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CICLO-GAIA

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(estamos na barriga do U. Já descemos o suficiente. Agora vamos subir.)



Escrito por wormsaiboty às 02:59
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ESTAMOS NA PRÉ-HISTÓRIA DO HOMEM

É complicado estar na roda da História tendo de lidar ao mesmo tempo com uma revolução pessoal e com a guinada de um inaudito destino humano em geral. Na realidade não existe palavra adequada para descrever os processos que se fazem iminentes. Primeiro, um relato auto-biográfico do "método" pelo qual se chega a isso. Depois, ao longo de muitos anos, tentarei enriquecer ainda mais o próprio isso.

"NÃO CONSIGO CONCEBER ALGUÉM QUE AME VIVER NUM LUGAR QUE FEDA TANTO; FAÇA A VERDADE APARECER, CRITIQUE A HEGEMONIA ATUAL"

Pediram-me para explicar esse nome com o qual andei me identificando na Internet...

Estava aqui na cozinha - não por acaso: a cozinha de si, onde nascem todas as idéias para auto-consumo, também estava em pleno funcionamento - quando tive a boa-vontade de compilar este artigo a fim de explicar para todos vocês que entraram em contato comigo na noite de 14 de junho de 2008 o que eu quis dizer. Vim correndo até o computador, com um pacote de biscoitos. Bastavam-me (a conexão, o teclado, e o combustível para alguns minutos de esforço teórico)!

A grande pergunta não são vocês que me fazem. Ela é: POR QUE EU DEMOREI 20 ANOS? PARA CONCLUIR ISSO? E agora que concluí, tenho certeza absoluta que me achei. Eu sou isso. Para isso nasci. E nisso vou morrer, não sem antes testemunhar.

Eu nasci para dizê-los que depois de mais de 5 anos lendo filósofos, sociólogos, economistas, culturólogos, relativistas, epistemólogos... eu tenho um juízo de valor intenso sobre a realidade. Intenso duas vezes: na sua simplicidade de ser dito e sobretudo na profundidade que implica dizê-lo. Digo que não sou o primeiro, nem serei o último. Mas, vejamos... espero que antes de morrer eu sinta essa verdade! Vai ser um sonho!

O Capitalismo vai implodir.

As bases do sistema estão rachadas. Qualquer conotação em escopo restrito não captou o espírito da coisa. Falo da ruína de todo o Capitalismo. Uma transvaloração que a sociedade ocidental-global nunca enfrentou. Vai haver um refundamento em novas bases. Não existe palavra que possa descrever esse fenômeno, como já lembrei.

Gostaria de listar a gama de autores e livros do meu caminho hercúleo, mas não posso agora. Ainda juntarei todos os cacos, mais devagar. Quem me conhece há mais tempo e tem uma convivência "acadêmica" comigo já poderia conhecer de 10 a 20% das obras que contribuíram para minha pérola máxima de então.

Considero que o homem conseguirá se tornar o animal a que tanto visa por formas todavia equivocadas. O homem se encontrará e se tornará aquilo que ele é. Amante da vida. Dará sua primeira gargalhada sincera que poderá ser ouvida com igual sinceridade. A despeito do surgimento de escassos homens do tipo "verdadeiro", ainda são francos sujeitos sem reciprocidade. Ao que se visa, em última instância e na essência, é despir-se do mal, livrar-se do dinheiro.

Se não listarei obras que permitam que vocês também divisem o que diviso, para que compartilhem de minha gargalhada cósmica, posso ao menos delinear biograficamente a "partenogênese" desse riso fundante-iconoclasta.

Ao me interessar pelo espectro político, estudando História no ensino médio, senti-me comovido pelo movimento operário. Debrucei-me sobre a Revolução Russa, que foi a primeira tentativa séria do homem de viver num mundo substancialmente diferente do atual. Talvez mais que a Revolução Francesa, uma vez que é substancialmente - a priori, para o estudante nascido em economia liberal - o antagonismo da sua própria realidade. E todos queremos sempre um mundo melhor. Um mundo não-ruim.

Não tardou para que eu reparasse nas negações do próprio discurso promovidas por aqueles democratas e na dubiedade do projeto de Socialismo Real. Acabei, após o escândalo do Mensalão do Partido dos Trabalhadores, em 2005, invertendo minha perspectiva política. Tornei-me um neoliberal rasgado. A corrupção e a falência que vira no Leste me lançou para o espectro oposto.

Fosse com quem fosse a discussão, eu era o arauto número 1 da ideologia propagada pela revista VEJA, e muito me comprazia, ao tempo. Naqueles 1 ou 2 anos em que ainda imperava o meu lado reacionário, certamente encarnei instituições tais quais o FMI e o Banco Mundial como poucos. Poucos.

Escapando da superficialidade de revistas semanais de países em franca mancomunação com o imperialismo estrangeiro, pude entender que a corrupção nunca está de um só lado da balança. Ela é do homem. Aprofundando-me no pensamento filosófico e nas teorias do Fim da História achei por compreendido e finalizado todo o quadro vigente. Nos encontrávamos no final e isso era sem volta. A vitória da democracia em bases liberais (o absurdo concreto?).

Adensando ainda mais minhas reflexões e minha bibliografia, pude sair do espectro da Direita. Como também da Esquerda, do Centro, da abstenção ou de qualquer um do qual se possa falar. Eu naveguei rumo ao Nada. Talvez por isso seja difícil apontar um caminho. Porque fechamos os olhos por dois segundos e à deriva nos encontramos.

O reino do nada. A destruição de todos os valores. Por muitos meses me ergui sobre essas (ausências completas de) bases, crendo apontar uma falta de coerência universal de que ninguém se dava conta. A vida sem um sentido pequeno que fosse, edificante que fosse... A morte do espírito do ser humano. Sua carne não possui um preço mais elevado que a de um frigorífico. Aliás, apenas por falarmos em preço já se entende: a inestimabilidade da vida passou para a ficção. A ficção do dinheiro é que se tornara o real. O fim dos tempos, a hecatombe máxima. Disso não havia como efetuar um regresso, e qualquer regresso não passaria de nova ilusão, Caverna de Platão em novos moldes.

Entretanto, quase choro ao poder estar aqui narrando como e quando transcendi. A linguagem ainda é muito pobre para precisar a coisa. Eu cumpri o que Nietzsche quereria que seus sucedâneos cumprissem. Eu havia destruído todos os valores, que não serviam. Só que me contentei com isso. O MAIS CLAMOROSO DOS ERROS! O niilista que é o homem, que é o animal, que logra o auto-achamento, ergue novos ideais, com base tão-somente na crítica que fez dos velhos. Torna-se o autor da própria biografia e começa a fazer parte da História. A verdadeira História.

De 8 meses para cá eu dei esse salto. Tenho acumulado essa identidade em mim. Estou me fundando como homem. Efetuando o processo, a ponte. Agora em junho tenho consciência de seu início, desenvolvimento... intensificação. Finalmente abro espaço para comentá-lo.

Primeiro eu re-estudei Marx com bons olhos. Uma leitura despida do velho preconceito e da malversação de alguém ainda imaturo. Pude saber que ele não errou; o que há de errado é a escola marxista. Ele nunca falou o que está na boca de terceiros. Ele não foi socialista. Foi do primeiro tipo dos niilistas reconstrutores, esse que acabei me tornando, ao lado do tão antes-dos-outros Nietzsche. A literatura russa é muito bela, a francesa também... mas não consistem, Camus e Dostoiévski, no niilismo necessário para a História. São apenas figuras que se debatem ao invés de seguir em frente.

Os acadêmicos contemporâneos falam demais em crise. Como nunca. E de uma forma diferente dos acadêmicos do passado. Aliás, é um uso excessivo do conceito de crise. Que não é vão. A civilização de fato se encontra em sua crise mais aguda.

No século XXI, que assiste à reta final da compressão espácio-temporal de todo o sistema de valores milenar do "homem branco", na condição do Capitalismo global, que se assenta em bases patéticos... Dará lugar o animal. A vitória da sinceridade. A despeito de se repaginar de forma cada vez mais incrível e complexa, as refundações das cinzas, logo novas fênix, do processo de acumulação do Capital infelizmente [digo, do ponto de vista dos infelizes] têm um limite. E ele está bastante próximo.

A hecatombe nuclear é muito fácil de prever. É a destruição física sem a qual não há vida. Porém sua conscientização prévia permite a reflexão detida acerca do que afinal está puxando o homem para a desintegração atômica.

Antes do cintilar máximo do impulso anti-vida do homem econômico, este um homem de letra minúscula que não consegue se achar, o sistema ruirá ideologicamente, devido às próprias contradições do Capitalismo, que após tanto se regurgitar e debater se tornam invencíveis ao próprio monstro que se é. O homem estará liberto. De um modo inédito.

Trata-se da crítica dos epistemológos, os senhores nos porões da Ciência que têm a força de guiá-la doravante: jamais fomos modernos. Ignoramos, imbecilmente, a própria vida em prol de algo fora dela. A vida não é um meio. Ela é o fim. O fim último. O amor ao corpo, ao ser o que se é, ao poder que emana DO PRÓPRIO CORPO é a descoberta do animal. Se eu demorei 20 anos, a coletividade parece que está levando mais de 5 mil.

Ah, não tenha dúvida! Muito sangue vai jorrar! Mas ele nunca foi tão vermelho. E nunca significou tanto sangue. Vai ser a guerra das vontades individuais. Nunca numa guerra se matou por deliberação e volição individual máxima e suprema. Havia um mero interesse pré-moderno por trás.

O novo homem é o animal. O animal que fala, é preciso que vocês estendam esse escopo do dicionário Aurélio para pegar o espírito. É o animal como nenhum e como todos. Porque ele mata, ele é cruel. Mas não sabemos ainda o que é matar e o que é ser cruel. O dinheiro aprisiona tudo. Todo o jorro.

A propósito, a idéia de Deus muito se relaciona com toda essa temática. Esse é o conceito supremo e inigualável do animal homem. Deus é a força que ao mesmo tempo está e não em nós. Deus, a idéia. Não deus o conceito industrial de massa.

Derivando do mais genial que o homem já se desenhou, possibilita-se, E JÁ NÃO ERA EM TEMPO, a junção das estruturas à ação individual: queremo-lo, e a História também o quer.

Está acabada a exposição de hoje.

Para o futuro, preciso ler e reler alguns livros: Jamais fomos modernos e Fenomenologia do espírito serão experimentados nos meus próximos períodos de férias. Bruno Latour e Hegel, além de Marx e Nietzsche que citei acima são fortes contribuintes do que sou hoje. Acresço Edgar Morin, os gregos, as próprias Ciências Econômicas, a mais pura negação da Gaia-Ciência, que é a ciência do homem animal. Afinal, sem essa última anti-escola eu não poderia ter enxergado seu oposto: o paraíso.

Meu projeto de refundação também implica algumas mudanças sociais, como o afastamento de algumas antigas amizades tornadas sobretudo indesejáveis para o momento. Deverei ao menos, eticamente, expô-los a motivação do expurgo da minha vida. É uma medida que, admito, não pode ser tomada da noite para o dia. Na medida do possível, no cotidiano, é bom omitir meus verdadeiros conhecimentos e meu nível filosófico, a fim de não prolongar situações tediosas em que tento não parecer estranho às pessoas (aos infelizes que se situam kilômetros atrás, mas que em determinado ponto histórico marcharão comigo). Todo o invólucro teórico que absorvi de 2006 para cá pulsa em mim agora e pede mais. Minha fome é muita. E mudei de idéia quanto a uma pré-tese ou pré-cálculo: o Super-Homem não é um modelo para uso apenas congênito. É algo passível de materialização. A História marcha para isso a cada detalhe. Eu sinto o Eterno Retorno fluindo por mim. Eu também o integro. Sinto-me satisfeito.

Procurando uma rápida resposta para inevitáveis objeções que receberei nesse enceto de tão colossal projeto, prefiro esta opção:

"Como pode a humanidade estar inscrita em algo que individualmente todos odeiam?"

Voltarei.



Escrito por wormsaiboty às 22:51
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CARTA CIBERNÉTICA OTIMISTA

A civilização está - devagar, mas ainda assim! - se salvando... "Tudo 'culpa' do legado filósofico"

Ora, ora, Michelle [amiga minha, extremamente relativista],

Talvez sejamos isso aí: os melhores, mesmo. O centro da civilização, digo, de todas as civilizações; do próprio universo; afinal, demo-lo um nome e não é arrogante usá-lo, então. Não há outra explicação para termos chegado ao cume da auto-crítica, o que um povo indígena jamais lograria.

E nossa superioridade será especialmente comprovada quando ela mesma for levada ao cabo, que é o que está em vias de acontecer (e a vida não é exatamente esse tipo de contradição conjugada?). O surgimento de uma ciência como a antropologia - ops, o surgimento da ciência, mas enfim, que bom que ela chegou até este curioso subtipo! - só denota o quanto possuímos uma capacidade que outras culturas não detêm: a do progresso. E o progresso chega a um ponto de questionar o próprio progresso! Acredito que esse é o AUTÊNTICO progresso!

O capitalismo cada vez mais contraditório, sem condições de existir indefinidamente; ao mesmo tempo, o galgar da democracia - pese em que dentro de seus inúmeros percalços - e a necessidade da formação de um governo mundial; e a concomitante transformação do homem civilizado em alguém mais animal, que vem junto, e em resposta, ao processo de burocratização... Tudo isso junto corrobora uma estranha tese, que estou levantando agora, muito por 'culpa' sua, a de que Hegel é o senhor dos senhores [desculpem-me a falta de contexto, mas essa "carta/scrap" só nasceu porque a Michelle considera meu ídolo Friedrich Hegel um pedante].

Por:

Rafael, o "novas conclusões a todo momento"



Escrito por wormsaiboty às 22:31
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