulisses x Ajax, son of Telamon. Empate! Na corrida, Ulisses vence Ajax son of Oileus e Antíloco. Sempre com sua serelepe deusa de prontidão... Ajax de Oil. foi atrapalhado por Atena, escorregou e caiu de boca na bosta de vaca.

 

Muita coisa foi deixada de fora!



Escrito por a mosca filosófica às 16:15
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PROIBIDO

24/02/11

 

Transei com a Lúcia. Num momento eu era o Mario subindo até o topo de um castelo com as habilidades de salto de quem tem 120 estrelas. Noutro, eu vou dormir no quarto do Aloisinho e por determinado motivo brigamos ou piora o clima entre nós. Mudo de aposento: o Aloisão está dormindo. A Lúcia, com aquele jeito típico, vem me afagar e dar uma bronca ao mesmo tempo. Quer dar aquele beijo de batom que marca nosso rosto. Eu viro a bochecha. Quando dou por mim, estamos roçando um os lábios do outro. Eu mordisco os dela, eles são finos e delicados. Sinto uma certa culpa, mas a cada segundo parece crescer a permissividade, e ela vai entrando no jogo. Fazer tudo sem barulho para que ninguém da casa venha a acordar só aumentava nosso excitamento. Eu avancei uma etapa e pus a mão dentro da calcinha dela. Quando percebi, estava de camisa porém sem calça nenhuma, ou veste íntima. Já ouvia vozes na casa e puxava as cobertas para tentar me cobrir.

 

2ª ala do sonho: “Natália Maria Alencar” se mostra feliz em sua casa, bastante íntima com seu irmão mais novo.



Escrito por a mosca filosófica às 02:53
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ALICE – EDIÇÃO COMENTADA – ZAHAR

Autor: Reverendo Dodgson, a. k. a. L. C.

 

[31/12/10 a

04/01/11]

 

“Tua ingenuidade é uma fonte perene.”

 

“Alice no País”, um conto muito hermético. Talvez tão hermético quanto o Pequeno Príncipe.

 

“As crianças hoje sentem-se aturdidas e às vezes apavoradas pela atmosfera de pesadelo dos sonhos de Alice. É apenas porque adultos – cientistas e matemáticos em particular – continuam a apreciá-los que os livros de Alice têm sua imortalidade assegurada. É apenas para esses adultos que as notas deste volume são dirigidas.” “os elementos sádicos em Alice, que são bastante brandos comparados aos dos desenhos animados dos últimos 20 anos.”

 

“Não há dúvida sobre a profundidade e a sinceridade de suas idéias anglicanas [Carroll]. Era ortodoxo sob todos os aspectos, salvo por sua incapacidade de acreditar na danação eterna.” “levou uma vida sem sexo, sem grandes acontecimentos, e feliz.”

 

DIC: chapinhar – resvalar com alguma parte do corpo na água. Ou mesmo afundar, ir e vir na superfície.

 

“Gosto de crianças (exceto meninos)” “Os corpos nus das meninas (em contraste com os dos meninos) lhe pareciam extremamente belos. Quando a oportunidade se apresentava, desenhava-as ou fotografava-as nuas, com a permissão da mãe, é claro. ‘Se eu tivesse a criança mais linda do mundo para desenhar ou fotografar’, escreveu, ‘e descobrisse nela um ligeiro acanhamento (por mais ligeiro e facilmente superável que fosse) de ser retratada nua, eu sentia ser um dever solene para com Deus abandonar por completo a solicitação.’ Por temor de que essas imagens desnudas criassem embaraços para as meninas mais tarde, pediu que após a sua morte fossem destruídas ou devolvidas às crianças ou a seus pais. Nenhuma parece ter sobrevivido.” “Tornou-se especialista em encontrar menininhas em vagões de trem e praias públicas. Um saco preto que sempre levava consigo nessas viagens ao litoral continha quebra-cabeças de arame e outros regalos inusitados para estimular o interesse delas. Chegava a carregar um suprimento de alfinetes de segurança para prender as saias de menininhas quando desejavam chapinhar na arrebentação. As manobras iniciais de aproximação podiam ser divertidas. Certa vez, quando estava desenhando perto do mar, uma menina que havia caído na água passou por ele com as roupas encharcadas. Carroll rasgou a ponta de um mata-borrão e disse: ‘Posso lhe oferecer isto para se enxugar?’”

 

Hoje (31/12) sonhei que tomava banho com o banheiro aberto, a Nilza e outras pessoas da família conversavam com minha mãe e viam TV. O som da sala fora convertido, no quarto do Diogo, em três grandes aparelhos, cheios de potência e ondas de freqüência. Me senti a salvo, mas faltava perguntar como eu poderia ligar aquele som... Burocracias do inferno tecnológico...

 

“O que distingue Carroll de outros escritores que viveram vidas desprovidas de sexo (Thoreau, Henry James...) e de escritores que eram fortemente atraídos por meninas (Poe, Ernest Dowson...) era sua curiosa combinação, quase única na história da literatura, de completa inocência sexual com uma paixão que só pode ser qualificada de inteiramente heterossexual.”

 

“Mais de um crítico comentou as semelhanças entre O Processo de Kafka e o julgamento do Valete de Copas”

 

“O riso, declara Reinhold Niebuhr, é um dos mais excelentes sermões, uma espécie de terra de ninguém entre a fé e o desespero. Preservamos nossa sanidade rindo dos absurdos superficiais da vida, mas o riso se transforma em amargura e escárnio se dirigido para as irracionalidades mais profundas do mal e da morte.”

 

Alice foi sua mais apaixonante amiguinha. Ele teria por volta de 30 anos quando ela era pequena (10 ou 11 anos seria uma idade provável? Vide mais além nestas anotações!), e parece que a cortejava, irritando a mãe. Lewis Carroll e termos como perversão e pedofilia dão bom número de resultados no Google. Isso não quer dizer unanimidade. Terreno espinhoso. Proposta: HISTÓRIA DA PEDOFILIA

 

“aquelas fotografias ambíguas que fazia em quartos sombrios.” Nabokov, escritor e tradutor russo do legado de Carroll. / “Críticos notaram também a similaridade entre os desfechos de Aventuras de Alice (...) e Invitation to a Beheading, de Nabokov.”

 

“de que serve um livro (...) sem figuras nem diálogos?”

 

“imagine fazer mesura quando se está despencando no ar! Você acha que conseguiria?”

 

“como é a chama de uma vela depois que a vela se apaga”

 

“Em geral dava conselhos muito bons para si mesma”

 

“Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria!”

 

“Um gole de conhaque.”

 

50: o cogumelo que altera o tamanho!

 

Uma escolar em crise de identidade. Sempre perdida em meio às algazarras e grosserias dos adultos. Bem dialético...

 

O Reino de Terror da Rainha de Copas. É uma matriarquia.

 

“Uma sopa pode muito bem ficar boa sem pimenta...”

 

Parece com a moral do Visconde de Sabugosa.

 

“Só assim você se prepara para uma carreira: aulas mais rápidas a cada dia”

 

“Se a Inglaterra some de vista... é que a França apareceu!”

 

122: Gween – acordar com uma situação correlata à do sonho! (barra de rolagem)

 

ATRAVÉS DO ESPELHO (2º CONTO)

 

Gatos dão banho em seus próprios filhotes?

 

O mito da realidade paralela por trás do reflexo do vidro.

 

{Sonho de réveillon – Rastejando nos corredores do Colégio Militar. Reencontrando Renan Taicom, no que parece o primeiro dia de aula, dia da redenção.

2ª sessão do sonho - Eline volta ou não pra mim? Ela consente? Algo mais a impede ou impele? Eu o quero? Briga ou encontro casual? Profecia cumprida: agora sou mais virgem do que antes.}

 

150: a preocupação com a saúde das rosas ao ar livre (Pequeno Príncipe)!

 

177: aquela vontade infantil de varrer toda a poeira da rua!

 

191: a força do destino

 

Alice tem 7 anos nessa estória.

 

“Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã.”

 

“Como posso trabalhar se eu ainda cago nas calças?”, pensa o homem que atropela as etapas.

 

Um sorriso tão falso e amplo que degolou sua cabeça.

 

Talvez os poderes das peças no xadrez sejam um resquício do Matriarcado?

 

“Não gosto de pertencer ao sonho de outra pessoa”

 

230: os tombos em sonhos

 

“como se pode conversar com uma pessoa se ela diz sempre a mesma coisa?”

 

Diz-se que em “Através do Espelho” Alice teria 7 anos e 1/2, tendo-se passado meio ano após as aventuras do primeiro maravilhoso sonho! (teria dos 7-10 anos) (não sabe fazer subtrações que terminem em números negativos)

 

“Marimbondos-macho, como o de Carroll, embora pareçam temíveis, assemelham-se aos reis do xadrez. São criaturas amáveis, inofensivas.”

 

280: “na França e na Inglaterra nos séculos XVII e XVIII (...) era possível saber instantaneamente qual era a profissão de um homem pelo tipo de peruca que exibia.” Martin Gardner – o intérprete dos livros.

 

“A face de um marimbondo de fato parece uma face humana envolta por um lenço”

 

286: a dor de perder os cachos

 

Carroll: “Temo que seja verdade que não há crianças na América.” Apesar do seu livro mais famoso ter sido publicado pela primeira vez num 4/7!

 

“Mais de uma centena de artistas ilustraram os livros de Alice.”

 

Recomendações:

A defense of nonsense – CHESTERTON, 1901.

The poetry of nonsense – ORWELL, G., 1945.

Nonsense. STEWART, 1980.



Escrito por a mosca filosófica às 17:28
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Notas

 

{Por que eu não entreguei as flores no Dia dos Namorados?}

 

“As imagens de Alice feitas por Tenniel não retratam Alice Liddell, que tinha cabelo escuro cortado curto e franja caindo lisa sobre a testa. [LiDDeLL CaRRoLL CARROSSEL] L. C. enviou a Tenniel uma fotografia de Mary Hilton Badcock, outra amiga criança, recomendando-lhe que a usasse como modelo”

 

“O sr. Tenniel é o único artista que desenhou para mim que se recusou a usar um modelo, declarando que tinha tão pouca necessidade de um quanto eu de uma tabuada de multiplicar para resolver um problema matemático! Arrisco-me a pensar que estava errado e que, por falta de modelo, desenhou várias imagens de ‘Alice’ completamente desproporcionais – cabeça evidentemente grande demais e pés evidentemente pequenos demais.” Ora, isso se chama estilo, senhor Carroll!

 

“gozo ávido da Vida que só ocorre nas horas felizes da infância, quando tudo é novo e justo, e quando Pecado e Dor são apenas nomes – palavras vazias que nada significam!”

 

T. S. Eliot

 

P. 17: “Para as centenas de referências a Dodgson e aos livros de Alice em Finnegans Wake, ver o excelente artigo de Ann McGarrity Buki, ‘Lewis Carroll in Fin(...)’, em Lewis Carroll: A Celebration (Clarkson N. Potter, 1982), organizado por Edward Guiliano.”

 

Adoro “fofoca de Época”.

 

25: “O Dodô incapaz de voar foi extinto por volta de 1681. (...) O Dodô era nativo das Ilhas Maurício, no Oceano Índico. Marinheiros holandeses e colonizadores [dinamarqueses. Source: Wikipédia] matavam as ‘aves nojentas’, como as chamavam, para comê-las (...) O Dodô é um dos primeiros exemplos de espécie animal totalmente exinta pela espécie humana. Ver ‘The Dodo in The Caucus Race’ por Stephen Jay Gould, em Natural History (nov. 1996).” Porém o que se diz em outras fontes é que a carne deste animal aparentado com a família do pombo (só que bem maior) não era muito apetitosa, e ele se findou muito mais por motivos indiretos da colonização que pela predação em si.

 

“Tennyson teve o poema em alta conta enquanto sonhava, mas esqueceu-o completamente quando despertou.” Isso não é muito incomum, eu acho!

 

P. 50 – UTILIDADE PÚBLICA – ao que parece, as chances de envenenamento são menores se eu, perdido na floresta, decidir comer um cogumelo de forma chata. Diz-se que cogumelos volumosos como o do Mario quase sempre carregam algum tipo de veneno.

 

57: a história da mulher mais feia do mundo, que teria inspirado a aparência da Duquesa que nana o bebê-porco.

 

“O Gato de Cheshire não está no manuscrito original, Alice’s Adventures Under Ground.” “Whoopi Goldberg foi o Gato de Cheshire na versão enfadonha e medíocre de Alice (...) que a NBC levou ao ar em 28 de fevereiro de 1999.”

 

“Vez por outra Carroll fazia um esforço para ser cordial com um menino, mas em geral só quando ele tinha irmãs que desejava conhecer.”

 

62: Alice e Kerouac! Até mesmo o Talmude diz o que o Gato diz!

 

Platão – Teeteto (divagações sobre os sonhos e os loucos)

 

A vendeta nietzscheana por intermédio de um noiado e seu chargista: “‘É impossível descrever Bertrand Russell’, escreve Norbert Wiener no cap. 14 de sua autobiografia Ex-Prodigy, ‘exceto dizendo que ele parece o Chapeleiro Louco... A caricatura de Tenniel quase revela uma antecipação por parte do artista.”

 

80: “Pelo que sei, não se fizeram estudos empíricos sobre o modo como crianças reagem a tais cenas [decapitações] e o dano que é ou não causado às suas psiques. Minha impressão é que a criança normal acha tudo isso muito divertido e não é prejudicada em absoluto, mas que não se deveria permitir que livros como Alice (...) e O Mágico de Oz circulassem livremente entre adultos que não estão se submetendo a análise.”

 

88: menção de Dante (saga do Paraíso).

 

89: teoria dos jogos – pôquer

 

Sobre a frase das “aulas cada vez mais rápidas”:

“No décimo segundo dia e nos dias subseqüentes, começariam os alunos a dar aula para o professor?”

 

104: “Cary Grant soluçou ao longo da canção [Estrela da Tarde] em seu papel de Tartaruga Falsa na medíocre versão de Alice para o cinema produzida pela Paramount em 1933.”

 

Mesma p.: refuta-se a teoria de que as tartarugas choram quando desovam à noite na areia da praia. Na verdade elas possuem glândulas de remoção do sal perto dos olhos.

 

“Na Idade Média e no Renascimento, jogava-se xadrez por vezes com peças humanas em campos enormes (veja Gargantua e Pantagruel, de Rabelais, livro 5, cap. 24 e 25)”

 

142: viagem atômica! Fala da criação de uma anti-matéria que serviria a propósitos nucleares mais poderosos que a fusão e a fissão.

 

C. teria “se esquecido” dos bispos por respeitar a ortodoxia cristã.

 

“Nenhum carrolliano pode deixar de ler Night of the Jabberwock. É uma obra de ficção excepcional, que tem vínculos estreitos com os livros de Alice.”

 

Carroll e Edward Lear teriam sido pioneiros, pais dos dadaístas e tantos outros – porém o segredo de seu sucesso está menos na técnica hipertrofiada e fervorosa e mais no descompromisso de sua poesia relaxada e oportuna, vindo de quem sabe, coisa que o século XX, engajado, não capta muito bem. Isso reforça a minha tese de não fundar uma escola nova.

 

C. escreveu o primeiro livro aos 13. Maldito!

 

{Nunca sonhei com Sesshoumaru...}

 

Sílvia e Bruno, se é que já não anotei antes, é o último grande conto de Carroll, que valeria uma olhadela.

 

181-2: o controverso tema dos sonhos simultâneos/coincidentes/em interseção.

 

Carroll iria adorar uma vitrola com um LP da Xuxa dentro! “Desde que Car. a utilizou, a ‘vida às avessas’ foi a base de muitas fantasias e histórias de ficção científica. A mais conhecida é o conto de F. Scott Fitzgerald, ‘The Strange Case of Benjamin Button’.”

 

“C. era um grande admirador dos Pensamentos, de Pascal.”

 

P. 204: citação da troça hobbesiana (tomista!) sobre o riso!

 

“Os estudiosos de Finnegans Wake não precisam ser lembrados de que Humpty Dumpty é um dos símbolos básicos do livro: o grande ovo cósmico cuja queda, como a queda causada pela bebedeira de Finnegan, sugere a queda de Lúcifer e do homem.”

 

211: Ulisses e o truque lingüístico do Ninguém contra o ciclope Polifemo (Pensamento Verde!)

 

“Carroll gostava especialmente das terças-feiras.” – hoje, terça-feira, 4 de janeiro de 2011! [hoje, terça-feira, 6 de setembro de 2011!!]

 

259: Alice visita as 12 casas dos Cavaleiros de Oruo (INVENTAR!)

 

Eu sou teimoso e sei chifrar / por que você haveria de me evitar? / troco as rimas por outras / igual deixo minha fúria à solta!

 

DIC: acróstico – começar cada linha dum poema de forma que forme uma palavra na vertical.

 

 

 

                          Acurado

                         aCurado

                       acuRado

                    acuradO

                       acuSado

                      acúsTico

                     acústIco

                         aCusado

                     curadO



Escrito por a mosca filosófica às 17:28
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FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO

30/11/10 a 22/12/10

 

Hegel visava a transformar a Filosofia em Ciência. Certamente esse intuito paulatino nada guarda de semelhante com a revolução.


28: “o que se exige para a exposição da filosofia é, antes, o contrário da forma do conceito. O absoluto não deve ser conceitualizado, mas somente sentido e intuído”


Uma proposta, aliás, desde o prefácio, anti-bourdieusiana, anti-moriniana... Pensar sobre a ciência – decadência... Obras sem auto-referência, sem uma filosofia da filosofia, unicamente testadas pelo tempo. Sem maiores hesitações. O que um sujeito desses não daria para ver o surgimento do cinema!


“Não é o conceito, mas o êxtase, não é a necessidade fria e metódica da Coisa (...), mas sim o entusiasmo abrasador.”


“Pela insignificância daquilo com que o espírito se satisfaz, pode-se medir a grandeza do que perdeu.”


“Mas a filosofia deve guardar-se de querer ser edificante [moral].”


“a frivolidade e o tédio que invadem o que ainda subsiste, o pressentimento vazio de um desconhecido são os sinais precursores de algo diverso que se avizinha.”


Não farei a barba nem cortarei o cabelo até livrar-me dos meus pais. Ou de seus fantasmas.


“o começo é fim


“O espírito só alcança sua verdade na medida em que se encontra a si mesmo no dilaceramento absoluto. (...) Esse demorar-se é o poder mágico que converte o negativo em ser.”


“Foi por isso que alguns dos antigos conceberam o vazio como o motor.”


“A matemática se orgulha e se pavoneia frente à filosofia (...) proposições mortas e rígidas.”

 

“a necessidade de um outro saber.”

 

“A aparição é o surgir e passar que não surge nem passa”

 

55: Kant

 

56: zomba do médico charlatão; “O formalismo da filosofia da natureza pode ensinar que a inteligência é a eletricidade, ou que o animal é o nitrogênio.”

 

“Difícil decidir o que é maior: a sem-cerimônia com que se pinta tudo que há no céu, na terra e nos infernos com tal sopa de tintas; ou a vaidade pela excelência desse meio-universal: uma coisa serve de apoio à outra.”

 

62: “afirmação do vazio”; desde já, combate ao niilismo.

 

67: filosofia, ofício para poucos. Prevendo, de certa forma, os cristãos neo-hegelianos.

 

“Sofistaria é uma palavra-de-ordem do senso comum contra a razão cultivada”

 

Hegel recomenda recorrer-se aos exegetas contemporâneos!

 

70: belas palavras sobre a abnegação do indivíduo.

 

72: o hamletismo da ciência moderna.

 

“O cepticismo que termina com a abstração do nada ou do esvaziamento não pode ir além disso, mas tem de esperar que algo de novo se lhe apresente”

 

“no movimento da consciência ocorre um momento do ser-em-si ou do ser-para-nós, que não se apresenta à consciência, pois ela mesma está compreendida na experiência.”

 

132 – Sartre, esse Hegel-2 ou 3, puro reprodutor. E da 1ª vez que cita Nietzsche descobrimos, por trás da cortina, o verdadeiro autor: “Fica patente que por trás da assim chamada cortina, que deve cobrir o interior, nada há para ver; a não ser que nós entremos lá dentro – tanto para ver como para que haja algo ali atrás para ser visto.”

 

141: refutação do solipsismo; uma consciência/vida como espelho de outras – só se pode “sentir” por conta de uma relação de semelhança, embora esta apareça eternamente como o diferente. “A consciência-de-si só alcança sua satisfação em uma outra consciência-de-si.

 

Suprassumir, que permeia a obra toda => não aniquilar, porque isso inexiste, mas superar algo e conservá-lo de forma metamorfoseada, mutada, sintetizada, modificada – primeiro inconsciente, depois que vem à baila. Funde-se um momento do passado com o ser; mas então já é algo novo, de características inéditas, embora a matéria-prima não possa ser negada. Portanto suprassumir é superar e voltar. Incorporar. É como a morte do pai: ele não morre, realmente.

 

151: “obstinação (...), uma liberdade que ainda permanece no interior da escravidão” – paralelamente, se se pensa que o senhor não teme e se põe cego a um perigo que é real, pode-se dizer que ele nunca foi tão inumano, não no sentido que lhe seria mais desejável, o de cruel, mas de que ele se coisifica, por coisificar o Outro: me ignora como dotado de sentimentos, ousadia e liberdade, torna-se simplesmente vulnerável...

 

158: “Seu falatório [o da consciência] é, de fato, uma discussão entre rapazes teimosos: um diz A quando o outro diz B, e diz B quando o outro diz A: e assim cada um, à custa da contradição consigo mesmo, se paga a alegria de ficar sempre em contradição com o outro.

 

Estoicismo como estágio preliminar do ceticismo. Ceticismo como estágio preliminar da consciência infeliz. “Movimento de uma nostalgia infinita

 

Se para Marx o moto é o trabalho, em Hegel são o desejo e o trabalho.

 

165: no fim, um tratado anti-cartesiano em sua essência.

 

“gozo” “graças” “Além” “dom”: brincalhão Hegel.

 

“Na luta da alma, a consciência singular só está como momento musical, abstrato”

 

Por que se tem razão em dizer que não se pode ou ainda ninguém escapou de Hegel: 185 – “O que deve-ser, também é, de fato. O que apenas deve ser, sem ser, não tem verdade nenhuma.”

 

205: a mesma coisa que o “coeficiente de atrito” sartriano. “É indiferente a esse rio da vida que espécie de moinhos ele faz girar.”

 

216: “as leis são sem verdade”

 

226: sobre videntes que lêem a mão do cliente!

 

238: Hamlet e a cena do crânio

 

240: Hegel, o criminalista: por que seus coleguinhas cientistas do século XIX erravam clamorosamente ao medir a periculosidade de um criminoso pelas medidas de seu crânio. “Por conseguinte, as observações estabelecidas sobre esse ponto têm o mesmo valor que as do vendedor e da lavandeira”

 

254-5: moral e virtude

 

257: hedonismo; “ipseidade”.


261: equilibrando-se entre altruísmo e egoísmo.


262: o que “Durkheim e seu deus” e Dostoievsky também souberam em seu tempo – a teoria do grande criminoso (ou quando a sociedade é o revoltado em questão, e o indivíduo indolente ou inadaptado o conservador).


Como pude eu “forçar uma paixão” pela Alê e querer me mudar para Floripa? Quantas vezes quis algo assim, esse desvio da minha frígida, gélida e sensaborona missão?


271: nossa quixotesca missão


“Mas a consciência virtuosa entra em luta contra o curso-do-mundo como contra um oposto ao bem.” “Portanto a virtude é vencida pelo curso-do-mundo”


274: inversão (mora cristã x moral antiga). “tudo isso só produz tédio” (“[N]a cultura de nossa época”) – A morte de Deus.


E mais adiante, um prato cheio para mal-entendidos, partindo de uma consciência proletária: “o curso-do-mundo não é tão mau como aparentava (...) o movimento da individualidade é a realidade do universal.” “são apenas uma maneira de ver, e nada mais.” e ainda metade do livro pela frente...


Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse em minha opinião: Hegel, Marx, Nietzsche, Freud.


“um nada labutando rumo ao nada.”


“O talento, do mesmo modo, não é outra coisa que a individualidade originária determinada que se considera como meio interior, ou como passagem do fim à efetividade.” 280


281: da concorrência e da competição. Formulação antecipada do “além do bem e do mal”. Um é mais enfático entre os dois, sem dúvida. A ênfase produzia pelo desespero.


“desvanecer do desvanecer”


288 – não seria um rio do qual só se foge duas vezes? “Haja o que houver, a consciência honesta vai sempre implementar e atingir a Coisa mesma, já que é o predicado de todos esses momentos como este gênero universal.”



Escrito por a mosca filosófica às 23:21
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Por que não preferir o congelamento do tempo? Por que todo domingo parece uma tortura, cadafalso para a alma, o último gole, a última canção, o despertador, tudo que cause muita dor? Pessoas que querem dormir mais de 10 ou 12h, isto é, hibernar, para um ser humano, que compartilham algo realmente profundo comigo mas que não dispõem da complexidade ou força de caráter que seriam necessárias para compreenderem em que ovos eles mesmos estão pisando... Passar pelas humilhações como um trator, é o que pensamos que queremos... A questão é: melhor uma hipocrisia mórbida exagerada do que o Complexo de Poliana da ditadura do prazer!

 

“É como meninos maus, que recebendo uma palmada se alegram a si mesmos, por terem sido precisamente a causa do castigo.” sobre o masoquismo da consciência.

 

“Para ela [a consciência honesta], a Coisa mesma é tanto Coisa sua como absolutamente obra nenhuma; ou seja, é o puro agir, ou o fim vazio, ou ainda, uma efetividade desativada. Faz sujeito desse predicado uma significação depois da outra, e as esquece sucessivamente.”

 

“O consolo pelo fracasso do fim, pois pelo menos foi querido, pelo menos foi puramente agido – como também a satisfação de ter dado aos outros algo para fazerem, fazem do puro agir ou de uma obra totalmente má, a essência: porque se deve chamar uma obra má a que não é absolutamente nenhuma.” a essência do trágico!

 

Exatamente o que se passou pela minha cabeça ao ler o epílogo de “Neurose” do Morin, nem pela primeira, nem pela última vez, esse fluir que independe de nós, o qual devemos nos preparar para aproveitar, é essa bem a palavra, considerando apenas os acontecimentos correntes e seus efeitos imediatos, a supressão do filosofar, em verdade filosofia efetiva, quer seja, em carne viva – Espírito poderoso! – Porque o amanhã ainda pode esperar em seu devido lugar e agora nada há de mais importante a considerar... Nada de atropelamentos... Mas se não der, tudo bem também. Era parte do plano, estava fixado no firmamento, tinha que se suceder assim, você não tem culpa, era incapaz. A própria sensação de suportar é só uma sensação de sensação, fugidia... Suporta-se qualquer coisa desde que haja oxigênio para puxar e, afinal, por que a pressa? Só não precisa recair no outro extremo e ter calma demais... Cada refeição tem sua hora de ser servida...

 

“O todo é interpenetração semovente da individualidade e do universal” “surge um jogo de individualidades, uma com a outra, jogo em que se enganam e se encontram enganadas, umas pelas outras, como se enganam a si mesmas.”

 

“O que lhe interessa [à primeira individualidade] na Coisa é seu agir e atarefar-se; e quando os outros se dão conta que era isso a Coisa mesma, se sentem também ludibriados. Mas, de fato, (...) queriam enganar os outros, do mesmo modo como lamentam ter sido enganados.”

 

296: primeira menção de “Estado”.

 

302: praticamente um Durkheim.

 

“O mundo ético – o mundo cindido entre o aquém e o além”

 

Não se pode mudar as regras do jogo no meio do jogo.

 

Certamente eu teria terminado qualquer namoro em 2008.

 

O útero da terra (312): “[o morto] desposar o seio da terra, a individualidade elementar imperecível.” Todos os povos enterram seus mortos?

 

Os limites de minha família: estou começando a entender o quanto meu corpo é medíocre, o quanto ainda falta...

 

315: família; piedade. incesto: “a relação sem mistura encontra lugar entre irmão e irmã. São o mesmo sangue, o qual porém neles chegou à sua quietude e equilíbrio. Por isso não se desejam um ao outro”.

 

Certa assimetria que irritaria as feministas: “a perda do irmão é irreparável para a irmã; e seu dever para com ele, o dever supremo.”

 

“O irmão [o homem] é o lado segundo o qual o espírito da família se torna a individualidade que se volta para Outro e passa à consciência da universalidade. O irmão abandona essa eticidade da família – imediata elementar e por isso propriamente negativa – a fim de conquistar e produzir a eticidade efetiva, consciente de si mesma.” “A irmã, porém, (...) ou a mulher (...) a guardiã da lei divina.” Se os dois pais trabalham, e não há uma Rafaela, Deus morreu.

 

“Essa gente tão perversa pode te contaminar”

 

325: Édipo. Antígona, a Anti-Édipo. Ele atenta contra a lei de Deus; ela, contra a lei da polis. Édipo apenas age como um bom cidadão, Antígona como fiel e temente ao Olimpo.

 

“os irmãos encontram ambos sua mútua destruição, através um do outro.”

 

Recorrente referência a um mundo “subterrâneo”.

 

DIC: penates – caligrafia de doente

 

Hegel masculiniza o Estado ou governo e feminiliza o genos. Em tempos em que o mais viril não aceitaria guerrear...

 

“A figura ética do espírito desvaneceu, e surge uma outra em seu lugar.”

 

Como pode pensar que sua mente já esteve vazia ou despida?

 

“mesmo o espírito que partiu está presente no sangue dos parentes, no Si da família”

 

“o todo, como cada momento singular, é uma realidade alienada de si mesma”

 

“O Iluminismo leva a cabo a alienação (...) Essa revolução produz a liberdade absoluta

 

340: o nacionalista Hegel

 

350: Tiradentes e Senna não viram heróis até que morram (Heroes End).

 

362: “Diógenes no tonel” – mais ou menos como meu fetiche de ir às matas e me libertar da linguagem, de 2006.

 

Não consigo parar de pensar na intervenção na aula do Edson, a pretexto de quê, isso eu não me lembro, porém que se referia ao Um Absoluto de Hegel. Ora, seu Estado – não terá o professor pensado que eu o estava ironizando ao invés de sendo burro?

 

“na substância ética a religião aparecia como fé no mundo subterrâneo”

 

“carente-de-espírito”: se refere a um além

“rico-de-espírito”: auto-suficiente, essência fenomenológica

 

Diderot é aqui muito citado.

 

Cada pessoa é uma igreja. Mas não são Capelas Cistinas, apenas frágeis toldos sobre suas cabeças.

 

“No que concerne o seu conteúdo, o Iluminismo é, antes de tudo, a inteligência vazia (...) encontra-o [o conteúdo] na fé.” “Com isso declara a fé como sendo um erro, e uma ficção poética sobre o mesmo que o Iluminismo é.” “está descartado completamente o pensamento do engano.”

 

388: sobre a falta de sofisticação do pensamento moderno – “Essa sabedoria própria do Iluminismo aparece-lhe [à religião], necessariamente, como a banalidade mesma, e ao mesmo tempo como a confissão da banalidade.” “consciência crente” “A fé tem naquele Si o momento que a leva à perfeição; mas perecendo por causa dessa plenitude (...)”

 

415: indícios de por que a moral, no sistema hegeliano, não se auto-suprimiria, como a liberdade, a inteligência, a fé, o ceticismo, o estoicismo: “A perfeição, portanto, não há que atingi-la efetivamente, mas só há que pensá-la como uma tarefa absoluta, isto é, como uma tal que permanece tarefa, pura e simplesmente. (...) O que ocorre de fato, não se consegue distinguir nos longes obscuros da infinitude – para onde se deve protelar, por esse motivo, a obtenção da meta.” § “isso leva a contradições: uma tarefa que deve permanecer tarefa e, contudo, ser cumprida (...) Pela consideração de que a moralidade consumada encerra uma contradição, se lesaria a santidade da essencialidade moral, e o dever absoluto pareceria como algo inefetivo.” – Niilismo em estado bruto, grassando entre os pós-modernos cansados de missões, anômicos, baratas tontas que pedem arrego e são tão vaidosos quanto vãos... Pit stop.

 

Em seguida, todos os elementos do saber-mentir!

 

“aproximar-se sempre mais e mais do nada significa diminuir.” “a lamentação que é mais uma lágrima sobre a necessidade.”

 

448: a “bela alma” – odor de Wilde?

 

Sartre é decisivamente poeira inútil diante disto aqui. São dimensões diferentes que se tentaria comparar!



Escrito por a mosca filosófica às 23:19
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É necessário que por mais que se capte a lei trágica dos fins indesejáveis da ação, exerça-se a ação apaixonadamente, isto é, com convicção de que não havia mais certo a fazer. Pelo simples fato de que não fosse assim e 1) ou viveríamos no aborrecido mundo em que “querer” seria sempre “poder” e aí então indelevelmente, depois de um pouco de sacanagem, o Espírito se suprimiria, ao invés de apenas suprassumir seus estados um pelo outro. Porque a realidade tem que estar deslocada do pensamento “para dar certo”. 2) ou nos manteríamos inertes, ou enraivecidos. O fato é que seríamos ainda obrigados a agir, e qualquer ação destrutiva ainda seria carregada de paixão. Mas, se quisermos exagerar, se sabemos (e acreditamos a cada segundo!) que tudo que fizermos “dá errado” ou no seu oposto, passaríamos a viver de pura má-fé – mas assim que descobríssemos que mesmo a ação maligna visando ao bem seria traída pela sua benignidade última, e porque nada mais era que uma esperteza pessoal de última hora, desistiríamos desse modo “birrento” de proceder e simplesmente nos colapsaríamos ou nos suicidaríamos. Rá! Porém, como isso é mais uma artimanha do Para-Si imediato, simplesmente ingênua demais para capturar o inconsciente, aí então acho que seríamos forçados a continuar a viver! E para viver... Que nem sonho quando... O mundo, os acontecimentos, são o meio-termo entre a onipotência sem-sal e o autômato-barata-tonta-super-títere, afinal temos que ter alguma autonomia para fazer as escolhas, mas nunca, rigorosamente sob nenhuma circunstância, podemos assumir total controle. Deus e coisas não dariam certo aqui, apenas humanos, um espírito propulsor e propalado por fenômenos. É pisar em outra pedra quando saltar da anterior... A vida é um jogo de tabuleiro enquanto ainda gostamos dele. Num banco imobiliário sem ser Lex Luthor, o Rei do Crime, nem alguém tão endividado quanto o Flamengo. Eternamente bailando a mesma Dança dos Cisnes... Navegadores do Mar dos Erros! Não seria de Eros?!

 

“Ninguém é herói para seu criado-de-quarto”

 

“A série das diversas religiões, que vão produzir-se, só apresenta igualmente de novo os diversos lados de uma única religião”

 

469: totemismo

 

478: deus ex machina

 

479: nacionalismo; Hobbes.

 

“deus, que é o espírito do povo ético” “a consciência ética se deixa (...) assim determinar (...) de uma maneira irrefletida e estranha, como por meio de um jogo de dados.”

 

482: idealismo musical

 

484: o banquete

 

“princípio feminino da nutrição”, “espírito masculino da força”

 

488: da desportividade

 

490: as Musas e os Aedos (cantores, intérpretes mundanos).

 

491: moral do Prólogo do Céu – “os deuses existem para servir os humanos”. Não havendo consenso divino... Os deuses nada arriscam...

 

493: tragédia

 

496: de Édipo a MacBeth e Hamlet (parece que Freud o leu). Fala justamente da hesitação em cumprir a vingança, como que livre de uma superstição ancestral, o príncipe dinamarquês. Ele duvida do pai e monta a peça. Mas não fugiu ao fado! Não tente a ação contrária (reflexões acima)!

 

“O frenesi da sacerdotisa, a figura desumana das bruxas, a voz da árvore, do pássaro, o sonho, etc., não são modos em que a verdade apareça, mas sinais de advertência do embuste, da irreflexão, da singularidade e contingência do saber.”

 

Comédia como o destino dos deuses (499). E em 502: sobre a comedialização do mundo. Somos anti-trágicos, porque sabemos demais, e Hamlet já é assaz engraçado.

 

504: “Deus morreu” => conclusão da consciência infeliz-trágica; em oposição à divina consciência feliz-cômica. Porém, algo não bate aí: o pós-moderno não é alegre e mundano demais? O tempo de Hegel, por mais que ele fosse capaz de pressentir um outro dele derivado, não é, ao mesmo tempo que confiante, sério e amuado? “no Estado de Direito [o Todo-Poderoso de Hegel], o mundo ético e sua religião soçobraram na consciência cômica; e a consciência infeliz é o saber dessa perda total.” Desse espectro, Nie. é o ressuscitador de Deus, penalizado.

 

“As estátuas são agora cadáveres cuja alma vivificante escapou, como os hinos são palavras cuja fé escapou” grifo meu

 

511 – para Edson – “Deus só é acessível no puro saber especulativo (...) Deus é o espírito” “auto-humilhação da essência divina (...) O representar toma o outro lado, o mal, como um acontecer alheio à essência divina. Captar o mal nessa essência mesma, como a sua cólera, é o esforço extremo e mais árduo do representar em conflito consigo mesmo; - esforço que, por carecer de conceito, permanece infrutífero.”

 

524: a figura do semi-Deus, Cristo, qualquer um na História que serve conscientemente de pára-raio universal. Aceita todo o depósito do mal e lança as sementes.

 

Não faça como o Marx! Bom menino!

 

539: “Esse movimento é o círculo que retorna sobre si, que pressupõe seu começo e que só o atinge no fim.” “o conteúdo da religião proclama no tempo, mais cedo que a ciência, o que é o espírito; mas só a ciência é o verdadeiro saber do espírito sobre si mesmo.” Fim que deixa patente a formulação apócrifa do eterno retorno: um momento forçoso da “máquina universal” em que o Espírito se auto-denotaria antes de seguir a sua marcha como sempre... “é o novo ser-aí, um novo mundo e uma nova figura-de-espírito. (...) como se todo o anterior estivesse perdido para ele, e nada houvesse aprendido da experiência dos espíritos precedentes. (...) embora esse princípio recomece desde o princípio sua formação, parecendo partir somente de si, ao mesmo tempo é de um nível mais alto que [re]começa.” “Sua meta [do espírito] é a revelação da profundeza, e essa é o conceito absoluto.” Muito bem, e depois da transa vem outra transa, sem perdão... De modo que se o mundo alcança mesmo esse fim, só que isso não tem nada de mais. É apenas belo. E no dia seguinte Fenomenologia está na gráfica e... Sils-Maria recebe convidados e... eu me apoio a esta escrivaninha... Disso, reitera-se ainda: Rafael, espero que este seja (mais) um marco para sua vida. Olvidar e caminhar, até mesmo SEM olhar para trás – ironicamente neste mesmo momento quero reler meu primeiro livro, o do astronauta –, porque o caminho pela frente pressupõe a bagagem... Dir-se-ia que TODA vida precisa dessa culminância? Que renasci, etc.?



Escrito por a mosca filosófica às 23:18
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SEIYA DE PÉGASO EM FARELOS

 

21/12/10

 

Seiya esmigalhado na casa de Leão. Perde a mão com a Cápsula do Poder – na altura do pulso. (Ao acordar, no mesmo lugar verifico uma picada de muriçoca, ferida ampliada e agravada com certeza pelo meu coçar involuntário.) No mais mísero estado, e apoiado por seus amigos, Seiya segue adiante. Não tem nem pés, talvez, não pode se manter erguido, mas cumprirá sua missão obstinando-se até o fim, última centelha... No meio do caminho a plebe ainda quer troçar do herói, porém ele demonstra muita habilidade com a bola nos pés (!), embora seu cosmo e seu corpo não sejam mais os mesmos. E Athena, poderá reconstituí-lo?

 

Noutro trecho eu e Aloísio jogamos Master System, 3ª fase de algum jogo. Algo reseta o aparelho e agora precisamos da password. O modo de obtê-la, não por uma revista de videogame ou um site, é terminando uma ilustração de uma estranha montanha, o que eu me proponho a fazer. Quando terminar de ser colorida ela nos transportará...

 

 

22/12/10

 

Jogando Perfect Dark em multiplayer – controle exagerado, cheio de segmentos horizontais. Menininhas risonhas, Bruno, Douglas, Aloísio, Iasmin (?), Luan. Fazer trabalhos da faculdade, que ficou parada muito tempo mas vai voltar. Quero molhar minha cara no banheiro mas esqueço que estou de óculos. Inclusive, tiro-os por um tempo e mostro-me cego, praticamente, para as menininhas (acompanhadas de um ou dois marmanjos, perdão, pivetes). Revelo como é difícil ser míope, e aliás um míope tão raro: normalmente as pessoas fazem drama por precisarem usar lentes de 2, 3 graus. Eu, eu estou na pior: tenho o triplo disso, mas não chega aos dois dígitos.

 

Seguimento: - Mas, madame, como vou devolver-lhe o cobertor?

 



Escrito por a mosca filosófica às 22:00
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Morrer não é motivo suficiente para parar de sonhar.

17/12/10

 

Prova disso é que hoje levei um tiro na cabeça de um torcedor de futebol psicopata, senti a “dor” do momento e soube sem adiamentos que aquele seria o fim... e no entanto não foi, veio à baila o que se sucedeu no local após minha suposta morte, como se atiraram para cima do agressor. E de repente me transportavam para uma urna, muito pequena para o comprimento das minhas pernas. Os responsáveis por me trasladarem, um tanto desajeitadamente, é verdade, eram meus familiares, o Diogo, Iratan e Iran... Porém “eu me descobria” vivíssimo da silva, até piscando os olhos (pois tinha morrido de olhos abertos), consciente de que aquilo era uma grande encenação, mas não de nós para nós mesmos ou deles em relação a mim, mas queríamos enganar uma 3ª entidade misteriosa. O caixão se transformou em uma caçamba de caminhonete e eu passava a cumprimentar as pessoas que apareciam e se postavam a meu lado – meu irmão dirigia ao longo da W3, quase no centro da cidade, o lugar onde a vida se agita. Repare bem: o caminho é sempre retilíneo. Rumo a algum fim obscuro... Moral: se tudo é lógico mas algo no sonho trai seu senso de realidade, isso é fatal para a continuidade da experiência. Não obstante, na hipótese de todo o montante absurdo permanecer bem concatenado, e a consciência vigilante não perceber que o que se dá é FANTÁSTICO, a narrativa prossegue. Ora, a morte é perfeitamente factível, e não é motivo forte o bastante para se sentir ludibriado atingi-la, afinal é mesmo natural, o real supremo do ser humano. Perceber por qualquer razão alheia a condição de sono e ficção, por outro lado, aceleram o abaixar das cortinas. Por isso, o personagem principal do meu sonho não precisa ser eu, tudo pode ser uma trama póstuma – ou pior: eu ainda nem ter nascido.

 

Foram 3h de sono depois do almoço, houve muitas outras “cenas escondidas”:

 

1) o mar de perfis da Last.fm ao vivo, na rua, às vezes correndo, se aquecendo, malhando (mulheres gostosas, em fileiras duplas que atravessam Brasília, inclusive por minha casa, mas atingem mais além – mas encontram aí um limite, como “longe demais, melhor recuar, muito trabalhoso” ou o limite da janela do sistema operacional, ou mesmo aquele botãozinho na bottomline do twitter para ver novas mensagens/novos contatos, ou older tweets, e eu não tenho saco agora!).

 

2) Eline no apartamento, um cara bem mala, uma menina neutra ou que parece estar do meu lado, tentando subjugar essa piranha, fazendo-a comer a própria merda, por exemplo, artimanha da qual ela escapa e quase nos inflige o mesmo. A sensação é de estar largado, faltar algo numa podre existência hedonista. Há quilos de pó, que eu cheiro diretamente com o nariz, sem nenhum tubo ou canudo. Parece que a droga não faz muito efeito. Eline já é minha ex, pareço querer me livrar dela, mas sinto atração. A personalidade dela é nojenta – o que não daríamos para dar uma comidinha nesses pratos que a moral e os bons costumes não nos recomendam? Provocação e tesão até rimam!

 

3) Ceariba, esse cara. Sabe-se lá por quê, dessa vez, ele levando a melhor ou não sobre mim, resolve me ignorar e apenas se deixar observar. Esqueceu todas as mágoas do passado para se dedicar às táticas de conquista da sua nova paixão, a Fê Tibana.

 

4) Estou sempre disputando alguma modalidade de corrida ou fazendo escolhas questionáveis (deixando de ir a tal show, que seria muito divertido)...



Escrito por a mosca filosófica às 03:20
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O MAL-ESTAR NÃO É UMA ILUSÃO

24-26/11/10

 

A) HAMLET, O PRÍNCIPE DA DINAMARCA

 

P. 29 – “A sorte só pôs o que Deus dispôs.”

 

42: “Imaginais, então, que eu sou mais fácil de tocar do que esta flauta?”

 

64: “Levarem tanto tempo esses ossos para se formarem, só para virem a servir de bola!” Cena crucial da inspeção dos crânios.

 

“Por que não acompanhar a imaginação as nobres cinzas de Alexandre, até encontrá-las servindo para tapar um barril?” – do pó ao pó, muito antes de Goethe!

 

“o gato mia; o cachorro também terá seu dia.”

 

“Já pensei, como os nossos estadistas, que é feio escrever bem”

 

“igual a ele, só poderá encontrar em seu próprio espelho.”

 

“nossa época superficial” – qualquer uma pós-homérica.

 

Um Édipo sem tanto efeito... Mas sem um dúvida um Dostoievsky com todas as suas implicações...

 

B) FUTURO DE UMA ILUSÃO

 

29: “Alvoreceu a noção, no povo mais bem dotado da Antigüidade, de que Moira [o Destino] alçava-se acima dos deuses e que mesmo estes tinham os seus próprios destinos.”

 

Não julgo esta sintética obra sombria. E, ah, se fosse um diálogo seria como um meu com o Pedro Piccolo: um não deixaria o outro falar!

 

57: “Nosso comportamento, portanto, deveria modelar-se no de um professor sensato que não se opõe a um novo desenvolvimento iminente, mas que procura facilitar-lhe o caminho e mitigar a violência de sua irrupção.”

 

64: “o infantilismo está destinado a ser superado. Os homens não podem permanecer crianças para sempre” “Como honestos arrendatários nesta Terra”

 

C) O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO (mesmo volume)

 

87: seu vício por descrever Roma

 

Busch: “Aquele que tem preocupações, tem também aguardente.”

 

94: de modo tosco, os problemas do niilismo, estoicismo e epicurismo.

 

“nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos.” Goethe

 

“Contra o sofrimento que pode advir dos relacionamentos humanos, a defesa mais imediata é o isolamento voluntário, o manter-se à distância das outras pessoas.”

 

96: o problema das drogas. “um estado patológico, a mania, no qual uma condição semelhante à intoxicação surge sem administração de qualquer droga intoxicante.” “é possível, em qualquer ocasião, afastar-se da pressão da realidade e encontrar refúgio num mundo próprio (...) [mas as toxinas] São responsáveis, em certas circunstâncias, pelo desperdício de uma grande quota de energia que poderia ser empregada para o aperfeiçoamento do destino humano.”

 

Quando morar sozinho comprarei uma garrafa de conhaque para fazer dela uso intermitente durante os estressantes dias de um educador?

 

98: “ioga”

 

“Vale a pena observar que os próprios órgãos genitais, cuja visão é sempre excitante, dificilmente são julgados belos; a qualidade da beleza, ao contrário, parece ligar-se a certos caracteres sexuais secundários.”

 

Se não me tornei louco até agora, dificilmente irei...

 

P. 110 – a brincadeira de apagar o fogo com o mijo (e por tabela os jogos masculinos de saber qual rastro de urina vai mais longe): “competição homossexual (...) renúncia ao instinto [quando se opta por mantê-lo aceso] (...) Notável, também é a regularidade com que a experiência analítica dá testemunho da conexão existente entre ambição, fogo e erotismo”

 

111: Georg Brandes

 

“A existência do fator social responsável pela transformação ulterior do erotismo anal é atestada pela circunstância de que, apesar de todos os progressos evolutivos do homem, ele dificilmente acha repulsivo o odor de suas próprias excreções, mas somente o das outras pessoas (...) Seria incompreensível, também, que o homem empregasse o nome de seu mais fiel amigo no mundo animal – o cão – como termo injurioso, se essa criatura não provocasse seu desprezo através de duas características: ser um animal cujo sentido dominante é o do olfato e não ter horror dos excrementos nem se envergonhar de suas funções sexuais.”

 

124: desenhando-se o Anti-Édipo

 

Vejo que o João Gabriel retira quase todos os seus ditos de seu autor predileto... Ele está para Freud assim como...

 

Conto disponível na rede: John Galsworthy – The Apple-Tree

 

“A teoria da bissexualidade ainda está cercada por muitos pontos obscuros.”

 

“seu erotismo anal que ameaçou cair como vítima da repressão orgânica (...) Também os órgãos genitais dão origem a intensas sensações de odor que muitas pessoas não podem tolerar e que estragam suas relações sexuais.”

 

132: Heine e seu fantástico humor judio que já conheci em outra obra!

 

Meu MESSIAS, se olhar bem, permanece com uma premissa que em absoluto não deve ser levada a sério: sátira, nem numa catástrofe do clima acredito mais. O problema da moral se resolverá “sozinho”. Será possível uma Super-Grécia? Sombrio é meu umbigo!

 

“são precisamente as pessoas que levaram mais longe a santidade as que se censuram da pior pecaminosidade.”

 

“Matar o próprio pai ou abster-se de matá-lo não é, realmente, a coisa decisiva. Em ambos os casos, todos estão fadados a sentir culpa”

 

“no fundo, o sentimento de culpa nada mais é do que uma variedade topográfica da ansiedade”

 

D) OUTROS ESCRITOS:

 

205: “Os Irmãos Karamazovi são o mais grandioso romance jamais escrito; quanto ao episódio do Grande Inquisidor, um dos pontos culminantes da literatura mundial, dificilmente qualquer valorização será suficiente.” “D. jogou fora a oportunidade de se tornar mestre e libertador da humanidade e se uniu a seus carcereiros.” 209: assustadora semelhança com meu quadro. A epilepsia/neurose “voluntária” ou auto-induzida. “Mesmo o Destino, em última instância, não passa de uma projeção tardia do pai.” “na aura da crise epiléptica, um momento de felicidade suprema é experimentado.” “irritabilidade e depressão após uma crise” Ele também queria matar o pai. “Na verdade a paixão pelo jogo constitui um equivalente da antiga compulsão a se masturbar.”

 

253: “No tipo erótico-obsessivo, (...) a dependência simultânea de objetos humanos contemporâneos e de resíduos dos pais, educadores e exemplos é levada a seu mais alto grau.” “Parece fácil inferir que, quando pessoas do tipo erótico caem doentes, elas desenvolverão histerias”

 

Ao contrário dos fuxicos, vejo Freud como sumamente modesto. E esses documentários... só prestam desserviços.

 

260: nem toda mulher sonha com o pai! “Complexo mais complexo” (“fase pré-edipiana”) – Sabrina, Michelle e Luisa – podem ter se mortificado, se apenado, pela morte precoce da mãe, nutrindo identificação por ela. Freud recusa o termo Electra (jungiano). 262: vagina (tubo virgem imaculado) =/= clitóris – membrana externa. “As meninas geralmente descobrem por si próprias sua atividade fálica característica, a masturbação do clitóris.”



Escrito por a mosca filosófica às 01:30
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A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS

27/10/10-18/11/10

 

16: “este livro (...) foi, como verifiquei, parte de minha própria auto-análise, minha reação à morte de meu pai – isto é, ao evento mais importante, à perda mais pungente da vida de um homem.”

 

30: Fichte – “natureza autocurativa do espírito”

 

“Vaschide observa que muitas vezes se notou que nos sonhos as pessoas falam línguas estrangeiras com mais fluência e correção do que na vida de vigília.” A riqueza da linguagem que se “perde” na vida consciente.

 

“sonho hipermnésico” – resgate de coisas improváveis!

 

Sonhar com músicas inteiramente novas. Com vídeos pornôs. Com “fases”... Muitas vezes para recordar a origem de uma representação, é necessário viajar de volta a alguma paisagem.

 

“após a morte de um ente querido, as pessoas em geral não sonham com ele logo de início, enquanto se acham dominadas pela dor.” [grifo meu]

 

Havelock Ellis, 41: “walking life”, i. e., “vida de vigília”.

 

“nada que tenhamos possuído mentalmente uma vez pode se perder inteiramente” Scholz

 

DIC: jour – luz. abat|jour

 

“[Para dormir,] fechamos nossos canais sensoriais mais importantes, os olhos” “Por movimentos involuntários durante o sono podemos descobrir alguma parte do corpo e expô-lo a sensações de frio, ou provocar sensações de pressão ou contato, devido a mudanças de posição.” “É possível que sejamos picados por um mosquito” “o ranger de uma porta pode produzir um sonho com ladrões.” “Se os lençóis da cama caírem durante a noite, talvez sonhemos que estamos andando nus de um lado para outro ou então caindo na água.” – qual a relação entre líquidos em geral e retenção da urina? “Se estivermos atravessados na cama e com os pés fora da beirada, talvez sonhemos que estamos à beira de um tremendo precipício ou caindo de um penhasco” janela...

 

“Acúmulos de sêmen provocam sonhos lascivos [*], e dores locais produzem imagens de maus-tratos, agressões ou ferimentos...”

 

[*] mas parece que quanto mais bato, mais sonho com mulheres. Superprodução? Viver quase em função disso... Cuecas manchadas. E as mulheres, onde está sua lascívia?

 

Hildebrandt, 49: “Em minha juventude eu costumava usar um despertador para me levantar regularmente, numa determinada hora. Por centenas de vezes deve ter acontecido de o ruído produzido por esse instrumento se enquadrar num sonho aparentemente longo e interligado, como se todo ele estivesse levando àquele fato único e tivesse alcançado seu fim precípuo no que era um clímax logicamente indispensável.”

 

Imagine o número de sonhos de Carlos que remetem à ditadura e dos revolucionários franceses do século XVIII...

 

“O intérprete de um sonho não deve dar asas à própria engenhosidade e desprezar as associações do sonhador.”

 

“excitações subjetivas da retina”

 

54: “Maury verificou que, quando lhe acontecia acordar mais uma vez após um intervalo muito prolongado, ele conseguia detectar em seu sonho as mesmas imagens que lhe haviam flutuado diante dos olhos como alucinações hipnagógicas antes de adormecer.”

 

“Um escritor tão remoto quanto Aristóteles já considerava perfeitamente possível que os primórdios de uma doença se fizessem sentir nos sonhos antes que se pudesse observar qualquer aspecto dela na vida de vigília, graças ao efeito amplificador produzido nas impressões pelos sonhos.”

 

“A freqüência dos sonhos de angústia em caso de doenças do coração e dos pulmões é geralmente admitida.” “No caso de distúrbios digestivos, os sonhos contêm idéias relacionadas com o prazer ou a repulsa na alimentação.”

 

59: Schopenhauer e a verdadeira gênese do sonho.

 

Sonhos típicos: “cair de grandes alturas”, “dentes que caem”, “voar”...

 

“muitas vezes sabemos que sonhamos, sem saber o que sonhamos” “Por outro lado, ocorre que às vezes os sonhos mostram extraordinária persistência na memória.”

 

67: “Os sonhos cedem ante as impressões e um novo dia da mesma forma que o brilho das estrelas cede à luz do sol.”

 

“a maioria das pessoas tem muito pouco interesse em seus sonhos.”

 

Férias, o oásis dos sonhos!

 

“quando um sonho parece ter sido esquecido pela manhã, ainda assim pode ser recordado no decorrer do dia, caso seu conteúdo, embora esquecido, seja evocado por alguma percepção casual.”

 

“podemos muito bem duvidar se nossa lembrança do que resta deles não será falseada.”

 

Jessen: “Mesmo o maior amante da verdade dificilmente consegue relatar um sonho digno de nota sem alguns acréscimos ou retoques.”

 

Egger: “tornamo-nos artistas sem nos apercebermos disso, e o relato periodicamente repetido impõe-se à crença de seu autor, que de boa-fé o apresenta como fato autêntico, devidamente estabelecido segundo métodos adequados.”

 

“com a aproximação do sono é possível observar como, à medida que as atividades voluntárias se tornam mais difíceis, surgem representações involuntárias, que se enquadram todas na categoria de imagens.” E quando filosofamos com conceitos e tudo dentro do sonho? Balbuciamos semi-incoerências alfabéticas, na verdade. É nosso bibliotecário-indexador em ação.

 

“Os sonhos, portanto, pensam predominantemente por meio de imagens visuais – mas não exclusivamente.” [itálico meu] “pensamentos” “resíduos de representações verbais” “os sonhos alucinam” “parecemos não pensar, mas ter uma experiência

 

Haffner: “nossos poderes de julgamento e de vontade de modo algum se alteram no sono. (...) Mesmo em seus sonhos o homem não pode violar as leis do pensamento como tais (...) Da mesma forma, nos sonhos ele só pode desejar o que considera como um bem (sub ratione boni).”

 

Burdach: “Se não pudéssemos ouvir nem sentir enquanto estamos efetivamente adormecidos, mas só depois de acordarmos, seria inteiramente impossível despertarmos”

 

“Quem quer que se comportasse, quando acordado, da maneira peculiar às situações dos sonhos, seria considerado louco. Quem quer que falasse, quando acordado, da maneira como as pessoas falam nos sonhos, ou descrevesse o tipo de coisas que acontecem nos sonhos, dar-nos-ia a impressão de ser apalermado ou débil mental.”



Escrito por a mosca filosófica às 18:50
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77: “Segundo Spitta, Hegel afirma que os sonhos são destituídos de qualquer coerência objetiva e razoável.”

 

Hildebrandt: “não ficamos nem um pouco surpresos quando um cão cita um verso de um poema”

 

Radestock: “os sonhos se dissolvem num louco redemoinho de confusão caleidoscópica”

 

“O sonhador é um ator” Delboeuf

 

84: Hildebrandt – “Há nos sonhos uma encantadora poesia, uma alegoria arguta, um humor incomparável, uma rara ironia. (...) Retrata a beleza terrena ante nossos olhos num esplendor verdadeiramente celestial (...) mostra-nos nossos temores cotidianos da mais aterradora forma (...) não podemos deixar de sentir que jamais em nossa vida o mundo real nos ofereceu algo que lhe fosse equivalente.”

 

“Relatos de numerosos casos, bem como a coletânea de exemplos feitos por Chabaneix (1897), parecem tornar indiscutível o fato de que os sonhos são capazes de dar prosseguimento ao trabalho intelectual diurno e levá-lo a conclusões que não foram alcançadas durante o dia, e que podem resolver dúvidas e problemas e constituir a fonte de uma nova inspiração para os poetas e compositores musicais.”

 

88: “Schopenhauer (...) sustenta que qualquer pessoa que apareça num sonho age e fala em completo acordo com seu caráter.”

 

“eu nem sonharia em fazer tal coisa”

 

“dize-me com que sonhas...”

 

“Eu?! Jamais!”

 

E agora, bom cristão? “Todo aquele que odeia seu irmão é um assassino.”

 

Com efeito, alguns defendem que no reino dos sonhos se encontra o “x”, isto é, nosso autêntico eu. Não fosse assim, como explicar que jamais tive pendores homossexuais nessas noites, e quando assassinei (Max Cavalera, cães) me acometi de uma culpa terrível? Lá no fundo, incesto não é (foi) crime – velho papo dos justificados crimes de paixão. (contribuição de Scholz)

 

Hildebrandt, sempre ele: “o imperativo categórico de Kant é um companheiro que nos segue tão de perto que não nos podemos ver livres dele nem sequer no sono.”

 

91: Santo Ofício da Inquisição – “Se alguém disser heresias durante um sonho, os inquisidores deverão ocupar-se de investigar sua forma de vida, pois o que ocupa um homem durante o dia está fadado a retornar em seu sono.”

 

A faceta Ranna: sonhos repetidos e diretrizes éticas – medidas assépticas (reconciliação espiritual) – a se tomar. “Quem avisa amigo é”

 

“paixões antigas e soterradas revivem” Benini

 

Eu me auto-destruiria apenas a fim de que um dos meus textos deixasse de ser censurado.

 

Se nosso eu sonhado fosse o homem bom de Rousseau, que homem “bom”!

 

Bem como os homens primitivos, que avançavam 5 kilômetros ao ano nas florestas e desertos, nós, os mestres na tabuada da moral devemos ir aos pouquinhos, porque qualquer sprint descabido é pior do que voltar a alojar a cabeça sob as telhas precárias e quebradiças da moral antiga. Minha vida servindo de exemplo, mínimo que seja...

 

Terei “anos dioguiais” pela frente? [virtù desligada]

 

Se minhas falas fossem gente, teria dó da multidão atropelada. Por outro lado, teríamos alguns condenados à cadeira elétrica.

 

99: O Mal-estar na Cultura (Freud e “Fausto”)

 

“como poderiam os dez dedos de alguém que não soubesse música produzir uma peça musical?”

 

A teoria de Robert: “Um homem privado da capacidade de sonhar ficaria, com o correr do tempo, mentalmente transtornado, pois uma grande massa de pensamentos incompletos e não elaborados e de impressões superficiais se acumularia em seu cérebro e, por seu grande volume, estaria fadada a sufocar os pensamentos que deveriam ser assimilados em sua memória como conjuntos completos.” Seguranças ou garis da mente.

 

Yves Delage: “Quando estavam profundamente apaixonados, quase nunca sonhavam um com o outro antes do casamento ou durante a lua-de-mel; e se tinham sonhos eróticos era para serem infiéis com alguém que lhes fosse indiferente ou odioso.”

 

DIC: souvenir – lembrança

 

Rica gleba de autores! Anatole France: “O sonho é, muitas vezes, (...) a reprimenda dos seres abandonados.”

 

O poeta Novalis: “Sem sonhos por certo envelheceríamos mais cedo”.

 

“por exemplo, no caso de estímulos dolorosos, o sonhador poderá empenhar-se numa luta desesperada com cães ferozes”

 

111: “Kant escreve em algum ponto de sua obra: ‘O louco é um sonhador acordado’.”

 

“Schopenhauer chama os sonhos de loucura breve e, à loucura, de sonho longo.”

 

Febres e “lembranças do passado remoto”.

 

“o intérprete de maior êxito é o homem que consegue identificar a verdade a partir da imagem deformada.” Oniromante.

 

Duas letras iniciais de uma palavra podem explicar muitas das aparições oníricas; um livro ou dicionário dos sonhos que fixe a conotação de alguns verbetes só tem chance de ser algo válido se for integralmente em Português, isto é, não-resultante de tradução ou algo do gênero. Quanto ao sonhador, penso no poliglota: são maiores as possibilidades de exegese e de equívocos!

 

121: Josef Breuer

 

122: o divã; reflexão (crítica) x auto-observação

                    TENSÃO                RELAXAMENTO/CRIAÇÃO

 

Poetas: o tipo perfeito de paciente para o método de associação livre!

 

Schiller: “creio que onde existe uma mente criativa, a razão relaxa sua vigilância sobre seus portais (...) Vocês se queixam de sua improdutividade porque rejeitam cedo demais e discriminam com excessivo rigor.”

 

“Se houvesse na ciência algo como o direito à retaliação, por certo eu estaria justificado, por minha parte, em desprezar a literatura editada desde a publicação deste livro.”

 

125: “dá-se que sou levado a meus próprios sonhos, que oferecem um material abundante e conveniente, oriundo de uma pessoa mais ou menos normal e relacionado com múltiplas circunstâncias da vida cotidiana.” “Provavelmente, fui sensato em não depositar demasiada fé na descrição de meus leitores.”

 

131: Freud e a cocaína – “Nessa época, eu vinha fazendo uso freqüente da cocaína para reduzir algumas incômodas inchações nasais, e ficara sabendo, alguns dias antes, que uma de minhas pacientes, que seguira meu exemplo, desenvolvera uma extensa necrose da membrana mucosa nasal. Eu fora o primeiro a recomendar o emprego da cocaína, em 1885, e essa recomendação trouxera sérias recriminações contra mim. O uso indevido dessa droga havia apressado a morte de um grande amigo meu. Isso ocorrera antes de 1895.”

 

DIC: escanhoado – barbeado; raspado.

 

133: “Apesar de estar vestida. (...) E francamente não senti nenhum desejo de penetrar mais a fundo nesse ponto.” “Essas injeções me fizeram recordar mais uma vez meu infeliz amigo que se envenenara com cocaína. Eu o havia aconselhado a só usar a droga por via oral, enquanto a morfina era retirada; mas ele de imediato se aplicara injeções de cocaína.”

 

135: Otto, com amigos como Freud, não precisa de detratores.

 

“Minha paciente, Irma, era uma jovem viúva (...) sua viuvez, cuja alteração muito alegraria os amigos dela.”

 

Relato de sonho clínico desagradável para os hipocondríacos!

 

Cocaína, parte III, como que esclarecendo minhas dúvidas em relação ao modo de consumo da coca no século XIX, durante a segunda aula de Sociologia do Conhecimento: “Como já tive ocasião de dizer, eu nunca havia considerado a idéia de que a droga fosse ministrada por injeções.”



Escrito por a mosca filosófica às 18:49
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Frase por frase do sonho... Ô, sonho!

 

“O sonhar toma o lugar da ação” – fumar, beber, mijar, comer, trepar, e mesmo dar uma bronca no Diogo na frente dos meus pais. Nadar, jogar futebol, lutar, “sonhos simples e curtos”. Falar com pessoas com quem já deixei de falar há muito tempo. E sobretudo JOGAR, me aventurar.

 

143: “Tendo adquirido, desde quando consigo recordar, o hábito de trabalhar até altas horas da noite, sempre tive dificuldade de acordar cedo.”

 

148: a velhice e a retomada dos sonhos bobos e diretos da infância.

 

149: Jung

 

“Eu mesmo não sei com que sonham os animais.” Coaduna perfeitamente: imagens sem conceito. Mas qual seria sua função?

 

“‘os porcos sonham com bolotas e os gansos, com milho.’ Diz um provérbio judaico”

 

Scherner: sonhos de temperamento, de desejo erótico e de mau humor.

 

153: “Edward Von Hartmann, o filósofo do pessimismo.”

 

156: professor vienense equiparado a um semideus.

 

“Meu pai, cujos cabelos se embranqueceram de tristeza em poucos dias”

 

Na Europa, multam ciclistas imprudentes que atropelam crianças.

 

“sonhos hipócritas” – “vi-me perturbado, por várias noites em estreita sucessão, por um sonho algo confuso que tinha como tema a reconciliação com um amigo que eu deixara de lado muitos anos antes. Na quarta ou quinta ocasião, consegui finalmente compreender o sentido do sonho. Era uma incitação para que eu abandonasse meus últimos resquícios de consideração pela pessoa em causa e me libertasse dela por completo, e que fora hipocritamente disfarçada em seu oposto.”

 

Freud não trata homens?

 

DIC: Büchse – boceta

 

“ ‘Então o senhor não pratica o coito normal?’

  ‘Tomo a precaução de retirar antes da ejaculação.’ ”

 

174: a eterna discussão de se/quando abortar é crime.

 

175: passei por isso há vários – QUATRO?! – anos!

“Uma das duas forças propulsoras que levam a esses [*] sonhos é o desejo de que eu esteja errado [* - de contradesejo]. Tais sonhos aparecem regularmente no curso de meus tratamentos quando um paciente se encontra num estado de resistência a mim; e posso contar como quase certo provocar um deles depois de explicar a um paciente pela primeira vez minha teoria de que os sonhos são realizações de desejos. A rigor, é de se esperar que a mesma coisa aconteça com alguns dos leitores dessa obra: eles estarão inteiramente dispostos a ter um de seus desejos frustrados num sonho caso isso sirva para confirmar que eu estou errado.”

“os sonhos de angústia são sonhos de conteúdo sexual cuja respectiva libido se transformou em angústia.”

 

178: Freud sobre sua alcunha de “tarado”.

 

185-6: a polêmica dos resíduos que são o substrato do sonho – ciclos de 23-27 dias (Fliess) X “dia anterior” (Freud). Parece haver uma sobreposição. O segundo autor diz ter se lembrado de algo que o remeteu a elementos que tinha vivenciado quase 1 mês antes. Ora, nem por isso Fliess estava equivocado: pode haver uma predeterminação de recorrência mental do tema, ciclos inescapáveis dos quais somos meras “vítimas”. Como se fosse absolutamente certo, então, que daqui a mais de 20 dias ocorrerá um evento que me fará lembrar do que vivi hoje. Digamos: sair com a Sabrina. Estarei fadado a sonhar com ela perto do fim de novembro.

 

Tentativa de resgate, pela data do sonho:

colégio militar – gisno – ofício de professor – dia 4/11 – aulas no JK – 20 a 27/10 – não bate... porém bateria com a véspera, período de forte expectativa. Enfim, discussão improfícua! Devo passar a anotar também as datas dos sonhos.

{Lembrar uma música na vida consciente: funciona igual?}

 

187: “Os sonhos podem selecionar seu material de qualquer parte da vida do sonhador, contanto que haja uma linha de pensamento ligando a experiência do dia do sonho (as impressões “recentes”) com as mais antigas.”

 

E Freud mesmo lembrou dos sonhos...

 

(consultar G-mails para algumas aspas e interpretações de sonho – Natália Honorato)

 

188: “eu realmente havia escrito algo, uma monografia sobre uma planta, a saber, uma dissertação sobre a coca que atraíra a atenção de Karl Koller para as propriedades anestésicas da cocaína. Eu mesmo havia indicado essa aplicação do alcalóide em meu artigo publicado, mas não fora suficientemente rigoroso para levar o assunto adiante.”

 

“O reino dos chistes não conhece fronteiras.”

 

195: por estas palavras, um sonho lúcido seria a maior contradição do aparelho nervoso.

 

Saulo e Luan: uma dupla que me produz azia.

Weber  catexis  volta  antiga  tábua  coragem  assumir erros  pecado  calota polar  e  humanidade!

Limite  bebedeira  ácido lisérgico  travado  Pink Floyd  áudio? auge  interrompido  porões da consciência  esgoto  submundo  catraca  túnel de minhoca  zarpar  iscas  piscinas transbordantes  gotas de gelo  e  a dor ingente de dente  sufocado  grito de gol  malandro o monge sem alça  essência do cigarro  e da mulher  é o sorriso perdido na esquina preta e vomitada das vaidades mais intra-uterinas e gemidas capengas remendos de remédios para a alma deflorada em tenra idade, como pode ser possível? Miolo quente e vermelho da existência. Ela não tem fundamento! niilismo nos outros mecanismo de defesa, de supetão e de supres[s]a[o], à mesa. Estar mutilado. Jaz ao meu lado o meu coração. Rotina cretina a mina crepita no caldeirão do inferno...

 

198: os experimentos de Pötzl aparentemente me sanam uma antiga dúvida – se eu ler um texto em voz alta sem prestar atenção no conteúdo, provavelmente ele foi captado, pois tem aval para aparecer no sonho dessa noite; já o significante, ou seja, o percebido pela consciência, não.

 

“Nada que tenha realmente continuado a ser irrelevante pode ser reproduzido num sonho [a longo prazo].”

 

A criança não sabe o que é sexo, como poderia sonhar que come a mãe?

 

“Os sonhos aparentemente inocentes revelam ser justamente o inverso quando nos damos ao trabalho de analisá-los. São, se é que posso dizê-lo, lobos na pele do cordeiro.”

 

200: “Quando alguma coisa num sonho tem o caráter de discurso direito, isto é, quando é dita ou ouvida e não simplesmente pensada (...), então isso provém de algo realmente falado, na vida de vigília”

 

“ ‘Du hast deine Fleischbank offen’ (‘seu açougue está aberto’): gíria vienense correspondente a ‘sua braguilha está aberta’.”

 

202: “Se alguém tiver a curiosidade de saber, posso acrescentar que o sonho ocultava uma fantasia de eu me comportar de maneira imprópria e sexualmente provocante e de a paciente erguer uma defesa contra minha conduta.”

 

“preservativo rasgado” – naquela época?

 

“Uma vela é um objeto que pode excitar os órgãos genitais femininos e, quando está quebrada, de modo a não poder ficar de pé adequadamente, significa que o homem é impotente.”

 

212: a neurose freudiana de não conseguir pisar em Roma: relação com seu status de judeu.

 

214: o erro (?) dos psicólogos de atribuir à infância toda a importância da vida adulta. A criança como a totalidade do ser – o adulto como reflexo.

 

“Todas essas correrias inocentes com as amiguinhas foram lembradas porque tomavam o lugar de outras, menos inocentes.”

 

“Quando uma mulher sonha que está caindo, isso tem quase invariavelmente uma conotação sexual”

 

219: fica parecendo que toda empregada doméstica já deu em serviço.

 

Sonhos de neuróticos x sonhos de “normais”: não seria Freud um neurótico?



Escrito por a mosca filosófica às 18:48
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“estalajadeiro”

 

222: me fez lembrar do efeito da maconha no meu 1º Marreco’s: casacos-fractais, ou sua reposição ilimitada.

 

Trocadilhos e traumas com nomes próprios (223). “lição de carpe diem” – expressão oriunda de Horácio.

 

DIC: Nichts: nada. É inevitável: Frederico Nada.

        Adler: águia.

        Affe: macaco.

 

Quando fazemos um plano no sonho e fingimos não saber dele. “Dissimulação” do eu.

 

229: O Germinal

 

231: Rebelais

 

“a megalomania da infância”: “Também já tomamos conhecimento (...) da íntima relação entre o urinar na cama e o traço de caráter da ambição.” – a promessa dos 6 para os 7 anos.

 

232: primeiros sinais do Complexo de Édipo

 

233: Lucrecia Bórgia (?)

 

245: bilhete e riso num sonho

 

Estímulos externos e o “controle do sonho” (Vanilla Sky): “Não! Continue a dormir! Não há necessidade de acordar.” (246)

 

“um sobrinho meu, um ano mais velho”

 

“Todos os sonhos são, num certo sentido, sonhos de conveniência; servem à finalidade de prolongar o sono, em vez de acordar.”

 

Sonho mal-sucedido: aquele que o faz acordar (pesadelo stricto sensu) – um sonho sonhado plenamente, por mais desagradável que soe à consciência crítica póstuma, não é um pesadelo, embora digamos: “tive um pesadelo!”.

 

253: acordando pra bater aquela punheta; a paralisia corporal no sonho (DIMITRI & O BILHETE – casa/calor maldito de Souza e a filhinha super-estranha do casal?).

 

Quem sobe ou desce escadas de dois em dois, ou de três em três?

 

Parece não haver correlação entre a potencial flexibilidade muscular real do sonhador e seu eu-no-sonho. Ex: posso estar de pés amarrados e voar para a Lua ou chutar um inimigo; ou me encontrar livre e frouxo e sonhar que estou em uma cadeira de rodas. Freud relata um sonho seu que abrangia os dois extremos num hiato de segundos.

 

Sonhos de nudez íntegra ou parcial: “As pessoas em cuja presença o sonhador sente vergonha são quase sempre estranhos de traços imprecisos.” Churrasco das Ciências Sociais, blusa social azul-e-branca, sem nenhum outro tipo de veste. Garotas, misto de veteranas e calouras. Sento-me e disfarço. “No sonho típico nunca se dá o caso de a roupa que causa tanto embaraço suscitar objeções ou sequer ser percebida pelos espectadores.” “as duas partes do sonho ficam, conseqüentemente, em desarmonia uma com a outra.” 258 – rei está nu.

 

“Somente na nossa infância é que somos vistos em trajes inadequados, tanto por membros de nossa família como por estranhos” “É difícil passarmos por um vilarejo do interior neste lado do mundo sem encontrarmos uma criança de dois ou três anos que levante a camisinha diante de nós, talvez em nossa homenagem.” “O núcleo de um sonho de exibição situa-se na figura do próprio sonhador (não como era em criança, mas tal como aparece no presente) e em seu traje inadequado (que emerge indistintamente, seja em virtude de camadas superpostas de inúmeras lembranças posteriores de estar desalinhado, seja como decorrência da censura).” Mas aqui eu me lembro muito bem do que usava: era uma camisa social, que inclusive ficava larga demais em mim, e estava inteiramente desabotoada – embora esse traje a rigor nada tivesse a ver com o ambiente, um clube! Esse ambiente de piscina e churrasqueira só podia ser o escolhido, rememorando as vezes em que estive mais perto, de novo, de me mostrar nu e sem constrangimento. (08/11) ~Thomas: sonho do dia seguinte – jogo Star Fox e tenho medo da casa ser roubada. ~Gregório: “Olha o CEUB só de sunguinha!”. “Acrescentam-se a isso as ifugras das pessoas em cuja presença o sonhador se sente envergonhado.” – meus contemporâneos e não-íntimos (leia-se: amigos de infância, se bem que teria constrangimento da galera do Aloísio), já que de velhos (Vera, Nilson) ou de muito novos é impossível sentir o mesmo.

 

Antecipando O FUTURO DE UMA ILUSÃO: “e o próprio Paraíso nada mais é do que uma fantasia grupal da infância do indivíduo.” Desse ponto de vista, realmente: Adão e Eva, o protótipo de qualquer ocidentalizado.

 

Já desejei que por mais que me excitasse meu pau permanecesse invariavelmente mole. Para poder brincar com ele eternamente. Paradoxo.

 

261: Homero. “Não há dúvida de que os vínculos entre nossos sonhos típicos, os contos de fada e o material de outros tipos de literatura criativa não são poucos nem acidentais.”

 

263: sonho que meu pai morre na chácara. “essa morte foi desejada numa ou noutra ocasião durante a infância do sonhador.”

 

264: brigas entre irmãos

 

“O medo da morte não tem nenhum sentido para uma criança”

 

270: (Cronos, Urano e Zeus) “Quanto mais irrestrita era a autoridade paterna na família antiga, mais precisava o filho, como seu sucessor predestinado, descobrir-se na posição de inimigo, e mais impaciente devia ficar para tornar-se chefe, ele próprio, através da morte do pai. Mesmo em nossas famílias de classe média [e sobretudo, diria Dostoievsky, pelo doloroso contraste!], os pais se inclinam, em regra,a  recusar a seus filhos a independência e os meios necessários para obtê-la, fomentando assim o crescimento do germe de hostilidade que é inerente à relação entre eles.” “Em nossa sociedade de hoje, os pais tendem a se agarrar desesperadamente ao que resta de uma potestas patris familias agora tristemente antiquada”

 

“Luke, I am your father!”

 

“uma predileção natural costuma fazer com que o homem tenda a mimar excessivamente suas filhinhas, enquanto sua mulher toma o partido dos filhos homens, muito embora os dois, quando seu julgamento não é perturbado pela magia do sexo, mantenham uma rigorosa fiscalização sobre a educação dos filhos. A criança está perfeitamente ciente dessa parcialidade e volta-se contra aquele de seus pais que se opõe a demonstrá-la.” Seria uma peculiaridade brasileira ou de sociedades despóticas (partindo em primeiro lugar do chefe que prima por ser eterno e não deixar decair seu clã) a vontade manifesta do pai ter um herdeiro homem?

 

275: aparece o nome de Édipo-Rei. Laio, rei de Tebas, era incomensuravelmente mais burro que Cronos. Tragédias clássicas x modernas.

 

277: minha posição – simbolismo – amor e devoção à terra e desafio àquilo que nos limita. Freud pensa que “comer a mãe” é conteúdo tanto manifesto quanto latente. Em verdade tem tudo para ser tão-somente manifesto e estar-se censurando qualquer outra coisa mais profunda, mais grave, mais relevante. Estranho basear-se numa EXCEÇÃO à complexidade maquiadora dos sonhos para respaldar todo o sistema interpretativo do significado oculto dos sonhos! Jocasta: “Muito homem desde outrora em sonhos tem deitado / Com aquela que o gerou. Menos se aborrece / Quem com tais presságios sua alma não perturba.”

 

“Segundo a visão que se originou em Goethe e é ainda hoje predominante, Hamlet representa o tipo de homem cujo poder de ação direta é paralisado por um desenvolvimento excessivo do intelecto.” “neurastênico” “súbito rompante de cólera” “traduz...”

 

279: Georg Brandes (1896)

 

Freud inteligentemente insere sua calamitosa revolução-mor num item denominado “Sonhos sobre a morte de pessoas queridas”: sub-repticiamente ele muda o enfoque – ou tergiversa, alegando que é o mesmo enfoque ou que está contido no primordial – para “sonhos em que faço sexo com minha mãe”, só que dentro do mesmo subtítulo de pessoas queridas, evitando o maior choque ou os mais luminosos holofotes. Existem famílias muito mais avançadas do que a minha: poderiam conversar gargalhando na sala-de-estar sobre estas coisas.

 

“se experimentam sentimentos dolorosos nos sonhos” é o álibi freudiano – como no sonho apenas semi-censurado do homem nu, além de não se acordar por angústia, necessariamente.

 

282: Otto, o “amigo” mais menoscabado por Freud [como dito acima, p. 135].

 

285: “balanços” “gangorras” “circo”. Cair nos sonhos, Juliana F5, seria muito mais bem explicado pelo fato de terem brincado muito com você quando era bebê-de-colo.

 

288 – até nisso: “Wilhelm Stekev, que propôs a 1ª interpretação dos sonhos com o vestibular, era de opinião que eles estavam regularmente relacionados com provas sexuais e com a maturidade sexual. Minha experiência tem muitas vezes confirmado seu ponto de vista.” eis algo que não se traduz em nossa cultura.

 

“Se um sonho for escrito, talvez ocupe meia página. A análise que expõe os pensamentos oníricos subjacentes a ele poderá ocupar seis, oito ou doze vezes mais espaço.”

 

297: contraste, dificuldade progressiva: carregando o bebê.

 

300: “a ama-de-leite, carregando o peso do bebê em seus braços.” – Ikki é o irmão mais velho – no caso, sou eu, o caçula, que tenho que carregar todo o peso nas costas. Ou não terei mais?



Escrito por a mosca filosófica às 18:47
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A crueldade infantil gratuita aos animais se torna compaixão. Senso de responsabilidade e limpeza do sangue da tartaruga debaixo da cama. Madrugada sofrida e sangrenta. A agressiva e a tímida. A prisão claustrofóbica na gaveta. Arranhadas, quedas e encolhidas. Descascadas, cagadas e comidas. Canto preferido, cabeça encostada.

 

Não à toa, a morte de um cão afeta a libido feminina.

 

Nem todo sofrimento se torna poesia.

 

Por mais que sejam sedutores os encantos, melhor é confinar-me ao mosteiro... Nem que esse mosteiro possua mil janelas: pelo menos ele não me deixa misturar-me.

 

Alguns têm de viajar para saber o que outros já inferem via meditação ou através de um olhar.

 

Estava aqui lembrando de uma brincadeira de infância em que arrastava colchões pela casa como se fossem navios. Tudo vai bem até que chegue um adulto – a Stock Car nunca terminada – 41 de 45 etapas. OS ARGONAUTAS DO 507.

 

Como é bobo o advogado, entretido em seus papéis! Não está desconfiado, nem de uma desventura, nem de dez.

 

“os mais divertidos e curiosos neologismos”

 

Maconha: palavra indistinta, três ou quatro, sílabas que (acho que) combinam: life/lava/save/safe/(meter?)/giver/keeper/imagem dum dinossauro suspenso sobre um vulcão – videogame – fundamento trocista do real. bola de fogo, donkey kong 2, Mario 1... yoshi... 2D...

 

DIC: Mannstoll – ninfomaníaca

       Toll – louco

       Mann – homem

 

O caráter de comediante compulsório desempenhado pelo sonho, mesmo nas personalidades mais graves e circunspectas.

 

Diz o Wikipédia que Lassalle fora morto por sua ex-noiva num duelo! Eram possíveis embates físicos de honra entre os sexos? Maricas?! Pouco depois compreendi, pela nota de rodapé do próprio Freud: ela foi o motivo, não a duelista.

 

A invenção do nome do protagonista em romance de Zola: “se escrevermos Zola de trás para a frente (o tipo de coisa que as crianças tanto gostam de fazer)”.

 

Sonho em que exponho os problemas de fins-de-semana com o Diogo (315): “Não faz muito tempo, encontrei uma única exceção a essa regra[*] no caso de um rapaz que sofria de obsessões, ao mesmo tempo que mantinha intactos seus dons intelectuais altamente desenvolvidos. As palavras expressas que corriam em seus sonhos não derivavam de observações que ele próprio tivesse feito ou ouvido. Continham o texto não-distorcido de suas idéias obsessivas, que, na vida de vigília, só alcançável sua consciência sob forma modificada.” [grifos todos meus] Maldita língua travada em público e cabeça perenemente afetada pelo sono! Tudo que eu não consigo dizer, que não tenho calma para dizer, estando AQUI. Essa paralisia hamletiana, que fica medindo as conseqüências ruins e procrastinando a hora de agir... S bem que, ilustrativamente, quando há a aexplosão consciente, ela é desmontada, ou porque é doentia, desvalorizada/menosprezada ou, por fim, porque não se reflete em mudanças no comportamento dos atores/antagonistas. É uma garantia de derrota. Porque é ousado demais, porque transgride limites, porque toca em problemas que nem sob última hipótese devem ser contemplados, sob pena de desmoronamento completo da moral-do-lar. “Quem manda aqui sou eu” “Suporte, como eu suportei!”

 

 

[*] as falas ouvidas claramente no sonho são em geral tiradas da experiência vivida, intactas ou levemente embaralhadas.

 

Apócrifo: “coisas que fossem mutuamente contraditórias não poderiam agrupar-se num todo único. (...) pois trata-se sempre do mesmo homem, esteja ele acordado ou sonhando.”

 

Digam-me, afinal, antes que anoiteça: qual é o interesse em manter-me acordado até altas horas e em “me fazer” (como que por “mágica”) dormir mal?

 

322: “A análise de Otto Rank, ‘Ein Traun, der sich selbst deutet’ (‘Um sonho que interpreta a si mesmo’, 1910), merece menção como a interpretação mais completa, já publicada, de um sonho de considerável exntensão.”

 

“Muitas vezes, é como se o mesmo material fosse representado nos dois sonhos a partir de diferentes pontos de vista. (Isso é certamente o que acontece quando uma série de sonhos durante uma noite termina numa emissão ou num orgasmo – uma série em que a necessidade somática encontra o caminho para uma expressão progressivamente mais clara.)”

 

“a pessoa que, no sonho, sente uma emoção que eu mesmo experimento em meu sono é aquela que oculta meu ego.”

 

“quando um sonho se recusa obstinadamente a revelar seu sentido, sempre vale a pena ver o efeito de inverter em particular alguns elementos de seu conteúdo manifesto”

 

338: a nitidez variável das impressões no onírico

 

“O conteúdo de todos os sonhos que ocorrem na mesma noite faz parte do mesmo todo; o fato de estarem divididos em várias seções, bem como o agrupamento e número dessas seções – tudo isso tem sentido e pode ser encarado como uma informação proveniente dos pensamentos latentes do sonho.”

 

343: “o primeiro desses sonhos homólogos a ocorrer é muitas vezes o mais distorcido e tímido, ao passo que o seguinte será mais confiante e nítido.” Tudo sempre termina no jogo...

 

“Nossa empregada, que era um gênio para guardar coisas”

 

346: “o enigma do ‘sonho dentro do sonho’” Última frase do 1º exemplar, talvez o que eu mais estivesse buscando: “Incluir algo num ‘sonho dentro do sonho’ equivale, assim, a desejar que a coisa descrita como sonho nunca tivesse acontecido [o “não” ou partícula eminentemente negativa do sonho de que fala Freud]. Em outras palavras, quando um evento específico é inserido num sonho como sonho pelo próprio trabalho do sonho, isso implica a mais firme confirmação da realidade do evento, sua afirmação mais forte. O trabalho do sonho se serve do sonhar como forma de repúdio, confirmando assim a descoberta de que os sonhos são realizações de desejos.”

 

 

374: “Encenava-se uma ópera de Wagner, que durara até quinze para as oito da manhã.”

 

As imagens do sonho são para aliviar “a pressão psicológica causada pela constrição da ação de pensar”.

 

Simbolismos genericamente aceitos: “todo portão representa um dos orifícios corporais (um ‘buraco’)”; cozinha: lugar que oculta o sexo. Livro de Salomão usado: guardaríamos reminiscências. “ ‘Mudar de casa’ pode ser facilmente substituído pela palavra ‘Ausziehen’ [que tanto significa ‘mudar de casa’ como ‘despir-se’], e portanto se relaciona com a questão da ‘roupa’. Quando há também um ascensor [inglês ‘lift’] ou elevador no sonho, isso nos faz lembrar o velho inglês ‘to lift’, como em ‘to lift one’s clothes’, i. e., suspender a roupa’.” Guarda-chuva se abrindo: ereção. Caixas, armários, fornos: ventre. Quarto: mulher. Portas no quarto: relação sexual com a mulher. Sonho em que me vejo numa casa enorme, praticamente um labirinto de cômodos – provavelmente a casa da Fátima do Guará. “Sonhar que se passa por uma série de cômodos representa um bordel ou um harém.” Imagina-se, já, então, a antítese lógica: casamento. Cortarem seu cabelo: castração, mas que difícil! Pisar numa mina – castração, blá, blá, blá...

 

Heisenberg – doravante meu inconsciente promoverá mutações nas representações para confundir minha tarefa.

 

Símbolos de época: o Rei era o pai; 385: “Goethe (...) aparece como um símbolo paterno em alguns sonhos”.

 

“o padrão rítmico da cópula é reproduzido quando se sobe uma escada.” Descer ou tentar descer de uma fachada, cheio de angústia: tempos em que andar era difícil, e em que os móveis eram enormes. Colecionadores de gravatas retratados como maníacos. “Brincar com uma criancinha, bater nela, etc., muitas vezes representam a masturbação nos sonhos.” Se fôssemos levar Freud a sério, eu sou bicha porque não dirijo.



Escrito por a mosca filosófica às 18:47
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Quando se tem um dinheiro obtido pelo próprio suor, qual é o efeito sobre mim? Será que julgarei que mereço o deletei que ele me promete e encarno o típico gastador? Ou será que fecho a mão e valorizo essas notas sujas como nunca antes? [Os dois.] “Neutro” ou tanto faz? NADA DE LANCHES SUPÉRFLUOS! {Impulsos contraditórios} SIM, O PORRE SUPÉRFLUO!

 

dor lombar bruno maurício matar

 

Nós que temos os ovos, para não falar do pau, tortos! Se filhos são meu próprio pênis no sonho, o meu estava inchando, como uma elefantíase por eu jamais poder usar, estar-me procrastinando além-limites... Sempre longa essa criança...

 

DIC: agorafobia – medo do público; e doença da galinha... Medo de atravessar, pânico de chegar ao outro lado...

 

Um sonho com um grande buraco – 1º que lembro. “Ele interpretou prontamente o poço como uma vagina, tendo em conta o acolchoado macio de suas paredes.”

 

402: sonho de polução. A luta entre o dormir e o acordar – “é normal você acordar de repente com essa vontade, com ele assim?”. O mais cruel é dar em abundância e depois tirar – não, arrancar. E nada do que fizerdes servirá, não há restituição! Há algum motivo discernível para a piora da sua letra, seus mais constantes erros, essa coceira no olho e ter atropelado a margem (ops, de novo)?

 

Sobre tocar um instrumento: “Cabe dizer que não há nenhum grupo de idéias que seja incapaz de representar fatos e desejos sexuais.”

 

DIC: Hinterbacken – bochechas traseiras, i. e., nádegas

 

Explicação do dente como estímulo sexual encobridor nos sonhos: dado que boca, nariz e mesmo o rosto como um todo remetem diretamente às zonas erógenas e a parte intra-labial NÃO, isto seria suficiente. Mas são brancos (em teoria, roçam sempre a língua [ou, pior, são roçados, posição passiva diante de uma mulher!...]...). Haha. Jung e os contos de fada: brotar “do nada”, nascer, crescer, apodrecer, morrer. Filhinhos... Mas por que não unhas? Porque é uma associação mais fraca – o bebê já nasce com unhas, e só eventualmente o ser humano perde uma ou outra.

 

Esquecer objetos nos lugares.

 

Sobre o sono amplificar sintomas que aumentarão na vida consciente até ser percebidos como doença: e se eu realmente sonhei mais com dentes quando pressentia a dor-de-dente?

 

“As pessoas que têm sonhos freqüentes de estar nadando (...) foram (...) pessoas que urinavam na cama, e repetem em seus sonhos um prazer de que há muito aprenderam a se abster.” “sonhos (...) em que o sonhador (...) nada (...) relacionam-se com jogos que envolvem movimento, que são extraordinariamente atraentes para as crianças.” Brincadeiras com tios bobos, e. g. Nilson, Nilo! Não lembro se já copiei, sr. Homer Simpson, a passagem do primeiro livro, mas aqui vai: “As crianças adoram essas experiências e nunca se cansam de pedir que sejam repetidas, especialmente quando há nelas algo que cause um pequeno susto ou tonteira.” Fico pensando nas crianças proletárias européias que não tiveram infância. Ou melhor: nas pessoas que, justamente, jamais foram crianças. O maior crime. Não sou mais acrobata, não posso executar mortais embaixo d’água ou cambalhotas no pula-pula... Um lumpen no reino das brincadeiras!

 

428: “falos alados dos antigos” – camisinha red-bull

caralho de asa é como meu pau de óculos

 

Qual o conteúdo latente de sonhos manifestamente sexuais? Subir escadas? HAHAHAHA.

 

Esse livro são grandes remendos de várias décadas de escritos, um tanto reiterantes e insistentes, a bem da verdade.

 

Viela estreita: “a representação de uma tentativa de coitus a tergo (entre as duas imponentes nádegas do corpo feminino).”

 

431: o falso mutismo de Sabrina (embora não fale de Electra aqui):

“os sonhos disfarçados de relações sexuais com a própria mãe são muitas vezes mais freqüentes do que os sonhos diretos.”

 

Sonho “intra-uterino” (paredes vermelhas): “As ocorrências de ‘déja vù’ nos sonhos têm significado especial. Esses lugares são, invariavelmente, os órgãos genitais da mãe de quem sonha; não existe, de fato, nenhum outro lugar sobre o qual se possa asseverar com tal convicção que já se esteve lá antes.”

 

Lacan apenas ecoa: “a crença na sobrevivência após a morte, o que simplesmente representa uma projeção no futuro desta estranha vida antes do nascimento.”

 

“os ladrões representavam o pai do sujeito adormecido ao passo que os fantasmas correspondiam a figuras femininas de camisolas brancas.”

 

Ninguém guarda fezes (!) ou unhas, talvez cabelo, mas por certo guardarão os dentes-de-leite das crias.

 

Um livro/conto que começasse assim: “Meus óculos estão mais sujos que minha cueca depois da freada de caminhão que dei hoje no recreio.”

 

Afogar o ganso: mais água, na língua portuguesa.

 

442: auto-erotismo. Pulsão anal. Nada nem ninguém, nenhuma vagina, pode me agradar.

 

“Nos sonhos, a hora do dia muitas vezes representa a idade do sonhador em algum período especial de sua infância.” “Eram quinze e um” – Corinthians – “freguesia”? 2003 – fim do grande período – final sofrível do Paulista.

 

“A velocidade do carro é então utilizada pelo paciente como uma oportunidade para dar vazão a comentários irônicos. – Se ‘o inconsciente’, como elemento dos pensamentos de vigília do sujeito, tiver de ser representado num sonho, poderá ser substituído com muita propriedade por regiões subterrâneas. (...) Os animais selvagens são empregados pelo trabalho do sonho, em geral, para representar os impulsos arrebatados de que o sonhador tem medo, quer sejam os seus próprios, quer os de outras pessoas. (...) Poder-se-ia dizer que os animais selvagens são empregados para representar a libido, uma força temida pelo ego e combatida por meio do recalque.”

 

Além da justaposição dos nomes sob efeito de THC, há a numérica: que número era, afinal? Todos e nenhum!

 

452: quando inventamos a compreensão de uma letra de música

 

457: o sonho shakespeareano-romano de Freud

 

462: pessoas mortas nos sonhos – Ayrton, Marx... é, não conheço muitos defuntos a não ser por livros...

 

Ninguém faz falta, o que faz falta é alguém.

 

“Um sonho se torna absurdo, portanto, quando o julgamento de que algo ‘é absurdo’ figura entre os elementos incluídos nos pensamentos oníricos”

 

Parecia a regra tratamentos esporádicos na psicologia; hoje, me soa como costume prolongar e rotinizar as consultas o máximo possível (terapia contínua), quase um programa inocente de bate-papo e evasão tal qual ir a um fast-food ou ao cinema com os amigos.

 

“idade (...) não é defesa contra a loucura.”

 

478: é falso que a interpretação consciente enviesa o sonho pois injetaria juízos que “não estavam lá”, uma vez que “interpretação não-inconsciente” já é necessariamente um pleonasmo e se a presente torrente de idéias é a que chega para dar conta daquele “inefável imagético”, não é por acaso, pois esta é justamente a ponte, a lógica, na qual toda a vida mental é passível de ser erigida (a linguagem). Portanto, nonsense ou não, tal conteúdo é relevante para a análise. Melhor dito: é a própria análise, que é afinal o próprio sonho, única forma de tergiversar oniricamente fora do próprio sonho.

 

“Se no decurso efetivo de um sonho ocorrido durante o tratamento psicanalítico, o sonhador diz consigo mesmo: ‘Preciso contar isso ao médico’, isso invariavelmente implica a presença de uma intensa resistência a confessar o sonho – que não raro é então esquecido.”

 

“É fácil perceber como a megalomania suprimida dos pais se transfere, em seus pensamentos, para os filhos, e parece bastante provável que esteja seja uma das maneiras pela qual a supressão desse sentimento, que se faz necessária na vida real, é efetivada.” amadurecimento talvez dos que não tinham meios paralelos de serem mais maduros! A hora de passar o bastão.

 

Também é interessante notar a seguinte característica: nós não ‘agimos’ no sonho, num presente, com livre-arbítrio [haha], nós apenas remontamos a, agimos como o espelho ou eco, enfim, reproduzimos, num bricolage, ações, pensamentos, qualidades desempenhadas no mundo de vigília. Se parecemos atingir umas “Eureka!” ou não sermos mais nós mesmos, isso é falso: esse descobrimento já estava embutido em nosso aparelho, bem como qualquer ‘nova’ atitude já havia sido tomada em outro quadro levemente alterado, ipsis literis. Sendo assim, essa “realização de desejo” de que fala Freud não é consumar – algo – ainda inconsumado, mas uma reiteração. Uma aventura paradoxalmente pré-programada. Pode soar decepcionante... Quando se chega às raias do despertar, ou da auto-consciência de que se está sonhando e de que tudo que o cerca não é mais que o absurdo, como recentemente me ocorreu, não é esse um insight que foge às normas do sonho, mas só o repeteco de um pensamento que certamente tive enquanto acordado, cuja linha era a seguinte: “ao dormir e reconhecer que a associação dos objetos nos arredores já não corresponde ao que seria esperável das leis do real, cheguei finalmente à situação do sonho lúcido e terei total liberdade, pois pensarei como aqui fora e estarei entocado, aprisionado no fantástico!”. Silogismo! Não poderei efetivá-lo, porque programo o que deveria fazer, mas não o cenário e os elementos, randômicos e imprevisíveis. Nunca se está vivendo a cena, ela “já foi feita”, é apenas um filme que passa, se se quiser dizer assim. Enfim, sonhos não são, a despeito das aparências, utopias. Melhor dizendo: panacéias, tratamentos, resorts, spas. São só o microcosmo mais satírico do meu eu-com-o-mundo. Sonho e merda e seu ponto em comum: através deles não se chega a nada novo.



Escrito por a mosca filosófica às 18:46
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A vida real é como o sonho, tirando-se que não há mais para onde acordar.

 

Eu queria ter uma vagina, eu queria ser uma mulher. Esse é meu protesto quando as coisas andam difíceis – e pra realçar minha sensibilidade?

 

Sou Dioniso quando caio do prédio.

 

491: “um ato de julgamento num sonho é apenas uma repetição de algum protótipo nos pensamentos oníricos.” – o que é o eterno retorno? O que direi sobre o Diogo, etc.

 

Sonho dentro de um sonho: arrependimento quanto a tudo que fiz com a Mel; ou por tê-la conhecido. O título CANA NA CASA & O 6... é VERÍDICO e SÁBIO, posto que apesar de o sonho com o 6 vir antes eu de certa forma privilegiei, desde então, a importância do segundo. [o relato deste sonho encontra-se no blog. Basta googlar].

 

Loja de videogames antigos – com poucos jogos disponíveis; cidade desconhecida de veraneio, atendente parece aqueles motoqueiros, cara grande, careca e tatuado – ou de um bar do Velho Oeste! E quem é que estava lá antes de mim, como cliente? Túlio Brasil!

 

A não-repugnância (indiferença) ao fazermos nojeiras nos sonhos ou freqüentarmos banheiros sujos. Vontade excretória sendo realizada.

 

Sonho mais freqüente: Colégio Militar. Minha opinião é de que a chave para solucionar essa série está no futuro, não lá atrás. Conseguir o diploma da UnB e não vir a ser jubilado naquele QG é absolutamente tudo que me atormenta e – não sei se exagero – tive de passar e ainda passarei por provas-de-fogo dignas de uma monografia. Assumir uma turma sem me supervisionarem, receber meu 1º “ordenado”, encenar para a peça, imaginar encenações?, enjoar do estágio, enfrentar o colosso burocrático e a gentalha diante da qual por mágica dos invejosos finalmente sou pequeno... não ter amigos... Talvez tudo atrelado ao CMB não passe de um consolo ou um incentivo para não repetir o drama.

 

Segundo Freud (p. 510), não foi por aguardar uma data marcante e simbólica que ele publicou IdS (finalizado em 1899) somente em 1900, mas porque se sentia constrangido dada a necessidade da auto-invasão/exposição pessoal abrangente que teve de promover.

 

Problemas por nunca viver a formatura! escatofobia Sendo assim eu não estou pronto nem pra morrer...

 

“todos aqueles que perdemos retornam!” “ter filhos não seria nosso único acesso à imortalidade?”

 

(17/11/10) A morte do Seu João. Duramente espancado. E eu “já sabia do futuro” e apenas me desviava de seu corpo desfalecendo. Não sentia pavor; talvez ao contrário...

 

526: sonho parecido com meu Cana na Casa

 

Só agora Freud trata do problema dos sonhos longos em cujo fim um estímulo externo aparentemente, ao mesmo tempo que acorda o sujeito, lhe empresta toda a coerência – como se o conteúdo prévio estivesse sendo formulado em função do ulterior despertar do relógio, num exemplo. A TV e sua sincronia entre o tempo real e o tempo sonhado refuta a resposta de Freud. Mas enfim, aqui está ela: hiper-condensação (530) – o sonho de 2min. Não posso negar que já vivi episódios assim: aula de FEB, penso que capoto profundamente... até babo! Sonho com a maldita elucidação de uma conspiração, personagens que parecem saídos de uma produção sci-fi de baixo orçamento me convencendo de que ali é o reino do verdadeiro, e não lá fora, aquele mundinho que eu conheço e venero, porém que não passa do mais forte dos ópios. Todos os seres humanos seriam mantidos prisioneiros e precisavam incondicionalmente da minha ajuda, eu não podia SONHAR em voltar... Ora, que filme é esse? Matrix.

 

Quando se está muito sonolento: não conseguimos concatenar idéias, pensar em duas idéias ao mesmo tempo.

 

Sobre a “redundância” do sonhar: “O fato de os sonhos se ocuparem de tentativas de solucionar os problemas com que se defronta nossa vida psíquica não é mais estranho do que o fato de que faça nossa vida de vigília consciente; afora isso, ele simplesmente nos diz que tal atividade também pode ser realizada no pré-consciente – e disso já sabíamos.” À guisa de melhor ilustrar essa compreensão, que tal pensarmos na esfera do sono e na de vigília como simétricas? Ou se se diz “vida” para nossos atos uma vez de pé, gregários, por que não imaginarmos analogamente “vida” como o dormir? E então, se só esse dormir fosse cônscio de si e o juízo que ele emite do estado acordado se tratasse de considerá-lo ABSURDO, e se ele fosse “contínuo” tanto quanto pensamos que no dia-a-dia o somos (mas qual! Somos apenas coleções de episódios.), destarte o sono estaria apto a escrever: A INTERPRETAÇÃO DOS (F)ATOS/PRÁTICAS/EVENTOS MOTORES. No fundo, o ângulo não importa. Ninguém está mais certo! E tal obra seria bastante durkheimiana. Com a ressalva, é claro, beirando o ingênuo, de que mal seria uma obra – seria um catálogo de Artes Plásticas!

 

“transmutação de todos os valores psíquicos” 538

 

Sobre o que eu mesmo concluí acima (determinismo nos sonhos): “Por exemplo, posso tentar pensar arbitrariamente num número, mas isso é impossível: o número que me ocorre é inequívoca e necessariamente determinado por pensamentos que haja em mim, ainda que estejam distantes de minha intenção imediata.”

 

Quem diz não se lembrar de seus sonhos ou de já ter ou não sonhado com casos típicos que são socialmente mal-vistos (cópula, masturbação) é apenas recalcado. Não há outra palavra.

 

“Nem sempre se pode consumar a interpretação de um sonho de uma só vez. Depois de seguirmos uma cadeia de associações, não raro sentimos esgotada nossa capacidade; nada mais se pode saber do sonho nesse dia. O mais aconselhável, nesse caso, é interromper o trabalho e retomá-lo em outro dia: outra parte do conteúdo do sonho poderá então atrair nossa atenção e dar-nos acesso a outra camada dos pensamentos oníricos. Esse procedimento poderia ser descrito como interpretação ‘fracionada’ do sonho.”

 

555: Silberer e o cunho meta-sexual dos sonhos

 

“o umbigo do sonho, o ponto onde ele mergulha no desconhecido.”

 

“Du Prel refere-se ao fato de que, após tentarmos em vão relembrar um nome, é freqüente ele nos ressurgir de pronto na lembrança, sem qualquer aviso prévio. Disso ele conclui que ocorreu um pensamento inconsciente, mas provido de um objetivo, e que seu resultado penetrou subitamente na consciência.”

 

578: “imagem da infância filogenética (...) Podemos calcular quão apropriada é a asserção de Nie. de que, nos sonhos, ‘acha-se em ação alguma primitiva relíquia da humanidade que agora já mal podemos alcançar por via direta’.”

 

DIC: símile – sinônimo

 

“Problemas não resolvidos, preocupações martirizantes e o acúmulo excessivo de impressões, tudo isso transporta a atividade do pensamento para o sono e sustenta processos anímicos no sistema que denominamos pré-consciente.”

 

597: sonho, a porta de entrada da loucura

 

Subvivendo no Inferno

 

605: “A experiência nos mostra que sonhar é compatível com dormir, mesmo que o sonho interrompa o sono diversas vezes durante a noite. Acorda-se por um instante e logo se volta a adormecer.” Eu sou difícil de pegar no tranco; em compensação, depois viro uma pedra. Ademais, pode-se prosseguir o mesmo sonho. Lembre-se: a condição ideal do sonho lúcido, do aparecimento do sexo explícito ou simplesmente onipotência e auto-consciência é que já se tenha tido outras “sessões” antes ou mesmo um intervalo de vigília (menos censurado e mais próximo de cumprir a missão).

 

609: a fada dos 3 desejos e o casal brigão

 

Os sonhos de angústia mais comuns: paralisado, incapaz de fugir de um perseguidor apócrifo; o demônio “vencendo”.

 

É plausível que sonhamos durante toda a noite, pois quem quer que nos acorde, e a qualquer hora, está bancando o estraga-prazer. Só que não se pode definir ao certo em que tempo do sonho isso aconteceu, pois da nossa escala o que poderíamos divisar seriam balbucios incoerentes, frases sendo formadas – dessas de quando despertamos mal e ainda debaixo da ducha parecemos querer o acesso a esse outro mundo de volta. Para nós, “lá dentro”, tudo não passou de segundos ou minutos – embora fosse loucura tentar estimar –, pois todo o complexo conteúdo lingüístico estava resumido em enxutas imagens.

 

632: por que não trata diretamente do sexo manifesto nos sonhos. Ponto vulnerável da teoria? Cadê a censura?



Escrito por a mosca filosófica às 18:45
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MATRIX, ATIVAR

Recordando um sonho que tive no ano de 2008, um dos meus mais bizarros: aula de Formação Econômica Brasileira, pós-almoço, aquela palestra maçante e aquele sono infernal, juntando criatura famélica com vontade absurda de sentar para um banquete... Estou resistindo bravamente sobre a carteira... Até que penso que capoto profundamente... Babo, inclusive! Presencio a maldita elucidação de uma conspiração, personagens que parecem saídos de uma produção sci-fi de baixo orçamento me convencendo de que ali é o reino do verdadeiro, e não lá fora, aquele mundinho que eu conheço e venero, porém que não passa do mais forte dos ópios! Todos os seres humanos seriam mantidos prisioneiros e precisavam incondicionalmente da minha ajuda, eu não podia SONHAR em voltar... “...e o Brasil permanecia no ciclo da cana-de-açúcar com poucos auferindo grandes lucros...” Haviam passado só 2 minutos!



Escrito por a mosca filosófica às 15:30
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O JOGO CORTÊS

 

(11/11/10)

 

Sonhei que jogava tênis contra alguém, muito embora a rede fosse tão alta quanto a do vôlei, e que não conseguia fazer o meu serviço (sacar) adequadamente. Com efeito, a pontuação era em sets de acordo com a ATP, e a dado ponto eu me sentia o Guga retornado da aposentadoria (não como metáfora, mas como personagem identificável no sonho)! Ocorria o pensamento: “eu não deveria ter feito isso, vou perder!” – correlação com o Schumacher. O placar era algo como 6-1, 5-0 para o meu adversário. Quando eu levantava a bola para o saque (que parecia grande e branca) e eu desistia de bater com a mão quando sua trajetória estava no topo (pois sabia que sairia um saque bem fraco), meu oponente, se não me encorajava, não me desprezava, pois parecia entender a situação expressando o seguinte enunciado: “Tem que ajeitá-la para o golpe certo, é difícil”. Por que raios eu não sonho com um boliche, onde sou campeão?

 



Escrito por a mosca filosófica às 02:00
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O HOMEM REVOLTADO

19/10/10 a 27/10/10

 

Quais fundamentos residem sob essa dita vida? Para mim tudo se resume a uma aberração matemática – o êxito cabe a poucos. “Mas o que é o êxito?”, você dirá. A própria vida do exitoso parece uma peça pregada. Durante apenas algumas horas na semana posso eu realmente me perguntar coisas e me indignar. A sonolência e o cansaço tomam conta de mim. Mas se fosse só isso! Meu humor, eu não consigo estabelecê-lo minimamente. Sou um escravo completo. Não é possível observar o próprio auto-perecimento pelo imperativo do trabalho! Não é possível ter um ponto de vista não-estulto sobre a família. Não acho o sal e o molho shoyo para temperar e suportar os meus dias.

 

Se não é pra ficar pensando na morte da bezerra, eu sou a bezerra! Sim, porque ao menos como o portador sacro de leite eu sou melhor do que como essa bola massacrada de jogos de pingue-pongue sem-fim!

 

17: “todo suicídio solitário, quando não há ressentimento, é generoso ou desdenhoso.”

 

“Não se é niilista pela metade.”

 

“Respirar é julgar. (...) Falar repara (...) A absurdidade perfeita tenta ser muda. (...) A ferida que se coça com tanta solicitude acaba dando prazer.”

 

Heathcliff – Morro dos Ventos U.

 

Rimbaud

 

20: “entrar no movimento pelo qual o absurdo supera a si próprio.” Sair desse estado de espírito em que me meti, no qual harveyana, moriniana, dostoievskyana(e tantos outros!)mente só posso mesmo falar do meu presente eterno, osciloscópio do humor, essa tentativa aproximada de viver apenas instintivamente ou, ainda melhor, até aceitar o (en)fado das dúvidas e (dis)posições de hesitação e de crítica, puramente como eventos ilusórios temporários que transcorrem, como que legitimando ou sendo um leitmotiv (apenas impressão!), momentos de calibrar, retroalimentar, justificar, LUBRIFICAR o circo (e não círculo) da existência (Lost e o amor: só que não o estereótipo, mais difuso, cambiante, o sorriso que me faz querer o amanhã – ah, eu não vivo sem isso!).

 

“Mas seu ímpeto cego reivindica a ordem no meio do caos e a unidade no próprio seio daquilo que foge e desaparece. A revolta clama, ela exige, ela quer que o escândalo termine e que se fixe finalmente aquilo que até então se escrevia sem trégua sobre o mar.” “Antes morrer de pé do que viver de joelhos.”

 

Revolta como contrário de ressentimento.

 

O que a Ester não pode compreender: “o revoltado defende aquilo que ele é”. Já “O ressentimento é sempre ressentimento contra si mesmo”.

 

31: “Ivan Karamazov” “insurreição metafísica” “Eu me revolto, logo existimos”.

 

41: “A história da revolta metafísica não pode, portanto, ser confundida com a do ateísmo.” “do dândi ao revolucionário” “justificar a perda da autoridade divina”

 

43-4: análise do mito prometéico, o primeiro Satã.

 

“Zeus (...) cujos dias estão contados”

 

“a palavra eterna de Édipo que, cego e desgraçado, irá reconhecer que tudo vai bem.”

 

Epicuro e Lucrécio, dois revoltados antigos. “De espera em espera consumimos nossa vida e morremos todos no sofrimento” “Como Epicteto e Marco Aurélio, Epicuro vai banir a morte da existência humana.” “morrer significa apenas retornar aos elementos. O ser é a pedra.”

 

52: o infernal Don Juan de Molière, que despreza o lúgubre Convidado de Pedra em seus dizeres de redenção.

 

53: Sade “Toda ética da solidão implica exercício de poder.” Teórico precoce da vontade de poder.

 

62: o paradoxo do assassino ou psicopata perfeito: Jason. Matar é eliminar o prazer futuro de tirar a vida de alguém, se este fosse o último ser vivo do recinto. Forçosamente haveria uma auto-aniquilação (paradigma de Majin Boo). Mas Don Juan e serial killers têm opções demais pela frente até a primeira repetição do cardápio, que talvez já nem seja repetição... Nie. e o prazer do sexo. Perde-ganha.

 

“O senhor, por sua vez, aceita ser escravo e talvez até mesmo o deseje. ‘O cadafalso também seria para mim o trono das volúpias.’” Feitiço de Fukou



Escrito por a mosca filosófica às 23:51
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Paraíso Perdido, poema-ícone romântico.

 

Metamorfose imagética de Satã em Vigny: “Um adolescente ‘jovem, triste e encantador’ substitui a besta fera de chifres.”

 

69: “essa obstinação com o satanismo” “a metafísica do pior” “o poeta, para ser aceito, deve então ser maldito”

 

“O dandismo é uma forma degradada da ascese.” “audácias da ‘excentricidade’”

 

76: Ivan, “quixotismo metafísico” “Com este ‘tudo é permitido’ começa realmente a história do niilismo contemporâneo.” “a lei do assassinato”

 

Jamais se admite – ou se deixa de ficar constrangido diante de – a morte legal, isto é, a execução burocrática do Estado. Ride The Lightning

 

82: “O Único (...) Stirner ri diante do impasse, Nie. se atira contra as paredes.” Stirner, o mais “adolescente” do século XIX: “a fraternidade é apenas o ‘modo de ver domingueiro dos comunistas’.” “a guerra dos Únicos” – cenário previsto no MESSIAS.

 

Já em Nie.: “O próprio caos também é uma servidão. (...) Em outras palavras, (...) a revolta desemboca na ascese.” “O amor fati substitui o que era um odium fati.”

 

Hitler: “A doutrina do super-homem levando à fabricação metódica de subomens”

 

98: “Devemos ser advogados de defesa de Nie.”

 

Séc. XX e luta de trincheiras pelo território: “colonização a propósito de Hegel”.

 

“corrigindo Nie. com a ajuda de Marx”

 

Por que o nome “revolta metafísica”? “Nietzsche (...) antes dele Marx, (...) substituem ambos o além pelo mais tarde.”

 

Começam as tergiversações camusianas: “marxismo-leninismo” como o protótipo desse casamento entre o social e o esquizóide, o político e o artista, o histórico e o natural!

 

Valor inquestionável de “Minha Irmã e Eu” (ou real autor pode/deve ter lido A. Camus)

 

“cesarismo intelectual”

 

“Depois de Moby Dick, O processo, Zaratustra, Os possuídos, o que imaginar?”

 

“O melhor, um sono bem embriagado na praia.” Rimbaud

 

116: surrealistas que se mataram – Crevel, Rigaut e Vaché. Comparado, o movimento em seus atos gratuitos entrópicos, por Camus, a uma apologia de um sujeito que atualmente chamaríamos de Charles Manson.

 

“o amor sem objeto, que é o das almas torturadas.”

 

André Breton, o marxista. “Poder-se-iam contar nos dedos da mão os comunistas que chegaram à revolução pelo estudo do marxismo. Primeiro, a pessoa se converte, em seguida, lê as Escrituras e os Padres.” Ser comunista no começo do século XX era como acreditar no amor. Era a última escapatória da modorra na vida. Era como estar namorando, se casar, preencher-se com algum afeto; ou mesmo comer alguém na balada. Simplesmente, coisas que todo homem deveria experimentar. Que deixa mais forte quem nele acredita.

 

“Uma das teses fundamentais do surrealismo é que realmente não há salvação.” “o estado de sítio pouco a pouco se generaliza”

 

132: “ainda não houve revolução na história.” Crítica tácita à idéia trotskista: não pode haver governo revolucionário. “Se houvesse revolução uma única vez, não haveria mais história. Haveria uma feliz unidade e uma morte satisfeita. É por isso que todos os revolucionários visam à unidade do mundo e agem como se acreditassem no fim da história.”

 

135: a esterilidade da revolta de Espártaco. “o exército bate em retirada [de Roma], sem ter combatido (...) Começam então a derrota e o martírio.”

 

143: Rousseau, germe de Stalin

 

“Em suas instituições, Saint-Just abolia a carne para menores de dezesseis anos e sonhava com uma nação vegetariana e revolucionária.” Atmosfera insustentável: “Quem critica é traidor; quem não apóia ostensivamente a república, um suspeito.”

 

“Rousseau, a quem não faltava bom senso, compreendera efetivamente que a sociedade do Contrato só convinha aos deuses.”

 

“A bandeira vermelha, símbolo (...) do Executivo”

 

Espanha, a única nação européia a não perder o Rei após a I Guerra Mundial.

 

“ninguém se torna deus com tanta facilidade”

 

E os acontecimentos se tornam esmagadores em velocidade, a ponto de este livro ser anacrônico em 50 anos, apesar das verdades milenares que contém.

 

“Chega o dia em que a ideologia entra em choque com a psicologia. Não há mais então poder legítimo.” “justificados pela (...) ausência de justificação” “o homem (...) de agora em diante estará fadado às revoluções niilistas do século XX (...) para finalmente fundar a religião do homem.”

 

“Se bem que haja infinitamente mais em Hegel do que nos hegelianos de esquerda (...) O vencedor sempre tem razão, esta é uma das lições que se pode tirar do maior sistema alemão do século XIX.” “Matar ou escravizar” Hegel. Indiretamente, Hegel fundou a atitude terrorista pessoal e de Estado: o matar e morrer pela transcendência, pela missão. Beco sem-saída.

 

174: Feuerbach. “A Fhénoménologie, bíblia que só teria profetizado o passado, colocava um limite nos tempos.” “O endeusamento de Hegel por ele mesmo, após a deificação de Napoleão, a partir de agora inocente porque havia conseguido estabilizar a história, só durou sete anos. Em vez da afirmação total, o niilismo recobriu o mundo. A filosofia, mesmo a filosofia dos escravos, tem também seu Waterloo.”



Escrito por a mosca filosófica às 23:51
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“Stendhal via uma primeira diferença dos alemães com os outros povos no fato de se exaltarem pela meditação em vez de se acalmarem.”

 

P. 184 – Raskolnikov, Pisarev e o “assassinato da própria mãe” – curioso prelúdio em “O Estrangeiro”.

 

“Aquele que entendeu a realidade não se insurge contra ela, antes se rejubila.”

 

188: Proudhon e seus flertes com o Satanismo

 

Axioma para a vida: povo da UnB gosta? Não presta!

 

Bakunin a favor de uma ditadura do proletariado. Outro “inimigo marxista” que é seu complemento ideal. Porém, tece-se, na 189, uma espécie de bakuninismo-stalinismo.

 

Nechaiev: “O revolucionário é um homem condenado antecipadamente. Ele não deve ter relações românticas, nem coisas ou seres amados. Ele deveria despojar-se até de seu nome. Nele, tudo deve concentrar-se em uma única paixão: a revolução.” “Com ele, pela primeira vez a revolução vai separar-se explicitamente do amor e da amizade.”

 

Tantos pais inocentes foram executados; e estes, culpados, livrados, com essa cara suja diante de Deus!

 

“se a revolução é o único valor, ela exige tudo e até mesmo a delação; portanto, o sacrifício do amigo.”

 

Este capítulo sobre os primórdios do niilismo russo é também uma genealogia dos atentados terroristas. frase VdP: “a vontade forte” Islã

 

IBM – Instituto de Burrocracia Mundial

 

“Em 1883, atentado contra o imperador da Alemanha, cujo assassino foi executado a machadadas.” “assassinato de Carnot” – aquele? Quando começarão a matar nossos presidentes e artistas? Operação Valquíria. “O futuro é a única transcendência dos homens sem deus.” Meu coleguinha: “Quantas vezes, durante minha adolescência, me ocorria a idéia de me matar...” Morrer sorrindo no cadafalso...

 

“Quanto a Hitler, sua religião confessa justapunha, sem hesitação, o Deus-Providência e o Walhalla.” “Até mesmo sua forma física, medíocre e banal, não representava para ele um limite, fundia-o com a massa.” “Hitler era a história em estado puro.” “A Alemanha desmoronou por ter travado uma luta imperial com um pensamento político provinciano.”

 

213: “Quando o procurador inglês observa que ‘de Minha luta, a estrada levava diretamente às câmaras de gás de Majdanek’, ele toca, pelo contrário, no verdadeiro assunto do julgamento, o das responsabilidades históricas do niilismo ocidental, o único, no entanto, que não foi realmente discutido em Nuremberg, por motivos evidentes. Não se pode conduzir um julgamento anunciando a culpabilidade geral de uma civilização. Julgaram-se apenas os atos que, esses pelo menos, eram gritantes diante do mundo inteiro.”

 

Impossível não lembrar da “paralisação da História” e da eterna guerra em 1984.

 

“a mãe grega que foi forçada por um oficial a escolher qual dos três filhos seria fuzilado.”

 

“Esta primeira tentativa de uma Igreja construída sobre o nada pagou-se com a própria aniquilação.” Certas vezes sinto ganas – e será que é viável? – de imaginar uma escola para inserir trapos sociais como a evangélica Maíra da Connie, gostaria de limpá-la de todos os seus preconceitos débeis sobre o instinto vital, de refazê-la espontânea, livre-pensadora e, portanto, transgressora, acima de tudo mediante os gritos dos prazeres da carne, ela que entregou e lacrou até mesmo a vagina – imagina-se – ao Sr.

 

“Hitler exemplifica o caso, talvez único na história, de um tirano que não deixou nenhum saldo.” “a negação de tudo é servidão”

 

O tempo grego: “Aristóteles (...) não se julgava posterior à guerra de Tróia”

 

222: “povos nórdicos, que não têm uma tradição de amizade com o mundo”

 

“Marx é o Jeremias do deus histórico e o Santo Agostinho da revolução.” De Maistre x Marx – “A eternidade os separa no princípio, mas a historicidade acaba reunindo-os numa conclusão realista.” “Maistre odiava a Grécia (que irritava Marx, avesso a qualquer beleza solar)”

 

Expoentes pré-Comteanos: Turgot, Bossuet, Condorcet.

Contra-tendência: Sorel.

“O progresso, paradoxalmente, pode servir para justificar o conservantismo.”

 

“Marx não dispõe de zombarias suficientes para o otimismo racional dos burgueses.” O fosso que me separa do Thominhas: “O positivismo mostra com muita clareza as repercussões da revolução ideológica do século XIX, da qual Marx é um dos representantes, e que consistiu em colocar no fim da história o Paraíso e a Revelação que a tradição colocava na origem do mundo.” “ele [Comte] quis ser o São Paulo dessa nova religião e substituir o catolicismo de Roma pelo catolicismo de Paris.” 228: “sociolatria” “religiões horizontais do nosso tempo”. Comte x Marx – o primeiro inaugurava uma transição sem sofrimento. “como querem os desordenados marxistas de nosso tempo” “Sua doutrina, que ele [Marx] considerava realista, era efetivamente realista no tempo da religião da ciência, do evolucionismo darwinista, da máquina a vapor e da indústria têxtil.” “Seria mais correto chamar a posição de Marx de determinismo histórico.” “Marx avança mais do que Hegel e dá a entender que o considera um idealista (coisa que ele não é ou, pelo menos, não mais do que Marx é materialista)”

 

239 – Marx: “O proletariado só pode existir no plano da história mundial... A ação comunista só pode existir como realidade histórica planetária.”

“Não se espera pelo poder ou então espera-se por ele indefinidamente. Chega o dia em que é preciso tomá-lo, e é esse dia que continua sendo algo meio nebuloso para os leitores de Marx.”

 

240: “Michel Collinet, em La Tragédie du marxisme (A tragédia do marxismo), assinala em Marx três formas de tomada de poder pelo proletariado: república jacobina, no Manifesto Comunista; ditadura autoritária, em 18 Brumário e governo federal e libertário em A guerra civil na França.” E no Capital? Nada?

 

“Se está garantido que o reino chegará, que importa o tempo? O sofrimento nunca é provisório para quem não acredita no futuro.” “Nessa Jerusalém estrepitante de máquinas maravilhosas, quem ainda se lembrará do grito do degolado?” “No fundo, que diferença tem de Fourier, que anuncia ‘os desertos férteis, a água do mar potável e com gosto de violeta, a eterna primavera...’?” “Mas todo socialismo é utópico, sobretudo o socialismo científico.” “Quem decidirá quanto à oportunidade senão o oportunista?”

 

Século XIX, o dos erros, do “agora vai!”, do “recebi uma mensagem confirmando o fim para tal dia”. O século da soberba crença no eu.

 

“Ainda no fim do século IV, um bispo da África proconsular calculava que restavam 101 anos de vida no mundo.”

 

“Sob um de seus aspectos, a história do socialismo em nosso século pode ser considerada como a luta do movimento proletário contra a classe camponesa.” “A luta das nacionalidades revelou-se pelo menos tão importante para explicar a história quanto a luta de classes.” “Divisão do trabalho e propriedade privada, dizia ele [M.], são expressões idênticas. A história demonstrou o contrário.”

 

250: a derrocada da II Internacional. Basicamente conclusões parecidas com as do(a) autor(a) da unidade I de Sociologia Brasileira (Benedict Anderson?).

 

Simone Weil

 

“o proletariado não teve outra missão histórica senão a de ser traído.” 255: “A história do niilismo contemporâneo não é mais portanto que um longo esforço para dar ordem, apenas pelas forças humanas e simplesmente pela força, a uma história que não tem mais ordem.” “Não se prega a razão; quando isso acontece, não é mais razão.” “Marx não é mais científico do que La Rochefoucauld” “Em outras palavras, estamos no purgatório e nos prometem que não haverá inferno.” Resumo: as relações materiais guiam o homem. O fim da História representa, portanto, o fim da matéria. Voilà!

 

“cidade definitiva” “A dialética aplicada corretamente não pode e não deve parar.” “a dialética não é nem pode ser revolucionária. Do nosso ponto de vista, ela é somente niilista, puro movimento que visa negar (sic) tudo que não for ele mesmo.”



Escrito por a mosca filosófica às 23:50
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Sociologia do Comunismo – Monnerot, Jules

 

Longa evolução de Rafael: “O fim da história não é um valor de exemplo e de aperfeiçoamento. É um princípio arbitrário e terrorista.” “A vontade de poder veio ocupar o lugar da vontade de justiça, fingindo inicialmente identificar-se com ela, relegando-a depois a algum lugar no fim da história, quando já não houver mais nada para ser dominado na terra.”

 

Stalin estava no fim da vida à publicação desse livro.

 

“Marx, bom estrategista e filósofo medíocre”

 

Lenin, mais maquiavélico do que se pensa. “Ele nega a espontaneidade das massas.” Matou o irmão. Ou melhor: mandou enforcá-lo. “O governo das pessoas é substituído pela administração das coisas...” – Marx. ERRO: já somos “coisas”. “Lassalle, inventor do socialismo de Estado”

 

267: a frase que usei na aula JK1 como álibi da existência pós-revolucionária do aparato estatal.

 

Len.: “não ocorreu a nenhum socialista prometer o advento da fase superior do comunismo”

 

A URSS mais parece o III Reich em câmera lenta. (tudo ou nada)

 

“A verdadeira paixão do século XX é a servidão.”

 

Cada vez seria mais capaz de apostar que Sartre só veio a se aproximar do Marxismo por pura birra a Camus.

 

Orwellismo: “A cada ano, às vezes a cada mês, o Pravda se corrige, sucedem-se as edições retocadas da história oficial, Lenin é censurado, Marx deixa de ser publicado.” “a fabricação da verdade” “o rei está nu” “romantismo da eficácia” E a maquiagem do lado ocidental?

 

274: Marx + Freud, Um tanto duro.

 

“formigueiro de homens sós” – craque em frases de efeito, como se nota desde o sempre.

 

“física das almas” “O pão substituído pelo cupom de racionamento” “O estado de sítio, mesmo estendido aos limites do mundo, não é a reconciliação.”

 

281: “No universo do julgamento, finalmente conquistado e acabado, um povo de culpados caminhará sem trégua rumo à inocência impossível, sob o olhar amargo dos Grandes Inquisidores. No século XX, o poder é triste.” “Se nossa história é nosso inferno, não saberíamos desviar-lhe o rosto. Tal horror não pode ser escamoteado, ele deve ser assumido para ser superado” “elites desonradas dessa época” “renascer ou morrer”. Outro título para o livro: CONTRA A REVOLUÇÃO. Decadência.

 

286: “A história necessária, não suficiente, não passa portanto de uma causa ocasional. Ela não é ausência de valor, nem o próprio valor, nem mesmo o material do valor. Ela é a ocasião, entre outras, em que o homem pode experimentar a existência ainda confusa de um valor que lhe permite julgar a história. A própria revolta nos faz essa promessa. (...) Certamente, a história é um dos limites do homem; neste sentido o revolucionário tem razão. Mas o homem, em sua revolta, coloca por sua vez um limite à história.”

 

“descobri-la [a revolta] em estado puro na criação artística.” “viver e deixar viver”

 

IV. REVOLTA E ARTE

 

A arte por enquanto ausente. De tudo! “O niilista Nekrassov, grande e comovente poeta, afirma entretanto que prefere um pedaço de queijo a toda a obra de Pushkin.” “Seguindo os intérpretes revolucionários da Fenomenologia, não haverá arte na sociedade reconciliada.” “a arte posta a serviço da revolução” “O sapateiro russo, a partir do momento em que fica consciente de seu papel revolucionário, é o verdadeiro criador da beleza definitiva. Rafael só criou uma beleza passageira, que será incompreensível para o novo homem.” “Notemos efetivamente que, nessa luta entre Shakespeare e o sapateiro, quem maldiz S. ou a beleza não é o sapateiro, mas, ao contrário, aquele que continua a ler S. e não resolve fazer botas, que, aliás, ele nunca conseguiria fazer.” (História crítica) É meu livro meu além?

 

“a última coisa que um artista pode sentir, diante de sua arte, é o arrependimento.” Só artista entende artista. Eu sei o que é o desprezo às artes! A vida toda, jamais reconhecido por aquilo que realmente se é! Eis o valor de nosso tempo...

 

Não existe fadiga para o artista. Sempre penso no “Gohan, fique nervoso!” aplicado à minha pessoa. É o baygon de parede que atiça as muriçocas! Esmurre meu olho, conviva comigo, pise no meu calo! Estúpido xará, abra essa boca! Fale do que você não compreende uma vírgula. Assim você me alimenta! Eu transformo em jóias preciosas o adubo da sociedade! Zangar-se é em muitos casos a brecha para a mofa!

 

INSEGURANÇA (26/10/10): sonhei que tentava escrever no quadro-negro, fazia força com a mão, mas a marca do giz era fraca, fraca na lousa.

 

Compreendo que sou o degrau que faltava! Meu perfil é o acabamento em verniz da minha fosca família. Que zombem do que esconde o verniz, aquele que quiser. Mas o verniz é o verniz, e precisava de um pedaço de móvel para enfeitar, de um suporte para estar. Troncos tanto paterno quanto materno, na média, insensíveis, com alguns que despontam nisso ou naquilo pelas suas razões, mas ninguém realmente notável. Temos um tio artesão aqui, alguém meditativa e boa na costura ali, reis e rainhas do pragmatismo, até um dom culinário ou cênico. Passadores de concursos, ébrios dândis. Enfim, um microcosmo respeitável. Pai empreendedor e raso nesses negócios; mãe pintora medíocre. Emula mas não sente. Artista de meio-período. Mas nessas coisas não existe travessia de Ulisses... Pois então eu sou a evolução desse quadro, aquele que satisfaz o ponto cego dessas duas carreiras... Tudo é uma questão de estilo. E no fundo, como eu sou modesto...! São tantos mundos; E partem de um só!

 

“o extremo sofrimento tira o gosto pela leitura.”

 

Característica por que mais anseio em Dostoievsky: o psicologismo perfeito, a correspondência com a realidade.

 

Não se suporta ver um filme de amor quando se acaba de romper com alguém. Por outro lado, é na ressaca que eles ficam mais saborosos. Esse estado, a ilha sem preocupações! Acredite, não tem por que pensar que um filme possa ser tão bom/ruim de novo. Se bem que tudo dependa do estado de ânimo... DBZ é um “romance”?

 

“A não ser nos instantes fulgurantes da plenitude, toda realidade é para eles [*] incompleta.” [*] os homens revoltados “entender a vida como destino, eis sua verdadeira nostalgia”

 

299: exatamente sobre a falsa perfeição que é a “economia de tempo” do cinema, para Marco Aurélio. Não se insinuaria ou se narraria impassivelmente num romance o “ploft” da bosta na água do vaso, o “nhac-nhac” e o burp... Cada ato falho ou fisgada de músculo... Passa num estalo, como nos sonhos.

 

Não pode existir cansaço se, pela lógica do ER, eu não estou continuando o dia de ontem, mas só (re)vivendo um episódio. Que explica o que Rafael fez naquele momento, quando seus 22 anos, 6 meses e 2 dias eram o presente, nem antes nem em seguida a nada em específico, mas essa é a uma história que demanda, em todos os tempos na poeira do tempo, ser mostrada.

 

Jackeline, você mal sabe onde estou! Mas te entendo tão bem, posso vestir uma pele igual a sua, reviver seus dias!



Escrito por a mosca filosófica às 23:50
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Shelley

 

Todos os insetos são assim: nunca se insurgem contra você antes que você manifeste sua clara desaprovação primeiro. Depois, só o que sabem ser são marimbondos, como que libertados após 1000 anos, sem distinguir graça de ridículo, grandeza do que é vil, isto é, eles mesmos. Esses imbecis do banho-maria são o que há de pior! Mas antes uma ferramenta que mostre a desaprovação instantânea da outra pessoa, e que remanesça tudo bem, depois dos pratos limpos, do que todo esse acúmulo de sujeira invisível que só nubla o coração, embora ainda não a visão! E no amor, quem vai terminar primeiro? Pensando bem, a Eline tinha atitude... Mas ela não se cura do câncer do ódio! “You’re not noble!”

 

Página 300: “Parece que as grandes almas, às vezes, ficam menos apavoradas com o sofrimento do que com o fato de ele não durar. (...) nossas piores torturas um dia chegarão ao fim. Certa manhã, após tanto desespero, uma irreprimível vontade de viver vai nos anunciar que tudo acabou e que o sofrimento não tem mais sentido que a felicidade.”

 

“O vergonhoso sofrimento do amante, a partir de agora solitário, não é tanto de não ser mais amado, mas de saber que o outro pode e deve amar ainda. Em última instância, todo homem devorado pelo desejo alucinado de durar e de possuir deseja aos seres que amou a esterilidade ou a morte. Esta é a verdadeira revolta.”

 

Durante aproximadamente 2 horas vocês, as provocantes, suas caras, bicos e vestidos são MEUS! Não deve exceder essa quantidade o tempo seqüencial que convivo com garotas... Quão feliz deve ser ser bi! Mas eu não sei o que é isso... Mas aí o “sinal bate”... Desilusão... A mina fica offline – offEline, timEline... Até pelas fotos posso dizer que as possuo, não é, Jana? Certo, Sasha Grey? Carolina Battisti, Tuíla, Giuslaine, Sayonara, Thay, Ranna, Nathália, Tarcila, Larissa, namorada dum quase-amigo-meu, anônimas, ah, quantas anônimas... E não se esqueçam que desde a Antigüidade, toda moeda tem dois lados! Sabotei a Sabrina, para vê-la livre!

 

Poor and idiot guy,

You should know that I never decline!

 

302: “Dar nome ao desespero é superá-lo. A literatura desesperada é uma contradição em termos.”

 

“heróis perturbadores” “Julien “Sorel” “eles terminam aquilo que nós nunca consumamos” -> “paliativo de uma realidade falhada”

 

Os protagonistas dos romances são como que terroristas. Parece que sempre há tempo para mudar de idéia e ir fazer outra coisa... Escrever mais uma linha... Arrepender-se de seus crimes...

 

304: Faulkner e os cínicos americanos. Se fosse pintura, seria modernista, estilizada: “Neste nível mecânico, na verdade, os homens se parecem, explicando-se, desta forma, o curioso universo em que todos os personagens parecem intercambiáveis, mesmo em suas particularidades físicas.” – eu que tenho péssima eloqüência VISUAL...

 

307: rasga a seda por Proust. “As moças em flor riem e tagarelam eternamente diante do mar, mas aquele que as contempla perde pouco a pouco o direito de amá-las, assim como as que ele amou perdem o poder de serem amadas.”

 

Afirmação absoluta ou negação absoluta são igualmente prejudiciais nas Artes (realismo e niilismo). Algum outro período histórico em que se tentou um realismo? “a arte dos macacos” “a arte moderna [a. k. a. politizada], em sua quase totalidade, é uma arte de tiranos e de escravos, não de criadores.”

 

O problema forma-conteúdo. “A arte é uma exigência de impossível à qual se deu forma. (...) Como o verdadeiro classicismo não é mais que um romantismo domado, o gênio é uma revolta que criou sua própria medida. Por isso, não há gênio, contrariamente ao que se ensina hoje, na negação e no puro desespero.” [O INCOMUNICÁVEL]

 

COROLÁRIO: “a sociedade capitalista e a sociedade revolucionária são apenas uma, na medida em que se escravizam ao mesmo meio – a produção industrial” “a era do comentário perpétuo e da reportagem agoniza; ela anuncia então a era dos criadores.” Época antropofágica. Deifágica. Amanhã: Leonardo da Vinci X Napoleão? “Só como exceção se encontram assassinos entre os artistas.” “Torturadores humanistas” “as vítimas (...) entediam.”

 

Sangue: mais banal que graxa. A era do “zombie proudness”.

 

Fala da Europa de maneira assaz abstrata.

 

“Quando Caim mata Abel, ele foge para o deserto.” Impressionante unidade no livro.

 

Forrest Gump é um cara que “se cansa” das coisas e não vai até a última conseqüência, como nos romances. Ou será que ele se apazigua com seu filho indo para a escola? Se bem que seus afetos são sem-fixos... Brotar-lhe-á um novo amor carnal?

 

Súbita vontade de jogar Grand Theft Auto! A cabeça decapitada ainda é livre.

 

“a música silenciosa que ainda irá transfigurar os infernos terrestres.”

 

Ao Hawking maldito: “A física confirma a filosofia” Bickel “O pensamento aproximativo é o único gerador de real.” “a ciência servirá talvez à revolta individual [num futuro próximo]. Esta terrível necessidade marcará a virada decisiva.” O mundo merece mais do que Edsons, Gusmões e Cearibas. Óbvio que falo isso só pra irritá-lo – e é minha vingança silenciosa, contra-golpe inevitável. Cada um segue o seu rumo na vida. Só não podemos nos arvorar em juízes da realidade dos outros! “Protesto, Meritíssimo!”

 

339: Heráclito e Nêmesis, a deusa da medida

 

No limbo entre cinismo e humanismo. Se eu fosse um jogador seria um meio-campo cerebral, desses que faltam hoje. Já essa “galera”...

 

342: países do Norte – rei e sindicatos coabitando. Serenidade grega... “justo retorno das coisas” “ideologia alemã (...) isto é, tirania.” 344-5: “Nossa civilização vegeta (...) no desejo das pequenas glórias de velhos adolescentes.” Lúcifer pós-rebeldia: seu pecado é a desmedida (alçar-se, invertido, ao lugar daquele que combate por abjeção). A importância do budismo. Epicurêca; Senicuro.

 

“A revolta é a medida, é ela quem a exige” “palavras de coragem e de inteligência (...), junto ao mar” “as crianças continuarão a morrer sempre injustamente, mesmo na sociedade perfeita.” “O ‘por quê’ de Dimitri Karamazov continuará a ecoar; a arte e a revolta só morrerão com a morte do último homem.” “o segredo da Europa é que ela não ama mais a vida.” Por que Ulisses preferiu Ítaca a se tornar Imortal? Seiya o bem de Athena em detrimento de morrer quase por morfina?

 

351: “aqui se encerra o romantismo. (...) é preciso renunciar à época e aos seus furores adolescentes. O arco se verga, a madeira geme.”



Escrito por a mosca filosófica às 23:49
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MEMÓRIAS DO SUBSOLO

 

13/10/10

 

Prefácio de Schnaiderman, Boris: 10 – “Gorki deixou uma anotação: ‘Para mim, todo Nietzsche está em Memórias do Subsolo. Neste livro – e até hoje não o sabem ler – se dá para toda a Europa a fundamentação do niilismo e do anarquismo. Nietzsche é mais grosseiro que Dostoiévski’.”

 

Rafael, este é você! Mas com metade, somente, da idade.

 

17: “Sim, um homem inteligente do século dezenove precisa e está moralmente obrigado a ser uma criatura eminentemente sem caráter.”

 

“Existem cidades meditativas e não meditativas.”

 

20: determinismo; responsabilidade.

 

Aquela noite insone em que você chegou a pensar ser o ser mais inteligente disponível.

 

23: o agir; a imoralidade última dos atos; nossa carga pesada; o acúmulo de maldizeres, rugas e expressões e contrações involuntárias da face quando um nome é evocado. Essa bola-de-neve chamada Gabriela... O grande prazer incontrolável e tirânico da auto-tortura... Último homem do meu tronco eu sou. Homo ironicus, enfim. Maneiras de se gastar o tempo aprendendo o que já sabemos, processo testado e aprovado elevado até a décima potência.

 

“vindita”

 

“Mas que fazer, se a destinação única e direta de todo homem inteligente é apenas a tagarelice”

 

Quanta atenção dou eu a pontos finais, fora ou dentro de parênteses e aspas!

 

Estúpido e perfeito como uma barata. Enquanto pensares tanto, jamais amarás a Sabrina. A Eline para você já é ponto pacífico, uma urna desvelada...

 

Já parou para pensar quão mais você escreveria e ao mesmo tempo economizaria se utilizasse a margem esquerda desses papaizinhos?

 

Tenho medo do que você faria da sua vida se não tivesse prazos e horários, se não tivesse obrigatoriamente de reter para os sonhos (e se tivesse tempo de decodificá-los todos) o total de suas impressões. Vede sua turminha de jornalistas, quantos cérebros felizes – nem ia dizer essa palavra! – já são escravos, pais e mães! E não obstante você se torturar, não existe outra condição – VOCÊ-ETERNO. Parar para pensar a burrada que está fazendo... Que luxo! Como uma sala sem música, ou uma família que nunca viaja, você não sabe aproveitar a vida! É por isso que você ama as ressacas! E por isso a maconha te deixa tão parvo! É por isso também que amas um pouco de ditadura do lado de fora, aquelas aulas maçantes, dia de prova, conversar, filmes desviantes, até um ligeiro banho... Você é do tipo que para acender um cigarro tem de parar de pensar.

 

Eu não tenho uma opinião formada sobre nada.

 

Todas essas bolhas de sabão não são remorsos – é só um jeito; o seu jeito. Já ouviu falar de terapia ocupacional?

 

O fundamento é o absurdo.

 

Tente fixar absolutos:

magistério  nova casa  namorada  metal  futebol  você vive basicamente por causa desses 5. É sua criação de sentido. língua  livro  morte  run  febre Um ADORNO para sua existência debaixo do Sol. louco  caos  inimizade  músculo  redenção  cadeia  lua cheia  vestir as meias  agir sem peias  ser qualquer personagem, como o Seiya, ou quem quer que seja. Ou uma Mosca.

 

Não, nada disso te machuca. O que é longo prazo para você? Se eu meditasse para responder, aceitaria dar aulas, entrevistas para a TV? Viajaria? Um “talvez não tenha lugar para você” me fez tudo rever.

 

Eu não amo nem odeio nada, só continuo remando... Raul Seixas é só a cauda do cometa.

 

Você é a síntese do patético, filosofa até para tocar uma punheta.

 

37: ao piercing – “Cleópatra (...) gostava de cravar alfinetes de ouro nos seios das escravas, deleitando-se com seus gritos e convulsões.”

 

Se vingue dos outros em você mesmo! O único território onde o Estado não é nada: inclusive qualquer letra da Lei lhe dá a concessão, neste caso! Nanah e o beiço de cima: você não quis mas tem quem queira!

 

61: o romantismo russo, que é o negativo do romantismo europeu

 

A cidade nunca é a mesma quando o conto é diferente.

 

66: o status de mosca. Mosca humana, mosca filosófica.

 

Transformando coisas comezinhas no pior dos infernos!

 

Sonhei (14/10) que lia com dificuldade em voz alta.

 

83: minha relação com o Thomas.

 

Dias comuns, em que fazemos coisas gratuitas, inesperadas, e isso vem a mudar nossas vidas.

 

85: chegar antes que todos na mesa e entabular conversa com o garçom

 

Aquela mulher com quem nos atracamos na loucura dos inebriados e que depois...

 

107: “Até na aflição a vida é boa”.

 

“Se eu fosse pai e tivesse uma filha, creio que amaria mais a filha do que os filhos; estou certo disso” “Teria ciúme, juro por Deus. Ora, poderia ela beijar um estranho?”

 

“Sabe que, por amor, pode-se atormentar uma pessoa?”

 

“Você fala como se estivesse lendo um livro”

 

Tudo acaba em mulher!

 

“Deixai-nos sozinhos, sem um livro, e irremediavelmente ficaremos confusos, vamos perder-nos; não saberemos a quem aderir, a quem nos ater, o que amar e o que odiar, o que respeitar e o que desprezar. Para nós é pecado, até, ser gente, gente com corpo e sangue autênticos, próprios

 



Escrito por a mosca filosófica às 20:44
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NOITES BRANCAS

10-12/10/10

 

A familiaridade da sua cidade.

 

Nós, os biliosos sem cura.

 

12: “Caminhava cantando (...) como qualquer homem feliz que não tenha amigos, nem conhecidos, e que nos seus momentos de felicidade não tem com quem compartilhar a sua alegria.”

 

Será que é isso? Quando a paixão passa do estágio 1, eu como um todo passo a me comportar como minhas mãos quando tenho o que escrever, ou seja, de modo soberano e automático? Porventura nunca eu tinha pisado nesta estranha lua? Inventei-me uma nova casca, tornou-se possível um jeito todo diferente de gostar de alguém? Meio desdenhoso, frio, retardado nas reações? “Eline” e “super-ânsia” eram quase sinônimos. Inveja de alguns casais! Menos apegados... Inveja, e não ciúme.

 

Um jeito de sempre ter algo pra falar com alguém é eleger um terceiro funesto, isto é, escolher alguém pra Cristo. Não são poucos os casos da minha vida, em retrospectiva, em que a primeira ou única via para o meu flerte era o mexerico, falar mal de fulano. Risadas e entendimento.

 

Não há nenhum personagem que não possamos interpretar, independentemente da nossa idade. Ou sexo.

 

Vinte e quatro horas beijando alguém, 24 dias sem beijar ninguém.

 

14: “Dir-se-ia que vivo num sonho, mas mesmo em sonhos nunca acreditei que poderia um dia falar com uma mulher, fosse ela quem fosse...”

 

15: “Quando o meu coração fala, a minha boca não se sabe calar.”

 

Estranha sintonia entre meus anseios mais profundos e as coisas que decido agora fazer, “de improviso”: ler sobre um solitário apartado do calor de qualquer mulher e levemente ansioso... Ad infinitum!

 

“Criei, nos meus sonhos, romances completos!”

 

Outro Don Juan?

 

“sei que o senhor é inflamável como a pólvora.”

 

“não é na rua que se deve procurar conselheiro” – atenção às exceções!

 

Quantos milhões não caminhei só por algumas minas? Ou deveria dizer sereias?

 

Aparentemente, um pré-Homem do Esgoto.

 

27: “e ele procede de tal modo que, a pouco e pouco, os seus amigos acabam todos por desaparecer.”

 

A tartaruga misantropa e o seu cantinho...

 

29: a descrição do gato filhote aterrorizado me recorda minhas últimas posturas com o Aloísio e o Bruno, estranhamente aquela figura que lhe é tão gêmea!, além do Guilherme “Antropólogo” e outros, cheios dos seus preconceitos!

 

“terrìvelmente” – tão melhor!

 

“neste momento, abriram-se no meu cérebro milhares de válvulas e tenho de deixar as palavras afluírem em torrente, pois, caso contrário, sufocaria.”

 

Nós, os andarilhos do tempo do asfalto!

 

As distrações, a vontade de desligar a TV e só de pensar, pensar, pensar e mais nada! “o livro em que distraìdamente pegara cai das mãos do meu sonhador, que nem sequer leu até à terceira página.”

 

Walter Scott

 

O que seria de nós sem esclarecimentos culturais em notas de rodapé de peças, ensaios e romances?

 

O supérfluo que é vital!

 

“com a sua boquinha e com os seus grandes olhos verdes” – até no gosto mulheril compactuamos? Pense bem, Sr. Destino: por que olhos verdes como os teus, lábios carnudos como os teus, nariz afilado como o teu, repleta de espinhas como você um dia, forasteira, solitária e nascida no seu dia? Coincidências não existem.

 

Tá comigo, Tá com Deus, Deus Morreu, Deus agora é seu Umbigo

 

“enquanto não chega essa temível hora, não deseja nada”

 

Parece que doem meus ossos! De tanto andar!

 

Rodopiei mas me lembrei! Que estranho fio liga todos esses vôos mentais, para a infelicidade dos sabujos!

 

Até o Dimitri é moralista em certas horas: “Não beberás!”

 

Jovens dando ordens! Rá!

 

É estranho como conversas naquele ambiente me deixam fraco como poucas outras coisas! (UnB) falo mesmo da fome

 

Por que nós, insones, sempre ficamos com sono quando o Sol diz “olá”?

 

“Mas como pode falar de algo que não te aconteceu?” Do mesmo modo que posso silenciar sobre tantas coisas que com efeito me sucederam!

 

“após as minhas noites fantásticas passei por pavorosos momentos de abatimento!”

 

“Sabe que me vejo obrigado a celebrar o aniversário dos meus sentimentos” a época do amor, a época do mau humor...

 

“gosto de edificar o meu presente de harmonia com o irreversível passado” o antanho mais antanho que volta à baila... “...e, muitas vezes, vagueio como uma sombra, sem objetivo, sombrio e triste, por sítios afastados.” cada vez mais afastados... fumando meu charuto/cigarro.

 

Sentindo palpitar alguma coisa de incapturável... Segundos que me fazem parecer deus, o círculo total dos acontecimentos, um domínio fatal e otimista sobre tudo, quando o simples baque de amanhã pisará em toda essa riqueza de repente convertida em cinzas? HA-HA-HÁ, HA-HA-HA os transeuntestudantes riem!

 

Agora pense: o mais cruel é ser o segundo eu! Porque decidi vir depois de mim...

 

41: agora aqui recordei os papos com a Thaís!

 

E de repente no mesmo dia em que a vejo pela primeira vez, essa estranha,m NAStenka, beijo suas vergonhas!

 

“sentia, apesar de tudo [da sensação de déja vù e de eterna reprise], que a vida era mais fácil e tranqüila, não existindo nela esta idéia negra que agora a mim se apegou; nada desses problemas de consciência, sombrios e severos remorsos [PESO!], que nem de dia nem de noite [sim, não importa o horário!] me deixam descansado.”

 

E como durmo feito moça e acordo feito pedra – abro os olhos mas estou quebrado demais para me mexer! Quem vê novela tem fé no futuro... Ah, Luisa, soubesse tu que nada viria a acontecer... Sequer o inigualável futebol...

 

Dias perfeitos são estragados. São ilhas afundadas sem deixar vestígios. E para os martírios, moldura e verniz serão sempre recordados. Feriado desgraçado.

 

Se o “pai médio” na Rússia guarda(va) qualquer semelhança com o meu pai, não há a menor dúvida de que, desse ângulo, o alcoolismo é uma bênção purificadora.

 

Pushkin

 

62: “Mas, Deus meu, como posso ter acreditado em tal coisa?” [que ela – ou que alguém – me amasse!]

 

“porque (sic) não somos todos uns para os outros como irmãos e irmãs?”

 

O doce da mulher: essa é uma reflexão infinita.



Escrito por a mosca filosófica às 20:24
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ELOGIO DA LOUCURA

06/10/10

 

Causas errôneas que associamos a um efeito porque a relação se sucede UMA vez no tempo mas nos convence:

- ligar o ventilador, andar pela casa, pensante. Em seguida ter febre. Logo... prefere passar calor e defender o sedentarismo – ou seria o sesentadismo?

- escrever muitas palavras de caneta na mão e na epiderme como um todo. Cair doente. Logo... a lenda urbana da tinta que escorre pro sangue é verdadeira.

- gripar durante o último trabalho do semestre: como não acredito em sacanagem de Deus, atribuo ao cansaço acumulado. Mas faltam evidências...

 

Nuvens negras sobre a minha cabeça – saia com essa tiririca de Ceariba!

 

Que tal “Elogio à Supressão dos Direitos Humanos”? Elogio ao Suicídio, Elogio da Preguiça ou dos 7 Pecados. Elogio da (Fora-de-Moda) Castidade. Elogio da Falta de Jeito. Elogio da TV Aberta – pegou pesado!

 

26: do covarde que se exime da loucura e a rotula em terceiros. Qualquer semelhança com cabeças-de-ovo da universidade é mero atrevimento meu, veja só. Quem está com as instituições oficiais está com a san(t)idade. Afilhados de chocadeira.

 

33: ver uma criança cética e prudente nos assusta.

 

“o prazer supremo da vida que é o de tagarelar”

 

O parto é tão insondável quanto a partida.

 

Tuíla, A Azeda

 

Você está Safo.

 

36: Vênus, a Afrodite Dourada

 

43: hilário!

 

47: pito em Sócrates!; Marco Túlio, aquele que sentia tremedeiras antes de cada belo discurso.

 

49: auto-identificação do solitário

 

62: as transfigurações de Pitágoras (JACKY)

 

Não se perde uma oportunidade de achincalhar os estóicos.

 

A Quintessência dos Infernos

 

80: indiferença quanto ao Mito da Caverna

 

81: alguém me entende! “Entre os numerosos méritos atribuídos a Baco, o mais importante é o de se dissipar as preocupações, mas por bem pouco tempo na verdade, porquanto retornam de chofre, como se diz, tão logo se tenha curado a ressaca da bebedeira.”

 

117: “Se forem dignidades e bens eclesiásticos que se ambiciona, asnos e animais chegarão antes que um sábio. Se é o prazer amoroso que se procura, a jovem, parte importante do negócio, irá correndo de coração para o louco, mas se afastará com horror do sábio, como de um escorpião.”

 

118: Horácio e Epicuro no mesmo time



Escrito por a mosca filosófica às 15:14
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UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO

22-24/09/10

 

Geoffrey Blainey

 

P. 95 – “A palavra hebreu significava andarilho ou ‘aquele que atravessa para o outro lado’.”

 

142: super-exaltação de Gêngis Khan e bando

 

146: o auto-centramento chinês

 

149: confirmação do mito viking de descoberta da América

 

154: “Cristo e João Batista devem ter possuído vozes que se projetavam a longa distância. Aqueles que hoje vivem na era do alto-falante e do microfone não entendem a que distância pode chegar a voz humana ao natural.”

 

188-9: as “cantatas” calvinistas de Bach e Handel.

 

223: “Mozart nasceu numa cidade do sal – Salzburg, na verdade, quer dizer ‘cidade de sal’”

 

253: em poucas palavras, este autor consegue sintetizar sem distorções e leviandades o “espírito” por trás de Freyre e do falador e romancista humanitário Darcy.

 

O mundo encolheu o mundo encolheu o mundo encolheu é a frase, disparada, que mais leio ultimamente.

 

Só constatamos que “a vida é uma merda” nas noites em que ela supostamente não é; o que derruba duplamente a tese – ainda que fosse, seria suportável; mas do que estamos falando? A opressão e a calamidade que podem ser narradas já não existem mais...

 

277: o problema do estado do bem-estar, da apatia e da insegurança – não vamos retroagir para a vida parca de nossos ancestrais camponeses nem operários, mas então o quê?! De repente rangeremos os dentes, abdicando do aporte estatal? Mais fibra, menos moleques evocando Rousseau?



Escrito por a mosca filosófica às 02:09
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CARTAS DE ÉPOCA

07-11/04/10

 

“O Natal que eu aprecio tanto” N. aos 12 – pra você ver como AOS 13 a gente vira bicho.

 

“a escolha de uma carreira parece uma loteria em que há um GRANDE número de colunas vazias e pouquíssimos números vencedores.”

 

“Meu improviso no piano foi um grande sucesso, e meu estado era mais o de uma ebriedade solene.”

 

Diziam, quando este tinha minha idade, que ele tinha “muitos humores”.

 

“se um homem deseja entender seu tempo e seus contemporâneos, ele deve ser algo como um estudante colorido (?) (multifacetado)(?). Sociedades e associações, ao lado das tendências que representam, geralmente revelam com perfeita exatidão o caráter da próxima geração de homens.” para Von Gersdorff.

 

Aos 21 anos, crítica acerba ao alcoolismo e à juventude: “materialismo cervejeiro”.

 

“uma relação mais íntima com um ou dois amigos é uma necessidade”

 

Muita música! Schumann

 

“Para recreação eu me direciono a três coisas, um maravilhoso entretenimento me provocam meu Schopenhauer, a música de Schumann e, finalmente, caminhadas solitárias”

 

“Como são diferentes o relâmpago, a tempestade e o trovão – três poderes sem ética! Quão felizes, quão fortes eles são – pura vontade subestimada pela confusa influência do intelecto!”

 

“é certamente bastante estranho dominarmos as idéias schopenhauerianas, ainda tão jovens, vigorosas e a meio caminho.”

 

“Tudo gira em torno de nossas atitudes pessoais. Um evento não tem mais valor do que aquele que escolhemos lhe investir.”

 

Não está imune a dificuldades para escrever.

 

“Nosso método de trabalho como um todo é horrível. Os cento e um livros empilhados na mesa diante de mim são vários sanguessugas consumindo a vitalidade do nervo do pensamento independente.”

 

“Estamos condenados a escolher sermos atletas ou eruditos?”

 

“O bom trabalho ou o pior que produzimos nós sozinhos devemos pagar por ele.”

 

“Parece que eu tenho algum talento montando.”

 

Sobre os judeus e o Sábado: “os estudantes teriam proposto seis dias de feriado e um de trabalho por semana, e na prática teriam convertido até esse em uma folga.”

 

Servir ao exército: bom remédio para os céticos.

 

A complexa fratura a cavalo em junho de 1868. “Depois de três meses inteiros, quando finalmente deixei meu leito, estava naturalmente tão exausto que tive de aprender a andar de novo (...) Não é improvável que eu devo sempre sofrer de alguma fraqueza ao redor do trauma.” “uma operação não foi necessária” – talvez tenha sido um erro médico.

 

O HILÁRIO caso do terno, contado a Rohde. “O pequeno homem sumiu com minhas roupas.” “examinei um casaco preto e me perguntei se era bom o suficiente para Richard.” “Ele fala muito rápido e de forma eloqüente”

 

Podia-se falar de outros amigos nas cartas para os amigos.

 

Abril de 69: maquinando Schopenhauer como Educador.

 

“O bezerro e o bumbum do bebê, dizem os homens, louvam a Deus mais perfeitamente.”

 

Relato DETALHADO de um encontro amoroso à mãe! Fran Von Billöw.

 

“Em suma, estou mais insatisfeito comigo mesmo que com o mundo”

 

Disenteria, difteria...

 

Nie. só não combateu na guerra porque seu vínculo com a Universidade da Basiléia o obrigava a assumir uma posição de neutralidade no conflito, como foi o caso da de enfermeiro. “a atmosfera das minhas experiências (sic) me trouxeram uma grave melancolia, e por algum tempo eu jamais deixei de escutar os lamentos desesperados dos moribundos.”



Escrito por a mosca filosófica às 13:56
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Não suportava a obrigação de ter um emprego, de dar aulas, e não dispor de tempo livre.

 

Ao Ceariba: “Uma existência verdadeiramente honesta é impossível aqui [na universidade].”

 

Para Rohde: “devemos fundar uma nova Academia Grega” “Eu já comecei a limitar minhas necessidades a fim de preservar pequenos vestígios de riqueza pessoal. Devemos ainda tentar nossa sorte em loterias; e, se escrevermos livros, devo esperar para o futuro imediato o máximo de renda possível.”

 

“Em Leipzig a irritação parece ter prevalecido uma vez mais. Ninguém de lá me escreve uma linha sequer sobre isso, nem Ritschl.”

 

“Quem pode resistir às caprichosas maneiras do clima, que subitamente se tornou o inverso do que era!” Viagens...

 

Estou em abril: “Agora é o belo e puro outono, justamente o tempo para se caminhar por aí.” (a diferença é que meu mundo está todo sitiado)

 

As terríveis dores-de-cabeça.

 

“Eu estou absolutamente sozinho aqui e poderia permanecer por semanas, ora repousando ora caminhando.”

 

DIC: diligência – “Antiga carruagem pública para transporte de passageiros com itinerário e horário fixos.”

 

Após “Nascimento da Tragédia”, odiado por outros professores. Compara a academia à Inquisição.

 

Para Rohde: “Você está a par de um certo alienista que teria provado na mais ‘dignificante das linguagens’ que Wagner é um demente? O mesmo havia sido feito com Schopenhauer.”

 

Para Meysenbug: sonha com uma edição especial adornada de seu livro.

 

“Envelhecer e tornar-se solitário são para mim sinônimos, e no fim um homem está de todo sozinho e faz outros se sentirem sozinhos com sua morte.”

 

1873: “Todos os poderes estão mobilizados contra mim – a polícia, as autoridades, e os colegas.” Rompimento com os Ritschls.

 

“Meus olhos são o único problema.”

 

As Intempestivas II foram autocensuradas (amortecidas).

 

“Por ora eu estou realmente muito, muito cansado de tudo – mais que cansado.”

 

“Trabalho regular num posto oficial é tão bom porque leva a certo estado obtuso à pessoa, que sofre menos.” [futuro?]

 

O estranho de ler em Inglês é que o texto está sempre musicado.

 

“Eu avanço aprendendo sobre seus ombros”, a Rohde!

 

Pensou em escrever 13 intempestivas: “Imagine o efeito de 50 desses 4 que já escrevi!”.

 

“A única coisa que eu ainda espero da vida é uma boa esposa. Todo o resto depende de mim mesmo...”

 

“É de prévio conhecimento nosso – nossa marca de nascença – que de um jeito ou de outro nós constantemente aparecemos diferentes do que pensamos.”

 

“Leia Dom Quixote (...) todos os problemas pessoais pareceram se converter em nada e adquirir feições simplesmente risíveis”

 

DIC: swan – pato, cisne, ganso.

 

Desligamento da cátedra: 1978.

 

Quanto valiam 1000 francos anuais àquela época?

 

“Eu tenho toda a dificuldade do mundo para me entender a mim mesmo – minha cabeça está tão cansada.”

 

E se um incêndio eliminasse todos os meus trabalhos “por publicar”?

 

A amizade com Wagner foi idílica: nunca se ofenderam, e nem era esse o teor dos sonhos nietzscheanos mais tarde.

 

“A cultura cai sobre nosso passado quando nossa mãe morre; é depois disso que pela 1ª vez nossa meninice e adolescência se tornam não mais que uma memória.”

 

“beber o próprio sangue! A vida vira uma questão de não perder a sede de si mesmo”

 

“Lisbeth, diga que não sabe sobre o que venho escrevendo. As pessoas estarão prontas para te rotular de imoral e sem-vergonha.”

 

Fez planos de comprar uma máquina-de-escrever.

 

Compara Sils-Maria ao México – tranqüilidade do sul!

 

DIC: shepherd: pastor. Jack Pastorius.

 

Bizet comparável a livros de Mérimée e a viagens ao sul da Espanha.

 

“Em minha opinião toda a música moderna parece estar sofrendo de uma atrofia progressiva do senso de melodia. A melodia, como a última e mais sublime arte das artes, é governada por leis lógicas que nossos anarquistas gostariam de declarar tirania!”

 

“Não teria o poder de destruição de nervos da música de Wagner arruinado minha saúde? E não levei 6 anos para me recuperar dos golpes? Não, Bayreuth me é impossível!”

 

1882: formulação da “meta secreta”.

 

Madame Louise O. (?) – “lembrança charmosa”

 

Queria mais dinheiro para a “casa de cão” ideal.

 

Durante o inverno, quanto mais ao sul, melhor; para o verão, deve-se aquecer a alma! Mas o norte é tão cruel, por não oferecer nenhum consolo durante o gelo e nem o calor desejável!

 

“Epicuro é precisamente o melhor contra-argumento ao meu desafio direcionado a todos os espíritos raros, que devem se isolar das massas e dos compatriotas (...) é uma das ironias do destino que tenhamos que acreditar em um Sêneca chamado na Córsega de vilão.”

 

A guerra familiar – a Naumburg do ar empestado por maus cristãos (“bons cristãos”, a depender da boca e do seu grau de corrupção).



Escrito por a mosca filosófica às 13:55
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O dia em que Zaratustra matou Wagner.

 

A dança com as ninfas e a tristeza que a sucede – hora de ir embora – tem absoluta relação com a tentativa de moralização da vida amorosa de F. N. por parte de sua tradicional família, aí incluídas tias e primas distantes.

 

Nie. foi recusado na mesma Leipzig cristã que, mais de uma década atrás, concedera-lhe o doutorado com insuspeita rapidez. “eu sou o mais terrível oponente do Cristianismo, e descobri um modo de ataque do qual nem Voltaire tinha uma pista.”

 

Alguns sujeitos foram omitidos – “x” ou “______”.

 

DIC: hitherto – until now

 

DIC: scorn – desdém

 

“O que esses Rées e Lous importam!” para Lisbeth. “Ambos se mostraram originais e não cópias, e foi por isso que estive sob sua companhia, porém ela acabou sendo insípida para mim.” “Schmeitzner [seu editor] disse que eu não tenho amigos, que eu fui deixado na sarjeta por 10 anos!” “Não necessito de outras pedras nas engrenagens do meu relógio.”

 

Zara. como o “acme of perfection” (“depois de Lutero e Goethe, faltou um 3º passo a ser dado”). Ressalta o caráter de compêndio dos humores humanos que é, afinal, este livro messiânico.

 

Recorrente para Peter Gast: “jardim de Epicuro”.

 

Quando perdeu algum dinheiro na rua, disse, com espírito: “Tomara que uma velhinha possa ter achado seu presente de Natal no chão”.

 

“Lasnaland”, a colônia anti-semita paraguaia, que não tardaria a decretar falência.

 

“A vida é um experimento; alguém pode fazer o que quiser e deve pagar emocionalmente por cada coisa.”

 

“É terrível ser condenado ao silêncio quando se tem muito o que dizer.”

 

“Um homem profundo precisa de amigos. Tudo o mais falhando, ele tem ao menos seu deus. Mas eu não tenho nem deus nem amigos.”

 

Portofino e sua vegetação: “é um pouco reminiscente do Brasil”. Compara-se a Crusoé.

 

“Política alemã – só outra forma de inverno eterno e terno ruim.”

 

“Eu escutei por acaso dele como, na Universidade de Tübingen, onde eu passo por ser o mais negativo dos espíritos, meus trabalhos são devorados em segredo.”

 

Um “terremoto” em Nice causado pelo carnaval dos turistas.

 

“Eu quero ter minha própria cozinha (...) eu não sou um escolar em suas andanças.”

 

Precisava, também, de “Alguém que leia em voz alta sem fazer o livro soar idiotizante”.

 

“Onde quer que eu tenha observado a influência da mulher no homem, noticiei um declínio gradual como resultado; por exemplo no caso do pobre ______.” Possibilidades: Rohde/Wagner. Mas Wagner já era casado quando o conheceu...

 

“ouvidos não devem estar abertos aos meus pensamentos até muito tarde – certamente não antes de 1901.” (!)

 

“Uns poucos são suficientes para mim; um é suficiente; mesmo nenhum.” Sêneca

 

“Eu penso em Taine e Burckhardt como meus únicos leitores. Como três niilistas fundamentais estamos de fato irrevocavelmente condenados uns aos outros”

 

“Dühring, que teve o bom gosto de apresentar-se em sua autobiografia como o Rousseau do século XIX (Apenas observe como um homem se posiciona quanto a Voltaire e Rousseau). O paradoxo do Romantismo, cujo ícone é Rousseau: quão mais tirânico é o princípio, mais melodramática deve ser a canção.”

 

George Brandes: a pecha de anarquista aristocrático.

 

“Verdade, minha existência até aqui mostrou-se a si mesma ser o que ela realmente é – uma mera promessa.” Queixa-se da solidão, que casar-se só degradaria sua autonomia e pede os dotes caseiros da irmã de volta: “Para um filósofo, uma irmã é uma excelente instituição filantrópica, particularmente quando ela reluz, é destemida e amável”.

 

“meio milhão é a primeira premissa da ironia...” para Gast.

 

Discussão sobre climas secos – na verdade o contraste sentido entre diferentes climas é que tanto anima e renova o viajante.

 

“Quando um animal está doente ele rasteja para sua caverna – é isso que faz a besta filosófica.”

 

“Meus dedos estão azuis”

 

Wagner (que ainda tentou lhe mandar cartas) // Baudelaire -> “Psicologia da Decadência” O primeiro mandou cartas ao segundo. Baud.: “Não devo mais escrever nada sobre Wagner: as pessoas fazem muita graça de mim.”

 

 

DAVID STRAUSS

 

O Inglês empresta contornos mais vulgares a um texto.

 

Ganhar uma guerra é indício de exército mais brutal – não de cultura superior, como queriam os alemães.

 

O pós-modernismo chegou mais cedo à Alemanha.

 

Holderlin / Winckelman

 

“Todos têm, a priori, o direito de compilar uma autobiografia após seu quadragésimo ano.”

 

“O Filisteísmo como fundador da religião do futuro.”

 

“Nenhum grande escritor alemão é tão popular entre os pequenos escritores alemães quanto Lessing.”

 

Os filisteus amam os clássicos e os destroem, tornam sua vida insuportável.

 

DIC: clever – perspicaz

 

Strauss critica a 9ª de Beethoven. E tentava desprezar Schopanhauer. Igualmente, julga Kant mal. Até Darwin soa inteligente perto dele.

 

VII: Hobbes e o problema do Homem-contra-Homem.

 

“Se eu pudesse conceber jovens com paciência o bastante para ler o livro de Strauss inteiro e avaliá-lo, eu renunciaria tristemente a toda esperança no que concerne a seu futuro.”

 

“Hoje o homem de ciência trabalha tão ardorosamente quanto a quarta ou escrava casta: seu estudo deixou de ser uma ocupação para se tornar uma necessidade.”

 

Uma Alemanha que concedia a contemporâneos o status de clássicos.

 

“Toda coisa realmente produtiva é ofensiva”

 

Pega pesado: até Kant é traduzível para o latim, Strauss não!

 

Schopenhauer previa o fim da Literatura alemã para 1900, caso os Clássicos continuassem naquela “evolução”.

 

“Em terra de cego, caolho é rei” – Strauss é o líder dos filisteus. “Com efeito, concedemos-lhe muito quando lhe atribuímos um olho.” “estilo de jornal” Não deixa de ser uma ode: hoje esse homem só é lembrado, quiçá, devido a esse artigo intempestivo (santa língua machadiana)!

 



Escrito por a mosca filosófica às 13:53
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O SUPER-HOMEM CONTRA A DIALÉTICA

03/05/10

 

A) DELEUZE – Nietzsche e a Filosofia – CAPÍTULO 5

 

Diferença entre os designativos:

- Homem-Deus: o homem a la Ivan: “tudo é permitido”.

- Deus-Homem: Cristo – Deus no formato circunstancial de homem {primazia do 1º elemento}

 

132: “Na verdade, para o olho do genealogista, o trabalho do negativo é apenas uma grosseira aproximação dos jogos da vontade de poder.” Hegel como a consciência onisciente dos fins a que conduzem as sucessivas negações das negações... Somente na genealogia há algo novo.

 

Sobre inversões e manutenções de significado: “Stirner é o dialético que revela o niilismo como verdade da dialética” poderia ser: Stirner é o niilista que revela a dialética como verdade do niilismo. Não se está saindo do lugar.

 

P. 135

 

Amor como lubrificante da existência: “Só do amor me pode vir a vontade de meu desprezo e de meu pássaro anunciador, não do pântano.” N.

 

B) HEIDEGGER – A Sentença Nietzscheana “Gott ist Tot”

 

“A destituição do supra-sensível desemboca em um nem-nem” “rompantes epocais” “Todo pensamento metafísico é onto-logia ou não é absolutamente nada.” “A obra central planejada nunca foi levada a termo.” Frase antes cunhada por Hegel. E até Pascal.

 

Gostaria uma vez de encenar o “Homem Desvairado”.

 

“também os deuses apodrecem” “A grandeza deste ato não é grande demais para nós?” “O mais sinistro de todos os hóspedes” A grande pergunta desse texto sequer será “qual a gênese”, mas “qual o telos do niilismo?”. “O pessimismo da força” Ele executa o que intentarei: uma hierarquia dos diferentes niilismos. A recriação de Deus/deus (minha fala simplificadora no seminário). Como pode ser que na Rússia o Cristianismo se liquidou primeiro? Porque este sempre fora o país mais cristão. Mesmo antes de ser cristão. Almas/personas e doutrina se encaixa(va)m. Napoleão como protótipo níti-do.

 

Por que “a-metafísico”? Pouco saudável: “ser do ente”. Acho que encontrei o parágrafo que deixou o Gabriel p. da vida.

 

“O artista é apenas um estágio prévio.” N. “A arte é o valor supremo” H. Nomenclaturiza as coisas de modo a tornar N. em algo parecido com Descartes! Mais da metade da leitura transcorrida e por enquanto nada de pré-socráticos sendo citados.

 

“do uso e do abuso da História para a vida” – versão em Inglês. “seria (...) equivocado se se quisesse tomar a formulação do princípio valorativo como uma prova de que Nie. filosofa existencialmente. Ele nunca fez isto. Mas ele pensou metafisicamente.”

 

Aristóteles e “o quarto livro de sua metafísica”. “Kierkgaard não é nenhum pensador, mas um escritor religioso.”

 

Compreensão errônea do super-homem. S-H: Querer querer. “a tarefa de assumir o domínio da terra”. “Somente quando um pensamento futuro for levado até o ponto de pensar este ‘Livro para todos e para nenhum’ em conjunto com as Investigações sobre a essência da liberdade humana, de Schelling (1809), e isso significa concomitantemente, em conjunto com a obra hegeliana A fenomenologia do espírito (1807), e isso significa concomitantemente, em conjunto com a Monadologia (1714) de Leibniz, e de pensar essas obras não apenas metafisicamente, mas a partir da essência da metafísica, serão fundados o direito e o dever, assim como o solo e o campo de visão para uma discussão.”

 

“O grande meio-dia” Sol, horizonte, mar... Hannah Arendt. Não vejo, ao final, nenhum postulado novo; apenas uma introdução amigável. Última linha: “O pensamento só começará ao experimentarmos que a razão há séculos glorificada é a mais tenaz rival do pensamento.”

 

Pah777 e “o não-posicionamento nietzscheano diante da existência ou não de Deus” – utilidade da mentira. Tudo é um como se... Aceitemos a factível existência Dele: infelizmente o homem perdeu o valor para acreditar Nele. Ou felizmente. O dia em que Lúcia e Maíra se volveriam loucas.



Escrito por a mosca filosófica às 23:19
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O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA – OU GRÉCIA E PESSIMISMO –

30/03/11 a 04/04/11

 

Ciro Mioranza: “a morte é o prazer supremo, enquanto significa o reencontro com a origem.”

 

14: “Existe um pessimismo da força?”

 

15: “um livro que (...) deu satisfação aos ‘melhores de seu tempo’ (...) entretanto, não quero dissimular de modo algum a impressão desagradável que hoje me produz: quão estranho se apresenta a mim dezesseis anos depois [1888]”

 

Mais: “livro impossível (...) mal escrito, pesado, penoso (...) sentimental (...) açucarado até a efeminação, desigual no tempo, desprovido de uma vontade de limpeza lógica, muito convencido (...) eximindo-se de provas, desconfiado até mesmo da decência de provar”

 

17: “Talvez hoje eu fosse mais circunspecto, menos eloqüente para tratar de uma questão psicológica tão complicada como é a busca das origens da tragédia entre os gregos.”

 

“Há porventura – pergunta para os psicanalistas – uma neurose da saúde?”

 

20: “um desejo de nada, de morte, de repouso, até o ‘sabbat dos sabbats’”

 

21: não olhar para a modernidade com qualquer esperança

 

22: “passagem do ‘matador de dragões’ (...) Não é a autêntica e verdadeira profissão de fé do romantismo de 1830 sob a máscara do pessimismo de 1850?”

 

28: (Hans Sachs, Mestres Cantores:)

“Meu amigo, esse é precisamente o trabalho do poeta,

 Observar e interpretar seus sonhos

 Acredite, a ilusão mais verdadeira do homem

 a ele se manifesta no sonho;

 Toda arte poética, toda poetização

 Nada mais é que tradução verdadeira do sonho.”

 

Parece que de um modo ou de outro eu sou um exímio artista plástico!

 

Síntese entre Sabrina e Natália: maquetes – uma exuberante de Veneza, uma Veneza encharcada; além da minha pobre micro-tentativa desleixada -, rodas de conversação no parque ou em algum lugar central de Brasília (como a Torre de TV). Desejo, amizade, falação. Paralelamente, a idiotia dos prosaicos da UnB. Gabriela fumando um charuto de chocolate! Camilla acompanhada não só da Larissa como também de seu alter-ego negro, mal-encarada, drogada; enfim, sinistra, talvez a primeira Camilla que eu não desprezasse... E encaixada nisso tudo uma revista de videogames em página/review de cores berrantes como azul-claro de fundo.

 

Por que desejaríamos o pesadelo?

 

29: “Ouvi dizer também que certas pessoas possuíam a faculdade de prolongar a causalidade de um só e mesmo sonho por três e mais noites consecutivas.”

 

30: a ilusão do eu x o caos.

 

31: “São Vito”

 

38: Rei Midas e Sileno, o tutor de Dioniso

 

44: “A Transfiguração”, de Raffaelo Sanzio

 

49: Livro IV de Zaratustra: “Eurípedes em As Bacantes, o sono nos altos caminhos das montanhas, sob o sol do meio-dia.”

 

Nada de Eros!

 

Convencer-me a mim mesmo das minhas verdades foi a coisa mais difícil que já fiz!

 

Pessoas de quem eu tenho muita raiva (talvez injustamente, dado que seu principal “pecado” contra minha pessoa foi terem se oposto a mim em momentos posteriormente reconhecidos pela minha consciência como MARCOS):

- Camila da Thomas Jefferson e sua repulsa mimada e a priori por meu jeito de ser; As Teorias Supremas.

- O jogo de empurra-empurra entre turmas do Sigma que fez da orientadora do 2º ano meu carrasco oficial;

- O professor de filosofia/história que me subestimava mais que a qualquer outro ente de 15 anos, justamente por meu brilho incipiente (sequer memorizo o nome desses detritos de carne e prenhes de articulações) – essas duas atitudes de antagonismo foram decisivas para que eu direcionasse minimamente meu destino – já era hora. Se algum dia eu precisar estar furioso para executar alguma tarefa, me darei bem se lembrar destes TRÊS.

 

“Se esse mundo tendesse a um fim, esse fim já teria sido alcançado” – eu me tornei perfeito, do ângulo da sabedoria! Nem isso, no entanto, me dissolveu. Eu quis o zero, mas o devir não cessou de vir!

 

Onde está i texto nessa dualidade som-imagem?



Escrito por a mosca filosófica às 03:51
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Eu não sou um indivíduo, eu sou só uma retaliação.

 

51: lições de perspectivismo

 

52: GATILHO DO CRIADOR – este corpo magrelo é só um receptáculo. Este Rafael classe média não passa de uma vida fortuita para receber JORROS do mundo, neste local e neste momento que estavam precisando de um afloramento COVARDE, porque desproporcional, de energia. O GATILHO – assim como Billy Elliot quando dança, quando escrevo já não sou mais eu Eu, rá, que petulância! Sou só um hospedeiro, e a caneta mais segue a natureza que uma mão humana volitiva!

 

There’s nothing to worry about...

it’s never YOU, never your fault!

Cause of the click of the forgotten...

 

O clique do esquecimento, fora mágoa e trauma de ter sido jogado nesta porquidão!

 

PSICOGRAFAR – existem outras explicações para isso!

 

Querer ser um atleta – o que representa? Vontade de reconhecimento instantâneo, de matar dragões.

 

Enquanto as tolas riem do susto que levaram com o trovão, eu não sei mais o que é susto, estou concentrado.

 

“se esquece aquilo que todos sabem” – se esquece que não há indivíduos

 

Vocábulos de Nie.: não em vão.

 

METAFÍSICA DO ARTISTA

 

“Todo o nosso conhecimento da arte é no fundo absolutamente ilusório (...) É somente no ato de criação artística e na medida em que se identifica com esse artista primordial do mundo que o gênio sabe algo da eterna essência da arte; pois, nesse estado, é então, por milagre, semelhante à perturbadora figura da fábula, que tem a faculdade de voltar seus olhos para dentro e se contemplar a si mesma; ele é agora, de uma só vez, sujeito e objeto, de uma só vez poeta, ator e espectador.”

 

As cerimônias do Ocidente foram feitas para acentuar o que há de ridículo nas pessoas.

 

Triste panorama familiar: nenhum artista. [em termos]

 

Aos medrosos: sempre remanesce uma crença, seja qual for a faxina exercida contra os dogmas. Ainda que seja a de suicidar-se, isso é partilhar um sem-número de valores.

 

Escrever um bom texto: isso é o que eu chamo de biotônico.

 

60: supressão da Política nesse 1º esboço nietz.

 

61: “o aniquilamento budista da vontade” na Grécia Antiga; Hamlet. O Homem “ridículo” e “envergonhado” do VdP. “O conhecimento mata a ação, à ação pertence a miragem da ilusão – este é o ensinamento de Hamlet.”

 

62

 

72: “Édipo em Kolonos” O passivo ativo e o ativo passivo.

 

75: Adão, Eva e Prometeu, o ariano

 

79: Platão dionisíaco!

 

82: Eurípides, o discípulo teatrólogo de Sócrates, o envenenador involuntário da Tragédia e do mito, conforme já averiguado em leitura anterior (provavelmente, “O Caso Wagner”).

 

83: “O grande Pan morreu!”

 

O que os olhos não vêem, o coração não sente, mas especula. E não há anestésico melhor do que a certeza do olho.

 

91: o paradigma da PARTICIPAÇÃO.

 

92-4 (trecho também em O CASO WAGNER): Sócrates mata essa personalidade sobrenatural tácita no artista, de modo que subsista tão-somente a capa/máscara, isto é, aquilo que antes deveria ser o corpo e hospedeiro – mas que, por não ter mais nenhuma função metafísica, perde a razão de existir, de estar aí. Esterilização do mundo. Anti-natureza. O homem como desafio, aberração, excrescência. Ilusão de que se pode mudar a História (essa própria reviravolta não passando de uma fatalidade dionisíaca, por Dioniso). Perda “agendada” do Uno de si mesmo.

 

SONHO (01/04): nuvens negras e assombro por toda parte: a chegada da catástrofe imprevisível e o pânico generalizado.

 

97: gênese do conceito de “sombra” em Nietzsche: quando seu segundo, sua segunda natureza (ou sua primeira) surge a dialoga ou então toma a palavra tiranicamente. Resta ao corpo frágil aparar as arestas ou tornar-se o pára-raio das conseqüências, com os dedos cruzados. Porém, este é um personagem que jamais pode ser chamado. Ele aparece, no nosso melhor humor.

 

E esse espírito misterioso não tem pena de bêbados eloqüentes, xarás nem mendigos! Certamente a figura do transe infantil “Rafafles” é o mais antigo registro dessa fera interior.

 

“em todos os criadores, o instinto é precisamente a força positiva, criadora, e a razão consciente é uma função crítica, desencorajadora”

 

101: sabe-se: o protagonista não morrerá. Por uma ficção anti-heróica.

 

“But everything is gonna work out fine / If it don’t, I think I’ll lose my mind, yeah!”

 

107: a ciência enquanto ócio criativo e jogo

 

Todos os postulados do niilismo.

 

109: “Quando, cheio de espanto, vê nesse limite extremo a lógica se enrolar sobre si mesma como uma serpente e morder-se a cauda – então surge diante dele a forma nova do conhecimento, o conhecimento trágico, do qual lhe é impossível suportar unicamente o aspecto, sem a proteção e o auxílio da arte.”

 



Escrito por a mosca filosófica às 03:51
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A importância apregoada ao sonho do fim da vida de Sócrates: “Sócrates se dedicando à música”. Ele que chegou às culminâncias... Se há uma teleologia do indivíduo, aquele que antes da metade da vida já é adepto do trágico fica então louco!

 

111: “renascença da tragédia”

 

O que deve ser corrigido na análise: a Música per si não define o triunfo do trágico, porque ela pode ter sido elaborada segundo a dialética socrática; ao mesmo tempo, produções culturais presentes ou vindouras podem se apresentar num formato cênico; porém com elementos trágicos predominantes, isto é, o instinto grego original sendo aquele que conduz as personagens, por trás da trama aparentemente racional.

 

114: continuação do equívoco: “reflexo da própria vontade e, portanto, represente, com relação a todo o físico do mundo, o metafísico, e com relação a toda aparência, a coisa em si. De acordo com isso se poderia denominar o mundo (...) música corporificada” Schopenhauer

 

Conclusão: não existe a variável artística proeminente/sobressalente que determine as demais. (O DILEMA ESCOLAR MARXISTA)

 

124: “O deus ex machina tomou o lugar da consolação metafísica.” HAPPY END – imagine-se Aquiles voltando pra mamãe.

 

125: “cultura alexandrina [socrática] ou helênica ou budista.”

 

138: “Parece somente que revivemos analogicamente, de algum modo na ordem inversa, as grandes épocas decisivas do helenismo e que remontamos, por exemplo, da era alexandrina até a época da tragédia.”

 

142: bazuca agora mira a universidade e o jornalismo

 

143: muito pessoal, vê-se, a tal frase cunhada mais tarde: “combater o niilismo sem inverter os valores é agravar o niilismo!”

 

Unidade nos fragmentos, seus tolos!

 

144: “Com o tirso(*) nas mãos, coroem-se de heras e não se admirem se o tigre e a pantera se deitam a seus pés, acariciando-os. Ousem ser agora homens trágicos: pois, devem ser redimidos. Vocês devem escoltar o cortejo dionisíaco da Índia à Grécia!”

 

(*) “O tirso era um bastão encimado por uma pinha rodeada de gavinhas de videira e de ramos de hera; era um dos símbolos de Dioniso.”

 

Até agora, nenhuma escancarada apologia de Wagner.

 

145: “Para sair do orgiasmo, não há para um povo senão um caminho, aquele do budismo indiano.”

 

“Em cada propagação importante de excitações dionisíacas, pode-se sempre notar que a liberação dionisíaca das algemas do indivíduo se manifesta primeiramente numa depreciação dos instintos políticos que chega até a indiferença e mesmo até a hostilidade.”

 

146: ANTI-ANTICRISTO - “Colocados entre a Índia e Roma e impelidos a uma escolha tentadora, os gregos conseguiram descobrir, com pureza clássica, uma terceira forma, a qual não foi usada por eles por longo tempo, mas, justamente por causa disso, é imortal.” Falta de vontade ou excesso de vontade.

 

“os prediletos dos deuses devem morrer cedo”

 

147: a volta do elemento onírico na dissertação

 

149: o choque fatal da barca de Tristão e Isolda como uma solução mítica, digna de Édipo! Palavras que não parecem sair da boca do filósofo!

 

O hiper-defeito de Marx: cego em relação à arte (Ideologia Alemã como panfleto político icônico). Engels, a despeito de entender “a vida como um processo contínuo” ainda só quer o fim dele. O conceito consciente de comunismo é apenas disfarce. Aloísio e Thomas estão todos no mesmo rol dos doentes caluniadores da vida. Não há diferença nenhuma entre eles, a rigor, para a análise que se aprofunde 3 milímetros na epiderme.

 

151: mérito, ou “escapatória”: enxergar (ou inserir) finalmente a necessidade do apolíneo, tão trucidado ao longo do texto.

 

154: o corpo incha e o corpo encolhe. antítese do “O que não mata...”

 

155: Aristóteles. Já lhe é antagônico.

 

“Então Prometeu foi CASTIGADO porque...” – tal não existe. o auto-aniquilamento da força – quer viver, POR ISSO, quer também morrer. “Viveu como morreu” filósofo Bart. O herói da era cristã nunca está atrás de promover o injusto! Só “consertar erros”... Existência eternamente falhada. Depois do happy end, todo herói morre. Nós tornamos o mundo imperfeito para que, durante o grande jogo, ele tenha realmente ares de perfeito.

 

P. 159 – o que jamais esperei ler: “com um exame rigoroso cada um (...) [vai] chegar (...) por intermédio de abstrações, a acreditar numa existência real do mito no passado.” Eu sou o único que registrou, compilou, sistematizou seu mito originário? O príncipe loiro que veio trazer o Mau. “As imagens do mito devem ser os guardas demoníacos, invisíveis e onipresentes, propícios ao desenvolvimento da alma adolescente e cujos sinais anunciam e explicam ao homem sua vida e suas lutas”

 

163: exortação à guerra ariana

 

168: A FÁBRICA DE MITOS – ah, o que Nie. não pensaria do Cinema? Aí está a resposta! Começou com música e depois se tornou “dialógico”. Mas só na aparência! Ao inverso da promissora ópera wagneriana. É, na essência, mitologizante dionisíaco! Canto de torcida: “Ô, o mito voltô!”.

 

É porque 90% dos expectadores de filmes são passivos e não modificam suas vidas, nada aprendem, que eu tinha uma aversão metafísica pelo gênero? Preferia livros, moldadores de caráter? Só assim eu aceito “participar”: música e outros que reflitam nos meus próximos passos. [escolher: meditar ou trabalhar – parece que de nenhuma forma se é mais do que um zumbi]

 

“Não escrevo tratados; estes são para asnos e leitores de periódicos”



Escrito por a mosca filosófica às 03:50
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LA ROCHEFOUCAULD

23/03/10-28/03/10

 

Mascaramento de imperfeições – exemplo: “Eu não posso. Logo, eu não quero.”

 

P. 16 – devidamente transposto no século XIX! – “Há no coração humano uma geração perpétua de paixões, de modo que a ruína de uma é quase sempre o estabelecimento de outra.”

 

“somos muitas vezes firmes por fraqueza e audaciosos por timidez.” (*)

 

“Os homens odeiam até mesmo aqueles que lhes prestam serviços e deixam de odiar aqueles que os cobriram de ultrajes.”

 

“a moderação dos homens em seu mais alto grau é desejo de parecer maiores que sua fortuna.” Nem muito feliz nem muito cabisbaixo publicamente: assim espanta-se o mau agouro dos invejosos e a compaixão destrutiva dos piedosos.

 

18: “excetuando-se sua enorme vaidade, os heróis são feitos como os outros homens.”

 

“Nem o sol nem a morte podem ser encarados fixamente.”

 

(*) desfecho de Zaratustra: a verdade é que o anfitrião deveria ter sido mais duro com os visitantes desde o início, mas sua reação retardada mostrou ser a melhor de todas. Porque nós, metade tiranos, tiranos do espírito, temos pena dos outros, mas não de nós mesmos. E aí somos cruéis ao máximo com os outros, indiretamente (mas em cheio), assim que ficamos com raiva do nosso próprio sentimento de pena.

 

Mais uma: “O mal que praticamos não atrai tanta perseguição e ódio quanto nossas boas qualidades.”

 

“Se inveja matasse...” aparentemente não foi cunhado por ele. Músicas: “A Inveja é uma Merda”; “Ciúme de Você”.

 

“Nanee, você assassinou a Nanee! Quero aquele antigo espectro de volta!”

 

A diferença entre ciúme e inveja: “merecer” ou não uma coisa. Têm inveja da minha escrita, eu sou enciumado de mestrandos burros.

 

“O ciúme se alimenta nas dúvidas”

 

“Eu quero que você seja feliz!” – quanta maldade nesse desejo!

 

O mito do amor crescente – talvez os mais nobres  sentimentos devessem ficar incomunicáveis.

 

O orgulho é constante numa vida – o problema é que ele se disfarça em “orgulho silencioso” quando o amor-próprio não é mais exteriorizado, seja porque se o percebeu ofendido e atacado pelos outros seja porque simplesmente é-se mais virtuoso, e isso encolhe a vaidade e a pavonice: a tranqüilidade da superioridade. Ou seja: palavras viram desprezo. O maior tagarela e prosador torna-se o maior desprezador.

 

“Nathy, não se mate” – Natália deveria querer dizer: esperança.

 

Eline deveria querer dizer: vontade de dar descarga. Uma escatologia.

 

21: pena dos bilionários: “Por diferentes que sejam as fortunas, há, contudo, certa compensação de bens e de males que as torna iguais.”

 

22: o ideal de pobreza dos filósofos; maus do século XVII; do humor.

 

24: “Ocorre com o verdadeiro amor o mesmo que com a aparição de fantasmas: todos falam deles, mas poucos já os viram.”

 

“Um ingrato pode ser menos culpado de sua ingratidão que aquele que lhe fez o bem.”

 

28: “É uma espécie de galanteio fazer notar que nunca usamos galanteios.”

 

Espírito: o enganador. Coração: suas verdadeiras disposições.

 

“Os defeitos do espírito, como os do rosto, aumentam com a idade.”

 

“O que mais liberalmente damos são conselhos.”

 

“fazemos o bem para podermos impunemente fazer o mal.”

 

30: “O uso contínuo da astúcia é a marca de um espírito pequeno.”

 

Talvez possa antecipar a síntese máxima desse livro: que nossa força reside em sermos seres fracos. Sempre obtemos bem mais do que parecemos capazes de fazer. Nós, as pontes, nós os comediantes, nós que tratamos bem a maioria dos interlocutores – não há como não surpreender! Ex: o dia dos óculos e dos 60 reais. Quem pode acreditar no Diogo, o Menino-Lobo?

 

“Há pessoas que jamais teriam se apaixonado se não tivessem ouvido falar do amor.”

 

“Preferimos falar mal de nós mesmos a não falar de nós.”

 

“procurar tão insistentemente agradar a si mesmo é um meio equivocado de tentar agradar aos outros ou persuadi-los”

 

“Um homem de espírito haveria de ficar com freqüência muito embaraçado sem a companhia dos tolos.”

 

Sob várias formas ao longo do livro: “A natureza faz o mérito e a sorte lhe dá emprego.”

 

Eu tenho bons motivos para gostar mais do que deveria do som da minha própria voz...

 

36: “O que nos leva a apegar-nos à novas amizades não é tanto o cansaço que temos das antigas ou o prazer de mudar, quanto o desgosto de não sermos admirados por aqueles que nos conhecem demais e a esperança de sermos mais admirados por aqueles que não nos conhecem.”

 

“Esquecemos facilmente nossos erros quando somente nós os conhecemos.”

 

“Quem vive sem loucura não é tão sensato quanto pensa.”

 

49: “A distância diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e acende o fogo.”

 

“Há maus que seriam menos perigosos se não tivessem nenhuma bondade.”

 

“Por que é que temos bastante memória para reter até nos mínimos detalhes o que nos aconteceu e que não tenhamos bastante para lembrar quantas vezes os contamos à mesma pessoa?”

 

53 (314): o caso do Arthur: ora, se meu texto se mantinha interessante a cada passagem, não seria por tratar justamente da vida dele?

 

“Por vezes supomos odiar a bajulação, mas só odiamos a maneira de bajular.” Thomas Edson, o adulador-palhaço.

 

“É mais difícil ser fiel à amante quando se é feliz do que quando se é maltratado.”

 

“As mulheres desconhecem toda a sua afetação.”

 

“O sotaque da região em que nascemos permanece no espírito e no coração, como na linguagem.” (???) – dilema brasiliense. P.S.: como os gaúchos – as gaúchas – são orgulhosas (vaidosas?) da sua própria voz! Nisso, já beiram a xenofobia!



Escrito por a mosca filosófica às 00:27
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“O maior milagre do amor é curar da afetação!”

 

“É muito difícil romper quando a gente já não se ama.”

 

“Aborrecem-nos quase sempre aqueles com quem não é permitido se aborrecer.”

 

“Somente as pessoas que evitam causar ciúmes é que são dignas de que se tenha ciúmes delas.”

 

“O ciúme nasce sempre com o amor, mas nem sempre morre com ele.”

 

“Sabe-se muito bem que não se deve falar da própria mulher, mas não se sabe suficientemente que menos ainda se deveria falar de si.”

 

“As violências a que nos submetemos para nos impedir de amar são muitas vezes mais cruéis que os rigores de quem amamos.”

 

“Quase todos os jovens pensam ser naturais, quando são apenas mal-educados e grosseiros.”

 

Testar a fidelidade da amiga: eu deveria ter beijado a Maria!

 

“A inveja é destruída pela verdadeira amizade”

 

60: “A violência que nos fazemos para permanecer fiéis a quem amamos não vale mais que uma infidelidade.”

 

“Ela não era bonita” – a flecha do cupido demora muito até ser retirada.

 

“Perde-se às vezes o ar burguês no exército, mas nunca na corte.” – distinguir-se pelo valor, não pela afetação. Talvez fosse o remédio para os mais esdrúxulos dessa classe média candanga, principalmente dessa ralé empertigada dos cursos de Direito.

 

“Guarda-se por muito tempo o primeiro amante, enquanto não se arranja um segundo.”

 

“O que menos se encontra no galanteio é amor.”

 

Sonho 25/03/10: Gabriel manipulou minhas fezes.

 

A Filosofia é útil para o passado e o futuro, mas não serve para o presente.

 

Quanto mais distante a perspectiva da qual se observa a vida, menos ela faz sentido. Hoje, aqui, tudo é plenamente coerente.

 

“As afetadas se sentem honradas com os ciúmes que têm de seus amantes, para esconder que têm inveja das outras mulheres.”

 

Mais uma vez a pergunta: com quantos anos teria escrito o livro? Humano, Demasiado Humano, Aurora, dentre outros, aparentam uma idade muito mais precoce de seu autor, embora chegue a divagar sobre a terceira idade.

 

“Poucos sabem ser velhos.”

 

“As mulheres que amam perdoam mais facilmente as grandes indiscrições que as pequenas infidelidades.”

 

“Nada impede tanto ser natural que a vontade de sê-lo.”

 

“É mais fácil conhecer o homem em geral que um homem em particular.”

 

“Não desejaríamos praticamente nada com ardor, se soubéssemos perfeitamente o que desejamos.”

 

“Tratamos de nos orgulhar dos defeitos que não queremos corrigir.”

 

“A velhice é um tirano que proíbe sob pena de morte todos os prazeres da juventude.” 69

 

“Nas primeiras paixões as mulheres amam o amante [lato sensu] e nas outras, amam o amor.”

 

Nada consolador: “Por mais raro que seja o verdadeiro amor, é ainda mais raro que a verdadeira amizade.” Tradução estranha (?). Eu não usufruí nem de um, nem da outra.

 

“A vontade de ser lamentado ou admirado constitui muitas vezes a maior parte de nossa confiança.”

 

Consolador: “A mesma firmeza que serve para resistir ao amor serve também para torná-lo violento e duradouro e as pessoas fracas, que são sempre agitadas pelas paixões, quase nunca a têm verdadeiramente.”

 

“A timidez é um defeito perigoso de repreender nas pessoas que queremos livrar dela.” “Tímido, você? Haha, imagina!”

 

“Quando temos o coração ainda agitado com o que resta de uma paixão, estamos mais perto de sermos invadidos por uma nova do que quando inteiramente curados dela.”

 

“Geralmente só se conta o primeiro galanteio das mulheres depois do segundo.” (???) Chance de não dar certo?

 

Aforismo 500: “Há pessoas tão centradas em si mesmas que, quando estão apaixonadas, encontram meios de se ocupar de sua paixão sem se ocupar da pessoa que amam.”

 

74: consideração sobre os suicidas e outros. O diário problema da morte. O mais divertido é que a morte em si não existe – mas a reputação é um pós-morte vivido na vida muito importante! Um suicida é, no mínimo, muito mais nobre que qualquer fiel de religião. Porque isso se chama: viver a vida com covardia. Não adianta parasitar um organismo que desejaria ser suprimido dessa maneira anêmica.

 

2ª PARTE

 

79: um pouco de História.

 

80: um pouco das possessões e viagens ilustres do La Rochefoucauld.

 

81: sobre a relatividade da beleza – quando as menos belas desbancam as mais belas.

 

As frases da 1ª parte ajudam bastante aqui, dados os vocábulos dos quais o autor retira um significado bastante específico e “de época”, como “humor” ou “espírito”; mas, na realidade, é bem provável que estes parágrafos maiores tenham sido escritos antes e aí sim La Rochef. engastou e poliu suas pérolas, já que a arte dos aforismos do sábio é mais bem-elaborada e marcante.

 

87: a inevitável beleza da espontaneidade infantil.

 

Exatamente o que vinha pensando mais dia, menos dia: o retrato da decadência desta sociedade é que o adulto é sempre feio, não se sente confortável. Educação falha – super-coação dos poucos que tentam prosseguir mais ou menos na mesma marcha harmônica. “Isso é o certo para a sua idade” – padronização; rejeição das atitudes e hábitos dos bem-nascidos, como intolerância ao seu perguntar incessante, ao seu falar e ao seu contar, risadas a suas observações ingênuas. Coação dos próprios moleques já pervertidos a um estilo absolutamente bárbaro e fanfarrão – mesmo Aquiles passaria belos anos de tormenta no mar antes de voltar pintado de ouro, desta socialização que tentou vencê-lo (para não falar de Ulisses). Hoje até os homens são super-afetados. “Mantenha a boca fechada, você fica parecendo bobo assim.” “Cada um quer ser outro e não ser mais o que é” – cena do terno – cinema blasé. No carro, chuva e engarrafamento para o baile. Os jovens não percebem sua macaqueação e o lança-perfume coletivo. “Uau, você tem um estilo próprio!” – explicação do corpo sui generis? “Você fica bravo quando escuta música?” – talvez eu lance um CD sampleado com “Vozes do Rebanho – greatest hits”. “Fuleiro buddy” “corta esse cabelo” Joegouldzada – “metaaaal...”, “hey”... O mesmo problema de Stuart Mill. “Sabe que que eu tava pensando?” “Eu quem, cara pálida?” SOCOS QUE NÃO DOEM...

 

CRÍTICA AO MODERNO: faltam salões amplos.

 

104: ilusão de que se pudesse salvar alguma coisa: “não temos a força de terminar voluntariamente e, no declínio do amor como no declínio da vida, ninguém pode decidir-se a prevenir os desgostos que deverá ainda experimentar.”

 

108: homem, o super-animal

 

“Sujeito torpe, lento e burro!”

 

119: as semostradeiras e sua paixão por velhos que “já foram alguma coisa”. A Eline não morreria como boa puta sem esse grand finale.

 

122: anti-magrelada: “Pode-se ter ao mesmo tempo um ar sério no espírito e dizer muitas vezes coisas agradáveis e alegres” “Os jovens têm usualmente o espírito alegre e zombeteiro, sem o terem sério, e é isso que os torna muitas vezes importunos.”

 

125: “Que pessoas teriam começado a se amar se elas se tivessem visto antes como se vêem na seqüência dos anos?”

 

128: me sinto um velho

 

134: os loucos da família real de Portugal

 

135: as realezas abdicantes



Escrito por a mosca filosófica às 00:25
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EXTENSÃO DOS COMENTÁRIOS PASSADOS

[10-19/03/11]

 

Da desilusão histórico-maníaca nietzschiana ou a sucessão ad infinitum de erros humanos no projeto de consecução da transmutação de todos os valores. No final de O Anticristo – mas não só deste livro, e costumeiramente assim que realmente vai se acercando do fim do que ia dizer – é clarividente o tom lamurioso, a oscilação, provocados pela narrativa de momentos cruciais em que o homem moderno ou ainda o homem antigo mais tardio falhou ao intentar a milenar inversão de valores, fosse com a desagregação/implosão do Império Romano; o retrocesso da Renascença; ou as Cruzadas e a expulsão dos mouros. É como se insidiosamente o devir brindasse o homem sedento pela volta da nobreza com uma irônica solene recusa. Cabe todo esse descontentamento? Ele deve ser considerado válido dentro da habitual lógica nietzscheana? Que outras lições advêm daí? As características da nostalgia e do remorso são realmente chamativas em sua obra. Poderia isso querer dizer que, em que pese tudo, que a realidade empírica do homem seja transfigurar-se em seu ideal, ainda assim o ocaso e soçobramento do niilismo estão fora de questão? O que garante a ocorrência, por fim, desta tal “guerra santa de indivíduos” e o desmantelamento dos Estados-nações? De Sócrates a Lutero, Napoleão, César Augusto e César Bórgia e Maquiavel, ele parece não aceitar a efemeridade do gênio ou a faceta obscura dessas populações privilegiadas [mentira!]. Devemos assumir no mínimo que ninguém está isento de cometer seus errinhos, erros e grandes gafes.

 

Por que eu estou sonhando com elementos perigosos e assassinatos?

 

A metáfora do Sol (19).

 

“Zaratustra quis voltar a ser homem”

 

Este sou eu que, na primeira vez em que li esta obra a sério – era Anna Clara/Ranna –, estava sufocado e necessitando me apartar. Hoje o movimento é reverso, também na pureza. [Andando em círculos...]

 

Eis a segunda pele.

 

“Eu não dou esmolas. Não sou pobre o bastante para isso.”

 

22: vítima do mal-entendido geral

 

28: o “homem da morfina”

 

31: representando uma comédia

 

38: “deserto”, “dragão”; a solidão do sábio, as agruras e a moral do mundo ocidental.

 

39: eu já sou a criança

 

40: a luta do dia-a-dia. Para o insone. É preciso cair desprotegido, acabar com o ranger de dentes.

 

Sobre com que pessoas não é funesto lidar rotineiramente: “Gosto muito também dos pobres de espírito. Favorecem o sono. São bem-aventurados, mormente quando se lhes dá sempre razão” – exemplo perfeito: Douglas. Não estão carregados como o camelo, aceitam observações com simplicidade, não são mal-intencionados.

 

43: metafísica antropomorfa

 

Eu tenho mãos e pés! O que mais eu poderia querer?

 

Um maldito com uma navalha ensaiou a destruição do cosmo!




Escrito por a mosca filosófica às 18:09
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46: “Teu Em si se ri de teu Eu e de seus impulsos arrogantes.” O belo diálogo – ou ordens unilaterais – do instinto (do corpo, da matéria!) à consciência.

 

Eu estou em busca de um exército! De certa fama “diferente” na cidade. Um respeito mesclado com temor. Como andar sempre no limbo entre o imprestável e o impecável, porque pecaminoso mesmo é fracassar por excesso de uma só coisa, hipertrofia de uma convicção, quer dizer, do olho que agora nada vê. Cornucópia que pretende ser uma armadilha de coelho ou rato para afastar toda a fauna exótica – tipos como a Soneca apolínea – e me distrair de mim mesmo.

 

50: Sonhei que eu maltratava uma espécie de ave. Talvez uma galinha, como nesta página, ser de constituição tão frágil – agarrava-a de preferência pelo pescoço e o apertava para que ela desmaiasse e parasse de resistir. Não sei se ia comê-la ou aquela atitude era um fim em si. Em outro setor, eu também era uma espécie de triplo garanhão. Tinha uma proto-namorada que levava pra sair muito parecida com aquela tal Kath, amiga envolvente e charmosa da Patrícia (às vezes o vulgar tem o dom de ser rodeado de coisas muito interessantes).

 

51: Raskólnikov

 

52: escrever com o sangue

 

“Mais um século de leitores e o próprio espírito terá mau cheiro.”

 

“meu demônio (...) o espírito da gravidade”

 

“amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas estamos habituados a amar.

  Há sempre algo de loucura no amor, mas também há sempre algo de razão na loucura.”

 

63: “Onde acaba o Estado – Olhai para lá, meus irmãos! Não conseguis ver o arco-íris e as pontes que levam ao super-homem?”

 

“Você não tem idéia do que eu passei para chegar até aqui!” John Locke, o melhor deles

 

65: as muriçocas

 

69: miscelânea de outros aforismos

 

“Teu sonho deve revelar-te o que faz teu amigo quando desperto.”

 

73: “Os mais afastados são os que pagam seu amor ao próximo e desde que vos reunis em cinco, um sexto é que vai morrer.”

 

79: contornos de o que não mata fortifica

 

“Enfim, meus irmãos, evitai ser injustos com os solitários. Como poderia um solitário esquecer? Como poderia tomar medidas?” – porém, se é para transgredir a regra, fazer com vigor. Se for um grande homem, esta cicatriz o edificará; se for um inútil, é melhor um verme sem pernas, porque de outro modo – aberração!

 

83: a constante alegoria da flecha. Estás aqui, há ainda muito por viver...

 

“Que filho não teria razão para chorar por causa de seus pais?”

 

“mesmo o mais astuto compra suas mulheres às cegas.”

 

“Muitas breves loucuras, isso é que chamais amor. (...) casamento (...) tolice prolongada.”

 

86: a cidade de “Vaca Malhada”. Uma tarde de sabedoria.

 

“Solitários de hoje, que viveis marginalizados, algum dia devereis chegar a ser um povo. De vós que vos escolhestes a vós mesmos, deverá surgir e crescer um povo eleito, do qual nascerá o super-homem.”

 

Todos são apenas macacos imutáveis – eu sou o único em movimento. Caricaturas de desenvolvimento: Aloísio, Lorena, Nilton, Francis, Antonielle, Delângelo, Marina, Diego Maconha, Eline, Weber, Anderson, Renato, Melina, Raquel, Patrícia, Camilla... Todos estagnados diante da própria essência. Hoje eu sou um ponto, uma estrela, no firmamento de Bruno, Ranna, Eduardo, Bianca, Martino (!), Nayla, Raphael... Em breve terei feito os mais velhos comerem poeira cósmica: Saulo, Arthur, Maria Paz... e o que subsistirá? Os mortos, os clássicos... O insondável.

 

“Na verdade, vos aconselho: Afastai-vos de mim e precavei-vos contra Zaratustra! Melhor ainda, envergonhai-vos dele! Talvez vos tenha enganado!”

 

“E o grande meio-dia será quando o homem estiver na metade de seu trajeto, entre o animal e o super-homem, se mantiver firme, como sua esperança suprema, e festeja seu caminho para o acaso, porquanto será o caminho para uma nova manhã” “E o sol do conhecimento atingirá seu zênite.”

 

96: desaguar no mar

 

Não parece estranho que nunca tenha sonhado, ao longo desses anos todos, nem tenha ouvido relatos a respeito, que eu mesmo fosse deus, que de algum modo adquiria a onipotência – mas esse sujeito é aquele que sabe que num instante vai acordar? Thomas Edson, o último discípulo viúvo, me persegue nessas representações, como um lado gosmento e sórdido da inconsciência superada.

 

“Em torno de nós reina o outono” – últimos dias, última semana, do verão.

 

99: “Se existissem deuses, como poderia eu suportar não ser um deus? Por conseguinte, não há deuses.”

 

106: “Nunca houve até hoje um super-homem”

 

116: sobre o iminente uso indevido dos postulados de Zaratustra

 

117: o asno

 

(Aqui jaz uma aranha, esse velho Deus.)

 

123: a sensualidade e a dança

 

125: sobre a perda de amigos

 

136: “Em meus filhos quero remediar o fato de ter sido filho de meus pais. E, no futuro todo, quero remediar este presente.”

 

145: da sucessão dos poetas. Sensação de descrever o inefável em vão.

 

147: preservai os monumentos

 

156: para se livrar de Hegel

 

“É difícil viver entre os homens porque é muito difícil calar. Sobretudo para um falador.”

 

“e aquele que quiser permanecer limpo entre os homens deve aprender a lavar-se em água suja”

 

159: para não se conspurcar – pelo contrário, tirar proveito! – na companhia de Aloísios... Certa alegria de enfiar a mão num aquário com peixes amarelos, todo-prosas e exóticos...

 

“Até acredita em vossas mentiras, se mentis bem a respeito dele, porque no fundo do coração suspira: ‘Quem sou eu?’”

 



Escrito por a mosca filosófica às 18:06
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168: “Bendito seja aquele que endurece!”

 

173: o anão e o eterno retorno / o pórtico do “instante”.

 

174: o jovem e a temerária serpente em sua boca

 

182: não há teias e fins, mas dados e jogadores

 

191: fugindo do bem-bom, do conforto de um Aloísio, ou mediocrísio?

 

193: Estado e Capital

 

195: “Aquele que foi de minha têmpera tropeçará em seu caminho com aventuras iguais às minhas, de forma que seus primeiros companheiros só poderão ser cadáveres e palhaços.

  Seus segundos companheiros, porém, serão chamados seus fiéis: um enxame animado, muito amor, muita loucura, muita veneração juvenil.

  A estes fiéis não deverá ligar seu coração aquele que dentre os homens for de minha índole. Nessas primaveras e nesses prados de variadas cores, aquele que conhece não deve dar confiança à fraca e fugitiva espécie humana.”

 

Te conheço de algum lugar, mendigo!

 

“Para ti, é uma vergonha rezar!”

 

“Não consiste precisamente a divindade em haver deuses, e que Deus não exista?”

 

200: cena digna de Ulisses

 

“Esquece-se o que os homens são quando se vive com eles.”

 

208: o artista de si mesmo: “Há também outros cantores que não têm a garganta expedita, a mão eloqüente, expressivo o olhar e o coração desperto, senão quando têm a casa cheia. Não me pareço com eles.”; o espírito do peso.

 

219: o grande déspota que manipula o passado.

 

224: “E algumas invenções são tão boas que, como o seio da mulher, são úteis e agradáveis ao mesmo tempo.”

 

Quando não se vê mais perspectiva: dormir.

 

229: “A sociedade humana é uma tentativa, assim eu ensino, uma longa investigação, mas uma investigação de quem manda.

       Uma tentativa, meus irmãos, e não um ‘contrato’.”

 

Como é ruim acordar assustado e gritando! Isso sempre acontece quando se está por demais cansado... Três vezes... Não abras a porta depressa!

 

233: o pensamento abissal

 

E aquele que cai doente, sem quem lhe dê de comer?

 

Os animais antropomorfos de Zaratustra – fiéis escudeiros – a meio caminho?

 

“A todos os momentos a existência principia. Em torno de cada aqui, gira a bola acolá. O centro está em toda parte. A senda da eternidade é tortuosa.”

 

235: novo círculo, nova serpente. Velho expediente. Declaração de morte à metafísica.

 

A voz humana, tão frágil!

 

“o canto é o que convém a convalescentes” – nenhuma música me agrada quando estou de cama.

 

238/9: “Ensinar que há um grande ano de devir, um ano monstruoso que, à semelhança de um relógio de areia, tem sempre que se voltar novamente para correr e se esvaziar outra vez.” “O nós das causas em que me encontro tornará a criar-me! Eu mesmo pertenço às causas do eterno regresso das coisas.”

 

249: “Todas as palavras não foram feitas para os que são pesados? Não mentem todas as palavras ao que é leve? Canta! Não fales mais!”

 

Ah, a falta que faz olhar o mar! Isso nem tem como eu saber!

 

279-284

 

287: o nojo da elite

 

291: “Tudo é permitido.”

 

Dormi talvez uma vez despreocupadamente sobre a relva. E fui acordado por um velho comediante.

 

“Não cantes! Silêncio! O mundo é perfeito.”

 

294: a hora sagrada: “O mundo não acabou nesse instante de se tornar perfeito?”

 

299: referência à Alemanha; “este sábio do oriente”.

 

303: paródia da Bíblia. Mas esta é o livro todo! Ausência da mulher em qualquer candidato.

 

310: Natália e o atavismo: “Que aconteceria se aquele, cujo pai foi afeiçoado às mulheres, aos vinhos fortes e aos javalis, exigisse de si castidade?” Cerveja e masturbação. Há de alguma forma uma pureza em quem passou a vida ao lado de uma única e jamais experimentou entorpecentes ilegais. Eu: alguém que não teve coragem de se servir de uma prostituta. Mas não devemos fazer propaganda, e por dois motivos. Não esquecer também da outra metade da família. TRABALHADORES. DESPREZADORES. Eu que não amo minha ascendência. Por isso é que eu acho: numa briga de vida ou morte com alguém fisicamente mais forte, eu levaria vantagem. O BRAVO. Sou o escriba encarregado de sistematizar as qualidades dos meus últimos parentes?

 

312: “Todas as coisas boas chegam a seu tempo por vias tortuosas.”

 

322: o homem, emulador de todos os animais

 

328: a Europa aleijada

 

Não deixa de ser feliz, esse crepúsculo dos ídolos! Como morrer com morfina...

 

Qual a liturgia nova? Orgias e danças? Combates. Dados. Olhar-se no espelho. Escrever.

 

As Cinderelas

“A meia-noite é também meio-dia”

As últimas 12 horas conhecidas de Zara. (ou 24)

 

“se algum dia quisestes que uma vez se repetisse, se algum dia dissestes: ‘Agradas-me, felicidade! Instante, momento! Então quisestes que tudo retornasse.”

 

“Toda a alegria eterna suspira pelas coisas malogradas.”

 

Que fazer, eu que nem os animais ideais tenho?

 

LUTADOR-VIDENTE-SONHADOR-MEMORISTA

 

346: Imagina teu futuro mais funesto, e lento! Isso será razão para praguejar? Só temos voz para o presente. Se bem que o presente é um elo de uma cadeia, que o comanda, ele mesmo um dos líderes dessa cadeia. Aqui fala um soberano e eleito, elo da cadeia fenomenal chamada humanidade, esta uma das argolas do colar chamado mundo! Aqui não se trata de bijuteria, pois não se pode quebrar, cada peça precisa ser mais maleável que a borracha e mais resistente que o diamante! Então o que eu digo, petulante, hoje? Para ser frase eterna, que seja: já muito eu venci... Justifiquei-o?



Escrito por a mosca filosófica às 18:05
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A MORTE DO SUPER-HOMEM

Por que os velhos medalhões ainda sobrevivem nas HQs norte-americanas? Afinal, são eles que vendem? Você preferiria comprar uma revistinha do Homem-seilaquê que acaba de ser inventado da cabeça de um maluco ou mais uma do interminável Super-Homem, que já morreu e reviveu trocentas vezes? Está batido? Ou para quem tem carisma isso não importa? Os novos roteiristas e desenhistas dão realmente novo fôlego para as tramas? Ou não passa de uma leve brisa? Não se corre o risco de queimar a boa imagem de um antigo sucesso de sagas passadas? São tantas perguntas que giram em torno da Nona Arte...

 

Em segundo lugar, você sabe o porquê da morte do Super-Homem, aquele famoso gibi que muitos têm em casa, já leram pelo menos uma vez ou podem comprá-la, em todo caso, com 3 cliques do mouse? Vamos embarcar numa pequena viagem no túnel do tempo até 1993, para mostrar que a ficção sempre está conectada intimamente com a realidade que vivemos. A idéia do autor do blog era traduzir o artigo que segue já há vários anos, mas sempre lhe faltaram o tempo e a ocasião. Agora vai:

 

* * *

 

O Homem de Aço, que rotineiramente salvou o planeta das garras de invasores demoníacos, está morto. O Super-Homem se foi. As futuras gerações crescerão sem saber do slogan “É um pássaro? É um avião? Não, é o Super-Homem!” [não sinto que tenhamos chegado a tal ponto!]. No último novembro [vide data ao final do artigo], o Super-Homem foi morto por Doomsday [algo como O Dia do Juízo Final, numa tradução pouco inspirada para um vilão], um alienígena provindo de algum asilo cósmico insano.

 

O Super-Homem nasceu em 1938. Apareceu em uma época em que parecia que super-homens eram necessários para derrotar Hitler, Mussolini e Hirohito. Ele penetrou a Cortina de Ferro com sua heróica defesa do american way of life, isto é, o estilo de vida consumista por excelência, contra o despotismo soviético. Com exceção da sua vulnerabilidade à kryptonita, o Super-Homem era imune a qualquer dano físico. É o que o fez um sucesso de crítica no passado e tão fora de moda hoje.

 

O Super-Homem morreu não porque, como o New York Times alega, Hollywood criou uma duplicata horrenda sua; ele morreu porque seu país não admira mais super-heróis. Após anos de escarnecimentos de heróis, quando a força física foi sendo subordinada à sensibilidade – a maior virtude da nova era -, é compreensível que o um super-humano tenha de partir. Seu modo de agir era inconsistente em uma era de ambigüidade moral e padrões sexuais andróginos.

 

Clark Kent usava de sua acurada visão do último andar do Planeta Diário para checar a cena de Metropolis. A cada crime, respondia mudando de identidade para o Super-Homem, com sua capa, e voava para resgatar quem quer que fosse que estivesse em apuros. Mas As Notícias do Dia, não-raro associadas com o Planeta, estão em problemas financeiros talvez irrecuperáveis; o Super-Homem não poderia reconhecer sozinho o caos nova-iorquino do momento; e pessoas relativamente frágeis como Lois Lane e Clark Kent não poderiam sobreviver nessa selva de pedra.

 

Não existem cabines telefônicas que servissem de provador para Clark Kent. O céu da maioria dos centros urbanos está cheio de aviões num vaivém infernal; o Super-Homem seria desastroso para o tráfego aéreo. Aliás, o interesse de Clark Kent em Lois Lane mais pareceria assédio sexual a nossos olhos. O Super-Homem que conhecemos não era um cara exatamente angustiado; ele só cuidava do seu negócio de dar o que os malvados mereciam sem nenhuma concessão à decisão de Miranda.

 

O Super-Homem como herói nada tem a ver com os anti-heróis de hoje em dia. Estamos atrás de figuras atormentadas psicologicamente. Esperamos por falhas e apostasia ocasional; pessoas de profunda convicção, decididas e firmes, são virtualmente irreconhecíveis no cenário cultural do presente.

 

O Super-Homem tomou apenas o mesmo rumo de tantos outros de sua geração. Joe Palooka foi enterrado junto com o Capitão Marvel. Ainda assim, o Super-Homem tinha um traço de diferença: era mais importante e duro na queda que o resto; ele achava a paralisia legislativa e a atividade burocrática da polícia coisa de gente fraca; tomava suas decisões na marra.

 

Uma coisa que tornava o Super-Homem tão incomum é que desafiava a gravidade. Quando foi inventado, mal havia veículos identificáveis no céu azul. Agora todo mundo voa, foguetes já levaram o homem à lua. A tecnologia passou a perna no Homem de Aço. Ele podia parar uma bala no meio do caminho; podia voar mais rápido que a melhor aeronave turbinada de sua época e podia penetrar o aço, daí seu codinome, com raios infra-vermelhos ejetados de seus olhos. Tantas proezas que qualquer mortal da primeira metade do século XX gostaria de poder fazer foram perdendo o encanto paulatinamente, principalmente aos olhos dos mais jovens, que iam crescendo testemunhas de mágicas visuais da televisão cada vez mais incríveis. Diante da correria do mundo moderno, o Super-Homem foi virando sinônimo de brandura.

 

Há rumores da ressurreição do Super-Homem. Mas não estou convencido de que irá acontecer. De qualquer forma, não me parece razoável imaginar que esse evento despertará muito interesse. O Super-Homem é um anacronismo, um modelo de uma era vencida em que a virtude importava, a moral não era relativa, e a distinção entre bem e mal não exigia tanta ruminância. Clark Kent era um homem simples, com um senso de justiça de um americano médio. Quando não desempenhava o papel do seu alter-ego, ele poderia ser confundido com Tom Sawyer, uma espécie de Adam americano.

 

É claro que haverá novas revistas em quadrinhos de heróis, mas eles ficarão cada vez mais semelhantes com suas contrapartes do audiovisual. O Super-Homem pairava sobre a constelação de heróis, era o Zeus a se emular. Seu sacrifício vem, afinal de contas, pelo bem do público.

 

Ressentir-se-ão pela ausência do Super-Homem. Mas vão se ressentir pela virtude com ele perdida ainda mais.

 

* * *

 

“A Morte do Super-Homem” era uma edição da revista em quadrinhos Superman que dava seqüência ao número 75 (janeiro de 1993) que servia como catalisador para a linha de gibis da DC daquele ano, compilando várias outras produções, mas que levava o título chamativo de A Morte e O Retorno do Super-Homem.

 

O enredo foi um grande evento midiático. Sua premissa era tão simples quanto o nome da peça: o Super-Homem entra em combate com uma máquina mortífera aparentemente imparável chamada Doomsday nas ruas de Metropolis. No final da luta, ambos caem sem vida.

 

O crossover maior de que essa história fazia parte captava a reação mundial à morte do Super-Homem em “Funeral para um Amigo”, apresentando quatro postulantes a sucessores do legado do herói, e o eventual retorno do Super-Homem original no capítulo “Reino dos Super-Homens!”.

 

A história foi concebida pelo editor Mike Carlin e o time responsável pelos scripts do Homem de Aço de 1991 a 1993: Dan Jurgens, Roger Stern, Louise Simonson, Jerry Ordway e Karl Kesel. A decisão veio em resposta às vendas decadentes e encontrou grande êxito comercial. A publicidade foi de nível internacional. A ponto de virar notícia em inúmeros jornais. Embora nunca na primeira página, estava em situação de destaque.

 

A seguir, um spoiling detalhado da plot:



Escrito por a mosca filosófica às 17:59
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1. Doomsday!

 

Na última página da edição anterior a Superman: o Homem de Aço #18, um punho envolto em luva era mostrado se chocando com uma parede de aço, no que havia a legenda: “Doomsday está chegando!”. Nesse exemplar, o Super-Homem luta com monstros do submundo enquanto um troglodita vestido de verde avança por um pasto. Essa é a primeira etapa das 7 que a Morte do Super-Homem engloba, propriamente. Continuaria em todas as quatro diferentes séries do Super-Homem rodando àquele período [revistas com subtítulos diferentes a chegar às bancas simultaneamente, com outra numeração, mas estrelando o mesmo personagem, com equipes de roteiro diferenciadas – ou seja, como que em mundos paralelos, dos quais a Metropolis de “o Homem de Aço” era só mais uma delas]. E, ainda, na Justice League America, até culminar na Super-Homem #75 [note que se trata de uma série bem mais antiga que a Homem de Aço].

 

A Liga da Justiça (Guy Gardner, Blue Beetle, Booster Gold, Maxima, Fire, Ice e Bloodwynd [- por não ser familiarizado com a série não posso traduzir tais nomes, no que recairia em equívoco, certamente, em relação à edição brasileira]) responde a um chamado vindo de uma briga de foice fora de Bucyrus, Ohio, e segue a trilha de destruição que a leva a uma confrontação com uma criatura desconhecida que destrói toda a força área do Besouro Azul [tradução livre]. A Liga tenta parar o monstro, mas ele segue indelével, socando Booster Gold até a estratosfera. Booster é salvo pelo Super-Homem e declara: “É como o Apocalipse!”.

 

O Homem de Aço aterrissa na cena, tendo concedido uma curta entrevista à televisão em Justice League America 69. Liderando a liga, ele encara a criatura no momento em que ela chegava à casa de uma mãe solteira e suas duas crianças. A batalha começa e a casa é destruída. A Liga inteira circunda a criatura e não economiza nas projeções e energias lançadas. O único efeito desses ataques parece ser a destruição de sua armadura. Doomsday contra-ataca, incendeia todo o terreno e bate em retirada. O Super-Homem o persegue, ignorando o choro das crianças, se quisesse parar a besta.

 

O Super-Homem atira Doomsday no fundo de um lago, retardando-o de forma que o Homem de Aço possa altruisticamente voltar e salvar a mãe e a irmãzinha menor. Quando Doomsday retorna à superfície, enfrenta o Super-Homem em uma rua, então Maxima os alcança. Lois Lane e Jimmy Olsen são mandados para cobrirem o fato, enquanto Lex Luthor II dissuade a Supergirl [não confundir com a Mulher Maravilha] de entrar no combate. A luta continua num posto de gasolina, onde Maxima ergue um poste de iluminação do chão; as faíscas da rede elétrica, como é natural em um lugar como esse, entram em contato com líquido inflamável e acontece uma grande explosão. O Guardião [tradução livre] aparece depois de Doomsday escapar novamente, achando o Super-Homem e Maxima e oferecendo seus cuidados.

 

O Super-Homem segue infatigável a trilha de destruição de Doomsday, esperando a melhor hora de atacar. Como o circuito de destruição do monstro indica que ele poderá entrar em Metropolis, Lex Jr. convence a Supergirl de que ela é agora necessária, enquanto o Super-Homem luta um pouco afastado dali. Ao destruir uma loja de eletrodomésticos, Doomsday testemunha um comercial de TV de um evento de luta-livre em Metropolis e ruma para o local após achar uma placa de sinalização. O Super-Homem o arremessa na direção oposta, até que ele cai no Projeto Cadmo, situado em uma montanha. Eles seguem em um pau-a-pau ferrenho, destruindo todo o local. Quando o Guardião surge, Doomsday o nocauteia e prossegue até Metropolis.

 

A criatura é empurrada para baixo da terra, onde ele rompe tubos de gás e instalações elétricas, em uma parte chamada de Newtown, uma grande seção da mais ampla Metropolis. A Supergirl aparece para socorrer o Super-Homem, mas um simples soco de Doomsday deixa-a fora de combate. Os professores Hamilton e Bibbo, aliados do Homem de Aço, disparam um canhão de laser na direção de Doomsday, porém sem conseguir atingi-lo. A polícia local abre fogo, mas não produz qualquer arranhão. O Super-Homem reingressa na luta.

 

Agora um parte para cima do outro com tudo que têm. O Super-Homem finalmente descobre como machucá-lo: a saliência óssea que é explícita no monstro é a extensão de seu esqueleto. No momento de maior esforço, cada adversário arremata com um grande golpe (o Homem de Aço com dois punhos); as ondas de impacto resultantes quebram as janelas dos prédios em volta. Os dois titãs caem, levando metade da cidade junto.

 

Isto aconteceu na Superman 75 (segunda série). A edição contém apenas 22 quadros, e cada um ocupando uma página inteira. Em Aventuras do Super-Homem 497, há 4 quadrinhos por página, na Action Comics 684, 3, e Superman: O Homem de Aço 19 tem 2, como numa contagem regressiva. A seguir, a DC relançou todos os pedaços numa só comic, intitulada A Morte do Super-Homem.

 

2. Funeral para um Amigo

 

A cerimônia que segue mostra vários dos companheiros de luta do Super-Homem, além de amigos, incluindo maioria da Liga. Um mausoléu foi construído em Metropolis para honrá-lo. Durante essa época, cada herói do universo DC utilizava uma faixa preta no braço que vinha estampado com o logo do “S”. Algum tempo depois, o Projeto Cadmo viola o mausoléu e furta o corpo. É conjeturado que tentariam cloná-lo. O corpo é recuperado por Lois Lane e Supergirl.

 

As histórias subseqüentes ao funeral freqüentemente lidavam com as emoções experimentadas pelo público em geral bem como por personagens específicos da trama, tais quais Lois Lane, os parentes de Clark Kent e mesmo certo número de super-vilões. Até o então presidente americano, Bill Clinton, e sua esposa Hillary são retratados na cena do enterro. O crime começa a proliferar, e cabe aos demais heróis de Metropolis proteger a cidade. A Supergirl, Gangbuster, Thorn, e mesmo o Time Luthor, uma equipe patrocinada pela Lexcorp, tentam, mas não são o suficiente. Enquanto isso, Jonathan Kent foi o mais abalado pela morte de seu filho adotivo, e sucumbe a uma parada cardíaca. Nesse ponto, todos os títulos do Super-Homem entram em hiato por três meses nas bancas.

 

A DC compilou as partes Morte (...) e Funeral (...) em uma composição só, intitulada O Mundo sem um Super-Homem.



Escrito por a mosca filosófica às 17:59
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3. O Reino dos Super-Homens!

 

Todas as séries são relançadas de uma vez. Quatro novos heróis emergem para o lugar do Homem de Aço, um em cada série, cada um defendendo a causa da sucessão a sua maneira. Em Aventuras do Super-Homem 500, seguimos Jonathan Kent no Além. Em uma possível alucinação, ele convence a alma do Super-Homem a voltar consigo ao mundo dos vivos. A única “evidência” de que não seria uma alucinação era o fato de que pouco tempo após Jonathan redespertar quatro indivíduos auto-intitulados Super-Homem aportam em Metropolis.

 

As personalidades são diferentes representações de idéias vinculadas ao herói clássico, iconizadas nos subtítulos das comics ou em apelidos informais. São eles:

 

 

a) O Homem de Aço: John Henry Irons era um metalúrgico e ex-projetista de armas para os militares que veste uma roupa de guerra totalmente metálica e empunha um martelo. Ele não se reivindica a identidade de Super-Homem, mas pelo menos representar o espírito do mesmo. Surge na edição 22 d’O Homem de Aço (a comic).

 

b) O Homem do Amanhã: ainda chamado de Super-Homem Ciborgue, aparece com uma tecnologia kriptoniana aumentada. Cientificamente provado que é o Super-Homem, alega amnésia para explicar como adquiriu a parte mecânica. Aparece no gibi Superman 78.

 

c) A Criança Metropolis: que odiava ser chamada de Superboy, é um adolescente rebelde clone do Super-Homem. Aparece nas Aventuras de Superman, começando na 501. É o resultado da breve tentativa do Cadmo de efetuar a ressurreição através da cópia laboratorial.

 

d) O Último Filho de Krypton: é um alien energizado que mata os criminosos que encontra. Apareceu em Action Comics número 687. Segundo afirma, tem as memórias do original, mas sua distância emocional deixa Lois incerta.

 

Cada uma dessas revistas de debute oferecia um card e um pôster com o “discípulo” em questão.

 

A última metade de O Reino dos Super-Homens! foca-se na demonstração de como cada postulante ao cargo de novo Super-Homem dá seqüência à sua missão e as diferentes formas como o público os recebe. O leitor é provocado com pistas que dão respaldo a cada um deles como sendo o indivíduo realmente destinado ao papel, com exclusão dos demais. O ciborgue Homem do Amanhã e o impiedoso Último Filho de Krypton foram facilmente aceitos pelas pessoas como o Super-Homem real. Muito disso pode ser explicado pela aparência de ambos. Entretanto, Lois não pôde se aproximar de nenhum deles sob risco de expor o segredo da identidade de seu noivo.

 

O Último Filho roubou o corpo do Homem de Aço morto e o colocou em uma máquina de regeneração na Fortaleza da Solidão, esgotando suas energias curativas para dar poder ao cadáver. É então revelado que o Último Filho é o Erradicador, uma antiga arma kryptoniana, e que o Ciborgue é a consciência adulterada de Hank Henshaw, que utilizou a máquina onde o Super-Homem teve seu parto para criar uma duplicata de seu corpo.

 

O processo de regeneração funcionou, e o super-herói original emergiu, muito debilitado ainda, mas vivo. Enquanto isso, o ciborgue ajuda Mongul a destruir a Cidade da Costa, acreditando que ele assassinou o Último Filho na explosão, e seqüestra o Superboy, mantendo-o na Cidade do Engenho, uma construção vertical que substituiu a Cidade da Costa. O Superboy escapa e volta voando até Metropolis para encontrar o Homem de Aço, que o ajudaria a vencer o ciborgue. Antes de explicar-se totalmente ao Homem de Aço, no entanto, uma Armadura Kryptoniana surge no porto, e os dois heróis a atacam. Depois de ter sofrido grande dano, a roupa se abre, revelando um enfraquecido Super-Homem, que utilizou a veste para caminhar de volta até a Fortaleza da Solidão. Apesar de seu estado, ele não titubeia em se juntar aos outros Super-Homens para atacar a Cidade da Costa. Na nova batalha, o ciborgue lança um míssil devastador em Metropolis, com o intuito de destruí-la e substituí-la por uma segunda torre/Cidade do Engenho. O Superboy consegue pegar carona no míssil e assim desviar sua trajetória, salvando a cidade de sumir do mapa.

 

O Lanterna Verde volta do espaço para achar seus conterrâneos mortos. Ataca imediatamente a Cidade do Engenho e luta contra Mongul, golpeando sua face com o martelo do Homem de Aço. Ao mesmo tempo, o Último Filho/Eradicador se recupera fisicamente na Fortaleza (ressuscitar o Super-Homem tinha exaurido suas forças e a luz da máquina kryptoniana cegado seus olhos temporariamente). Assim que se encontra pronto para lutar, ruma à Cidade do Engenho, a tempo de impedir que o ciborgue atirasse todo um gás kryptonítico no Super-Homem original. O gás interage com o Erradicador e acaba afetando levemente também o Super-Homem, o que devolve seus poderes ao invés de matá-lo. O corpo do Erradicador, por sua vez, degenera até virar uma casca sem-vida. O ciborgue procura pelo corpo do Super-Homem em meio aos destroços e à neblina. O clássico herói usa sua superforça para inutilizar o ciborgue. O corpo cibernético é completamente destroçado, mas sua consciência maléfica sobrevive. A Supergirl utiliza os restos da armadura kryptoniana negra para recriar o uniforme-padrão do Super-Homem. O grupo regressa a Metropolis.

 

Na coletânea de O Reino dos Super-Homens [lembrando-se de que a história foi publicada em 4 fragmentos, em cada série independente do Superman], a DC Comics novamente modificou o título, escolhendo O Retorno do Super-Homem.

 

4. O DEPOIS

 

4.1 Super-Homem

 

O inexplicável crescimento capilar do Super-Homem entre seu redespertar na fortaleza e sua chegada a Metropolis nunca foi esclarecido. Seu casamento foi adiado para coincidir com Lois & Clark: As Novas Aventuras do Super-Homem. A essa altura, ele finalmente corta o cabelo.

 

4.2. Os Super-Homens Sobreviventes

 

O Superboy (que era, afinal, apenas um “clone parcial” do Super-Homem) e o Homem de Aço (cujo nome se tornou apenas “Aço”) se tornaram personagens recorrentes do Universo DC, eventualmente ganhando séries mensais cada um. O Superboy virou um membro da Justiça Jovem e dos Jovens Titãs [?!], antes de morrer em Crise Infinita. O Aço apareceu em alguns episódios da série animada, e teve seu próprio filme, tendo sido sagrado membro da Liga da Justiça. O Erradicador (o Último Filho) se tornou o líder de um novo time de heróis de background, chamados de Outsiders. O Super-Homem Ciborgue, ou Homem do Amanhã, se tornou um inimigo contumaz das histórias do Super-Homem.

 

4.3 A morte nos quadrinhos

 

A morte do Super-Homem foi o gatilho inicial de uma longa linha de mortes-ressurreições no universo DC. Green Arrow, Hal Jordan (Lanterna Verde), Metamorpho, Jason Todd e outros experimentaram o que era morrer em uma edição de suas respectivas séries e voltar na ou em meio às publicação(ões) seguinte(s). Foram mortes não só físicas como figurativas. A porta entre vida e morte foi mantida aberta desde a partida do Super-Homem. A Criança Eternidade [tradução livre do nome do herói] disse que ele a teria fechado depois de passar por ela porque ele “não nasceu num estábulo”. Isso foi submetido a escrutínio na minissérie Deadman, em que Deadman visitou vários heróis mortos antes e depois do Super-Homem.



Escrito por a mosca filosófica às 17:58
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4.4 A recepção da audiência e da crítica especializada

 

A saga d’A Morte e O Retorno do Super-Homem trouxe milhões de leitores aos produtos DC Comics, isso apesar da história ter sido estilhaçada em inúmeras séries diferentes e ter havido diferenças periódicas na publicação de cada parte. A capa [da revista] da Superman 75 foi aquela que ficou mais famosa: sua capa [da roupa] rasgada enrolada em um pau, a anunciar a presença (ou ausência) de uma vítima debaixo dos escombros.

 


 

Pela representatividade do Super-Homem e por ter sido por tantas décadas um ícone americano, sua morte foi acompanhada por, ou foi, em si, eventos multimídia: a cobertura de jornais, televisão e rádio. Alguns desenhos do Super-Homem (2ª série) 75 continham adornos especiais nas margens, como tarjas negras enfeitadas com o escudo em “S”. Muitos fãs ingressaram no luto, o mais famoso deles Jay Leno, apresentador de televisão.

 

A morte do Homem de Aço estourou alguns meses antes do retorno do Batman na série “Knightfall”. Alguns críticos elogiaram a DC por fazer o impensável e inovando no gênero. Mas muitos outros foram altamente severos, denunciando as storylines divididas nas 4 séries do Super-Homem como artimanha publicitária para angariar fãs não pela qualidade das histórias mas através de puro e simples sensacionalismo, além de que estava patente desde o começo que a DC Comics não permitiria o sepultamento real de marcas lucrativas e que tudo não passava de um joguete, de uma eliminação provisória para novos retornos triunfais e repaginados na seqüência. Chcuk Rozanksi, anos depois, dono da editora Mile High Comics, publicaria um controverso ensaio no Comics Buyer’s Guide (Guia ao Consumidor de Quadrinhos) que culpava a promoção por trás da Morte do Super-Homem por desempenhar papel decisivo no colapso da indústria de revistas em quadrinho no fim dos 90.

 

4.5 Adaptações

 

Roger Stern transformou a saga da morte do Super-Homem em um romance, Morte e Vida do Super-Homem, já no verão de 1993. Foi lançado com capa dura e em brochura após um ano. Um livro versão para “jovens adultos” foi escrita por Louise Simonson sob o título “Superman: Doomsday e Além” e lançado simultaneamente à obra capa-dura supracitada.

 

Um game beat ‘em up 2D (gênero que mescla Ação e Luta) foi lançado pela Sunsoft para o Super Nintendo e o Mega Drive, The Death and Return of Superman.

 

Muitas tentativas foram feitas para transformar a saga em filme. Até o título estava pronto: Super-Homem Renascido, ou Superman Lives. Tim Burton foi cogitado como diretor, Kevin Smith escreveu uma cena e Nicolas Cage seria o Homem de Aço! Mas com contínuos cancelamentos, gastos milionários com parafernálias e, finalmente, o trágico acidente de Christopher Reeve, o clássico Super-Homem, não havia mais clima para continuar.

 

A animação Justice League de Bruce Timm tem um episódio intitulado “Um Mundo Melhor, Parte Um”, em que a liga foi enganada e capturada pelos Lordes da Justiça, que tomaram seu lugar. Ao mesmo tempo, Doomsday surge na Terra de um meteoro do espaço sideral. Em uma das cenas, o Super-Homem Lorde da Justiça e Doomsday se socam frente a frente, como no momento épico das HQs. Porém, o desfecho é alternativo: Doomsday sai ileso e o Super-Homem, neste caso um genérico, cai quase desacordado. No final da luta, este Super-Homem Lorde irá lobotomizar Doomsday com o raio ocular incandescente.

 

No episódio “Hereafter” [algo como De agora em diante] (escrito por Dwayne McDuffie e dirigido por Butch Lukic), o Super-Homem é enviado ao futuro por uma invenção de Toyman, onde se vê de frente com uma Terra pós-apocalíptica em que o sol no horizonte é vermelho, povoada por insetos gigantes, lobos mutantes e Vandal Savage. Foi uma adaptação da história em quadrinhos “Debaixo do Sol Vermelho” (uma das favoritas de Timm). Porém, o que nos interessa aqui é que o aparelho de Toyman, para os terráqueos do tempo presente, parece ter desintegrado o Super-Homem completamente, ao invés de tê-lo feito viajar a uma nova dimensão temporal. Logo, ocorre um funeral para o herói, e temos aqui, novamente, uma mescla de elementos importados diretamente de A Morte do Super-Homem – a estátua erguida em sua homenagem, Batman testemunhando o traslado do caixão (simbólico, pois o corpo estava desaparecido), entre outros fatores. Não se sabe ao certo se o episódio do desenho animado tentou ser uma adaptação parcialmente fiel/remake ou apenas uma paródia, já que o capítulo alterna momentos de emotividade sincera (a Mulher Maravilha praticamente executando Toyman em vingança e o discurso emocionado de Batman) e outros de exagero deliberado e de irreverência descarada (a piada de Kalibak sobre a velha frase “Isso parece um trabalho para o Super-Homem” como exemplo).

 

No evento Comic-Con de 2006, Bruce Timm negou estar voltando ao DC Universe, mas revelou estar preparando A Morte do Super-Homem para o formato DVD.

 

4.6 Prêmios

 

A revista em brochuras The Death of Superman recebeu o prêmio da Comics Buyer’s Guide na categoria da eleição popular por História Animada Re-Impressa Favorita e a parte The Reign of The Superman recebeu a gratificação de melhor revista em quadrinhos de 1992.

 

5. Curiosidades

 

Trata-se da graphic novel mais vendida de todos os tempos (The Death of Superman).

 

Na edição de setembro de 1993 da FoxTrot, comics satírica, um dos desenhistas da série é retratado em ação explicando sobre por que o Super-Homem teve que morrer: sua roteirista, Paige, foi a culpada. A justificativa de Paige, na história fictícia, era: “Ele me viu de biquíni”.

 

Na Shortpacked!, após a morte de João Paulo II, é insinuado que o Papa voltará à vida como fez o Superman.

 

Na minissérie de comic books de Sonic The Hedgehog são elencadas 10 razões para comprar a revista: a número 1 é que Sonic de maneira alguma seria morto tão cedo. Essa afirmativa era acompanhada de uma imagem de Sally e Sonic fazendo a performance do último quadrinho de Superman 75.

 

Claro que publicações como a Mad e programas como o Saturday Night Live também tiraram o seu sarro.

 

Fonte: tradução livre de firstthings.com

Março de 1993 – direitos reservados ao autor Herbert London



Escrito por a mosca filosófica às 17:57
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PELÍCULA "RESIGNAÇÃO AO PROFETA"

Jovem enigmático aparece diante das autoridades e das lentes da indústria da fofoca alegando, seriamente, ser uma espécie de Dante não-fictício, pois teve acesso aos além-mundos (céu e inferno, possivelmente outras dimensões e locais longe do espaço e do tempo!), e reivindica para si a liderança mundial para evitar uma série de catástrofes de grandes proporções. É tratado como a chacota da vez, até que indícios trágicos parecem querer confirmar seus ditos e ele vai arregimentando seguidores.



Escrito por a mosca filosófica às 15:50
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SCHOPENHAUER COMO EDUCADOR

 

Onde tudo começou... e vai terminar.

 

A III Intempestiva

 

09/03/10

 

18: “Um homem nunca sobe mais alto a não ser quando ignora para onde seu caminho pode levá-lo.”

 

O prefácio mais lindo e comovente.

 

25: de novo – como no livro anterior – o homem moderno entre um sim e um não.

 

28: Montaigne rasgado!

 

33: Shelley – PROMETEU DESACORRENTADO

 

37: o problema do ceticismo.

 

61: o castigo do homem tornado a ser animal

{Série de pesadelos incomum – ligados à estafa física?}

 

68: tartufismo

 

INSIGHT! Zaratustra como a história sem fim. Não existe o “homem do amanhã” senão como aquele que é ponte em todos os tempos.

 

Tem-se pelo menos uma certeza: não se atingiu o auge de nada. O que não significa que tenha sido em vão. Ainda que houvesse um “ato em si” reconhecido por todas as épocas como tendo sido o mais grandioso, isso nunca é percebido no tempo presente, é sempre “tarde demais”. Mas o mais comum e salutar e natural é projetá-lo à frente de si... Portanto, não existe “meio-termo” de um homem íntegro. Ou só existem híbridos (da cultura de massa).

 

75: da moda

 

80-1: o “mata-moscas” do sábio

 

92: “De fato, todo aquele que tiver o furor philosophicus no corpo não terá mais tempo para o furor politicus e se absterá sabiamente de ler jornal todos os dias e especialmente militar num partido, embora não se deva hesitar um instante para tomar seu lugar na hierarquia, desde que um perigo real ameace a pátria.”

 

Pensamento solto: gostaria de ser rico a ponto de tomar meu banho diário em uma banheira de leite.

 

Livro essencialmente para tratar daquele que escolheu a carreira de professor no âmbito da modernidade e se vê diante do ESTADO para filosofar... Sobre a honestidade e o caráter de um professor universitário... Há coisas que simplesmente estão fora de pauta. Agregue-se a isso a função de antiquário do moderno.

 

110: o elogiado filósofo norte-americano Raph Waldo Emerson.

 

111: as eternas metáforas da bela mulher e da velhota

 

“E se quiserem ouvir os cantos da solidão, escutem a música de Beethoven.”

 

“E se for verdade que as florestas devem rarear aos poucos, não chegará um momento em que será necessário usar bibliotecas como nos servimos de lenha, palha e gravetos?”

 

“Toda filosofia que acreditar afastar ou mesmo resolver com a Judá de um acontecimento político o problema da existência não passa de uma caricatura e de um sucedâneo da filosofia.”

 

“As águas da religião estão em baixa e deixam atrás delas pântanos e lamaçais (...) Jamais o século foi mais secular, mais pobre de amor e de bondade.”

 

“No devir, tudo é vazio, mentiroso, chato e miserável”

 

“a terra perderá seu peso, os acontecimentos e as potências terrestres não serão mais que sonhos, uma transfiguração semelhante àquela das tardes de verão se difundirá em torno dele.”

 

“A pressa é geral, porque todos querem escapar de si mesmos”

 

“deveríamos algum dia aprender a odiar algo de mais geral que nossa individualidade (...) será somente então que um novo fim será fixado a nosso amor e a nosso ódio”

 

“Mas quando alguém se acostumou a traduzir toda espécie de experiência em termos de dialética e num puro problema cerebral, é surpreendente ver com que rapidez se resseca em semelhante atividade, que logo só é capaz de se fazer entender por um estalar de ossos.”

 

“Em oitavo lugar, (...) Seus consoladores são os livros ou escutar outro pensar de forma diversa da sua, é assim que consegue matar o tempo durante um longo dia.”

 

“se fixarão por objetivo preparar o surgimento de um novo Schopanhauer, de um gênio filosófico.”

 

“o fato de ser obrigado a pensar publicamente, em horas previamente determinadas, em coisas previamente fixadas. E diante de jovens! (...) E se acontecesse um dia de sentir que nesse dia não consegue pensar em nada, que nenhuma única idéia lhe vem ao espírito – e que tivesse de se apresentar, no entanto, e fingir de pensar?” [negrito meu] “essa maneira de pesquisar em inumeráveis opiniões estranhas e absurdas lhe parece quase o mais repugnante e o menos oportuno dos serviços.” “‘É um bom filólogo, um bom arqueólogo, um bom lingüista, um bom historiador‘, mas nunca: ‘É um bom filósofo.’”

 

Não acredito que li a 101 em uma sala de aula!

 

“é mais filosófico nada saber do que aprender o que quer que seja”

 

“em nossos dias precisamente é uma raça fraca que ocupa as cátedras de filosofia e Schopanhauer, se tivesse agora de escrever seu tratado sobre a filosofia universitária, não teria mais necessidade de tomar sua clava: uma vareta lhe bastaria.”

 

“Aqui e acolá, um dentre eles tenta ainda um pequeno vôo metafísico – com os resultados habituais: vertigem, enxaqueca e sangramento do nariz.”

 

“é da própria natureza da filosofia nunca se deixar assalariar”

 

O ANTICRISTO II

 

44: o reino de Deus como um imenso hospital – última visita: pobretões implorando ao Senhor pela pronta recuperação do paciente em estado terminal, porque “Ele pode tudo!”. Como se não estivesse pressuposto desde o começo que mais cedo ou mais tarde – nessa ou noutras gerações desta família – a crença no poder de Deus será reduzida a cinzas. Eu simplesmente não sei me comportar como um doente!

 

45: “A noção cristã de Deus (...) Deus como aranha.”

 

48: Nietzsche, os dois Budismos. Talvez uma demonstração de que uma vez “nula”, a Europa já não tem muito o que temer... + 51

 

54: esperança, o mal grego

 

67: a confirmação fatal de que algumas anotações anteriores estão equivocadas – Epicuro é um proto-cristão, sua “medida” (e que notas de rodapé imbecis!) visa tão-só a suprimir a dor, apagar-se. Mas o wiki...

 

73: a “boa-nova” do Messias

 

81: o cristianismo de fachada; o padre perdido.

 

Em simples coisas como o futebol de três décadas atrás se viaja no tempo de forma literal e impactante o suficiente para dizer: como perdemos o gosto; massacramos qualquer cadência! Ação, ação, ação, chazam! Quero um chá, Zâmbia irá me esperar! A música não alenta? Tirar alguma conclusão? Pra que a pressa? Outra hora vem... Ainda que “o dia” fosse amanhã, eu diria: ainda falta muito tempo para o mundo acabar...

 

96: Coríntios, o livro abjeto!

 

102: do Gênese à Torre de Babal

 

119: Manu

 

121: convicções + 124

 

126: extrema nostalgia romana

 

129: ode ao Islã

 

133: “Se não se conseguir terminar com o cristianismo, os alemães são a causa disso...”

 

135: “E conta-se o tempo a partir do dies nefastus em que essa fatalidade começou – a partir do primeiro dia do cristianismo! – Por que não contá-lo a partir de seu último dia?A partir de hoje? – Transmutação de todos os valores!”



Escrito por a mosca filosófica às 04:47
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O CASO WAGNER

 

05 a 08/03/10


Sonhei hoje: cortava o cabelo, virava pai. Tinha medo da educação física; insetos malignos na papa da criança. Aparecia François.


4ª CONSIDERAÇÃO INTEMPESTIVA: WAGNER EM BAYREUTH

 

Já não acreditava mais no que escrevia? Última homenagem terna?

 

92: a recorrente puxada de orelha nos alemães e seus estudos históricos.

 

93: a orientalização do mundo, desde Alexandre.

 

O PROBLEMA DA ARTE COMO ÚNICA JUSTIFICATIVA PARA A VIDA: 98 et circa.

 

“Em toda parte o homem só encontra sua insuficiência pessoal, sua impotência total ou parcial. Que coragem teria para combater se não tivesse recebido previamente a consagração de uma causa que ultrapassa sua personalidade?” “nossa tríplice insuficiência” – “Não podemos estar felizes”; “não podemos ser morais”; “não podemos até mesmo ser sábios” “a arte é a atividade do homem em repouso”, isso quer dizer: “A arte não é o mestre e o mentor da atividade concreta” – porque somos como somos e as personagens não ditam nosso comportamento. (*) Mas adoramos ser múltiplos.

 

(*) na hora que bicho pega. “É como no sonho”, ou na televisão.

 

Arte como mapa da vida, a vida como o JOGO DOS JOGOS. “a grandeza e o valor insubstituível da arte consistem precisamente no fato de que evoca a aparência de um mundo mais simples, de uma solução mais rápida para os enigmas da vida. Aquele que a vida fere não pode prescindir dessa aparência, como não pode prescindir do sono.” AND JUSTICE FOR ALL... + sempre um filme passando com algo a me dizer... Que bomba estaria armada (ou esteve armada!) sem isso!

 

“Impedir que o arco se rompa, essa é a razão de ser da arte.”

 

O erro nietzscheano, se existe algum aqui, consiste na crença na instantaneidade da mudança e em seu marco divisório, que certamente não era este Wagner nem esta Bayreuth!

 

100: a linguagem universal

 

110: da transição de um talento a outro: Wagner, Goethe, Schiller – da expressão escrita à oral/musical?

 

112: a árvore que finca raízes; Zaratustra.

 

Elogios alter-biográficos que num espaço de uma década e meia seriam convertidos em auto-biográficos: Ecce Homo, ele mesmo! Despojado de seu ídolo, superado...

 

126: as músicas de Wagner são versadas.

 

129: as diversas sensações suscitadas no ouvinte pelo desenvolvimento das técnicas musicais.

 

130: para entender Beethoven.

 

131: Wagner e Heráclito!

 

Um pouco de afetação, aqui e acolá. Alguns anos depois, em que hierarquia situaria seu “primeiro músico absoluto”?

 

Preso em Brasília: em São Paulo fui canário solto e por isso respirei tão bem? Ilhotas, bolotas?

 

O CASO WAGNER (p.d.)

 

17: ouvir 20 vezes uma música devia ser algo bastante excepcional, ao tempo.

 

20: Benjamin Constant

 

Libelo chauvinista

 

22: sobre querer-se fundir com o amante

 

De repente, acordamos pensando horrores daqueles por quem guardávamos uma alta estima!

 

Humor picante, sob a égide cesárea (“dizer o sério rindo”).

 

Como no Ecce, tratado encharcado de citações em Francês.

 

24: “o nada, a Circe indiana”

 

Siegfried // Shakespeare – tanto Sieg. e Brunilda quanto Romeu e Julieta “só podem se amar no Além”; logo, o “depois” é mais importante que o REAL.

 

(p. 16): “Wagner resume a modernidade. Não adianta, deve-se começar por ser wagneriano...”

 

26: “Um ser esgotado é atraído por aquilo que é nocivo: um vegetariano o é pelos legumes.”

 

Teste de psicólogos (Fernanda): o emo é o contrário da Gaia-Ciência.

 

{IDÉIA DE LIVRO – “DECADÊNCIA” – tratando das tópicas mais ambíguas – O PROBLEMA DA HOMOSSEXUALIDADE, DO NEGRO, DA MULHER. A NEO-ESCRAVIDÃO DOS VELHOS, DOS LÚMPEM! Relação com a CRIANÇA (ESTE NÃO É UM PROBLEMA!). CERNE DO MAL: (DEMOCRACIA) Não se reconhecem os BONS.}

 

38: Wagner e Hegel – “a música como idéia”.

 

44: Nie. contra os adolescentes.

 

45: Wagner, o Minotauro. Ou comunista, comedor de criancinhas.

 

Mas para o final da vida, começou a citar jornais em seus textos.

 

“Quando não se é rico, é preciso ser suficientemente digno para se ser pobre!...”

 

48: os tipos mórbidos de Dostoievsky.

 

Só no epílogo, a crítica mais contundente e clara: uso dos mitos que sustentavam uma moral aristocrática para posar e se refestelar sobre a massa cristã. Ainda ensina: não se CONVENCE alguém ou uma época a favor ou contra uma crença.

 

“foeda” do latim: repugnante.

 

NIETZSCHE CONTRA WAGNER

 

58: tiradas sarcásticas com direito até a merchand!

 

Sobre, por que não?, minhas saídas:

“Ninguém leva ao teatro o sentido mais refinado de sua arte, muito menos quando se é artista que trabalha para o teatro – a solidão faz falta, a perfeição não tolera testemunhas... No teatro, nos tornamos plebe, rebanho, mulher, fariseu, gado eleitoral, patrono de igreja, idiota – wagneriano: é ali que a consciência mais pessoal se submete ao encanto nivelador da maioria, é ali que reina o próximo, ali é que nos tornamos próximo...” – também deve ser o reflexo da maconha – meu eu de rebanho volta à tona e me recrimina por estar tão diferente dos “manes”.

 

62-3: no parágrafo sobre a música como eco tardio de uma outra época, a previsão do gênero folk!

 

64 – A PÁGINA QUE ESCLARECE (TEXTO “O PROBLEMA DA MÚSICA”)

 

65: “Foi assim que, progressivamente, passei a compreender Epicuro, antítese de um grego dionisíaco, e igualmente o cristão que, de fato, não passa de uma espécie de epicurista e se conforma a seu axioma ‘a fé torna feliz’.”

 

67: lamenta a França igualmente perdida... e já lamentara a Itália no prefácio.

 

70: o rompimento, da perspectiva do autor. Aqui fica claríssimo o quanto a biografia haLEVIANA era jocosa e só enxergava depressão e afundamento em alguém que finalmente se encontrava a si mesmo – esse é o risco: biógrafos muito abaixo...

 

DO QUE SEREI CAPAZ? Como pude não transcrever esses trechos da 1ª vez? – AQUI EU LEIO MINHA VIDA EM CRISTAL, e me espanto ao estar à altura do Nie. maduro com meus escassos 21...

“A doença é sempre a resposta se queremos duvidar de nosso direito à nossa missão, se começamos a tornar as coisas mais fáceis para nós em qualquer sentido. Estranho e assustador ao mesmo tempo! São nossas facilitações que devemos expiar mais duramente! E se, depois disso, quisermos recuperar a saúde, não há mais escolha: temos de nos carregar mais pesadamente do que estávamos antes...” O pior já passou? Últimos indícios claros de que “o que vivo é irreversível”: Carnaval, falta de sintonia com os outros a não ser em episódios escassos. Creio que esses outros vermes logo terão suas trajetórias desviadas... Mas ainda por cima quer-se dizer que devo proclamar guerra ao cigarro e ao álcool? Rejeição temerosa... Alimentação – escapada longa, retiro “italiano”? Dom Quixote ou “tudo bem só até aqui”? Progresso: vida anti-Thomas. A doença juvenil que remanescia.

 



Escrito por a mosca filosófica às 02:47
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A FILOSOFIA NA ÉPOCA TRÁGICA DOS GREGOS

Sobre o tempo, para além da História (Homem)

 

14: “Com três historietas é possível compor o retrato de um homem”

 

Existe o suicídio por felicidade incontível? Creio que nesse momento eu me proporia a isso: seria uma das mortes mais invejadas em todas as salas de cinema.

 

Ficção contemporânea e seu maior erro: os mortos como seres fracassados. O protagonista clássico nunca morre (anti-Aquiles, este ainda assim capturado de ângulo romântico).

 

47: o reinado do agon

 

130: Eurípedes, o socrático

 

133: os Cínicos, super-socráticos

“é significativo que seja Sócrates o primeiro grande grego a ser feio”



Escrito por a mosca filosófica às 01:12
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O LIVRO DO FILÓSOFO

03 e 04/03/10

 

15: “O filósofo como freio da roda do tempo.

       É nas épocas de grande perigo que os filósofos aparecem – no momento em que a roda gira cada vez mais depressa – eles e a arte tomam o lugar do mito que desaparece. Mas eles se lançam muito à frente, pois a atenção dos contemporâneos só se volta lentamente para eles.”

 

16: o problema milenar de ter começado a se preocupar com o de fora, mero reflexo do que é “de dentro”. Hipertrofia teutônica.

 

Se o filósofo congela o tempo e as rodas da confusão, ele é o doente por excelência, porque na vida de um pensador e de muitas outras pessoas é a doença que cumpre esse papel de calmaria e reassentamento.

 

Vontade de ler Schopanhauer.

 

20: elogios a Kant.

 

Antes dos 30, já desfia as categorias de niilismo.

 

“o filósofo trágico não é um cético” evidente elogio

 

22: a necessária – anti-Marcuse – marginalização da Filosofia.

 

Todo ídolo nasce do nada.

 

Eu estou tão alto que poderia rasgar o céu. Subi. Eu subi tanto: confesso que já nem sei mais como descer da árvore.

 

Não é coincidência eu não ter (mais) primos-irmãos? No máximo primos de primas?

 

Maço é sempre de papel / mas eu quero o mais cruel

 

28: “Íntimo parentesco entre os filósofos e os fundadores de religião.” – O Judeu Maometano e minha aparência de “tabuador”.

 

“A arte repousa na imprecisão da vista.”

 

Sobre o “metafísico em Nie.” (49): (mais particularmente, eu diria: “sobre o sentido da vida”)

“Vocês não devem se refugiar numa metafísica, mas sacrificar-se à civilização do devir! É por isso que me oponho absolutamente ao idealismo do sonho.” Sua metafísica é real.

 

52: o “espelho” ou janela da alma. refletir/dualizar/contradizer

 

56: “Que sentido tem o homem dizer não! Com toda a franqueza, enquanto todos os seus sentidos e todos os seus nervos dizem sim! E que cada fibra, cada célula se opõe.” – ontem me deparei com o caso inverso (estilo Menina de Ouro).

 

60: a sinestesia da criança

 

67: em certos aspectos me parece que estes esboços são a prévia direta de VdP, que veio para realizar um projeto antigo.

 

68: “Não autorizamos mais a ficção conceitual. Somente na obra de arte.” O filosofar deve ser simples.

 

69: rascunho importante

“impossibilidade da metafísica” reiteradas vezes. Marco em Kant.

 

Você não está vendo? O mundo vai virar areia...

 

72 – do filósofo-legislador/iconoclasta

 

Sobre meu mandamento 4 (vide em 03/03/10 neste blog (e também o hilário excerto do dia 4!):

“Vocês praticam a filosofia com jovens sem experiência: seus anciãos se voltam para a história. Vocês não têm de modo algum filosofia popular, mas em compensação têm conferências populares vergonhosamente uniformes. Temas de composição propostas pelas universidades aos estudantes, sobre Schopanhauer [e Nietzsche!]! Discursos populares sobre Schop.! Isso é falta de toda dignidade!”

 

74: “o povo tem necessidade das anomalias, a obra de arte é prova disso (...) O filósofo como médico da civilização.”

 

96/106

 

“A falsa oposição entre a vida prática e a vida contemplativa é asiática. Os gregos compreendiam melhor as coisas.”

 

108: sobre a efemeridade do Helenismo

 

110: o imenso perigo da centralização política

 

119: ANEXO transbordante (“SOBRE OS HUMORES”). A luta entre o lembrar e o esquecer, o osciloscópio da mente e do coração. Aqueles que não amo mais, aqueles que ainda vou amar... Aquilo que amo...?

 

Três pratos de tigres para três dias tristes...



Escrito por a mosca filosófica às 00:07
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ALÉM DO BEM E DO MAL: PRELÚDIO DE UMA FILOSOFIA DO FUTURO

22/02/10 a 28/02/10

 

Quando tudo está na ponta dos cascos, é porque os cascos estão à beira do precipício.

 

25: “falso, isto é, estóico”

 

29: a guerra nietzscheana contra o átomo. Virando a página, o mais forte argumento contra a vida eterna.

 

A primeira galinha nasceu sem ovo.

 

47: no labirinto

 

49: dos meus 19-20 anos

 

54: “vontade de potência”

 

56: a máscara do espírito profundo

 

57: os filósofos do futuro

 

“tudo o que é raro aos seres raros”

 

Quer entender o livro sem lê-lo? Inventa o que a Thaís falou, Natália. Não adianta esperar nada de vocês.

 

59: os mais abandonados e desprezados – os que mais teriam de ser ouvidos!

 

Talvez o livro em que Nie. está mais zombeteiro e em que mais destila seu talento de filólogo para desmontar todas as concepções. Jargões como “interpretação”, “psicologia do erro” e “texto/fato” (no sentido de que TEXTO seria o em-si, o absolutamente real, o imparcial longamente buscado; sendo INTERPRETAÇÃO a constatação de que só assim se apresenta cada TEXTO ou fragmento de texto, quando multifacetado) são notáveis.

 

64: “Nós, homens do norte”

 

69: amaldiçoar o mundo; dizer sim ao círculo.

 

74: talvez o resumo de epicurista seja “aquele que encontra a beleza no sofrimento”.

 

Falta diferenciar o estóico do budista.

 

78: mãe do Thomas em outra tradução: “Não é a força dos grandes sentimentos que faz os homens superiores, mas sua duração.”

 

79: “Em tempos de paz o homem belicoso se ataca a si mesmo”

 

80: “A mulher aprende a odiar à medida que desaprende a fascinar.” por isso o casamento é mais grave do que a perda do charme original...

 

84: “É quando nosso orgulho acaba de ser ferido que é mais difícil ferir nossa vaidade.”

 

“Querer dispor alguém em teu favor? Finge-te embaraçado diante dele.” Essa tática só funcionaria com dotados de alma; nestes tempos, com pessoas parecidas comigo. Exemplo perfeito: eu e Gabriel Keene no ônibus após o estágio; deixo cair minha identidade. Hoje os Paraíbas e cachorras são desleais demais para com esse rubor...

 

“Quando o amor e o ódio não estão em jogo, a mulher joga de maneira medíocre.”

 

“As grandes épocas de nossa vida são aquelas em que temos a coragem de considerar o que é mau em nós como aquilo que temos de melhor.” Presente, o dom ferino da escrita – a acusação freqüente de que eu padeço da loucura genial, de um gênio louco.

 

“A vontade de superar uma paixão não é, em definitivo, senão a vontade de outra ou de muitas outras paixões.”

 

Não entender um elogio é um grande insulto!

 

108: em defesa do clima tropical

 

111: dos escassos homens fortes nas civilizações tardias

 

Ainda não vi um livro que continuasse – reafirmasse – essa idéia do BUDISMO EUROPEU. Por que não eu?

 

119: a cilada do “empirismo”

 

121: sobre o fim (moderno) e o esvaziamento da filosofia

 

126-7: o tipo cético. Contaminação nos tempos de CEUB.

 

De novo, a esperançosa russa, a “terra da vontade”!



Escrito por a mosca filosófica às 21:05
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