O BRASILEIRÃO DOS ATACANTES
Pedrão (Barueri, artilheiro do campeonato paulista com 16 gols); Rafael Moura (Atlético-PR, artilheiro do campeonato paranaense com 14 gols); Taison e Nilmar (Internacional, respectivamente o artilheiro e o vice-artilheiro do campeonato gaúcho, com 15 e 13 gols); Maicosuel (Botafogo, artilheiro do campeonato carioca com 12 gols); Fred (Fluminense, ex-Olympique Lyonnais e Seleção Brasileira); Adriano (Flamengo, ex-Internazionale de Milano e Seleção Brasileira); Dodô (???); Kléber (Cruzeiro, vice-artilheiro do campeonato mineiro com 13 gols); Diego Tardelli (Atlético-MG, artilheiro do campeonato mineiro com 15 gols); Washington e Borges (dupla ofensiva do São Paulo, juntos possuem 23 gols na temporada); Kléber Pereira (Santos, 11 gols no Paulista); Keirrison (Palmeiras, 19 gols na temporada, vice-artilheiro do Paulista e atual vice-artilheiro da Libertadores); Ronaldo (Corinthians, ex- e futuro jogador da Seleção Brasileira).
O cardápio promete. Mas se algumas das defesas não forem queijos suíços, vários destes nomes não vingarão. Resta torcermos para que o menor número possível saia desta lista no decorrer do campeonato e revelações dêem o ar da graça. O Campeonato Brasileiro, que já era mais divertido que qualquer nacional europeu, agora tem também os melhores jogadores do mundo e, ao contrário da distribuição de renda do “país real”, há considerável isonomia entre os participantes: oito clubes ou mais com status de “favorito ao título” e belas peças distribuídas pelos 20 elencos da disputa, ao contrário das badaladas oligarquias inglesa, espanhola, alemã, francesa e italiana, em que três ou quatro times até podem vencer uma equipe brasileira em final de Mundial FIFA, mas onde os pequenos são sacos de pancada e fazem feio diante do nosso glorioso Ipatinga. O Cruzeiro é melhor que o Bayer de Monique. O São Paulo é mais time que o Sevilla. O Barcelona perdeu uma vez e perderia outras tantas para o Inter de Porto Alegre. Adversários mais cascudos, como o AC Milan, são não-raro capitaneados por brasileiros. Finalmente, um aviso ao Robinho: se não voltar, vai ficar desprestigiado na Seleção (e vai continuar na capa dos tablóides ingleses por coisas que não fez). Não sei se diante dessa virada econômica que trouxe o Fenômeno e o Imperador o Pato já se arrependeu, mas o Mineiro e o Breno tenho certeza que sim! Arriscarei prognósticos quanto aos rebaixados deste ano: 1) Barueri; 2) Santo André; 3) Avaí (é, o mar da Série A não está para peixes pequenos...); 4) Atlético-MG (vai e não volta nunca mais!).
Escrito por wormsaiboty às 20:34
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A FALTA DE SENTIDO DOS CAMPEONATOS ESTADUAIS
A cerca de 110 minutos do final dos jogos de volta para determinação dos últimos campões regionais do futebol brasileiro, vejo-me num impasse. Bater palmas para os campeões (sim, antevejo vários deles)? Bocejar diante da televisão? Escrever um artigo para o blog? Quem sabe espernear com a anuência da CBF e a preguiça pensante das federações aqui e ali... Não há nada de novo no departamento. As competições estaduais perderam a graça. Antes de dizer por quê, vou contar rapidamente a minha história com os estaduais, principalmente com o Campeonato Paulista, do qual participa meu clube do coração. Comecei a acompanhar futebol a sério em 1998, aos 10 anos, apesar de guardar recordações da Copa de 94, da final brasileira de 1995 (no bar do meu pai, botafoguense) e de vários outros momentos marcantes (a final da Libertadores em que o São Paulo foi vice-campeão em pleno Morumbi, o bronze olímpico com Bebeto). O marco zero dessa minha incursão no mundo da bola como torcedor fanático foi a compra de um CD em loja de shopping enquanto passeava com minha mãe, uma prima e uma tia: A HISTÓRIA DO CAMPEONATO PAULISTA, para instalar no Windows 95, com fatos históricos de ano a ano, várias fotos, tabela interativa e até os escudos dos times que iriam disputar a série B-II (equivalente à quinta divisão)! Algo riquíssimo oferecido pela Federação Paulista e seus funcionários. Apaixonei-me pelo material, passei a madrugada lendo em voz alta o histórico do torneio, edição por edição. E não é pouca coisa: o certame mais antigo do nosso país, iniciado em 1902. A arqueologia do país do futebol! Juro que hoje procurei o CD e não achei, gostaria de reviver estes momentos. Tudo o que sobrou foi o ícone de atalho na área de trabalho do meu PC mais velhinho, um Pentium 166 Mhz, atualmente jogado num canto acumulando poeira. Naquela época o micro ficava no quarto dos meus pais; seu José já brigava com o filho que o não deixava dormir, e eu nem tinha acabado de ler sobre a década de 70! Mas que havia de mal em pesquisar um pouco do passado do esporte que pára a nação todos os domingos, em entender um pouco dessa predileção pelo São Paulo Futebol Clube (curiosamente, aquele foi o primeiro título que eu vi meu time conquistar!)? Outro conteúdo do fantástico compact disc – havia até um teste para futuros árbitros e bandeirinhas, cerca de 30 perguntas sobre controvérsias de regras. Para nenhum Arnaldo botar defeito... Desde então o refrigerante e a pipoca estão sempre a postos, a TV a cabo é a companheira inseparável de todos os fins-de-semana – mais até que, em certa época, a namorada, que, por golpe do destino, era uma traíra corintiana! Interrompo este relato carinhoso para anunciar: o Flamengo faz seu primeiro gol contra o Botafogo. Veja bem: eu disse primeiro. Sei que virão outros... Por que uma história tão linda iniciada há mais de uma década possui um desenlace tão trágico (redigir um artigo intitulado A FALTA DE SENTIDO DOS CAMPEONATOS ESTADUAIS)? Temo que essa época romântica, essa idade de ouro da infância, já passou. Não porei a culpa no campeonato nacional, que suga todos os holofotes. Pelo contrário: ele amadureceu. Não é em si uma questão de predominância dos grandes clubes ou de fatores econômicos (países de terceiro mundo não conseguem segurar seus craques, o interior é ainda mais falido, etc.). Apenas constatei que paramos no tempo. Longe de mim querer abreviar de repente uma tradição que remonta ao comecinho do século XX, com o tricampeonato do São Paulo Athletic Clube (o avô do SPFC, é o que dizem). Mas a palavra abreviar vem bem a calhar para outra coisa: reformulação do formato. O que é isso, pessoal? Joguinhos que não valem nada de meados de janeiro até o mês de maio?! O campeonato estadual, para sobreviver, deve ser mais curto. Aos que aleguem que extra-oficialmente ele já não passa de pré-temporada, vá dizer isso para um flamenguista, um corintiano ou um cruzeirense amanhã... Se fosse apenas pré-temporada, torneio-exibição ou conjunto de amistosos não haveria toda essa pompa, festa e zombaria dos adversários. Nem tanto ibope global (eis um dos problemas fundamentais, obstáculo número 1 para a reforma tão necessária desses campeonatinhos). Ou se encerram as atividades das federações que patrocinam torneios inócuos, abarrotados de times de empresários, de incompetência e de repetições, ou intenta-se um último resgate do charme dos tempos preto-e-branco fazendo o campeonato acabar em março! Mas as regras e fórmulas das novas ligas eu deixo para vocês. Vou insistir no ponto mais grave, no que me faz querer explodir esses campeonatos tão longevos e previsíveis: estamos em 2009? Tem certeza? Parece-me 2008, ainda; ou um 2007 levemente adulterado. Venho percebendo que de alguns tempos pra cá só em nível nacional surpresas podem acontecer (e olha que estamos diante de um São Paulo que é tricampeão, fato inédito!). Afinal, a cada ano pode surgir um novo Fenômeno, e não sabemos se ele despontará num time de Roraima ou no Goiás. Pode haver o ressurgimento de um daqueles centro-avantes apagadões, estilo Leandro Amaral. A volta de um craque europeu (no auge ou em decadência, mas neste último caso ainda serve!). Uma equipe de juniores que sobe para os profissionais e conquista o sucesso (Santos 2002). As variáveis são bem mais ricas, tudo é mais contingente e implausível. Já nos estaduais, todos sabemos que os clubes ainda estão em período de banho-maria, no soro. O Fluminense, deixa eu adivinhar, trouxe as três maiores contratações da temporada, mas sequer irá decidir o carioca. Bangu e América não vão chegar; pelo contrário: até correm risco de rebaixamento. No sul, polarização entre Inter e Grêmio, com o Juve tentando estragar a festa caso um dos dois grandes esteja envolvido demais na Libertadores. Em Sampa... ah, em Sampa! O torneio que me traz lembranças de infância... Deve ser diferente, afinal tem mais times, tem uma economia mais pujante... Pura ilusão! Faça um exercício: procure no Google, nos arquivos do Terra, da Gazeta, do Lance – como terminaram os estaduais do ano passado? Primeiro jogo da final do mineiro de 2008: Cruzeiro 5 x 0 Atlético-MG. Primeiro jogo da final do estadual do Rio de 2008: Flamengo 2 x 1 Botafogo. Último jogo do gaúcho 2008: Internacional 8 a 0 no Juventude. No DF (rá, claro, eu sou brasiliense, senão não lembraria), mais conhecido como Candangão 2007: Brasiliense pentacampeão. Várzea total. Monopólio inescrupuloso. E onde não há monopólio, há duopólio ou oligopólio, o que não é sinônimo de animação. Flamenguistas, cruzeirenses e colorados fizeram a festa. O que mudou esse ano? O Internacional aplicou 8 a 0, mas não foi no Juventude! O Flamengo não venceu o Botafogo na 1ª partida, mas já está consertando o desvio... O Atlético levou de 5 do mesmo Cruzeiro. Sim, esse resultado é sintomático, quero usá-lo como exemplo máximo do quanto acompanhar estaduais ficou caduco, fora de moda. O que vale é o chopp com os amigos. É tentar prever se o Kléber será expulso. Tudo o mais perde o valor. Aos que apontarem que eu negligenciei a análise excluindo o campeonato mais antigo e imprescindível dentre todos, reafirmo: não faz diferença se Palmeiras ou Corinthians são os campeões (desculpe, torcedores). Não faz diferença se temos Ronaldo. Não é mais emocionante acompanhar Ronaldo contra Ituano do que Ronaldo contra Itumbiara. E pra isso existe a Copa do Brasil... Mas vejam a 1ª rodada do Brasileirão ’09: Corinthians e Inter! Ronaldo x Nilmar... Agora sim o ano vai começar (coisa de brasileiro – e olha que dizem que nada anda antes do carnaval, mas a Páscoa já passou e até agora nada)... Segundo gol do Flamengo. Estou reportando ao vivo. O São Paulo foi eliminado pelo terceiro ano consecutivo em semifinais. O Santos está na segunda final em três anos. Não se deixem enganar pelo contraste entre os vencedores: esse quadrangular final, se reserva algum tipo de surpresa, é apenas 20% da competição. Nos outros 80%, rodadas inúteis protelando o que todos já sabem: um grande clube levantará a taça. Para que um inchaço no número de participantes, para que a execução do hino nacional antes de cada partida? Para que pay-per view (“pagar para ver”)? Aquele torcedor do galo que despertasse de um coma de um ano julgaria que voltou no tempo. O mais desconfiado deve achar que colocaram um VT da final do ano passado por falta de recursos. O campeonato mineiro é o destino do paulista. E o carioca já é um mineiro adaptado ao Corcovado. Da próxima vez, você apostador já sabe: nada de bola de cristal ou mãe diná! Entre no meu blog, leia este artigo e aposte com seu amigo em 2010 sem medo de errar. Flamengo rumo ao tetra, Grenal decisivo, Cruzeiro ampliando a hegemonia... Eu quero novidade, eu quero esquecer esse primeiro semestre...
Escrito por wormsaiboty às 17:18
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