X-TudoTudo


EU DANTESCO

Eu já visitei o Paraíso e voltei

Contei que fui rei

Riram de mim

Do profeta em mim

Mas quem senão eu

Para relatar

Os bastidores do pós-espetáculo

Se Real não é palavra por acaso

Que denota a realeza

De tudo que vai

E de tudo que volta

 



Escrito por wormsaiboty às 17:55
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ANÁLISE PSICOLÓGICA DO SEXO NO PORVIR

 

As orgias gregas não são como entendemos as nossas, porque eles não negavam o corpo. O Cristianismo é um estímulo catatônico à perversão. Universitárias com poucos dotes intelectuais logo se abandonam ao fogo, feito as bruxas. Estudo do prazer - dar ou obter o presente proibido/oculto. Mas tem de ser um jogo igualmente tácito, é assim que se joga. Se a libertinagem ganha publicidade e câmeras demais, inicialmente é prostituição, mas há algo estranho aí - uma mudança, um ganho contra o pudor moral. A permissividade como excitação (com predomínio ainda do sentimento póstumo de vergonha) cede à adoção hedonista como costume - não-proibido. Culto e re-valorização do corpo, portanto da nudeza. Enfraquecimento da culpabilidade. Perversão à inocência (re-helenização). Nossas orgias ainda são o culto do socialmente reprovável. Caráter de desafio. Os bacanais gregos constituem o exame duplamente nu da verdade e das possibilidades do homem frente aos deuses - ele nasceu assim, ele é isso. Celebração da vida. O sexo sob o cobertor, o fabrico da vida às escondidas, soa como algo débil, aviltante da natureza humana. Até o ponto de ter vergonha de testemunhar a cópula entre os animais!

 

 

 

"Se Goethe tivesse cavado um pouco mais fundo na essência da mulher, teria descrito um segundo Werther que foi levado ao suicídio não pelo amor frustrado, mas por ter logrado o amor carnal. Mil Werthers cometem suicídio espiritual, enredados na roda dos ciúmes, para cada Werther que quebra a cabeça porque uma plebéia idiota se recusa a atender uns suspiros apaixonados." Friedrich Nietzsche

 

"Eu amei; eu também sofri, mas, acima de tudo, eu posso sinceramente dizer que eu vivi!" Fiódor Dostoyevsky



Escrito por wormsaiboty às 16:16
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O MELHOR GOLE D’ÁGUA

 

Hoje eu compreendo o sentido de três mudanças na minha vida: ter sido expulso do Colégio Militar; ter rompido com a quase totalidade dos meus colegas de curso; não ter me casado. Quando Nietzsche formulou o conceito de Deus ex machina ele escrevia a serviço do cristão Richard Wagner. O Deus ex machina, se fosse atualizado, seria entendido como parte do indivíduo e de sua força - o sabor da roda do acaso. Sinto que estas três linhas divisórias da minha vida foram de obtenção inconsciente. Mas é o inconsciente nossa verdadeira fatalidade.

 

Não houvesse sido inconseqüentemente submetido a processo disciplinar na escola-quartel em que estudava aos 14 anos, provavelmente hoje eu teria profunda ligação com amizades daquele tempo. Faria parte de um círculo razoavelmente sólido na Universidade de Brasília. Gosto de pensar que sou um barco à deriva ao invés de uma ilha, então minha base fluida me permite conhecer novas águas. Hoje eu entendo a modalidade de comportamento daqueles garotos, uma vez crescidos, como não tendo sido alterada mesmo após tantos anos. Sinto uma diferença muito dilatada entre nossos pontos de vista. Eles são minha antinomia: os filhos, os profissionais e os cidadãos que eu jamais seria. Conversas tediosas, rotina hedonista (cujo sinônimo mais próximo é "pessimismo": falta de capacidade e de claridade mental para suportar a dor e até querê-la, como nascedouro de novas vitórias), projetos ligados ao dinheiro e falta de discernimento psicológico. Sem dúvida esta última característica é a que mais me irrita: não conseguem compreender as atitudes dos outros (eu posso estar feliz com a cara mais séria!). Tal deficiência é óbvia, pois seus universos são como a viseira de um cavalo.

 

O mesmo problema - exatamente o mesmo - se verifica entre novos jovens. Não tão novos assim: parecem cópias dos primeiros. Ao entrar no curso de Sociologia, procurei avidamente me entrosar. Conhecimento e reconhecimento instantâneos. Estava caindo na mesma cilada de quatro anos antes sem perceber. Mas novamente houve uma interferência do que eu posso chamar de "o manobreiro-eu", sua parte mais colada à essência, sua personalidade verdadeira, que opera sua casa-das-máquinas. Contra os incuráveis hedonistas - perguntem-nos por que bebem tanto, o que querem esquecer, por que preferem a palavra "solução" a "problema"! - encontrei a solução da mímica: me tornei o superlativo do beberrão. O que aconteceu depois disso foi a quebra de um dente da frente numa escada e o dano moral. Finalmente o operador se recostou aliviado e emitiu um suspiro: seu pupilo absorveu o recado. Pude iniciar meus rompimentos no campus: uma série que ainda não acabou. Disposição havia, mas faltava o motivo: um para cada um, como seria desgastante! Mas, ao fim, bela manobra! Infelizmente, depois de baixar a poeira, percebi que algumas cabeças permaneciam fiéis. Mas eram fidelidades que doíam. Querer-se todo para si: esse é o extremo do amor! O próximo trabalho, em curso, está sendo revolver essa gente, que também me faz sentir apequenado. Já não basta a carência de rivais dignos, para injetar um pouco de graça? O que há no momento são mil sombras indiferentes e alguns adolescentes que ainda me incomodam por estarem do lado que se chama de "os amigos": não há grupelho mais propenso a destruir o que um tem de mais valoroso do que esse. É preciso tomar muito cuidado com cada coisa que deles se ouve e com cada postura que eles sub-repticiamente nos incitam a tomar.

 

Meu plano inicial - e falo de outro tipo de relacionamento agora, ocorrido cronologicamente entre esses dois primeiros marcos citados - era terminar a faculdade de jornalismo já despachando num jornal e me casar. Havia pressão da namorada para que isso acontecesse, e como ela era "o bem mais precioso" eu tinha de me esforçar. Uma vida inteira ao lado de quem se ama, a segurança sexual almejada pelo homem, quem sabe daí a vôos mais altos: lindos filhos, a propalada vida do bem-estar. Era o vírus do hedonismo, do ser humano sempre apático diante do que a vida tem para oferecer, esse querer-se enclausurar num conto-de-fadas, que me atacava outra vez. Como o ferrão de uma abelha, ou a agulha de uma injeção, de quem espera a anestesia, a sonolência, a amnésia profunda. Eu havia me esquecido que o amor perverte mais do que a amizade, é a amizade que dorme consigo na cama! A amizade de papel lavrado. A amizade não é o problema. Mas ser a amizade errada, e não sabermos onde raios se encontram as certas. Parece que não há naturezas como a minha. É esse o preço a se pagar por se desejar um pouco de desafio, querer tomar um gole d'água gostoso, e não porque se diz por aí que beber água faz bem para a saúde? Que bem é esse? Viver mais enquanto se nega a viver? Minha potencial noiva se apaixonou por outro e o sonho americano foi pulverizado. Aos 20 anos, eu confesso que sei demais: muito mais do que jovens hedonistas, cuja preguiça me cansa. É preciso aprender, tolinhos, que o gole d'água só é gostoso quando se está com sede...



Escrito por wormsaiboty às 17:31
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DESENCANTO E REENCANTO DO MUNDO

 

Lendo CartaCapital e a matéria sobre o barulho crescente de São Paulo e juntando isso com o NECROSE de Edgar Morin eu cheguei a um importante insight: contrariando - ou, antes, solvendo a dúvida da - minha nota prévia (abaixo) sobre o horror nuclear, o grande fenômeno que parece demarcar o início da derrocada do Ocidente e que sucede imediatamente o sucesso ou ponto máximo da era fabril é mesmo a Segunda Guerra Mundial. Agosto de 1944, para ser mais exato. Neste momento os embriões congelados das criaturas e coisas trágicas começam a fermentar. Este é meu procurado "turning point" da transmutação de todos os valores. É a este momento de sangue semita-japonês que Nietzsche se referia com garbo meio século antes. Apesar de índices enganadores como o Neo-Liberalismo pujante dos anos 80-90, isto já é decadência, pois o fôlego dos Estados representou a espoliação das massas, assim como o poderio soviético nos anos 50-60 é a demonstração de que a assim chamada cultura moderna não consegue sustentar seus ideais, embarca com fé numa nova solução, uma resposta para a crise, a qual irá tombar.

 

A Liberdade, dilema sempre central - cuja apoteose se deu na Revolução Francesa, durante a qual o homem estava no ponto-médio entre o servilismo feudal e a escravidão humanitário-democrática (julgando-se vitorioso sobre a primeira condição e ignorante da segunda) -, chegou ao paroxismo da sua auto-destruição com vistas a tornar-se soberana: abdiquemos de nossa liberdade individual, como autores de escolhas, e sacrifiquemos o czar, defensor de uma liberdade antiga e ultrapassada, para que as vozes sábias do Partido Comunista nos ordenem como há de ser daqui em diante, sem Deus. Esse era o teor do discurso, se pudéssemos ter ouvido francamente.

 

É conhecido o cenário vigente de proto-deuses que ainda concorrem para tomar o lugar da falida deidade cristã, do envelhecimento e pacificação da população, da desertificação, da mentira do crédito e da busca pela vivência alternativa, seja ainda parcialmente consumista ou radicalmente eremita, mas sempre mais "Gaia". A aceleração que é ininterrupta ao expectador é aparência. Não existe expectador, todos estão do lado de dentro do trem-bala. Talvez por isso não percebam, mas a sensação de velocidade se intensifica não porque os trilhos sejam percorridos mais rapidamente, mas porque as edificações do último milênio vão desabando em ruínas como nunca antes. Se Guy Debord soubesse que seu retrato não passa de aparência...

 

Este escrito é de alguém lúcido, no olho do furacão. Minha única ressalva é: não admito a ingenuidade de que novas catástrofes não ocorrerão e que a transição será tranqüila - vide proliferação nuclear entre nações do Terceiro Mundo. Intentei apenas descrever qual momento histórico era o ápice da contradição, entre tantos episódios, passados e vindouros.

 

 ***

Escrevi em 7 de dezembro (com reformulações na data presente para tornar o manuscrito acessível):

 

Terão sido as Guerras Mundiais e a Guerra Fria - o século XX - o estopim do processo de loucura niilista por que perpassa a humanidade, ou a a-humanidade, o ocidente decadente? Teremos a tranqüilidade de dizer que doravante o anel exibe sua curva ascensional rumo à idade de ouro trágica? Ou é necessário mais um esforço, um empenho sublime, um contagiante acesso de fúria, uma alta da maré tanto mais feroz para nosso século quanto o que a onda nazista representou para o rochedo outrora tão vacilante, inconsistente? Este, o rochedo da capacidade de assombro humano - o que hoje nos assombraria, para além de duas nuvens de cogumelo? O que será isso, ó Mãe-Natureza? De uma coisa tem-se a certeza: não existe fim de mundo, ou fim da História...

 

"No princípio, era a ação!" Wolfgang von Goethe

 

"O sociólogo precisa entender o que é apurar necessidades. Eu trato do que é inevitável a longo alcance" O Autor

 

"Existem pessoas centrípetas e centrífugas. Algumas empobrecem sua essência ao longo da vida, dissipam suas energias. Eu reúno o gasto sem propósito ao meu redor para realizar meus projetos" O Autor



Escrito por wormsaiboty às 16:37
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NIETZSCHE CONTRA TODOS, APOLOGÉTICA DO HOMEM

 

Sobre a imaturidade autoral: quando publicar imediatamente uma obra ou esperar mais tempo. Nietzsche já era auto-suficiente, se assim se pode definir, quando lançou O Nascimento da Tragédia. Zaratustra sem dúvida é outro píncaro, mas são aí dois autores cuja relação de linearidade não pode ser traçada.

 

Jesus e Nietzsche: os últimos transmutadores, os bodes expiatórios da Europa. É citado Copérnico (1), e poderia ter sido lembrado Galileu: aqueles que não tiveram problemas para levar adiante suas revoluções em vida, ou que desistiram em um último momento porque não tinham a força requerida. Nietzsche é um contra-exemplo: não se ajoelhou, não pediu perdão. Foi este santo que pagou com o próprio sangue para que os preconceitos da época fossem revistos. Aquele que não gerasse polêmica - um wagneriano - estaria levando a Europa para o caminho mais fácil e equivocado. Jesus podia muito bem ser substituído por Sócrates para ficarmos na Filosofia. Um homem como Sartre, que se torna pop star e colhe os bons frutos em vida...? Não se se quiser a verdade. Hoje em dia parece ser fraco o apelo de Cristo: quem morreria por ele? De igual modo, não conheço outros filósofos tão proscritos... Lutero quase representa esse pathos fatalista. Mas esses cânones modernos, de Platão em diante, tiveram existências tranqüilas, uma posição por demais asceta. Nietzsche jogou fora, por assim dizer, uma carreira de talento precoce para enobrecer o homem niilista. Professor da Universidade da Basiléia aos 23 anos, trabalhos sobre os pensadores do Helenismo que eram muito lidos e divulgados com prestígio. Era apadrinhado de dois influentes mestres, Ritschl e Richard Wagner. Só um louco ou idiota - para Dostoievski - abriria mão de sua trajetória individual para conceder aos humanos do porvir, a essa massa cristã desesperançada, a chave da cela. O meio-dia da eternidade. Sua posteridade auto-sentida pode ser atestada pelos subtítulos de suas obras. Zaratustra - um livro para todos e para ninguém. O irônico é que algumas tempestades sobrevêm sem aviso. A dinamite nietzscheana quase não tem explicação. Seu estado mental, talvez o corpo mais perfeito de todos, o mais intenso brilho da Arte até o século XX, assimilou o que apenas um humano com sede de afronta e de desafio não lograria fazer. Pode-se dizer sem medo que a Prússia estava diante de um milagre. O filho de Deus voltou à Terra, pereceu, procrastinou o Juízo Final por mais 2 ou 3 mil anos e ninguém está ainda a par. Se eu achasse ainda por um segundo que vivo em vão haveria aí um grande desperdício. O engraçado é que, ao contrário de Sócrates, Friedrich jamais teve um intérprete a sua altura. Tendo escrito - muito -, talvez tenha reunido dois em um, professor e aluno. Não era seu filho espiritual esse tal de Zaratustra?

 

Pequeno pedido: que os Direitos Humanos, que nunca existiram, fossem declarados inutilizáveis por qualquer nação. Que seu uso como prerrogativa para o apodrecimento do homem seja proibido. A guerra, atitude que jamais deixará de ser nobre, da qual cada um de nós homens poderá tomar parte um dia, é a mais peremptória negação desse remendo brutal da oratória suja do século vinte: e assim deve ser. Que o direito - e até a obrigação - de matar o próximo seja olhado com carinho. Viver é matar todo dia.

 

(1) My Sister and I, Introduction, by Oscar Levy



Escrito por wormsaiboty às 17:31
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A VENDETA E O MAL-ENTENDIDO – O CENTRO, A LENTE E O REBANHO

 

Hoje a chamada "instância central" dita o comportamento humano. Porém, não existe qualquer fonte objetiva - mediana social - quando se fala em homem. O indivíduo contemporâneo é apenas uma planta adulterada - o rascunho original está perdido. Com respeito a qualquer grandeza e dignidade na palavra "homem", elas vêm do próprio ente, não da transferência de responsabilidades ao vazio. A proibição da vingança pessoal é o indício mais claro dessa falência moderna do homem: o Estado é o responsável por julgar, vigiar a condenação, condenação que ele próprio criou... Mas quem é o Estado? Não se trata de um homem maior e mais poderoso - trata-se da covardia dos pequenos reunida. Sentimentos agregados de vergonha jamais fariam frente a um gênio indivisível, ainda que renegado - por isso nem se pode falar em Napoleão, que já em seu tempo foi a esperança do "século", até sucumbir à máquina burocrática.

 

Quando o Estado é questionado há cheiro de grandeza - ressurreição? Exceto quando esta revolta é inspirada por outro "centro neutro" ao invés das pessoas. De novo a ingerência do espaço vazio! A lente midiática atua como um segundo detrator da verdadeira assunção de responsabilidade. É um Estado sem sede ou exército - ou talvez essa assertiva seja muito ingênua. A vendeta da televisão é apenas outra cadeira elétrica. Não há aí punição com as próprias mãos. Há apenas uma sujeira anônima - no íntimo, esse anonimato é uma confissão de culpa geral, em uníssono. Uma sociedade que gostaria de ser queimada na fogueira. Quem é o carrasco?

 

A conversão da imprensa dos magnatas em "cada um emite a sua notícia", paradoxalmente uma tendência em propulsão graças a um grupelho de bilionários, que começa a falir os jornais e vê a infinitude dos blogs no espectro, é uma resposta inicial de uma mãe-natureza que nunca morre, de uma história que não acaba. Digamos que daqui a duas décadas já esteja bem mais claro o "olho por olho". Eu quero ser reconhecido por isso! Quem grita mais alto passa a ser ouvido: a atração será a magnitude do próprio eu, nada de cunhadismo - que cunhadismo? Um brasão de família que volte a arder! - ou venalidade. Já há blogueiros que não silenciam barato...



Escrito por wormsaiboty às 17:29
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