Julgo que não precisarei comentar tão longamente a respeito de textos passados que continuam de interesse para os desenvolvimentos do TRANSCENDER. Vou aqui fazer um breve intercurso, citando alguns dos mais queridos:
“A ESPERA PELO SUPER-HOMEM” (de 10 de julho desse ano) deve ser encarado como a pastilha de esperança de que se precisa. A temática do porvir e do futuro – na ausência de qualquer chance de demonstrabilidade – é bastante delicada e a mensagem transmitida aqui é a da espera confiante, em um teor aliás bem próximo ao do “POR QUE VOCÊ NÃO LUTA?”, sub-texto da resenha do XVIII Brumário, de Karl Marx, um dos mais lidos pelos meus amigos mais próximos, cuja palavra-síntese seria, em minha opinião, “paciência”. As lições da paciência e da esperança são complementares. Fica faltando aí um elemento para complementar o tripé nietzscheano (a paciência e resignação na forma do camelo; a esperança e a inocência do devir na forma da criança; e por fim o vigor e a força destrutiva/criativa do leão – talvez estes sejam bem-representados pelo DA CULPA, a apologia do crime. O que importa, no fundo, é uma ética positiva em relação à vida e a consideração do princípio de rivalidade como norte de cada momento para a existência, o que aliás eu transmiti belamente na breve resenha de Rocky Balboa, com a história da “vaga que precisa ser encontrada todo dia”).
Recentemente, li um prefácio de obra-coletânea inédita de Nietzsche até quase um século depois de sua morte, do professor Flávio Kothe, da própria Editora UnB. Sua mensagem é a de que a promessa messiânica de um para-além-do-homem de Nietzsche o põe em pé-de-igualdade com Marx e sua profecia trágica a respeito do Capitalismo: eis uma “estranha convergência”, nas palavras do professor-doutor, que só deixam de concordar quanto ao método ou mesmo ao fim – embora muito se discuta sobre a idéia marxista do “comunismo”. Já apontei em texto passado as verossimilhanças entre esses dois autores – então a matéria, para mim, de fato, não é nova! Encontrei, inclusive, salvo engano, três pontos estruturais da obra de ambos que podem ser razoavelmente equalizados. Fato é que são dois imoralistas, cientes da decadência do Ocidente e do obscurecimento das Luzes que, apesar da crescente notoriedade século XX adentro, ainda não foram postos à prova – o tempo destes peculiares alemães que por pouco não respiraram o ar de uma mesma cidade ainda há de chegar. E sim, acolho a advertência de Kothe de que ambas essas posições adquirem ares de religiosidade. Obviamente, isso é irrefutável. Nietzsche sempre soube que seria alvo de culto como se fosse um santo. Mas mesmo que mostrasse sua reprovação, sabia seu destino. Não nego que sou religioso – isso seria estúpido, conhecendo a mensagem que quer ser passada (a de que o niilismo é a sobreposição do indivíduo com um deus morto) – e que espero, assim como o cristão, a redenção do homem para o amanhã. No entanto eu tenho uma postura de vida absolutamente divergente do “deixar-morrer” do mundo-verdade. Não é que esteja esperando um fato histórico, uma esperança retilínea, mas sei que esse momento chegará, como chegou, chega, está chegando (não há tempo verbal adequado), porque a história do universo já foi contada e se reprisa em auto-glorificação, como na curvatura interna imperturbável de um anel. O que se sucede é que minha vida ainda é uma célebre incógnita! No que eu puder ajudar a respeito dessa história já escrita porém desconhecida da transição para novos valores...
E, honestamente, se não puder ajudar estarei muito bem no meu silêncio poético. Sou adepto de uma religião que poucos no meu tempo-espaço poderiam compreender, a de uma invencível vontade de existir (levando consigo todos os paradoxos possíveis), de que as complicações existam e até aumentem. Alguma hora, alguma coisa irá acontecer. Ainda que não, terá valido a pena! Mas lembre-se: nunca se pode falar de si no passado, como a dizer “quando existi”. É sabido que se vive para sempre.
Encerro uma potência mais elevada que a de meus leitores. Sou um artista. Ao meu redor, este dispositivo que com a crise da razão se tornou símbolo da decadência – a linguagem – revive, ganha a vida tão ausente dos olhares e suspiros com que co-habita. E isso só faz de mim mais espetacular, uma flor que desabrocha no deserto mais árido. Sou rico em proporções que um simples leitor não pode mensurar. O propósito de uns é receber, o de outros participar da forja do anel.
Este foi mais um balanço momentâneo de minha obra até aqui.
Escrito por wormsaiboty às 00:58
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TRANSCENDER 13 (B)
ELEFANTES ACADÊMICOS
Genial reviravolta anelídea
120: rememorando que a obra-de-arte é auto-explicativa. Página útil na discussão da fronteira entre participação ativa-passiva no meio audiovisual. Eu só recebo? Sou também produtor. Porém, produtor no sentido de que interpreto “o que me é dado”. Criar seria diferente de participar do já criado, ativamente que seja. Nietzsche, o esteta do absurdo, nos brinda com o ganho psicomotor que isso representa... Um mundo de criações e dejeções. Sentimentos são sentidos por músculos, e o artista é o que sente.
Vivenciar uma tragédia em meio econômico capitalista já é um ganho de potência. Não é desfeita a polarização sujeito/predicado [ou será que é desfeita?]. Até que ponto trata-se de “aliviar culpas”? E em que ponto enceta o “produzir libertação”? Este é o debate acalorado em torno do meu tema. O “aliviar culpas” pressupõe que temos uma expiação cotidiana (descarga psicofísica), o “hedonismo”, em resposta à problemática cristã. Trata-se aqui de ser o passivo esgotado nietzscheano. Dias depois sua necessidade (contrapor o desprazer) será novamente exposta. PROCURAR MAIS DETALHES QUE EM SOCIOLOGIA DO ESPORTE ACERCA DAS “CORRENTES DE VALORIZAÇÃO DO CORPO” DO NEO-PROTESTANTISMO – OU APENAS RELER AQUELAS APOSTILAS... (Weber fala disso no finzinho de seu A Ética). Mas não cumpre papel de sinal demarcador, de ponte, transição? A amoralidade é o primeiro passo para a imoralidade... O sentir-se culpado e o realizar-se estão muito próximos, e de fato a auto-realização deve ser cotidiana (ética trágica), embora atualmente ela seja apenas mediada por Platão. Eis aí: encetam-se os casos de interferência na realidade – TIROS EM COLUMBINE/ELEFANTE – meu filme torna-se perfeito aqui: pastiche: Beethoven’s 9th e documentários sobre Hitler; nazismo com beijo gay; videogames violentos e bullying; e-bay, estrutura familial e escolar. Todos confusões do caráter trágico da cultura ocidental(*). Como resolver a questão? SERÁ QUE MUDO O ENFOQUE DA TESE PARA ESTE? BRILHANTE! Atos são atos. DA CULPA – creio mesmo que, adaptado e recauchutado de referências, aquele texto se torna um achado acadêmico – terrível ironia! Continuando: e os jovens são bodes expiatórios da escola – e a narrativa é um anel, talvez propositalmente para evidenciar a falta de culpados. Poder-se-ia responsabilizar a escola pela liberdade possibilitada! A família e sua desatenção! Mas, quê...!!! Não percamos tempo! QUEM LEU DOSTOIÉVSKI AQUI SE VIRARÁ BEM: Eis o perigo do sociólogo-estatístico de associar fatores como “n° de execuções de música clássica na rádio local” com “aumento da criminalidade”.
(*) Isto é Marx e o auto-fenecimento. Elejo Renan o molde platônico do imbecil que não me compreende...
“Serei um grandessíssimo criminoso, uma cria do Estado que o agride absurdamente!”
Por que o Édipo-Rei soflocleano seria uma tragédia?
Os alunos da escola pública que se preparem... Porque a realidade petrificada tende a se destruir em prol da conservação do não-equilíbrio (“e esta é a única coisa que está demonstrada!” VdP): o filho é uma potência conseqüência de pai e mãe e a causa de seus finais. Criar e destruir se confundem! Só o que mata vive! A existência são problemas, existir significa problematizar. E Édipo, seu povo, os reis e a esfinge são altamente comparáveis ao cenário elephantiano à o peso da culpa. E Édipo e seus crimes hediondos foram uma coisa casual – selecionada mesmo só na hora de contar!
Resta saber, então: o telespectador médio da cultura de massas de Morin é trágico neste senso? O mundo é a criação contínua. Está em prática a reverberação dos ideais cristãos como a iconoclasia (termo ambíguo!). Porque em si a adoração dos ídolos que vigoram encerra o próprio destino fatídico. A sociedade produziu Nietzsche e Nietzsche produziu a própria má-fama atrelada ao Nazismo. LER UMA AUTOBIOGRAFIA PÓSTUMA DESTE MALDITO POR EXCELÊNCIA! A resposta não pode deixar de ser ambivalente. O limbo. Moram em frente à TV, encarnados na individualidade (essa mesma uma confusão entre alma/essência e vitupérios sociológicos de causa-e-efeito) o Cristo e o Anticristo. Todos salvam e todos danam. Todos são padres loucos. A prostituta freira (Sônia).
Talvez essa massa disforme não passe de um grande rascunho que sirva de entrelaço entre várias coisas que irei desenvolver... tentarei quitar os vermelhos desta trama...
O QUE É O TRÁGICO?
É que a própria ação do dono sempre se volta contra ele. Sartre não assume a própria liberdade (favor ler “DA PASSAGEM E DA CONTINGÊNCIA”)! O que engendro eu a seguir? Que tipo de contenda fabulosa? Eu sou minha diarréia, gengivite, tabaco da lenta morte, dente quebradiço, auto-intoxicação: e sou o MAIOR indivíduo que já pisou nesta terra... Tudo eu cultivei. Eu cultivei minha janela-de-ferro com duração imprevista. Eu escolhi nascer no mundo mais decadente imaginável. Eu anelei o existir... Como dizer que eu não seria Deus? Você sabe o que é EU! As coisas se imbricam. Mas eu sou o incrível cerne delas. Sou o resumo da história a longo prazo. Deus está morto porque se matou... Esqueci o autor da frase: “A única desculpa de deus é que ele não existe” Stendhal.
Só falta a cereja do bolo da catarse. Gênese da palavra MÍDIA: mediar [ainda posso pesquisar mais a fundo – época do Jornalismo + leituras pendentes]. Artistas (todos recebem e dão em igual grau; há uma afluência mais rica em meu entorno – me dão mais! Tudo é quantidade de experiências. Teoria-prática, o diálogo infindo, meus sonhos cresceram! Sou mais sensível porque troquei mais sensibilidades), Nietzsche, todos são. É inegável, claro, que nós magnetizamos um quantum maior de potência. Há furibundos e há Napoleões...
Não há qualquer relação verificável entre o CONSUMO DE ARTE e o ETHOS, a não ser uma cômoda flecha dupla. Nunca a sociedade criou uma máquina de predição de crimes ou um scanner para determinar com 100% de exatidão que um indivíduo, por tais e tais antecedentes, cometerá um crime (lembrou de algum filme?). O enigma é invencível. A sociologia, sendo trágica, não pode sequer estremecer a meta-physis.
Ouso o bastante para redigi-lo no projeto da UnB? Por isso me dói pensar na temática: me revolto com a crença na certeza (ainda bem – o primeiro passo para não cair no messianismo)! EU, UM TEÓRICO E APÓLOGO DO CRIME!
A vitória do presente sobre o passado e o futuro – juventude. Características do PRESENTE ETERNO televisivo. Um filme é um sonho? [contexto de “A Aventura”, de Simmel – postarei depois] Compressão espácio-temporal em David Harvey (RELER), O Homem unidimensional (Marcuse)... CHOQUE FUTURO entre o IMPULSO ECONÔMICO e o IMPULSO NATURAL (antinatureza x essência, ou quantidade x qualidade), o desencadeamento do duelo apolíneo-dionisíaco... O homem vive a aventura fora dos músculos, uma tragédia platônica... Estranho crossover...
Aventureiro é jogador, é uma criança, inocente -> DOSTOIVSKI “O Jogador”
“a vida como um todo pode ser sentida como uma aventura” – modalidade de vida superior à aventuras empíricas (SIMMEL E A MODERNIDADE, p. 174): na mídia, há uma mediação, não se é um sujeito pleno, e o acaso é falso. “Talvez nossa vida terrena consciente seja somente uma parte isolada”.
Zaratustra, que observa o leão comendo seus hóspedes, ébrios, ESTE LIVRO É UM GRANDE JOGO. E NÃO É NEM PODERIA SER TELEVISÃO. ESTA É UM DIÁLOGO, UM MERO PRÓLOGO, STIMULUS, DO HOMEM MODERNO A FIM DE SE TORNAR TRÁGICO.
O aventureiro é um niilista – não crê em nada, ou que cada ponto é tão sólido quanto o vapor. Tudo é possível, e há tempo e lugar para todas as coisas (HARVEY).
Eu penso que nasci premiado de uma estranha loteria... Que faz da minha vida a maior saga de um homem.
“instinto místico” do “gênio” (p. 176, op. cit.)
P. 177 (id.) – “cultura feminina” = PASSIVA. Omissão na fruição midiática. A mulher necessariamente é a “recebedora de presentes”, mais pobre metaforicamente. Aliás, a mulher é um embrulho. Pênis e vagina (fácil discorrer sobre): um oferece a riqueza; a outra apenas recebe, recepciona, porque não tem aquilo que dar. “mulherzinhas histéricas!!!” (VdP)
Uma sociedade que ENVELHECE é uma sociedade que DECAI. Será que estou vivendo o meu auge? O fulcral é o risco de vida: e na televisão ele não é real. Vive-se a experiência da morte no intuito de se arriscar a ela no plano real. Estímulo/treino!
Filme -> aceleração, velocidade, devir -> o AQUI e AGORA p. 181.
“Entre o empreendimento burguês mais seguro e a aventura mais irracional há uma série contínua de manifestações da vida nas quais o compreensível e o incompreensível, o provocado e a graça concedida, o calculável e o casual se misturam em uma infinidade de graus.” P. 183 – talvez seja impossível a aventura pura, o ideal, e igualmente não há a ascese burguesa total
TEXTO – mensagem 50 do Y!G textoscs: http://br.groups.yahoo.com/group/textoscsociais/message/50 “Os novos desafios epistemológicos da Sociologia”, por Jean Michel Berthelot. Desde que autores estapafúrdios como Comte saíram de cena, o tema central da Sociologia navega nas velhas águas sujeito-objeto (teoria da ação em voga), ou sua falta de águas, o fosso latouriano. Qualquer sociólogo de presteza sabe não haver sociedade ou indivíduo, a coisa-em-si (a crítica profunda de Nietzsche surtiu efeito) sem a consideração do olhar do seu próprio complemento. A verdade se esgueira, se contorce e desliza. O problema é ela se apoiar em dualismos mais desbotados que o próprio Auguste Comte, natureza-cultura, teoria-prática, EMPIRIA! Belo parto platônico... Sem abrigo sob o Sol torrante fora da Caverna... Uma ciência de proposta tão dinâmica sobre bases incrível e falsamente sólidas! É por ACREDITAR no mundo moderno enquanto procura rompê-lo que a Sociologia é a crise em seu último grau... É um problema do Ocidente e da Linguagem, insolúvel, sabem os pós-modernos! Só esperemos a consumação da Tragédia para nos entendermos com a senhora Arte... E são contra os sociólogos que poematizam!
Quem será meu orientador? Seu Eurico, da “aula mágica” do Weber?
Escrito por wormsaiboty às 22:57
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TRANSCENDER-13 (A)
CRIME E CASTIGO – Dostoievski
-exemplar grande, preto
Não leia estas anotações caso não queira ser estuprado por revelações da narrativa.
Pp. 296-99 – cerne do livro: Rodion Românovitch Raskólnikov explica suas intenções ao escrever o artigo de Direito para o jornal: a sobdivisão da humanidade em duas classes de homens: os ordinários-conservadores, que se fiam pela Lei, e os extraordinários-transgressores, que cometem o crime e mudam a lei (projetando suas implicações para os vindouros, que aceitando-as estariam automaticamente no primeiro time), quando bem-sucedidos, ou que o cometem para em seguida ser guilhotinados, em caso de descuido ou preponderância da moral sobre o instinto libertário.
Pp. 376-378 – o encontro dos dois pecadores clássicos: o assassino e a prostitua. Vender o próprio corpo – fazer vazar o sangue – e inutilizar o alheio – idem – constituem os dois tabus fundadores da coletividade humana – ou da Pré-História do homem. O Pós-Moderno e o insulto do Dia das Mães me cheira a reviravolta, uma guinada rumo a algo novo. Para assassinos e prostitutas não há família. Não há totem, não há tabu. Sem o cabresto, a liberdade e o poder. Eis o Homem, maiúsculo.
Mercado do Feno: alusão à imundície, sujidade, local de cometer ou de bolar um crime.
475 e passim – reminiscência com Sônia: razão para o crime...
SEXTA PARTE: tudo parece se resumir a “ter um novo objetivo”.
O grande dado acerca do crime é que ele não encerra provas – exceto que se encontre a tal pedra, sob a qual se encontram pertences da velha. É um caso cuja solução reside, como tão falado, na psicologia. E aí se depende, também, de algum erro por parte do criminoso ou réu.
562 - A cilada do antagonista – devo supor que o melhor amigo acabará por casar-se com Avdótia e Raskól findará preso. Mas por onde andaria o falsário do ex-noivo?
Sobre o protagonista recai um antes inesperado sentimento de culpa e ele confessa o crime. Afirma, no último diálogo que manteve antes da revelação à polícia, que não é um niilista. Neste momento mais se assemelha a um cristão, de fato – embora o Cristianismo seja o niilismo passivo em sua mais descascada acepção.
E a mãe, esta foi blindada da verdade, o que me remete a Adeus, Lênin.
A redenção está no amor – e num que platônico não fosse!
O sonho de Raskól no cativeiro: a guerra de todos-contra-todos. Uma aventura sem fim, contingente e incalculável.
Escrito por wormsaiboty às 22:10
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Estou-me iniciando na poesia e não é de hoje. Verdade que até ontem não as publicava...
1
(sem data precisa, meados de 2008)
O QUE FAZER COM A MEDIANIA?
Ela me olha aonde eu vou
Ela senta nos meus assentos
Ela fala como pretenso sábio interlocutor
Ela pergunta: por que anda trocando
a prosa por poema?
É instinto!
Não desejo mais que um ou dois seletos
Cheguem a minha essência;
pois enquanto minha essência e não
algo dado
obviamente ela só é tirada de mim
(quando a olham e a tocam)
Prefiro meu jeito – de cultivá-la
E desta vez é a sério: sem acidentes
E então, aforismático? Suas necessidades vêm crescendo... O que fazer com a vil ania?
Fá-la morder a isca!
Que leva a seu fel.
Nunca hoje, mais, ando encontrando a parceira. Havia de ser mulher não-de rebanho. Essas meninas do campus são todas novinhas. Umas virgens ou depravadas! Eis um campo sem direito a parcial. Enfado-me tanto mais quanto venço a mim mesmo todos os dias e coleciono troféus! Sei que durante alguns momentos sou visto como deus. Minha próxima vitória é ampliá-los.
Sei, outrossim, que meu sistema psicomotor e as dificuldades impedem que eu deixe de cometer alguns deslizes. Ah, o sono... Essa peste que me detrata... Se eles são gatos, eu sou o velhinho que escarra...
Aliás, em Camus há sempre um sádico de animais!
Eu sou o sádico do meu zoológico e da minha veia esquerda. Quanto mais faço bocas cessarem de falar me comprazo do meu desprezo.
Quem é a próxima vítima...
1... 2... 3... Testarei algo...
Calarei a boca e não citarei mais Nietzsche.
O primeiro que encher a boca... e perguntar dele, como bem fazia outro – ou se utilizar de bordões nefastos – teria preferido um sopapo...
Estou farto dessa herança desse dogma de participações...
Com quem eu mantiver interesses de segunda ordem esta regra não vale – ainda sei ser econômico no senso cristão!
Quero testar mais que qualquer coisa ali onde o cansaço de qualquer modo me neutraliza... O silêncio – o velho silêncio – na mesa do bar... E nada súbito. Distanciamento gradual, o melhor... Adeus, rostinhos – já bastou de confidências.
Escrito por wormsaiboty às 23:14
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2
21/11/2008
17h50
Poemeto Gusano?
Começamos a duvidar de que o tempo já tenha passado...
Se há algo a louvar nesta época
É a rachadura dos ídolos
A Lei da Inércia
Cair no Ridículo
Um gato-zumbi
Uma explosão
Podem ser as respostas
Para todas as perguntas
Que podem conter
novos pontos de interrogação
3
21/11/2008
20h42
Arqui-inimigo transcendental
Quem, afinal, é meu inimigo mortal?
Minha família stricto sensu? (eu vou colocar o itálico na sua bunda)
A vizinhança burguesa? Esta chafurdou em ostracismo!
Algum algoz de longa data que sinto que esteja a minha altura?
Sua potencial inexistência talvez explique minha crise de poder
Nenhum capitão honroso com quem medir forças
Parece que vagarei mais tempo no lombo do burro até encontrá-lo – este outro eu.
A propósito,
não é o amor uma forma de ódio?
Este conter aquele não deprecia o primeiro, senão que é toda a razão de seu vigor
Talvez o mundo seja o meu inimigo, porque me jogou em adversidade infinita. Infinita em termos
É certo que posso contá-la!
Para depois cobrar o débito!
4
21/11/2008
20h55
Ditaduras e glóbulos
Por que escrever poemas
É o meu caminho
Se minha opção é por encravar mais um espinho
Na mão já espicaçada
que é que vossos sermões têm com isso?
Se digo o que tem mais valor,
sou autoritário
Se demonstro,
sou conquistador
Entre Mussolini e Napoleão
Menos de uma galinha
que um ladrão pode muito bem roubar
ps.: Sangue não se produz em açougues! Eles só o fazem jorrar aos montes. Eu sou um artesão venal, e treze dialéticas não iriam me desmentir. Quero ver esse espinho reluzir ao Sol. Um Sol mitológico ainda não encontrado. Não perdi por enquanto o respeito pelo Sol. Para mim, ainda é Sol. Não sol
Escrito por wormsaiboty às 23:13
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Procurem minha entrada de 7 de janeiro de 2008: “Da passagem e da contingência da estadia no vagão”. Um texto-achado filosófico (tenho medo das reações que essa palavra desencadeiam)... Eu gostaria de completar com algumas afirmações, listar os comentários das visitas para aquele texto (confiram ali, está igualzinho, apenas editei os fragmentos de D. para que ficassem em uma tomada só, coisa que na caixinha de comentários não era possível, além de ter suprimido um comentário que não dizia respeito ao texto) e, então, encaixar outras falas minhas.
*** leia o texto agora!!! Depois volte aqui... ***
Considerações a posteriori: reli este texto hoje, no falecimento de uma tia nova em acidente de carro, e o texto pareceu absurdamente mais atual! E quando me refiro à contemplação, faço menção à única contemplação possível: a participativa, a sensitiva.
Extenso leque de comentários, à época:
Pra começar, para que usar da frieza enquanto se caminha para o frio absoluto, que é a dissolução do nosso corpo nesse etéreo onde experienciamos os sentidos supostamente o real? De minha parte, prefiro ser tão quente quanto eu não fui com minha mãe. Mas minha interpretação do que vc disse depende se vc é frio ou nao com sua mãe (eu suponho q sim). E diga, os problemas com as mulheres estão sempre ligados à nossa figura de mãe? Não que eu ache vc um "fiel" de Freud, mas libertamo-nos do édipo. Ou temos capacidade. Sempre com experiências psicodelicas nas lembranças, nao consigo concordar com "um nunca pode ser dois". Talvez pq uma coisa, imediatamente, seja somente essa coisa. E imediatamente o um nao pode ser o dois. Mas assim, no indefinido, "um nunca pode ser dois", nao consigo. Até onde me julgo humano, descarto a racionalidade como fator de maior "exuberância" da especie, ou como caracteristica de ouro. De fato, é nos momentos em q me perco na consciencia racional que sinto-me proximo de qualquer coisa semelhante à "verdade", ou ao que nos referimos como verdade. Enfim, algo meio transcendental (num sentido mais ordinario, nada kantiano). É quando ocorre sinestesia, quando ja nao sei quem sou, entende? Então, sim, porque eu nao sou vc? Os fundamentos da tecnica, tornar-se são! Mesmo cotidianamente contrariar isso... Talvez um sentimento religioso com a humanidade hehehe, mas nao uma religiao niilista como a cristã (acho q discordamos sobre oq é niilismo, oq nit martela, etc). E vei, justamente pq depende de um FUTURO passageiro, de uma futura consciencia, de OUTRA, de OUTRO, de alguem que, cotidianamente, nao é vc, eh justamente por isso q nao eh TAO grande responsabilidade.
E mais, ess@ futur@ passageir@ aparece, sobe no bonde, quando menos se espera, assim que é gostoso! Infortunios, ou melhor - pq aqi nao se trata de sorte ou má sorte -, acontecimentos esses, inesperados, dão graça à vida. A VIDA nao é uma peça de teatro para assistirmos (ou novela, como qeira). Ser mais um espectador, por mais q seja um espectador crítico, perspicaz, não chega à um décimo do q é viver plenamente. E NISSO chorei com o último paragrafo: a graça da vida está nela mesma e na nossa desorientaçao sinestesica, em experienciar "infantilmente" momentos, e tentar expandir esses momentos para se tornarem o como da propria vida, criar sentido, mas sentido unico e proprio. A arte COMO VIDA e nao como objeto externo, num museu ou em departamentos nas universidades afora.
Dionísio é, faz, dança. Apolo está, parece, posa. Contemplar é morrer, e quando morremos nada mais nos resta alem de contemplar - contemplar o nada, contemplar a caixa de madeira do caixao. Na vida, a melhor imortalidade eh viver, mas viver gozando.
Comentando o comentario da Nanee: O ciclo "obritagorio" pra mim eh o espontaneo, o único "biologico" talvez. O problema pra mim são os ciclos q nosso meio nos impoe: Work-Buy-Consume-Die (tentei pensar algo em portugues, mas em ingles fica mt melhor). Enfim, eh por ai...eu ainda acredito em divindades e experiencias humanas qeridas.
D. | 02/02/2008 14:18
Morrer deve ser chato. E ter família causa gastrite. Sobre ter filhos, eu também não quero, mas toda vez que falo isso algum filho da puta vem com papo de que eu vou ter um monte (e na cabeça dessas pessoas vou carregar os verminhos pendurados em mim por toda a parte, que nem um retirante). Esse ciclo "obrigatório" de vida me deixa louca! Nasce-cresce-reproduz-morre. Bah!
Nanee | http://ladymoondust.blogspot.com | 07/01/2008 15:02
Gostei do post Worm. Você anda um pouquinho suave, que foi isso!? Renovação de energias pra 2008? hahaha beijos!
Liz | 07/01/2008 13:14
Comentários acerca dos comentários:
Liz, você realmente acha que “peguei leve”? Infelizmente esse vocativo é retórico, pois não vejo ocasião de entrarmos em contato de novo...
Ciclo! Ah, esta palavra me remete ao tão-mais-bem-vindo anel... Todo mito é circular. Eis o humano, eis a perfeição do mortal e eterno!
Sim, D., você captou a essência. Quis dizer realmente que sou frio com ela, mas não sou freudiano. O mito de Édipo é grego e, obviamente, foi bastante deturpado neste século XX! Minha interpretação dele é que “matar o pai” constitui “matar um leão por dia”, a superação contínua de desafios; e se relacionar com a mãe tem a ver com a Gaia, sua origem e sua situação neste mundo. Nos posts subseqüentes eu vou promover algumas novas correlações com o mito de Édipo.
Também passo a concordar, depois de tantos meses, ou sempre concordei mas não pensei a respeito, com esse um sendo dois. Assim como 2 mais 2 podem dar cinco. Só que mesmo que eu fosse a soma de duas partes ainda assim teria uma essência a eles estranha, esse o caráter trágico da realidade criadora-destrutiva.
Sobre a sinestesia, tacitamente sobre Baudelaire, concordo. Acho que toda a maldade (a construção do sentimento de absurdo, melhor dizendo) deste mundo advém da consideração de um indivíduo. Na verdade, retorno ao problema numérico: não há o indivíduo, ele não merece essa sobrecarga. Sartre atribuiu ao ser liberdade infinita e isso terminou por sufocá-lo. Isso não é verdade. Somos o devir, e, ora, números são só números! É por isso que convencionalmente podemos traçar qualquer coisa... Mas tampouco isso significa para mim, atualmente, cair na pós-modernidade. Conversando com alguém pouco iniciado em Filosofia no campus semana passada me disseram que “se toda linguagem pode ser desconstruída”, por que eu ainda deveria discursar? Para que viver? O “para quê” é o monstro dos monstros da civilização ocidental, mas eu já o encarei no espelho; e se aproxima muito do que você disse. Em minha grandessíssima opinião (e não modesta!), matar-se ou recusar-se à vida são apenas desperdício. Na mente dos incautos o desperdício é “gastar energia”. Não “somos” para outra coisa! O rico quer dar! O pobre quer conservar – e nunca consegue... Pobre de espírito. Os ricos de hoje não são ricos, se bem me entendem... Se hoje cometo suicídio, não “chego ao nada”, como deixei entrever por este velho texto do vagão. Gostaria de cancelar tal idéia. Não existe o nada, não existe universo coagulado ou cristalizado. O que são meses para remexer nossa cabeça! Matar-me hoje significa retornar ao meu parto. Só o que há é a vida, e seria um desperdício não “cometer” (usei esse verbo para se assemelhar ao cometimento de um crime, pois sou um transgressor por natureza) mais aventuras. Não ganharei nada, apenas uma reprise infinita, se morrer hoje. Já é em si uma bendição eterna, mas prefiro que essa bendição perpétua dos meus incomensuráveis nascimentos, em um universo cíclico, desejo que isso ainda esteja por vir! Ainda quero saborear mais o teor imprevisível do cosmo... Belo desabafo, e eu não o tencionava!
Pois é, talvez agora concordemos em o que seja niilismo! Vamos pôr essa conclusão “individual” (de um devir concentrado, eu diria!) à prova, quando você, D., me ler.
“E NISSO chorei com o último parágrafo” – você não vai chorar de novo. Parece que fui um bom aluno. Como disse acima, nas CONSIDERAÇÕES A POSTERIORI, porque não pude me conter, e tinha de dizê-lo antes de reler sua resposta indignada, não pude deixar esse mal-entendido por mais minutos... Talvez eu estivesse num limbo, querendo enunciar e não podendo. Porque não pode ser coincidência citar “Arte” e “contemplação” juntas. Pois bem: temos aqui uma contemplação transfigurada! O universo é tão perfeito que é impossível alguém SÓ contemplar. O mais platônico de todos ainda é carne, e escorre feito um rio...
Ainda bem que não existe um pós-morte! A não ser que estejamos falando do retorno do anel, do nascimento. Porque não existe estado fixo, ponto de equilíbrio! Se se quiser chamar isso de ATITUDE DIVINA, pois que se o chame! Mas as melhores criações são destruições: o melhor Deus é aquele que se destrói para que reine soberano (afinal, não haveria outra forma!).
Obviamente, o grande problema é como responder à pergunta “você acredita em Deus?”. Tanto faria, porque ao cabo não me importa, só que se eu quiser responder fidedignamente a esse alguém, terei de fazer longas incursões. Ou não?! Direi que sou politeísta, é um belo atalho... O ateísmo é só uma forma aguda de cristianismo... Deve ser patético não ser deus – sim, nem me lembro como era, essa época!
Para encerrar, sobre nossa confrontação com o ideal apolíneo que predomina no Ocidente, é por isso que estou fazendo o que estou. Posso estar me iludindo, mas abandonei o Jornalismo porque em primeiro lugar não desejava fazer duas faculdades e perder em vida. A academia é realmente uma ilha que pretende descrever o continente via telescópio enferrujado. Porém, meu sacrifício de quatro anos visará à vaga no magistério de escola pública. Pretendo passar minhas próximas décadas trabalhando em meio-período, dizendo o que quiser dizer para jovens de 14 ou 15 anos – e, sim, me construir projetos no restante do tempo. Nada de academês pra lá ou pra cá! Claro que essa “necessidade de cultura” nos absorve, mas ao ser festeira nossa sociedade contrabalança isso ao seu modo. Quero ler muitos romances, quero ainda ler muitos filósofos e escrever sobre eles, quero poetizar... Mas o principal não é isso... Nem reside o segredo em qualquer cerveja, música ou afetação feminina... Um quantum de experiência é o que eu quero, mas isso não me torna afoito para não me aperceber do agora...
Escrito por wormsaiboty às 23:04
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Em meio à elaboração do TRANSCENDER-13, gostaria de estar iniciando um ciclo em que revisito antigas postagens em busca de um auto-descobrimento que, nesse ponto, se faz essencial se eu quiser transvalorar. Começo com dois janeiros de anos diferentes... (próximos dias e horas)
Escrito por wormsaiboty às 18:39
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