O BRASILEIRÃO DOS ATACANTES [post originalmente publicado em maio]
[Só UM POUCO] diferente! Pedrão (Barueri, artilheiro do campeonato paulista com 16 gols [Val Baiano já estava no elenco]); Rafael Moura (Atlético-PR, artilheiro do campeonato paranaense com 14 gols); Taison e Nilmar (Internacional, respectivamente o artilheiro e o vice-artilheiro do campeonato gaúcho, com 15 e 13 gols [e dá-lhe Nilmaravilha na Seleção!]); Maicosuel (Botafogo, artilheiro do campeonato carioca com 12 gols); Fred [Fluger] (Fluminense, ex-Olympique Lyonnais e Seleção Brasileira); Adriano (Flamengo, ex-Internazionale de Milano e Seleção Brasileira) [o artilheiro insosso de um campeonato tão emocionante!]; Dodô (???) [???]; Kléber (Cruzeiro, vice-artilheiro do campeonato mineiro com 13 gols) [o mais palmeirense dos cruzeirenses]; Diego Tardelli (Atlético-MG, artilheiro do campeonato mineiro com 15 gols) [eu canso de dizer que o campeonato mineiro é tão parâmetro quanto o é o maranhense]; Washington e Borges (dupla ofensiva do São Paulo, juntos possuem 23 gols na temporada) [na realidade eles nunca fizeram nada juntos]; Kléber Pereira (Santos, 11 gols no Paulista) [vaiado, vaiado, vaiado...]; Keirrison (Palmeiras, 19 gols na temporada, vice-artilheiro do Paulista e atual vice-artilheiro da Libertadores) [o melhor jogador de todos os tempos da última semana]; Ronaldo (Corinthians, ex- e futuro jogador da Seleção Brasileira) [projeto 2010]. O cardápio promete. Mas se algumas das defesas não forem queijos suíços, vários destes nomes não vingarão. Resta torcermos para que o menor número possível saia desta lista no decorrer do campeonato e revelações dêem o ar da graça [que tal Bruno Mineiro do Náutico? Maxi Lopez também não foi nada mal... E tem o veterano Marcelinho Paraíba, patinho feio dos “chuteiras engraxadas”]. O Campeonato Brasileiro, que já era mais divertido que qualquer nacional europeu, agora tem também os melhores jogadores do mundo e, ao contrário da distribuição de renda do “país real”, há considerável isonomia entre os participantes: oito clubes ou mais com status de “favorito ao título” [altamente comprovado!] e belas peças distribuídas pelos 20 elencos da disputa, ao contrário das badaladas oligarquias inglesa, espanhola, alemã, francesa e italiana, em que três ou quatro times até podem vencer uma equipe brasileira em final de Mundial FIFA, mas onde os pequenos são sacos de pancada e fazem feio diante do nosso glorioso Ipatinga. O Cruzeiro é melhor que o Bayer de Monique. O São Paulo é mais time que o Sevilla. O Barcelona perdeu uma vez e perderia outras tantas para o Inter de Porto Alegre. Adversários mais cascudos, como o AC Milan, são não-raro capitaneados por brasileiros. [>>>]Finalmente, um aviso ao Robinho: se não voltar, vai ficar desprestigiado na Seleção (e vai continuar na capa dos tablóides ingleses por coisas que não fez). Não sei se diante dessa virada econômica que trouxe o Fenômeno e o Imperador o Pato já se arrependeu [creio que sim, e o que você acha, Ronaldinho Gaúcho?], mas o Mineiro e o Breno tenho certeza que sim [Mineiro e quem?]! Arriscarei prognósticos quanto aos rebaixados deste ano: 1) Barueri; 2) Santo André; 3) Avaí (é, o mar da Série A não está para peixes pequenos...); 4) Atlético-MG (vai e não volta nunca mais!). [O Galo deveria mesmo ir e não dar o ar da falta-de-graça tão cedo entre os melhores... Mas se eu tivesse trocado de Atlético, acertaria dois nomes da zona!]
Escrito por wormsaiboty às 22:10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
OS NATUREBAS E OS DIGITAIS – L’ART, O PORNÔ, O GAUCHE, O BLASÉ... O que ser?
Me divido atualmente entre dois grandes vícios. Quis dizer: a humanidade se divide atualmente em duas grandes necessidades: atender a demanda irresistível pelo novo, diferente e mais bem-acabado tecnologicamente, ampliando o abraço orgiástico de todos com todos na malha digital; manter a fisiologia sã nos imprescindíveis momentos de (auto-)desligamento (desse gigante mecânico-biótipo, maníaco-depressivo, ambivalente, dentro e fora de nós), com práticas contraditórias como fumar, beber, repousar, contemplar, dançar, dissipar ou simplesmente se esconder. O perfeito blasé se acha um idiota no espelho. A crise do palhaço, começar o discurso (de que se vai arrepender depois), é intrínseca a esse comportamento, uma reação ao embotamento das sensações. À super-excitação, a máquina sofre solavancos que sabemos não serem fatais, embora desgastantes e, retroativamente falando, “evitáveis”. O correto – ou impossível – está em idealizar o natural ou o digital? Em contra-atacar improficuamente com a alopatia ou a homeopatia? É sempre ineficaz. Mas ainda assim, somos artilheiros. Atacar com o quê? Isolar-se e adoecer encolhido diante do verme familial, tentando tecer um futuro finalmente não-monótono nem embaraçoso (de quantas drogas fazemos uso sem sequer nos darmos conta?)? Não dar atenção a ninguém – mas contar com o melindre embutido de que eles também o apagaram do mapa. Ou ter possibilidades, só que completamente amarradas pelo exército com ilimitadas reposições das pessoinhas? Desativado ou excessivamente ligado? Não se destrói afetos, mas é preferível concentrá-los diante dos punhos ou insistir em pisar em baratas? De qualquer jeito, com este arranjo, somos sempre abertos apesar de sermos entrópicos. Ninguém nunca sabe com quem vai topar amanhã na calçada enquanto divagava de cabeça baixa. Desgoverno como chance de governo? E a intolerância pesa no momento em que a troca seria o mais válido. Dar. Cooptar? O que levar aos olhos? O que chega aos meus ouvidos? Tateio alguma coisa. Em suma, não preciso de tantas perguntas. Tendo perdido um bocado de viagens, efetuado várias recapitulações, saldo – finjamos – meio que zerado... Embarcar ou não? Nossa alma é grande e cabe um pouco de tudo. Até um meio-termo.
Escrito por wormsaiboty às 17:25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
15 MINUTOS DE FAMA (DOS NINFOMANÍACOS DA UNB)
Abaixei as calças, deixei-me fotografar, tornei-me uma celebridade. A vida andava meio... entediante. Mas salvei o dia! Amanhã eu penso em outra traquinagem boa o suficiente para interessar a um jornalista. Tarefa essa cada vez mais capciosa, uma vez que os jovens estão “botando pra quebrar”. E há jovens de todas as idades... Terei eu logrado a eternidade, com um pequeno espaço no pior papel do mundo (aquele que desmancha quando chove)? Me impressiona as pessoas ainda terem olhos para penetrar nesse preto borrado depois de três séculos! Borrado por borrado, prefiro pagar para lerem meu destino no fundo da xícara de café. E não somos uns carolas reacionários puritanos? Até aqueles à flor da pele acham histriônica a idéia da nudez. Uns ridículos de reitoria desfazendo os anos 60... Pergunta: por que só tem mulher horrorosa nesses “atos”? (Sobre o ATO – como vulgarizar peças de teatro: chamando o burburinho dos rebeldes sem-causa de AÇÃO. Muito fácil ser ator!) Unindo o útil ao agradável: quem luta pensa que “sofre pelos outros”. Sofrendo estou eu, nesse calor, com vontade de tirar a roupa mas guardando lá minha dignidade e inocência – quando fico pelado, não é para causar sensação, mas para lembrar que ainda sou gente.
Escrito por wormsaiboty às 14:51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
MINHA IRMÃ E EU
Alemães: Nietzsche é o deus da guerra. Aliados: Nietzsche é o demônio da guerra. Anos 10, 1ª Guerra. Transcrição absoluta deste livro inédito escrito já no asilo! Do primeiro filósofo dos animais Informações coletadas na Internet: Elizabeth Förster morreu aos 89 anos, em 1935, em Weimar (no regime de Hitler). Seu wagnerianismo redundou nisso! Walter Kaufmann – “farsa”. Filósofo séc. XX. O original teria sido queimado na sede da polícia nova-iorquina, subdivisão de combate à pirataria. O livro realmente trata de incesto. Finalmente um paralelo com ele que eu não atingirei. Mas será difícil PROVAR. Havia tantas correspondências, e nada substancial... O ciúme doentio contra Lou é, com efeito, suspeito. Atraso na publicação: medo da irmã lobista. CHAPTER 1 Sonha que a mãe morre. Acontecera o mesmo com o pequeno irmão. Ela morre antes de 1900. 23: “Para o odiador, a Alemanha é o lugar. Em primeiro lugar, há o kaiser, que se pode detestar a vida inteira”. Carta – se ela ainda existe e for igual... [de fato, este livro dá muitas pistas sobre registros reais, como por exemplo – e já veremos amostras disso – as correspondências entre Nietzsche e George Brandes] A iniciativa era toda dela. Incomodava-o. “Eu tinha 19 quando fiquei bêbado pela primeira vez” 28. Eu: 15 “Quando penso nas mulheres, é o cabelo que vem à mente primeiro” “Tenho mãos e pés pequenos como os de uma mulher. Teria sido eu destinado a ser mulher? Sou acaso um descuido de Deus?” Nota 27: hilariante, sobre brigas. Sentimento meu: por que freqüentemente esquecemos o motivo por que brigamos ou então o modificamos completamente em nossa cabeça? Agora, Nietzsche: luta-se para valer com um amigo. Refletir em cima. Da arma: por que não se jogar violinos e pianos ao invés de desembainhar espadas ou disparar canhões? Escrevendo no parapeito da janela. N. 32: acusação de loucura da irmã. 33: “ser o segundo? Nem diante de Deus” [frase de César] “Não há nada em Ecce Homo que já não tenha dito uma vez nos outros livros. Só que neste eu fui tão claro como jamais!”
Escrito por wormsaiboty às 19:13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CHAPTER 2 “Nenhum evento me interessa mais, exceto o grande acontecimento da minha morte iminente.” Ele realmente deveria durar 56 anos. Nem mais, nem menos. Seu destino: ficar famoso numa democracia global – nada mais paradoxal. Tolstoi (n. 2, p. 36). Lisbeth – Lama Comovente auto-retrato da decadência física – “meu cérebro vai se tornando pedra”, assim como a tinta dessa caneta vai se esvaindo... P. 38 – Brasil. “Como uma múmia egípcia que esqueceu de morrer por inteiro eu sou o expectador da minha própria morte, sentindo meus olhos se tornar poeira” – até nisso é um divino, que viaja além de tudo. Ouço Megadeth – metaforicamente – enquanto leio palavras como “dust”. E Black Sabbath. Void, Sympton of The Universe... Triste e feliz viagem cósmica. “Esse é o paradoxo da minha existência: eu amei a vida ao máximo, mas não pude direcionar essa paixão do modo clássico” (amar o estranho) Não houve nada carnal com Salomé. O incesto é endógeno, não há riqueza nenhuma em um sistema fechado. “Eu cortei a história do mundo em duas ao escrever o Ecce Homo” 14/01/09 – sonho em que torturo cães. Essa é uma longa série... “Essa grande mente, a maior desde Aristóteles, está sendo dissolvida na imbecilidade da massa” 45 (9): “Se a Vida nos ofende, nós de algum modo também ofendemos a Verdade. Nossos erros básicos se constituem no esforço das sucessivas gerações para reduzir a verdade a uma unidade, Deus, ou as idéias correlatas de Justiça, Amor e Poder. Meu Deus era Poder, e prostrado agora sem poder algum eu chego à conclusão de que construí minha filosofia em fundações de areia.” Será que sempre há vingança? Todos partem quitados? [A resposta é Homero!] Aqui se fez, e aqui se vai pagar? Que esse balanço, no entanto, não seja chamado de justiça. Não é de todo verdade... Ele se sente punido, mas ser teórico do poder é ser teórico da luta eterna, da “jamais-unidade”. Ser um super-homem é compreender esse pathos. Como me castigar? Pedra é só uma areia mais dura. Vide RUÍNAS, Simmel. “Antes de mim os filósofos guerreavam em trincheiras contra o Cristianismo. Eu promovi uma guerra total, e isso me deixou sem amigos.” “Sócrates e Schopenhauer são eunucos [castrados] que perderam a capacidade de amar [quando dizem que a vida não faz sentido]” CHAPTER 3 O erro da mãe: ter trancado a vagina após a viuvez (50). 52-3: guerras se fazem em segredo; presentes são honrarias públicas. A guerra nasceu com o homem do Oriente; os africanos sempre foram ricos na arte de dar. A beleza da guerra é diferente... chama-se força. Sobre o historiador – Plutarco, pp. 54-5 – para Gusmão. “Na Grécia Antiga a riqueza do homem era avaliada por seu número de filhos – em correlação positiva” “Voltaire foi a França respirando aquele ar de liberdade ideológica inglês” 57: “Todo pensador socialista falha ao não entender que a distribuição desigual de sabedoria, poder e talento é essencial em uma comunidade, para o contínuo exercício, ali, de sentimentos como piedade, compaixão, generosidade e proteção, que são os ingredientes das únicas civilizações que tiveram qualquer tipo de duração” – Para Thomas. “Talvez a autêntica tragédia na história do homem tenha se dado, não quando o homem se viu pela primeira vez pelado com sua comparsa, mas quando ele percebeu que era necessário sair de si para mostrar tributo à divindade. Ele não sabia que tinha sido expulso do Paraíso até se ver do lado de fora do portão.” “É difícil de acreditar que aqueles pés das estátuas gregas precisavam mesmo da interferência de sandálias. Se tivéssemos pés tão fortes provavelmente iríamos arruiná-los com pedicures!” “Uma nação que tenha abdicado do sonho da conquista já abdicou há muito tempo do sonho de viver” 59: “Estamos excedendo as contas em tudo. O universo não é, para começar, tão grande quanto se relata. O mundo como um organismo é tremendamente importante para si mesmo, mas da mais banal significância para o sujeito. E, com todas suas perfeições creditadas, o homem é uma criatura extremamente imperfeita! Sendo assim, poderíamos deixar de lado o sentimento de extravagância sobre o que não temos, ou de angústia pelo que possivelmente deixamos de fazer ou experimentar. Tudo humano que valha a pena está contido em alguns prédios em Roma, Paris e Londres, e eu não trocaria o resto do universo pelo conteúdo de uma delas. Ainda assim, no momento em que escrevo pode ser que as forças armadas da humanidade estejam se preparando para devastar esses prédios para começar uma briguinha de homens, cuja real potencialidade é tal que se fossem estes os últimos e únicos homens sobre o globo toda a raça teria de morrer sem deixar herdeiros.” 61-62~ considerações sobre o Direito. Envelhecimento das leis – ciclos de cada nação – finalmente, é o caso dos EUA, que há 200 anos vinham se mantendo firmes com a mesma carta. A democracia não está mais nos corações dos homens. CRISE ECONÔMICA (COMO CRISE PERMANENTE DE QUALQUER ESTADO E MORAL QUE NÃO É INSTITUÍDA POR UM POETA LEGISTA) “Como resultado da mistura dos economistas com leis científicas puras, sem legislação, certos princípios de Economia aparentemente adquiriram um caráter duplo – o da generalização científica e o das regras que serão impunemente desobedecidas.” “Você já viu uma jovem com a metade da beleza do mais abandonado dos gatos-de-rua?” “Se eu puder voltar a minha casa de novo, lerei o Livro dos Mortos egípcio” “O europeu aspira a uma sinceridade cristã no viver, mas treina sua consciência de modo que solte uma risada sempre que cruza uma igreja” Os judeus nos bastidores do pensamento europeu – 68. “Decidir o destino da comunidade via voto igualitário é tão razoável quanto escolher a mulher pela loteria” – danem-se o debate público e os malditos referendos.
Escrito por wormsaiboty às 19:12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CHAPTER 4 “4 mulheres em minha vida: duas, prostitutas, me fizeram feliz. Felicidade de momento.” O mais importante em uma mulher: ser jovem (isso inclui a beleza) e ter pernocas. Talvez o insucesso amoroso seja assim explicado: são débeis demais para suportar uma natureza forte. Schopenhauer: “acima de tudo, um (bom) escritor”. Hegel era muito “desumano”, Kant nem sempre sabia se expressar e Fichte era por demais pomposo. “Já fui tão maior que Schopenhauer que duvido que terei um sucessor” “Vitória militar, se por algum engano for nossa, não vai nem ao menos curar nosso jeito azedo e turrão” P. 75, n. 16 – metalinguagem sobre suas complicações – “Pode o mecanismo do nosso pensar ser danificado sem no entanto comprometer os pensamentos em si?”. Ele pode organizar suas idéias por escrito, mas não pode mais responder que horas são. Aterradora esquizofrenia. 77 (22): “Eu passei um bom período de amadurecimento em Leipzig, um vasto número de masturbações, e nem perto do tanto de traquinagens que eu deveria ter feito”. “Eu preferia ser um psicólogo do que o Deus do Gênesis” “Como a Alemanha é a negação da França, a Rússia é a negação da Alemanha. A Rússia tem duas vantagens em relação a nós: tem mais salas onde se lutar e mais judeus com quem lutar.” “Só em contingências como sua carne sangrando ou ossos quebrados é que um doutor é realmente útil” 80: “As pessoas erradas chegam a esta casa e as pessoas erradas recebem autorização para partir”. “Nada do que eu amo me é benéfico. Mesmo cerveja. Um único copo e eu fico tão tonto que prefiro dormir que conversar.” “Uma querela entre dois filósofos deve ser levada tão a sério quanto uma discussão filosófica entre dois pedreiros.” “Você escreve alguma coisa aqui?”, Elisabeth perguntou. “Já escrevi o suficiente sobre o mundo. Agora que o mundo escreva sobre mim.” Então deuses não cagam nem mijam? CHAPTER 5 Enxerga Stendhal como seu igual (90). Livro Lamiel: protagonista que lembra Lou. “Toda mulher é uma prostituta no coração e até compreender isso um homem não pode conhecer a pureza virgem de seu ser” Filisteus – a classe média. Heráclito (92-3): um mestre e ao mesmo tempo espelho nietzscheano. Como todo espelho, apresenta simetria e inversão, é também um contraponto! Heráclito é racional, não se opunha à sociedade, seu rio que flui eternamente foi formulado em tempos de paz. A ocasião agora é outra. “Este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida” fogo-contra-fogo Goethe, Schopenhauer, Shakespeare: belas páginas. Diria que tratam satisfatoriamente do problema “dimitriano” da apolinidade de Nietzsche.~(92-3) Iron Maiden e Slug também? Conscience stricken. Sua mãe é a medusa. Viver sem propósito, como que roubando ainda a luz do Sol, dia a dia. 99: três vezes a palavra “ass”: “Um dia eu devo ir à casa de Rousseau e quebrar todas as janelas”. 100 – a idéia do amor atrelada ao estômago (sentir-se com fome/carente/satisfeito). Anteriormente ele havia dito que no paganismo não havia a necessidade de Deus, o bem-estar se limitava ao comer, dormir, beber. Assim que o ser humano ingressa na era dos utensílios ele precisa expandir suas noções de bem-estar, afinal agora ele já tem colheres, todo tipo de louça e camas macias... “Não só eu, mas os sofistas modernos estão em seu pôr-do-sol: por sofistas da modernidade quero dizer os humanistas, os empiristas, os relativistas, os utilitaristas e os individualistas.” 102 Nightwish! Gethersemane: a cena da traição a Jesus. 104-5: o estranho desmoronamento do vigor aristocrático em Nie., auto-referenciado como sua própria anti-partícula. Napoleão e César Bórgia não são mais do que efusões montadas pela “mob”, pelo gentio, pelas massas, as que fazem a História, aquela que vence à derrocada do Rei e instauração da democracia. Muito marxista. Mas Jerônimo no poder? Ele acabara de dizer “deixe quem manda, mandar”. “Nietzsche contra Nietzsche”: lúcido. “Fiquei louco porque descobri a verdade.” Pascal Macbeth – life is a tale told by and idiot – Faulkner. “Um Aristófanes do século XX vai me taxar como um Demócrito, pilhando-me como este foi pilhado: Longa vida ao Deus Furacão que destronou Zeus!” Aponta nossa “solução de superioridade” na cerveja: rá, esses filósofos! [Aristófanes: o rei da Comédia / Wikipédia sobre Demócrito e Nietzsche: “Na verdade, segundo Demócrito, existe um número infinito de mundos, sendo que pelo menos um deles, e talvez mais do que um, é uma cópia exata do nosso, com pessoas como nós. O conceito de um universo infinito contendo inúmeros mundos diferentes foi também aceito por outros pensadores, incluindo Friedrich Nietzsche.”] The Doors Andrômeda – a cultura moderna em sacrifício. P. 106 Slayer “quando eu vi um cavalo em Turim ser açoitado pelo cavaleiro eu corri da minha casa e abracei o animal, me preocupando com seu devir. § Essa foi a causa da minha ruína: a divisória entre minha pregação e minha prática, e isto foi parte também da grande linha entre o antes e o depois no pensamento ocidental, que como eu ficará louco.” “Eu queria a paz, mas serei tratado como o apólogo da guerra” “Atingimos o niilismo ultimado do sofista Górgias: ‘Nada é; o conhecimento não pode ser comunicado porque nada existe’.” Os pós-modernos de então? Excelentes passagens sobre os grandes gregos ~110/11. Sofrimentos não como os do jovem Werther (114).
Escrito por wormsaiboty às 19:11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CHAPTER 6 “O muro de uma polis dividia os gregos e os bárbaros. Protegia do barbarismo”. Hoje (ontem) viu-se a pura loucura transfigurada num grande muro. “migrane headaches” 123 123 – Wagner 125 – “Eu até traria felicidades às pessoas se achasse que isso poderia fazê-las algum bem”. 126: para Einstein: “Pena dos outros é auto-gratificação. Pena de si é a mais baixa auto-degradação. Se Deus tem pena de nós, ele está jogando com um dado interminável.” “prince of darkness” CHAPTER 7 131: Baudelaire. A branca e a negra / a ocidental aristocrata e a plebéia do Oriente – 1ªs mulheres de Nietzsche fora da família? A sífilis. As duas prostitutas. Uma surgia à noite, no dormitório-monastério, a outra era dos tempos de faculdade. A Condessa – eterno retorno e super-homem? Vênus – Wagner – Cosima P. 139 – Hugo (?) Acaso sofria Sócrates de lancinantes úlceras e cefaléias? “O Deus cristão é uma máscara para Lúcifer; quem diria que o demônio acha seus mais ardentes súditos debaixo do teto das igrejas” 140 A única característica judia que é bem-vinda globalmente, a prova de que “o mundo é judeu” ou TRÁGICO (auto-deserdamento?): o dinheiro. A conturbada relação Nietzsche-cavalos (142). Um Rothschild roubou seu assento numa orquestra! Zola – Nanah – o retrato da prostituta decadente. As palavras mais repetidas no livro: filisteus e fariseus. “A ‘angélica’ fêmea anda tão próxima dos animais mais ariscos da selva que me pergunto se a raça humana poderia se tornar humana!” 146 CHAPTER 8 152: “Sobre o que filósofos escrevem livros eu escrevo parágrafos”. “Anticristo: meu livro mais fluido” TEORIA DO CONHECIMENTO: “Só desenvolvemos três sistemas numéricos – contra 1.000 línguas e 10.000 sistemas de raciocínio”. “Kant teria sido um filósofo melhor se ele tivesse dado ao menos 10 anos de aula de filologia, o que teria aclarado para ele a importância de se fazer entender antes de ter certeza que é entendido” “A democracia é de números e é sustentada diretamente pelos matemáticos anônimos cujas obras foram destruídas no incêndio da biblioteca de Alexandria. Que pena que a natureza humana não é delineada pelas simples linhas, vamos dizer, das proposições euclidianas!” (??? – em verdade, a geometria euclidiana é anti-aritmética! Perfeito...) Como um homem pode ter tanta informação retida em si? “Um sóbrio Parmênides com o fluxo poderoso de um Heráclito é a figura mais potente possível das legendárias águas dos Mares Filosóficos” 154 155: “Se você não é capaz de ler Platão pelo puro prazer de lê-lo, leia-o visando ao ensinamento que ‘grita’ nas entrelinhas de cada diálogo: há somente um mundo, o mundo da experiência humana”. 157 (34): Marx pela primeira vez, e seguem-se bastante comentários: “Os egípcios nos deixaram uma verdadeira história de seu caráter nacional no Livro dos Mortos. Para caracterizar nosso tempo alguém deveria escrever um Livro dos Alemães Renegados – para incluir alguns que quiseram escapar mas não conseguiram – como eu. Se – os céus me proíbam – eu me tornasse o autor de tal obra eu abriria com uma dedicatória a Heinrich Heine [poeta, alguns de seus trabalhos ganharam ópera de Wagner] e encerraria com um comentário sobre Karl Marx, diante de quem os fins da criação teriam servido muito melhor se ele tivesse permanecido na Prússia [Alemanha], onde ele seria alemanizado ou levaria um tiro. Como se sabe, Marx encontrou resguardo do Germanismo na Inglaterra, de onde ainda nos dispara suas teorias pelo Canal da Mancha [está delirando: escreve em 1989 e Marx morreu em 1983!]. Nesse cenário, eu me desejaria qualquer lugar no centro, onde, aproximadamente, estou [manicômio de Naumburg].” Mais adiante: “Quanto a Marx, ele escreve num Alemão não tão ruim, o qual ele adorna com copiosas citações do Latim e do Francês – línguas que ele parece não conhecer muito bem – a fim de impressionar a massa e confundir aqueles que esperavam poder entender”. “Em Heine os judeus nos deram muito, em Marx muito pouco” “Marx é para a Lei da Oferta e da Demanda o que Darwin é para a Lei da Sobrevivência do Mais Forte. Ambas as leis são o resultado de uma nova paixão produzida pelo século XVIII – pesquisa com ponto de vista.” “A verdade ainda é ludibriadora. Mas já não é mais uma bela jovem, e sim uma puta velha sem nenhum dente da frente” “Não quero ser mal-entendido: eu evito ler Marx tão apaixonadamente quanto enveredo por cada nova estrofe de Heine” “O Capital de Marx descobriu duas coisas que são os temas básicos dos congressos socialistas: 1) a mais-valia, pois o operário trabalha para gerar mais do que é vitalmente necessário para si, e até para si e para o capitalista juntos; 2) esse novo poder de exploração da classe trabalhadora é levado a um extremo tal que o burguês se torna, no mundo do dinheiro, tão poderoso e acima dos homens quanto era o divino senhor feudal.” 161, af. 49: previsão de que um Estado socialista ficaria mais pobre que o antigo, cedo ou tarde (URSS). E a observação: no Comunismo, Artes e Ciência estagnam; a Inglaterra permitia a livre expressão no regime liberal.
Escrito por wormsaiboty às 19:11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CHAPTER 9
Santo Paulo (165); “Beyond-Man” (final 164): dilema de tradução. Mas para-além-do-humano e ser-acima-do-humano não encerrarão sempre a mesma idéia contida em super-homem? O homem per si é um solene incapaz de descrever qualquer coisa inumana – mesmo as mais baixas, quanto mais as mais altas. MONO Fausto, o mago: reinício da crença na magia como única alternativa de nobreza no ser humano – eis a força do ideal romântico, em que pese “cheirar a décadence”, o que aliás é preciso (simultaneidade/cornucópia dos movimentos de ascensão e queda, ou do movimento e do contramovimento – Marcel Mauss já prega o dar, o criar artístico do Übermensch ao redor de 1900; Guy Debord ainda patina no desespero do ressentimento cristão pela vida ao não se dar conta de que o hiper-real é a busca pelo verdadeiro [isso nos 1960]. Nie. abre o capítulo com: “O que não conseguirmos pela fé conseguiremos através dos métodos mágicos”). 166: crítica antecipada a Freud. “John Stuart Mill cabeça-dura”. “confundir tudo com o erótico” é a confusão dos doutores, que dão a mentes geniais e cósmicas a mesma interpretação, os mesmos diagnósticos, concedidos às massas. Uma vez eu afirmei que o universo seria compreendido pelo ser humano – talvez o cientista – como um pênis. Retifico hoje seu formato para o invólucro da vida, womb, um útero. Mas ele já contém o sêmen da auto-fecundação.
“pig-worlds of outer sensation” – me recorda Black Sabbath – Under The Sun, “rat race”. “the positive and negative energies in the soul” – “energy derives from both the plus and negative” 168: Wagener – cunhado Förster. Nietzsche pensou por alguns momentos que poderia encontrar nas bibliotecas de Física uma prova científica da sua teoria do eterno retorno. Mas logo abandonou a idéia. No entanto, seu Ecce Homo deixa clara a irrefutabilidade: “este é o único fato que está demonstrado”, uma vez que o universo não coagula. Fichte, Schelling, Schopenhauer, Hegel, Kant, Leibniz (o livro grafa ...nitz): maquiadores, ou “sombras” (Schleiermacher, XVIII Brumário e a tatralidade do Parlamento). 170: “Hegel é um Spinoza guiado pela velocidade da nossa idade industrial” Elisabeth: boa porque má, má porque boa. Baudelaire: “a única maneira de permanecer sano é evadir da civilização burguesa e se trancar num hospício”. “É melhor que o mundo não saiba – ao menos enquanto ela viver – que Elisabeth cumpriu o mesmo papel em minha vida reservado a Augusta frente a Byron [irmã mais velha deste].” 171: “eu me tornei o super-homem – o Monarca do Universo”. Eu era o Mau. 172: “Cinqüenta anos depois da minha morte, quando eu terei me tornado um mito, minha estrela vai brilhar no firmamento enquanto o Ocidente é eclipsado na escuridão, e pela luz que eu emito, minha filosofia-do-poder será reexaminada não como poder [bélico] mas como Providência”. “Mulheres são a única propriedade privada que tem total controle sobre seu proprietário.” Eva: espécie de Frankenstein. Aspásia, a grande mulher nos eixos horizontal e vertical! “Eu nunca disse que cervejeiros e salsicheiros venais eram bons soldados” 175: o melhor para “fierce” é VALENTE. A valentia do leão de Zaratustra. Confessa que havia esboçado envenenar sua irmã, como eventualmente Cleópatra ou a primeira-dama cesariana. “A idéia da transmigração da alma não é tão parva como parece, e meu conceito do eterno retorno é meramente a ressurreição moderna do credo pitagórico. Uma vez fomos cães e ainda vamos regressar ao domínio primata dos caninos.” Torturando-espremendo-cães. Qual foi o último que eu vi? Hoje sonhei de novo. Meus sonhos agora se relacionam a estar preso com os pais em algum lugar que não é a minha casa, e algo sem forma me tortura, algo de que eu não podia me esquecer. Foi o cão da Connie o último que toquei. Eu beijava a Rosilda e de alguma forma me ocultava dos anfitriões indesejados. E por que tantos banheiros? Super-homem Bill Lunch. “I spread disease like a dog...” Ter vivenciado caninamente a Idade Média não é absurdo, mas nada seria sem a CONDIÇÃO HUMANA, esse pathos que olha para baixo e para cima das cadeias com seus próprios olhos. Também já fui pedra e fui estrela. O pequeno príncipe me revive um tipo de consciência cósmica longamente entalada. A National Acrobat. Raul Seixas. Engraçado... o que eu estava fazendo dia 19 de janeiro de 2008? Tianguá e o demente. Surpreendente auto-controle. E interesse pelo tio-avô tão camponês. Moscas malditas e Rosilda. Eu sou a bomba atômica e sou a flor. 176 – Schopen., Carlyle, budismo. A mãe de Schopenhauer, se parecia a de Nie., ao menos não era hipócrita como filho, pois era patentemente uma Messalina, ainda que patrocinasse uma biblioteca. Schopanhauer abominava as mulheres em seus livros, mas era dissimulação: entregava-se aos prazeres da carne. “Anus” em latim é velha. Anos e ânus: passagem do tempo, expiração. “Rousseau, a tarântula da moralidade” “Hegel incorreu num sexto sentido – o senso histórico” 177 “O Homem do Esgoto de Dostoyevsky [grafia do Inglês] e o meu Supra-Homem são a mesma pessoa” “Talvez os pregadores de Alá me inscrevam em suas memórias como o único cristão honesto na Europa – um cristão honesto demais para aceitar a escravidão moral paulina e que preferiu, como Jesus ele mesmo, se cremar no relâmpago do Velho Testamento.” “Rei Salomão, o único judeu com ganas de imperador, promotor da Pax Judaica no mundo bárbaro. Seu império poderia se esticar até o fim do mundo, paraíso e terra sob a propaganda de Jeová.” Mulheres e sua apropriação indecente da suprema doutrina: infinito orgasmo, depravação de Dioniso. É, eu também fui Nietzsche. Agora eu sou outra coisa. Voltando... DEMOCRACIA X EUCLIDES Estatísticas Forma Redução ao ideal Não-números Paradigma do hospício Potências Controle da maioria (Eu sou um círculo maior) Razão Desprezo das minorias Candillac (181): “Há dois tipos de bárbaros; aquele que precede séculos de iluminismo e aquele que os sucede”. Basicamente um. Hoje, os petrodoleiros donos de clubes. 182: “Idealismo moral não pode suplantar a compulsão econômica de nossa era: Ruskin, Carlyle e outros britânicos obsoletos, especialmente John Stuart Mill, não aprenderam o básico sobre a modernidade. Se eu não fosse César eu seria Cristo, o Socialista, montaria um traseiro e cavalgaria até Jerusalém com Karl Marx. A ambição de poder dos Marxistas complementa a ambição de poder dos Nietzscheanos, mas eu prefiro chegar a Jerusalém num cavalo de batalha árabe, ao invés de no lombo de um burro proletário.”
Escrito por wormsaiboty às 19:10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
“Brandes me chama de um anarquista aristocrático – e é exatamente o que eu sou. Quem, senão um judeu, para me desmascarar e contemplar esta face de Disraeli, o radical Tory? O radical extremado e o reacionário extremado são irmãos debaixo da pele: ambos têm inclinação para demagogias liberais e humanitárias, e só conhecem um caminho rumo ao triunfo – a vontade de Poder.” Nietzsche + Marx = colapso do Ocidente, oficialmente reconhecido por Nietzsche. Eles são teóricos de um futuro, são dois profetas, sabem o quanto são impraticáveis aqueles enredados com soluções entrópicas, salvacionistas do Capitalismo. Homens de sensibilidade trágica. Apenas que Marx está mais para um happy end e Nie. penetrou ainda mais fundo e até desenhou o homem do porvir. Foi TOTAL, por isso sua mente se destruiu. Weber: mais para a omissão. “As pessoas precisam ser governadas com mão-de-ferro, e eu profetizo uma época de Césares proletários [Lenin e Stalin?] que agirão como Rousseaus, enquanto Marx acaba construindo e sendo a vanguarda ideológica de ditaduras democráticas onde as iniciativas da companhia de água e esgoto e do fabricante de calças [!] são identificadas como a vontade de Deus e codificadas em leis draconianas escritas em letras de sangue.” – Dracon foi o primeiro legislador grego – mas a graça com Drácula aqui é patente. “Dizem que por tomar o lugar do Senhor no meu sistema filosófico eu provei minha egomania. Mas na verdade eu sou extremamente modesto. Para mim, ocupar o lugar de Deus é um rebaixamento e humilhação, não uma rara promoção aos picos do Monte Sinai! § Ao invés disso, eu sequer deveria ter falado em deus na minha obra, deixando esse problema para os ingleses – Carlyles com mania de grandeza – resolverem.” CHAPTER 10 “Não há lugar que não fique tedioso a longo prazo” 185 “Me pergunto o que seria de Kant se tivesse sido induzido a viajar de navio” “Eu gosto de crianças...”, mas parece que ele não gosta de vê-las crescer. META: escalar uma montanha durante o pôr-do-sol. Nie. queria que o manuscrito fosse levado exatamente para seu editor Fritz, provável. 193: “A Alemanha é o único país do mundo em que eu teria a necessidade de pagar eu mesmo a impressão da quarta parte do Zaratustra”. E pensar que em meio a tantos distúrbios de saúde este homem achava que Humano, Demasiado Humano seria “o livro de sua vida”... CHAPTER 11 “Monarch of the Musical World” – Wagner – 196 Insinua que Wagner era traído por Cosima. E como ele se estimava – sem dúvida sem razão – mais do que o Augusto César, jamais desconfiaria. Mas o pior: diz que ELE chifrou Wagner (?)! Platonicamente, talvez... 201 (12): finalmente a voz de Luciana? Desculpas por não ter priorizado a política a e a economia [contudo, é exatamente por isso que ele “evita ler Marx tão apaixonadamente”]. Ficou no reino da moral, da condução espiritual do homem, quanto ao que leva à condição aviltante da democracia, não se debruçou sobre a tecnologia (como o infame Heidegger). “O niilismo não pode ser superado quando... 1) não se descobriu o meio; 2) o modo de produção ainda não maturou.” – essas aspas não são exatas, mas em linhas gerais está em Vontade de Potência. Weber também afundou no pântano burocrático... “O super-homem não é uma fantasia privada: é nossa realidade biológica e transcendental” 204 “Se Deus estivesse mesmo vivo ele não deixaria o século XX acontecer” 205 Stendhal disse que Deus morreu de morte natural, de uma parada cardíaca! 213: “O mundo vive de si mesmo, se alimenta do próprio excremento (...) Eu me tornei inferior à barata na parede”. “go up in smoke” “há mais segurança na caverna de Platão” 215 “minha fé no super-homem foi mera ilusão” “eu sou o fulcro da história (...) ainda que o encontrem no Príncipe de Maquiavel” O reformador Erasmo (219). Quando chegará o momento em que o eterno retorno será propagado em massa? Não pode ser por uma via kardecista. “o veneno anti-semita que cada alemão bebe do leite da mãe” 222 Imperador Nero – filho de Agripina que conspirou contra Messalina. “fire must be thought with fire”... 227 “espero não viver o suficiente para ultrapassar esse século” CHAPTER 12 Várias citações amistosas de Santo Agostinho (232). “seek to destroy” In madness you dwell... “Eu nunca imaginei o fim da raça humana porque eu tenho uma visão trágica da vida” 240 Berlioz – o super-homem da Música. “Em menos de cinqüenta anos ser chamado de ‘wagnerete’ vai provocar um processo por calúnia e difamação contra o autor da ofensa, e quando uma ópera wagneriana for mencionada em companhia nobre vai haver um mal-estar na sala.” Hoje R. W. não é tão popular entre os “sofisticados” amantes da Música Clássica. “O que nós perdemos, nós possuímos para sempre” Eline Me |ssa| lina Gaia-Ciência e Humano (...): os dois livros mais positivistas de Nie. “Penso, logo existo” é a carruagem na frente dos bois (248). No fundo, o nascimento do existencialismo. E Nie. reconhece o valor supremo da raça judia: seu “eu existo” equivale a seu deus Jeová. Eles podem ser massacrados em campos de concentração, mas sua conversão é de fato algo próximo do impossível (forte moral, os primeiros transmutadores de valores). Fecho: “Vamos impregnar nossas vidas com a impressão da eternidade! Vamos viver de modo que desejássemos sempre viver de novo: esse é meu credo, ontem, hoje, amanhã, e nos ontens que sucederão o amanhã”. Live your life, and live it well / there is not much of me to tell / I just got back up each time I fell
Escrito por wormsaiboty às 19:09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
MY SISTER AND I – surgimento
“Durante seus primeiros dias no asilo (sanatório) em Jena [Basiléia], tendo determinado em seu coração que sua mãe e irmã eram condutores imperfeitos de sua paixão pelo mundo, Nietzsche se convenceu a escrever outro trabalho autobiográfico, não para substituir aquele que seria suprimido ou adulterado [pela irmã e pela mãe, provavelmente], mas para complementar seu conteúdo e para permitir à opinião pública compilar seus manuscritos e contrastar os teores das duas autobiografias, a fim de que qualquer distorção de sua obra perpetrada por terceiros fosse devidamente corrigida. Mesmo no novo embaraço em que estava imerso (*) ele sentiu que poderia escrever com a clarividência e o estilo de costume. A maior dificuldade seria como preparar e preservar tal trabalho antes que o mundo (e, principalmente, suas parentes) pudesse estar por dentro de tudo (afinal tudo que era seu seria enviado para os consangüíneos). Nietzsche encontrou a solução para esse problema no próprio asilo. Havia entre os internos do estabelecimento um mercador que, de acordo com o falatório do lugar, receberia alta em breve. Esse homem se apegou de maneira visível a Nietzsche. Foi o filho mais novo dele que trouxe papel, caneta e tinta com os quais as novas memórias foram elaboradas. Foi a esse novo amigo que Nietzsche confiou seu último trabalho, na manhã do dia de sua dispensa, com a recomendação de que o levasse a um editor que pagasse pelo achado. O homem com quem Nietzsche estabeleceu esse extraordinário acordo era pouco mais que um semi-analfabeto, no entanto, mesmo se ele tivesse o equivalente alemão a um diploma de curso superior, seria razoável que jamais tivesse ouvido falar em Nietzsche àquela época. Ele não cumpriu a prometida visita a um editor, e quando mostrou o manuscrito à família foi só para comprovar a história de um cômico senhor professor que andava para lá e para cá no hospício se comparando a figuras ilustres, como Napoleão ou Deus. As anotações de Nietzsche poderiam ter se perdido para sempre se o referido filho do comerciante, ao migrar ao Canadá vários anos depois, não as tivesse levado consigo por pura sorte. Na América, depois de saber que seu empregado (um ex-clérigo) era especialmente interessado em livros e manuscritos antigos, vendeu o último livro de Nietzsche por 100 dólares, imaginando ter feito um grande negócio. ‘Mas como o clérigo poderia saber que se tratava de um manuscrito nietzscheano?’, eu perguntei. ‘Ex-clérigo’, o americano mais uma vez me corrigiu. ‘Havia um detalhe importante. No momento em que seu chefe alemão mencionou Jena e o professor louco, nosso ex-clérigo exercitou a curiosidade e a capacidade de duvidar típicas de um verdadeiro clérigo! Ele comparou o manuscrito com os exemplares publicados da caligrafia de Nietzsche – e pensou que poderia ser algo forjado, porque era idêntico. Mas ele leu e releu – e o estilo, a substância, a personalidade de Nietzsche, tudo estava lá. Quem poderia imitá-lo assim? De fato, quem se atreveria?’. ‘Mas como alguém – clérigo ou ex-clérigo – guardaria um manuscrito desses em segredo por tanto tempo?’, foi o que eu exigi saber. ‘De acordo com os fatos, ele foi dono do manuscrito por algo em torno de um ano’, foi a resposta. ‘E você se esquece que nas circunstâncias excepcionais do seu primeiro vôo para a Inglaterra [na parte anterior desta pequena história o manuscrito é descrito como estando na Inglaterra, na mão de um ex-clérigo – ao que parece ele estava trabalhando no Canadá e voltou, finalmente, à terra natal, mas só em uma viagem rápida, para cuidar de trâmites legais da sua mudança definitiva], não tendo tempo para receber toda a imprensa, o que seria natural após sua revelação, mas tendo entabulado relações comigo e me julgado confiável, ele me concederá o manuscrito [como vemos, esta pessoa viajará em breve para a Inglaterra para se encontrar com o ex-clérigo], permitindo-me ajudar numa missão tão preciosa e, ao mesmo tempo, poderá voltar com a desejada agilidade para o Canadá, onde um prêmio infinitamente mais elevado aguarda este homem, sua linda e jovem esposa! A questão agora é: quando eu tiver o manuscrito, na hora de voltar para cá [este quem fala é um jornalista norte-americano], devo cedê-lo para a tradução [e está conversando com um famoso tradutor de Nietzsche para o Inglês] e a tão necessária edição da obra – nos seus tradicionais métodos, é claro?’ [a história era tão inacreditável que poderia receber uma negativa do interlocutor]. A essa altura eu já não sabia se acreditava nessa aventura e nesse negócio da China que traria o manuscrito para as mãos do correspondente do Times, e, portanto, para as minhas. Mas o que eu estaria perdendo em pedir para dar uma olhada no documento? Claro que eu estava excitado, bastante curioso, apesar de cético. Mais de dois anos haviam se passado nos quais eu já tinha praticamente me esquecido do jovem jornalista e seu manuscrito. A dada manhã ele chegou. Eu o li com crescente entusiasmo. Só Nietzsche poderia tê-lo escrito! (*) Sua deterioração cerebral prejudicou seriamente a capacidade de Nietzsche responder as pessoas, mas seu fluxo de pensamentos não tinha sofrido alterações significativas, e ele não verificava, ao despejar suas idéias no papel, a mesma hesitação do contato falado.” Traduzido de forma livre do Inglês – correções como o nome da cidade Basiléia inspiradas na autobiografia de David Halévy. Este diálogo aconteceu por volta de 1927 e nos permite entrever como, por facetas tão belas e capciosas, nosso “herói” Friedrich Nietzsche manteve vivo e inalterado seu pensamento original (e final!) – uma série de desventuras que tinha mesmo de ter um final satisfatório. Hoje sabemos o que ele realmente disse e o que colocaram em sua boca para pervertê-lo. Outra coisa que não fica clara é se os 100 dólares exigidos pela aquisição das anotações estão corrigidos para a época de publicação do livro (e isso já deve ter algumas décadas) ou se o valor real seria algo em torno de 1000 dólares, ou até mais! Caso a segunda hipótese seja a verdadeira, independentemente de ter sido vendido por engano, sem que se levasse em conta o autor, àquela altura persona anônima, foi indubitavelmente um grande negócio, tanto para os bolsos do filho do comerciante que entabulou relações com Nietzsche em Basiléia, que não ligava muito para sua herança de antiquário, quanto para toda a humanidade posterior!
Escrito por wormsaiboty às 19:32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A PESTE, Albert Camus
(01/09/08) P. 53 – menção ao crime na praia de “O Estrangeiro”! P. 55 – Menção a “O Processo”, de Kafka! P. 63 – análogo a Hamelín. (distanciamento e balanço dos casos de amor pelos segregados.) A vida ganha novas cores quando se conhece a doença de perto – mesmo se não for propriamente o doente. Albert Camus tem alguma fixação por árabes. Rio muito. Será normal? Eis que até a morte se torna monótona. Sobretudo a morte. É aí que se produz a necessidade de novas coisas. Há a impressão de que a peste não vai acabar. Que sempre sobrarão cidadãos sãos e doutores – estes são homens e também vítimas em potencial! A duração do exílio deve ser a mesma de Hitler apossado de Paris. Esta cidade é Oran. Argel é a cidade do outro romance. P. 93 – metalinguagem – o personagem que se satisfaria com a boa recepção do eventual editor de seu futuro livro. A única coisa que não pára é a burocracia! Por que nestes escritos de minha predileção seus protagonistas não costumam ser falantes ou evitam por demais polemizar? A velha temática do blasé. Sim, Camus é muito engraçado! Agora me lembro do acesso de riso com a cena do cão. Ah, a força do hábito! Compartilhei minha exaltação com a dona “Fúlvia Balloon”. O corpo de detalhes que Camus não deixa faltar é um exemplo para o esforço que eu desejo empreender: clientes que esterilizam sua louça, navios que permanecem ancorados em quarentena... Assim como uma epidemia, o definhamento econômico, a derrocada de uma velha ordem, exigem uma descrição minuciosa. No fundo, os dois casos são iguais: é tudo questão de economia, como é alocado o que resta. As perspectivas antagônicas do médico e do padre – p. 113. E a convergência: o problema da onipotência de Deus! É o segundo romance francês estrelado por um médico. Que quer dizer? Eles são mais intensos que os próprios filósofos? Que um artista? A resposta: porque todos nós somos algo médicos. Ambicionamos saúde, o corpo, somos aprendizes e professores de uma ciência medicinal milenar e cotidiana que é a todos nós tão familiar e antípoda da ciência de consultório, a que hoje tem o respaldo, a da especialização. Grand é o Quixote camusiano. P. 158 – os bondes de mortos se assemelham profundamente às incinerações dos judeus em campos de concentração. Narrativa bruta! “nunca se viu um canceroso morrer de desastre de automóvel” p. 172 Orfeu e Eurídice – 175 216 – o réu no julgamento em que o pai de Tarrou era o acusador. Não um réu comum – o condenado à degola! Ares de Míchkin. Condenado à degola ou infectado pela peste do Estado. A imoralidade organizada. O exercício do “querer tudo de novo” e o do “revólver munido agora”: sim, eu afirmo a vida! Sou, hoje, Pandora. Amanhã, Sísifo – ele não morre. Ela, não recua. P. 229 – “É preciso recomeçar” – o Joe Gould da obra: Grand, já apontado como quixotesco. Um rico personagem. E é, ainda, Jesus Cristo! Tarrou é a repetição do Estrangeiro: o infectado solitário após o debelamento da peste.
Escrito por wormsaiboty às 19:15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
|

|
|

|