O Esgoto a Céu Aberto na Sua Rua


QUEM?

Quem? O trabalho.

Quem? O espírito.

Quem? O Homem.

Quem? A coisa.

Quem? O tempo.

Quem? O turbilhão.

Quem? O Inodoro Inominável.

Mas quem??? À vontade...

Eu vezes 1 milhão menos a diferença desprezando o resto e lá vai fumaça



Escrito por a mosca filosófica às 19:22
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O NOVIÇO

Martins Pena

 

AMBRÓSIO: "No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna. (...) Se em algum tempo tiver que responder pelos meus atos, o ouro justificar-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais fizeram-se para os pobres..."

 

"De pequenino se torce o pepino..."

 

FLORÊNCIA: "Se eu soubesse que havia de ser sempre tão feliz, casar-me-ia cinqüenta."

 

AMBRÓSIO: "Histórias! Sabes tu o que é o mundo? O mundo é... é..."

"O mundo é um pélago [mar; abismo] de enganos e traições, um escolho [obstáculo; penhasco] em que naufragam as felicidades e as doces ilusões da vida..."

 

CARLOS: "Não posso jejuar, tenho, pelo menos três vezes ao dia, uma fome de todos os diabos. Militar é que eu quisera ser; para aí chama-me a inclinação. Bordoadas, espadeiradas, rusgas é que me regalam; esse é o meu gênio. Gosto de teatro, e de lá ninguém vai ao teatro"

 

"Este tem jeito para sapateiro: pois vá estudar medicina... Excelente médico! Aquele tem inclinação para cômico: pois não senhor, será político... Ora, ainda isso vá. (...) Essoutro tem uma grande carga de preguiça e indolência e só serviria para leigo de convento, no entanto vemos o bom do mandrião empregado público, comendo com as mãos encruzadas sobre a pança o pingue [lucrativo] ordenado da nação. Este nasceu para poeta ou escritor, com uma imaginação fogosa e independente, capaz de grandes coisas, mas não pode seguir a sua inclinação, porque poetas e escritores morrem de miséria, no Brasil... e assim o obriga a necessidade a ser o mais ou menos amanuense [copista, que ironia, Rafael! blogueiro] em uma repartição pública e a copiar 5h/dia os mais soníferos papéis." Já pensou alguém com vocação de amanuense?

 

David Bowie deve cansar tantas vezes de seu mágico dom durante um só dia!

 

"A contradição em que vivo tem-me exasperado!"

 

"um periodiqueiro [jornalista] que só serviria para arrieiro [condutor de carroça], tão desbocado e insolente é"

 

- Carlos, que modos são esses?

- Que modos são? São os meus.

 

"Isto está muito bonito! Um frade com uma moça desmaiada nos braços. Valha-me Santo Antônio!"

 

DIC - "galheteiro: utensílio em que se serve à mesa o azeite, o vinagre, o sal, a pimenta, etc."

 

- Não há leis, não há justiça?...

- Há tudo isso, e de sobra. O que não há é quem as execute.

 

"Não tardarão a dar com o rato na ratoeira! Mas o rato é esperto e os logrará."

 

"Dous anos estive viúva e não me faltaram pretendentes. Viúva rica... Ah, são 20 cães a um osso."

 

- Espere, Reverendíssimo, essa mulher já saiu do convento?

- No convento não se demoram as mulheres.

 

"Que importa o nome? O nome é uma voz com que se dão a conhecer as cousas... Nada vale; o indivíduo é tudo."

 

"Oh, e quem ousará criminar a um homem por embelezar-se de uma estrela antes de ver a lua, quem? Ela era a estrela, e tu és a lua. Sim, minha Florencinha, tu és a minha lua cheia e eu sou teu satélite."

 

 "O diabo convença a uma mulher!"

 

"Ah, desejava que ela estivesse mais longe de mim do que o cometa que apareceu no ano passado."

 

- E para que o prendem?

- Prendem-no porque ele foge.

- E ele foge porque o prendem.

 

 

"O diabo do frade está endefluxado."



Escrito por a mosca filosófica às 20:43
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CRU, SE FIXO

“um Deus de amor que sofreria com o ódio.”

 

“Na cruz, Deus deixa de aparecer como judeu.”

 

Antipotência: Vontade de Cristo

 

Zaratustra dos Palmares contra o Engenho do Senhor

 

Menos é mais

Ração é resginação

Comer é reagir

Passar é assar

na brasa do Ínfero

Atingir o Nirvana

é parir...

uma nova crença

 

A massa de pasta uniforme disforme

Pregada, lavada, lavrada também,

como vinha – de amor

ia – de ódio

em ódio batendo a porta

que jamais se fecha

E acende a luz do cão-

de-labro quando eu te abro

a possibilidade das trevas

a.C. & deu (coisa-)ruimpossível dite-rambo

 

Já sigo no jazigo

do ziriguidom da minha bicicleta

do Siri-do-mar, a besta, que prenuncia o doom

damnation of humanitas espoir

pulseira de estrelas

não se(i se h)ouve a explosão

Era o Lices e sua cera

O olhüdim Lice

Em ódio

Por ódio

Puro ódio

são só palavras conjuntas

com foice sem freios



Escrito por a mosca filosófica às 18:04
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POE(MENIG)MA

 

       SPAcial

 

ex-passo, aquilo que é e não é ao mesmo tempo

não passo!

eu moro no paço

 

Aquilo que demarca sua presença pela falta

Aquilo cuja inexistência é sentida pela carne, posto que a carne é ele mesmo. Salto! Brilho! Fumaça! Estômago! Má-gica. Zero voltas no relógio anal-o-gicodi-gital. Cresça e apareça, contraia e caia no nada, antes de se dilatar feito balão de ensaio ímã-ginário girino ímã-terial.

Espaço descolorido, transexual

                                                                           versal

                 , lúcido e loiro.

Temp(er)o apimentado. achei que o bip tinha

                 apitado

Eu vejo laranja você magenta

Doce ilusão negra a fundos perdidos.

 

Branco cura



Escrito por a mosca filosófica às 22:39
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ORGULHO & PRECONCEITO

Jane Austen

 

"When a woman has five grown-up daughters, she ought to give over thinking of her own beauty."

 

"Mr. Bennet was so odd a mixture of quick parts, sarcastic humour, reserve, and caprice, that the experience of three-and-twenty years had been insufficient to make his wife understand his character. Her mind was less difficult to develop. She was a woman of mean understanding, little information, and uncertain temper.

 

"Oh! you are a great deal too apt, you know, to like people in general. You never see a fault in anybody. All the world are good and agreeable in your eyes. I never heard you speak ill of a human being in your life."

 

"In 9 cases out of 10, a women (sic!) had better show more affection than she feels."

 

"Podemos até começar livremente; mas há poucos de nós com coração bastante para estar mesmo amando sem encorajamento."

 

"Felicidade no casamento é inteiramente um problema de sorte."

 

"Não tem nada como dançar, depois de tudo. Eu o considero um dos primeiros refinamentos da sociedade polida." "Every savage can dance."

 

"A imaginação de uma dama é muito ágil; pula da admiração para o amor, do amor para o matrimônio, num momento."

 

Modéstia e humildade são minha precaução de longo prazo contra os tolos.

 

"Do you prefer reading to cards? that is rather singular."

 

"A woman must have a thorough knowledge of music, singing, drawing, dancing, and the modern languages, to deserve the word accomplished."

 

"Elizabeth Bennet is one of those young ladies who seek to recommend themselves to the other sex by undervaluing their own; and with many men, I dare say it succeeds."

 

"I wonder who first discovered the efficacy of poetry in driving away love!"

 

"I declare after all there is no enjoyment like reading! How much sooner one tires of anything than of a book! When I have a house of my own, I shall be miserable if I have not an excellent library."

 

"Existe, eu acredito, em toda disposição uma tendência a qualquer mal particular - um defeito natural, que nem a melhor educação pode suplantar."

 

"Elizabeth was the least dear to her of all her children" Lizzy, a 2ª das 5 Miss Bennets.

 

"Sem pensar grande de homens ou o matrimônio, o casamento sempre foi seu objetivo; era a única provisão para jovens e bem-educadas mulheres de pequena fortuna, e embora de felicidade incerta, deveria ser sua caução preferida contra a necessidade."

 

Com quantas vigas se faz uma estrutura?

Com quantos chutes se derruba um barraco?

 

"But vanity, not love, has been my folly."

 

"Daughters are never of so much a consequence to a father."

 

"Reflection must be reserved for solitary hours; whenever she was alone, she gave way to it as the greatest relief; and not a day went by without a solitary walk, in which she might indulge in all the delight of unpleasant recollections." o prazer de recordações desprazerosas!

 

"Her father, contented with laughing at them, would never exert himself to restrain the wild giddiness [tontice, frivolidade] of his youngest daughters"

 

"Elas eram ignorantes, pueris e vãs. Enquanto houvesse um oficial em Meryton, flertariam com ele; e enquanto Meryton estivesse a uma caminhada de Longbourn, estariam lá indo para sempre."

 

"perda de virtude numa fêmea é irrecuperável; um passo em falso a envolve em ruína sem-fim; sua reputação não é menos quebradiça do que é bela; e ela não está nunca demasiado preservada em seu comportamento diante de aproveitadores do outro sexo."

 

"Lydia was Lydia still; untamed, unabashed, wild, noisy, and fearless."

 

"She [Lizzy] blushed, and Jane blushed; but the cheeks of the two who caused their confusion [Lydia and Wickham] suffered no variation of colour." "Ah! Jane, I take your place now, and you must go lower, because I am a married woman." "As often as I can. But you know married woman have never much time for writing. My sisters may write to me. They will have nothing else to do."

 

"The loss of her daughter made Mrs. Bennet very dull for several days."

 

"and the usual satisfaction of preaching patience to a sufferer is denied me, because you have always so much."

 

"I can think of nothing else! 10.000 a year, and very likely more! 'Tis as good as a Lord!"

 

"I am the happiest creature in the world. Perhaps other people have said so before, but not one with such justice. I am happier even than Jane; she only smiles, I laugh."

 

 

"If he did shrug his shoulders, it was not till sir William was out of sight."



Escrito por a mosca filosófica às 18:07
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SIMULACROS & SIMULAÇÃO

Jean Baudrillard - Ed. Relógio D'Água, omite-se o tradutor.

 

A TROCAÇÃO SIMBÓLICA E A MORTE - DO LUTADOR DE M&MA.

 

HISTÓRIA

 

P. 17: "a pretexto de preservar o original, se proíbe o acesso de visitantes às grutas de Lascaux [aí lascô], mas que se construiu a réplica exata a 500m de distância, para que todos possam vê-las (dá-se uma olhadela à gruta autêntica pelo postigo e depois visita-se o todo reconstruído)."

 

"toda a ciência e a técnica se mobilizaram recentemente para salvar a múmia de Ramsés II, depois de a terem deixado apodrecer durante algumas dezenas de anos no fundo de um museu. O Ocidente foi tomado de pânico, perante a idéia de não poder salvar o que a ordem simbólica tinha sabido conservar durante 40 séculos, mas longe do olhar e da luz. Ramsés não significa nada para nós, apenas a múmia é de um valor incalculável, pois é ela que garante que a acumulação tem um sentido." "Estamos fascinados com Ramsés como os cristãos da Renascença estavam com os índios da América, esses seres (humanos?) que nunca tinham conhecido a palavra de Cristo." "Então das 2 1: ou se admitia que essa lei não era universal ou se exterminavam os índios para apagar as provas. (...) Deste modo terá bastado exumar Ramsés para o exterminar ao museificar"

 

COMUNISMO

 

"a esquerda dá muito bem conta de si própria e faz espontaneamente o trabalho da direita."

 

"Todas as hipóteses de manipulação são reversíveis num torniquete sem fim."

 

Makarius - A estratégia da catástrofe (em francês)

 

"Com o esgotamento da esfera política, o presidente torna-se cada vez mais parecido com esse manequim de poder que é o chefe nas sociedades primitivas (clastres)."

 

"Por uma ironia é da morte do social que surgirá o socialismo, como é da morte de Deus que surgem as religiões." Deus morreu, e finalmente obedeceu-o o judeu.

 

"Acabou o valor de uso ou o prestígio do automóvel (use menos gasolina, cuide da sua segurança, ultrapassou a velocidade, etc.), ao qual as características dos automóveis fingem adaptar-se. É pelo mesmo deslizar do <direito> de voto para <dever> eleitoral que se assinala o desinvestimento da esfera política." Ter carro é uma boa idéia, o ruim é ter o carro!

 

Pp. 51-2: "Que sentido teve esta guerra, e a sua evolução não terá sido a de consolidar o fim da história no acontecimento histórico fulminante e decisivo da nossa época? Por que motivo esta guerra tão dura, tão longa, tão feroz, se dissipou de um dia para o outro como por encanto? Por que esta derrota americana (o maior revés da história dos EUA) não teve qualquer repercussão interna na América? (...) Nada aconteceu." "normalização das relações Pequim-Washington: era isso a questão fulcral da guerra do Veitname e os EUA abandonaram o Viet. mas ganharam a guerra."

 

Desassinei CartaCapital e nada mudou...

 

Artaud - Théâtre de la Cruauté

 

“Os comunistas atacam os socialistas como se quisessem quebrar a união da esquerda. Dão crédito à idéia de que estas resistências viriam de uma exigência política mais radical. De fato, é porque não querem o poder. Mas não o querem nesta conjuntura, desfavorável para a esquerda em geral, ou desfavorável para eles no interior da União da Esquerda – ou já não o querem por definição? Quando Berlinguer declara: <Não há que ter medo de ver os comunistas tomar o poder na Itália>, isto significa ao mesmo tempo:

- que não há que ter medo porque os comunistas, se chegarem ao poder, não mudarão nada ao seu mecanismo capitalista fundamental;

- que não existe qualquer risco de eles alguma vez chegarem ao poder (pela razão de eles não o quererem);

- e mesmo se o alcançarem nunca farão mais que exercê-lo por procuração;

- que, de fato, o poder, o verdadeiro poder, já não existe e portanto não há qualquer risco de que alguém o tome ou o retome;

- mais ainda: eu, Berlinguer, não tenho medo de ver os comunistas tomar o poder na Itália – o que pode parecer evidente mas não tanto como isso já que

- isso pode querer dizer o contrário (não é preciso psicanálise para tal): tenho medo de ver os comunistas tomar o poder (e existem boas razões para isso, mesmo para um comunista).

Tudo isto é verdade simultaneamente. (...)

E esta lógica não é nem de um partido nem de outro. Ela atravessa todos os discursos independentemente da sua vontade.”

 

“só o capital goza, dizia Lyotard, antes de pensar a partir de agora que nós gozamos no capital.”

 

“O poder pode encarnar a sua própria morte para reencontrar um vislumbre de existência: os Kennedy morriam por terem ainda uma dimensão política. Os outros, Johnson, Nixon, Ford, não tiveram direito senão a atentados fantoches, a assassínios simulados.”

 

CINEMA

 

Chinatown, Os Três Dias do Condor (Three Days of The Condor), Barry Lyndon, 1900, Os Homens do Presidente (All The President's Man), Last Picture Show, China Syndrome, "Mulholland Drive, the masterpiece of David Lynch", Dr. Mabuse (jetrotal), Nosferatu

 

"Fala-se de voltar a fazer filmes mudos, melhores, sem dúvida também eles que os da época. Ergue-se uma geração de filmes que são, para os que conhecemos, o que o andróide é para o homem: artefatos maravilhosos, sem falhas, simulacros geniais aos quais não falta senão o imaginário, e esta alucinação própria que faz o cinema. A maior parte dos que vemos hoje [1980!] (os melhores) são já dessa categoria. Barry Lindon é o melhor exemplo: nunca se fez melhor, nunca se fará melhor... em quê?"

 

"Prazer cool, frio, nem sequer estético no sentido rigoroso do termo: prazer funcional, prazer equacional, prazer de maquinação."

 

"Em Visconti há sentido, história, uma retórica sensual, tempos mortos, um jogo apaixonado, não só nos conteúdos históricos mas na encenação. Nada disto em Kubrick, que manobra o seu filme como um jogo de xadrez, que faz da história um cenário operacional."

 

Já desconfiava da notoriedade sobre-comum de Sergio Leone...

 

"O cinema plagia-se, recopia-se, refaz os seus clássicos, retroativa os mitos originais, refaz o mudo mais perfeito que o mudo de origem, etc.: tudo isto é lógico, o cinema está fascinado consigo próprio como objeto perdido, tal como está (e nós estamos) fascinado(s) pelo real como real em dissipação."

 

 

A "economicidade" do discurso é, então, boa? - Marco Aurélio, CEUB



Escrito por a mosca filosófica às 19:59
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HOLOCAUSTO

 

"A televisão. Verdadeira solução final para a historicidade de todo o acontecimento. O esquecimento, o aniquilamento alcança assim, por fim, a sua dimensão estética (...) a partir de agora , toda a gente vibrou e choramingou perante a exterminação - indício certo de que nunca mais ocorrerá. (...) não ocorrerá de fato nunca mais porque desde sempre tem vindo (...) E querem-nos fazer crer que a televisão vai levantar a hipoteca de Auschwitz fazendo irradiar uma tomada de consciência coletiva"

 

O RESTO

 

"As pessoas têm vontade de tomar tudo, pilhar tudo, comer tudo, manipular tudo. Ver, decifrar, aprender não as afeta. (...) Nunca esperam esse fascínio ativo, destruidor, resposta brutal e original"

 

"O próprio cenário da cidade subterrânea - versão chinesa [X-Men; Teenage Mutant] de enterro das estruturas - é ingênuo."

 

"Nós éramos uma cultura da violência libertadora (a racionalidade). (...) Uma outra violência completamente diferente que não sabemos analisar aparece hoje: violência implosiva" "Esta violência é-nos ininteligível porque todo o nosso imaginário está centrado na lógica dos sistemas em expansão." "Os sistemas estelares também não deixam de existir, uma vez dissipada sua energia de radiação" "Deve-se evitar tomar a implosão por um processo negativo, inerte, regressivo, como a língua no-lo impõe ao exaltar os termos opostos de evulção, de revolução. (...) O Maio de 68 foi sem dúvida uma primeira reação violenta à saturação social (...) de resto em contradição com a ideologia dos próprios participantes, que pensavam ir mais longe no domínio do social (...) esta implosão tem conseqüências mais sérias que a própria revolução."

 

Talvez hoje notássemos a diferença entre os homens se todos andassem com uniformes iguais. Mas como estão, individualizados, são não as vestimentas, é lógico, mas a carne e o espírito todos iguais.

 

Un livre, ma oeuvre!, appellé "Provérbios de Cila ou Sentenças de Caribde", avec tous mes jeux de mots de ces derniers ans au blog!

 

Ninguém se suicida pelo passado vergonhoso que tem nas costas; mas pelo futuro vergonhoso que sabe que terá.

 

"como a pornografia é ficção hipertrofiada de sexo consumido na sua irrisão, para a sua irrisão, espetáculo coletivo da inanidade do sexo na sua assunção barroca"

 

Uma sociedade em que o sexo fosse banido e só houvesse clones de clones de clones da última geração de humanos nascidos sexuadamente.

 

"ser filho de si próprio, é ainda ser o filho de alguém"

 

O homem é o câncer do homem.

 

Ballard - Crash

 

Nashville (filme ou livro ou ambos?)

 

Philip Dick - Simulacres

 

Jack Barron ou L'éternité

 

Tous à Zanzibar

 

Viviane Forrester - O horror econômico (~20% nos favoritos: google books)

 

P. 173: "Os animais não têm inconsciente, porque têm um território. Os homens não têm um inconsciente senão desde que já não têm território. O território e as metamorfoses foram-lhes tiradas ao mesmo tempo - o inconsciente é a estrutura individual de luto onde se volta a representar, sem cessar e sem esperança, esta perda - os animais são a sua nostalgia." [meu]

 

SOBRE BAUDRILLARD: seria preciso uma 3ª perspectiva. A 1ª é ele mesmo; a 2ª a "wikipedianesca": que ele é um pensamento datado, tão incorreto quanto as escolas anteriores e as próximas, pertencente aos pós-estruturalistas, como um quadrinho na sucessão imagética do gibi. E então... sejamos IMPARCIAIS? Eis que o câmbio engancha e trava na troca de marchops!

Eu sou um dado de 6 lados e você só acessa uma face...

O ISMO DO TERROR

E em seguida virá o CAOSISMO

O ACASISMO

O CONTINGENCIALISMO

 

"A violência teórica é o único recurso que nos resta."

niilismo chapa branca como a névoa

um niilista na conferência da UnaSul

tudo vermelho

 

Lipovetski - A Era do Vazio

 

Miguel de Unamuno - Do Sentimento Trágico da Vida

 

"Sexo e morte são os dois grandes temas reconhecidos pela sua capacidade de desencadear a ambivalência e o riso. (...) por que nos rimos? Só nos rimos da reversibilidade das coisas, e o sexo e a morte são figuras eminentemente reversíveis."

 

"Todo o real é residual, e tudo o que é residual está destinado a repetir-se indefinidamente no fantasmal."

 

"Mas quando tudo é recalcado já nada o é. Não estamos longe desse ponto absoluto do recalcamento (...) ponto de saturação crítica (...) então as energias já não têm de ser libertadas, gastas, economizadas, produzidas: é o próprio conceito de energia que se volatilizará por si próprio. (...) É preciso levar ao consumo insensato da energia para lhe exterminar o conceito. É preciso chegar ao recalcamento máximo (...) Quando o último litro de energia tiver sido consumido (pelo último ecologista), quando o último indígena tiver sido analisado (pelo último etnólogo), (...) quando a última fantasia tiver sido elucidada pelo último analista (...) dar-nos-emos conta de que esta gigantesca espiral da energia e da produção é apenas uma metafísica do resto e será resolvida de repente"



Escrito por a mosca filosófica às 19:58
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OS SEIS CORROMPIDOS DE SENSUI

Alguns sonhos sobrevivem a seus autores. Em outra ocasião foi contada uma história. A história de um ser humano ambicioso e sem escrúpulos que queria colocar o mundo dos homens de ponta-cabeça. Aparentemente, o plano maligno havia sido soterrado.

 

No mundo concreto, não obstante, ainda há questões a elucidar, frestas a investigar, buracos que tapar. O negrume não voltou, porque jamais partira. O túnel subsiste. A abertura para o lado obscuro da existência segue firme sua marcha, vai engolir toda a luz.

 

Estava tudo premeditado desde o começo. Sintomas acalantam o crime, a desesperança e o rancor. Sintomas de que vai algo muito mal. Observe no entorno: todas as feridas e ressentimentos acumulados se juntaram e se cristalizaram em estranhos seres. Para concretizar um plano uniforme e multiforme, conforme a estranha sintonia dessas mentes condenadas coordenadas por uma só insanidade.

 

Já estamos no terceiro estágio. É apenas questão de tempo. O núcleo vai explodir. Cem Toguros atormentarão a sua vida mesquinha. Doutor, Seaman, Sniper, Game Master, Gourmet, Gate Keeper, Dark Angel.

 

A raça humana é um câncer. Eu sou o doutor. Inocularei a cura homicida, insetólatra, em suas correntes sangüíneas. Dark Angel me contou tudo sobre vocês. Minha missão é cem por cento estimulante, eu não vou dormir até sepultar todos os doentes! Mesmo que tenha de assistir tudo da prisão.

 

Foi na saída do tão esperado show do Megallica que ele me apanhou em sua fortaleza de água mole, teimosamente bato até que furo. Sua rede de intriga, sua teia de água-viva. Mexa comigo, ora, mas deixe meus amigos em paz. Solte-os, solte-os agora, coisa pegajosa! Um nerd terráqueo, ou aquático, não pode me prender para sempre. Deixe que meu poder se manifeste, aí eu vou ensinar com quantas canoas numa tempestade de flor de cerejeira se faz uma vingança bem-feita, meu coleguinha! Você errou desde o princípio, enxergou tudo enviesado...

 

Um capítulo negro da história humana - mas depois existe a aurora. Reexiste. Resiste. Ajudar o próximo independe da vontade a maioria das vezes. Só preciso dum norte para limpar a sujeira... do meu coração. Ainda estou confuso, com um peso nas costas. Deve ser o remorso.

 

Uma seta no lugar certo. Eu sou o homem do papo reto e da precisão... cirúrgica - sim, mais que o Doutor. Olhar telescópico e distância são meu pathos. Humano comum, dou trabalho a youkais. Quero impressionar minha namorada. Ou amiga. Ou concubina. Por isso acelero na moto pra valer, faço roncar além do necessário, só para ensurdecer pedestres e desavisados. Vou engolindo o asfalto. Para mim nem lances de escada são intimidadores. Multidões, saiam de perto! No meu território tudo se torna arma letal. Todos são ovelhas para o sacrifício do chefe. Fase turbulenta, não vão me convencer a desistir. O alvo da morte vai perseguir os seus pontos vitais! Até eu cair.

 

Sou o mais jovem dos sete. Sou o mais frio dos sete. Seaman, apesar do tamanho, não passa dum principiante que vou esmagar de encontro ao solo. Existem dois tipos de inadaptados: os fracos e os exuberantes. Eu sou inadaptado porque excedo em todos os atributos. Humanos normais não são nada para mim.

 

Massa de manobra? Mas como? Bode expiatório! Mera pedra no meio do caminho para machucar um pé. Drenar um quê das forças do inimigo. Copo descartável, CD de jogo mal-gravado, me jogaram fora sem cerimônia... E eu que achei que a realidade era um jogo sem game over para quem tivesse um talento como o meu... Na batalha psicológica eu conheci o desespero e me mostrei um fraco. Morte do vilão como no estereótipo.

 

Nham, nham. Este é o meu momento. De constituir uma refeição. Devorar todos os que tentam atrapalhar. Um banquete digno da fita do Capítulo. Vocês verão o mesmo conteúdo, do lado de fora da tela. Um apetite imortal toma conta de mim. Eu sou dois e sou um, corpos dividindo um território, onde não há supremacia a não ser a do suco gástrico. Terrível inimigo que os conhece de longa data, acho que não terão a menor chance! Se tem uma coisa que detesto, é ouvir os pensamentos humanos mesquinhos em voz alta... É a contraparte de ter me tornado tão eclético e poderoso... Mas sinceramente, como um antigo ser humano que vendeu sua alma há tanto tempo, eu nem mesmo sou como os outros. Minha obscuridade não irradia de uma crise espiritual temporária: eu sou o mal. Se Dark Angel não ficar esperto, se tornará meu escravo.

 

Hm, o que é isto? É você que eu vou retalhar? Venha cá! Que prazer inigualável! E que coceira no cérebro! Venha cá, eu ainda não terminei meu serviço... Ué, você de novo?! Continuo sem entender, mas seu suplício não terá fim... seu suplício... meu suplício. Pouco importa, só realizo o que está em mim. Planta.

 

O isolamento é a palavra-chave. Se é uma angústia, um tipo de angústia, não é menos verdade que é também um afastar e vencer sobre todas as angústias mundanas. Aqui, a negro céu aberto, brilha uma melancolia infinita que só pertence a mim mesmo. Aqui me sinto em casa. Não é como a vida depressiva concreta e cinzenta do cotidiano banalizado chamada ser humano. Meu manequim de sombra vai deglutir a refeição melhor que qualquer Gourmet e eu, o Porteiro dos Dois Mundos, vou fazer como meu mestre caído desejava: deixar todo mundo de expectador, inclusive eu mesmo, exceto ele e seu arqui-rival. Luta de detetives. Luta de investigadores da alma humana, que chegaram pelas mesmas vias a resultados diferentes.

 

Segunda manifestação. O vingativo. Ressurreição premeditada, ora, quem diria. Nas mãos da generosidade de um soberano e da vida por um fio de um garotinho estava depositado o resultado deste feitiço e desta luta. Do meu desejo final. Você perdeu forças ajudando ao fraco, por isso veio me enfrentar aquém de seus limites, aquém de seu potencial! Por isso eu o supero, eu o soterro, eu me supero, e eu deito a humanidade por terra. 3, 2, 1... Buraco! Terceira manifestação. Retorno às origens. Nós 6 mais ele vamos dizimar todo mundo!

 

Não, não vai demorar muito e eu serei derrotado. Não sei explicar por quê. Por causa de uma energia ambígua que vem de dentro e machuca e nos torna tanto homens quanto monstros?! Podem vir todos, só um Deus me derrotaria. Este foi um belo filme, um epílogo orquestral. Mas a realidade é a cova... Ninguém te falou que eu estava condenado? Das entranhas para fora fluía o mal...

 

Eu sou um sobrevivente, como esses de novela. E meu destino é ser assim indefinidamente. Não como Gourmet, Murota, Toguro: cuidando do meu mestre, deste cadáver puro e inimitável. Repousar eternamente. Merecemos, depois de tanto contato com o lodo e a escória! Não interfiram, vocês juízes extra-mundanos. Tudo era para terminar exatamente assim, com a regeneração dos Seis, quer dizer, Cinco, ou melhor, Quatro. Três deles, aliás, inocentes meninos de escola, de vidas mais do que normais. Sinto deveras que tenham sido títeres tanto tempo à toa... Será que vão mesmo conseguir se recuperar? Alguns sempre destoam e se perdem neste bosque.

 

 

Agora é a ressaca do sonho. Às vezes é bom não se deixar levar, não ser tão extremo.



Escrito por a mosca filosófica às 20:44
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THE OLD MAN & THE SEA

E. Hemingway

 

"The Yankees cannot lose."

 

"Anyone can be a fisherman in May."

 

"You'll not fish without eating while I'm alive."

 

"I like the beers in cans best." "I know, but this is in bottles."

 

"Should we talk about Africa or about baseball?"

 

"Why do old men wake so early? Is it to have one longer day?"

 

Sobre uma concepção de mar ou oceano feminino.

 

"É melhor ser sortudo, mas prefiro ser exato."

 

"Era considerada uma virtude não falar desnecessariamente no mar e o velho sempre assim considerou e o respeitou. Mas agora ele dizia seus pensamentos alto muitas vezes já que não havia ninguém que eles pudessem perturbar."

 

DIC - school: cardume

         spur: espora "Un espuela de hueso"

         handgame: queda-de-braço

 

"Don't be shy, fish. Eat them."

 

"Ele não o disse porque ele sabia que se você dissesse uma coisa boa ela não aconteceria."

 

"Eat it so that the point of the hook goes into your heart and kills you"

 

Homem-peixe, o jogo da conquista.

 

A arte é uma pesca.

 

Alguma lésbica quer casar comigo? Quero chifres rosas na cabeça.

 

"and tried not to think but only to endure."

 

"I wish I could see him only once to know what I have against me."

 

"The position actually was only somewhat less intolerable; but he thought of it as almost comfortable."

 

"No one should be alone in their old age, he thought. But it is unavoidable."

 

"Perhaps I should not have been a fisherman."

 

"You shouldn't be that tired after a windless night. What are birds coming to?"

 

"Dolphin is too sweet."

 

"And I do not know wether the sun will rot or dry what is left, so I had better eat it all although I am not hungry. The fish is calm and steady."

 

"I am not religious, but I will say ten Our Fathers and Hail Marys that I should catch this fish, and I promise to make a pilgrimage to the Virgin of Cobre if I catch him." "Hail Marys are easier to say than Our Fathers."

 

"The thousand times that he had proved it meant nothing. Now he was proving it again. Each time was a new time and he never thought about the past when he was doing it."

 

"Do you believe that great DiMaggio would stay with a fish as long as I will stay with this one?"

 

"But his left hand had always been a traitor and would not do what he called on it to do and he did not trust it."

 

"But it is good that we do not have to try to kill the sun or the moon or the stars. It is enough to live on the sea and kill our true brothers."

 

"They sleep and the moon and the sun sleep and even the ocean sleeps sometimes on certain days when there is no current and a flat calm."

 

"Que excelente peixe o golfinho é para comer sozinho, e que peixe miserável cru. Nunca mais subo num barco sem sal ou limões."

 

"Why was I not born with two good hands? Perhaps it was my fault in not training that one properly."

 

"If he [grifo meu] cramps [der cãibra] again let the line cut him off."

 

"I'm tireder than I have ever been, he thought"

 

"His mouth was too dry to speak but he could not reach for the water now."

 

"I wish it had been a dream now and that I had never hooked the fish and was alone in bed on the newspapers." "But man is not made for defeat. A man can be destroyed but not defeated."

 

You're the bottom of your own well.

 

Só descobri que odiava tua risada quando passei a te odiar.

 

"But I must think, he thought. Because it is all I have left. That and baseball. I wonder how the great DiMaggio would have liked the way I hit him in the brain? (...) But do you think my hands were as great a handicap as the bone spurs? I cannot know."

 

"It is silly not to hope"

 

"But then everything is a sin. Do not think about sin. It is much too late for that and there are people who are paid to do it. Let them think about it. You were born to be a fisherman as was the father of the great DiMaggio." "If you love him, it is not a sin to kill him. Or is it more?"

 

"<Ay,> he said aloud. There is no translation for this word and perhaps it is just a noise such as a man might make, involuntarily, feeling the nail go through his hands and into the wood."

 

"In the night sharks hit the carcass as someone might pick up crumbs from the table."

 

O peixão tinha 5,4m. "There has never been such a fish."

 

"The old man was dreaming about the lions. THE END"

 

Hemingway se suicidou na véspera dos seus 62 anos.

 

For whom the bell tolls [magnum opus]

 

"Hemingway's father also committed suicide, shooting himself with a Civil War pistol in 1928."

 

Outra "short story": The Snows of Kilimanjaro"



Escrito por a mosca filosófica às 12:30
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SEM TRABALHO... POR QUÊ? - PÉROLAS ANTI-LIBERAIS

MacAbeus Donald's

 

Acusam o Marxismo de machista, mas não a Bíblia!

 

Migne em Grego - Coletânea dos Santos Padres da Igreja do Oriente

 

P. 89: "O séc. XX viu crescer o Ensinamento (Doutrina) Social da Igreja, continuamente alimentado com riquíssimos pronunciamentos oficiais em Encíclicas, cartas, documentos diversos."

 

"Todo o viver e agir humanos, segundo a fé cristã, têm seu começo, razão de ser e fim, na felicidade infinita, eterna e total da Santíssima Trindade, que S. João define como Amor"

 

 

One horse without rein for my reign.



Escrito por a mosca filosófica às 10:16
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PÉROLAS LIBERAIS BRASILEIRAS

PFL - Partido das Frases Lesadas

 

A) ANTONIO PAIM - nem verbete no wiki possui!

 

"A família patriarcal foi superada pela própria vida mas não a família em si mesma, que pode ser uma instituição fraterna e solidária, onde a autoridade dos pais resulte do livre reconhecimento"

 

"A preocupação com os índios e com o meio-ambiente, fomentada pelas escolas freqüentadas pela classe média, inserem uma inversão da hierarquia de valores. De nada adianta cultivar uma atitude conservacionista diante da natureza, deixando combalidos os pilares da sociedade: a família e a empresa."

 

"Os níveis de estatização da economia brasileira aproximam-se bastante daqueles que foram alcançados pelos países socialistas. Encontra-se, ainda hoje, em mãos do Estado a infra-estrutura de transportes, comunicações e energia elétrica."

 

"A compreensão da natureza do Estado Patrimonial. A bibliografia disponível no país é expressiva e o aprofundamento dessa compreensão pode permitir [que] seja o denominado <socialismo real> situado como uma das virtualidades do patrimonialismo." Quanto ao <capitalismo real>, vamos esperar que um dia esses autores o abordem.

 

"O capitalismo produziu, com exclusividade, uma sociedade onde prevalece a igualdade de oportunidades."

 

"O rico ou é injusto ou do injusto é herdeiro." Aristóteles [uma ilha de sabedoria, ou bote, neste mar do baixo-ventre!]

 

"O aparecimento de uma corrente política pós-85, organizada no PFL, registrando sucessos alvissareiros, representa certamente fato alentador."

 

"Trata-se, portanto, de encontrar uma pauta mínima (...): Eliminar todas as burocracias estatais devotadas aos programas oficiais de combate à pobreza. (...) desde 1930, quando o Estado assumiu o lema de <tudo pelo social>, <opção preferencial pelos pobres>, gerando em seu seio, desde Vargas, sucessivos <país de pobres>"

 

"Revolução de 64 - Manietada pelo corporativismo, sua liderança exauriu-se sem esse gesto de grandeza."

 

"Na sociedade ocidental foi superada a exploração, pelo menos nas formas analisadas e descritas por Karl Marx." J. Paulo II, O Centenário da Rerum Novarum, 1991.

 

"do ângulo estritamente religioso a preservação da moral contra-reformista corresponde a uma brutal distorção do espírito da lei moral que herdamos de nossos mais remotos ancestrais."

 

A Física vai voltar a ser una quando o Cristianismo o for.

 

Von Mises

 

B) UBIRATAN BORGES DE MACEDO

 

"O fim das idéias irracionalistas na filosofia ocidental, com o passar da moda existencialismo (sic) e do neomarxismo, vem criar um ambiente favorável à restauração do liberalismo clássico."

 

"O fim oficial do marxismo-estalinista (sic), como regime, não representa o seu fim como ideologia ligada ao valor igualdade."

 

"A prevalência na cultura dos mestres da suspeita: Freud, Marx e Nie., sobre a base de Darwin, encarnam esta crise da consciência moral, da razão comum, e abrem caminho para a apologia da ação direta da violência na obra de Georges Sorel e nos teóricos pré-fascistas. (...) os paradoxos matemáticos levando à lógica matemática e à crise da formalização, expressa no teorema de Göddel, completam o panorama com um novo universo onde a matemática é assimilada à poesia e há um banimento geral de certezas."

 

Sendo que... o (á)tomo é mais Não-Ser do que Ser!

Este tomo é enorme

 

Recomendações, a despeito de tudo:

Karl Popper - A Miséria do Historicismo

Hannah Arendt - As Origens do Totalitarismo

Karl Jaspers - A Culpabilidade Alemã

                     A Bomba Atômica e o Futuro da Humanidade

                     Origem e Meta da História

Hayek - O Caminho da Servidão

Richard Rorty - A prioridade da Democracia sobre a Filosofia

                       Liberalismo post-modernista (2 ensaios inclusos em "Objectivity, Relativism & Truth")

Croce - Elementi di Politica

Ortega y Gasset - Del Imperio Romano

 

"Karl Popper, publicou seu grande livro A sociedade aberta e seus inimigos, em que sociedade aberta significa democracia política e abertura a mudanças; os inimigos são Platão, Hegel e Marx, culpados de tribalismo ao quererem manter um estágio primitivo da humanidade, a sociedade fechada sob estrito controle estatal. O livro, de rara erudição, continua até hoje sendo um dos textos básicos da cultura liberal, apesar de alguns exageros da época de guerra [1945]." "Mas é no seu pequeno livro, o importante Ensaio sobre a Liberdade (1965) que é feita a defesa da noção de liberdade, medula do liberalismo contra a deformação marxista da liberdade real, uma confusão entre liberdade e poder."

 

Nisbet - História da Idéia de Progresso

 

"Nesse nosso trágico e desesperançado século, os neoliberais são os últimos que mantêm a crença de que a humanidade e a história caminham inevitavelmente para um futuro melhor."

 

C) SELVINO ANTONIO MALEATTI

 

"Conforme o filósofo Fichte, os alemães eram uma raça superior, cabendo a eles impor a paz na Europa."

 

 

Papa Leão VIII, fim do séc. XIX: "Condena tanto o Capitalismo quanto o Socialismo. Acena para o tradicional Regime do Amor na solução dos problemas sociais. (...) Seria uma estrutura orgânica da sociedade, hierarquia natural, caridosa, sem antagonismos nem conflitos. (...) Encíclica Quod Apostolici Muneris, na qual almeja sociedades artesanais e operárias, sob o manto religioso, contentes com sua sorte, levando uma vida submissa e sem contestações. (...) o congraçamento entre patrões e empregados" "os católicos começaram a formar sindicatos como alternativa ao sindicalismo revolucionário."



Escrito por a mosca filosófica às 17:34
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D) RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ (Keynes: Doutrina & Crítica)

 

"D. E. Moggridge informa que, nos 2 últimos anos da sua primeira formação humanística em Eton, Keynes <teve experiências homossexuais>. Desse passado restou, na vida do nosso [fale por você!] autor, uma <homossexualidade ideológica>, que o levou a defender os direitos das minorias."

 

"Inspirado pela ideologia apontada, o grupo (*) reuniu intelectuais de sucesso, libertários, debochados, feministas [as irmãs Vanessa Bell e Virginia Woolf] e críticos dos valores herdados da sociedade vitoriana."

 

(*) O Bloomsbury Group, apaniguados de Keynes, quase uma "maçonaria".

 

"Keynes era um homem polêmico, e, para não poucos, arrogante."

 

Keynes - Teoria Geral

 

P. 27: "O próprio Samuelson advertia, em relação à Teoria Geral: <É um livro mal escrito e mal organizado. Não serve para uso em classe. É arrogante, mal-educado, polêmico e não muito generoso nos agradecimentos. É cheio de falácias e confusões: desemprego involuntário, unidades de salário, equivalência da poupança e do investimento, caráter intertemporal do multiplicador, interações da eficiência marginal sobre a taxa de juros, poupança forçada, taxas de juros específicas, e muitos outros conceitos ambíguos>."

 

"A isso juntava-se a repercussão imatura que a obra teve no público universitário britânico e norte-americano. John Kenneth Galbraith refere o exagero dos jovens economistas e cientistas políticos da Universidade de Harvard que, com o pretexto da celebração dos 300 anos daquela Instituição escolheram, para serem homenageadas, os nomes de Leon Trotsky e Keynes, pretendendo estabelecer entre eles uma linha de pensamento comum, inexistente."

 

"K. morreu em abril de 46, do mal cardíaco que o afetava há 9 anos. Este desenlace foi considerado, por alguns dos seus biógrafos, resultante do fato de ter corrido para pegar um trem. Talvez se a austeridade britânica lhe tivesse posto ao seu serviço um carro, a Inglaterra tivesse se beneficiado por algum tempo ainda com a sua colaboração."

 

"A aplicação da doutrina de Keynes, nos EUA, na Europa Ocidental e no Japão, deu ensejo ao mais amplo e aprofundado processo de bem-estar econômico já conhecido pela Humanidade, ao longo da história." "surgiram, nos países pertencentes a esta área do mundo, classes médias muito poderosas e abastadas, que deitaram por terra as previsões fatalistas de Marx em relação ao futuro do Capitalismo." "não havia dúvidas quanto ao caráter saudável do crescimento." "foi uma época muito difícil para os críticos do sistema capitalista." Tanto é que o Muro de Berlim despencou (na bolsa?) em 1969 - não é?! Hm...

 

"Mesmo os países situados na periferia do capitalismo, como os africanos, os latino-americanos, os do oriente-médio ou os pertencentes à comunidade de nações do sudeste asiático, experimentaram grande movimento de crescimento econômico e de melhoria nos seus padrões de vida."

 

"Em que pese <os 30 gloriosos anos> de progresso inspirado (sic) nas idéias de Keynes, no entanto (sic) a Humanidade não solucionou, com isso, todos os seus problemas. (...) Mas não se trata de jogar pela janela afora as conquistas atingidas sob o welfare state, lançando Keynes e os seus discípulos às trevas exteriores."

 

"A saída dos Trinta Gloriosos Anos [!], em fins da década de 70, a utopia de uma sociedade liberada da necessidade e de um indivíduo protegido dos principais riscos da existência parecia ao alcance da mão."

 

"o Führer recebe instruções diretamente de Deus, o Führer do Universo. Não sabemos como Deus se comunica com o Führer. Mas o fato não pode ser negado." Werner Sombart

 

"Sombart, ao contrário de Keynes, era modesto" Von Mises (???)

 

"o desempregado deixou de ser a figura carente e frágil que pressupõe a teoria keinesiana (sic), e se converteu num indivíduo capaz de programar o seu estado de desemprego, enquanto não aparecer a atividade econômica mais consentânea com as suas expectativas salariais e profissionais."

 

 

"segundo o mega-investidor húngaro-americano George Soros, o FMI tornou-se insuficiente para pautar a complicada realidade da economia internacional. Seria necessária uma instituição que obrigasse os países a agir às claras, em matéria de trocas comerciais e de administração das suas economias (pondo em prática, aliás, o ideal kantiano do imperativo da transparência garantidor da paz entre as nações). A nova instituição, provavelmente uma parte do FMI, garantiria de forma explícita os empréstimos e créditos internacionais até determinados limites. Os países devedores se comprometeriam a fornecer dados sobre todos os empréstimos, públicos ou privados, segurados ou não. Assim, a autoridade teria condições de estabelecer um teto para os valores que estaria disposta a segurar. Até esses limites, os países interessados teriam acesso aos mercados de capitais internacionais, as taxas de juros preferenciais, acrescidas de um pequeno adicional. Além desses limites, os credores estariam em risco. O estímulo e o castigo ajudariam a evitar a orgia e a fome nos fluxos de capitais internacionais." "Não está longe o momento em que os Sete Grandes aceitem a criação dessa instituição reguladora internacional. Uma instituição que, como frisa Soros, teria como finalidade principal garantir o funcionamento do capitalismo em sociedades abertas."



Escrito por a mosca filosófica às 17:33
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IN (CORPORE) SANO

Fariseu, com "f" de "fofoqueiro"

Publicano, com "p" de "pecador"

Redentor, com "r" de "Reino dos Céus"

 

Fariseus - de novo! Sumiço das folhas, lepra e estigmas - com "f" de "faca", "fodido" e "finanças"

Cão com "c" de "cigarro" e "cu" e "crime"

P de possessão e Pai-Mata-Todos!

L de lepra, levítico e louco

D de demônio que é doido

M de Maria que é milagre. Mãe. Morte. Minha.

Rafael de Ridículo

J de (Jesus) jejum

 

 

N.S. de NUNCA SE VIU TAL SACANAGEM. Amém.



Escrito por a mosca filosófica às 16:17
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SCHRÖDINGER & NIETZSCHE & LIFE

Babich

 

"vale notar que Schrödinger [doravante Sch.] tem uma maior probabilidade estatística de ter tido sífilis que Nie., dado que portas de entradas usuais para a infecção incluem contato íntimo e, ao contrário do filósofo, Sch. pôde gabar-se de tantas conquistas amorosas que seus biógrafos lutam por contar estas facetas de diferentes formas."

 

Controvérsias sobre mortes animais em experimentos - gatos são vítimas mais contumazes que cães!

 

El Greco, o pintor cujo estilo de vanguarda foi atribuído a um astigmatismo - jamais documentado.

 

"sem o mais remoto embasamento empírico, continuamos a ser informados que Nie. escreve o que ele escreve <porque> ele tinha sífilis."

 

Richard Schain - The Legend of Nietzsche's Syphilis

 

John Horgan - The End of Science: The Limits of Knowledge in The Twilight of The Scientific Age

 

"Freud, inspirado pelas fofocas tardias de Lou Salomé, especulou sobre a sexualidade de Nie. (em geral Freud era dado a assumir que autores famosos eram homossexuais)"

 

Pia Daniela Volz - Nietzsche Im Labyrinth seiner Krankheit. Eine medizinisch - biographische Untersuchung

 

"Então é Nie. não mais do que o que fãs de Ayn Rand e adeptos dos livros <Nie.-fácil-para-leigos> - espécies de fascistas - dizem? Um Nazi avant la lettre?"

 

"EZNietzsche [perfil inexistente], like FakeZizek [um <jornalista antenadão> idiota qualquer com 300 mil followers que não tuíta desde 2012] on Twitter, would thus be little more than a 19th century Callicles [sofista da realpolitik grega!!!] or Hobbes - bristling [eriçadinho] British: nasty, brutish and short."

 

Darwin não era Marx mas teria dito: eu não seria um darwinista!

 

Bennett & Hacker - Philosophical Foundations of Neuroscience

 

"Like all students, I was possessed of stultitia, stubbornness, stupidty."

 

"And yet and already and since the turn of the last century, as Sch. reminds us in 1943, biology has become the province of physics."

 

Na verdade, a Física se tornou uma ciência inútil, justo por ter sido bem-sucedida em explicar tudo o que queria. Conhecimento frívolo e redundante.

 

"it's good to give a loved one something else to do besides sit by the phone"

 

"Vienna, where, gateway to the orient as it is, they inscrutably manage to get their eros into high art, extraordinary images."

 

"Feyerabend challenged scientists and academics who condemn astrology, observing that their rejection could not be taken seriously." Contra o Método

 

DIC - hokum: nonsense

 

"The exchange of raising and sinking [Hebung und Senkung], the wave [Wogen] is the simplest type. The wave form is in almost all preliminary stages of nature: all movements disseminate themselves in this. Rhythm has dominion over the entirety of so-called dead existence [sogennant todtes Dasein]." Nie.

 

“we experience impressions of light and sound as constant, although they are rhythmic”

 

Uma onda de rádio ou um átomo é MAIS VIDA que qualquer outra coisa... Como se houvesse qualquer outra coisa!

 

Para o débil mental ciento-entusiasta: "To be sure we have microscopes, telescopes, electron microscopes, supercolliders, just in order to guess at those faster-than-light neutrinos and so on. But in order to give us information at all, these instruments give us information on our terms. As we know, handily from theorists of technology like Ellul, like Mumford, like Heidegger, and before Heidegger like Friedrich Dessauer, Hegel’s student, our tools, our technologies, our objects, extend our senses."

 

"pera pq q ta meio embaçada essa foto"

 

"ah ele se mexeu mto na hora da pose"

 

 

DIGA X, raio!

 

"Poincaré offers a statistical, very Sch.-like, mathematician's proof of eternal recurrence." (publicada em 1890!)

 

Pensando bem, o nada alternativo a essa minha vidinha sofrida é bem pouca coisa, é ainda menos... Fati gay

Amor fatigado

             gué       Meia-noite (0:00) é quando a Humanidade chega à autoconsciência que, depois de 23:59, vem um novo dia ad eternum... (aprendizado da doutrina)

 

Dühring - Courses on Philosophy (citaria o E.R. em 1875, antes de 1881 e Sils-Maria)

Blanqui - L'éternité par les astres (1872)

J. G. Vogt - Die Kraft (1878)

Le Bon - L'homme et les societés (1881)

Walter Benjamin - The Arcades Project (unfinished)

Albert Lange - Geschichte des Materialismus (História do Materialismo), "um livro lido de perto por N." 

 



Escrito por a mosca filosófica às 11:29
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MÍNIMA MORALIA

ADORNO

 

- Reflexiones desde la vida dañada -

 

“Quien quiera conocer la verdad sobre la vida inmediata tendrá que estudiar su forma alienada" "La visión de la vida ha devenido en la ideología que crea la ilusión de que ya no hay vida."

 

"Aún no me había confesado a mí mismo la complicidad en cuyo círculo mágico cae quien, a la vista de los hechos indecibles que colectivamente acontecen, se para a hablar de lo individual."

 

Presente para o cinqüentenário do amigo Max Horkheimer.

 

"Después de tan larga vida ya no se sabe distinguir quién ha perjudicado a quién."

 

"Se você soubesse, jovem, o que é a vida..." Canalha idoso

 

"Quem carece de maldade não vive serenamente, mas de maneira peculiar, pudica, endurecido e intransigente. Por falta de objeto apto, mal sabe dar expressão a seu amor de outra forma que não odiando o inapto, pelo que decerto acaba se assemelhando ao odiado. Mas o burguês é tolerante. Seu amor pela gente tal como é brota de seu ódio pelo homem reto."

 

"O diálogo ocasional com o homem do trem, que a fim de não cair numa disputa convém limitar a um par de frases das que se sabe não terminarão em homicídio, é já um signo delator"

 

"Cada vez que vou ao cinema saio, tenho plena consciência, pior e mais estúpido."

 

"Para o intelectual, é a solidão inviolável o único estado em que ainda pode dar alguma prova de solidariedade. Toda prática, toda humanidade do trato e comunicação são mera máscara da tácita aceitação do inumano." "Ser condescendente e não se ter em grande estima são a mesma coisa."

 

"Assinalamos o encaminhamento da civilização ao analfabetismo e desconhecemos como escrever cartas ou ler um texto de Jean Paul [alemão do séc. XVIII] como se o deveu ler em seu tempo."

 

"os intelectuais - os últimos inimigos dos burgueses - e os últimos burgueses marcham juntos."

 

"no inferno deve-se deixar ao menos ar para o outro respirar."

 

"O matrimônio como comunhão de interesses supõe irrecusavelmente a degradação dos interessados, e o pérfido desta organização do mundo é que ninguém, nem mesmo abrigado no segredo desta, pode escapar de tal degradação."

 

“Quão mais <desinteressada> tiver sido originariamente a relação entre os cônjuges, quão menos tenham pensado na propriedade e na obrigação, mais odiosa resultará a degradação.”

 

“As repetições regulares de Beethoven depois das passagens dinâmicas, a dedução de Kant das categorias escolásticas a partir da unidade da consciência são, em um sentido eminente, <tato>. O pressuposto do tato é a convenção em si já rota, e no entanto atual. Pretendia a conciliação, em si impossível, entre a inspiração paraoficial da convenção e a inspiração rebelde do indivíduo. A pergunta pelo estado da pessoa [tudo bem?], que desde não muito tempo exigia e esperava educação, se converte em pesquisa e ofensa, e o calar sobre temas delicados, em vazia indiferença assim que deixa de haver regras que estabeleçam do que se pode e do que não se pode falar.” “e então o homem cortês corre o risco de ser tido por descortês por usar da cortesia como de uma prerrogativa superada.”

 

“Em princípio todos são objetos, inclusive os mais poderosos. Até a profissão de general já deixou de oferecer uma proteção suficiente. (...) tiranizados por Hitler ou decapitados por Chiang-Kai-Shek.” “Todo aquele que quer sair bem-livrado deve viver de forma que estivesse disposto a todo momento a terminar com sua vida.” “É algo que parece provir, como uma triste verdade, da exaltada doutrina de Zaratustra sobre a morte livre.”

 

DIC – añoranza: saudade ou nostalgia?

         soga: corda grossa

         ahorcado: enforcado

 

“o homem moderno deseja dormir perto do chão, como um animal, decretava com profético masoquismo uma revista alemã anterior a Hitler"

 

"<Para sorte minha, não sou proprietário de casa nenhuma>, escrevia Nietzsche na Gaia Ciência."

 

"A tecnificação nos desaloja de todo cuidado e civilidade com as coisas. Chega-se a esquecer como fechar uma porta de forma suave e completa. As dos automóveis e geladeiras têm que ser batidas; outras têm a tendência de fechar-se sozinhas, habituando assim aos que entram à indelicadeza de não mirar detrás de si" "o que significa para o sujeito que já não existam maçanetas sigilosas, mas pomos giratórios?"

 

"O fato de que em lugar de levantar o guarda-chuva se cumprimente com um <olá!> de habitual indiferença, de que em vez de cartas se enviem inter office communications sem cabeçalho e sem firma, são sintomas entre tantos outros de enfermidade no contato humano." "Reacionários como os discípulos de C. G. Jung advertiram sobre isso." "a conversação se espiralava por si só até seu verdadeiro objetivo." G. R. Heyer

 

"Agora, pelo contrário, a distância mais curta entre duas pessoas é a reta, como se estas fossem pontos."

 

"Já que tudo é negócio, é de rigor não mencionar seu nome, como o é não mencionar a corda em casa de enforcado."

 

"a doação está necessariamente emparelhada com a humilhação pelo repartir"

 

"Desde que se acabou com a utopia e se exige a unidade de teoria e práxis, nos tornamos demasiado práticos. O temor à impotência da teoria proporciona o pretexto para adscribir-se ao onipotente processo da produção e admitir assim plenamente a impotência da teoria."

 

"O arquétipo do homem másculo constitui o sujeito que, caída a noite e vestindo smoking, chega só a seu apartamento de solteiro, liga uma iluminação indireta e se prepara um whisky com soda. O borbulhar cuidadosamente registrado da água mineral diz o que a boca arrogante cala: que despreza tudo que não cheira a fumo, coro e creme de barbear, ou seja, mais que nada as mulheres, e que por isso estas correm até ele." "os intelectuais, por seu contraste, quase são mais equiparados aos efeminados." "Totalidade e homossexualidade são irmãs."

 

 

José cu[e]r(v)o



Escrito por a mosca filosófica às 18:56
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MMM - Minha Máxima Moralia

 

O funcionalismo público se tornou tão automaticamente contraprodutivo que é preciso um observador de fora para que se meça o quanto a média do servidor sabota suas horas, ou melhor, o quanto o <mau servidor> sabota as horas daquele que se aplica. A massa não percebe que seu comportamento e suas conversas afetam negativamente o alheio. Já estão entrosados com o meio. São o meio. No seu natural modus operandi impedem inconscientemente o não-partícipe de sua mediocridade de realizar seu potencial. A norma é o retardo cego, a ineficiência inocente.

 

Tenho uma vantagem em discussões, não posso negar: o diploma de sociologia. Como sou mais “filósofo”, posso omitir o fato evocando meu diploma de “sociólogo”, ou seja, “sou cientista”. Ao mesmo tempo, posso livremente me desvincular da Sociologia, quando de conveniência.

 

“Quão intimamente se entremesclam sexo e linguagem experimenta-o quem lê pornografia num idioma estrangeiro. Para a leitura de Sade no original não se necessita dicionário.”

 

“Se alguém é feliz ou não, pode sabê-lo escutando seu estômago.”

 

Strawinsky – Histoire du Soldat

 

“Progresso e barbárie estão hoje tão emaranhados na cultura de massa, que unicamente um bárbaro ascetismo oposto a esta e ao progresso dos meios pode restabelecer a ausência de barbárie.”

 

“Em um mundo em que faz tempo que os livros não parecem livros, só valem como tais os que não o são. Como nos começos da era burguesa teve lugar a invenção da imprensa, logo chegará sua revogação pela mimeografia, o único meio adequado, discreto, de difusão.”

 

“É de se temer que a inclusão dos povos não-ocidentais nas disputas da sociedade industrial resulte a longo prazo menos favorável ao crescimento em liberdade que ao crescimento racional da produção e da circulação e a uma modesta elevação do nível de vida.”

 

Karl Kraus – Os Últimos Dias da Humanidade

 

“Vi o espírito do mundo, não a cavalo, mas sim com asas e sem cabeça, e isso refuta a filosofia da história de Hegel.”

 

“Milhões de judeus foram exterminados, e isso é só um interlúdio, não a verdadeira catástrofe.”

 

“A inumanidade consumada é a realização do sonho humano de Edward Grey da guerra sem ódio. Outono de 1944”

 

O movimento dos caras-pálidas sucede necessariamente o dos caras-pintadas no rodapé da história mundial.

 

Alguns dos meus aforismos não têm significado subjacente e seria inútil se deter sobre eles ou tentar abstrair mil anos, buscando complexidade onde não há: são puramente desenvolvimentos atrás de efeito, seja escandaloso ou estético (o vulgar e o nobre).

 

Meu maior medo é escrever uma grande frase à mão e apressado; e depois não conseguir mais decifrar os alfarrábios: conhecimento-sabedoria perdidos...?

 

Hitler era louco... tanto é que seu manicômio tinha de ser a Europa para não irritá-lo tanto: muitos campos e espaço para respirar...

 

“Os retiros mais escuros foram eliminados como uma lamentável derrota do espaço e relegados ao banheiro. As suspeitas da psicanálise se confirmaram antes de constituir-se ela mesma em parte da higiene. Onde maior é a claridade, domina secretamente o fecal.”

 

“a convencionalização da psicanálise leva a efeito sua particular castração: os motivos sexuais, em parte negados, em parte aprovados, se tornam completamente inofensivos, mas também completamente fúteis.”

 

Henry Miller – Plexus Nexus Sexus

 

Filosofar com o martelo ainda é uma arte, mas com a metralhadora já é o nonsense.

 

“Qualquer coisa que ocorra a alguém já é motivo para os especialistas decidirem do caráter da pessoa: se é um obsessivo, um tipo oral ou um histérico.”

 

 

“O próprio querer ter razão é, até na mais sutil forma lógica da reflexão, uma expressão daquele espírito de auto-conservação cuja dissolução constitui precisamente o desígnio da filosofia.”



Escrito por a mosca filosófica às 18:56
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Dewey como o pragmático afetado do senso comum.

 

“Com má consciência, Mill, um arqui-positivista, veio a, forçosamente, polemizar contra o senso comum, em que pese estar apelando para ele.”

 

“A razão dialética aparece frente à razão dominante como o irracional: só quando a sobrepassa e supera se converte em racional.”

 

“e tão certo é hoje como na Idade Média que só os loucos dizem a verdade na cara do poder.”

 

“A mediação dialética não é o recurso a algo mais abstrato, mas o processo de dissolução do concreto no concreto mesmo.”

 

“O gesto de Münchhausen puxando-se pelo rabicho para escapar do poço se converte em esquema de todo conhecimento que quer ser mais que comprovação ou projeto. E ainda vêm os filósofos a soldo nos censurar a falta de um ponto de vista sólido.”

 

“Quem tenta mediar entre dois pensadores audazes se identifica como medíocre: carece de olhos para ver o único; o andar buscando parecidos e similitudes é característico dos olhos débeis.” Gaia Ciência

 

“os sólidos burgueses, para quem a arte é irracional o suficiente”

 

“Toda obra de arte aspira ao ocaso da própria arte quando quer levar à morte todas as demais obras, ou seja, quando é bem realizada”

 

“Quem tudo acha belo está em perigo de não achar nada belo.”

 

“Da bondade indiscriminada a respeito de todos nasce também a frieza e o desentendimento a respeito de cada um, comunicando-se assim à totalidade.”

 

“que algo seja belo só porque vive, pelo mesmo implica já feiúra.”

 

“O que é manifestação de vida, desde a fecundidade inesgotável e os impulsos vivazes das crianças até a atitude daqueles que levam a cabo algo notável ou o temperamento da mulher, que é deificada porque nela o apetite se apresenta em estado puro, tudo isso, considerado absolutamente, tem algo do ato de retirar de um possível outro a luz em um gesto de cega autoafirmação.” “Essa enfermidade curativa é o belo.” “O belo freia a vida, e com isso seu colapso.”

 

“Quem odeia o destrutivo tem que odiar também a vida: só o morto se assemelha ao vivente não deformado. Anatole France soube, de sua forma lúcida, de tal contradição:

<Não – diz o benévolo sr. Bergeret -, prefiro crer que a vida orgânica é uma enfermidade específica de nosso feio planeta. Seria insuportável crer que também no universo infinito tudo fosse devorar ou ser devorado.> A repugnância ao niilismo que há em suas palavras não é só a condição psicológica, mas a condição material da humanidade como utopia.”

 

“o fenômeno do <estar ocupado>: que uma pessoa amada nos rechace não por inibições ou antagonismos internos, por excessiva frieza ou ardor reprimido, mas por existir já uma relação que exclui outra nova.”

 

“Nada mais patético que o temor dos amantes a que os novos possam absorver amor e ternura, e justamente por causa daquela novidade criada pelo privilégio do mais velho (...) isso leva a uma trajetória irresistível de desterro e desamparo, indo da aversão do menino ao irmãozinho recém-nascido e do desprezo do estudante avançado ao mais novo, e passando pelas leis de imigração que na Austrália social-democrata excluem quem não seja caucasiano, chegando até ao extermínio fascista da minoria racial, quando o calor e o amparo se evaporam em nada.”

 

“Onde tudo é mau

deve ser bom

saber do pior.”

                         F. H. Bradley

 

“Quem já não tem nenhuma pátria, acha no escrever seu lugar de residência.”

 

A TOGA DO GAIATO

 

“Pretender deduzir o mundo em palavras a partir de um princípio é a forma de comportamento própria do que quer usurpar o poder no lugar de opor-lhe resistência. Os usurpadores deram freqüente ocupação a Schiller."

 

"Os aromas das rosas do Elísio, demasiado beatificados para atribuí-los à experiência de uma única rosa, cheiram a tabaco de oficina, e o místico requisito lunar se criou à imagem da lâmpada de azeite a cuja exígua luz o estudante sua preparando-se para a prova. A debilidade já utilizou sua força para trair na ideologia as concepções da burguesia supostamente ascendente nos tempos em que troava contra a tirania. No mais íntimo recinto do humanismo, no que é sua verdadeira alma, se agita prisioneira a fera humana que com o fascismo converterá o mundo em prisão."

 

Eu acredito em Deus pois li Descartes e descobri que Eu existo.

 

Ambiciono uma revolução dos meios de reprodução: sim, um dia reproduzirei sem sexo!

 

"O antiquado não resulta da mera distância temporal, mas do juízo da história. (...) Antiquado só é o que fracassou, a promessa rota de algo novo.

 

Não em vão se chamam <modernas> as mulheres de Ibsen. O ódio ao moderno e o ódio ao antiquado são o mesmo."

 

"En lo bello el incierto futuro sacrifica su víctima al Moloch del presente"

 

"La vindicación de lo bello frente a lo bueno es la forma secularizada que adquiere en la burguesía la obcecación del héroe de tragedia."

 

"los motivos de la inflexible autocrítica burguesa coinciden de hecho con los materialistas, que son los que hacen a aquellos conscientes de sí mismos."

 

 

"a mulher se adapta com poucos conflitos ao princípio de realidade da ordem racional. As naturezas femininas são, sem exceção, conformistas. Que a insistência de Nie. se detivesse aqui e tomasse o modelo da natureza feminina, sem exame e sem experiência, da civilização cristã - da que tão fundamentalmente desconfiava -, é o que acabou subordinando o esforço de seu pensamento à sociedade burguesa." Em outras palavras, Nie. não podia saber o que era o eterno-feminino? Nunca vou saber ao certo, já que Adorno disfarça ignorância e hesitação com um dizer cifrado e críptico ("complexo!", outros diriam - às vezes seu estilo beira os paroxismos da irritação do leitor perspicaz). Ou sua visão de mulher ideal era muito comezinha e falsa, até como esboço? Para Adorno, a mulher pagã ou pós-cristã não é uma conformista? Mas o que acontece então com o seu "sem exceção"? Para quem adora ratificar a necessidade de cada palavra no discurso, muitas expressões são não somente vãs como prejudiciais ao sentido global do texto!



Escrito por a mosca filosófica às 18:55
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DIC - látigo: chicote

 

"Daí o pérfido conselho de não esquecer o chicote: a própria mulher é já o efeito do chicote." Adorninho Femen

 

Passando o óleo na metralhadora: "Se César Bórgia ressuscitasse hoje [ontem!], pareceria um David Friedrich Strauss [anti-semita] e se chamaria Adolf Hitler."

 

"Os ideais ascéticos encerram hoje uma maior resistência à vesânia [loucura] da economia do proveito que, faz 60 anos, o extenuar-se na luta contra a repressão liberal. O amoralista poderia, enfim, permitir-se ser tão bondoso, delicado, altruísta e aberto como já o foi Nietzsche. Como uma garantia de sua indesmaiada resistência, Nie. se acha ainda tão solitário como nos dias em que expôs ao mundo normal a máscara do mal para ensinar à norma o temor de seu próprio absurdo."

 

P. 37 da 2ª parte: a infinita - posto que circular - polêmica sobre o enunciado do AMOR FATI. "Se envia ao manicômio a <bem-aventurança que procede duma idéia fixa>, a origem do amor fati poderia ser buscada no presídio. Aquele que nem vê nem tem nada que amar acaba amando os muros de pedra e as janelas gradeadas." [de certa forma esse aforismo é a inversão dialético-verdadeira daquele acima, de que "aquele que acha tudo feio pode muito bem estar a um passo de achar tudo belo"! Te peguei, T.A.!] "endeusamento do absurdo dos absurdos" "[amor fati] Es el mito que separa la crítica de Nie. a los mitos de la verdad."

 

"que probabilidade de ser recordado tem na sociedade hiperorganizada aquele que não tinha sido antes conhecido?"

 

"Quando se certifica ao negro que ele é exatamente igual ao branco, quando não é, volta-se a fazer injustiça com ele de forma recalcada. Humilha-se-o de maneira amistosa mediante uma norma com a que necessariamente ele será rebaixado sob a pressão dos sistemas, e cujo cumprimento seria de mérito duvidoso. Os partidários da tolerância unitarista estarão sempre inclinados a se tornar intolerantes com todo grupo que não se amolde a eles: o pujante entusiasmo pelos negros se faz compatível com a indignação a respeito das maneiras do judeu. Cair no caldeirão cultural disseminado suscita martírio, não democracia!"

 

"os alemães não se alegraram pela tomada de Paris"

 

Para Silvana: "No se arranca lo conciliador primariamente a lo destructor?"

 

"Como sinal de que não estão sujeitos a ninguém e, portanto, a ninguém devem respeito, se metem as mãos nos bolsos. Mas os antebraços que lhes ficam de fora eles os têm preparados para empurrar qualquer um que se interponha em seu caminho." Algo me diz que Adorno era o sujeito mais ranzinza debaixo do sol...

 

"Que à vista da existência de grandes fábricas de pão a súplica do pão nosso de cada dia se tenha convertido numa simples metáfora enquanto expressão de viva desesperação, diz mais contra a possibilidade do cristianismo que toda crítica ilustrada da vida de Jesus."

 

"Pela voz de uma mulher ao telefone pode-se saber se quem fala é bonita." "O ouvido percebe o que é próprio do olho porque ambos vivem a experiência de uma mesma beleza."

 

"Sonhos felizes realizados há em verdade tão poucos como, na expressão de Schubert, música feliz."

 

"A criança [e não só a criança] que regressa das férias, a casa lhe resulta nova, fresca, festiva. Mas nada mudou efetivamente."

 

"Assim que o pensamento nega sua insuprimível distância [da vida e do real] buscando escusa com mil argumentos sutis na exatitude literal, perde entidade. E se se sai do plano do virtual, de uma antecipação a que nenhum dado particular pode corresponder plenamente, se o que se pretende é, em suma, ser em lugar de uma interpretação um simples enunciado, tudo quanto se enuncia se torna de fato falso."

 

"O lápis e a borracha são mais úteis ao pensamento que uma equipe de ajudantes."

 

DIC - hipóstase: união do Verbo com a natureza divina (?) [Teologia]; invencionice [Filosofia].

 

"É uma pobre ideologia pensar que para a administração de um trust nas atuais condições se requer mais inteligência, experiência e preparação que para ler um manômetro."

 

"A liberdade que conota o trabalho é a mesma que a sociedade burguesa só reserva para o descanso de vez que, mediante tal regulamentação, a anula."

 

"Work while you work, play while you play"

 

"É dificílimo imaginar Nietzsche sentado até as cinco na mesa de uma oficina em cuja antessala a secretária atende o telefone ou jogando golfe depois de cumprido o expediente."

 

"A frase do Novo Testamento: <Quem não está comigo está contra mim> esteve desde sempre escrita no coração do anti-semitismo." "Não sem razão é o termo catolicismo uma palavra grega para a latina totalidade - que os nacional-socialistas fizeram real."

 

"Só naquele que se mantém até certo ponto puro há suficiente aversão, nervos, liberdade e mobilidade para se opor ao mundo; mas precisamente por essa ilusão de pureza - pois ele vive como <terceira pessoa> - não só já permite que o mundo triunfe fora, como inclusive no mais íntimo de seus pensamentos."

 

"Nenhum homem fala assim, nenhum homem se move assim, mas o filme constantemente incita a que o façam todos."

 

"A absoluta falta de liberdade pode ser conhecida, mas não representada."

 

Sobre o fim da arte: "Se alguma vez se conseguisse eliminar os nervos, o renascimento do lirismo seria incontível, e nem a frente popular que vai desde o futurismo bárbaro até a ideologia do cinema poderia já se lhe opor."

 

"a comédia ática tardia e a indústria da arte do Helenismo caem já dentro do kitsch ainda sem dispor da técnica de reprodução mecânica nem desse aparato industrial cujo protótipo parecem evocá-lo diretamente as ruínas de Pompéia."

 

"Individualistas como Huxley e Jaspers condenam o indivíduo por sua vacuidade mecânica e sua debilidade neurótica, mas o sentido de seu juízo condenatório está mais próximo de vitimá-lo que de fazer uma crítica do principium individuationis da sociedade."

 

"Em seus bons tempos, a burguesia foi bem consciente, quando refletia historicamente, de tal implicação [o materialismo, não o marxista, tornando o homem inumano], e é somente desde que sua doutrina degenerou em tenaz apologética frente ao socialismo que a esqueceu completamente."

 

 

"A situação em que desaparece o indivíduo é a do individualismo desenfreado, em que <tudo é possível>"



Escrito por a mosca filosófica às 18:54
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Início da 3ª parte:

 

(Dedicado ao bebê adulto Sérgio)

 

Um retrato fiel meu: §101 "Planta na estufa. - O falar de precocidade e de tardança, raramente isento do desejo de morte para a primeira, é uma inconveniência. Quem amadurece cedo vive na ansiedade. Sua experiência é apriorística, sensibilidade divinatória que apalpa na imagem e na palavra o que só posteriormente executarão o homem e a coisa. Tal ansiedade, até certo ponto satisfeita em si mesma, sorve do mundo exterior e tinge facilmente sua relação com o de cor do neuroticamente lúcido. Se o precoce é algo mais do que possuidor de habilidades, por isso estará obrigado a superar-se a si mesmo, uma obrigação que os normais gostam de adornar com o caráter de dever moral. Terá que reconquistar com esforço para a relação com os objetos o espaço ocupado por sua representação: terá que aprender a sofrer. O contato com o não-eu, com a madurez pretensamente tardia, apenas perturbada interiormente, se converte ao precoce em necessidade. Sua propensão narcisista, revelada pela preponderância da imaginação em sua experiência, atrasa precisamente sua maturação. Só posteriormente passará, com crassa violência, por situações, angústias e sofrimentos que na ansiedade estavam atenuados e que, ao entrar em conflito com seu narcisismo, se tornarão morbidamente destrutivos. Desse modo volta a cair no infantil que uma vez com tão pouco esforço [vide anotação em APPLE TREE] havia dominado e que agora exige seu preço; ele se torna imaturo e maduros os demais que naquela fase tiveram que ser, como se esperava deles, até néscios, e a quem parece imperdoável o que com tão desproporcionada agudeza sucede ao outrora precoce. Agora é dominado pela paixão; demasiado tempo metido na segurança de sua autarquia, cambaleia desvalido onde uma vez levantou pontes aéreas. Não em vão acusa a letra dos precoces alertadores rasgos infantis [!]. São uma perturbação da ordem natural, e a saúde transtornada explode no perigo que os ameaça enquanto que a sociedade desconfia deles como negação visível da equação de esforço e êxito. Em sua economia interna se cumpre de modo inconsciente, embora inexorável, o castigo que sempre mereceram. O que com enganosa bondade se lhes ofereceu, agora se lhes retira. Até no destino psicológico uma instância vigia para que tudo seja pago. A lei individual é um hieróglifo da troca em equivalências. [escambo criptografado]"

 

"o triunfo do velocímetro acalma de uma maneira ritual a angústia do perseguido."

 

"Quem morre desesperado, é que sua vida inteira foi inútil."

 

"A nostalgie du dimanche não é a nostalgia da semana laboral, mas desse estado de emancipação; o domingo deixa insatisfeito não porque nele tudo seja folgar, mas porque o que promete não parece imediatamente cumprir-se."

 

"omne animal post coitum triste"

 

"Fora se comporta com os inimigos objetivos de maneira cortês e amistosa, mas em país de amigos é frio e hostil. Onde a civilização como autoconservação não lhe compromete com a civilização como humanidade, dá rédea solta a seu furor contra esta última, contradizendo sua ideologia do lar, da família e comunidade. A moral micrologicamente ofuscada arremete contra essa ideologia. No ambiente familiar distendido, informal, acha o pretexto para a violência, a ocasião para, ao ser aí bons uns com os outros, poder ser mau à discrição. Submete o íntimo a uma exigência crítica porque as intimidades alienam, maculam a aura delicada e sutil do outro, que é o único que pode coroá-lo como sujeito. Só admitindo o distante no próximo se mitiga a alienidade; isto é, incorporando-a à consciência. Já a pretensão da proximidade perfeita e lograda, a negação mesma da alienidade, comete com o outro a máxima injustiça: nega-o virtualmente como pessoa singular, e, por conseguinte, o humano nele; <conta com ele> e o incorpora ao inventário da propriedade. Onde o imediato se afirma e resguarda, impõe-se ocultamente a má mediação/mediatez/mediaticidade da sociedade. Só a reflexão mais precavida pode tomar a cargo/tomar sobre si a imediatez. Para isso prova com o menor/mais insignificante nas aparências." desahogar doce (12) 10 a hogar

 

"A harmonia do inconciliável favorece a perpetuação da má totalidade. A baixeza do superior se entende com a arrogância do baixo. Desde as serventes e babás, que imbuem a seriedade da vida nos garotos de famílias importantes (...) até os sub-oficiais submissos há uma linha direta que culmina nos torturadores encarregados da Gestapo e nos burocratas das câmaras de gás."

 

"À gente fina atrai a indelicada (...) [mas] aquela gente não sabe que esse indelicado que se lhe apresenta como natureza anárquica não é outra coisa que o reflexo da coação a que resiste."

 

"Desde Homero a língua grega usava os conceitos de bom e rico como se fossem convertíveis." "a excelência está unida à riqueza herdada" Aristóteles

 

"Tal é o segredo do ascetismo intra-mundano, do esforço ilimitado, falsamente hipostaseado [inventado, criado, cunhado, imaginado] por Max Weber, do negociante para maior glória de Deus."

 

"o filho do proprietário pode de vez em quando tomar um whisky com o escritor progressista."

 

"De Nie. e Bergson, das últimas filosofias recebidas, não resta mais que o mais turvo antiintelectualismo em nome de uma natureza sequestrada por seus apologistas."

 

"e não há maneira de buscar a diferença para além do corte distinto do vestido para a noite."

 

"Nada me irrita tanto do 3º Reich - dizia em 1933 uma judia, esposa de um diretor-geral, que depois morreria assassinada na Polônia - como que agora não possamos usar a palavra <telúrico> [terráqueo, mundano] porque os nacional-socialistas dela se apropriaram"

 

"A constante exigência de fazer e dizer exatamente o adequado ao status e à situação reclama uma espécie de esforço moral. Alguém se põe dificuldades para ser o que é, e assim crê cumprir com o patriarcal noblesse oblige."

 

"Proust observou, com a integridade do facilmente seduzível, que a anglomania e o culto ao modo de viver formalmente perfeito se encontra menos entre os aristocratas que entre os que desejam ascender."

 

"Em seu estado mais recente, a vida bela se reduz ao que Veblen quisera ver através de todas as épocas: a ostentação, o mero <pertencer a>"

 

"Com motivo nos 85 anos de aniversário de um homem em todos os aspectos bem-atendido me perguntei em sonhos o quê lhe poderia presentear a fim de dar-lhe realmente uma alegria. E em seguida me veio a resposta: um guia para adentrar o reino das sombras."

 

DIC - barrendero: varredor, gari.

 

"Propaganda de um circo em Paris antes da II Guerra: Plus sport que le théâtre, plus vivant que le cinéma."

 

En el fondo, estoy en Macondo.

 

"Das tarefas que o pensamento tem por diante, não é a última a de pôr todos os argumentos reacionários contra a cultura ocidental a serviço da ilustração progressista."

 

"Toda reflexão parece ingênua a outra mais alta, e não há nada que seja simples, porque tudo se torna simples na fuga desesperada que é o esquecimento."

 

"Os que não sabiam formar uma frase correta, mas achavam as minhas muito largas - não eram os que acabaram com a literatura alemã substituindo-a por seus proclames?"

 

"O cinema, que hoje acompanha inevitavelmente os homens como se fosse uma parte deles, é ao mesmo tempo o mais afastado de seu destino humano, do que se vai realizando dia após dia, e a apologética vive da resistência a pensar essa antinomia. Que as pessoas que fazem os filmes não sejam em absoluto sujeitos intrigantes não contradiz o fato."

 

 

"O cinema conseguiu transformar os sujeitos em funções sociais tão por inteiro que os apanhados, esquecidos já de todo conflito, saboreiam sua própria desumanização como algo humano, como a felicidade do cálido. A total interconexão da indústria cultural, que nada deixa de fora, é una com a total obcecação social."



Escrito por a mosca filosófica às 18:54
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Transcrição quase integral do ótimo §132 (III parte), perfil do tipo intelectual: "A vivenda destes jovens bohémiens se assemelha a seu ambiente de trabalho [hogar intelectual]. Na parede, as reproduções enganosamente fiéis ao original de célebres Van Gogh, como os Girassóis ou o Café de Arles; na estante, um extrato de socialismo e psicanálise junto com um pouco de sexologia para desinibidos com inibições. A isto a edição Random House de Proust - a tradução de Scott-Moncrieff houvera merecido melhor sorte -, o exclusivismo pelos preços módicos - e isso só pelo aspecto, a forma econômico-compacta do <omnibus> - e a mofa do autor, que a cada frase desmantela as opiniões correntes enquanto que, como homossexual laureado, tem agora entre os adolescentes um significado parelho ao dos livros de animais de nossos bosques e a expedição ao Pólo Norte no [imaginário do] lar alemão. Ademais, o gramofone com a cantata a Lincoln, obra de um valente, na qual tudo se reduz a umas estações de trem, ao lado do obrigatoriamente admirado folclore de Oklahoma e alguns ruidosos discos de jazz com os que se sentem a um só tempo coletivos, atrevidos e cômodos. Todos os juízos contam com a aprovação dos amigos, todos os argumentos já conhecem de antemão. O fato de que todos os produtos da cultura, incluídos os não conformistas, estejam incorporados ao mecanismo de distribuição do grande capital, de que nos países mais desenvolvidos um produto que não ostente o imprimatur da produção em massa apenas encontre um leitor, um espectador ou um ouvinte, resta desde o princípio substância ao ânimo discrepante. Até Kafka se converte em peça de inventário do estúdio realugado. Os mesmos intelectuais estão já tão bem assentados no estabelecido de sua ilhada esfera que não buscam mais do que se lhes serve com o distintivo de highbrow [uma sobrancelha arqueada]. A ambição se limita a desenvolver-se entre o repertório aceito, a encontrar a instrução correta. A marginalidade dos consagrados é pura ilusão e mera expectação. Ainda estão demasiado longe de ser renegados; põem grossos óculos de cristais planos na cara de mediocridade só para parecer ante si mesmos e no seio da competência universal mais <brilhantes>. Eles são, já, assim. A pré-condição subjetiva para a oposição, o juízo não normatizado, se extingue enquanto sua conduta segue se apagando no ritual dos grupos. Stalin não necessita mais que de uma tossezinha, um puxar de garganta, para que atirem Kafka e Van Gogh no lixo."

 

"El arte es magia liberada de la mentira de ser verdad."

 

"O consolador das grandes obras de arte está menos no que dizem do que no fato de que conseguiram se arrancar da existência."

 

"Aos desprevenidos espanta a acumulação de objetos caseiros horrendos pelo seu parentesco com as obras de arte." Acumulados porque parecidos ou esse vínculo é acidental e inconsciente para o dono da casa?

 

"a indignação que provoca o kitsch é a fúria contra o fato de que este desavergonhadamente se regozije na felicidade da imitação, que com o tempo foi assinalada como tabu, enquanto a força das obras de arte ainda segue se alimentando secretamente da imitação."

 

DIC - lonja: fatia

 

Sobre a criança brincante, o anti-capitalista por excelência: "O carrinho não vai a parte alguma, e os mínimos tonéis que transporta estão vazios" A irrealidade dos jogos denuncia que o real não o é ainda."

 

Verdadeira alienação é tese de monografia.

 

"plusvalía"

 

"A vontade de viver se vê remetida à negação da vontade de viver: a autoconservação anula a vida na subjetividade. Frente a isso, todos os efeitos da adaptação, todos os atos de conformismo que descrevem a psicologia social e a antropologia cultural, são meros epifenômenos."

 

"A <carência de princípios> dos jornalistas, a prostituição de suas vivências e convicções, só se podem conceber como culminação da coisificação capitalista." nota 19 - Lukács

 

"Quanto mais próximos da morte se acham os organismos, mais tendem a involuir até os movimentos espasmódicos."

 

Católico radical Charles Péguy (1907): "O mundo moderno conseguiu aviltar aquilo que talvez houvesse de mais difícil a aviltar no mundo, porque trata-se de qualquer coisa que tem em si, como na sua textura, uma sorte particular de dignidade, como uma incapacidade singular de ser aviltada: ele [o mundo moderno] aviltou a morte."

 

"A radical substituibilidade do indivíduo faz praticamente de sua morte, com desprezo total da mesma, algo revogável, como outrora a concebeu o cristianismo com um pathos paradoxal."

 

"Deste modo, a experiência da morte se transmuta em uma troca de funcionários, e quase tudo relativo à morte fica relegado à higiene.”

 

“Sob a lupa da indústria cultural, a morte começa a parecer algo cômico.”

 

“Só uma humanidade a que a morte veio a resultar tão indiferente como seus membros, uma humanidade que morreu, pode sentenciar à morte por via administrativa incontáveis seres.”

 

“Aquele que classifica os campos de extermínio como um percalço na marcha triunfal da civilização e o martírio dos judeus como algo indiferente desde o ponto de vista da história universal, não só se põe detrás da visão dialética, como também perverte o sentido da própria política: reprimir o extremado.”

 

“Os apologistas [de que “tudo foi sempre assim”] por um lado se aferram à dernière nouveauté, e de outro negam a máquina infernal que é a história.”

 

“Creio na astrologia porque não creio em Deus”

 

“Quando a realidade objetiva parece aos vivos tão surda quanto nunca antes, tratam de arrancar-lhe o sentido mediante abracadabras.”

 

“nada mais alheio que as estrelas”

 

“O ocultismo é a metafísica dos mentecaptos.” A mentefísica dos metacaptos

 

“Desde os primeiros dias do espiritismo, o mais-além não comunicou coisas de maior monta que as saudações da avó falecida junto com a profecia de alguma viagem iminente.” “Ao tentar deitar as mãos no perdido lá em cima, os ocultistas não encontram senão seu próprio nada.”

 

“A alma se eleva às alturas, viva. O corpo fica no canapé.”

 

“Quanto mais alegre é a espiritualidade, mais mecânica.”

 

hic Rhodus hic salta

 

Se se prova a existência do espírito, não há espírito, pois que sua existência é improvável. É um fenômeno; um fenômeno normal. O espírito não existe: aí está sua realidade como espírito.

 

“Disso vivem os ocultistas: sua mística é o enfant terrible do momento místico em Hegel.”

 

 

Para além da “saída espírita” pós-morte de Deus, eu batizaria o feminismo de nova saída da mulher (ou agregados) após a falência do espírito. O que salva a crença é a falência do homem!



Escrito por a mosca filosófica às 18:54
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APÊNDICE

 

“Quien no es miembro de nada se hace sospechoso.” “Uno se siente hasta la médula la mujer del médico, el miembro de uma facultad, el chairman of the commitee of religious experts

 

“Quão menos sentido funcional tem a divisão social do trabalho, tanto mais tercamente [*] se agarram os sujeitos àquilo a que a fatalidade social lhes destinou.”

 

[*] DIC - terco: teimoso

 

O termo genocídio teria sido cunhado, primeiro em Inglês, logo após a II Guerra, obviamente para descrever o indescritível, sintetizar um massacre coletivo e, ao mesmo tempo, anônimo (quem saberá todos os nomes?). Um substantivo genérico. Pois os judeus não foram as únicas e nem as mais numerosas vítimas de limpezas étnicas no século XX. Efeito colateral do reconhecimento do conceito e da criação da ONU e da Carta de Direitos Humanos: o crime passa a ser tacitamente “aceito”, colocado em discussão. Reconhece-se a possibilidade e até a boa probabilidade de seguir julgando acontecimentos correlatos. Debater-se-á o que é e o que não merece a alcunha “genocide”. Geno side effect

 

“Pouco depois ler-se-ão manchetes em fonte mediana e linguagem jornalística: no Turquistão oriental quase se aplicaram medidas genocidas.”

 

“Hace siglos que las lenguas convertieron el <hasta la vista> em um bordón.” “La despedida está anticuada.”

 

“Uma humanidade adulta terá que ir positivamente mais além de seu próprio conceito, o enfático conceito de homem. Senão, a negação absoluta, o não-homem, conseguirá sua vitória.”

 

“Como os homens desterraram a promiscuidade para assegurar-se a mulher como propriedade, ao mesmo tempo que necessitam da promiscuidade para não levar sua própria renúncia ao insuportável, fizeram às mulheres de sua classe que se oferecem fora do casamento a promessa inexpressa de não falar disso com ninguém, nem outro homem, e não manchar assim a reputação feminina patriarcalmente ditada.” Quando todas são putas, não há mais putas.

 

“a discrição masculina, que supostamente é algo nobre.” “indefectivelmente toda mulher que baseia sua confiança na cavalheirosidade do amante [sentido clássico], rompeu a confiança que ele depositou nela.” “Para quem é discreto, só resta o subterfúgio do não aparentar discrição, para não ser confundido com a gentalha.”

 

“Teme-se muito mais perder o amor ao outro que o amor do outro.” O pensar que num ano ou dois a própria paixão pela pessoa com quem se está comprometido agora tenha se revelado falsa, e que seria possível, estando de mãos dadas com a mesma namorada de antes, cruzar, na rua, com sua verdadeira alma gêmea, sem sentir mais que uma ligeira curiosidade, leva ao limite da exasperação qualquer um.

 

Gata, você não é desse planeta, me deixa eu beijar esse seu ASTROLÁBIO desnorteante! #CantadasCósmicas

 

“A paixão, que atravessa a ordem dos fins racionais e ajuda o eu a sair da sua prisão monadológica.”

 

“a realidade, que exige um amoroso esforço por perseverar na relação puramente por ela mesma.” “a relação se converte em sofrimento permanente” “A absurda importância de pequenezas como uma chamada telefônica esquecida [e hoje a memória dos telefones nada permite esquecer], um frouxo apertão de mãos, um diálogo sem intimidade, ameaçam a objetividade e a concreção da relação” “Quem até tal ponto se conturba é de fato <pouco realista> [mesmo o sendo bastante], e sua dependência das oscilações da própria subjetividade demonstra que nele a adaptação fracassou.”

 

“só são verdadeiros os pensamentos que apontam mais além de sua própria tese.” A boa teoria é paranóide. Mas é eficaz porque é paranóide." “O sistema do delírio não pode ver através do sistema do delírio, do velo da totalidade social. Por isso se empreende esta última com um princípio eleito, em Rousseau é a civilização, em Freud o complexo de Édipo, em Nie. o ressentimento dos débeis. Se a teoria é de outra condição, sua recepção pode, ainda, paranoizá-la. Quando se diz de alguém que <tem uma teoria>, é dizer que tem a explicação do mal. Os pensadores cujo elemento paranóico está completamente ausente - como Simmel - não exercem nenhuma influência ou são rapidamente esquecidos. E disso não se segue sua superioridade." "a fuga da idéia fixa se converte em fuga do pensamento" "sob esse aspecto, haveria de se considerar a dialética como tentativa de escapar ao <ou um ou o outro>."

 

"Faz-se ciência enquanto há o que se pague por ela. Mas não se tem confiança nem na relevância nem no vinculante dos achados."

 

O porquê um Arthur jamais teria Adorno na sua cabeceira: "A maneira de proceder das ciências sociais oficiais apenas é já algo distinto de uma paródia das operações comerciais, que sustentam tal ciência sem necessitar dela propriamente mais do que como publicidade." "No research, o espírito deste mundo joga consigo mesmo, mas igual as crianças que ao cobrarem pelos bilhetes não estão transportando a parte alguma."

 

Mais obras (em espanhol):

Escritos filosóficos tempranos

Kierkegaard. Construcción de lo estético

Dialéctica de la ilustración

Sobre la metacrítica de la teória del conocimiento. Tres estudios sobre Hegel

Dialéctica negativa. La jerga de la autenticidad.

Teoría estética

Escritos sociológicos I

                              II (2 vols.)

Crítica de la cultura y sociedad (2 vols.)

Notas sobre literatura

Filosofía de la nueva música

Monografías musicales: Wagner/Mahler/Berg

Disonancias. Introducción a la sociología de la música

Composición para el cine. El fiel correpetidor

Escritos musicales I - III

                           IV

                           V

                           VI

Miscelánea (2 vols.)

 

et Minima Moralia como vigésima opus



Escrito por a mosca filosófica às 18:53
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SAKYO, O APOSTADOR

Não é que ele tenha apostado a vida inteira - sua vida foi uma grande aposta. Mas então, tinha uma pedra preciosa no caminho. No meio do caminho tinha uma pedra preciosa, e pôs-se tudo a perder... ou a ganhar? Quando pensamos que perdemos tudo, atingimos nosso objetivo.


Eu trago novidades como trago este cigarro. A última notícia é que aliei-me com caras bem malvados. Irmãos que venderam a alma. Esse é o preço da informação privilegiada. Mas dinheiro não é o meu objetivo. Já devia saber. Carne e sangue é do que meus sonhos são feitos.


Eu tenho um ideal. Um ideal negro e sórdido que por enquanto vou manter oculto. O resto é apenas instrumento para chegar a este ápice grotesco. É uma longa estrada, e pensando bem posso ter recaídas. Sucumbir ao amor humano. Não sou do tipo que se mantém atado a um objeto. Posso mudar de preferência e de aposta antes do fim. Tudo depende das circunstâncias.


O sol quente queima a pele mas não os neurônios. Hoje é um dia de vingança, de ajuste de contas. Aquele que me produziu cicatrizes (mas acho que deveria agradecer, foi castigo leve demais pra mim!) está no banco dos réus do meu próprio julgamento. Estou empurrando goela abaixo do mandrião minhas próprias condições. Sei que ele não sabe -- minha identidade. Me pensa um qualquer, um aventureiro inconseqüente. Só que ele se espantaria ao saber: é isso mesmo que eu sou! E nisso está a raiz da sua derrota. Inconseqüência, meu sobrenome.


Eu era um segurança. Resolvi viver na insegurança. Pelo menos não ser mais um capanga. Sou diretor de teatro. Como sempre aprovo amplas metáforas, trata-se do teatro da vida. Gosto da idéia de ter subordinados mais poderosos do que eu - assim só durmo com um olho fechado. Nunca se sabe...


Consigo ver na platéia a minha alma gêmea. Uma fumante, alta, magra, cínica, charmosa. Esconde os bons sentimentos no interior recôndito. Toda vez ela se aflige com os problemas dos amigos, mas disfarça com crônicas tragadas. Eu estou na área das pessoas importantes, muito importantes. Tenho tudo. Ar condicionado, amiguinhos chatos, Bourbon. Mas não consigo apreciar. Somos iguais. Parece até a reedição daquela história: o príncipe e a plebéia. Eu sou um príncipe coroado pelo dinheiro em negócios escusos. Terno e gravata são de um tecido bem prosaico! Digamos que eu vim do nada.


Eu me embriago com o sangue. Esse é meu defeito. Bom, para não dizer que tenho total liberdade para usufruir de meu prazer reprovável, tenho de agüentar os risinhos e galhofas dos meus companheiros de cabine. Eles são péssimos apostadores. Pois é, lembra o que eu sou? Nunca palpitam certo. Mesmo se é contra mim, minhas convicções são certeiras. Reconheço que é um dom. É o destino!


Disseram que quando acontecem problemas no evento que estamos organizando - uma carnificina - a "Central" resolve o litígio. Vou confessar: eu sou a Central. Emana de mim, não, de nós, eu e meu capanga Toguro, a decisão derradeira.


Tem um bêbado maluco por aí. Dizem que ele aumenta e melhora suas habilidades quando bebe, ao invés de ficar mais vulnerável, como o bêbado comum. E se eu disser que sou este bêbado, e que meus insights e meus discursos e minha escrita se aperfeiçoam e podem ser talhados até a perfeição quando o álcool faz efeito? Mais um dom misterioso que, Enma Daioh sabe por quê, foi dado a mim, e não a outro.


Minha donzela, igualmente engravatada, estava em apuros, num corredor escuro. Tudo o que eu tinha, e tenho, é a expertise. Não gosto de entrar em embates físicos. Nisso não tenho talento. Veja só minha cicatriz: foi assim que ela nasceu; da imperícia de quem se arrisca no que não deve! Até um apostador perigoso sabe disso. Eu também traço linhas além das quais não se pode ir. Claro, às vezes essas linhas se dilatam, mas não depende de você. Perceberam como sei dar conselhos?


Posso ouvir o clamor do estádio. Mais uma luta terminou. Nós humanos somos a minoria, mas no que se trata de achar energias do além, somos especialistas, mais monstruosos que qualquer besta. O destino vai se cumprindo conforme eu esperei, na minha aposta suicida.


"Diante da ciência dos demônios vocês não passam de pedaços de carne", uma vez ouvi falarem nesse tom sobre nós os humanos. Estariam certos? A determinação não conta em nada? Nossa probabilidade aqui é rigorosamente zero, como a do cancerígeno que só se alimenta do que lhe causa a dor? Bom, falam que até e sobretudo na doença "a vontade humana é teimosa e persistente como uma barata". Apesar de detestar a comparação com insetos, o princípio é verdadeiro.



Escrito por a mosca filosófica às 10:36
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Jogando duplo. Humano e demônio. Média com povão e propósitos aristocratas. Falante mas acompanhado do lacônico de sobretudo. Galante e sociável, minhas companhias carrancudas. Assim sou eu e aqueles que me cercam. Apostando alto de bolso vazio, conservador na bonança. Confesso que meu último sonho é coisa de plebeu...

 

Todos os participantes do torneio vão lutando com muita garra. E eu não posso ficar de fora, no meu ramo, mesmo estando de fora -- das lutas. Não quero que meus colegas corruptos da Organização manchem a reputação desse torneio. Onde sempre venceu o melhor, e onde os resultados eram retratos da verdade. Quiseram mudar as regras e fazer churrasquinho de humanos. Mas que deselegante tratar assim os convidados da vez! Passando por cima das adversidades, sei que o bando ainda vai sobreviver o suficiente para desafiar os meus, para me desafiar. Eu e minha sorte. Porque eu quero isso e deposito confiança neles, pelo menos contra os outros. Porque quando for dente por dente, chifre por chifre...

 

Antes do espetáculo final, sinceramente, prefiro dar azo à intriga do que acompanhar o torneio oficial, onde nada de interessante tem lugar. O clima fica tenso nos bastidores, as rusgas da intimidade começam a sobressaltar a olhos vistos. É daí que a energia explode e amadurecem uns bons golpes. Por enquanto só posso sentar e esperar. Ainda não chegou a minha vez de protagonista. Sinto que até os mais reservados já sentem pontadas de ansiedade. Mas serão dois longos dias, não, mais, até que enxerguemos qualquer alteração verdadeira!

 

Um evento macabro se avizinha antes da concretização da alta aposta. Não sei das minhas histórias de amor, mas a do meu amigo teve um fim estrepitoso: um assassinato. E lá se foram as bodas de ouro... Bodas de ouro das artes-marciais. Pacto demoníaco, coração empedrado, 100%, não há mais espaço para futilidades infrutíferas. Mas vamos sentar, fumar um cigarro, dar umas risadas e esquecer essas estórias tão melancólicas...

 

Queremos a ação! Dizem que está tudo tramado. Pelo meu próprio companheiro. Um grande teatro, para tudo terminar em pizza. Mas não posso acreditar. Não posso acreditar numa traição que valha a minha vida, devem ser boatos incoerentes. Não se pode trazer de novo alguém à vida. Nossos desejos espirituais são voltados para outra coisa... E depois, muito dinheiro compra qualquer anúncio de felicidade. E quem anuncia sempre tem o produto... Ora essa, como não? Jogo de cartas marcadas desde o início? Eu me recuso!

 

Às vezes não somos quem pensamos que somos. Às vezes nos tornamos sub-repticiamente mais velhos, porque a tensão de repente nos envelhece. Às vezes somos mais jovens do que nossos anos, calos, ternos caros ou baratos, cicatrizes e maços podem fazer pensar. Um mestre de uma doutrina não precisa ter dezoito anos. Um apostador é expert desde criança. Posso ter um amigo centenário que me entenda. Novas paixões, velhas inimizades... A energia é que transmuta nossa pele!

 

Será que o time deles ainda tem leigun na agulha? Será que o nosso time tem energia na reserva? Eu frente a frente com o soberano do mundo espiritual. Uma aposta finalmente à altura! Deposito minha fé incondicional nesses quatro caras que contratei.

 

Abrir um buraco já é fazer um estrago. Mas abrir um grande buraco, um túnel, que atravesse dois mundos, é mesmo coisa de outro mundo. Acho que sou alienígena. Traíra da minha raça. O que eu quero fazer é grande e vai abalar toda a realidade pacífica que conhecemos. Sei que até se eu ganhar significa suicídio indireto. Talvez triturado ou dissolvido por um gárgula -- que morte!

 

Proíbo todos vocês mortais e imperfeitos de escaparem do estádio e desistirem de ver essa maravilhosa luta fatal, em que duas criaturas abençoadas dão tudo de si e outras duas apostam suas vidas, confiantes. Uma muralha intransponível se erguerá, para que ninguém fuja pelos escombros que as lutas anteriores deixaram. Vocês vão ter que ver o espetáculo até o final! Só é uma lástima ter de abrir-lhes os olhos para isso. Algo óbvio que deveria ser apreendido por cada qual - um privilégio inigualável -- desfrutem! Deixem aqui suas vidas como preço do ingresso pela insolência, se não gostaram da condição...

 

Mas pelo visto foi minha última ordem, meu último rompante autoritário. Acho que meu "defeito" era como o do meu amigo dos óculos escuros, pseudo-durão: só queria me certificar de que eu estava errado o tempo todo. E falhar miseravelmente foi minha vitória! Ainda há jeito para o ser humano...

 

Adeus. E comigo se vão todos os meus monumentais caprichos. Infelizmente sei que retornarei, porque a tentação da raça humana para se provocar a ruína é muito grande... Porém, o Time Urameshi, os amigos que confiam uns nos outros, saberão lidar com a tempestade...

 

 

Tome este isqueiro, Shizuka. É uma lembrança.



Escrito por a mosca filosófica às 10:35
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SOU MÃE DE UM FILHO ÚNICO, SOU UMA HEROÍNA DO ANO 2000 E VIM TE COBRAR O ALUGUEL DA MINHA FANTASIA

Hoje algumas mulheres sacrificam tudo e fazem um esforço descomunal para dar a luz a um único filho. Mal se comparam às verdadeiras éguas de granja de antigamente, das quais nossas vós são as legítimas representantes finais: elas pariam tranquilamente, era um dia comum em suas vidas, elas não ficavam menores ou mais desgastadas, incompletas ou com menos energia por isso; podiam esbanjar feminilidade dignamente, sem vomitarem no Patriarcado todas as ofensas do mundo, sem culparem os outrOs sempre pelo próprio infortúnio por menor e mais merecido que seja. Acham que por serem mãe - singular, mãe de um só, principiante, maruja de primeira! - a sociedade está em terrível débito com elas. Mal sabem essas malagradecidas que ter sido mãe seis, quinze, vinte vezes, outrora, não empinava o nariz de ninguém.

 

 

Em suma, a natureza matou as mães. Hoje são apenas loucas-dos-gatos que fizeram sexo (tanto pior se se tornam mães solteiras): umas afetadas.



Escrito por a mosca filosófica às 19:09
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REFLEXÕES DE UM TOLO - Tomo XII

Perdido em uma virilha deserta (Eunuco)

 

Qual a diferença entre um idiota em cárcere e um ser humano após a Revolução Francesa?

Isso mesmo: o segundo está solto.

 

Não posso ser Guerreiro Z todo dia... Meu ki é muito grande mas em muitos dias não estou à altura da magia!

 

A única forma de reconciliação é viver tudo de novo.

 

Dinheiro na mão é VENDÁVEL...

na vida de um COMPRADOR...

Quanta gente aí sem GRANA...

depois de todas as prestações que PAGOU...

 

O liquidificador mais eficiente do mundo

se demitiria ao conhecer as saladas

e misturas conceituais dos pós-liberais neo-modernos - não há como competir nesse mercado.

 

Eu visto calça rosa; sou muito macho; enfim, uma criatura jeans tinto!

 

Eu estou sempre entre dois números de calça;

estou sempre entre duas casas de cinto

e entre dois tamanhos de sapato

Nunca estou no meu meio e à vontade,

sou um eterno transitório

 

Lá em maDRId, nada se cria, nada se perde, tudo se acumula.

 

 

Um caçador que não é um caçador



Escrito por a mosca filosófica às 23:21
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O UM E O MESMO

nada de ciência de zeros ≠

zero de ciências de nada ≤

A qualidade não está em cacos ≥

É tudo bastante-totalmente coeso =

Coeso não é o mesmo.



Escrito por a mosca filosófica às 13:40
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OS PAROXISMOS DO AMOR

Me deixou esperando na porta do cinema. Ele prefere caçar e exorcizar monstros. Mas que namorado eu arranjei.

 

Chantagem emocional. Bom, dizem que não tem nada melhor que uma terceira pessoa, quando duas já não se entendem tão bem. Os ciúmes afloram. O perigo desperta o último sentido trancafiado no coração. O perigo de perder. O perigo de te perder. Maior que o perigo de morrer. Eu estou longe e não posso fazer muita coisa.

 

Como assim não pode? Você tem fé em mim, eu tenho fé em você. Não acredito que não possamos realizar um milagre! Um humano não subestima outro humano, desde que entenda do que um é capaz. Do que ele é capaz. Um monstro ignora essas histórias, manifesta uma ingenuidade diabólica!

 

Não sei, sinceramente, se estou fazendo muito ou pouco. Estou respirando. E agora isso pra mim é muito. Estou sendo massacrado, sem clemência. Adoraria ver a luz de outro dia, fora dessas trevas. Ver o teu sorriso, ou só a tua boca. Ouvir a tua voz. Seria tão difícil? Já não posso levar isso adiante, espero que alguém te proteja, e te faça feliz.

 

O quê? Mas já vai desistir? Veja aqui na tela o seu grande amor sendo destroçado e reanime-se. Ou nos grandes destroços o seu amor em tela. Ou na grande tela o seu destroço amoroso... Uma conseqüência indesejada de querer sepultar uma relação é imortalizar uma reação. Mais fulminante e serelepe que o raio e que o relâmpago e mais sonoro do que um trovão. Eu sei que você ainda está aí, precisando de mim, então não posso partir, vou ter que reagir.

 

 

Vou destruir a flauta do desencanto, só me interessa agora a força da sedução sobrenatural! Coisa de maluco, esse hálito espectral. Viva o não-planejado!



Escrito por a mosca filosófica às 20:17
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100% FEMINAZI

Postulado: em nós a mulher só ama o que é feminino. Na verdade mulher-mulher seria bem mais hetero, harmônico, simétrico. Elas, as normais e mais numerosas, são homo. O homem – qualquer homem – fica sem saída – nega sua essência, trai-se. A piroca é venerável, Rainha! Somos só subprodutos. Gostaríamos de um amor alienígena. Comer, comer, para poder entumecer. Venha me explicar o salto-agulha. E por que uma cerveja desce redondo. Ela é mais direta, segue reto. Nós andamos em círculo. Ele anda atrás dela. Uma transa perfeita, uma transa acabada. O sexo é paulatino, crônico, peristáltico, remexido. Tremido, enfiado, de dentro pra fora. Chora ao reencontrar as origens no lago.

 

O gesto másculo por excelência é o pedalo.



Escrito por a mosca filosófica às 10:16
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ADÃO ERA EU

Adão era (eu)nuco, porém tinha uma serpente...

Que inoculou na mulher o próprio sangue feminil

Então nasceu o primeiro “homem” fecundado

Foi autofecundação!

Ele não era parente de Adão

Até hoje confundimos nosso pai

Mas ele era estéril!

Somos um animal charmoso e mau

Concepção in vitro

Filhos de um bastão, o cajado de Eva.

Eva transformada em pau, com todas as suas propriedades

Pau com presas e todo retorcido

Que ataca após espreitar

Longas eternidades

A mulher só podia vencer o homem, o mais forte

Inventando um terceiro, o elemento chantagista

Com cara de neutro

A descendência de Adão morreu com o Eu(nuco) de Adão

Daí pra frente, todos nós somos serpente.

Já não importa se fodemos o brioco de nós mesmos

O resultado é o mesmo da gravidez: contraproducente



Escrito por a mosca filosófica às 09:43
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SOBRE OS MINÚSCULOS E SIMÉTRICOS E O SENTIMENTO DO RANÇO

Seres com capacidades iguais. Defeitos idênticos. Atributos constantes. Tudo é tão nanico que à vista parece perfeito. Não são, não funcionam como, os “grandes desajeitados”, os assimétricos da alma, aqueles seres com um ou múltiplos talentos visíveis, apesar de em parte serem, também, banais. Todo grande homem tem detalhes à lupa. Daí esse contraste transformá-los em entes horríveis demais para os olhos, pintá-los e matizá-los de um feio aspecto. Mas são os únicos autênticos, se é que a palavra ainda tem um sentido. Os que mais se aproximam do mito dos gigantes. Até a humanidade perceber o que está perdendo e preferir seu reflexo no espelho a montanhas, repousando assim à sombra de colossos, só ouviremos as vaias. Só pressentiremos rancor. O câncer vem de dentro, não de fora. Ele deixa as ações no automático, a língua descontrolada. Ele joga fora o freio. Ele acelera os pequenos até além de seus limites, até que sua massa lembre a dos grandes, e aí eles se perdem, relativamente, relativamente falando! (Porque não há grande que não se sinta encabulado.) O zero é o mau humor absoluto. Ou...? Interação de partículas sôfregas. E, de mais a mais, da vaia (ruído branco), dos torvelinhos e das pedras-grãos dos pequenos o grande nunca jamais desviou. Nunca precisou!

 

Assinado:

                Coca-Cola de neném, amigo de ninguém

 

                Pequena Príncipa



Escrito por a mosca filosófica às 21:28
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HIEI: O ANDARILHO TRICLOPE

[Redigido originalmente entre 02/12 e 18/12/04. Digitado, revisado e expandido em 27/01/12. Alterado novamente em 02/04/12.]


 





Mundo das Trevas. Uma dimensão desconhecida pela humanidade comum. País das Mulheres de Gelo. Um bando de rochas feias flutuando sobre o nada. Uma tribo exclusivamente feminina onde a gravidez é um processo tão natural quanto a menstruação. Há eventos que saem do cotidiano. Apesar de existirem mesmo no mundo dos homens, nesta terra-de-ninguém cheia de monstros e youkais, um em especial é fora de série.

 

Apesar de não necessitarem de sexo e do gameta masculino para reprodução (da qual sempre nasce uma outra mulher), podem copular do modo tradicional, no entanto esta é uma prática abominada pelo bom senso. Não ocorrendo por bem, ocorre por mal. A oportunidade é escassa, já que se trata de um povo completamente isolado, separado dos outros povos do Mundo das Trevas, ou Makai, pela imensidão do céu e das nuvens, pairando vários kilômetros acima do solo. De preferência, quando uma habitante ganha licença para se ausentar de sua terra e viajar em busca de provisões ou algo parecido. Como é um lugar gelado, colheitas podem ser estragadas se as tempestades durarem mais do que o previsto e se a temperatura cair além do habitual. Nessas ocasiões, pode ocorrer o contato de qualquer bárbaro com uma Mulher de Gelo, sem grandes obstáculos. A vítima de quem contamos a história era a mais bela das Mulheres de Gelo de sua época. Não tinha força física ou meios de se defender do estupro (1).

 

Ainda que sem culpa, Hina teve de sofrer as conseqüências. Foi mal-falada em sua aldeia durante toda a gestação e a muito custo evitou o aborto. Quando os nove meses passaram, descobriu-se que não era uma filha: eram gêmeos, uma filha e um filho. Sim, engravidando com auxílio de sêmen de terceiros, há a probabilidade da masculinidade do feto. As Mulheres de Gelo não suportam a idéia de um homem entre elas. Acham que eles são demônios, a verdadeira personificação do caos. Então foi marcada, para o mesmo dia do parto, uma cerimônia para jogar o recém-nascido no abismo, ou seja, da beira do País até o Makai mais quente e prosaico lá embaixo. Hina chorava muito, mas suas amigas a consolavam dizendo que ela ainda teria uma linda flor para cultivar, Yukina. Não eram esses os seus planos, porém: seu fim estava próximo, ela sentia. Disse a seu filho, que de algum modo já podia raciocinar: "Seu nome é Hiei". Para quê nomear um ser que vai estar morto em menos de vinte e quatro horas? Depois do pôr-do-sol, no declive escolhido, Lui - melhor amiga de Hina - foi encarregada de se livrar de Hiei. Toda a população estava presente para "apreciar o espetáculo" e a anciã dava sermões públicos a Hina, esperando que servisse de exemplo para outras aldeãs descuidadas.


A velha falou assim a Lui: "Não tenha compaixão. Jogue-o!". Neste momento, tanto Hina quanto a escolhida para carrasco choravam. As duas haviam tomado algumas precauções, embora não estivessem seguras de que tinha alguma chance de funcionar: enrolaram o bebê num pano e lacraram-no, com exceção da área de respiro na cabeça, com várias faixas cheias de inscrições. Eram de Magia do Fogo, na qual as Mulheres de Gelo sempre foram peritas, pois em caso contrário já teriam perecido nessas condições hostis há muito tempo. Lui ainda disse ao rejeitado, à guisa de despedida: "Eu sei de seus poderes! Espero que sobreviva. Volte a este País e me mate, mas por favor não machuque minhas conterrâneas. Dou-lhe esta pedra que sua mãe chorou ao seu nascer, que além de o proteger vai acalmá-lo em suas reflexões mais profundas. Mas, além disso, envolvi seu corpo em magia para lhe acrescentar poder. Se der certo, é porque você era predestinado!" Após o enigmático discurso, a mirrada criancinha quase invisível entre trapos sorri graciosamente; seu olhar maligno em contraste.

 

A pedra referida era de um azul ártico de beleza infinita, parecia mil diamantes condensados em um só. Era perfeitamente esférica, presa por um gelado colar de corrente. Outra particularidade das Mulheres de Gelo é que quando choram suas lágrimas jóias se tornam. Mas, por mais que chorem no decorrer da vida, nenhuma jóia é tão bela quanto a que é fabricada quando a primeira lágrima cai do rosto de uma Mulher ao virar mãe. Hina ficou sabendo que daria a luz a gêmeos pouco antes do parto: ao romper-se a bolsa, chorou duas lágrimas ao invés de uma. Seria o único tesouro para a vida solitária de Hiei.

 

Assim que sumiu na névoa, Hiei foi dado como morto. Todas continuaram suas vidas normalmente, até Lui, que sucederia a anciã à beira da morte, menos Hina, que morreu pouco depois daquele ato fatídico. A causa foi puramente melancolia. Melancolia de mãe. Sua filha Yukina foi adotada por todas e teve uma regrada criação. Puxou a mãe (se bem que as Mulheres de Gelo não difiram tanto assim uma da outra), com seus imensos olhos vermelho-acastanhados (talvez a única semelhança que guarde com Hiei), cabelos verde-claros e corpo de graciosidade impossível de ser expressa em palavras. Amava os animais, principalmente as aves. Um dia lhe foi contado que ela tinha um irmão, e que poderia estar vivo, segundo Lui. Vislumbrando um futuro diferente, em que pudesse conhecê-lo e viver feliz ao lado dele (com certeza devia ser a vontade de sua mãe), fugiu de sua terra natal. Na verdade, para bem longe: o Mundo dos Homens! Não que Lui tivesse lhe contado que este seria o paradeiro de Hiei. Dificilmente seria. Apenas seguiu um desejo do coração. Ali, deveria esperar algo especial acontecer...

 

* * *

 

Neste trecho, deixamos de lado os acontecimentos no País das Mulheres. Enfim, a questão: qual era o grande poder de Hiei? Sendo filho de um homem (entendam com essa expressão, sempre que estivermos falando das criaturas do Mundo das Trevas ou Makai, youkai do gênero masculino) desconhecido, qualquer coisa era possível. Mas tudo indica que o pai de Hiei não fosse um bárbaro mediano, poderia até ser um líder de bando ou rei-youkai! Porque desde que era feto, Hiei era dotado de consciência. Sabia quem e o quê era, elaborava deduções e fazia inferências, ouvia tudo num raio razoável de alcance - e já nutria um imenso ódio pela raça de sua mãe, embora não por ela em si. Assim viveu três quartos de um ano na barriga: aprendendo e aprendendo. Deve ter tido muita vontade de se mexer, exercitar-se, no entanto o espaço (logicamente) era ultra-limitado e sua coordenação motora (diferentemente da nervosa) ainda estaria por se desenvolver.

 

Assim do nascimento de Hiei e da produção da pérola pela queda da lágrima, Hina fez questão de aproveitar como ninguém qualquer segundo abraçada com o descendente. Enquanto isso, Lui recolheu a pedra sem que Hiei a tivesse visto. Foi incumbida pela amiga de entregar-lhe o objeto apenas no momento derradeiro, numa última esperança de salvação. Mesmo para mulheres especialistas em magia, tal procedimento parecia sem sentido, mas Hina sabia que não estava atirando às cegas...

 

O patinho feio Hiei já bebê não podia ser gracioso como os outros. Nisso aquelas mulheres tinham até razão em associá-lo a maus augúrios. Cabelos inexplicavelmente crescidos desde a barriga da mãe, negros e com madeixas grisalhas em volta do topete. Duas bolotas escarlate que lhe proporcionavam a visão. Dimensões pequenas, em geral (talvez a única herança genética da mãe): nariz, boca, orelhas e o corpúsculo. Na queda, Hiei agarra o colar de corrente atrelado a seu pescoço com afinco e apenas espera. Não se sabe se foi obra daquela luz azul divina que emanava da bola, das faixas que o envolviam ou de tudo um pouco, mas ele não morre. Além disso, do País flutuante, do precipício escolhido por Lui para a cerimônia, devido à neblina, não era possível enxergar o rio que corria lá embaixo. Ele não tinha correntezas violentas, nem muitas pedras, nem era muito fundo ou raso, era apenas perfeito para que o Destino aprontasse das suas! Se já soubesse falar (e não era por falta de habilidades cognitivas, como vimos), certamente Hiei teria soltado alguns gritos e palavras feias, muito pela ingratidão com que fôra tratado. Não tardou e ele, ainda em seu embrulho, prosseguiu boiando harmoniosamente em direção a uma das margens, a que dava para um descampado (a outra resvalava em areia, depois rochedos, que desembocavam em uma grande gruta). Ficou inerte na grama. Em seu primeiro dia de vida passou por experiências com que homens adultos possivelmente nem sonhariam - e é o primeiro neném conhecido, mesmo no Mundo das Trevas, a não chorar. Era mais frio que as Mulheres de Gelo...

 

Logo um homem (2) de uma tribo primária das cercanias, que por ali passava caçando, olhou intrigado. Apesar de viver com sanguinários, o abandono do bebê lhe despertou uma grande dó. E não quis nem saber qual seria a reação de seus companheiros. Levou-o. Ao mostrá-lo ao chefe foi escarneado: homens como aqueles jamais poderiam demonstrar carinho e compaixão! Quando o subordinado já ia levando o pano com o menino de volta para o lugar de origem, cabisbaixo, seu superior vislumbrou um brilho naquele diminuto pescoço. Correu até ele, viu a pérola e bradou de alegria: "Vamos ficar ricos!". Pensava em matar o bebê ali mesmo e pegar o prêmio, mas o olhar de maldade de Hiei, seu áspero sorriso e a firmeza com que insistia em segurar o tesouro materno, tudo isso despertou admiração no líder. De onde quer que tenha vindo, seria muito útil se fosse membro daquela comunidade, quando crescesse. Assim Hiei foi adotado.

 


Já caçava muito bem aos 5 anos. A tribo que o acolheu era conhecida por utilizar pássaros-dinossauros para migrar de região em região ao longo do tempo. Hiei aprendia com velocidade impressionante seus costumes, mas era de falar pouco e procurava se isolar dos outros, todos já adultos. Sua frieza enregelava muitos deles até os ossos. E o menino Hiei tinha uma agilidade sobrecomum até para youkais. Adorava, inclusive, roubar dos "amigos" e sair correndo pela mata, sem que houvesse chance deles o acharem. E também sua pedra, sempre no pescoço, despertava a cobiça dos bárbaros. Quem tentasse arrancá-la era morto: ganhara não se sabe de quem nem como uma espada, leve e prática, que combinava consigo, com a qual fatiava qualquer ser vivente. Em pensamento, constatava: "Dá-me muito prazer ver carne cortada e sangrando". Muitas vezes Hiei se locomovia pelas terras do Makai portando uma longa capa marrom, que se arrastava pelo chão. Isso para ele o tornava um príncipe. Mas um príncipe-guerreiro inclemente. Hiei, como qualquer criança, humana ou youkai, tinha a imaginação fértil. Mas, para quem olhasse, a verdade é que parecia um Pequeno Príncipe da Lata-de-Lixo, porque a capa era cheia de furos e rasgos. Depois que se tornava inutilizável devido às lutas, Hiei a trocava por outra, sempre a cultivar o próprio orgulho. E logo a capa nova já estava toda puída...



Escrito por a mosca filosófica às 11:32
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Os anos se passaram e Hiei se tornara um guerreiro de tal nível que decidiu virar nômade, se é que já não o era bastante. Fato é que percebera que cedo, com sua reputação crescente, não seria bem-vindo em nenhum lar, nem na tribo itinerante dos corsários que foram seus pais adotivos. Nada de comércio com raças fracas e pusilânimes ou submissão a alguém. Não tinha objetivos: viveria para contemplar o azul e o vermelho brilhantes do espantoso céu do Mundo das Trevas, e para se aprimorar cada vez mais. Lutar, matar. Com todos. Todos. E seja porque realmente não havia beleza alguma na paisagem ou nenhum boato ou notícia promissora sobre riquezas para o lado Oeste do Makai, ou porque alguma necessidade orgânica o tiranizasse e o convertesse num autômato, Hiei se sentia impelido a, de luta em luta, escapar para o Leste, a troco de nada. Aliás, bem no fundo estabeleceu, sim, uma meta, uma espécie de agitação intermitente, um desejo que ora gritava desde suas entranhas - a de encontrar o País das Mulheres e torná-las extintas. Mas no momento em que se pensava hábil o bastante para tal proeza, longe estava de sua terra natal. Como não conseguisse encontrá-la, muito tempo passou em seu estilo de vida andarilho sem que Hiei se incomodasse. Ou fingia muito bem não se incomodar. Virou um "Troçador Solitário", se é possível dizê-lo: não se ocupava de cantar ou tocar nada para ninguém; sua arte era a do sangue. Fazia pouco das criaturas das trevas, considerava cada um mais repugnante do que o outro.


 

Como alguém que não vive em local fixo, nunca mantinha uma rotina de afazeres previsíveis, a não ser um: após ganhar alguma luta difícil ou ao ficar cansado (ou mesmo por não fazê-lo há dias, já que na realidade o Makai não passava de um deserto quase infinito, estéril e despovoado na maior parte de sua extensão), punha-se a fitar a pedra e meditar. É assim que se lançava nas mais profundas reflexões. Apesar de parecer um ato mecânico e melancólico, isso excitava Hiei. Eram os seus melhores momentos!

 

Numa batalha excepcionalmente desafiadora (veja que ironia), na beira de um declive, seu colar lhe foi cortado. A pérola caiu. Caiu por um abismo infindável. Depois de finalmente vencer o inimigo, teve de rever sua idéia sobre o que faria na vida e do porquê de estar no mundo. Decidiu duas coisas: achar de uma vez o País e recuperar a pedra. Mas já que um era distante e obscuro demais e a outra ínfima além da conta, num mundo tão grande, tinha de fazer algo antes. E ele sabia o quê: implantar o Terceiro Olho, ou Olho Diabólico.

 

Em suas andanças muito se informou dum tal ferreiro e operador, o Cirurgião do Mundo das Trevas, extremamente hábil. Dentre os verdadeiros milagres que poderia efetuar em seus clientes, soubera Hiei, estava o implante de um terceiro olho na testa, capaz de "ver o que não podia ser visto" e de intensificar a natureza youkai do portador. Como lhe pagaria, não tinha a menor idéia. Quem sabe voltasse com a pedra e lhe desse, uma vez enjoado dela. A idéia de ter um olho adicional o fascinava!

 

Após encontrar sua oficina - uma construção peculiar convexa no topo do primeiro piso, mas que se alongava em formato de pirâmide egípcia até o verdadeiro cume, no terceiro andar, de onde ainda partia uma antena em forma de tridente, quase uma adaga, com a ponta do meio maior que as outras -, não hesitou em invadi-la e impor sua vontade ao homem (3), que estava a trabalhar em alguma coisa, de costas para a porta, segurando um estranho círculo que refletia a luz, de material afiado, que só podia ser metal... Mas Shigure, o Cirurgião, agiu como se aquele moleque despeitado não existisse. Hiei se repetiu - em tom mais grave e ameaçador -, até que o anfitrião se virou. Foi possível ver que, além de roupas exóticas, uma longa trança grisalha até a cintura e da barba por fazer, apresentava o rosto perfurado por brincos quase em todo lugar, além de argolas cinzas e douradas, estranhos guizos e correntes, numa arte indígeno-clubber que não conhecia limites estéticos, exatamente como se enfeitam os jovens de hoje em dia! Por fim, tinha a pele costurada na transversal, caindo da esquerda para a direita, da testa a uma das bochechas, passando por entre os dois olhos, tangendo o nariz. Parecia um misto de curativo devido a um ferimento de espada muito fundo e adorno de mau gosto. No entanto, seu aspecto não podia amedrontar um nômade calejado como Hiei, apesar de ainda estar na flor da juventude. Então Shigure decidiu abrir a boca: "Saia. Dói demais. Além do que possa imaginar". O outro replicou que estava preparado tanto mental quanto fisicamente. O cirurgião fez então uma concessão: Hiei contaria sua história e por que pretendia receber o Jagan (sinônimo para Olho Diabólico). E a história e o motivo deveriam ser bons, caso contrário...

 

O youkai assim começou: "Minha vida é tão pútrida que não vale a pena ser contada. Tenho nojo dela". O homem das argolas riu e Hiei, enfim, cedeu. Disse quase tudo que aqui foi dito, porém em primeira pessoa e em caráter mais sombrio. O antes frio ouvinte não pôde conter a admiração e seu interesse naquele acidente em forma de gente. E as razões para obter o olho, apesar dele achar muito infantis, não careciam de fundamento. Carnificina e vingança era tudo que iria querer pelos lados do País das Mulheres de Gelo quando o encontrasse! Quanto à pedra, acalmá-lo-ia e controlaria seus impulsos assassinos. Decidiu fazer de graça a intervenção cirúrgica no rapaz, com a exceção de um outro pedido, uma remuneração simbólica, que por enquanto não vamos contar.

 

Hiei foi acorrentado a uma plataforma vertical e uma máquina infiltrou uma grande agulha em sua fronte. O que mais havia naquele salão, se dor ou sangue, jamais se saberá. Hiei não mentira, entretanto: sairia dali vivo e com o que queria. E se lembrava das últimas palavras do "médico clandestino" antes de se iniciar o processo cirúrgico: "Ficará fraco. Perderá toda a força sobrenatural que possui desde o nascimento. Terá melhor visão mas ficará vulnerável a curto prazo". Nada mais interessava, que se explodissem todas as conseqüências!

 

E por pouco foi que sua cabeça não explodiu. Depois de dormir profundamente no pós-operatório, com curativos no local, veio para o exterior da casa e encontrou o sujeito usando seu artefato circular para cortar as árvores. Perguntou: "do que se trata?"

 

- É uma espada especial confeccionada com ossos de Vacas das Trevas.

 

De fato, o objeto em forma de círculo era uma espada fechada em si mesma, de diâmetro enorme de cerca de 2 metros, que podia envolver completamente seu manuseador, como um bambolê extravagante, segurável através de uma pequena haste de madeira, para que quem estivesse dentro do círculo (pelo menos era essa a melhor forma de empunhá-la) se encontrasse imune ao corte. Mesmo assim, continuava a parecer uma arma demasiado suicida e perigosa...

 

Não interessou de verdade a Hiei. Perguntou por perguntar. Quando ia virando as costas, foi intercedido: "Aonde vai? Você ainda não se recuperou".

 

- Que eu saiba esta faixa na cabeça já é suficiente para aliviar as dores. E não tenho mais o que fazer aqui. Se me encontro vulnerável, pouco me importa.

 

- Escute... Não quer ser instruído na arte da espada?

 

- Como é?

 

Depois de algumas semanas tendo um Mestre, Hiei já era um espadachim muito melhor que no auge de suas lutas baseadas nos punhos e nas armas de péssimo corte que conseguia roubar. Partiu quase sem agradecer, daquele seu jeito soturno, que no entanto tinha algo de carismático...

 

O Olho Diabólico dera-lhe o poder necessário: logo encontrou o País acima das nuvens e pôde utilizar a escada de gelo até lá. Tratava-se de um caminho elaborado através da mágica das Mulheres, que só aparecia durante uma das quatro estações do ano e além disso era invisível para os youkais leigos na arte do gelo ou que não possuíssem um Jagan. Por sorte, Hiei escolhera a época certa para visitar suas conterrâneas, pois o caminho temporário estava disponível. Viu todas as Mulheres recolhidas a suas casas por causa de uma nevasca forte até mesmo para os padrões nativos. Talvez a Criança Maldita é que tenha trazido tal intempérie! De todo modo, era só um vulto ameaçador, e ninguém poderia suspeitar de sua identidade: o bebê morto! Aquela aldeia onde nascera era miserável. Alguém que quisesse arruiná-la ainda mais estaria se rebaixando. Ao invés disso, Hiei só procurou uma mulher em especial, Lui, a nova líder. Ao vê-lo, a Mulher de meia-idade se assustou, posto que não é freqüente receberem visitas, mas obviamente não se dera conta de quem era.

 

- Fique tranqüila... Não vou matá-la como me pediu.

 

- Hiei?! É você?

 

- Escute, só quero saber do paradeiro de minha mãe. Não consigo sentir sua energia.

 

- Hina não está mais conosco... Mas você ainda tem sua irmã!

 

- E por que não encontro a energia dela também?

 

- Yukina fugiu para o Mundo dos Homens.

 

- Que idiotice!

 

Deu-lhe as costas e desapareceu. Lui ainda gritou seu nome em vão.

 

Seus ditos não refletiam o que realmente pensava. Como não quis mais se vingar das Mulheres de Gelo, tinha de estabelecer novas metas para agüentar viver. E pensando bem estava cansado dos mesmos ambientes de aspecto feio e de monstros irracionais. Como não sentisse a presença de sua pedra em nenhum lugar, foi-se a fim de encontrar a irmã. Youkais de sua classe não tinham problemas para se infiltrar em nossas fileiras, muito menos para atravessar a barreira criada pelo Mundo Espiritual.

 

* * *

 

A partir deste ponto a narrativa adquirirá uma maior superficialidade, até que retomemos o foco desejado para o RPG.

 

* * *

 

Em seu primeiro dia na Terra, Hiei encontrou dois outros youkais de nível equiparável: Kurama e Gonki. Como os três fossem (aparentemente) mal-intencionados, agiram juntos para roubar 3 objetos sagrados, provenientes do Mundo Espiritual, o lugar onde os mortos do Mundo dos Homens e da parte controlada do Mundo das Trevas são julgados. O que mais interessava a Hiei era a Espada Koume. Ele a detém e, numa reunião com os dois colegas, é interrompido por um Detetive Sobrenatural. No entanto, o tal homem - Yusuke - era um neófito e não tinha o poder necessário para enfrentar ninguém do trio. O fato é que Gonki era mais sujo que os outros e queria traí-los. Como era o mais fraco, foi repreendido fisicamente e avisado de que não mais agisse de modo estúpido.

 

Eles escapam de Yusuke sem lhe causar dano e, estranhamente, Kurama diz que deixaria de seguir a conduta ilegal dos outros dois, pois seu objeto era somente um meio de salvar sua mãe, não algo em benefício próprio. Hiei se recolhe. Passa a estudar o comportamento do detetive Yusuke e a controlar humanos inocentes com seu Olho Diabólico.

 

 

Em dois dias, Yusuke dá um salto surpreendente em habilidade, aprendendo a usar a energia manifestando-a em tiros através do indicador direito. E as primeiras vítimas do seu novo truque foram Gonki (morto) e Kurama (embora este tenha acabado por entrar em acordo verbal com o subordinado do Mundo Espiritual). Hiei tinha o último objeto. O detetive, os outros dois. Ao contrário do que parecia, o youkai estava em vantagem, pois agora conhecia a vida do "moleque" (o detetive ainda estava na escola) o bastante para conseguir o outro par de objetos sem sequer sujar as mãos.



Escrito por a mosca filosófica às 11:29
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Hiei descobriu uma garota, Keiko Yukimura, com fortes ligações afetivas com Yusuke. Seqüestra-a e exige os dois objetos que estavam com ele (o Espelho das Trevas e uma bola que tirava a vida de crianças, Gaki). Deveriam ser depositados num armazém abandonado. Apesar de Yusuke cumprir sua parte, o youkai se mostra ardiloso e escraviza Keiko, que começou a desenvolver um Terceiro Olho. Inicia-se uma luta. Yusuke tinha mais ki, mas a velocidade de Hiei dificultava-lhe as coisas. Só que Kurama decide intervir e acabar com o equilíbrio, a favor do detetive!

Hiei manifesta o poder máximo: se torna verde e adquire olhos diabólicos por todo o corpo. Yusuke atira seu Lei Gun no Espelho e o tiro se reflete e bate nas costas de Hiei. O youkai oriundo do País das Mulheres de Gelo perde a luta e todos os objetos, e passa a ser vigiado pelo Mundo Espiritual, sem poder retornar para as Trevas. Aguardaria paciente e pacificamente ordens de Koenma, o Príncipe do Mundo Espiritual e instrutor de Yusuke.



Algumas semanas depois, percebendo estranhas movimentações na cidade de Tóquio (região em que, afinal, ficava o Portal entre o Mundo dos Homens e o Makai), Koenma escala Hiei para atuar pelo bem humano - ao lado de Yusuke, Kurama (também a cumprir pena) e Kuwabara, um amigo de Yusuke que também sabia manifestar energia sobrenatural, mas que era um sujeito meio impertinente que não ia com a cara de Hiei! Sua missão seria invadir o castelo de quatro youkais bastante fortes, criaturas mitológicas que planejavam escravizar a raça humana por meio de insetos e os encantos de uma misteriosa flauta, por um acaso outro objeto roubado do problemático Mundo Espiritual. O líder do bando era Suzaku. Hiei conhecia sua terrível reputação entre os monstros. Suzaku também já ouvira falar das proezas do ladrão filho de uma Mulher de Gelo. E sabia que, dentre os quatro, era o mais suscetível a traições. Seria divertido brincar um pouco!


No entanto, o esquadrão invasor montado às pressas se mostra eficiente: Kurama derrota o primeiro monstro com seu chicote de espinhos de rosa; Kuwabara saiu sangrando, mas o demônio Byakko teve de calar sua horrível garganta para sempre, no fundo dum lago de lava; e Hiei enfrentou o Terceiro, um manipulador de gelo chamado Seiryu. Com extrema frieza, liquida-o em segundos. Ao contrário do que se pensava, recusa com convicção as propostas para se aliar aos youkais. Hiei podia não se identificar com a raça humana ou o bem coletivo, mas não era burro e tinha consciência de que o poder de Yusuke o sobrepujaria, se intentasse alguma reviravolta. Tanto passou a bem avaliar os poderes do detetive que lhe deixou a missão de executar Suzaku, enquanto cuidava de zumbis na escadaria da torre central.


Com a vitória do quarteto frente a Suzaku e seus asseclas, Hiei e Kurama diminuíram, embora não tivessem eliminado, suas condenações no tribunal do Mundo Espiritual. Para o segundo, encaixado na sociedade desde o nascimento, isso não representava nada de traumático. Hiei, no entanto, já começava a se arrepender de ter viajado para achar sua irmã. Ao menos poderia se dedicar um pouco a essa tarefa, agora - ele e seu Olho Diabólico!


Tempos depois, nova atmosfera negra no ar. Primeiro por parte dos dois detetives sobrenaturais, ou seja, os humanos da história: Koenma convoca Yusuke e Kuwabara para uma missão num distante país invernal (4). Mas Hiei, em caráter oculto, também é contatado. Ele já o esperava. Esse chamado tinha total conexão com o que vinha descobrindo, e era, afinal, a resolução de uma questão pessoal...


Foi-lhe dito que Yukina lá estaria, em poder dum magnata que explorava sua capacidade de produzir jóias perfeitas com o choro. Hiei se direcionou ao local, mas deveria agir como um expectador: só intervir caso Yusuke e Kuwabara falhassem. Kuwabara, ironicamente, veio a se apaixonar perdidamente por Yukina, só de vê-la em fotografias.


Os humanos doutrinados invadiram a mansão do multi-milionário escuso Tarukane e foram derrotando seus youkais-guardas pouco a pouco, até que chegasse a hora do último embate. Os adversários eram mercenários muito temidos, uns tais Irmãos Toguro. Depois de muito sangue derramado, o time de Koenma acaba vencendo. Hiei se vinga pessoalmente de Tarukane e se encontra com a irmã pela primeira vez. No entanto, não revela sua identidade, que de todo modo não é presumível para a garota, embora cada vez mais gente ao redor dos dois saiba da verdade.


Ele percebe que, durante o cativeiro, Yukina havia engolido a pedra preciosa de nascença (de sua mãe Hina) para que os humanos não lhe a tomassem. É sabido que lágrimas de tristezas, dessas que infligiam a Yukina, não eram capazes de igualar a beleza singular das lágrimas da felicidade do parto de uma Mulher de Gelo. Por isso, Yukina escondeu sabiamente sua pedra mais antiga e mais bela - a não ser que um dia tivesse seus próprios filhos, para sempre seria! É a primeira vez que Hiei voltava a observar uma pedra azul do País das Mulheres, depois de perder a sua há tanto tempo...


Regredindo ao passado, no local de trabalho do Cirurgião do Mundo das Trevas Shigure, quando Hiei contava seu enredo para poder ser operado, o anfitrião fizera a exigência de que jamais contasse a Yukina sobre as ligações entre os dois, já que teria o Olho Diabólico e sua pedra luminosa de volta. Essa era a paga, a remuneração pelo serviço. Seria uma condição inalienável. Hiei sabia que passando-lhe a perna não tardaria a ser descoberto, e talvez até sua testa se rebelasse, e o Jagan saísse. Além disso, seu próprio orgulho o dispunha a guardar o segredo da fraternidade a sete chaves. Era impossível prever exatamente o móvel da perseverança de Hiei, mas ele sabia cumprir uma promessa!


Eis que é revelado que os Irmãos Toguro estavam vivos, e na realidade encenaram a própria derrota na mansão de Tarukane. Convidaram o que passaram a chamar de "Time Urameshi" (Yusuke, Kuwabara, Kurama e Hiei) para participar do Torneio das Trevas, um evento onde se reúnem os mais fortes dos dois mundos. A recusa do convite resultaria na morte certa - havia vários métodos à disposição da "Organização" (o comando que injetava dinheiro para concretizar o campeonato, onde quem dava as cartas eram acionistas corruptos, humanos que conheciam o portal, as Trevas e várias abominações, e se jactavam disso) para que se assegurassem de suprimir todas as vidas de quem se mostrasse ingrato a ponto de se recusar a lutar em tão luxurioso evento! Resultou disso que ninguém recuou diante do novo desafio. Um árduo treinamento se seguiu, durante vários meses. Hiei preparava uma grande surpresa...


Logo na primeira luta, o Andarilho Triclope é obrigado a revelar a integridade de seu poder: manifesta as Chamas Negras, uma poderosa energia de youkais nunca antes manifestada no Mundo dos Homens (o Torneio era na Ilha do Enforcado, na própria Terra - no público, praticamente apenas monstros ou ricaços). O Time Urameshi, mesmo sendo complicado por conspirações constantes da Organização, chega à grande final para uma revanche, desta vez sem truques, com o Time Toguro. Combates 1 a 1 são estipulados; Hiei espanta o público do estádio com sua técnica que aniquila Bui, um gigante numa armadura de metal. Yusuke encerra a apresentação de gala vencendo o mais forte dos irmãos. Os convidados terminaram campeões.


Muito tempo depois, não sem longos períodos de paz e tédio (assim eram as semanas e os meses para Hiei), Koenma volta à cena para alertar a todos sobre um novo perigo. O filho de Mulher de Gelo não podia deixar de pressentir movimentações subterrâneas através do seu Jagan. Kurama e ele são novamente chamados - e suas penas seriam reduzidas a zero caso fossem bem-sucedidos dessa vez!


O que aconteceu foi uma reviravolta na trama e a descoberta de novos inimigos, Shinobu Sensui principalmente, cujo princípio era o de que os humanos não prestavam. Que banal, não fosse ele também um humano e ex-Detetive Sobrenatural! Um vídeo o enlouquecera. "Capítulo Negro" eram várias horas do pior lado das pessoas, mostrava apenas atrocidades inclassificáveis. Quase poderiam convencer alguém de que o homem é muito pior do que os monstros. Porque estaria na natureza dos monstros agir sem medir as conseqüências, ao passo que tudo de horrível perpetrado pelo ser humano era objeto de cálculo glacial. Seria absurdo, portanto, defender a humanidade de forças que ao menos preservavam alguma honra e dignidade, que gostariam de estender seu domínio não só pelo Makai, mas também pela Terra. Hiei sempre cobiçara esta fita que era um instrumento de lavagem cerebral, pois sua "filosofia de sangue e matança" tinha alguma semelhança com todo o dilema de Shinobu. No momento em que sua pena já havia expirado, continuou acompanhando o caso só para saber do paradeiro do artefato. Ou blefava e se preocupava com os novos laços que o integravam ao destino de toda uma rede de pessoas, que ia de detetives sobrenaturais a todos os seus parentes e apaniguados?


O objetivo concreto de Sensui era escavar uma obra incomum, um túnel que ligasse o Mundo das Trevas ao nosso, com a decorrente invasão de uma multidão de monstros. Não era necessário apenas usar brocas gigantescas. Na realidade, falar de territórios no sentido físico não faz sentido. O Makai e o Mundo dos Homens estão infinitamente distantes um do outro. A mágica que os une tem relação com os espíritos. E o único jeito de quebrar a barreira erguida há muitos milênios pelos dirigentes do Mundo Espiritual (um terceiro mundo, uma instância quase sagrada que deve mediar os conflitos entre os demais) entre os dois mundos era utilizando o poder oculto de Kuwabara (então, oculto até para ele mesmo), a Espada Dimensional. O bando de Sensui, ciente disso, o seqüestrara a fim de completar o plano. Os três restantes do Time Urameshi vão atrás do amigo. Acontece um duelo de Detetives Sobrenaturais de diferentes épocas, de ideologias completamente opostas. Sensui mata Yusuke. Kurama e Hiei tentam uma represália. Sensui foge e consegue atravessar a barreira, já que é um humano, e o filtro só funciona com monstros de nascimento. Kuwabara não vê alternativa a não ser rasgar o portal. Os três amigos de Yusuke seguem os passos de Sensui e lutam contra ele no Makai. Hiei finalmente poderia utilizar o seu Dragão das Chamas Negras mais à vontade...


O conhecimento do terreno não evitou a derrota dos 3 que lutavam juntos, devido à enorme supremacia de Shinobu Sensui. Entretanto, devido a uma fonte de poder muito estranha, Yusuke Urameshi revive - revela-se que seu ancestral direto era praticamente um Deus do Makai, e ele deveria voltar à vida como o que realmente era: um youkai! Sensui, novamente desafiado por Yusuke, sucumbe depressa, pois o que quer que tenha acontecido entre a morte e a ressurreição do último, seu corpo está bem mais poderoso agora.


No desfecho desses eventos, Hiei obtém a fita Capítulo Negro, no entanto surpreende Kurama e Koenma ao jogá-la para o alto e fatiá-la com sua espada. Perdera o interesse por essas mediocridades mentirosas, parciais: aquilo era apenas uma versão, a mais repulsiva e hedionda, da caracterização da complexa alma humana. Não sabia o que fazer agora, visto que não visava mais a sua irmã, por causa do juramento que prestara a Shigure. Pensava seriamente em não retornar com seus companheiros ao Mundo dos Homens, ficar nas Trevas e ir em busca da pedra da mãe, que não lhe poderia trazer perspectivas de futuro, mas tão-somente nostalgia, nostalgia da dura infância que tivera...

* * *

Não tardou até que o próprio Destino viesse de encontro a Hiei antes que ele tivesse vontade de construí-lo por si mesmo: fôra convocado a servir Mokuro, um dos três Reis das Trevas. Decide aceitar.


Antes de dar adeus ao Mundo dos Homens, teve um peculiar encontro com Yukina. Apesar de não dar nenhum sinal que fizesse Yukina suspeitar de sua identidade, recebeu dela sua pedra azul. Hiei deveria cumprir uma tarefa como um favor especial: devolvê-la a seu irmão desaparecido, onde quer que ele estivesse.


Não se sabe que emoções Hiei guardava no íntimo. Por fora era uma calota de gelo inderretível. Assim que cruzou um portal aberto por súditos de Koenma, andou muito até chegar às terras de Mokuro. A base militar que procurava era na verdade uma nave gigantesca em formato de besouro. Ao subir a bordo, Hiei enfrentou pilhas de guerreiros. Ainda que caindo de sono (pelo uso desenfreado de suas chamas), conseguia fatiar todos eles. Era só um teste de Mokuro para saber se seu convidado de honra era mesmo tão forte. Evoluíra muito num curto espaço de tempo, 6 meses entre o chamado de Mokuro e sua chegada. Deixou, o Rei, que Hiei dormisse o quanto fosse necessário para repor suas energias.



Enquanto o fazia, sonhava intensamente com sua biografia. Estava com o colar e a pedra de Yukina no pescoço. Quando acordou, dialogou com Mokuro, um personagem extravagante, de vestes ninja, que mantinha as mãos algemadas à frente de seu corpo, como se se tratasse de um criminoso muito perigoso, por vontade própria (talvez para trancar seu inestimável poder ou para intimidar, pela aparência, os demais). Embora naquela situação Hiei fosse claramente o subalterno, mantinha seu nariz empinado e tratava a majestade como se não passasse de um mendigo bebum. No fim, chegaram a um consenso: para que o misterioso ser, todo mascarado e enfaixado, mostrasse seu rosto, Hiei teria de vencer um de seus setenta e sete guerreiros-mores, que Mokuro escolheria a dedo. O fato é que havia algo estranho no Rei Mokuro; o Olho Diabólico insistia nisso há muito tempo, e não parava de arder na testa de Hiei!



Escrito por a mosca filosófica às 11:26
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Mokuro se ausentou do aposento (um amplo salão, embora jogado às escuras, e às traças, a julgar pelas teias de aranha no teto e as paredes musgosas) a fim de trazer o tal lutador, dito ser do mesmo nível de poder de Hiei - e na verdade o mais forte de todos os 77 capitães do reino. Quando finalmente o trouxe, mais lembranças afloraram: era Shigure, o Cirurgião das Trevas e antigo Mestre de Hiei!

 

Da última vez que se encontraram, Hiei tinha metas a cumprir. Agora sua irmã e o País não lhe interessavam mais. E tinha até uma nova pedra, réplica exata da sua. Queria saber a identidade do fétido Mokuro, mas não era um desejo tão intenso. Estaria bom se morresse lutando... Para apimentar ainda mais o duelo, o dono da espada circular reitera que, se o vencesse, a pré-condição estabelecida para o implante do Olho estaria automaticamente cancelada. Hiei não dava sinais de que isso o estimularia de alguma forma, e faz questão de afirmar que desde o momento em que aceitou ser operado, jamais romperia a promessa, não tinha necessidade, não sentia vontade. Shigure objeta: "Mas o sentimento muda!"

 

É dado início ao tira-teima entre aluno operado e professor-médico. Não foi um combate muito longo: enquanto Shigure se mantinha em guarda, estático, Hiei corre em sua direção, bloqueia sua espada curvilínea com um dos pés e, em seguida, para cortá-lo bem no meio de sua face, posiciona genialmente seu braço à frente da própria lâmina que empunhava para que Shigure não desconfiasse de suas intenções até o último momento e não movesse o pescoço. Como resultado, Hiei auto-decepou seu pulso esquerdo, caindo no chão agonizante. Shigure, parcialmente degolado, nunca mais diria algo sobre Yukina, nem provavelmente sobre coisa alguma...

 

Mokuro parabenizou o semi-consciente Hiei e colocou sua língua de fora: sobre ela estava a pedra azul, sua pedra perdida durante a adolescência! Hiei disse que não a queria, pois estava mal-cheirosa do contato com aquela boca asquerosa e fedorenta. Mokuro abraçou o youkai calorosamente assim que ele perdeu os sentidos. O Rei tinha o poder de ler a mente da pessoa que envolvesse em seus braços. Ao saber de todos os descaminhos de Hiei, ficou encantado. Mas quem não ficaria! Por ter sua pedra, poder-se-ia pensar que tinha alguma relação antiga com o Andarilho, mas era apenas coincidência: achara-a na mata, casualmente, há alguns anos, talvez no mesmo dia em que Hiei a havia perdido.

 

Mokuro julga que ainda não era hora de Hiei morrer. Leva-o a uma sala de reabilitação e o mergulha em um líquido revitalizante. Despe-se, revelando sua real natureza: genitália feminina; ao invés de Rei, Rainha. "Não queria ver meu corpo?" Não consta se o convalescente estava ou não de olhos abertos, e de ouvidos atentos. Mas talvez seu Terceiro Olho nunca descanse... Seja como for, com ou sem testemunhas que os valham, os seios duros e pequenos de Mokuro dançam diante do convalescido corpo do youkai, imerso no estranho líquido azulado, como que sentado e atado a muitos fios. A vulva da autoridade suprema lateja em desejos pérfidos. Não se sabe o que passa na mente de Hiei. Ou se passa realmente alguma coisa. Talvez delírios sobre uma infância sofrida e uma terra distante. Suas lembranças são num sépia azulado, não por causa do líquido, mas por causa do que ostenta, agora, no pescoço... O colar de corrente foi devolvido ao legítimo dono.


Mokuro nomeava Hiei, naquele momento, como comandante-general de sua grande tropa na luta contra os outros dois Reis pela conquista total dos territórios do Makai. Tratava-se de uma guerra tripolar entre os três seres mais fortes do Makai, de interesses divergentes, Mokuro, Raizen e Yomi. Embora este último fosse o de carisma mais baixo e odiado pelos outros dois, Mokuro e Raizen também não se bicavam de todo. A falta de consenso girava em torno da questão alimentícia: não havia mais o que comer nas Trevas, sendo a última alternativa a carne humana, do outro lado do portal. Raizen, o mais forte, era contra o canibalismo e já não comia há 1000 anos, a mesma idade da guerra. Sua estimativa de vida era então de apenas mais alguns meses. E isso poderia mudar o estratagema dos outros dois. Mokuro era neutra quanto à antropofagia. Yomi radicalmente a favor.

 

Outro fator importante: Yusuke se revelara filho de Raizen e desde a luta com Sensui chegara ao Mundo das Trevas para ser treinado pelo soberano convertido há um milênio ao anti-canibalismo, justamente por ter desposado uma humana e inoculado seu sangue na raça terráquea. Yusuke sucederia seu pai, seria o primeiro homem-rei do Makai. E Kurama fôra chamado por Yomi, porque ambos haviam sido muito ligados na encarnação anterior de Kurama. O que quer dizer que aquele time que já lutara unido pelo menos três vezes teria de se confrontar mortalmente em pouco tempo...

 

Pulemos para dali a 365 dias: a morte de Raizen precipita uma decisão de Yusuke Urameshi. O novo Rei propõe a realização de um torneio de Reunificação do Mundo das Trevas, em que todos que quisessem poderiam participar individualmente e os Três Reis abdicariam de seus tronos. A princípio, Yomi não aceitaria, pois planejava matar os outros e chegar ao poder pelos seus próprios meios, mas como Mokuro foi favorável, pelo jogo de forças não houve outra alternativa a não ser que o torneio se realizasse. E até lá, haveria trégua total entre os reinos.

 

Mokuro e Hiei chegaram a se enfrentar no dito torneio, com vitória de Mokuro. Mas os combates não eram letais, porque reinava um espírito de paz e reconciliação entre os competidores, e Mokuro não tinha a intenção de assassiná-lo, de qualquer forma. Mokuro, por sua vez, perderia para outro lutador em uma fase mais avançada do torneio, e o novo Rei e campeão seria um velho amigo de Raizen. Seu pedido como novo governador das Trevas era que seu povo interrompesse o consumo de carne humana e aprendesse a tocar a vida de alguma outra maneira. Estabelecia-se democracia entre os monstros, como em muitos países da própria Terra. No entanto, a eleição não deixava de ser peculiar: dali a alguns anos, um novo torneio seria promovido, e mesmo o atual Rei não teria a menor autoridade dentro dele, a menos que fosse o melhor dentre os competidores de mãos nuas. Uma democracia calcada nas artes-marciais e no instinto guerreiro!

 

Assim a paz do lado de lá do portal foi selada, uma bela lição até para nós. Hiei se separou de Mokuro, que parecia amá-lo e cobiçá-lo do fundo de sua alma feminina, mas preferiu que ela ficasse de novo com a pedra azul que um dia foi sua, como lembrança dos tempos que passaram juntos. Quanto à pedra de Yukina, Hiei pediu a Kurama que lha entregasse quando este voltasse ao Mundo dos Homens, e que lhe dissesse, ainda, que o irmão dela estava morto. Era a decisão final de Hiei: preferia ficar nas Trevas, esquecer que já teve uma família. Kurama não estava de acordo: achou melhor que seu amigo permanecesse com a pedra. E que a entregasse pessoalmente a Yukina, se realmente se importasse com esse símbolo, perto do fim da vida, quando sentisse adequado, pois nossa cabeça muda, e quem sabe um dia olhemos para as questões do passado com muito mais distanciamento e serenidade! Nenhuma palavra a mais precisava ser dita entre os dois amigos: mesmo que teimoso, Hiei seria cúmplice dos planos sapientes de Kurama até no próprio Inferno!

 

Depois de tudo, Hiei voltou a ser o Andarilho Triclope, apreciando recostar-se a uma árvore e mirar o horizonte dentro da enigmática pérola azul... E ainda não chegaram novas notícias dele.

 

* * *

 

(1) Modificação: na trama original, Hina havia simplesmente se apaixonado por um forasteiro. Decidimos adicionar dramaticidade à estória.

 

(2) Como já notificado, homem é o sentido genérico de youkai, neste universo. O que significa qualquer tipo de criatura monstruosa. Mas muitos youkais se assemelham de fato a humanos. Este homem que achou Hiei era indiferenciável de um terráqueo, exteriormente. Acontece que muitos youkais possuem duas formas, se não forem exclusivamente monstruosos: uma mais pacata, parcial ou totalmente análoga à dos humanos que conhecemos; e a outra que é a forma que utiliza quando está em combate. Neste caso, os homens que adotaram Hiei apresentam um aspecto inofensivo na forma simples (a não ser, é claro, por seus semblantes de caçadores, seus modos rudes e suas barbas mal-cuidadas); seus músculos crescem e eles desenvolvem um único chifre no topo da cabeça quando precisam de mais força para guerrear.

 

(3) Externamente, este youkai era como um homem "comum", embora muito alto e forte, além das características bisonhas narradas no decorrer deste parágrafo!

 

 

(4) Não confundir: localizado no Mundo dos Homens.


* * *


FICHA BIOGRÁFICA

Nome: Hiei

Sobrenome: Inexistente ou desconhecido

Raça: Koorime

Lugar de Nascimento: País das Mulheres de Gelo, no Mundo das Trevas

Sexo: Masculino

Ocupação: Andarilho

Parentes Conhecidos: Hina (mãe, falecida); Yukina (irmã gêmea)

Características Físicas: a) Possui uma aparência humanóide: 1,60m na idade adulta; franzino; aproximadamente 40kg; cabelos pretos espetados com mechas brancas frontais, centralizadas; olhos pequenos e vermelhos; sobrancelhas sempre arqueadas ameaçadoramente; semblante fechado. b) Em combate, transforma-se em Oni (monstro): seu Jagan (Olho Demoníaco ou Terceiro Olho), que costuma estar na coloração azul, se abre; em último caso sua pele se esverdeia e outros olhos crescem no tronco e nos braços.

Vestimentas Habituais: Batina e sapatos negros; gola branca; usualmente, uma camisa azul ou preta por debaixo; calça da mesma cor, geralmente com elásticos ou faixas vermelhos ou brancos. Meias brancas altas, a calça é colocada por dentro dessas meias para não prejudicar na movimentação. O Conjunto de cores das roupas costuma ser exatamente a reprodução dos matizes dos seus cabelos. Está com um dos braços ou a testa constantemente enfaixados, devido à utilização prolongada de suas técnicas.

Características Psicológicas: Tais quais suas cores, um personagem yin-yang (?!); lacônico; pragmático; orgulhoso; fiel a causas pontuais (tornar-se mais forte, encontrar sua irmã, cumprir promessas); cético com relação a humanos e youkais; no fundo, pensa que já pode ter matado demais e que seria hora de evitar fazê-lo (conforme evolui como lutador), ao mesmo tempo desdenhando a própria vida.

 

Curiosidade Adicional: Carrega o fardo de ser a "Criança Maldita" de sua tribo de origem.



Escrito por a mosca filosófica às 11:23
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ESSE DIA FOI MASSA x VELOCIDADE DA LUZ AO QUADRADO

Agradecimentos a Larissa Macário

 

Curioso como a Matemática Grega recebe a alcunha "do Pequeno" porque se restringe ao visível; isto é, Euclides jamais se preocuparia com distâncias para os astros do firmamento. De qualquer forma a abóbada do céu era algo que se encontrava bem próximo dos Mortais e não tinha profundidade ou "Ser" alguns. Mas curioso por quê? Porque a Matemática do Ocidente, sua singular antípoda - tendo dela brotado -, é chamada, em contrapartida, "do Infinito". Como é fácil de deduzir, nada mais Nano - com maiúscula - e Fisicamente Irrelevante que esta arte-ciência abstrata que (tenta) abarca(r) o ilimitado. Diante da representação do choque de átomos e partículas qualquer QUADRINHO grego é colossal. Somos poeira das pirâmides justapostas, ou melhor dizendo, pontinhos. Coordenadas. Sinto uma pontada. Qual é o raio dessa dor?

 

 

P.S.: O povo mais curioso pelo movimento imparável foi quem inventou a fotografia. Aprisionou a carne numa chapa.

 

Pô ema com creto

O TAMANHO DO NÚMERO//

O INANE ESTÁ VIVO//

UMA CASCA DE NÓS (EU&VOCÊ) QUE NADA CONTÉM(PLA)//

MICRÓTICA DO ANTIPODER//

O DEZ BILHÕES ABSOLUTO (QDO. TUDO CONGELA POR EBULIÇÃO)//

UMA EBULIÇÃO DE VIDA OU DEVIDA//

EN ESPAÑOL = ENERGÍA SIN-ÉTICA//

O IMPERATIVO CATEGÓRICO: TU DEVE(N)S!//

O HIPERATIVO CATEDÓRICO DRA(MÁ)TICO//

O APERITIVO GÓTICO//

A COR DO ÁTOMO.



Escrito por a mosca filosófica às 20:24
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"TERMINA PRIMEIRO!" "NÃO, TERMINA VOCÊ!"

Texto originalmente postado Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2010

 

Preciso dar um crédito à Raquel: teria alguém me dito algo realmente sábio em meses? “As coisas – a fidelidade, principalmente – acontecerão naturalmente quando você encontrar a mulher certa”, foi isso mais ou menos o que ela disse! Vamos, dos galhos quebrados eu já estou farto!

 

Dificilmente um homem de uma sociedade emo (hiper-afetiva) aprende – e porque sua experiência inicial é quase toda televisiva – a amar logo da primeira vez... Precisa aprender a segurar a vara quando o peixe grande morder a isca; precisa resistir ao canto da sereia. Talvez a mulher permaneça “burra” todas as vezes, seus amores, tanto quanto suas vaginas exalam um odor forte e nauseante, cheiram a reprise. Aquela que eu conheci estava no quarto relacionamento – ou mentia – e tinha um arcabouço realmente risível de pobre, me parece até que eu ensinei tudo a ela, àquela que me desvirginou! No fim, não era tanta a malícia...

 

 

E hoje, se ela aprendeu, é porque ama feito um homem (e outros menos perspicazes diriam: ela ama um homem feito!). Se fosse este o caso, o caso dos parênteses, ela poria tudo a perder, por mais que os seus próximos setecentos anos estivessem avalizados... Então minha fêmea, a que eu procuro, ama como um homem? Será a miragem baseada neste próprio amor antigo que se isenta das falhas mais graves, como se fosse a desforra, uma nova lua-de-mel com ela. Reconciliada. Gênio difícil, mas se o cachorro é bravo e morde a mão de quem entrega a comida em sua boca, que tal jogá-la através das barras da grade? E só depois, com muita confiança, ir receber suas lambidinhas? E pensar que eu quase cometo uma besteira – viajar para o Norte, sem lenço nem documento! Ó, termodinâmica! Aquela prostração, dois pombinhos amuados, indefesos, no meio de um escarcéu de deficientes e leprosos, na Rodoviária! Mas então, quem retomava a frieza, quem era sempre fria, beirando o calculismo mais boçal? Ela sem dúvida assumia o controle, e me ludibriava, me ludibriava bem demais! Eu me submetia a seus caprichos, mas no ano-novo eu quebrei o encanto! Era um acaso bem raro, que dolorido, não? Só que ela mergulharia em qualquer outra brecha que se revelasse! Eu acho até que ela foi bem mais cínica que isso, foi bem mais “antecipadora do conjuntural”, escolheu a dedo a data no calendário com semanas, meses de sobra, só para se alegrar com seu malogro invisível sobre mim, seu boneco! Se eu me comportasse como homem, eu a teria traído, nas ocasiões que (penso que) tive, e muitas? Não é de se espantar que muitas vezes o pornô seja uma ostentação de autoria feminina, uma crueldade com “a” ao invés de “o”... Quem diria: estamos diante do homem-objeto!



Escrito por a mosca filosófica às 19:50
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POURQUOI TOUT N'A-T-IL PAS DÉJÀ DISPARU?

Jean Baudrillard

 

Préface - François L'Yvonnet

 

"<Pourquoi il a-t-il rien plutôt qui quelque chose?> C'est la question de Leibniz, exactement inversée. C'est aussi une manière radicale de congédier [licenciar; dar férias a] la métaphysique."

 

"Il faut apprendre à danser avec le rien; c'est le grand jeu et le grand style"

 

DIC - colombe légère: pomba leve

 

"Nihilisme? Non, le nihilisme est justement l'oubli du rien."

 

* * *

 

"Quand je parle du temps, c'est qu'il n'est pas encore"

 

"Trata-se de desaparição, não de esgotamento [d'épuisement], extinção ou exterminação."

 

analisar é dissolver, nomear é matar, concentrar é esquecer e abandonar:

 

"Ainsi la lutte de classes existe à partir du moment où Marx la nomme. Mais sans doute n'existe-t-elle, dans sa plus grande intensité, qu'avant d'être nommée."

 

ressuscitem o niilismo!

colem-lhe a cabeça!!

 

DIC - chouette: coruja

 

"A globalização: (...) talvez que ela já não esteja mais no seu apogeu e que já estejamos enredados num outro movimento, qualquer outra coisa."

 

"Assim o mundo moderno que entrevia Marx, impulsionado pelo trabalho do negativo, pelo motor da contradição, se tornou, pelo próprio excesso de seu completamento, um outro mundo onde as coisas para existir não dependem mais de seus contrários, a luz não tem necessidade da sombra, nem o feminino do masculino, o Bem do Mal - o mundo não precisa mais de nós [, do conceito de mundo, em última instância]."

 

"le projet prométhéen de maîtrise de l'univers, d'une connaissance exhaustive"

 

"l'apoptose, ce processus par lequel des cellules déclenchent leur autodestruction" apoteose da apoptose

 

"Dieu disparaît, mais il laisse derrière lui son jugement."

 

"un sourire de chat est déjà terrifiant, mais le sourire sans le chat l'est bien plus encore..."

 

"C'est l'analyse que (sic) faisait également de la religion le cardinal Ratzinger [?!] lui-même: une religion qui s'assimile au monde, qui se et au (sic) diapason du monde (politique, social, etc.) devient superflue."

 

"On ne libère pas la photographie!"

 

"Symptomatique est le privilège exhorbitant accordé au cerveau, non seulement dans le neurosciences, mais dans tous les domaines."

 

une fable faible   une faible fable

 

"Le pire pour nous, c'est justement l'impossibilité d'un monde sans retour-image, tel qu'il ne soit pas sans cesse ressaisi [reprisado], capté, filmé, photographié, avant même d'être vu." Minhas excitantes namoradas de facebook.

 

 cheiropoétique - fabricação humana da imagem

acheiropoétique - fabricação divina/autômata d'img.

eu produzo minha cara? Não mais, self-ie, ela é divina e impessoal.

 

"La tentation poétique de voir le monde en notre absence, exempt de toute volonté humaine, trop humaine?"

 

Shake is pire! Des écrivains

 

“<Symbole d’une dispersion vivante, l’araignée idéale, qui tisse sa toile et qui est simultanément tissée par sa toile.

 

Mieux encore: je ne suis ni la mouche qui se prend dans la toile, ni l’araignée qui tisse sa toile, je suis la toile elle-même, rayonnante dans toutes les directions, sans aucun centre ni rien qui ressemble à mon être propre.>”

 

Eu tenho um propósito, o leitmemotiva, disse a puta.

 

“Et comment le monde peut-il être si vulnérable à cette liquidation, à cette dictature de la réalité intégrale, et en être fasciné – non pas exactement par le réel, mais par la disparition de la réalité? Avec ce corollaire: d’où vient la fragilité, la vulnerabilité de cette puissance mondiale, à des événements mineurs ou insignifiants en soi (rogue events, terrorisme, mais aussi les images d’Abou-Ghraïb, etc.)?”

 

Les mineurs meneurs!

 

* * * hors contexte

 

"le 11/9 aurait constitué un événement dont tout le monde aurait rêvé, parce que chacun rêve de la destruction de la puissance américaine"

 

* * *

 

“Au commencement était le Verbe.

C’est seulement après qu’est venu le Silence.

La fin elle-même a disparu...”

 

 

Janeiro de 2007 [!]



Escrito por a mosca filosófica às 19:37
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O LIVRO QUE NÃO DEVERIA TER LIDO (NO CIO DA RÃ)

"Havia terminado meus estudos e, para enganar meus pais, mas sobretudo para enganar a mim mesmo, fingi trabalhar numa tese."

 

“Nós só nos tornamos verdadeiramente líricos após um profundo problema orgânico.” 13 16 19 22(?) 25(??)...

 

"O pressentimento da loucura dobra a partir do medo da lucidez durante a loucura: o medo dos momentos de retorno a si mesmo, quando a intuição do desastre arrisca engendrar uma loucura ainda maior. É por este motivo que não há salvação por meio da loucura. Adoraríamos o caos, mas temos medo das suas luzes. Toda forma de loucura é tributária da condição e do temperamento orgânicos. Como a maioria dos loucos surge dentre os depressivos, a forma depressiva é fatalmente mais propagada do que a exaltação feliz e transbordante."

 

"Viver na história perde então toda a significação, pois o instante é experimentado tão intensamente que o tempo desaparece perante a eternidade." "Somente o pensador orgânico é capaz deste tipo de seriedade, na medida em que para ele as verdades vêm de um suplício interior mais do que de uma especulação gratuita."

 

"que uma lágrima tem sempre fontes mais profundas do que um sorriso."

 

"A revelação da imanência da morte é alcançada geralmente por meio da doença e dos estados depressivos."

 

"Se as doenças têm uma missão filosófica (...)"

 

"É certo que as únicas experiências autênticas são aquelas que nascem da doença."

 

Mas eis que para o doente a morte e a própria doença já são indiferentes; para o sadio, a perspectiva da doença, do estado doentio, é já a não-vida.

 

"Toda doença provoca um heroísmo"

 

"O que poderia opor, então, o idealismo e o racionalismo? Nada"

 

"Toda tentativa de enxergar os problemas existenciais sob o ângulo da lógica é condenada ao fracasso."

 

"Enquanto não se está reduzido a cinzas, não se pode obter a filosofia lírica - uma filosofia em que a idéia tem raízes tão profundas quanto a poesia."

 

"Vaidade da compaixão"

 

"Somente um medíocre desejará, para morrer, atingir o estado da velhice."

 

Todo o discurso moralista de um pai poderia ser resumido numa frase: "Eu nasci primeiro, logo sou superior."

 

"só a repetição permite atingir a embriaguez da eternidade, onde as volúpias têm algo de supra-terrestre"

 

"falando da vida, nós mencionamos instantes; falando da eternidade - o instante."

 

"Aqueles que são predispostos à contemplação da eternidade, tais como os mestres orientais, ignoram nosso áspero combate para transcender o tempo"

 

“Para algumas pessoas, nenhum ganho importa, porque eles (sic) são irremediavelmente infelizes e solitários. As lágrimas somente são quentes na solidão.”

 

"Após terem atingido os limites da vida, terem vivido com exasperação todo o potencial destes perigosos confins, os atos e gestos cotidianos perdem todo o charme, toda a sedução."

 

"A sensação de não poder mais viver após tais vertigens resulta igualmente de uma consumação interior. As chamas da vida ardem num forno de onde o calor não escapa. Estes que vivem sem preocupação com o essencial são salvos desde o início; mas o que eles têm a salvar, eles que não conhecem o menor dos perigos? O paroxismo das sensações, o excesso da interioridade porta-nos a uma direção eminentemente perigosa, já que uma existência que toma consciência demais das suas raízes pode apenas negar-se a si mesma."

 

"No apogeu do desespero, somente a paixão do absurdo impede ainda a explosão de um caos demoníaco."

 

"Eu rio porque as montanhas não sabem rir, nem os vermes da terra cantar. A paixão do absurdo nasce somente no indivíduo em que tudo foi purgado, a este que é mais suscetível de submeter-se a temíveis transfigurações futuras. A quem tudo perdeu só resta esta paixão. Que charmes poderiam, a partir de então, seduzi-lo?"

 

"Existem pessoas que são condenadas a saborear somente o veneno das coisas, para quem toda a surpresa é dolorosa e toda a experiência uma nova tortura. Este sofrimento, será dito, tem razões subjetivas e procede de uma constituição particular: mas existe algum critério objetivo para medir o sofrimento? Cada um conservará seu próprio sofrimento, crendo-lhe absoluto e sem limites. (...) nós mesmos sofrendo, o sofrimento presente ou passado dos outros em nada nos importa (...) A vida seria decididamente impossível se a intensidade de nossos sentimentos pudesse ser lida nos traços de nosso semblante. Nenhuma pessoa ousaria mais, então, mirar-se no espelho, porque uma imagem a um só tempo grotesca e trágica misturaria manchas de sangue aos contornos da fisionomia; feridas sempre abertas e rios de lágrimas incontíveis."

 

"Quanta solidão nos é necessária para atingirmos o espírito? Quanta morte em vida nos é necessária e quanto fogo interior!"

 

"O cansaço separa o homem do mundo e de todas as coisas. (...) A fonte da melancolia encontra-se, por conseguinte, numa região em que a vida é frágil e problemática. Assim explica-se sua fertilidade para o saber e sua esterilidade para a vida."

 

"Quanto mais a consciência da infinitude do mundo se torna aguda, tanto mais o sentimento de sua própria finitude se intensifica."

 

"A melancolia, mesmo a mais sombria, é antes um humor temporário que um estado constitutivo; ela jamais exclui totalmente o devaneio e não permite, portanto, assimilar-se a uma doença."

 

"A preocupação com o sistema e com a unidade não foi e nem jamais será o lote daqueles que escrevem nos momentos de inspiração, quando o pensamento se torna uma expressão orgânica obediente aos caprichos dos nervos. A unidade perfeita e a busca por um sistema coerente indicam uma vida pessoal pobre em recursos, uma vida esquemática e rasa da qual estão ausentes a contradição, a gratuidade e o paradoxo."

 

"Pode-se estar triste em qualquer lugar; mas, enquanto os espaços abertos privilegiam a melancolia, os espaços fechados aumentam a tristeza."

 

 

"Aqueles que, ao contrário, sentem intensamente o ódio, o desespero, o caos, o nada ou o amor, que cada experiência consome e precipita em direção à morte; aqueles que não podem respirar abaixo dos cumes e que estão sempre sós, ainda mais quando estão cercados de gente - como poderiam seguir uma evolução linear ou cristalizar-se em sistema? (...) As grandes tensões desta vida conduzem ao caos, a uma exaltação vizinha da demência. (...) Quem quer que desaprove os estados caóticos não é um criador - quem quer que menospreze os estados doentios não é qualificado para falar do espírito."



Escrito por a mosca filosófica às 21:59
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"O que singulariza [a tristeza] de maneira extremamente significativa é sua aparição bastante freqüente em seguida a certos paroxismos. Por que o ato sexual é seguido de abatimento, por que alguém fica triste após uma formidável embriaguez ou um debordamento dionisíaco? (...) Nós nos entristecemos após certas conquistas porque, ao invés do sentimento de ganho, provamos o de perda."

 

"Pensar o tempo todo, colocar-se problemas capitais a cada instante e experimentar uma dúvida permanente quanto ao seu destino; estar cansado de viver, esgotado por seus pensamentos e por sua própria existência para além de todo limite"

 

"Devido a que anátema certas pessoas não se sentem à vontade em lugar nenhum? Nem com, nem sem o sol; nem com os homens, nem sem eles... (...) Minha condição humana irrita-me profundamente. Se pudesse, eu renunciaria a ela sem pensar duas vezes; o que me tornaria então? Um animal? Não há marcha à ré possível. Além disto, eu arriscaria de me tornar um animal consciente da história da filosofia. Tornar-se um super-homem me parece uma impossibilidade e idiotice, um fantasma risível."

 

"Surpreendo-me com que alguns ainda se preocupem com a teoria do conhecimento. Para ser sincero, eu deveria confessar que não dou a mínima para a relatividade do nosso saber, pois este mundo não merece ser conhecido. Às vezes me vem o sentimento de um saber integral que esgota todo o conteúdo do mundo, e às vezes eu não compreendo estritamente nada do que se passa em meu entorno. Eu sinto como um gosto pungente e uma amargura diabólica e bestial que fazem com que o problema da própria morte me pareça insosso."

 

" A sensação da confusão absoluta! Não mais ser capaz de qualquer distinção, nada mais poder esclarecer, nada mais entender... Esta sensação faz do filósofo um poeta."

 

"A dança não é a mais viva expressão da graça? O sentimento da vida, concedido por ela, faz desta uma tensão imaterial, um fluxo de vitalidade pura que jamais excede a harmonia imanente a todo ritmo delicado. (...) Sem dúvida, elas [as mulheres] também não chegam a escapar das doenças e das insatisfações, mas sua graça inocente lhes fornece um equilíbrio superficial que não saberia conduzir a tensões perigosas. (...) O sentimento gracioso da existência não conduz em nada às revelações metafísicas, nem à perspectiva dos últimos instantes, nem à visão das realidades essenciais, que nos fazem viver como se não vivêssemos mais. As mulheres desconcertam: quanto mais pensamos nelas, menos as compreendemos. (...) A mulher tem por missão permitir ao homem escapar da pressão torturante do espírito; ela pode ser uma salvação. Sem ter salvado o mundo, a graça terá, pelo menos, salvado as mulheres."

 

"não existe em todo o reino animal outra fera que queira dormir sem podê-lo." "A vida conserve assim uma agradável descontinuidade"

 

"A ligação é indissolúvel entre a insônia e o desespero." "no inferno, não se dorme jamais"

 

"Eu sou a contradição absoluta, o paroxismo das antinomias e o limite das tensões; em mim tudo é possível, pois sou o homem que rirá no momento supremo, na agonia final, na hora da última tristeza."

 

"Não é hora de declarar guerra ao tempo, nosso maior inimigo?"

 

"Todos deveriam desvanecer para que a vida continue tal como é."

 

"Eu posso viver apenas num começo ou num fim de mundo."

 

"O infinito da ironia anula todos os conteúdos da vida."

 

"A ironia daqueles que sofreram não tem nada em comum com a ironia fácil dos diletantes."

 

"ser irônico consigo mesmo apresenta sempre a forma trágica da ironia."

 

"compreende-se bem o fato de que aqueles que mal passaram do estágio animal ou vegetal aspiram à condição humana. Mas todos os que sabem o que esta condição significa procuram tornar-se qualquer outra coisa que não seja humana."

 

"Aqueles que amam de uma grande paixão não saberiam amar várias mulheres de uma só vez: quanto mais a paixão tem força, tanto mais seu objeto se impõe. (...) figuremo-nos um homem sem uma mulher em que concentrar seu amor: o que restaria, senão uma plenitude de amor? Não existem homens devotados a grandes potencialidades amorosas, mas que jamais amaram deste amor primordial? (...) O entusiasta é eminentemente uma pessoa não-problemática. (...) Os espíritos problemáticos não podem resolver nada, pois não amam nada. (...) O mito bíblico do pecado do conhecimento é o mais profundo que a humanidade jamais imaginou. (...) O conhecimento confunde-se com as trevas."

 

"Convencido de que a miséria está intimamente ligada à existência, não posso aderir a nenhuma doutrina humanitária."

 

"Frente à miséria, tenho vergonha até da existência da música."

 

"Com efeito, assim como a música, a metafísica surge da experiência do infinito."

 

"a música exige uma tensão tão grande que se deveria, depois de tais momentos, cair num entorpecimento."

 

"Os mortos duvidam de tudo - à exceção da morte." Não seria o contrário?

 

"Encontramos seres cuja mera presença significa para o outro agitação, lassitude, ou ainda, iluminação."

 

"Os homens geralmente trabalham demais para que possam permanecer fiéis a eles mesmos." "o homem se desinteressa então de seu próprio destino, de sua evolução interior, para se ligar a qualquer outra coisa."

 

"eu prefiro uma preguiça compreensível a uma atividade frenética e intolerante."

 

"Um tédio orgânico leva então os nervos e a carne a um desespero do qual eles somente podem escapar tentando todas as formas possíveis da volúpia."

 

"Nada repugna mais do que o vício aprendido, tomado de outrem e incorporado"

 

"Um indivíduo dotado de elã [ou élan: impulso; entusiasmo; energia; sentimento de potência] consegue viver um grande número de depressões a cada instante." "Não há, com efeito, um paradoxo aí?"

 

"Nos grandes solitários, e nos fundadores de religiões, o elogio do silêncio tem raízes muito mais profundas do que se imagina."

 

 

"O desprezo que todo psicólogo sente pelo outro envolve uma auto-ironia tão secreta quanto ilimitada. Ninguém faz psicologia por amor: mas antes por uma vontade sádica de exibir a nulidade do outro" "Nenhum psicólogo começa pelo ceticismo, mas todos chegam a ele. Este fim constitui o castigo da natureza ao profanador de mistérios"



Escrito por a mosca filosófica às 21:58
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AS 6 ABORRECIDAS MEDITAÇÕES DE DESCARTES

[traduções livres de minha pessoa]

 

"il est impossible que l'idée de Dieu, qui est en nous, n'ait pas Dieu même pour sa cause."

 

"qu'il y a un monde, que les hommes ont des corps, et autres choses semblables, qui n'ont jamais été mises en doute par aucun homme de bon sens."

 

"il me fallait entreprendre sérieusement une fois en ma vie de me défaire de toutes les opinions que j'avais reçues jusques alors en ma créance, et commencer tout de nouveau dès les fondements" Que ingênua criança!

 

"eu me obrigaria seriamente uma vez na vida a me desfazer de todas as opiniões que eu tinha recebido até então, e começar tudo de novo desde os fundamentos"

 

"Car, soit que je veille ou que je dorme, deux et trois joints ensemble formeront toujours le nombre de cinq, et le carré n'aura jamais plus de 4 côtés"

 

"si ce n'est peut-être que je me compare à ces insensés de qui le cerveau est tellement troublé et offusqué par les noires vapeurs de la bile qu'ils assurent constamment qu'ils sont des rois lorsqu'ils sont très pauvres; qu'ils sont vêtus d'or e de pourpre [púrpura] lorsqu'ils sont tout nus; ou s'imaginent être des cruches [recipientes] ou avoir un corps de verre. Mais quoi? ce sont des fous"

 

"Je suis, j'existe, est nécessairement vraie, toutes les fois que je la [?] prononce, ou que je la conçois en mon esprit."

 

"il a eté beaucoup plus difficile, que moi c'est-à-dire, une chose ou une substance qui pense, soit sorti du néant, qu'il ne me serait d'acquérir les lumières et les connaissances de plusieurs choses que j'ignore."

 

"Acostumado em tudo o mais a fazer distinção entre existência e essência, me persuado facilmente que a existência pode ser separada da essência de Deus, e que assim, pode-se conceber Deus como não sendo de fato. Mas finalmente, quando reflito mais atentamente, acho que existência e essência, de Deus, não podem se separar, ou podem se separar tanto quanto a essência dum triângulo retângulo da grandeza de seus três ângulos iguais a dois ângulos retos, ou tanto quanto podemos falar de uma montanha sem lembrar um vale; não há, em conclusão, menos repugnância em imaginar um Deus (ser soberanamente perfeito) sem existência (a quem falta a perfeição) que em conceber uma montanha que não tem depressão."

 

"como me caberia imaginar um cavalo alado, mesmo que não haja nenhum com asas, eu poderia também atribuir a existência de Deus à pura força da imaginação."

 

"a certeza e a verdade de toda ciência dependem apenas do conhecimento do autêntico Deus: antes que eu o conheça, não posso saber perfeitamente de nada. Mas agora que já passei a conhecê-lo, tenho meios de adquirir uma ciência perfeita no tocante a uma infinidade de coisas"

 

"não há qualquer dúvida que tudo aquilo que a natureza me ensina contém alguma verdade. Porque por natureza, considerada em geral, eu não entendo outra coisa senão Deus mesmo"

 

 

"Devo rejeitar todas essas dúvidas de dias passados como hiperbólicas e ridículas [ahhh!], particularmente essa incerteza tão genérica a respeito do sono, que não podia distinguir da vigília: no presente, encontro uma notável diferença entre o que a nossa memória pode e não pode ligar e juntar, antes do despertar ou no curso da vida, a depender da situação"



Escrito por a mosca filosófica às 13:27
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OS IDOS DOS PIN(486684)GUÇOS NOS IS

Uma reflexão talvez no lugar errado...

 

 

“...caso o mundo fosse atingir a um fim, esse fim já teria sido alcançado...” – na verdade o retrato perfeito do uma-vez-enigma é o século XX: nenhum século mais metafísico; sobretudo em sua primeira metade, que é o esporro que precede a tristeza do homem no coito, a lava expelida de quando em nunca pelo vulcão: a batalha das ideologias-mater – O CONFRONTO FINAL (no meio do texto!) – sem final!... Os liberais, os nazistas, os eugenistas, os nacionalistas, os comunistas, os comedidos (e também os bebedidos), os estadistas, os porra-loucas, os cultuadores de OVNIs, as machistas, os afeminados e até os artistas e autistas e desportistas e modistas e pacatos e mulatos já tiveram sua chance... agora vamos reiniciar o jogo, todos-contra-todos sem uniforme ou árbitro pré-pós-bem-ante-defin(ha)ido



Escrito por a mosca filosófica às 22:14
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PRECESSÃO MUITO RÁPIDA

Universo deveria estagnar - mas ele só explode e implode

Me deixa zonzo, mais zonzo do que deixou Baud rillard alarde baldio ball ard room neon ZAC! Baude dragon's lair. Já não consigo nem sentir o cheiro das flores do pomar!

 

Morder uma banana pecadora, fruto da onipotência.

Introduzir nos anais

uma hipóstase consolar verdadeira e tecnicamente autêntica

cônsular, cansou, cancerteiro, concerto, coinserto ar de "A" serto.

 

Mas fato é que do australopiteco até mim nada se passou, foi tudo num piscar e já

 

ele teria querido tomar uma aspirina câncer teza



Escrito por a mosca filosófica às 11:04
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LA COMEDIA NUEVA O EL CAFÉ (1792)

MORATÍN, Leandro Fernández de,

 

"Hombre, dificil es esplicártelo. Reglas son unas cosas que usan allá los estrangeros, particularmente los franceses." D. Antonio

 

"no tiene reglas la comedia de hoy?"

 

DIC - diantre: "com mil demônios!"

 

"- en un café jamás debe hablar en público el que sea prudente.

 

- Pues qué debe hacer?

 

- Tomar café."

 

"usted dirá"; "muger"; "sugeto"; "hará"

 

"No por Dios, no lo lea usted."

 

"y esto se imprime, para que los estrangeros se burlen de nosotros!"

 

"si hoy dia no se puede escribir nada, nada, que no se muerda y censure... disparates!"

 

"conclucion"

 

"cómo me gustan á mí las comedias en que hayy traidor!"

 

"Buenos tardes"

 

Más cercano del portugués!

 

"pero lo diré en griego para mayor claridad:

Etsi de ton mython oi men aploi, oi de peplegmenoi Cigar ai praxeis... (...) Cai gar ai praxis on mimesis oi..."

 

Com efeito, me fez rir em pleno trabalho à p. 31 - exploté de risas

 

"Véanse los dramas griegos, y hablarémos que Anaxipo, Anaxándrides, Eupólis, Antifanes, Pilipides, Cratino, Crates, Epicrates, Menecrates y Perecrates..."

 

"Y los mas celebérrimos dramaturgos de la edad pretérita, todos, todos conveniéron nemine discrepante en que la prótasis debia preceder á la catástrofe necesariamente" D. Hermógenes

 

"Díganle ustedes que el teatro español tiene de sobra autores chanflones" D. Pedro de Aguilar, o sincero

 

"- Bien dice Séneca en su epístola diez y ocho, que...

 

- Séneca dice en todas epístolas, que usted es un pedanton ridículo, á quien yo no puedo aguantar."

 

"hay quien me llama pedante, casquivano, y animal cuadrúpedo."

 

"léjos"; "ó" (para "o")

 

"relox"

 

"si la silvan, yo no sé lo que será de mí." Silvo Silvana

 

"Pues ¿quién ama tan de veras como yo?"

 

"cuando le pregunto cualquiera friolera, casi siempre me responde en latin"

 

"para lar mugeres instruidas es un tormento la fecundidad."

 

"lo mismo la trataba que á un perro."

 

"y que mas elogio merece la muger que sepa componer décimas y redondillas, que la que solo es buena para hacer un pisto con tomate, un ajo de pollo, ó un carnero verde."

 

 

"Distingo: poco, absolutamente hablando, niego; respectivamente, concedo: porque nada hay que sea poco, ni mucho per se, sino relativamente"



Escrito por a mosca filosófica às 19:35
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BEM-VINDOS A NAMEKUZEI!

Um besouro branco de olhos azuis na imensidão do cosmo. Esta era a desbravadora dos multiversos, aeronave da poderosa senhorita Bulma Briefs, filha do Dr. Briefs, dono da Corporação Cápsula.

 

A velocidade não é contável como os terráqueos a contam, isto é, em kilômetros por hora. Mas do lado de dentro não se sente nada. Bulma desperta depois de dormir de mau jeito tentando ler um livro de capa dura rosa, reclamando do braço dormente e realmente indisposta. Traja peças íntimas cinzas, que mais pareceriam biquínis desbotados de férias de verão. Ela abre uma cerveja azul que estava derrubada perto do colchão inflável.

 

- Ai, que tédio! Já é o sétimo dia, e essa viagem parece não ter fim! E faltam ainda uns 20! Eu devia ter inventado um dormidor instantâneo e profundo que me pusesse de molho um mês! - e seu ponto final é um bocejo.

 

Ainda pensa: "Será que esses dois também estão dormindo? Ou seria algum tipo de treino? Porque estão sentados nesse chão duro!", ao olhar Kuririn e Gohan, poucos metros à frente. De costas parecem verdadeiramente calmos, mas seus semblantes são agônicos e tensos. Kuririn e Gohan, Gohan e Kuririn, travam batalhas homéricas num "plano interestelar" longe ou não muito dali (?!). Professor Xavier ficaria com inveja destes dois prodígios!

 

Kieizan, multiplicação de corpos, Masenko, Kame Hame Ha... As técnicas são muitas e espantosas... Makankousapou!... Não, não consegui desviar, argh!... Ufa! Não era real... exclamou o careca Kuririn.

 

- Que experiência, Gohan! Você é muito forte! Não me admira ser o filho do lendário Goku e discípulo número 1 do Rei do Mal Piccolo Daimao!

 

- Que isso, Kuririn! Sua técnica também me impressionou muito!

 

- Escutem vocês dois, podem treinar mentalmente o quanto quiserem! Mas este lugar está uma bagunça! Não podiam recolher todo este lixo?! Lembrem que há uma senhorita com vocês, né!

 

- Mas...

 

Madame Briefs estava de pé, descalça, maltrapilha, e bêbada.

 

- mas... esse lixo é... seu!

 



Escrito por a mosca filosófica às 15:36
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- Eu tô muito ocupada! Sou a comandante de bordo! E vocês aí sentados, sem preocupações!!

 

- Ainda há pouco você disse que estava entediada!

 

- O quê?! Podem ouvir os outros enquanto treinam concentrados? Grr... Já não me importa; como pensei que um marmanjo e um garotinho poderiam entender os sentimentos complexos de uma garota fora de série como eu?

 

Sai desfilando com ar afetado. E se espreguiça, chutando inadvertidamente uma das latinhas vazias.

 

- Se ela fosse uma dama não se comportaria assim!

 

Alguns minutos depois, com o cômodo da nave mais limpo... Voltando-se de sua cadeira de pilota e comandante:

 

- Kuririn, queria te perguntar uma coisa... Por um acaso sabe pra onde foi aquele saiyajin sanguinário chamado Vegeta?

 

- O quê?! Como assim?

 

- Ele não podia voltar pro planeta dele já que foi destruído há muito tempo, certo?

 

- É verdade... e ele também estava gravemente ferido. Talvez tenha desembarcado em algum outro planeta civilizado pra poder se curar! Acha que ele pode conhecer tantos planetas?

 

- O irmão mais velho do Goku já tinha comentado sobre isso, lembra? Eles são piratas siderais, vivem para encontrar planetas com meio ambiente equilibrado, matam sua população e depois vendem para outros alienígenas malignos. São muito espertos! Ei... você não acha que ele está num hospital de gente má como ele?!

 

- É possível... Por via das dúvidas, tomara que esteja bem longe da nossa rota! Assim, vamos voltar pra Terra antes dele.

 

- Já dá pra ficar aliviada... por algumas semanas, pelo menos... Ei!... vocês viram? Que brilho foi aquele?

 

- É, eu também vi!

 

- Não é Namekuzei, é?!

 

- Seja o que for, tá indo rápido demais! Na verdade o sensor diz que vai bater na nossa nave a qualquer momento se não modificarmos a trajetória!

 

- Ué, Bulma, mas eu já não consigo ver nada!

 

O alerta vermelho da nave ligou.

 

- Isso só acontece quando estamos perto de objetos e em perigo de colisão! Meninos...

 

Houve um poderoso estrondo.

 

E de repente perceberam, pelo vidro super-reforçado da cabine, que uma nave gigantesca tinha encostado na deles.

 

- Eu não acredito! - Bulma se ergueu - É uma nave de modelo IGUAL ao nosso! Mas esta é a ÚNICA que a Corporação produziu!

 

Então, antes que pudessem raciocinar, algo aconteceu que engoliu os três tripulantes, e eles sumiram do espaço por nós conhecido.

 

Uma espécie de balão negro, negro não, da cor de fundo do universo, quase indistinto, a não ser por um certo verniz, que refletia a pálida luz de estrelas mega-distantes, era o novo envoltório dos nossos heróis.

 

- Onde estamos?

 

- Nós morremos?

 

- Não mudamos de lugar?

 

- Estamos intactos?!?

 

- Não acho que estejamos mais no espaço... Olha... não consigo enxergar nenhuma galáxia... O que vamos fazer, esperar ou sair da nave?

 

- Seria suicídio!

 

- Calma, podemos "medir" o ambiente exterior para termos segurança do que estamos fazendo...

 

- É verdade, Bulma?

 

- Sim, olha só... o computador inteligente diz que estamos num lugar com oxigênio! E que ele não deve ser muito grande, pois a circulação do ar é restrita... Eu acho que chegamos a uma atmosfera habitável, rapazes!!

 

- Oba!!!

 

- Desçamos já!

 

Como se não precisasse fazer cerimônia diante de novos povos e civilizações, e como se não fossem os primeiros terráqueos pisando em outros "países" por aí, Bulma sai com sua roupa indecorosa e sem ao menos calçar uns sapatos ou pantufas. Os outros estão mais dignos, mas não vestem nenhum traje de pompa, como a ocasião pediria.

 

Kuririn, sentindo-se o responsável pelo grupo, coloca o boné do Mestre Kame na cabeça, pede que o sigam e é o primeiro a se adiantar até o elevador. Mas está a matutar consigo: "Droga! Eu devia ter ficado na Terra com o Yajirobe!"

 

Quando já estavam fora:

 

- Oh, não, esqueci completamente de botar uma roupa!

 

- Ué, mas você está vestida, Bulma!

 

- Ahhh, claro que tô, eu tava falando duma calça, ou sei lá! Bom, não faz mal.

 

- Eu espero que você não envergonhe os terráqueos!

 

- Vai logo, Kuririn!

 

- Não me empurre, Gohan!

 

O trio segue por este salão escuro, tão escuro que não dá para ver as paredes... Mas se não venta, e se é possível respirar... intui-se que seja um salão, ora! Até que o caminho se estreita e se transforma num corredor. Kuririn sente a falta de um apoio, já que a vista não ajuda, e se escora na parede.

 

- Mas o que é isso? Eu segurei num cano! Olha a textura disso...

 

- Seria "sente" a textura disso, correto?

 

- Gohan, isso não é hora pa...



Escrito por a mosca filosófica às 15:36
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O cano se retorce fazendo um barulho medonho de engrenagem, e parece mirar o crânio de Kuririn. Buracos são abertos nas paredes e outros canos se revelam, apontando sempre para os três.

 

- São metralhadoras! Corram!

 

E sebo nas canelas dos astronautas intrépidos sem macacões espaciais...

 

Pelo menos a gravidade é igual a da Terra!

 

- Quantos metros mais? Ufa, passou!

 

Ainda no corredor, mas sem perigo ou ameaça aparente, os três descansam, esbaforidos.

 

- Gohan, tome cuidado, este lugar é um mistério!

 

- Ué, Kuririn, foi você que apertou o cano!

 

- Hm...

 

- Escutem! Acho que vocês estão muito relapsos! E se eu levasse um tiro? Vocês têm a obrigação de me proteger mais de perto!

 

Um baque se faz ouvir por detrás deles.

 

- E essa agora? Uma armadilha! Deitaram outro muro por trás de nós e transformaram esse maldito fim de corredor num alçapão pra nós!

 

- Bulma, não se esqueça que nenhuma parede pode nos deter... Preparem-se para um Kame Hame Ha com toda a força e...

 

- Espera, Kuririn, não destrói essa parede! Olha essa gosma verde invadindo as quinas...

 

- Essa não, Gohan, Bulma, recuem! Pode ser um...

 

Ele mesmo dá dois passos desajeitados para trás, seu boné despenca da cabeça e evapora ao tocar no líquido espesso e borbulhante.

 

- Vamos virar sopinha se não sairmos daqui!

 

- Socorro, socorro, o ácido vai se espalhar por todo o ch...

 

Bulma dá um salto e um grito, mas seus pés não mergulham no verde assassino, uma vez que Gohan, que sabe levitar, estava lá para sustentar a dama pelos braços. Kuririn também domina a técnica do vôo e não tem problemas para evitar o pior.

 

- Agora eu vejo que não tem outro jeito senão explodir essa parede! Rezem para não espirrar qualquer coisa na gente!

 

Foi muito fácil fazer desmoronar uma parte do "beco sem-saída" com uma simples magia azul saída das mãos.

 

O longo corredor continuava, às vezes se curvando para um dos dois lados. Só conseguiam ouvir o eco dos próprios passos.

 

- Tudo indica que estamos numa fortaleza militar, e que a raça que procuramos pode não querer nenhum contato, a não ser com mortos!

 

- Bulma, você acha que pode ser uma nave espacial de saiyajin em que a gente entrou? - indaga sem pensar nas palavras o Gohan.

 

- E se o Vegeta vier nos receber, hein?

 

- Não diga isso, Kuririn. Já estou com calafrios!

 

E ela parou.

 

- Ah, vamos, Bulma! No fim podemos estar especulando... E ele morreu agonizando naquela navinha dele pouco depois de ter conseguido fugir da Terra! Há esperanças!

 

* * *

 

"Maldito Kakaroto, você me paga!"

 

é um pensamento sussurrado nalgum canto obscuro da galáxia...

 

* * *

 

- Eu não sei quanto a vocês, mas eu estou com a sensação de andar em círculos!

 

- É, já estou cansada... não tem saída!

 

- Ei...!

 

Kuririn tateia pelo teto, até encontrar um... cano?!

 

- Calma, pessoal, aquilo não vai acontecer de novo! Eu acho que é uma maçaneta... Vamos forçar, venham!

 

- Não consigo! - arremete Gohan. Nem os dois juntos com toda sua força conseguem mover o que parece ser uma portinhola de emergência, quem sabe para um duto de ventilação.

 

- Estou ouvindo algo... Vocês dois, venham! A parede de um dos lados se abriu!

 

- Quem sabe isso não fosse um botão?!

 

- Estranhos esses aliens...

 

- Vamos, então! É mais um corredor. Onde vocês acham que vai d...

 

O chão era retrátil, e é recolhido para fazer nossos 3 heróis perderem a fala. Na verdade eles gritam desesperados, pois estão em queda livre.

 

- Eu vejo estrelas!

 

- Onde?!

 

- Lá embaixo!

 

- Essa não, estão nos expulsando deste lugar e nos ejetando rumo ao nada lá fora!

 

Para Gohan e Kuririn, nada é irreversível. Eles soltam raios amarelos pelas mãos que vão até o exterior e, como um efeito de empuxo, são tragados de volta para cima. Um dos dois segura Bulma por uma das pernas, ou ela estaria perdida.

 

- Sabem, essa coisa toda tá me deixando com fome!

 

- Por que você vem me falar em comida numa hora d...

 

- Percebeu?!

 

- É, está cheirando a frango frito, hm, que delícia!

 

- Onde ainda podemos chegar nesse labirinto sem nexo?! Num restaurante? Acho que estamos ficando doidos...

 

Mas o corredor elíptico tinha mesmo um final, que dava para uma saleta com iluminação, afrodisíaca, cor cereja. Havia uma mesa com iguarias situadas em cima de uma refinada toalha.

 

- Parece que está quente! E olha só quantos talhares...



Escrito por a mosca filosófica às 15:34
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- Pode ser uma armadilha!

 

Mas Gohan não deu ouvidos a Bulma e já foi se sentando. Quando ele segurou uma faca, ela se impeliu sozinha contra o que estava na frente, mas por sorte não pegou em ninguém. Fincou na parede.

 

E logo depois perceberam que era uma operação meticulosamente preparada, porque ela, a faca, acionou um botão, que tocou uma sirene, e que finalmente chamou a atenção dos anfitriões de forma mais direta...

 

- Essa pilastra vai cair em cima de mim! - foi o que Bulma pensou.

 

Os dois garotos ficaram do outro lado, sem saber o que se passou. Mas Bulma não fôra esmagada. Era na verdade a capa dum domo que a envolveu completamente.

 

- Consegue nos ouvir? BULMA!

 

- Me ajudem!

 

- Bulma, por que é que você sempre nos dá problemas? Vamos abrir também essa coisa com um dos nossos K...

 

- Espera...! Não exploda nada, eu estou presa perto da parede, e estão me segurando!

 

- Quem está?!

 

- ELES!

 

Abriu-se o domo, porque o disfarce não era mais necessário. Bulma ficou de refém, e o que se via não eram criaturas de outro mundo, pelo menos não na aparência. Não eram mais estranhos, por exemplo, que Gohan em sua roupa de menino mimado, não podiam nem fazer figura ao temível Sr. Piccolo.

 

Dois garotos antropomorfos apontavam canos grossos para a cara da senhorita Bulma.

 

- Não se mexa, intrusa!

 

Eis que incontáveis outros domos se erguem, como se fossem estruturas infláveis, e deles saem muitos outros "pivetes espaciais", crianças com óculos parecidos com os de nadadores profissionais e roupas de soldados. Incrível como ninguém ali parecia ter mais de um metro e meio.

 

Kuririn e Gohan vêem-se completamente cercados.

 

- Não atirem, não somos seus inimigos! Não existe um adulto com quem possamos falar e resolver esse mal-entendido?!

 

Um dos pivetes, o menos pivete de todos, o líder, se aproximou, com sua pistola em riste e o inconfundível visor. Trajava calças púrpura que pareciam mais largas que seu tamanho e cuja bainha ficava enfiada nas botas surradas. Seu camisolão era cor creme e nas extremidades viam-se luvas verdes, igualmente gastas. Parecia um uniforme desajeitadamente improvisado por uma mente malsã.

 

- Por favor, escutem! Nós viemos de um planeta chamado Terra--ensaiou Gohan, mas foi interrompido rápido demais:

 

- ZUM!

 

Não por uma interjeição, como "cala a boca!", mas por um tiro de plasma da pistola. Uma criança quase de colo, ruiva, chorou.

 

O tiro foi propositalmente no chão, só para assustar. Mas o "susto" era igual um buraco profundo no assoalho da nave espacial. Se Gohan esticasse as pernas meteria o pé dentro da concavidade quente que a arma abriu; saía fumaça da depressão.

 

- Não queremos escutar o que dizem, invasores! - Apesar do tratamento ríspido, eram os corsários que tremiam, e não os garotos capturados.

 

Kuririn quis argumentar, mas o líder disparou uma rajada de 3 tiros com sua arma do futuro; só não contava que Kuririn pudesse desviar tão facilmente, mesmo que tivessem ido à queima-roupa na altura do tronco!

 

- Ei, rapazes! Era Bulma. Eles estão falando a verdade! Falam demais, são meio bobos, mas eles estão dizendo a verdade! -- um dos capangas que a alvejava de perto espremeu ainda mais a pistola à garganta da dondoquinha. Meninos, façam alguma coisa, mostrem a eles!!!

 

Kuririn decidiu explodir seu ki. Fechou os olhos, concentrou-se, berrou alto e chamou a si a espiritualidade do universo, viu que os soldados hesitavam e pareciam querer recuar, sair correndo, como se não estivessem todos armados, como se não fossem uma perversa maioria. Mas antes de completar sua tarefa, Kuririn olhou bem para o chão, onde estava, diante de si, a poucos centímetros, a menininha ruiva que havia esperneado agora há pouco. Ela abraçava um ursinho. Olhou pra cima intrigada (não batia nem na cintura de Kuririn) e deu-lhe um chute na canela. Kuririn não só perdeu toda a concentração de guerreiro como sentiu uma dor imensa, e não pôde disfarçar. Saiu pulando num pé só, agarrando a perna machucada, para, talvez noutra ocasião menos grave, risos de todos, que preferiram não rir da boca pra fora dessa vez.

 

- Ei, fedelha, volta aqui!

 

- Não se mexa -- esbravejou o líder. Se você se mexer eu atiro. E não importa que tente desviar, quando uma bala pegar em você...

 

- Grrr....

 

Entrou um novo soldado na roda, quase da altura do líder, e aparentemente mais corajoso e estourado que seus colegas: - A gente tem que acabar logo com eles, eles são servos do Freeza, eu tenho certeza! O elemento impetuoso tinha uma cicatriz de um dos lados da face, provocada por um desses monstros de quem falava. Ele não usava os óculos de nadador e tinha a íris clara. Talvez isso o dotasse de mais humanidade que o resto, nesta cena onírica e bizarra.

 

- Está certo! Não tenho outra escolha... a não ser matá-los.

 

Mas o líder se sentia sob pressão e suava frio. Nunca matara ninguém antes. Era um imperativo de seu povo, senão...

 

Kuririn sentiu que não podia mais adiar. Ele sabia que ia machucar gente inocente, mas a situação pedia que...

 

Um grave tremor.

 

E o foco das atenções se dissipou.

 

A luz vermelha do sistema de segurança da nave começou a bombardear as vistas dos presentes, intermitentemente.

 

- Zash, temos problemas! É uma chuva de meteoritos!

 

- Que droga, agora não! O líder virou as costas para o grupo refém e saiu correndo para a sala de máquinas.

 

- Vigiem os invasores! Se tentarem qualquer coisa, eliminem-nos. Este era o rapaz corajoso que apareceu por último, que também gostava de dar ordens, e devia ser o segundo na linha de comando.

 

E a ruiva começou a chorar novamente.



Escrito por a mosca filosófica às 15:33
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Os meteoros começaram a causar estragos na fuselagem.

 

- Que estão esperando?! Venham me tirar daqui depressa!

 

Bulma se aproveita que não havia mais vigilantes a oprimindo, embora ainda estivesse amarrada.

 

Kuririn e Gohan voaram num átimo para ajudar a sua amiga. E antes que as crianças maltreinadas pudessem perceber, já não havia intruso algum sob seus olhares ou sob seu domínio.

 

Os três corriam até a sala de máquinas, único lugar onde poderiam fazer alguma coisa para salvar as próprias peles; e, indiretamente, mesmo que não desejassem (mas seus corações puros sempre o desejavam!), as de todos a bordo.

 

Eis que, antes de acessarem o corredor, o teto do amplo salão começou a ceder. Os dois garotos seguraram a estrutura e algumas crianças menores, agachadas e com as mãos na cabeça, puderam agradecer os irônicos salvadores.

 

- Vocês estão bem?!

 

Um garoto tremia muito, mas conseguiu acenar com a cabeça.

 

- Ótimo!

 

Zash observou a cena, no plano de fundo.

 

- Eles são muito fortes! -- também estava atento a tudo o tal corajoso de há pouco.

 

Zash retirou seus óculos que o estavam incomodando e revelaram-se seus olhos verdes. A verdade é que todos os tripulantes dessa esquisita, espelhada e infantil nave tinham olhos verdes, como se fizessem parte de um único e mesmo povo, uma única e mesma raça, mas não como na Terra, onde ninguém poderia deduzir um parentesco remoto entre o Sr. Popo e Tenshinhan, por exemplo. Pareciam solidários na desgraça, e mal sabiam que estavam prestes a descobrir uma verdade esperançosa.

 

Em outro ponto, começou a pegar fogo. Kuririn, sempre mais solícito quando é a voz de uma mulher que clama, correu para ajudar. Zash foi junto.

 

Bulma pensava consigo que poderiam muito bem ser menos amáveis com quem ia matá-los não fosse um fenômeno da natureza e...

 

Um meteoro pegou em cheio no veículo, e a moça do cabelo azul acabou sendo arrematada ao chão.

 

- Ahhhh, idiotas! Quem tá pilotando essa nave, afinal!?!?

 

E seguiu seu caminho para a sala das máquinas. E quando viu que quem comandava o painel não sabia o que estava fazendo, retirou a pessoa à força e começou a operar ela mesma.

 

- O que está fazendo? Esta mulher é louca! Vai nos matar!

 

- Deixa que eu piloto!

 

- Não podemos confiar em você, disse alguém, e já apontou a escopeta a vácuo para sua cabeça novamente.

 

- A gente não precisa da tua ajuda, mulher! - gritou o corajoso.

 

- Eu não estou fazendo isso por vocês, dá licença! Hmmm... vamos ver... Como funciona? Como eles simbolizam o manche... Hm... Ei, cadê o velocímetro?!

 

Os soldadinhos infantis arregalavam os olhos, inteiramente dominados pela presença impositiva da dama enxerida.

 

- Vai logo, me fala onde tá, você quer morrer, é??

 

E o rapazinho que estava com a arma apontada a deixou cair no solo. Não lhe restava alternativa senão obedecer cegamente à nova e inusitada ama.

 

- São os botões à esquerda!

 

Como num videogame em que treinou toda a vida, Bulma conseguia desviar a nave de todos os meteoritos que representavam ameaças ao motor com enorme naturalidade.

 

Enquanto isso, na contenção do incêndio, Gohan mostrava seus dotes sobrenaturais, apagando as chamas com seus feixes de luz azul: como é que essas coisas saíam do corpo dele e obedeciam suas ordens? pensavam as quase-vítimas de uma tragédia cósmica.

 

- Nem as mangueiras tinham surtido qualquer efeito!

 

- Ó!

 

Zash continuava observando, sem tomar a palavra.

 

A tempestade lá fora passou.

 

Bulma finalmente relaxou. Mas...

 

Quando os anfitriões recobraram o ânimo e a razão, pior para as visitas. Kuririn, Gohan e Bulma foram de novo levados ao salão para continuarem o julgamento interrompido.

 

- Não estão vendo que viemos em missão de paz?!

 

- Isso não importa! Conhecemos seus estratagemas! E sei que seus amigos ocasionaram a destruição do nosso planeta! -- Era o discurso do corajoso.

 

- Que amigos?

 

- Não se faça de boba!

 

- Admitam logo que são servos de Freeza! Não salvarão suas vidas com mentiras!

 

- Freeza?!

 

- Ele é o único que viaja assim pelo universo... Ele e suas tropas! Sem temer a ninguém...

 

- É! E a prova disso é quando vimos os dois bárbaros utilizando todo o seu poder...

 

- Gohan, ele nos chamou de bárbaros!!

 

- Bem, eu até concordo com vocês que estes dois aí são bárbaros, mas eu sou uma seguidora fiel do amor e da justiça e, como vocês viram, meu jeito de lidar com as coisas é fugir da violência, e desviar de asteróides! - gostaram do meu controle?! Acho que me devem um agradecimento!

 

- Gente, vamos calar a boca desses astutos do espaço... Eles são bons de lábia, não podemos deixar que nos comovam!

 

- AUTO!

 

- Zash?!

 

- Pessoal, podem abaixar as armas -- ele abriu um sorriso até então inédito na estória.

 

- Zash, o que significa isso?



Escrito por a mosca filosófica às 15:32
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- Não tem nenhum problema! Eles não são quem pensam que são!

 

- Qual é o seu problema, capitão? Foram os amigos desses caras que mataram nossos pais! E agora... não temos um lar!

 

- Se fossem servos do Freeza já estaríamos mortos há muito tempo... Teriam nos apunhalado pelas costas e gargalhado de nossa inocência...

 

- É verdade! Os servos de Freeza apareceram do nada e mataram nossos pais, sem nem dizer um <ai!>. Foi a menininha ruiva que o disse, sua forma de agradecer pelo jeito como Gohan a salvou uma ou duas ou três vezes naquele tumulto todo poucos minutos atrás.

 

O corajoso subitamente se emocionou lembrando das últimas palavras de seu pai, e como aquele comportamento estrangeiro não condizia com a imagem que tinham dos detestáveis homens de Freeza, seus piores inimigos.

 

"O olhar por detrás do rastreador... era horrível."

 

Por isso o corajoso nunca usava aqueles óculos. Porque lhe lembravam os rastreadores verde e azul escuros dos homens de Freeza.

 

- Garoto! Respeite os seus pais! Disse o corajoso a Gohan, e o desamarrou.

 

Gohan ficou sem entender, mas o corajoso não iria explicar, pois logo se retirou.

 

- Obrigado por confiar em nós!, falou Bulma.

 

- Esses caras de que você falou... me parece que só podem ser os saiyajins! Esses monstros... tinham cauda?!

 

- Cauda? Não! Eles não tinham cauda nenhuma...

 

- Entendo... Então eram outros alienígenas...

 

- Quer dizer então que tem gente pior neste grande universo?

 

- E o que aconteceu com seu planeta, por favor, nos diga! Gohan era um menino curioso. Inconveniente? Curioso!

 

Zash contou como eles usavam mini-naves, que pareciam azeitonas incapazes de alojar pessoas. Cada um vinha numa dessas, e podia causar o apocalipse num país inteiro!

 

Em poucos dias o mundo virou escombros. Disseram aos pobres meninos, agora órfãos, que o planeta virara colônia do Grande Imperador do Universo Freeza, e que todos deviam se sentir agradecidos, pois passavam a fazer parte do sistema de planetas da Civilização que estava sendo erguida; a primeira do cosmo.

 

Mas os moleques conseguiram fugir, e a sorte deste povo era ser tecnológico o suficiente para propiciar viagens no espaço com facilidade. Com muito mais facilidade que dentre os terráqueos, tanto que eles têm um suprimento de combustível virtualmente ilimitado, para a curta extensão de suas vidas, ainda que envelheçam sem cruzar com as tropas de Freeza de novo, o que certamente os fadaria à morte precoce.

 

- E são só vocês, do planeta inteiro?

 

- Não. Foram mais de 200 mil naves espaciais com todas as crianças, que os servos de Freeza não quiseram matar porque seríamos seus escravos. Eis que quando descobriram nossa fuga em massa, partiram numa perseguição e extermínio sumário. Fomos a única tripulação que temos notícia de ter se salvado, graças a nosso sistema espelhado protetor!

 

- Uma nave com espelho? Do lado de fora?... Já sei como viemos parar aqui -- eram as brilhantes deduções de Bulma Briefs. Este enorme espelho impecável reflete todo o universo para o observador externo, e não há instrumento que a detecte! Logo, pensamos que colidimos com uma nave espacial igual a nós próprios, e fomos engolidos pela nossa própria imagem...

 

- É incrível!

 

- Sim, sua teoria está correta! Foi isso mesmo que aconteceu! Se fossem inimigos, pretendíamos fazer com que pagassem com suas vidas aqui dentro... ou expulsando-os para o vácuo, como tentamos!

 

- É fascinante!

 

- Ei, e para onde estão indo agora?!

 

- Bom, estamos caçando um novo planeta, com uma atmosfera agradável semelhante ao nosso. Nossos computadores dizem que após meses de viagem não estamos tão longe! Alguns de nossos pais já tinham visitado este planeta... Estou certo de que seremos bem tratados quando chegarmos!

 

Depois de confraternizarem, comerem e contarem mais histórias, ambos os povos oprimidos, ou diríamos o povo oprimidos e os três intrépidos terráqueos em busca de vingança contra os saiyajins, se despediram desejando boa sorte, cada um em seu intuito, embora aquela gente de olhos verdes não tenha entendido nada desse papo de esferas que pudessem realizar qualquer desejo e fosse inútil que Kuririn explicasse tintim por tintim as desventuras de sua infância ao lado de um estranho garoto com cauda que virava gorila e na verdade não era humano...

 

- Precisamos ir logo, tem muita coisa pra fazer e arrumar nessa nave! E eu nem sei por onde começar a procurar Namekuzei!

 

- Não seja estraga-prazeres, Bulma! Namekuzei nunca vai sair do lugar!

 

- O quê?! Namekuzei? Não me digam que estão indo pra lá!

 

- Estamos sim!

 

- Ei, nós passamos por lá há umas duas semanas...

 

- Vou lhes dar uma dica: se forem na direção dos pontos K5162 poderão cortar caminho!

 

- Tá falando sério? São essas as coordenadas? K5162?

 

- Sim, são essas, mas...

 

Bulma agradeceu e foi empurrando atabalhoadamente os garotos. A nave deles já estava a postos para a continuação da viagem. O alçapão-elevador se fechou detrás dos três.

 

- Esperem... Eu ainda não disse que...

 

- OBRIGADA! A TERRA AGRADECE, POVO DOS OLHOS CLAROS!

 

- ...Freeza pretendia passar nesta terra com seus homens e espalhar a aridez e a destruição entre os Nameks! E não esqueçam que o atalho oferece peri...

 

 

Tarde demais, os gases já haviam iniciado a explosão, e a nave foi propelida a muitos anos-luz mais da saudosa Terra... e de qualquer outro planeta habitável para as bandas de cá.



Escrito por a mosca filosófica às 15:31
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COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS

--GREAT PEARLS FROM ANCIENT BUSINESSMEN!—

 

“O grego, o latim e as altas matemáticas têm sido motivo, por centenas de anos, de livros e mais livros – assunto a que a média dos indivíduos não dá sequer 2min de atenção.”

 

“Cedo descobriram que, para quem aspira a <usar o quepe de comandante> e dirigir a nau dos negócios, personalidade e habilidade no falar são mais importantes que o conhecimento dos verbos latinos ou um diploma da Harvard.”

 

“Dale Carnegie asseverava que qualquer homem pode falar quando está irritado. Afirmava que se desferirem um golpe no queixo do homem mais ignorante da cidade e jogarem-no no chão, ele se levantará e falará com uma eloquência, um ardor e uma ênfase que só seria igualada por William Jennings Bryan [*], nos seus dias áureos. Asseverava que quase todo homem pode falar em público aceitavelmente se confia em si mesmo [eis a dificuldade] e tem uma idéia fervendo-lhe o cérebro.”

 

[*] Político estadunidense dos 1800-1900, grandessíssimo orador e democrata.

 

“A rapidez com que esquecemos é assombrosa.”

 

“Compreendemos que as críticas são como os pombos. Sempre voltam aos pombais.”

 

“Quando tratamos com pessoas, lembremo-nos sempre de que não estamos tratando com criaturas de lógica.”

 

“Conhecer tudo é perdoar tudo, como disse o dr. Johnson.”

 

“Existem mais pacientes sofrendo das faculdades mentais nos hospitais dos EUA que de todas as outras doenças conjuntamente.”

 

“Ninguém pode responder a uma pergunta como essa, mas nós sabemos que certas doenças, como a sífilis, atacam e destroem as células do cérebro, causando a loucura. De fato, metade de todas as doenças mentais pode ser atribuída a causas físicas tais quais lesões cerebrais, álcool, tóxicos e ferimentos. Mas, a outra metade – e essa metade é a parte mais terrível do caso – a outra metade das pessoas que se tornam insanas mentalmente nada de anormal apresenta organicamente!”

 

 

“Todos os verões vou pescar no Maine. Pessoalmente sou um apaixonado pelos morangos com creme, mas sei que, por uma estranha razão, os peixes gostam mais de minhocas.”



Escrito por a mosca filosófica às 10:50
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CURSO DE LINGÜÍSTICA GERAL

SAUSSURE

 

“Sòmente em suas origens conheceram o grego e latim o estado representado pelo sânscrito.” “o acaso o tornou uma língua muito própria para esclarecer as outras num sem-número de casos.”

 

Aquilo a que estamos acostumados: o nascimento de uma ciência tardia – “os erros duma ciência que principia constituem uma imagem ampliada daqueles que cometem os indivíduos empenhados nas primeiras pesquisas científicas”

 

As duas metades da minha laranja: uma azeda, a outra doce até demais. O sumo literário na ponta da... língua trôpega.

 

Existe a História dos Idiotas e a dos Gênios. Cada um desses dois tipos é idêntico ao longo das eras.

 

“acredita-se, de modo geral, que um idioma se altere mais ràpidamente quando não exista a escrita: nada mais falso.”

 

“Gaston Deschamps não dizia de Berthelot <que êle preservara o francês da ruína> porque se opusera à reforma ortográfica?"

 

"Na maioria dos indivíduos, as impressões visuais são mais nítidas e mais duradouras que as impressões acústicas; dessarte, êles se apegam, de preferência, às primeiras. A imagem gráfica acaba por impor-se à custa do som."

 

Mnemonia, a doença da memória que esquece do que tinha que se lembrar e só lembra o que tinha que esquecer.

 

P. 37 - "§4. CAUSAS DO DESACÔRDO ENTRE A GRAFIA E A PRONÚNCIA.

(...)

Em primeiro lugar, a língua evolui sem cessar, ao passo que a escrita tende a permanecer imóvel. Segue-se que a grafia acaba por não mais corresponder àquilo que deve representar. Uma notação, coerente num momento dado, será absurda um século mais tarde. Durante certo tempo, modifica-se o signo gráfico para conformá-lo às mudanças de pronúncia, mas depois se renuncia a isso. Foi o que aconteceu, em francês, no tocante a oi.

        Pronunciava-se:                                                     Escrevia-se:

no século   XI      rei, lei                                                  rei, lei

 

                 XIII   roi, loi                                                  roi, loi

                 XIV   roè, loè                                                roi, loi

 

 

                                          [fosso dos anos]

 

 

 

                 XIX rwa, lwa                                                 roi, loi



Escrito por a mosca filosófica às 11:37
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"quando um povo toma emprestado a outro seu alfabeto, acontece freqüentemente que os recursos dêsse gráfico não se prestam adequadamente à sua nova função; (...) por ex., utilizar-se-ão duas letras para designar um só som. (...) O inglês da Id. Média possuía um e fechado (p. ex., em sed, <semente>) e um e aberto (p. ex., em led, <conduzir>): não oferecendo o alfabeto signos distintos para os dois sons, cuidou-se de escrever seed e lead." "introduziu-se um d na palavra francesa poids (<pêso>), como se ela viesse do latim pondus, quando na realidade vem de pensum. (...) Às vêzes, a causa nos escapa; certas excentricidades não têm sequer a desculpa da etimologia. Por que se escreve em alemão thun em vez de tun? (...) existe um grande número de palavras que jamais receberam o <h> (Tugend, Tisch etc)."

 

"O francês atual não possui consoantes duplas, salvo nos antigos futuros mourrai, courrai: não obstante, nossa ortografia está repleta de consoantes duplas ilegítimas (bourru, sottise, souffrir etc.)"

 

"encontra-se em inglês primeiramente hwat, hweel etc., depois what, wheel etc"

 

"a palavra francesa oiseau, onde nenhum dos sons da palavra falada (wazo) é representado pelo seu signo próprio: nada resta da imagem da língua."

 

P. 40: "Nessa época, a regra: <diante do h aspirado não se fazem a ligação e a elisão [supressão vocálica]> não existe mais, a menos que se dê tal nome a essa coisa que não é um som, mas diante da qual não se fazem nem a ligação nem a elisão. Trata-se, pois, de um círculo vicioso, e o h não passa de um ser fictício, nascido da escrita.

 

"Deve-se pronunciar gageure com ö ou ü? Uns respondem: gazör/gajor, visto que heure se pronuncia ör. Outros dizem: não, e sim gazür/gajir, pois ge equivale a z/j, em geôle, por exemplo. Vão debate! A verdadeira questão é etimológica (...): gajir é a única pronúncia justificada; gajor é uma pronúncia devida ùnicamente ao equívoco da escrita."

 

"para o nome de família Lefèvre (do latim faber) havia 2 grafias, uma popular e simples, Lefèvre [idêntica], outra erudita e etimológica, Lefèbvre. Graças à confusão de v e u na escrita antiga, Lefèbvre foi lida Lefébure, com um b que jamais existiu realmente na palavra, e um u proveniente de um equívoco."

 

"É provável que tais deformações se tornem sempre mais freqüentes e que se pronunciem cada vez mais as letras inúteis. Em Paris, já se diz: sept femmes, fazendo soar o t; Darmesteter prevê o dia em que se pronunciarão até mesmo as duas letras finais de vingt, verdadeira monstruosidade ortográfica."

 

"Nós nos ateremos à terminologia corrente, se bem que ela seja imperfeita ou incorreta em vários pontos: termos como guturais, palatais, dentais, líquidos etc., são todos mais ou menos ilógicos."

 

"línguas há em que é impossível dizer <sentar-se ao sol>."

 

"o valor de um plural português ou francês não corresponde ao de um plural sânscrito: o sânscrito possui três números em lugar de dois (meus olhos, minhas orelhas, meus braços, minhas pernas etc. estariam no dual)"

 

"O francês diz indiferentemente louer (une maison) e o português alugar, para significar dar ou tomar em aluguel, enquanto o alemão emprega 2 têrmos mieten e vermieten"

 

"A distinção dos tempos, que nos é tão familiar, é estranha a certas línguas; o hebraico não conhece sequer a distinção, tão fundamental, entre o passado, o presente e o futuro. O protogermânico não tem forma própria para o futuro"

 

"As línguas eslavas distinguem regularmente 2 aspectos do verbo: o perfectivo representa a ação na sua totalidade como um ponto, fora de todo devir; o imperfectivo mostra a ação no seu desenvolvimento e na linha do tempo."

 

"a língua é uma forma e não uma substância. Nunca nos compenetraremos bastante dessa verdade"

 

"Ver-se-ia, p. ex., que o inglês concede um lugar muito mais considerável ao imotivado que o alemão; mas o tipo do ultralexicológico [menos amarrado] é o chinês, ao passo que o indo-europeu e o sânscrito são espécimes do ultragramatical."

 

"o francês se caracteriza, em relação ao latim, entre outras coisas, por um enorme acréscimo do arbitrário: enquanto em latim inimícus(*) lembra in- e amícus e se motiva por êles, em francês ennemi não se motiva por nada; ingressou no arbitrário absoluto, que é, aliás, a condição essencial do signo lingüístico."

 

(*) acento irreprodutível, um traço horizontal sobre o i.

 

encore vem do latim hanc horam;

entier do lat.             integer (português inta(c)to);

enfant                       infans, aquele que não fala (pref. in-)

enceinte                    incincta, sem cintura

 

DEFININDO O BÊ-Á-BÁ:

 

"desinência, vale dizer, a característica flexional ou elemento variável de fim de palavra, que distingue as formas de um paradigma nominal ou verbal." [grifo meu]

 

O estudo das desinências leva aos radicais. O extremo do radical (irredutível) chama-se raiz.

 

Raiz do hebraico para o verbo "matar" é que provavelmente deu azo ao aparecimento de Ktulu, deus da morte.

 

P. 218-9: definições de prefixo e sufixo. "O prefixo precede a parte da palavra reconhecida como radical. O sufixo é o elemento que se junta à raiz para dela fazer um radical ou a um primeiro radical para fazê-lo de 2º grau. O prefixo está melhor delimitado porque se destaca mais fàcilmente do conjunto da palavra. Acrescentemos que diversos prefixos funcionam como palavras independentes. Coisa muito diversa acontece com o sufixo; o radical obtido pela supressão dêsse elemento é uma palavra incompleta; e, por outro lado, o sufixo mesmo não tem existência autônoma. (...) antes de qualquer comparação com outras formas, a pessoa que fala sabe onde colocar limite entre o prefixo e o que se lhe segue. O mesmo não acontece com o fim da palavra."

 

Não existe uma ciência da etimologia das palavras.

 

"Acrescentemos ainda que cada povo crê na superioridade do seu idioma. Um homem que fala outra língua é facilmente considerado como incapaz de falar; assim, a palavra grega bárbaros parece ter significado 'tartamudo' e estar aparentado (sic) ao latim balbus; em russo, os alemães são chamados de Nyêmtsy, isto é, <os mudos>."

 

Trombetti - L'unita d'origine del linguaggio

(seria irônico não encontrar este livro em Português)

 

 

Adolphe Pictet - As Origens Indo-Européias



Escrito por a mosca filosófica às 11:36
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BERNARDO GUIMARÃES

 

A)  A ORIGEM DO MÊNSTRUO

 

Divertido poema olimpiano-indecente:

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=6088

 

DIC – pívia: masturbação masculina

 

B)  O SEMINARISTA, TESOURO DESENTERRADO

 

Virgílio de um lado, e Ovídio do outro, deram-lhe as mãos e o introduziram no templo da harmonia.” “As Églogas do imortal Mantuano o encantavam.”

 

 



Escrito por a mosca filosófica às 19:07
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FRANKENSTEIN - OU O MODERNO PROMETEU - Mary Shelley; trad. Pietro Nassetti

"Também me tornei poeta, e durante um ano vivi num paraíso que eu mesmo criara."

 

"<Que ser nobre!>, você irá dizer. E ele realmente o é. E, no entanto, totalmente iletrado. É tão quieto quanto um turco e tem um comportamento um tanto rude, o que torna sua conduta ainda mais surpreendente e, ao mesmo tempo, diminui a simpatia que ele de outro modo poderia inspirar."

 

"(...) uma crença no assombroso inserida em todos os meus projetos, que me coloca distante dos caminhos normais dos homens, impelindo-me para o mar bravo." -- Robert Walton

 

"Um homem assim tem dupla existência; por mais que sofra e esteja oprimido por decepções, faz-se quando se recolhe a si mesmo, rodeado por uma auréola na qual não penetram a dor ou a revolta."

 

"Eis que chega, afinal, o tempo em que o pesar se transforma em vício e é preciso coragem e conformação para bani-lo."

 

"Ingloriamente, pediam-me que trocasse quimeras mirabolantes por realidades acanhadas."

 

"Nada é mais doloroso para a alma humana que a lassidão, o trágico marasmo, que sobrevêm à rápida seqüência de fatos e sentimentos tumultuosos, como a paisagem desoladora da floresta após a passagem destruidora da tormenta."

 

"Eu fugia às pessoas. Fazia-me mal tudo o que pudesse lembrar alegria. Mergulhava na mais negra, profunda e mortal solidão."

 

O mau filho à causa torna.

 

"Antes, eu considerava o relato das maldades e injustiças que lia nos livros, ou de que ouvia falar, como coisas de tempos idos ou males imaginários. Mas, agora que a desgraça veio até nós, os homens me parecem monstros sedentos de sangue, sempre prontos a se devorar uns aos outros."

 

"O próprio sussurro do vento era como vozes da natureza chamando-me à vida e convidando-me a esquecer as lágrimas. Mas - ah, inquietude, ah, inconstância da natureza humana! - o deslumbramento logo se desvanecia e eis-me de novo acorrentado aos meus presságios, subjugado a meu inferno interior!"

 

"Por que há de o homem vangloriar-se de sensibilidades mais amplas que as que revelam o instinto dos animais? Se nossos impulsos se restringissem à fome, à sede e ao desejo, poderíamos ser quase livres. Somos, porém, impelidos por todos os ventos que sopram, e basta uma palavra ao acaso, um perfume, uma cena, para provocar-nos as mais diversas e inesperadas evocações.

Dormimos.

Eis que um sonho nos envenena o sono.

Despertamos.

Um pensamento errante contamina o dia.

Sentimos, imaginamos, refletimos, rimos, choramos,

Abraçamo-nos à dor, ou libertamo-nos das penas.

Vário é o caminho, mas para a alegria ou a tristeza,

É sempre franco,

O amanhã jamais igualará o ontem,

Nada, exceto o mutável, pode perdurar!"

 

"Creia-me, Frankenstein, eu era bondoso. Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente só, como agora. Se você, que é meu criador, me renega, que posso eu esperar de meus semelhantes, que nada me devem?"

 

“Não tenho amigos, Margaret. Quando estou entusiasmado com o sucesso, não tenho com quem dividir a alegria; e se estou tomado pela decepção, ninguém procura me dar apoio. Pretendo colocar meus pensamentos no papel, é verdade, mas esse é um recurso muito pobre para alguém manifestar seus sentimentos. Desejo a companhia de uma pessoa que tenha afinidades comigo, que pense como eu. (...) Não tenho ninguém próximo a mim, sereno e corajoso, que tenha uma mentalidade elevada e aberta, cujas aptidões sejam iguais às minhas, para aprovar ou corrigir meus planos. Como tal amigo iria suprir as falhas do seu pobre irmão! Sou muito impulsivo na execução e impaciente demais diante das dificuldades. Mas também é terrível para mim o fato de ser um autodidata. Até os 14 anos vivi sem preocupações, e a única coisa que li foram os livros de viagens da biblioteca de nosso tio Thomas. Naquela idade conheci os poetas consagrados de nosso país. Mas foi só quando eles perderam o poder de me inspirar que percebi a necessidade de conhecer outras línguas além da minha. Agora, aos 28 anos, tenho menos leitura que muitos estudantes de 15. É verdade que tenho pensado mais e meus sonhos são mais amplos e magníficos; mas eles precisam de (como dizem os pintores) harmonia”

 

“Olhando e perscrutando pelas redondezas, não vi nem ouvi alguém que se me assemelhasse a mim. Então eu era um monstro, uma nódoa na terra, da qual todos os homens fugiam e a quem ninguém queria reconhecer por seu igual!”

 

“Achava-me parecido, e ao mesmo tempo, estranhamente diferente dos seres sobre os quais lia e cuja conversa escutava. Solidarizava-me com eles, compreendia-os parcialmente, mas não tinha sua formação mental.”

“O volume de Vidas Paralelas, de Plutarco, que me caíra às mãos continha a história dos fundadores das repúblicas primitivas. Essa obra exercia em mim um efeito bem diferente do provocado por Os Sofrimentos do Jovem Werther. Dos devaneios de Werther, aprendi desespero e tristeza; Plutarco me elevava os pensamentos. Alçava-me além da esfera de minhas próprias reflexões aos páramos [céu; descampado] dos heróis dos tempos idos. (...) Já o Paraíso Perdido [Milton] produzia-me emoções de outra espécie, muito mais profundas. Li-o, tal como os outros volumes de que me apossara, como se fosse história verdadeira, que, nesse caso, me despertava todos os sentimentos de admiração e terror que a figura de um deus onipotente, combatendo suas próprias criaturas, era capaz de excitar. (...) Não havia Eva para mitigar minhas tristezas nem participar dos meus pensamentos. Eu era só. Ocorriam-me as súplicas de Adão a seu Criador. O meu, porém, onde estava? Ele me abandonara e, na amargura do meu coração, eu o amaldiçoava.”

 

“As estrelas tremeluziam, zombando de mim, e as árvores agitavam os galhos desnudos sobre minha cabeça, como em gestos de escárnio.”

 

 

“Mesmo que viessem a deixar a Europa e habitar as paragens do Novo Mundo, poderia advir que um dos primeiros resultados do relacionamento por que suspirava o monstro fosse a geração de filhos, e uma raça de demônios se propagaria pela face da Terra, espalhando o terror entre a espécie humana.”



Escrito por a mosca filosófica às 13:22
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CRÍTICA & CLÍNICA - Deleuze

"A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever? Mesmo quando é uma mulher que devém, ela tem de devir-mulher, e esse devir nada tem a ver com um estado que ela poderia reivindicar."

 

"Toda escrita comporta um atletismo; porém, longe de reconciliar a literatura com os esportes, ou de converter a escrita num jogo olímpico, esse atletismo se exerce na fuga e na defecção orgânicas: um esportista na cama, dizia Michaux."

 

"Escrever não é contar as próprias lembranças, suas viagens, seus amores e lutos, sonhos e fantasmas. Pecar por excesso de realidade ou de imaginação é a mesma coisa: em ambos os casos é eterno papai-mamãe, estrutura edipiana que se projeta no real ou se introjeta no imaginário. É um pai que se vai buscar no final da viagem, como no seio do sonho, numa concepção infantil da literatura. Escreve-se para pai-mãe."

 

"As duas primeiras pessoas do singular não servem de condição à enunciação literária; a literatura só começa quando nasce em nós uma terceira pessoa que nos destitui do poder de dizer Eu (o 'neutro' de Blanchot). Por certo, os personagens literários estão perfeitamente individuados, e não são imprecisos nem gerais; mas todos os seus traços individuais os elevam a uma visão que os arrasta num indefinido como um devir potente demais para eles: Ahab e a visão de Moby Dick."

 

"A doença não é processo, mas parada do processo, como no 'caso Nietzsche'. Por isso o escritor, enquanto tal, não é doente, mas antes médico, médico de si próprio e do mundo. O mundo é o conjunto dos sintomas cuja doença se confunde com o homem. Não que o escritor tenha forçosamente uma saúde de ferro (haveria aqui a mesma ambigüidade que no atletismo), mas ele goza de uma frágil saúde irresistível, que provém do fato de ter visto e ouvido coisas demasiado grandes para ele, fortes demais, irrespiráveis, cuja passagem o esgota, dando-lhe contudo devires que uma gorda saúde dominante tornaria impossíveis"

 

"Um dia talvez saberão que não havia arte, mas apenas medicina" Le Clézio

 

"Fim ultimo da literatura: pôr em evidência no delírio essa criação de uma saúde, ou essa invenção de um povo, isto é, uma possibilidade de vida. Escrever por esse povo que falta... ('por' significa 'em intenção de' e não 'em lugar de')."

 

"A única maneira de defender a língua é atacá-la... Cada escritor é obrigado a fabricar para si sua língua..." André Dhôtel - Terras de Memória

 

"E Céline, não podemos nos impedir de dizê-lo, por mais sumário que o sintamos: Viagem ao fundo [putzgrilla!] da noite ou a decomposição da língua materna; Morte a crédito e a nova sintaxe como uma língua no interior da língua; Guignol's Band e as exclamações suspensas como limite da linguagem, visões e sonoridades explosivas. Para escrever, talvez seja preciso que a língua materna seja odiosa, mas de tal maneira que uma criação sintática nela trace uma espécie de língua estrangeira e que a linguagem inteira revele seu fora, para além de toda sintaxe."

 

"Acontece de felicitarem um escritor, mas ele bem sabe que está longe de ter atingido o limite que se propõe e que não pára de furtar-se, longe de ter concluído seu devir. Escrever é também tornar-se outra coisa que não escritor. Aos que lhe perguntam em que consiste a escrita, Virginia Woolf responde: Quem fala de escrever? o escritor não fala disso, está preocupado com outra coisa."

 

"Louis Wolfson, autor do livro Le Schizo et les langues, chama-se a si mesmo 'O estudante de lingua esquizofrênico', 'O estudante enfermo mentalmente', 'O estudante de idiomas demente' ou, segundo sua grafia reformada, 'O jovem öme sqizofrênico'."

 

"O segundo livro de Wolfson, Ma mère musicienne est morte..., será apresentado como um livro escrito a quatro mãos, precisamente por estar entrecortado pelos protocolos médicos da mãe cancerosa."

 

Hier francalemão alemês aquontem õtéqui

 

"É esse o procedimento geral: a frase Don't trip over the wireNe trébuche pas sur le fil [Não tropece no fio], torna-se Tu'nicht trebucher uber eth he Zwirn. A frase de partida é inglesa, mas a de chegada é um simulacro de frase que utiliza várias línguas, alemão, francês, hebraico: tour de babil ["torre de blablabel"]. Ela faz intervir regras de transformação, de d em t, de p em b, de v em b, mas também regras de inversão (como o inglês Wire não é suficientemente investido peio alemão Zwirn, invoca-se o russo prolovoka que transforma wir em riv ou, antes, em rov)."

 

"Os gramáticos do século XVIII ainda acreditavam numa língua-mãe; os linguistas do século XIX manifestam dúvidas e mudam as regras de maternidade bem como as de filiação, às vezes invocando línguas que não passam de irmãs. Talvez seja preciso um trio infernal para ir até o fim."



Escrito por a mosca filosófica às 23:30
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"assim como uma música excede a circunstância em que é tocada bem como a execução que dela se faz."

 

"Por toda parte vazios subsistem e se propagam de tal modo que o único acontecimento que se eleva, oferecendo sua face negra, é um fim do mundo ou explosão atômica do planeta, que o estudante teme seja retardada pela redução de armamentos."

 

"Esse emprego do estetoscópio [ligado a um gravador portátil] o satisfaz particularmente nos hospitais que frequenta, já que considera a medicina uma falsa ciência, muito pior que todas as que é capaz de imaginar nas línguas e na vida. Se é exato que montou esse dispositivo já em 1976, bem antes do surgimento do walkman, podemos considerá-lo seu verdadeiro inventor, como ele o diz, e pela primeira vez na história uma bricolagem esquizofrênica está na origem de um aparelho que se espalhara por todo o planeta e que, por sua vez, esquizofrenizara povos e gerações inteiras."

 

"Como justificar a vida, que é sofrimento e grito? Como justificar a vida, 'maldosa matéria enferma', ela que vive de seu próprio sofrimento e de seus próprios gritos? A única justificativa da vida é o Saber, que só ele é o Belo e o Verdadeiro. É preciso reunir todas as línguas estrangeiras num idioma total e contínuo, como saber da linguagem ou filologia, contra a língua materna, que é o grito da vida."

 

"Deus é a Bomba, isto é, evidentemente, o conjunto das bombas nucleares necessárias para esterilizar por radiatividade nosso próprio planeta por sua vez extremamente canceroso..., Elohim han petsita, literalmente Deus ele bombardeia"

 

"O que é o saber senão a aventura da vida dolorosa no cérebro dos grandes homens (que, aliás, parece um irrigador dobrado)?"

 

Lewis Carroll - Sílvia e Bruno

 

"O texto admirável de Quincey, Os últimos dias de Emmanuel Kant, dizia tudo, mas apenas o avesso das coisas que encontram seu desenvolvimento nas quatro fórmulas poéticas do kantismo."

 

Quem é D. H. Lawrence (Apocalypse)?

 

"Se as personagens, situações e objetos do masoquismo recebem esse nome, é porque adquirem na obra romanesca de Masoch uma dimensão desconhecida, sem medida, que transborda do inconsciente não menos que das consciências."

 

"A mulher-carrasco lança sobre o masoquista uma onda retardada de dor, que ele utiliza, mas não para dela extrair prazer, evidentemente, e sim para remontar-lhe o curso e constituir um processo ininterrupto de desejo. O essencial vem a ser a espera ou o suspense como plenitude, como intensidade física e espiritual."

 

Kant - A Trindade

 

"A obra de Masoch, inseparável de uma literatura de minorias, impregna as zonas glaciais do Universo e as zonas femininas da História. Uma grande vaga, a de Caim, o errante, cujo destino está para sempre suspenso, mescla os tempos e os lugares. A mão de uma mulher severa atravessa a vaga e se estende em direção ao errante."

 

"Whitman, numa meditação particularmente 'convulsiva', se diz hegeliano, afirma que só a América 'realiza' Hegel e põe os direitos primeiros de uma totalidade orgânica. Exprime-se então como um europeu, que encontra no panteísmo uma razão para inflar o seu eu."

 

Bartleby [?]

 

Ballanche - Essais de palingénesie sociale (romance experimental do XIX)

 

Melville - Redburn / Pierre or the ambiguities / Billy Budd / The Confidence-Man (O Vigarista)

 

Henry Miller - Plexus Nexus Sexus

 

"Diz-se que os maus romancistas sentem a necessidade de variar seus indicativos de diálogo, substituindo o <disse> por expressões como <murmurou>, <balbuciou>, <soluçou>,<escarneceu>, <gritou>, <gaguejou>... para marcar as entonações. A bem da verdade, parece que em relação a essas entonações o escritor só tem duas possibilidades: ou fazê-lo (como Balzac, que efetivamente fazia o pai Grandet gaguejar quando este tratava de algum assunto ou fazia Nucingen falar num dialeto que deforma, e em cada caso sentimos o prazer de Balzac), ou então dizê-lo sem fazê-lo, contentar-se com uma simples indicação que se deixa ao leitor o cuidado de efetuar: como os heróis de Masoch, que não param de murmurar, e sua voz tem de ser urn murmúrio apenas audível"

 

"O corpo é um animal. O que o corpo faz, ele o faz sozinho. Lawrence faz sua a fórmula de Spinoza: não sabemos o que pode um corpo! Em plena sessão de tortura, uma ereção"


Alfred Jarry - Ubu Roi

 

"O presente envenenado do platonismo foi ter introduzido a transcendência em filosofia, ter dado à transcendência um sentido filosófico plausível (triunfo do juízo de Deus)."

 

 

"Observou-se com freqüência que as idéias platônicas, e mesmo as cartesianas, continuavam sendo <táctil-ópticas>: coube a Plotino em relação a Platão, e a Spinoza em relação a Descartes, elevar-se a um mundo óptico puro."



Escrito por a mosca filosófica às 23:29
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THE DECAMERON – Giovanni Boccaccio; trad. de John Payne

DIC: palfrey - palafrém; cavalo chique, de corrida.

 

I can bide for you, even if I can’t abide you.

 

Suportar o mundo, quando ele não tem mais valor. Tão contraditório quanto natural, quando se trata da apatia. Energia criadora negativa. Temos crédito para NEGATIVADOS (META).

O insuportável é só uma perspectiva falha

A arte de engolir sapos gelados em silêncio

O talento de prescindir d’ação, tubo de vácuo da inércia.

Trovões e caminhão do lixo sempre acabam com a festa. Só tenho um sapato. Não sei por que não me mato.

Veneno de rato. Me pediram para ir ali num rato, comprar um pão e dar um oi-ncom-pra-ensível.

MAS...

a fonte seca.

...e a biblioteca não está sempre aberta. Falta de ambição ainda é uma ambição.

O mundo me quer?

Não me dêem poder – ele uma vez disse...

Mas já pedi e muito para me darem mulheres...

Sem elas posso ser terrível...

 

Aniversário meditando o suicídio

...imagina na Copa!

 

Muitas vezes a sabedoria está na... letargia? Do escritor.

 

* * *

 

DIC: hen-coop – gaiola de galinha

        whinger – he who whines a lot

        breeches – culotes; calças; peças íntimas de tempos antanho.

        ginger bolus – bolo de gengibre

        aloe – babosa

        donning – vestindo-se (to don)

        gossip (outros sentidos) – padrinho; amigo(a); confidente.

 

Calandrino, Bruno e Buffalmacco: o trio com mais estórias.

 

Só putaria!

 

1348, Florença – A Peste

 

No Leste do mundo, quem sangrasse pelo nariz e fosse portador do mal já deveria encomendar seu caixão. Mesmo animais como porcos eram infectados por coisas como roupas de humanos doentes jogadas no lixo. Alguns contadores de causos da nobreza passavam pelas igrejas das cidades arrasadas para consolar a população sobrevivente.

 

“a sin that’s hidden is half forgiven.”

 

Phillippe le Borgne – Felipe II da França, o Caolho

O termo italiano, il Bornio, é ambivalente: serve para designar aquele que tem um olho tanto quanto aquele que não vê bem (míope).

Em terra de cego, míope muito avançado sem oftalmologista por perto é vice-cônsul apenas.

Em terra de cego, quem atira a primeira pedra que acerta é rei.

 

“Alessandro, after many excuses, put off his clothes and laid himself beside the abbot, who put his hand on his breast and fell to touching him no otherwise than amorous damsels use to do with their lovers; whereat Alessandro marvelled exceedingly and misdoubted him the abbot was moved by unnatural love, [...o que parecia uma coisa...] Alessandro accordingly put his hand to the abbot’s bosom and found there two breasts, round and firm and delicate, no otherwise than as they were of ivory, whereby perceiving that the supposed prelate was a woman, without awaiting farther, he straightway took her in his arms and would have kissed her”

 

Anguersa, the old form of Anversa, Antuerp.”

 

“Whatsoever na ass giveth against a wall, such he receiveth.” = “Quale assino da in parete, tal riceve”

 

“Disputing with words might me prolonged without end; thou wouldst say and I should say, and in the end it would all amount to nothing.”

 

“he softly uncovered the former and found that she was as fair, naked, as clad, but saw no sign about her that he might carry away, save one, to wit, a mole [sinal; imperfeição; verruga; “nevus”] which she had under the left pap [mamilo] and about which were sundry [vários] little hairs as red as gold [!].”

 

“Then, tearing open the fore part of her clothes and showing her breast, she discovered herself to the Soldan [sultão] and all else who were presente and after, turning to Ambrogiuolo, indignantly demanded of him when he had ever lain with her, according as he had aforetime boasted; but he, now knowing her, and fallen well nigh dumb for shame, said nothing. The Soldan, who had Always held her a man, seeing and hearing this, fell into such a wonderment that he more than once misdoubted that which he saw and heard to be rather a dream than true.”

 

“there was no day in the year sacred to one saint only, in reverence of whom he showed man and wife should abstain from carnal conversation”

 

“Wilt thou rather abide her for this man’s whore and in mortal sin than at Pisa as my wife?”

 

“an Paradise might be created upon Earth, they could not avail to conceive what form, other than that of this Garden, might be given it nor what farther beauty might possibly be added thereunto.”

 

“Fairest ladies, there be many men and women foolish enough to believe that, whenas the white fillet is clapped upon her back, she is no longer a woman and is no longer sensible of feminine appetites, as if the making her a nun had changed her to stone; and if perchance they hear aught contrary to this their belief, they are as much incensed as if a very great and heinous misdeed had been committed against nature, considering not neither having regard to themselves, whom full licence to do that which they will availeth not to sate, nor yet to the much potency of idlesse and thought-taking.”

 

“but the nuns gave me so little wage that I could scar[c?]e find me in shoon withal. Besides, they are all young and methinketh they are possessed of the devil, for there was no doing anything to their liking”

 

“Egad, thou didst well to come away. How is a man to live with women? He were better abide with devils. Six times out of seven they know not what they would have themselves.”

 

“and I have again and again heard ladies, who come to visit us, say that all other delights in the world are but toys in comparison with that which a woman enjoyeth, whenas she hath to do with a man. Wherefore I have often had it in mind to make trial with this mute, since with others I may not, if be so. And indeed he is the best in the world to that end, for that, e’[v]en if he would, he could not nor might tell it again. Thou seest he is a poor silly lout [rústico] of a lad, who hath overgrown his wit, and I would fain hear how thou deemest of the thing.”



Escrito por a mosca filosófica às 12:29
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“<Alack!>, rejoined the other, <what is this thou sayest? Knowest thou not that we have promised our virginity to God?> <Oh, as for that,> answered the first <how many things are promised Him all day long, whereof not one is fulfilled unto Him! An we have promised it Him, let Him find Himself another or others to perform it to Him.> <Or if,> went on her fellow, <we should prove with child, how would it go then?> Quoth the other, <Thou beginnest to take thought unto ill ere it cometh; when that betideth, then will we look to it; there will be a thousand ways for us of doing so that it shall never be known, provided we ourselves tell it not.>”

 

“Before they departed thence, each of the girls must needs once more prove how the mute could horse it, and after divising with each other, they agreed that the thing was as delectable as they had heard, nay, more so. Accordingly, watching their opportunity, they went oftentimes at fitting seasons to divert themselves with the mute, till one day it chanced that one of their sisters, espying them in the act from the lattice of her cell, showed it to the other twain. At first they talked of denouncing the culprits to the abbess, but after changing counsel and coming to an accord with the first two, they became sharers with them in Masetto’s services, and to them the other three nuns were at divers times and by divers chances added as associates.”

 

“she kept him several days, proving and reproving that delight which she had erst been wont to blame in others. At last she sent him back to his own lodging, but was fain to have him often again and as, moreover, she required of him more than her share, Masetto, unable to satisfy so many, bethought himself that his playing the mute might, an it endured longer, result in his exceeding great hurt.”

 

"Wherefore, being one night with the abbess, he gave loose to his tongue and bespoke her thus: <Madam, I have heard say that one cock sufficed unto half a score hens [galinhas], but half a score men can ill or hardly satisfy one woman; whereas needs must I serve nine, and to this I can no wise endure; nay, for that which I have done up to now, I am come to such a pass that I can do neither little nor much; wherefore do ye either let me go in God's name or find a remedy for the matter.> The abbess, hearing him speak whom she held dumb, was all amazed and said, <What is this? Methought thou wast dumb.> <Madam,> answered Masetto, <I was indeed dumb not by nature, but by reason of a malady which bereft me of speech, and only this very night for the first time do I feel it restored to me, wherefore I praise God as most I may.> The lady believed this and asked him what he meant by saying that he had to serve nine. Masetto told her how the case stood, whereby she perceived that she had no nun but was far wiser than herself"

 

"and their bailiff [oficial de justiça] being lately dead they made Masetto bailiff in his stead and apportioned his toils on such a wise that he could endure them. Thereafter, albeit he began upon them monikins galore [abundantemente], the thing was so discreetly ordered that nothing took vent thereof till after the death of the abbess, when Masetto began to grow old and had a mind to return home rich. The thing becoming known, enabled him lightly to accomplish his desire, and this Masetto, having by his foresight contrived to employ his youth to good purpose, returned in his old age rich and a father, without being at the pains or expense of rearing children, to the place whence he had set out with an axe about his neck, avouching that thus did Christ entreat [rogou] whoso set horns to his cap."

 

 

"I have bethought me that men oftentimes do messages on such wise that ill answers ensue" [sobre machos fofoqueiros]



Escrito por a mosca filosófica às 12:28
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"Dom, contraction of Dominus (lord), the title commonly given to the beneficed clergy in the middle ages, answering to our Sir as used by Shakespeare (e.g. Sir High Evans the Welsh Parson, Sir Topas the Curate, etc.)."

 

Muitas mulheres casadas não tinham como sair de casa, e tinham de bolar severos estratagemas ou esperar pelo bom acaso a fim de cumprir seus anseios amorosos de traição.

 

"None will know the thing, and even were it to be known, it is better to do and repent, than to abstain and repent."

 

"Eles [os frades corruptos de nosso tempo] denunciam a luxúria nos homens, de sorte que aqueles que foram admoestados, desistindo das mulheres, deixam as últimas livres para os admoestadores."

 

"Boccaccio seems to have taken his idea of the Old Man of the Mountain from Marco Polo, whose travels, published in the early part of the 14th century, give a most romantic account of that chieftain and his followers."

 

"it is well known that the lower-class Italian has a romantic passion for cheese. According to Alexandre Dumas, the Italian loves cheese so well that he has succeeded in introducing it into everything he eats or drinks, with the one exception of coffee."

 

A nona estória do terceiro dia foi recontada por Shakespeare em uma de suas peças, cujo título agora me foge [depois apurado: TUDO BEM QUANDO TERMINA BEM]. Uma filha de médico de modesta condição viaja até o Rei de França para curá-lo de uma doença que ninguém mais cura e pedir em troca a mão de um nobre, seu amigo de infância, para marido. O Rei se cura; o homem se casa, ordenado pelo Rei, mas expressa descontentamento com a sua sorte. Foge para guerrear na Itália enquanto a esposa reina em seu condado. Talvez que essa História seja uma fábula conhecida - o Conde da Toscânia?

 

A esposa manda mensageiros, e o conde responde que só volta para ela no dia em que seu anel predileto estiver no seu dedo e os dois tiverem um filho! O "não" cifrado volta-se contra o feiticeiro, pois usando da inteligência a esposa renegada, convertida em peregrina, obtém os dois tesouros do marido reticente, que por sinal, perdulário, se apaixonara por uma italiana de baixa condição. A esposa, combinando com a mãe da cortejada, se disfarçou da mulher amada. Anos depois, os filhos já crescidos, de volta ao condado, onde de novo residia o Conde, ela demonstrou - com suas provas vivas e morta - que tinha vencido a aposta; rendido, o "Príncipe" resignou-se a viver feliz para sempre com sua donzela...

 

Personagens (aportuguesados) da peça:

CONDESSA ROSSILHÃO

BERTRAM, O CONDE

Há o acréscimo de PAROLLES, o companheiro velhaco do Conde em suas viagens concupiscentes

 

"Rustico, who lived on roots and water, could ill avail to answer her calls and told her that it would need overmany devils to appease hell, but he would do what he might thereof." metáfora sexual

 

Diz um provérbio milanês: "melhor uma gorda leitoa do que uma puta arrumada"!

 

DIC: feign - pretender, simular

        fain to: querer muito; estar inclinado a.

 

Lá onde os números se confundem copiosamente...

 

"Ah, luckless maid, would I had died tofore!"

 

O CÂNTICO DE FILOSTRATO

 

"How void my misery is of all relief

Thou mayst e'en feel, so sore I call thee, sire,

With voice all full of woe;

Ay, and I tell thee that it irks me so

That death for lesser torment I desire.

Come, death, then: shear the sheaf

Of this my life of grief

And with thy stroke my madness eke assain;

Go where I may, less dire will be my bane."

 

Quão despida minha miséria de todo alívio

Tu deves 'té sentir, tão maltratado eu te chamo, garanhão/Pai,

Com voz cheia de desgosto;

Sim, e eu te digo que me aborrece a ponto

De eu preferir a menos tormentosa morte.

Venha, morte, então: decepe a muda

Dessa minha vida de pesar

E com tua porrada minha loucura tome conta de mim;

Vá onde eu for, menos árido será meu exílio.

 

"One only charge I give thee, ere I die,

That thou find Love and unto him alone

Show fully how undear

This bitter life and drear

Is to me, craving of his might he deign

Some better harbourage I may attain."

 

Uma só dívida eu te deixo, assim que morrer,

Que você encontre o Amor e nele somente

Mostre inteiramente quão pouco querida

Essa vida amarga e deprimente

É para mim, desejando dele a condescendência

 

De que um melhor porto seguro eu alcance.



Escrito por a mosca filosófica às 12:24
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P. 329 (EPUB version):

"they fell asleep without any covering, so overheated were they what with the weather and what with their sport. Caterina having her right arm entwined about Ricciardo's neck and holding him with the left hand by that which you ladies think most shame to name among men."

 

"Quick, wife, get thee up and come see, for that thy daughter had been so curious of the nightingale [rouxinol!] that she had even taken it and had it in hand." "How can that be?"

 

"An he would part from me in good terms, needs must he first marry her, so it will be found that he had put the nightingale in his own cage and not in that of another."

 

ESTÓRIA 5.1

 

CIMON, IFIGÊNIA, LISÍMACO & CASSANDRA

EM RHODES PRIMEIRO, DEPOIS CRETA

Mais desventuras gregas por mulheres, dignas de Helena de Tróia.

 

"Cimon, abide with God."

"I will begone with thee", respondeu o rústico Cimon, ainda mais bestializado pela beleza da suposta deusa expulsa do Olimpo.

 

[grifos meus]

"Com homens não é assim; eles nascem aptos para mil coisas, não só para isso, e maior parte deles é pertencente aos velhos em detrimento dos jovens; já as mulheres nascem tão-só para isso e suportar crianças, e é por isso que elas são recompensadas; daí, se de nenhuma outra parte, tu deves apreender que mulheres estão sempre prontas para o esporte; ainda mais que uma só mulher cansaria vários homens num jogo, ao passo que nem tantos homens podem cansar uma só mulher; como somos nascidas para isso, te digo que tu farás bem em não dar nada [trocadilho impossível em Português - "loaf" - vadiar, pão] pelo pão-de-aveia de teu marido; de modo que sua alma em nada reprovará tua carne quando já fores velha. Cada um tem desse mundo apenas aquilo que toma para si, e especialmente no caso das mulheres, que devem mais que o homem fazer uso do tempo que têm; tu verás que, quando envelhecemos, nem marido nem ninguém nos olhará, nos mandam à cozinha para contar estórias para o bichano e contar potes e panelas; e pior, eles nos colam rimas e dizem: <Fofoca/bocadinhos para as putas jovens; a mordaça/forca para a língua da matrona.>

Sendo assim, não me digas nada senão quem te agrada e deixe-me arranjar; mas uma coisa te aconselho, minha filha, sejas diligente comigo, já que sou um pobre corpo e terei em ti doravante uma compartilhadora nos indultos e pai-nossos [a interlocutora é freira] que mandarei rezar, para que Deus faça deles luz e velas para teus mortos."

 

"[esses frades pouco beatos] not like doves, but like very turkey-cocks, with crest and erect and breast puffed out"

 

DIC: cuckold - one whose wife is unfaithful

 

"O my God, praised be Thou ever! For, though Thou hast made me poor, at least Thou hast comforted me with a good and honest damsel to wife. See how she locked the door within as soon as I was gone out, so none might enter to do her any annoy."

 

"What is to do now, that thou returnest home so soon, this morning? Messemeth thou hast a mind to do night to-day, that I see thee come back, tools in hand; and if thou do thus, on what are we to live? Whence shall we get bread? Thinkest thou I will suffer thee pawn my gown and my other poor clothes? I, who do nothing but spin day and night, till the flesh is come apart from my nails, so I may at the least have so much oil as will keep our lamp burning! Husband, husband, there is not a neighbour's wife of ours but marvelleth thereat and maketh mock of me for the pains I give myself and all that I endure

(...)

In what an ill hour was I born, at what an ill moment did I come hither! I who might have had a young man of such worth and would none of him, so I might come to this fellow here, who taketh no thought to her whom he hath brought home! Other women give themselves a good time with their lovers, for there is none [I know] but hath two and some three, and they enjoy themselves and show their husbands the moon for the sun. But I, wretch that I am! beucase I am good and occupy myself not with such toys, I suffer ill and ill hap, I know not why I do not take me a lover, as do other women. Understand well, husband mine, that had I am mind to do ill, I could soon enough find the wherewithal, for there be store of brisk young fellows who love me and wish me well and have sent me to do it, for that I was no mother's daughter of that ilk; and here thou comest home to me whenas thou shouldst be at work."

 

O que fazer agora, que tu retornaste para casa tão cedo, essa manhã? Eu acho que te deu na tua cabeça de fazer do dia noite hoje, vendo-te assim voltar, ferramentas nas mãos; e se tu o fazes, com o que vamos sobreviver? De onde tiraremos o pão? Achas que vou deixares penhorar meu vestido e minhas outras roupas humildes? Eu, que não faço nada a não ser me arrastar de lá para cá dia e noite, até a carne desgrudar de minhas unhas, até ter pelo menos o óleo para manter nossa lâmpada queimando! Marido, marido, não há uma só esposa de vizinho nosso que não se espante e faça piadas dos sofrimentos por que tenho de passar e tudo que suporto

(...)

 

Em que péssima hora fui nascer, em que momento horrível vim parar aqui! Eu que poderia ter tido um homem jovem de valor e não querer nada com ele, então eu viria a esse sujeito aqui, que não dirige nenhum pensamento a ela sua esposa que ele trouxe para casa! Outras mulheres desfrutam de um bom tempo com seus amantes, já que não tem nem uma só [que eu saiba] que não tenha uns dois ou três, e sabem aproveitar a vida, e enganam os maridos, mostrando a lua pelo sol. Eu, desgraçada que eu sou! porque sou boa e não me ocupo desses brinquedos, eu sofro males atrás de males, nem sei porque não me arranjo um amante, como fazem outras mulheres. Entenda, marido meu, que se tivesse eu inclinação para o mal, saberia como fazê-lo, uma vez que há inúmeros jovens vigorosos que me amam e me desejam e já me procuraram, porque eu não sou filha da puta dessa laia das outras; e vens tu aqui enquanto devia estar trabalhando!



Escrito por a mosca filosófica às 12:24
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"and as it happened often that folk cannot for ever brook one same food => "e como acontece freqüentemente do povo não poder suportar por muito tempo um mesmo prato de comida, desejando ora ou outra variar a dieta, essa senhora, seu marido deixando de satisfazê-la, tornou-se enamorada de um jovem chamado Leonetto e bom partido e agradável, mesmo que não de alta extração. Ele da mesma forma se apaixonou por ela, e como vocês sabem, nesses casos é comum que, quando as partes não conseguem sufocar o desejo, não demora muito para o amor se consumar."

 

"there is no call to use that loyalty between servants and masters that behoveth friends and kinsfolk; nay, servants should use their masters, in so far as they may, like as themselves are used of them."

 

"This bitedeth thee for none other what than that thou stinkest terribly at mouth, and I know not what can be the cause thereof, for that it used not to be thus. Now this is a very unseemly thing for thee who hast to do with gentlemen"

 

"Carolando, i.e. dancing in a round and singing the while, the original meaning of our word <carol>."

 

DIC - squint: zarolho

 

"scholars, - I will not say all, but the most part of them, - know where the devil kept his tail. Wherefore, ladies, beware of making mock of folk, and especially of scholars."

 

"You men drink so much of an evening that you do nothing but dream all night and fare hither and thither, without knowing it, and fancy you do wonders. 'Tis a thousand pities you don't break your necks"

 

"men have a byword which said, <Good horse and bad horse both the spur need still, And women need the stick, both good and ill>"

 

"how often aforetime had father loved daughter, brother sister, stepmother stepson, things more monstrous than for one friend to love the other's wife, the which had already a thousand times befallen!"

 

"Things honourable pertain unto maturer folk; I can will nought save that which Love willed."

 

"If it appear to her that she had been deceived, it is not I who am to blame therefor, but she, who asked me not who I was."

 

"It is the belief of many philosophers that the actions of mortals are determined and foreordained of the immortal Gods, wherefore some will have it that all that is or shall ever be done is of necessity, albeit there be others who attribute this necessity to that only which is already done. If these opinions be considered with any diligence, it will very manifestly be seen that to blame a thing which cannot be undone is to do no otherwhat than to seek to show oneself wiser thant the Gods, who, we must e'en believe, dispose of and govern us and our affairs with unfailing wisdsom and without any error; wherefore you may very easily see what fond and brutish overweening it is to presume to find fault with their operations and eke [ainda; além disso] how many and what chains thy merit who suffer themselves to be so far carried away by hardihood as to do this. Of whom, to my thinking, you are all, if that be true which I understand you have said and still say for that Sophronia is become my wife, whereas you had given her to Gisippus, never considering that it was foreordained from all eternity that she should become not his, but mine, as by the issue is known at this present."

 

"you of your judgement gave Sophronia to Gisippus, a young man and a philosopher; Gisippus of his gave her to a young man and a philosopher; your counsel gave her to an Athenian and that of Gis. to a Roman; your counsel gave her to a rich youth, his to a very rich; yours to a youth who not only loved her not, but scarce knew her; his to one who loved her over his every happiness and more than his very life. (...) True, he is an Athenian and I am a Roman. If it be disputed of the glory of our native cities, I say that I am a citizen of a free city and he of a tributary one; I am of a city mistress of the whole world and he of a city obedient unto mine; I am of a city most illustrious in arms, in empery and in letters, whereas he can only commend his own for letters."

 

Titus

 

"Let me tell you, king, that it was an exceedingly great glory to you to have overcome one's self, wherefore do you, who have to correct others, conquer yourself and curb this appetite, nor offer with such a blot to man that which you have so gloriously gained."

 

 

"To-morrow, as you know, it'll be 15 days since we departed Florence, to take some diversion for the preservation of our health and of our lives, eschewing the woes and dolours and miseries which, since this pestilential season began, are continually to be seen about our city."

 

"Most noble damsels, for whose solace I have addressed myself to so long a labour, I have now, methinked, with the aid of the Divine favour, (vouchsafed me, as I deem, for your pious prayers and not for my proper merits,) throughly accomplished that which I engaged, at the beginning of this present work, to do; wherefore, returning thanks first to God and after to you, it behoved to give rest to my pen and to my tired hand."

 

"De novo, como são, essas estórias, como tudo o mais, podem causar dano e benefício, de acordo com a disposição do ouvinte. Quem não sabia que o vinho, embora, segundo Cinciglione e Scolajo (*) e muitos outros um excelente bem para pessoas em saúde, é daninho para quem tem febre? Deveríamos dizer, então, que porque o vinho maltrata os febris ele é ruim? Quem não sabia da utilidade, não, necessidade do fogo para os mortais? Porque ele queima casas e vilas, é mau? Armas asseguram o bem-estar daqueles que desejam viver em paz e ainda assim matam os homens, sem malícia alguma per se, mas pela perversidade de quem as usa errado."

 

(*) Dois notáveis recomendadores do vinho em seu tempo.

 

"Que livros, que palavras, que letras são mais sagradas, valorosas e veneráveis que as das Divinas Escrituras? E existem muitos que, mal-interpretando, conduziram outros e a si mesmos para a perdição. Tudo em si mesmo é bom de algum modo e mal-usado doutro; assim também minhas estórias."

 

 

"Embora um bom tempo tenha passado de quando comecei a escrever até esta hora presente em que finalizo minhas tarefas, não escapou de minha memória que eu recomendei esta minha obra a mulheres ociosas e não outros, e dentre aqueles que lêem para passar o tempo nada pode ser tão longo, já que a leitura atendeu seus propósitos. Resumos cabem melhor aos estudantes, que estudam não para os ponteiros do relógio andarem, mas para aplicar melhor o tempo, ao contrário de vocês mulheres, que têm em suas mãos todo o tempo que não passam nos prazeres do amor; ainda mais que nenhuma de vocês vai a Atenas ou Bologna ou Paris estudar, então mais vale falar a vocês que a quem se aguçou pelas letras. Bem, não duvido que muitas de vocês dirão que o acima está cheio de gracejos, excentricidades, prosódias e lisonjas e que pareceria feio a um homem de peso e gravidade escrever assim. (...) declaro, pois, que não sou pesado, sou leve o bastante para boiar na água feito noz, e considerando as pregações fradescas, de censurar homens por seus pecados, hoje não mais que gracinhas e esquisitices e zombarias, concebo que esses últimos não estão à toa em minhas estórias feitas para espantar a melancolia das mulheres. Porém, se elas rirem demasiado desses causos, as Lamentações de Jeremias, a Paixão do Nosso Salvador e a Queixa de Maria Madalena aí estão para curá-las."



Escrito por a mosca filosófica às 12:23
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SAMEOP

O irárt noc oaaiverc se euqmemoho.

 

homemória

 

homemorróida

 

Emorrhoidão, o primeiro homem

 

EStreitártaroslaçoslandoBOÇO

 

 

Sobre a história (ciência que Hegel – filósofo alemão aquele país que demorou a esperança – RIP – é a última que morre a se reunificar do(s) século(s XVIII e) XIX  quase identificou ao jurídico) do universo.



Escrito por a mosca filosófica às 19:36
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THE APPLE TREE

John Galsworthy

 

“Maladjusted to life--man's organism! One's mode of life might be high and scrupulous, but there was always an undercurrent of greediness, a hankering, and sense of waste. Did women have it too? Who could tell? And yet, men who gave vent to their appetites for novelty, their riotous longings for new adventures, new risks, new pleasures, these suffered, no doubt, from the reverse side of starvation, from surfeit. No getting out of it--a maladjusted animal, civilised man!”

 

“Life no doubt had moments with that quality of beauty, of unbidden flying rapture, but the trouble was, they lasted no longer than the span of a cloud's flight over the sun; impossible to keep them with you, as Art caught beauty and held it fast.”

 

"My dear fellow," Garton was saying, "pity's only an effect of self-consciousness; it's a disease of the last five thousand years. The world was happier without."

 

 

"My dear chap, all our modern unhappiness comes from pity. Look at animals, and Red Indians, limited to feeling their own occasional misfortunes; then look at ourselves--never free from feeling the toothaches of others. Let's get back to feeling for nobody, and have a better time."

 

 

"Ah! That's so English! If you speak of emotion the English always think you want something physical, and are shocked. They're afraid of passion, but not of lust--oh, no!--so long as they can keep it secret."

 

 

Quão pueril! Eu, no Gisno, não mais que 17, silencioso, recatado, ascético... Contemplando meus próximos 50 anos e pensando: já sou maduro! já sou velho! Olha como brincam os adolescentes; eu sou diferente. Tenho uma calma serena para tudo e sei apreciar a vida. E hoje... perdeu-se isso?! "Emburreci" no mundo do trabalho? Ou sou sempre aquele com mais a dizer e que é o menos tagarela dos colegas? A desgraça dos comunicativos-seletivos. Cuspindo a semente da maçã podre.

 

Except for a definite irritation with his friend, natural when you have tramped with a man for three days, Ashurst's memories and visions that sleepless night were kindly and wistful and exciting.”

 

"'Ope as yure leg's better, zurr."

 

"Thank you, it's getting on."

 

“Of man--at any age from five years on--who can say he has never been in love?”

 

“Algumas naturezas são tornadas mais ásperas pelo amor que lhes prestam; outras, como a de Ashurst, são absorvidas, aquecidas, comovidas e aliviadas, quase exaltadas, pelo que elas sentem ser uma espécie de milagre.”

 

"What had he known of love, till she seized his hand and kissed it! And now--what did he not know? But to write of it seemed mere insipidity!"

 

"Each queen wasp killed meant two thousand fewer wasps to thieve the apples which would grow from that blossom in the orchard; but who, with love in his heart, could kill anything on a day like this?"

 

"Time goes fast for one who has a sense of beauty, when there are pretty children in a pool and a young Diana on the edge, to receive with wonder anything you can catch! Ashurst never had much sense of time."

 

"I love her! But do I really love her? or do I only want her because she is so pretty, and loves me?"

 

 

 

 



Escrito por a mosca filosófica às 20:39
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ANTOLOGIA DE UM SÓ - UM RETORNO ÀS ORIGENS

JOAQUIM MANUEL DE MACEDO - A MORENINHA

 

Capítulo "Aposta Imprudente"

 

(...)

 

- Augusto, minha avó é a velha mais patusca [fanfarrona; tipo de bolo; boceta] do Rio de Janeiro.

 

- Sim?... que idade tem?

 

- Sessenta anos.

 

- Está fresquinha ainda... Ora... se um de nós a enfeitiça e se faz avô de Filipe!...

 

- E ela, que possui talvez seus 200 mil cruzados, não é assim, Filipe? Olha, se é assim e tua avó se lembrasse de querer casar comigo, disse Fabrício, juro que mais depressa daria o meu 'recebo a vós' aos cobres da velha, do que a qualquer das nossas 'toma-larguras' da moda.

 

- Por quem são!... deixem minha avó e tratemos da patuscada. Então, tu vais, Augusto?

 

- Não.

 

- É uma bonita ilha.

 

- Não duvido.

 

- Reuniremos uma sociedade pouco numerosa, mas bem escolhida.

 

- Melhor para vocês.

 

- No domingo, à noite, teremos um baile.

 

- Estimo que se divirtam.

 

- Minhas primas vão.

 

- Não as conheço.

 

- São bonitas.

 

- Que me importa?... Deixem-me. Vocês sabem o meu fraco e caem-me logo com ele: moças!... moças!... Confesso que dou o cavaco por elas, mas as moças não têm posto velho.

 

- É porque ele não conhece tuas primas, disse Fabrício.

 

- Ora... o que poderão ser senão demoninhas, como são todas as outras moças bonitas?

 

- Então tuas primas são gentes?... perguntou Leopoldo a Filipe.

 

- A mais velha, respondeu este, tem 17 anos, chama-se Joana, tem cabelos negros, belos olhos da mesma cor, e é pálida.

 

- Hein?... exclamou Augusto, pondo-se de um pulo duas braças longe do canapé onde estava deitado: então ela é pálida?...

 

- A mais moça tem um ano de menos: loira, de olhos azuis, faces cor-de-rosa... seio alabastro [mármore branquinho]... dentes...

 

- Como se chama?

 

- Joaquina.

 

- Ai, meus pecados!... disse Augusto.

 

- Vejam como Augusto já está enternecido...

 

- Mas, Filipe, tu já me disseste que tinhas uma irmã.

 

- Sim: é uma moreninha de 14 anos.

 

- Moreninha! diabo!... exclamou outra vez Augusto, dando novo pulo.

 

- Está sabido... Augusto não relaxa a patuscada.

 

- É que este ano tenho pagodeado meu quantum satis; e, assim como vocês, também eu quero andar de contas justas no mês de novembro.

 

- Mas a pálida?... a loira?... a moreninha?...

 

- Que interessante terceto! exclamou em tom teatral Augusto; que coleção de belos tipos!... uma jovem com 17 anos, pálida... romântica, e portanto, sublime; uma outra, loira... de olhos azuis... faces cor-de-rosa... e... não sei que mais; enfim, clássica e por isto bela. Por último, uma terceira de 14 anos... moreninha que, ou seja romântica ou clássica, prosaica ou poética, ingênua ou misteriosa, há de por força ser interessante, travessa e engraçada, e por conseqüência qualquer das três, ou todas ao mesmo tempo, muito capazes de fazer de minha alma peteca, de meu coração pitorra [Mais uma palavra rica de nosso idioma: 1. pequeno pião; 2. cabeça; 3. gênero de molusco; 4. pessoa baixa e gorda.]!... Está tratado... não há remédio... Filipe, vou visitar tua avó. Sim, é melhor passar os 2 dias estudando alegremente nesses 3 interessantes volumes da grande obra da natureza do que gastar as horas, p. ex., sobre um célebre Velpeau[*], que só ele faz por sua conta e risco mais citações em cada página do que todos os menininhos fizeram, fazem e hão de fazer pelo mundo.

 

[*] Anatomista francês, teria descoberto a leucemia. Quando se usa tipoia no braço, o procedimento ganhou seu nome.

 

- Bela conseqüência! É raciocínio o teu que faria inveja a um calouro, disse Fabrício.

 

(...)

 

- E de qual gostaria mais, da pálida, da loira ou da moreninha?...

 

- Creio que gostaria, principalmente, de todas.

 

- Ei-lo aí com sua mania.

 

- Augusto é incorrigível.

 

- Não, é romântico.

 

- Nem uma coisa nem outra... é um grandíssimo velhaco.

 

- Não diz o que sente.

 

- Não sente o que diz.

 

- Faz mais que isso, pois diz o que não sente.

 

- O que quiserem... Serei incorrigível, romântico ou velhaco, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou, enfim, mau e perigoso, e vocês inocentes e anjinhos. (...) verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem um 'eu vos amo', mas também a nenhuma pedi ainda que me desse fé; pelo contrário, digo a todas o como sou; e se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis, a culpa, certo que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros, amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas... sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... Mas entre nós há sempre uma grande diferença; vós enganais e eu desengano; eu digo a verdade e vós, meus srs., mentis...

 

- Está romântico!... está romântico!... exclamaram os 3, rindo às gargalhadas.

 

- A alma que Deus me deu, continuou Augusto, é sensível demais para reter por muito tempo uma mesma impressão. Sou inconstante, mas sou feliz na minha inconstância, porque, apaixonando-se tantas vezes, não chego nunca a amar uma vez...

 

- Oh!... oh!... que horror!... que horror!...

 

- Sim! Esse sentimento que voto às vezes a 10 jovens num só dia às vezes numa mesma hora, não é amor, certamente. (...) ...eu mesmo passar 2 ou 3x por dia por uma só rua, por causa de uma moça?... e para quê?... (...) Para que ela chame as vizinhas que lhe devem ajudar a chamar-me tolo, pateta, basbaque e namorador?... (...) muitas vezes alguma de vós, quando me ouve dizer: 'sois encantadora', está dizendo consigo: 'ele me adora', enquanto eu digo também comigo: 'que vaidosa!' (...)

 

- Que mimos de amor que são as primas deste senhor!...

 

(...)

 

- Bem, escrever-se-á um romance, e um de nós dois, o infeliz, será o autor.

 

 

(...)



Escrito por a mosca filosófica às 10:57
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ENTRELINHAS DE ZARATUSTRA

"olho afável que pode ver sem inveja até mesmo o excesso de felicidade!"

 

Meu barbante e minha calopsita

Eu sei da tua seiva

Eu sirvo ao silvo do silvícola

O seu self selvagem

Sou da nata dos nativos

Aposto nos apócrifos

Envergo o verbo

Medito num meio de merecer o mel,

e abdicar do sarcófago da múmia

Cato cacos de cantos centrados no espírito

Escrevo e nem sei se devo

algo a alguém

 

Não posso avançar dois degraus-monolitos de uma vez!

 

Um deus tão sujo (e duas caras) que eu chamei de BIDÊUS.

 

Quem desdenha algo, quer comprar outra coisa.

 

O deus-eco mais fraco do século XX foram os aliens da Area 51. Além das estrelas um motivo para ainda continuar vivo. A igreja oval achatada e cheia de luz e muitas graças. Feérica crença agitada. Sob encomenda para as massas.

 

Está desconfiado do sentimento de desconfiança?

 

Aquele que pensar de modo diverso, que encaminhe voluntariamente seus passos para o manicômio.

 

"Estou amuado hoje."

"Vá assistir um filme!"

 

Tromba em mim com tua tromba, dinha

 

rever em cear, se há...

 

A cavalo cuidado, não se olha os pendentes!

 

Vou jogar com o sol a pino no boliche das galáxias!

 

"Dei a luz a um grilhão, agora sou feliz, não morrerei sozinha, pois o maldito transmite a maldição pelo sangue!" E. "Meu Absoluto vem do meu Próprio Eu, meu Ventre. Mas para disfarçar a blasfêmia ao meu Deus intangível, distante, frio, chamo-o de Outra Coisa, também 'inacessível', rá! mas o truque é que ele é minha carne! Manjado o golpe, porém no mundo lá fora do útero ele ainda é comprado!"

"O Mais Limpo vem do sujo, impuro, ignominioso!"

"Assinado: a mãe de um Deusinho!"

meu bojo ai que nojo!

 

Desculpe, mas não vou pagar o que eu devo, pois, de mais a mais, nunca poderei. Devo e devo duas, três vezes. E só aumento a dívida. Resgate que já se tornou maior que a vida. Por isso não me mate, não antes que o tributo alcance maior quilate!

 

O Em-Si não vê o jornal. Ele é profundo.

De pé descalço,

e barriga ao vento

Agora eu vou, pra longe de casa agora eu vou.

De garras afiadas subjetivas, sempre

Pinta aqui um sinal de que tudo vai bem

O cotovelo cria casca, enrijece pelo todo

A fábrica continua a todo vapor a produzir o gel-dádiva-mor

Cada preguicinha tem o seu porquê, o seu desmascaramento: e não era nada disso

Cada pêlo hirsuto está também mancomunado

com o centro de controle ousado

 

Simíope é o macaco

Mansurdo às agressões

O entortamento diante de cada ser - reverência secreta?

Pombinhos acadêmicos esquálidos,

falo de quase todos em somente 2 linhas

Cada gota de suor faz parte de algo maior

Pernas: pra que as quero?

Ombros: para suportar o peso dos escombros.

 

Não alterar o trajeto da corrida que estou vencendo.

 

A julgar pelo que me vem acontecendo, a esperança é a última que dorme!

 

* * *

 

Era de Ouro - Era de Prata - Era de Bronze...

No futebol, nos games, na música, na literatura, até no clima e na vida...

 

Até os bobos-da-côrte precisam, eventualmente, de um bobo-da-côrte.

 

A vida é uma churrasqueira, negra e escura.

 

(...)[XF]

 

O mundo pára depois da sexta-feira, e depois rearranca de 2ª marcha

Ele bebe metade da água do copo e joga o resto fora, mesmo que o faça duas vezes, de sede: ele não suporta ir até o fundo...

Não obedeça os impulsos de teus sonhos.

  Queres sair? Queres "te divertir"?

Ainda não, bastardo! Espere mais um pouco,

 

o ceu está nublado.



Escrito por a mosca filosófica às 23:00
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Estás cansado? Problema teu, ponha no automático.

 

Vou saber te recompensar!

 

Sou tão profundo que não sou nem Eu!

 

Mesmo lésbicas adotam crianças.

 

Não és suficientemente rico para mo dar de presente.

                                               mudar

 

Eu tenho o Direito de ser injusto.

 

Eu quero ser o senhorio.

 

Quem espera nunca alcança, porque perdeu o momento propício. Foi o tempo que congelou seu coração ou foi ao contrário?

 

P. 85: Mondiodrongo

trabalho monjolo paciência enjôo

lazer (não confundir) jogo portenho tango

Mongo django livre jungle capitalismo

emoções educação parasita lei da selva

Sonso mansão dia longo televisão comendo

roncando meleca Sim? P! Sons of decadence

exemple sans élégance, c'est fatal! Dio mijo mijódromo descarga gambitos gol Gnomo DEUS-DUENDE

Campeão mondial de la preguiça va mal, et toi lette?

 

Tímpano Maia

 

maduro mamole dá duro, durma e mame este é o teu lema! Ele é o mal e a loucura encarnados.

 

"Seu sonho era ver seu filho se formar na faculdade"

Sonhar grande e alto não é o forte dos sem-asas!

Erguer-se depois da queda não é prerrogativa dos castrados.

 

"Meus inimigos se tornaram poderosos e desfiguraram tanto a imagem de minha doutrina que meus prediletos se envergonharam dos dons que lhes fiz."

 

Nós, os sábios, os escolhidos, [insira aqui o vocativo], obedecemos a eterna dialética do bater e assoprar, do subir ao monte do ar rarefeito mas puro e descer à canalha, carregando uma mensagem!

É que às vezes não estamos nem à altura de nós mesmos.

Outras vezes estamos tão altos que nos tornamos magnânimos!

A visita do anjo que nos acalanta é a nossa própria!

A prova de que estamos no bom caminho é que até a ralé gosta de viajar, ensaia ser alpinista!

Ninguém a não ser pássaro chega tão longe comendo alpiste!

Para ser o snowboarder, o esquiador das idéias brancas de neve, é um mandamento solar saber descer em velocidade!

Hotelaria em mim mesmo. Cartão sem limite. Self-service, coração open bar.

 

 

Quem é Sansão para sancionar?

Quem é o forte para bater?

Quem é o sensual para bailar?

Quem é o deus para criar?

Quem é você para dizer?

Quem é o tabelião para cobrar?

Quem é o pobre para pagar?

Quem sou eu para escutar?

Quem é a criatura para honrar?

Quem é o leproso esquálido para estacar?

Quem é o fraco para deixar passar?

Quem é o interdito para não amar?

De quem é essa dose para eu tomar?

De quem é esse tomo para eu ler?

De quem é essa LER para eu curar?

De quem é essa cúria para eu distribuir?

De quem é esse distrito para eu poluir?

De quem é esse pólen para eu assoprar?

De quem é esse sopro para eu comprimir?

De quem é esse comprido para eu cavalgar?

De quem é essa pá e esse esgar?

 

Pinto esgotado

assim o artista se cansa

Lusifica a língua

lubrifica a herança

 

Pardo se esgoela no apito

da vida alheia

Fisguei uma isca!

Sara e Ifrit me beijam na ameia

 

O Big Bang da burrice universal

 

O azarado com dinheiro é o único desgraçado que não pode comprar a sua sorte.

 

Dou aula de modos aristocráticos, mas não falo da História!

                            ariscos

                        de arrisco

 

Estou cada vez mais convicto de que ou você lê ou você VIVE.

 

Fug ID io da psicanálise

 

 

O Judeu Gás Metano



Escrito por a mosca filosófica às 22:59
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ERRO? Percepção mutável ancorada no presente mais imediato de que tudo vale, apesar dos pesares, mesmo a pena ou negando a idéia ultrajante. Como saber qual das duas é produto de uma maior 'imaturidade espiritual'? Ciclo ininterrupto porque contingente. Não decide nada. Número de vezes? Irrelevante, quando todo castelo vira areia e não há poupança. O imbecil do Odium fati - de pessimista e de tolo basta euzinho!


Mas toda areia vira castelo uma hora!


158 MANUAL DO EU VIVO

. Nãos aos tímidos

. Sim aos vaidosos

. Deixar-se levar pela gentalha

. Ocultar minha identidade e esquecer a deles

Página do SUPERDRAGÃO, a nêmese para o S-H.

Eu sou apenas carne da sua carne, que se separou há muito tempo...

Até a Fênix morre por alguns instantes. Ela retira sua energia do próprio não-Fênix, de quandonde não estava ali devindo, não estava mais. Seu zero vazio inexistente é seu inconsciente. Seu antes e além, seu momento.


Eu sou Shido, ele é Arrombado.


O Instante é odioso porque ele é Pai.


Se Chefe de Família fosse cargo DAS, você estaria no FGTS.


Nietzsche em russo (?) é NÃO...


Rafael x OS-QUE-NUNCA-MUDAM

 

Handicap na coordenação motora da voz. Cordas vocais que já não sabem o que querem, nem como se vibra. Sou tão parecido assim com o traste parasita que mais abomino?!

 

A sua presença me causa cansaço existencial.

 

CAPESCA UM GRANDE PEIXE PAI DE PEIXE PEIXÃO É  CHÃO E PÉ, PAIXÃO.

        COXA TCHACO  encontra-se um caminho fora das artes-marciais

                                                                              tesar tesão

 

bigode de Gobi’s Valley até vocês! Liaison

 

Por que os animais são oniscientes?

 

Faço as coisas mais estúpidas que é para me curar da insistente sabedoria!

 

Ave não tem medo de cair, se espatifar; ave tem vertigem de baixitude!

 

Comer a eis ou não, ex a questão!

 

Para mandar é onipresente, para cuidar, nem tanto.

 

“we can expect Shakespearean work from Shakespeare or we can expect Shakespearean work from a monkey sitting at a typewriter” – Crack Addict, GameFAQs

 

Deus criou o mundo em 6 dias

no sétimo a Samara o matou.

 

Deus, se vc tá me ouvindo, abaixa a tampa do vaso.

 

O eterno respingo de todas as coisas.

A eterna restinga

 

Meio-dia e meia-noite no País dos Escuros Tópicos

                                                Tropeços Claros!

Me sinto mais à vontade... 9 da matina, vida vespertina, 3 da tarde!

 

Felizmente sou infeliz! Ass: superpoeta e grávido e crente!

 

Dragon Ball Zaratustra

Assim é a Filosofia

Vê se não te Frustra!

 

BALANÇO GERAL – duplo sentido

 

O homem bom x o bandido

O trabalhador

a vítima

(o carrasco!)

O homem adulto, formado

Pai de família

Carrólatra que não bebe

 

O mau do bandido é ainda ser penoso trabalhador, bode expiatório, executor da sentença de outros, homem (no sentido mais jurídico do termo – órgão reprodutor, sujeito consciente das responsabilidades, maior de idade), sustentáculo de dependentes e “tirador de documentos” demais. Tudo isso ele é demais, em tudo isso ele se inclui, é apenas uma reflexão em superfície levemente mais turva. Poderíamos trocar de posição, num mau dia para ambos!

 

O mundo que o apresentador quer

O mundo que o apresentador teme

nenhum dos dois irá se consumar

porque o civilizado é frágil e arrumado demais para tomar providências verdadeiras

mas o bandido é só ele cuspido;

daria tudo por um terno-e-gravata e respeito

O fraco, sem porta-vozes, se obriga a ser forte

 

Poderia surfar nesta ladainha para sempre!

      MAIO-nese – ó, mas já é junho!

 

Recolham-se, os sete pedaços ca-ca-capitais!

 

Fique triste! Você não está sendo filmado!

 

Até a próxima regorjearuminação!



Escrito por a mosca filosófica às 22:56
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VIAJAR AO ESPAÇO!

A grande ambição... do homem romântico. Quando o sonho se concretizou (pela metade), no século XX, já era ultrapassado, quimera, sem graça. De que valia tanto esforço para queimar combustível, se não se poderia ir além da Lua, o satélite natural da Terra, já desvendado em todas as suas crateras desde aqui pelos telescópios dos astrônomos? Restava o lado negro, é claro, o mais feio, inominável, o lado escuro da Lua. Que o resto da negra imensidão do cosmo, aliás, tão feia quanto o ponto cego dos astros familiares, fosse explorado por macacos, ratos, cães, robôs e o raio que o parta, menos gente!

 

A porta para o inconsciente não está dentro de você no mundo real. O mundo dos obuses, o mundo da inflação. Que resta de mim sem o vil metal; só estas hastes gastas de madeira que sequer se dobram? A dúvida me devora, como as operações dos Homúnculos Sem-Mãe devoravam a armadura do meu irmão! Uma casca vazia, sem alma, eram alguns dos outros; mas eu sou o contrário, alma sem conteúdo carnal - pouco importa!...

 

Sacrifiquei tudo, mas ainda me sobrou muito.

 

Assinado: uma Ostra chamada cismo - ou seria a Pérola dessa mesma Ostra?



Escrito por a mosca filosófica às 22:47
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CANÇÕES DE AMOR - Petrarca

-- comentador: William Dudley Foulke --

 

"he has come down to us after 6 centuries as 2nd only to Dante among the 5 great classic authors in Italy and as a worthy of the companionship of Homer, Virgil, Horace, Cervantes, Shakespeare, Milton, and Goethe on the world's roll of fame."

 

Esta é a única obra no vernáculo de Pet. O demais está em Latim.

 

Petrarca nem nascera (1304) e Dante, o Gibelino, já havia sido banido de Florença (1302). Mas em verdade Francesco é de Arezzo. Só que entre os exilados, dois anos antes, lá estava seu Petracco, pai!

 

"Pistoia", cidade italiana

Tonga - nação polinésia

 

Súbita lembranã de sonho: revista Nosso(s)/Seu(s)/O(s) Amig(uinh)o(s)

 

P. 12: curiosa história de como um dos últimos exemplares de Cícero sumiu para sempre.

 

Lady Laura como a "Beatriz de Petrarca".

 

Santo Agostinho - Confissões

 

stupefied on the field

 

Roma, a Cidade Eterna

 

"Eu nunca vejo o rosto de uma mulher, exceto pelo da esposa do meu oficial de justiça, e se você a visse, suporia estar diante de um pedaço do deserto líbio ou etíope. Feições chamuscadas, queimadas de sol, sem um traço de frescor ou sumo jovial que reste. Se Helena tivesse uma tal cara, Tróia ainda estaria de pé." "[mas] Sua alma é tão branca quanto sua pele é TRIGUEIRA..." "Aqui [em Vaucluse] os únicos sons são os ocasionais ruminares do gado e balidos das ovelhas, as canções dos pássaros, e o incessante murmurar da correnteza." "é tudo muito quieto da aurora ao crepúsculo (...) disciplinei tão bem minha garganta e minha barriga, que o pão do meu pastor me basta"

 

"minha frivolidade mulheril me diz que não há nada tão bonito fora da Itália"

 

Pra ser nada, você ainda precisa de muito, gata!

 

Entre mim e a felicidade, o pavimento mais rico: um só livro. É do que é preciso.

 

Pan-Atenéia, as Olimpíadas Intelectuais

 

Lauraeado!

 

"On April 25 [1342], Pope Benedict XII died, and Clement VI ["O Devasso"] succeeded him. Petrarch may well have been anxious to acquire the favour of the new pontiff, since his livelihood was largely dependent on papal patronage."

 

debalde me banhei de balde

 

"[Devido a ele] A mania for composing poetry [fantasmagoria!] became epidemic."

 

"On the night of February 23 [escrevo dia 23/02/14], after passing successfully through the camp of the besiegers with a small unarmed escort, he was attacked by a troop of robbers and was only saved by flight. His horse fell and threw him, the guides lost their way, and P., wounded from the fall, spent the night upon the ground in the midst of a raging storm." [fuga do sítio de Milão e Mântua a Parma]

 

"In the beginning of 1348 the Plague appeared, brought by merchants out of India through Constantinople." "Those who were attacked generally died at the end of 3 days."

 

Conheceu Boccaccio aos 46.

 

"They wanted to send me to school at my age, to teach me to write in a low and crawling manner."

 

O tratado "semi-louco" de Petrarca, que se enfureceu contra a classe dos médicos em uma querela infantil: "Invectives Against a Certain Physician"

 

Sujeito craque em cair do cavalo - metaforicamente ou não!

 

"I love solitude and silence, but I am a prattler [tagarela] among my friends. I compensate for the chatter of a day by the silence of a year."

 

"There is nothing so fatiguing as intercourse with the public or with someone we do not love and who has not the same interests that we have."

 

1359 - finalmente lê a Divina Comédia. "Neither the injustice of his fellow citizens nor his own quarrels, nor exile, nor poverty, nor the love of wife and children - nothing could distract him from his studies, although poetry demands silence and repose." "As youth is flexible, drawn to admiration and imitation of what it admires, I feared that in reading the works of those who had written in the same language, I would become, without knowing it or wishing it, their copyist."

 

Um pedante numa discussão com P.: "Be a good Christian as much as you like; for my part I don't believe anything of all of that. Your Paul, your Augustine, and all the rest you boast of [se gaba de], were only platters. Ah! if you could read Averrois you would see how superior he is to all such folk." Apology against the Calumnies of a Frenchman

 

Averróis, o discípulo de Aristóteles

 

O Papa Urbano V se mudou de Avignon para Roma e depois voltou com o rabo entre as pernas. Papas pareciam morrer com simples resfriados, ou eram eleitos muito velhos... Ou os dois.

 

Letter to Posterity, a autobio.

 

"In spite of his long friendship with Boccaccio, Petrarch had never read the Decameron until this year. [o último de sua vida, 1374]"

 

Um virador-de-chave da libido como Roberto Carlos. Logo um clitóris quente se transformará, em sua percepção febril, no cálido e inefável 'amor de Deus'.

 

"Só via separação, distrações ocupacionais, ou um novo amor, pode um antigo amor ser curado. Mas os antídotos mais efetivos são doença, feiúra e velhice! Mulheres não merecem ser amadas, já que são um sexo desumano e frívolo para quem a trapaça se tornou um hábito. Briga e descontentamento invadem o lar com esposa, especialmente sendo ela rica e de família nobre. Aquele que tendo uma vez casado vem a se casar de novo é um tolo, e aquele que dá uma madrasta a sua criança é o mesmo que arremessa uma tocha ardente na própria casa. Se não fosse pecado e proibido por Deus, o concubinato seria melhor que um segundo casamento."

 

 

Geoffrey Chaucer - Canterbury Tales



Escrito por a mosca filosófica às 16:37
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"I wish to perysh, yet I aske for helth; (Wyatt)
  I loue another, and this I hate my selfe;

  I fede me in sorrow, and laugh in all my payne"

 

"os frívolos encantos de uma beleza perecível com que eu me ocupei por demais."

 

"Ela tinha escrito em seu justo colar <Não deixe ninguém me tocar, meu César [Senhor] achou melhor me fazer livre>"

 

"A juventude me corrompeu; o gentio me tirou do caminho; mas a velhice me corrigiu, e me ensinou a verdade: que juventude e prazeres são vanidades."

 

"But, alas! There is nothing lasting among mortals, and if aught [qualquer coisa] of sweetness chanced to present itself in life soon comes the bitter end."

 

etc. = &c.

 

* * *

 

"'Tis [It is] now, O Lord, the eleventh circling year

Since I am fettered by this pitiless chain

Which to the weak is ever most severe;

Have mercy on my undeserved pain!

Guide Thou my wandering thoughts some better way"

 

"Follow the few and not the common herd."

 

"Lo'! a true friend to rescue me draws nigh"

 

bark at the sea moon:

"My bark the raging surges overwhelm,

Tossing at midnight on the winter sea.

'Twixt [It twisted] Scylla and Charybdis. (...)"

 

"Amid these waves knowledge and skill are vain,

And I despair of reaching port again."

 

"Provençal sestines" - rígida métrica com as mesmas últimas palavras de cada verso pré-definidas; estrutura cíclica.

 

woodland would lend?

 

"What miracle to see her on the grass,

Where like a flower she sits! Or watch her press

Her breast on that green bush; or mark her pass

In the fresh springtime, in her loveliness"

 

"I know that still alive I could not be,

If she, of women fairest and most pure,

Came not in dreams at early morn to me,

The time when every dream is true and sure."

 

"Since I was born where Arno's stream doth glide

From land to land my restless feet have sped,

And life was naught [nought?] but bitterness and pain."

 

"Virgin, my only hope doth rest in thee!

I know that thou will help my sad estate."

Uma virgem, e não a, para me restabelecer!

 

"And all the fruit of love is bitter shame

And vain repentance, till it clearly seems

 

The things that charm the world are idle dreams."



Escrito por a mosca filosófica às 16:35
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TIMEU-CRÍTIAS - Platão

DIC (grego): kai - conjunção "e"

 

"o culto cretense do touro" itauriano apaixonado da bota que deu um chute no traseiro brasileiro pastiche-iche-iche sanduíche panduíche iídiche

 

Chama a atenção a alta incompreensão de Platão pelos filósofos antigos seus discípulos.

 

Esse discurso é a ressaca dos diálogos da República.

 

"Sólon, o mais sábio de entre os Sete Sábios"

 

"era bom que ele não tivesse usado a poesia como passatempo" (*)

 

Egípcios, os pais da História: "nasceis de novo, do princípio, tal como crianças, sem saber nada do que aconteceu em tempos remotos, quer aqui, quer entre vós."

 

"ilha essa que era maior do que a Líbia [costa oeste africana] e a Ásia juntas"

 

(*) "é que, ao contrário da maioria dos poetas de seu tempo, Sólon não compunha por indicação de um patrono."

 

Plutarco - Vida de Sólon / Questões Platônicas

 

"Deucalião, filho de Prometeu" Diluvião Pluvião

 

Heródoto - (título indeterminado) história do Egito

 

"uma imagem eterna que avança de acordo com o número; é aquilo a que chamamos tempo"

"Dizemos que <é>, que <foi> e que <será>, mas <é> é a única palavra que lhe é própria de acordo com a verdade"

 

Planeta = errante

Nossa terra mais firme é a mais vadia

A água é que é sólida! Soledade, só se for!

 

"Eis o que diremos novamente: a órbita do universo, visto que engloba todos os gêneros e é circular, tende por natureza a querer concentrar-se em si mesma e comprime todas as coisas, não permitindo que lugar algum permaneça vazio."

 

O grande monólogo do amigo de Sócrates.

 

"Por causa da gula, a espécie humana tornar-se-ia completamente estranha à filosofia e às Musas, e seria desobediente à parte mais divina que há em nós."

 

"o fluxo de palavras é o mais belo e excelente de todos os fluxos."

 

Hipócrates - Sobre a Doença Sagrada (Epilepsia)

 

"entre as formas de purificação e reforço do corpo, a melhor é a que se alcança através da ginástica. A segunda é a que se consegue através das oscilações ritmadas nas viagens de barco ou noutro meio de transporte que nos mantenha livres de fadiga."

 

Mulher, o animalzinho para as perversões do grego. Dois vira-latas trepando na rua cheirando um o cu do outro, isso eram as safistas na Antigüidade. Ser "grego" hoje: o chauvinismo involuntário. A a-genitalização da sociedade. Do sociedade. Socismo. O corpo é mole, o coeficiente de resistência da carne é fraco, e esta é uma dura lição!

 

"É por isso que a natureza das partes íntimas dos homens é desobediente e autônoma, semelhante a um ser-vivo desobediente da razão" Justificativa moral para a viadagem. O Diogo reencarnará como uma ema ou um peixe fedorento.

 

"visto que naquele tempo as ocupações respeitantes à guerra eram comuns às mulheres e aos homens, isso é uma prova de que todos os seres-vivos da mesma condição - tanto fêmeas como machos - são por natureza capazes"

 

 

Quando o filho é pior que o pai, este joga-lhe na cara; quando é melhor, é tripudiado mesmo assim - pois as condições de vida dele foram mais fáceis, tudo graças aos esforços colossais do desafortunado-pelas-Musas Pai.



Escrito por a mosca filosófica às 12:39
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15/03/11

Esse sonho é diferente de todos os outros no sentido mais importante – ele já teve sua interpretação concluída, perfeita e freudiana, sem tirar nem pôr. Pela única pessoa que poderia fazê-lo. Isso mesmo: eu mesmo. Antes de ter escrito qualquer coisa aqui: porque eu o fiz dentro do sonho de hoje, e lembro com nitidez – e agora posso superinterpretar minha própria interpretação, que não devo menoscabar:

 

Eu anotava num caderno esse último sonho sinistro, parecendo um adolescente no auge da confusão – até pelo título escolhido... Lá vamos nós tentar recuperar minúcias... Eu rasurava o primeiro título escolhido, algo mais ameno, “Os Meus Pais... (algum verbo)”. Ou “O que os meus pais (verbo)”. Sei que ao final ele tinha três palavras que começavam com “N”, o que me remetia de cara ao Nirvana – pela própria letra do alfabeto, pela minha intenção, por ter o “tamanho” de Smells Like Teen Spirit (era essa a sensação durante a representação, que a palavra, que o título que escolhi, tinha a mesma dimensão do título da música do Nirvana, ocupava o mesmo número de caracteres, aproximadamente!) e por conter uma idéia de amputação/suicídio/morte. O próprio nome de banda Nirvana é um tanto revelador, já que sonoramente eu não me sinto ligado ao grupo nem um pouco. O afeto contido no emprego desta nomenclatura – embora evoque instantaneamente o conjunto de Kurt Cobain, o suicida – é todo de outra ordem. No sonho eu interpreto, e julgo estar sendo definitivo na minha análise, meu sonho-síntese, para meu próprio terror.

 

I

 

No sonho-síntese, a família celebra algo na varanda de uma cobertura sem parapeito... Parece Ano-Novo ou data marcante idem, minha mãe está arrumada, a tia Rosângela, minhas primas, estão por ali... Ouço vozes... De certo modo, eu me sinto, nesse átimo, enquadrado em algo extremamente repetitivo, mera conseqüência de uma vida estúpida que já vivi[1]. E não só repetitivo, maçante, mas também angustiante, opressor, eu diria. Eu que nunca gostei da minha família. Parecia, de certo ângulo, um autor onisciente que contempla um dos momentos tardios de sua trama... A história já vem avançada, chegará um dia ao seu fim, e os escassos momentos felizes vão passando, sem perdão, como na mesma velocidade em que um estranho qualquer passa as páginas do álbum de fotografias... Aquilo tudo deveria ser ilusório, apenas uma seqüência de frames de uma película já conhecida e muito batida. Simplesmente não tinha a coloração do real. Como um conto de fadas, se desmancharia fácil pelo império do tempo. Eu bem sabia, como numa profecia, também o que vinha a seguir, e que destoava da “normalidade” desse evento de família... Como se esperasse isso há milênios, ou décadas, vejo, bem ao lado, e lentamente, de forma que podia ter interferido em sua trajetória (fosse para empurrar de vez ou salvá-lo), mas preferi ficar de expectador, o corpo do meu pai silenciosamente deslizando pelo ar, nós que estávamos no topo de algum prédio, à noite, corpo que eu já sentia desprovido de carne e sangue pulsante, um tanto inócuo, só uma casca, mergulhando de ponta rumo ao concreto. E ao mesmo tempo que foi lerda a queda do corpo enquanto ele estava no mesmo patamar que nós da festa, ao mesmo tempo parece ter se dado em 1 ou 2 segundos, se se considerar que assim que se atirou do chão da cobertura para o piso lá embaixo, tão distante, não houve tempo para nenhum gesto ou pensamento de minha parte: metade (da cintura para cima) de seu corpo estava submersa, soterrada, abaixo da calçada. Espatifou-se. Claramente morto (como era um sonho, não está descartada qualquer anormalidade, com ar de naturalidade, haja vista não estranharmos pessoas que voam ou mortos que ressuscitam enquanto não estivermos despertos e de lucidez recuperada). O choque do corpo com o piso havia gerado um forte estrondo. De forma que quando os outros ouvem o baque e são noticiados do desastre, vem logo à tona um dissabor característico dos meus sonhos de morte (uma espécie de rubor facial, grande pesar e vexame, paralisante, mas que nunca senti, dessa mesma forma, a não ser em representações oníricas). E veio porque todos conversavam animadamente, era uma ocasião festiva e foi uma morte inesperada (desculpem pelo chavão!) de um ente próximo, cujo comportamento contrastou imensamente com o da família desde o início do sonho... Curioso que só eu tenha notado o corpo no momento em que ele se jogava. O restante das pessoas só se deu conta do trágico por conta do forte barulho, que já indicava o final da abrupta trajetória daquele corpo, vários andares abaixo. Ao notar o rosto da minha mãe contemplando o cadáver (ou o que era visível dele), apreendendo o que tinha acontecido e que foi tão efêmero e súbito, me enchi de assombro. Mas dissimulado, até certo ponto, porque queria passar outra imagem aos convidados da festa. Por dentro, na realidade, eu era capaz até de alegria, uma alegria longamente anunciada em desejos e palpitações... O presente sonho se encerra ali, e depois sou eu desperto (ou eu já me imaginava como tal) relatando tudo numa folha de papel. Sabe-se que um sonho NO sonho faz com que devamos inverter todos os sentidos – posto que o único substrato do onírico é o real, o que foi representado nele como OUTRO sonho é manifestamente um parêntese ou o pronto acréscimo da palavra NÃO a tudo o que deriva desse real: o oposto do que você quer, o contrário do desfecho desejável... Aos que relativizam essa característica, não considero nada casual a escolha dessa forma negativa de representar a morte do meu pai para mim mesmo. Não como forma de censura que retirasse o fundamental e mais imoral da interpretação do sonho, justamente porque é um dos sonhos de que me lembro com mais exatidão e fidelidade, além de seu teor ser pesadíssimo. Caso fosse realmente uma mensagem positiva, não seria difícil que pulássemos agora para outra etapa do sonho ou que eu tivesse de me despertar do meu sono para rememorá-lo conscientemente e quase sem brechas (o que costuma acontecer quando temos um pesadelo), como o fiz somente ao acordar verdadeiramente. Mas ao “acordar e continuar dormindo”, ou seja, criar o subterfúgio do sonho dentro do sonho, e ter sabido de todas essas operações logo que acordei no mundo real, ficou patente para mim que o que eu fiz foi emitir uma sinalização clara, sem distorções, do que é que eu deveria refutar, o ideal que deveria ser ignorado (meu pensamento crônico da vida consciente de desejo de morte do meu pai). Revelar-se-ia, assim, com um pouco mais de análise a posteriori, o conteúdo latente significativo de verdade, por trás desse teatro tão convincente que encenou a morte do meu pai (ora, dir-se-ia que o sonho é sempre simbólico, mas ele não acaba aqui! Há mais coisas para desvendar, nem tudo me foi dado de presente! Se disse logo acima que quando acordei o sonho já estava totalmente interpretado, foi apenas figura de retórica).

 

Na interpretação do sonho NO sonho, eu, inclusive, me mostrava satisfeito, vingado, quitado, mas, por outro lado, pesado, desgastado, de alguma forma muito severa, enfim, ressentido, rindo amargamente por dentro da postura condenável dos meus pais – daí o prazer em rabiscar o título e reescrevê-lo mais cruel ainda. E agora preciso chegar à cena final do sonho... A parte mais hermética, que complementa a tão transparente mensagem do trecho acima:



Escrito por a mosca filosófica às 15:40
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II

 

Uma espécie de bar de entrequadra, desses típicos daqui, é o ambiente. Bem na orla da calçada, já invadindo a vegetação, dialogo, em uma mesa, ou sem a mesa, mas sei que sentado, com um interlocutor mais ou menos da minha idade a quem tentava explicar “minha teoria”. Eu dizia que árvores novas continuavam sempre nascendo, ou algo assim, em oposição às podres e velhas, que morriam. E então me aparecia uma árvore “nova”, recoberta de um musgo bem verde e vivo, e formigas sem cessar brotavam dela e me forçavam a agitar as mãos e os braços, porque elas vinham em grande quantidade para cima de mim, de todas as direções. O interlocutor se gabava dizendo que eu estava errado e ele certo, mas apesar do incômodo da comichão provocada pelas formigas e tentando espantá-las, eu afirmava confiante: “Não, isso só comprova que eu estou certo!”. Algo mais acontecia nesta cena e de repente eu me via com todas as pontas dos dedos das duas mãos decepadas (e por um instante pareciam mesmo caules de árvores serrados!),[2] como a dizer: uma árvore genealógica que não prossegue é o que de pior pode haver, sinônimo de esterilidade e anti-vida, sem frutos.

 

Para além da morte de meu pai, já exteriorizei a alguns confidentes o forte desejo de extirpar minha própria raça. Eu, pequeno, força apenas reacionária de um mundo decadente, não tendo filhos (nem metas de que me orgulhasse) e morrendo, implicando assim a ainda mais real e ulterior “re-morte” de meu pai, que findaria sem netos, ou seja, o fim da linhagem. Porém, percebi que no fim das contas estamos vinculados de tal forma que querer a morte de um é querer consumar a morte do outro... E acho que nem é isso o que eu quero – o que qualquer impulso vital quer... Ficou claro que eu não podia ter um juízo independente, que havia algo mais forte que eu me sustentando e me puxando, mesmo que inclusive me oprimindo, ora ou outra, mas garantindo, de qualquer maneira, minha existência e meus pensamentos de fundo. Existia esse algo que me superava, por trás, soberano, cimentava todos os meus atos, sendo impossível ser contra ele, já que qualquer estado de ânimo meu, ainda que belicoso e adverso para com a própria árvore que me deu origem, seria um mero reflexo do estado de espírito deste “primeiro” ente, que vou deixar aqui como uma abstração (todos os meus finados avós reunidos, quem sabe).

 

O principal já foi fornecido, mas não esgotei a escrita aqui. Cronologicamente, depois da cena das árvores e do espanto das formigas, e da constatação da amputação múltipla, já estou num carro, só não sei se estacionado ou em movimento. Uma mulher, talvez da minha idade, me pergunta algo a respeito de todos os engodos que se sucederam, e o homem, ao lado dela, talvez eu, talvez não (imagens sobrepostas, parece um amigo chamado Gabriel, muito provavelmente porque a mulher também se parece com uma Gabriela que pensei ter visto num carro qualquer dia desses, no banco do carona, estacionado em uma entrequadra), contestava: “É preciso não acreditar em nenhuma mentira – nem nas dos comerciais...”. “Nem nessas?”, ela insistia. Mas a personagem masculina seguia resoluta em seu ponto de vista...

 

III

 

E há, ainda, no miolo do sonho, um outro trecho que por enquanto omiti para não jogar informações demais e atrapalhar a narrativa central (I), que parece ter sido uma ramificação mais madura de várias problematizações aqui levantadas, antes do “suicídio paterno” na sacada do prédio. Estou em casa só, tenho muito tempo para fazer o que quiser, com bastante liberdade à disposição, como se tivessem viajado e me deixado ali. Uso uma espécie de tecido na cabeça que serve de bandana, algo que pertence aos produtos de limpeza da casa ou que fazia parte da decoração. Talvez uma toalha, mas um tanto gasta e irreconhecível. Ao mesmo tempo, o banheiro está bem sujo e diferente do convencional, com a tampa da privada estofada e colorida como se fosse um sofá, mas o urinol está úmido. Encontro-me meio atordoado porque gostaria de fazer alguma coisa, talvez cantar, cantar várias músicas na seqüência, mas não sei por onde começar nem como encontrá-las... Em seguida, em outro trecho, estou tentando dormir, mas sou acordado pelos parentes da casa que abrem a porta fazendo estardalhaço. O Diogo é o culpado, e me irrita bastante. Alguns objetos do criado-mudo e da cama são mudados de lugar, como almofadas, meus óculos, que estavam longe de mim e de repente estão no meu rosto, e os controles remotos, que vão parar na minha mão. Ligo a TV mas pretendo continuar dormindo, ou fingir que estou dormindo, para os demais da casa. Posso pressentir a presença do meu pai e da minha mãe. Mas agora estou de pé, desperto, e recepciono o Alex, Gnomo, amigo do meu irmão Diogo, com quem costumo ser mais simpático do que com o próprio. Ele está sem camisa e começamos a lutar – de brincadeira. Tento acertar chutes, e socar com toda a força, mas são golpes fracos demais, que não causam praticamente efeito. Quando ele tenta uma joelhada ou investida, sinto que poderia me derrubar, mas ele não luta pra valer, e eu faço a esquiva ou o bloqueio, mas com dificuldade. Gnomo tenta me dar dicas de como combater melhor, me avisa para não abrir a guarda antes de aplicar o direto com a direita, notando que eu abaixava o outro braço e ficava vulnerável.

 

De repente o cenário muda. Somos três – eu, Gnomo e o Diogo, se bem que outrora é o Aloísio, meu antigo vizinho, ao invés do Gnomo – acompanhando o jogo sub-17 do Brasil, no horário do almoço. Minha mãe entra no quarto, aparentemente trazendo um lanche. GOL da Seleção nessa mesma hora! A bola parece que nem passou da linha, o lance foi muito rápido para acompanhar com os olhos. Havia ali uma bola, na nossa frente, e eu sentado começava a brincar com ela, fazendo embaixadinhas curtas, com o joelho – até passava para o Árlesson (outro amigo meu que morava perto e com quem convivi nos anos de infância, como com o Aloísio, que agora substituía meu irmão na cena), que estava de costas, e cutucava a cabeça na bola, talvez involuntariamente...

 



[1] E mais tarde preciso narrar uma cena prévia (ou um conjunto delas) que não estaria diretamente nessa interpretação escrita do final do sonho, mas que cronologicamente, da ótica do acordado, é-lhe anterior. [Vide número III]

[2] Dentro do próprio sonho, “descobrindo” que estava sonhando (mas esquecendo disso logo depois, ou eu realmente despertei mas voltei logo a dormir), me pus a perguntar por quais causas externas, por quais hipóteses, havia-me representado as mãos decepadas: 1) fui ao médico no mesmo dia e ele não tinha o dedo polegar da mão direita; havíamos apertado as mãos e eu estranhei bastante; 2) pensei na possibilidade de estar deitado sobre uma das mãos e ela se encontrar dormente. Não sei se acordei e constatei que a tese estava correta, me deitando corretamente, ou se a sensação de dormência, de que recordo com perfeição, foi artificialmente produzida, como o formigamento dos insetos na cena imediatamente anterior!



Escrito por a mosca filosófica às 15:38
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ULYSSES

P. 122 - "Mulher ruiva trepa que nem cabrita" Buck Mulligan, o Tom-Bombadil Asceta-Nimeka da estória.

 

"A minha decimassegunda costela sumiu! Eu sou o Übermensch, Kinch banguela e eu, os superomens."

 

DANDO DEDALUS A AULA E MARTELANDO DE SI PARA CONSIGO

 

"Para eles também a história era uma estória como outra qualquer repisada demais na memória"

 

"Mas podem ter sido possíveis visto jamais terem sido? Ou era só possível o que veio a ser? Tece, tecelão do vento."

 

Camilla burra a úlcera

Ao mendigo o que é do mendigo.

 

No mundo há uma coisa: P. 129

as mães e os que não existem

 

Querido não-diário:

a mim nunca aconteceu nada de extraordinário.

Se pelo menos eu já tivesse morrido!

 

cãibra nas canelas

 

"parece que a história vai levar a culpa"

 

138. "Prevejo que o sr. não vai permanecer muito tempo aqui neste trabalho. O sr. não nasceu para ensinar, acho eu."

 

Kairoschuro, a Grande noite

 

"Ela podia não gostar de eu aparecer por lá sem avisar. Tem que ser cuidadoso com as mulheres. É pegar elas com a calça na mão uma vez só. Nunca mais te perdoam."

 

Ai, lá vai!

 

"Digamos que Robinson Crusoé seja realista. Bom então Sextafeira enterrou ele. Toda Sextafeira enterra uma Quinta se você pensar direito."

 

Passes em profundidade que eu não alcanço com meu passo.

  Esticar as canelas!

  Jogarei futebol outra vez?--embaixô nível

 

D., a síntese de tudo que é deletério.

 

Trancado numa escotilha há vários anos. Sem um penny. O barulho de suas passadas me irrita. Seu sotaque desanimado me irrita. Sua empolgação e superexcitação pelo banal me enervam. Sua burrice ao último grau e sutileza cem por cento embotada me são quase venenosos. Sua falta de higiene me conspurca a mim! Seu ar de conselheiro e bom amigo e protetor me dá ganas homicidas. Sua pobreza em todos os sentidos é rotundamente lastimável. Perpétua perda de tempo até reclamar dele!

 

18/11/13

 

"Pirro, iludido por um oráculo, fez uma última tentativa de recuperar as fortunas da Grécia. Leal a uma causa perdida."

 

TÍTULO ALTERNATIVO: O Publicitário & O Professor

O Monjolo & O Execravel|zinho

 

311: Ser vegan dá mijadeira e gases

"Deus fez a comida, o diabo os cozinheiros."

 

345: a 2ª esposa de Sócrates.

"Poderá qualquer homem amar a filha se não amou a mãe?"

 

"saudar a espuminata Afrodite"

                   recordar a cara-gozada Eline

"Uma vez galanteadora, galanteadora 2x."

                                  galã te adora

 

P. 361 - ESQUEMA DOS TRAÍDOS DA ESTRUTURA DO LIVRO - esboços de maridos

 

Agüentar ler Tomás de Aquino?

 

Tantas peças de Shakespeare ilidas!

 

Sidney - Arcadia - muito lido por Sh.

 

Remorsura do inteleito

 

"Depois de Deus Shakesp. foi quem mais criou."

"na economia do paraíso, predito por Hamlet, não há mais casamentos, sendo o homem glorificado, anjo andrógino, a esposa de si próprio."

 

"Enquanto vocês vão com o trigo eu já estou voltando com o pão que o diabo amassou!"

 

P. 616: "Ide e fazei o mesmo [estende sua esposa ao amigo]. Assim, ou coisa que o valha, falou Zaratustra, outrotra régio docente de Letras Francesas na Universidade de Oxfode (...) Trazei um estranho a vossa torre e não demora tereis o segundo melhor leito. Lembrai, ó Erin (...) como trouxestes a meus portões um estranho para cometer fornicação a minha vista e engordar e dar coices como Yeshurum. (...) pecastes contra a luz e fizestes de mim tal abominação, que me desdenhastes como um mercador de mezinhas e me renegastes pelos romanos e os indianos de negra voz com quem vossas filhas se deitam lascivas?"

 

P. 928: "Ele pessoalmente, sendo de viés cético, acreditava que não tinha o menor dos pruridos  em dizê-lo também, que o homem, ou os homens no plural, estavam sempre rodando em volta numa lista de espera por uma senhora, mesmo supondo-se fosse ela a melhor esposa do mundo e eles se dessem bastante bem juntos hipoteticamente, quando negligenciando seus deveres, ela escolhia cansar-se da vida de casada, e se dispunha a um ligeiro flerte com a polida lascívia para garantirem-lhe sua atenção com propósitos espúrios, sendo o desenlace as afeições dela focarem-se em um outro, à causa de muitas liaisons entre mulheres casadas ainda atraentes seguindo firmes rumo aos quarenta e homens mais jovens, como sem dúvida diversos casos famosos de paixões femininas provaram cabalmente."

 

Mozart - "12ª Missa" > "Gloria"

Rossini - "Stabat Mater"

"Dom Giovanni" "Martha", "M'appari"

Mendelssohn

Ivan St. Austell; Hilton St. Just

Jan(s) Pieter(szoon) Sweelinck - "Juventude tem seu fim" ("Mein Junges Leben hat ein End")

Johann(es) Jeep

 

"Ele refletiu que a progressiva expansão do campo do desenvolvimento e da experiência individuais era regressivamente acompanhada por uma restrição do domínio correlato das relações interindividuais."

 

"ergueu-se sem ferimentos conquanto concutido pelo impacto (...) e por alavanca de primeiro tipo exercida em seu fulcro [do corpo dele ou da tranca da porta] ganhou retardado acesso à cozinha através das dependências de empregada subadjacentes, igniu um fósforo lucífero por fricção, liberou gás de carvão inflamável girando a manopla, acendeu uma chama alta que, por regulagem, reduziu a quiescente incandescência e acendeu finalmente uma vela portátil."

 

"O que é o lar sem a carne enlatada Ameixeira?

  Incompleto.

  Com ela um recanto de júbilo."

 

 

mete em (p)si e cose



Escrito por a mosca filosófica às 23:40
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ROBERTO CARLOS EM DETALHES

Paulo César de Araújo

 

Natural de Cachoeiro de Itapemirim-ES. O acidente em que amputou-se parte de sua perna direita foi aos 6 anos, atropelado por um vagão. P. 30: "Na época, em casos semelhantes, era comum fazer a amputação da perna acima do joelho, prática mais rápida e segura. Mas [o médico de 34 anos] Romildo tinha acabado de ler um estudo americano sobre ciência médica que explicava que os membros acidentados devem ser cortados o mínimo possível. Assim, a amputação da perna do garoto foi feita entre o terço médio e o superior da canela - apenas um pouco acima de onde a roda de metal passou. Essa providência fez com que RC não perdesse os movimentos do joelho direito e pudesse andar com mais desenvoltura." Seis anos. Quando algo assim nos acontece nós registramos... Não querer me separar da minha mãe... Pára-choque dum Voyage. Nada de mais, nem visita ao hospital. Se eu dormi um dia numa "casa de saúde" (polissonografia), foi muito.

 

"Devido aos poucos recursos de sua família, RC atravessou o restante de sua infância andando de muleta. Só depois que se mudou para o RJ, aos 15 anos, conseguiu colocar sua primeira prótese"

 

"Havia garotos, filhos de médicos e advogados, que não estudavam piano porque os próprios pais não deixavam, com receio de que eles se tornassem bichas. E violão também não, porque era visto como coisa de pinguço, da ralé." Elaine Manhães, professora de piano de RC

 

"O violão é mole de enganar. Você toca um pouquinho e todo mundo acha que você toca muito. Já o acordeom, não; quando o cara não toca muito bem, é um instrumento muito perigoso. E se o cara toca mal, é um instrumento insuportável" Edu Lobo

 

 

"Foi só após a eclosão da bossa nova, em 1958, que o violão (por conta de João Gilberto) e o piano (por conta de Tom Jobim) ganharam a liberdade de ser tocados por todas as classes e sexos sem preconceitos." "os pais de RC eram avançados para a época." O menino ainda aprendeu violino.

 

Foi flamenguista e botafoguense antes de vascaíno!

 

"Rico, culto, [gordo] e falastrão, Carlos Imperial era o oposto de RC em tudo"

 

Ronaldo Bôscoli, um aspirante a musicólogo e crítico frustrado que distorceu a história da bossa nova.

 

Ronnie Von tinha um programa na TV desde o sempre: "Os Mutantes - nome sugerido pelo próprio Ronnie Von quando foram se apresentar no programa." "Pensei em morrer, procurei um psiquiatra e levei algum tempo tomando tranquilizante. Não suportava as pessoas repetindo sempre aquela mesma história de que Paulinho Machado de Carvalho tinha me convidado para fazer um programa na Record por medo de que, em outro canal, me tornasse uma ameaça para seu grande astro." Robertinho queridinho da mamãe

 

MPB (Elis Regina - longe de santinha - & cia.) x Roberto Carlos

João Gilberto: quando todos queriam a tese ou a antítese, ele proclamava a síntese.

 

RC explodiu aos 25 anos.

 

RC x Geraldo Vandré (a velha "arte política") / RC x Chico

 

O que surpreende é a proximidade de Jorge Ben com a Jovem Guarda.

 

"Caetano Veloso começou a se interessar pelo universo pop a partir de um caminho intelectual proposto por dois franceses: Edgar Morin e Jean-Luc Godard. O primeiro com o livro Cultura de massas no séc. XX, sobre a mitologia hollywoodiana."

 

"Como bem aponta o historiador Marcos Napolitano, a mística posterior criada em torno do tropicalismo superdimensionou o ato de ruptura de Caetano e Gil com o código vigente na MPB."

 

"Ouvir Elis Regina cantar As Curvas da Estrada de Santos era como assistir à queda da última resistência." R.I.P. 19/01/82

 

"Chico Buarque foi o primeiro compositor a alcançar prestígio e popularidade de cantor." Intérprete de si mesmo.

 

Erasmo Rotundão

 

Dicionários de rimas, sinônimos e antônimos [ainda que redundante]!

 

Augusto da Costa, o zagueirão-xerife e capitão de 50 que era censor na Ditadura.

 

"No final dos anos 80, RC estava cada vez mais recluso e caseiro (o que Myrian Rios não queria), cada vez mais católico (o que ela ainda não era), cada vez mais supersticioso e, provavelmente, já sofrendo do transtorno obsessivo-compulsivo, o TOC (o que ainda não se sabia)."

 

Anos 90 e Maria Rita - a comprovação de que artista de barriga cheia e coração quente tem a cabeça vazia, o espírito insípido e as mãos impotentes. Artista feliz, obra infeliz.

 

PONTO DE CONTATO (p. 567): "O TOC foi descrito pela primeira vez em 1838, pelo psiquiatra francês Jean-Étienne-Dominique Esquirol."

 

 

"RC aboliu a luta de classes na música popular brasileira" "ele é o lado kitsch dos ouvintes mais sofisticados e é o lado mais sofisticado dos ouvintes mais kitsch."



Escrito por a mosca filosófica às 20:03
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HISTÓRIA DA ARTE - H. W. JANSON - 5ªed.

A Vênus de Willendorf, estatueta gorda, o ícone de fertilidade no paleolítico.

 

Stonehenge, a fantástica paisagem de pedra num amplo círculo que servia para demarcar as mudanças de estações, na Inglaterra.

2 minutos sombrios, austeros mas inquietos. Bate o vento, o coração palpita... Faixa isolada das demais.

 

É preciso aventar a possibilidade de povos como o egípcio conhecerem o mapa-múndi e já terem cruzado o oceano!

 

"Estilo deriva de stilus (estilete utilizado pelos Romanos para escrever) e designava o modo de traçar as letras ou a escolha e ordenação das palavras."

 

* * *

 

poubelle, la plus belle

demorei tanto pra te comprar, agora eu quero só VOUCHER!

De artiutilitária para antiutilitária é somente uma letrinha...

utilitário e tribulário pra mim é a mesma coisa.

 

* * *

 

Os gregos possuíam alturas como 1.80, 1.85m...

  E os deuses, mais de 2m.

E por que não falar do pinto das estátuas?

 

À ce propos, notável como nos nus das esculturas clássicas os testículos são sempre maiores que o pênis em si. Será que:

1) trata-se de uma estilização intencional;

2) era assim mesmo;

3) necessitavam os escultores de um ponto de apoio mais seguro para que o falo não caísse do monumento?

 

"Tudo é 25"

 

Nós os que gostamos de sofrer - "a palavra pathos, que significa sofrimento, em especial o sofrimento que nos impressiona mas não nos causa horror, porque é suportado com dignidade e estoicismo." P. 134 [grifos meus]

OS ANTÍPODAS DE DIOGO

Os goleiros da vida, maratonistas, escritores, gênios incompreendidos, doentes crônicos, fumantes

 

"a tradição [da realeza divina] não morreu com Constantinopla. Os czares da Rússia reivindicaram o manto dos imperadores bizantinos. Moscou tornou-se a 'terceira Roma' e a Igreja Ortodoxa Russa ficou tão estreitamente ligada ao Estado como o estivera a sua antepassada bizantina."

 

CRUZ GREGA

 

P. 250: "segundo o Corão, estátuas são vistas como inspiradas por Satanás, mas nada se diz das pinturas"

 

Sinto que quanto mais tempo passa, mais me acovardo com a morte.

 

A Torre de Pisa é apenas parte de um complexo maior, que inclui uma basílica, como de praxe na Idade Média: torres eram um complemento catedrático, sinônimas de poder e opulência.

 

Quem diria, o Gótico é a INTENSA LUMINOSIDADE!

 

Os Países Baixos ainda são altos!

Deus tem umbigo?

 

A prensa em madeira - XILOGRAFIA - já era conhecida da Antigüidade. As chapas de metal é que agilizaram - revolucionaram - o processo na Europa Moderna - TIPOGRAFIA-.

 

O deus está nu.

                                  É nu?

 

Rafápicel

Filho de peixe, peixão pode ser. Pássaro voador.

 

* * *

 

P. 425: "Inicialmente dedicado a todos os deuses do mundo romano, o Panteão foi re-dedicado a todos os mártires do Cristianismo quando se tornou uma igreja, e no Renascimento Pleno viria ainda a acolher os restos mortais de outra raça imortal - a dos artistas famosos, como Rafael."

 

Marsílio Ficino, o Neoplatonista. "Engenharia" a fim de incluir a arte neo-pagã no culto cristão.

 

Será que os pintores tinham um "código de ética"? Jamais comer uma retratada?

 

P. 582 - Winckelmann - Considerações Sobre a Imitação de Obras Gregas (1755)

 

William Blake

 

MANET, longe de ser um maneta, revolucionou-ressimplificou a arteArte: "desprezou" a sombra, fez do tri um bidimensional, ou chamou atenção para os parênteses em que está qualquer quadro.

 

O talvez-um-dia-rico MONEt vem depois (A-O) e foi/era seu discípulo... Eduardo & Cláudio Mas ambos se retroalimentaram e a coisa virou também Cláudio & Edu Até a cunhada de MANET (edu) sabia pintar, MORISOT (e não MARISOT); a moça, aliás, era popular no meio: entablara relations com Daumier e Corot, a velha velha guarda!

 

O IMPertinente impressionismo também veio ANTES do EXP.

 

* * *

 

Me ensinei a parar azar, estas!

Claustrofóbico desde a barriga!

rede de cascatas de dominós

dormir que nem bebê de novo é um sonho - literalmente.

Derrubando o Muro de Berlim que separa o inferno do céu

 

* * *

 

Glossário

 

ÂNFORA: vaso necessariamente oval, delgado e elíptico com duas asas; origem grega.

GOLGOTHA: "é a transliteração grega de crânio em aramaico."

 

MÍSULA: minha estante conectada à parede para sustentar CDs e livros.



Escrito por a mosca filosófica às 15:59
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THE TALE OF TALIESIN

- Uma compilação historiográfica medievalesca fabulosa -

 

Soube de sua existência através do segundo álbum de estúdio do Deep Purple

 

Um nobre guerreiro que se tornou senhor, TEGID FOEL.

Sua esposa, mestra em magia negra, KERRIDWEN.

O filho feio do casal, MORFRAN ou AFAGDOU.

O ajudante de feitiçarias, o jovem GWION BACH, que fortuitamente acabou se beneficiando do feitiço de 366 dias preparado no caldeirão da família, no lugar do filho feio, tornando-se assim um mestre em sabedoria.

GWYDDNO GARANHIR, o homem que ficou rico apenas pescando num açude, todo Dia das Bruxas, uma fantástica quantidade de peixe.

Seu filho, ELFFIN FAB GWYDDNO, que veio a, na mesma data, depois da família se tornar pobre, pescar a bolsa de peles em que GWION BACH havia sido aprisionado e jogado no lago por KERRIDWEN (análogo ao nascimento gosmento de Mussot!).

TALIESIN, o nome d ebatismo do ressuscitado GWION, que na língua antiga ("Tal Iesin") significa O DA TESTA RADIANTE.

 

Entre o despejo de GWION no lago e o nascimento de TALIESIN, passaram-se 40 anos. Sua primeira morte fôra nos primeiros anos do lendário ARTHUR. Agora, o rei era MAELGWN. TALIESIN começou então a cantar. "Vou arranjar riquezas maiores que 300 tesouros"

 

HEINI VARDD, aquele com o dom da poesia, que não é rival para TALIESIN.

 

RHUN, o filho concupiscente de MAELGWN.

 

O dedo decepado com um anel importante... Familiar?

 

"Nenhum sábado passou desde que conheço minha esposa em que ela não tivesse aparado suas unhas antes de dormir."

 

Por ser tirânico, MAELGWN GWYNEDD é punido pela sabedoria e artimanha inesgotáveis de TALIESIN.

 

"São João o Divino me chamou de Merlin"

"Eu fui Jesus, filho do Deus misericordioso"

"Estive na Arca com Noé e Alfa"

"Estive em Canaã, no massacre de Absalão"

"Duelei ao lado do meu Pai no lugar mais alto, quando Lúcifer caiu"

"Fui o porta-estandarte na vanguarda de Alexandre"

"Estive antes da fundação de Roma e nas ruínas de Tróia"

"Eu fortaleci Moisés nas águas do Jordão"

"Fui o primeiro médico e estarei sobre a face da Terra até o fim dos dias"

"Eu sou uma das quatro letras do Tetragrammaton [DEUS, JAVÉ]"

 

7 horas, o tempo de Adão-e-Eva no Paraíso

Após a Queda, habitaram a Ásia. Ah, o milagre da multiplicação!

trigo trigoso

essa obsessão do cristão por (re)conciliar(?) sua estória universal com a dos gregos e aqueus e pagãos e Saturnos e Titãs e Platões!!

 

Salomão Sansão sansãosalobra sensaborão sua lobasalo métrica



Escrito por a mosca filosófica às 23:26
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AN ESSAY ON POPULATION

Malthus

 

Um livro típico de um gênio que vivesse em 1798 (embora tão empolado!): "A grande questão está agora em pauta, se o homem avançará acelerado para o infinito e ilimitável, rumo a um aperfeiçoamento inconcebível, ou se está condenado a uma perpétua oscilação entre alegria e miséria, e depois de todo esforço, a seguir a uma distância imensurável das metas desejadas" E então, o que você acha?

 

DIC: knave - patife

        err - errar

        ale-house - cervejaria

 

Aparentemente, do lado dos otimistas estão Godwin e Condorcet; e pelos pessimistas/pragmáticos, Adam Smith e Hume ocupam o corner. Fight!

 

"Zingis Khan"

 

Os vários séculos de civilização de que dispomos de dados históricos apontam, em geral, para uma grande migração Norte-Sul.

 

Segundo Malthus, o celibato freqüente não é moda moderna, mas era até mais acentuado durante a selvageria e a barbárie.

 

Quem não sofre de miséria, sofre de vício, degenerescência, desgraça psicológica. É basicamente a lição mais poderosa do livro.

 

A "lei da esmola" na Inglaterra, e por que ela só agrava o problema.

 

"Corn countries are more populous than pasture countries, and rice countries more populous than corn countries."

 

"The vices of mankind are active and able ministers of depopulation. They are the precursors in the great army of destruction; and often finish the dreadful work by themselves. But should they fail in this war of extermination, sickly seasons, epidemics, pestilence, and plague, advance in terrific array, and sweep off their thousands and ten thousands. Should success be still incomplete, gigantic inevitable famine stalks in the rear, and with one mighty blow levels the population with the food of the world."

 

Condorcet achava que no futuro distante seríamos mais como vampiros, pois nossa saúde nos permitiria viver séculos e milênios, individualmente!

 

CONDOR C => ave de rapina americana e alvinegra

 

A questão não é em quantos bilhões de anos o Sol desaparecerá, mas se podemos viver sem a Lua até lá!

 

"The present rage for unrestrained speculation seems to be a kind of mental intoxication, arising from the great discoveries of late years" Tão contemporâneo!

 

CAPÍTULO 16: o problema do campesinato chinês.

 

"The French economists consider all labour employed in manufactures as unproductive." Um discurso numa sociedade prestes a desaparecer em que artigos do segundo e terceiro setores eram, com efeito, supérfluos, quase daninhos, da ótica de um não-industrial, mesmo se inglês: "China is the richest country in the world, without any other."

 

"Foreign commerce adds to the wealth of a state, according to Dr. Adam Smith's definition, though not according to the definition of the economists."

 

"...mas nós devemos ser perpetuamente esmagados pelo recuo dessa pedra de Sísifo."

 

Não podia se despedir/desperdiçar de nós sem uma HegeliaNADA básica!

 

"Não é infreqüentemente observado que talentos são mais comuns entre caçulas que entre primogênitos (...) Esforço e atividade são em geral absolutamente necessários num caso e apenas opcionais no outro." INTERPRETAÇÃO: enquanto vigia a Lei da Primogenitura, isso era ainda mais palpável; não obstante, hodiernamente, velhas causas continuam a engendrar as disparidades: pais mais velhos e mais próximos da morte, o próprio peso dessa semi-profecia, etc.

 

Me written for you to read. A perfect me. An untouchable Rafael.

 

"Ainda tenho todo o tempo do mundo" Mr. D.

 

Mr. R. premido pela urgência - até exacerbada - em todas as suas ações.

 

Uma obra temente a Deus. Comida para a alma. "It is probable that no two grains of wheat are exactly alike."

 

"Não é de modo algum um dos ditos mais sábios de Salomão que <não há nada de novo sob o sol>."

 

"Um Sócrates, um Platão ou um Aristóteles, embora confessadamente inferiores em conhecimento aos filósofos de hoje, não aparecem muito aquém em capacidade intelectual."

 

Endeusa Newton.

 

"The Supreme Being would appear to us in a very different view if we were to consider him as pursuing the creatures that had offended him with eternal hate and torture, instead of merely condemning to their original insensibility those beings that, by the operation of general laws, had not been formed with qualities suited to a purer state of happiness." Curioso como Malthus insinua, primeiro, que o Ser Supremo não "mete o dedo" em nenhuma de suas Leis desde que o Universo funciona, mas, em segundo lugar, compreende as Sagradas Escrituras como milagre de exceção!

 

 

Calaboca, Mathusgda! Malthusalém. A vitória final do Mal,Thus this is a paradox!



Escrito por a mosca filosófica às 23:15
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MAIS JUVENTUDE, MAIS BELEZA

Virginia Castleton Thomas (1972)

 

Uma onda de nostalgia me invade

 

A hataioga

 

"Elimine-se o segundo carro da família e alguém será obrigado a caminhar parte do tempo. Eliminem-se todos os automóveis e a família inteira será forçada a andar, e a despeito das inconveniências resultantes disso, todos provavelmente muito lucrariam com a nova atitude corporal."

 

"o simples recurso de besuntar a pele com cremes, recobri-la com hidratantes e ocultá-la sob uma maquiagem cuidadosa não consegue esconder o abatimento profundo dos músculos faciais."

 

"lábios franzidos, músculos tensos e olhos semicerrados - indícios de desconfiança em relação à vida."

 

DESCONFIADO, DESDE SEMPRE

COW vário

O EFÊMERO EFEMINADO

 

Não é engraçado que os judeus tenham uma reputação de povo sujo, sendo que, ao mesmo tempo, diz-se que a fimose contribui para infecções na região do prepúcio? Parece que, pelo menos no tocante a este ponto, estamos diante de uma raça bastante limpinha desde o nascer de cada um!

 

"as angústias e sofrimentos físicos desconhecem relógios ou horários. (...) É durante as horas de sono profundo que o organismo se acalma e renova suas forças, preparando-se para mais um dia de vida. (...) O sono não constitui um estado cataléptico, pois mesmo quando os músculos não opõem resistência a um total relaxamento, suas contrações não cessam."

 

"Via de regra as pessoas apressadas, impulsivas ou sorumbáticas estão sujeitas a esse estado de vigília. (...) A pessoa irritadiça representa outro insone em potencial. Durante o dia ela não pára a fim de pensar antes de dizer palavras duras a alguém e, ao anoitecer, paga o preço de sua irreflexão sob a forma de remorso. Entretanto, o simples fato de passar noites em claro, atormentada pela culpa em virtude das ríspidas palavras proferidas, não constitui solução alguma para seus problemas."

 

"A mente de um insone detém-se ora aqui, ora ali, analisando primeiro uma série de pensamentos e depois outra. E, não tendo resolvido nada, retrocede, vezes sem conta, ao problema que o atormenta."

 

"Há muito considera-se a alface um sedativo capaz de produzir um sono natural e tranqüilo, sem efeito colateral algum."

 

"Na França, todas as farmácias e lojas de departamento vendem as gant de massage, luvas para massagem de textura áspera e feitas de diferentes materiais, desde lã até fibras vegetais."

 

 

"As terminações nervosas de um organismo saudável são revestidas de cálcio, e ele dá origem ao estado de paz que põe fim às irritações indefinidas."



Escrito por a mosca filosófica às 21:35
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CAOS DE 5 PONTAS

Pra onde vai o Caos, soberano inderrotável?

por trás de mil véus e avatares

Como o cabelo, sempre que é cortado

pela raiz inesgotável regenera

Negro e cacheado

espiral do ócio agonístico infinito

Com ele não há discurso

seu império é a velocidade impetuosa

Em vão qualquer empáfia menor contra essa

Se não há cânone ou decanto que de canto res vale

mais que superficialmente em nossa pele

A galinha depenada fica nua no quê,

se não pode ser em pêlo?

 

* * *

 

Dentro do caos deve haver a luz

o moto perpétuo do buraco negro...

Uma estrela só é cadente para quem está caído.

 

os pensamentos que tenho em mente, cabelo curto me causarão

 

Me derroto se não me derreto por você

 

você que me derrota se se derrete por mim

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