O Esgoto a Céu Aberto na Sua Rua


A DECADÊNCIA DO OCIDENTE - Oswald Spengler [artigo dividido em 13 partes]

(edição condensada)

 

24/12/14 - 04/05/15

 

P. 29: "A mentalidade totalmente não-histórica de Tucídides - não-histórica sob o critério da nossa investigação perspectivada - revela-se naquela incrível afirmação, feita logo na 1ª página da sua obra, e que reza que antes da sua época - isto é, antes de 400 a.C., aproximadamente - não ocorreram no mundo acontecimentos importantes."

 

Os gregos copiaram a idéia de "calendário' do Egito.

 

"A Cultura Indiana - cuja idéia do Nirvana brâmane é a expressão mais clara que se pode imaginar, de um espírito completamente não-histórico" "Não existe nenhuma autêntica astronomia índica"

 

Egito: o gérmen do Mal? Mas também a China. "A múmia egípcia é o símbolo de 1ª grandeza." Personalidade individual eterna, denominada ka.

 

"Da história grega, anterior a Sólon, nada nos foi transmitido."

 

"Sentimos falta, na obra de Platão, de qualquer consciência da evolução de sua própria doutrina." "Mas, logo ao começo da história do espírito ocidental, já se encontra um exemplo da mais profunda investigação da própria psique: a Vita Nuova de Dante."

 

"Entre os ocidentais foram os alemães os inventores dos relógios mecânicos" Primeiras torres: 1200.

 

"Até à era de Péricles, a hora do dia era determinada apenas por uma avaliação baseada no comprimento da sombra."

 

Ampulheta egípcia!

 

DIC: clepsidra: antigo relógio de água

 

Um grego não poderia definir "aceleração".

 

Melhor SEM segundos na Província que primeiro em Roma!

Melhor CEM segundos na Província que um minuto na capital

 

“consciência vigilante”

 

“o território da Europa constitui o pólo imóvel”

 

“Porque seria, sob o aspecto morfológico, o século XVIII mais importante que qualquer um dos 60 precedentes?”

 

“o termo Europa deveria ser eliminado da História.” “A palavra < Europa >, com todo o complexo de idéias originadas sob a sua influência, é o único elo a ligar a Rússia ao Ocidente.”

 

“No intuito de salvar-se o esquema antiquado, foram reduzidos a um simples prelúdio da Antiguidade tanto o Egito como a Babilônia” [grifo meu]

 

A expressão do velho problema da minha pergunta em aula de História do 3º ano: “<por que não estamos em uma ‘nova era histórica’ > e < quando ela irá chegar? >.”“a expressão ridícula, desesperada, de < Época contemporânea >.”Joaquim de Floris (?-1202), o “1º Hegel da História”“Evidentemente exige a presunção dos europeus ocidentais que se considere a sua própria aparição como uma espécie de ponto final.”

 

“< A Humanidade > é um conceito zoológico ou uma palavra vazia.”

 

Diz que N. interpretou mal a filosofia hindu: “Nie., no fundo, jamais saiu desses limites [*], nem tampouco o fizeram os demais filósofos da sua era.” “ingênuo relativismo de N. e da sua geração”

[*] o “trinômio burro” Antiguidade – Idade Média – Época Moderna


 

“Que imensidade de horizontes carece ser conseguida, antes que se possa afirmar que se compreendeu a História Universal, o Universo como História!” Quem é o ingênuo agora?Endeusa Goethe, o cronista de miudezas: “Hoje, e neste lugar [noite da batalha de Valmy(?)], inicia-se uma nova época da história universal. Podereis afirmar terdes presenciado este momento.” Xuif, xuif, meu neto! “Nenhum estrategista, nenhum diplomata, para nem sequer mencionarmos os filósofos, jamais sentiu tão diretamente o próprio devir da História. É a sentença mais profunda que já se pronunciou com relação a um importante feito histórico no mesmo instante em que ele se realizava.”



Escrito por a mosca filosófica às 14:57
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(?) Me surpreende ter sido justamente uma derrota capital da Prússia para a recém-revolucionária França (1792).

 

E galopamos rumo ao ano 27! 28...

 

“Naturalmente, e com boa razão, conta-se o Homem entre os organismos da superfície terrestre, apesar da afinidade profundamente sentida entre o destino das plantas e o dos homens – tema eterno da poesia lírica”

 

“o < Romanismo >, com sua mentalidade rigorosamente realista, desprovida de genialidade, bárbara, disciplinada, chave para compreendermos o nosso próprio futuro.”“Gregos e romanos – de modo igual afasta-se o nosso destino já realizado daquele que nos aguarda.”

 

Clube dos otimistas / otários (“civilizados”): políticos, economistas, juristas.

Clube dos pessimistas / prudentes / predestinados (“culturalistas” ou “cultos”): artistas, poetas, filósofos, filólogos.

“Sob esse aspecto N. e Mommsen são antagonistas.”

Fundador do clube dos P.: Petrarca

Petrarca com P de Pai, Psicanálise, Pródigo, Prodígio e Potência. E Primata.

Fundador do clube dos O.:GrOte, com O de “Oeconomicus”. E de Obesidade. Ornamental. E Ocaso também. Ocupados demais para enxergar com os Olhos ou Ouvir com os Ouvidos.

 

“Para os adoradores da Antiguidade, é blasfêmia mencionar a calefação central e a contabilidade romanas, em vez de falar-se do culto da Grande Mãe no Monte Pessino.”

 

(DV/kibe): “A civilização é o destino inevitável [fóssil] de cada cultura.” “o romano como sucessor do heleno.” Grécia e Roma, realmente uma só e a mesma?“Desprovidos de alma, de filosofia, viris até a brutalidade, desconsiderados buscadores de triunfos reais, encontram-se eles situados entre a Cultura Grega e o nada. Sua imaginação, dirigida exclusivamente para as coisas práticas, é uma qualidade inexistente em Atenas.”“mentalidade robusta, completamente avessa à metafísica.” Que cheiro, que cheiro é esse? É o cheiro da minha decomposição!

 

Grécia=>  Roma         séc. IV a.C.

(alma)       (práxis)

 

Ocidente Renascentista => Ocidente do Ocaso                       séc. XIX

        (idem)                         (ibidem)

 

“surgiu um novo nômade, um parasita, um habitante das metrópoles, criatura meramente afeita aos fatos reais, parcela das massas flutuantes, sem religião, inteligente, improdutivo, imbuído de profunda antipatia à classe agrícola (e, em especial, à aristocracia rural)” + um naturalismo regressor (ex: quebra de tabus sexuais); “o panem et circenses” (Homo ludens) “fase desprovida de futuro”

 

 

"Em Roma de Bizâncio, foram construídas casas de aluguel, de 6 a 10 andares, em ruas de, no máximo, 3m de largura. Como não houvesse regulamentos de urbanização, freqüentemente desabavam, soterrando os moradores."

 

"política civilizada de amanhã: na Antiguidade, é retórica; e no Ocidente jornalismo" Para Sp., o Dinheiro está por trás de ambos.

 

"Podemos compreender os gregos, sem falarmos da sua situação econômica. Os romanos não se nos tornam compreensivos, a não ser através dela."

 

"Na verdade os romanos não conquistaram o mundo. Apenas se apossaram do espólio que estava à disposição de quem o apanhasse." O mundo é inconquistável, a não ser quando quer ser conquistado. Igual a mulher.

 

 

"Com umas poucas legiões mal treinadas, mal dirigidas e mal dispostas, Lúculo e Pompeu subjugaram vastos reinos"

 

"A expansão é tudo" Cecil Rhodes

 

"Seu imperialistazinho de merda!" xingamento na cama

 

"O Socialismo pouco desenvolvido da atualidade investe vigorosamente contra tal expansão [imperialista]. Mas há de chegar o dia em que ele, com veemência fatídica, tornar-se-á seu principal veículo."

 

A teoria de Sp. da dualidade dos homens ajuda a explicar por que - não mais sendo movimento vanguardista - hoje o socialismo já não merece a atenção de nenhum artista genuíno.

 

O especial e único da situação atual é que parece que todas as civilizações (não só a ocidental) estão morrendo juntas.

 

Rhodes, o proto-neo-César: "Césares ocidentais, cuja hora ainda não chegou." E viria a passar bem rápido. "Rh. acha-se a meio caminho entre Napoleão e os representantes da força bruta que hão de surgir nos próximos séculos."

 

"Alexandre e Napoleão foram [meros ou últimos] românticos"

 

"César não passava de um homem realista"

 

Wiki: "Cecil Rhodes acreditava que eventualmente o Reino Unido (incluindo a Irlanda), os EUA e a Alemanha juntos dominariam o mundo e estabeleceriam a paz."

 

FRASES RHODES:

 

"E pensar nessas estrelas sobre nossas cabeças à noite, vastos mundos que não podemos alcançar. Eu anexaria os planetas se pudesse, penso com freqüência nisso. Me deixa triste vê-las tão claras e ainda assim tão distantes."

 

"Filantropia pura é ótimo mas filantropia + 5% é ainda melhor."


"Lembre-se de que você é britânico, e conseqüentemente venceu o prêmio n. 1 na loteria da vida."


 

Pelo menos não era racista! Desde que fosse um negro da Commonwealth...



Escrito por a mosca filosófica às 14:54
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"Não se trata aqui de socialistas, impressionistas, trens elétricos, torpedos, equações diferenciais, que apenas fazem parte da compleição dessa época; trata-se, sim, da sua espiritualidade civilizada portadora de possibilidades mui diferentes de configuração exterior."


Auto-confiante: "O pensamento que acabamos de expor pertence àquelas verdades que já não podem ser combatidas"


"Caber-nos-á fazer o prefixado, ou nada."


A prova de que este livro está certo é que ele existe.


"Quem tiver valor saberá conformar-se."


"Somos homens civilizados, e não homens do Gótico ou do Rococó. O homem do ocidente já não dispõe de capacidade de criar uma grande pintura nem tampouco uma grande música. Suas possibilidades arquitetônicas estão esgotadas há cem anos."


Defende que todo filósofo vem a ser um homem público importante em seu próprio tempo, nem que como inimigo do povo.


"Confúcio foi ministro diversas vezes."


"Goethe (...) ministro (...) sentiu vivo interesse pela construção dos canais de Suez e de Panamá, cuja conclusão predisse com notável exatidão, como também previu os efeitos econômicos que ela exerceria"


"Hobbes foi um dos idealizadores do grandioso plano de conquistar a América do Sul para a Inglaterra" /shrug "e ainda que desse projeto só se concretizasse a ocupação da Jamaica"


"Leibniz, sem dúvida alguma o espírito mais poderoso da Filosofia ocidental, inventor do cálculo diferencial da analysis situs, colaborou em grande número de planos de vasto alcance político" Teria inspirado Napoleão com mais de um século de antecedência.


"O que não abarcar e modificar a vida inteira de uma época, até às suas mais absconsas profundezas - melhor será não pronunciá-lo."


Séc. XX e além - "Um séc. de atuação meramente extensiva"


"Não podemos alterar o fato de termos nascido como homens do incipiente inverno da Civilização amadurecida e não ao meio-dia da Cultura, nos tempos de Fídias, ou de Mozart." "Já transcorreu uma eternidade entre a época de Nietzsche, ainda influenciada por uma derradeira alma de Romantismo, e o presente, definitivamente avesso a qualquer espírito romântico." E desde essas aspas não passou nenhum segundo!


"A filosofia sistemática estava concluída ao fim do séc. XVIII."


"filosofia nada especulativa" "peculiar das cidades grandes" Schopenhauer ", que foi o primeiro a colocar em seu pensar a vontade de viver"


NÃO HÁ MAIS FUGA DO PESSIMISMO


O mundo é (um)a metrópole!

O interior é o magma fervente

Tomara que vente

Para me refrescar


"Essa vontade vital, criadora, é a mesma que Tristão nega, e Siegfried afirma, à maneira de Darwin."


"que Nie. formulou no Z., de modo tão brilhante quanto teatral; que, na obra do hegeliano Marx, originou uma hipótese econômica"


Hebbel - Judite


Ibsen - Epílogo


"Atualmente a filosofia sistemática já se encontra a imensa distância de nós, e a filosofia ética já chegou ao seu fim." Última possibilidade-necessidade: "O Ceticismo < antigo > é não-histórico." "morfologia histórica comparativa" "Neste livro fazemos a tentativa de esboçar tal < filosofia afilosófica > do futuro."


"um problema político não poderá ser entendido por quem partir da própria política"


"cada pesquisador vislumbrava alguma coisa, mas ninguém conseguia abandonar o ponto de vista estreito da sua especialidade e encontrar a única solução ampla, que estava no ar desde os dias de Nie., o qual já tinha em suas mãos todos os problemas decisivos, sem que, devido à sua mentalidade romântica, ousasse encarar a austera realidade."


Como sempre, o AUTOR, hic et nunc, tem a chave!


"Essa teoria é, antes de mais nada, uma confirmação de tudo quanto várias gerações andavam buscando e produzindo."


"A importância de Goethe para a metafísica ocidental não foi compreendida, por enquanto." "Platão e Goethe representam a filosofia do devir; Aristóteles e Kant, a do que deveio."


"O que mal se pode expressar com os meios do intelecto encontra-se em certos ditos e poemas de Goethe" Máximas Órficas


"Intelecto", apud Sp., tem um sentido depreciativo.


"qualquer fenômeno nos coloca diante de um enigma metafísico"


O nacionalismo consegue preponderar no íntimo até mesmo de seres dessa natureza! A nação, o Universo do anão.


"Os aborígenes da Austrália, cujo desenvolvimento espiritual corresponde inteiramente ao estado do homem pré-histórico, possuem um instinto matemático ou - o que é a mesma coisa - um pensar numérico que ainda não avançou ao ponto em que se possa comunicar por meio de palavras e sinais, mas que ultrapassa amplamente o dos gregos, no que se refere à interpretação da espacialidade pura. Inventaram a arma do boomerang, cujos efeitos nos permitem pressupor nesses primitivos uma familiaridade instintiva com certos tipos de números que seriam classificados por nós na esfera da análise geométrica superior."


"O órgão desenvolveu-se, sobretudo na Alemanha, a ponto de tornar-se um instrumento solista, a dominar o espaço, e aos poucos alcançou dimensões tão gigantescas que não tem igual em toda a história da Música."


"a obra em que se resume a Arte < antiga >: a estátua do homem nu."


"Eudoxo conhecia o conceito de √2 para a diagonal. Os gregos não ignoravam a irracionalidade, e todavia não estabeleceram nenhum sistema de números irracionais."


"É escusado dizer que para eles não existe o conceito de potências maiores que a terceira nos números inteiros. Uma quarta potência seria absurda, devido ao sentimento plástico fundamental, que exigiria de tal conceito imediatamente uma extensão material de quatro dimensões."


Um plástico mundo das formas, irreal, fugaz, astuto e ardiloso, em que tudo parecia ser apenas de plástico. Mensagem tão clara quanto um white noise.


"Uma expressão como e-ix, que freqüentemente aparece nas nossas fórmulas, ou simplesmente a designação 5½, que Nicolau Oresmo já empregou no séc. XIV, teria sido considerada estapafúrdia pelos gregos."


"No caso de grandes distâncias, os nossos olhos têm a impressão de que as paralelas se unem no horizonte."



Escrito por a mosca filosófica às 14:51
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"Aristarco de Samos, que, nos anos de 288 a 277 a.C., freqüentava em Alexandria uma roda de astrônomos relacionados, sem dúvida alguma, com as escolas caldaica e persa, esboçou então um sistema heliocêntrico do Universo. Esse sistema, quando redescoberto por Copérnico, causou no Ocidente profunda emoção metafísica - lembremo-nos de Giordano Bruno - mas a Antiguidade acolheu-o com a mais completa frieza e logo depois esqueceu-o, talvez propositadamente. No único livro da sua autoria que chegou até nós, o próprio Aristarco defende a concepção geocêntrica! Pode-se, pois, suspeitar que a hipótese dos sábios caldaicos não o tenha seduzido senão passageiramente."

 

"Apolônio e Arquimedes, que foram certamente os mais elegantes e audaciosos matemáticos da Antiguidade"

 

"Não há nada mais oposto ao método grego - exceção feita do conceito riemanniano da integral - do que as quadraturas"

 

"a linha reta é uma curva, em que todas as suas partes são similares ao todo" Leibniz

 

"A palavra < geometria > tem um sentido indisfarçavelmente apolíneo."

 

Com Descartes foi inventada a Geometria Bidimensional, uma vez que a grega era puramente real e ótica, Tridimensional.

 

enumerar o inumerável

 

e-xx^1/pi ; a1/i.

 

"a evolução de funções em séries, e ainda em séries infinitas de outras funções"

 

Assim como o deus do cavalo é um deus-cavalo, o deus dos matemáticos segura esquadro e compasso.

 

a que . chegamos, a que baixo (in deaf) nível chafurdamos nosso boomboom!

Eu fundo agora o P, conjunto dos números plebeus!

 

"Para o espírito < antigo >, havia apenas um número entre o 1 e o 3. O derradeiro resquício de tangibilidade popular e < antiga > foi destruído, finalmente, quando se introduziram os números imaginários (√-1 = i) e os números complexos (da forma geral: a + bi), que ampliam o contínuo linear"

 

c omplœgdexo de i n(f)erioridade

 

Alma grega. Não aceito que um O (círculo) se transforme numa letra.

 

 

Pitagóricos e os signos: 1- seio materno; 2 - princípio masculino; 3 - ato gerador.


"o clássico problema-limite da metafísica faustiana"

 

"a Geometria euclidiana, a única adequada à concepção ingênua de todas as épocas, não passava de uma hipótese; uma hipótese cuja validez exclusiva jamais pode ser demonstrada, segundo sabemos desde os tempos de Gauss. A asserção central dessa Geometria, o axioma euclidiano das paralelas, é uma afirmação suscetível de ser substituída por outras, como, por exemplo, as afirmações de que por um ponto não passa nenhuma paralela a uma reta, ou passam 2, ou mesmo muitas. Todas essas afirmações conduzem a sistemas geométricos tridimensionais, livres de contradições capazes de ser aplicado (sic) na Física e também na Astronomia, e que às vezes são preferíveis ao euclidiano."

 

"Riemann e sua teoria dos espaços ilimitados, porém não infinitos, devido à sua curvatura"

 

A luz se propaga em linha reta, mas a linha reta é curva.

 

"Quem for capaz de acompanhar a progressão de tais pensamentos compreenderá que pela mera transição da representação de a³ como máximo natural para a expressão an suprime-se a incondicionabilidade de um espaço tridimensional." "inversão total do conceito de dimensão"

 

Se "n" pode ser qualquer número, por que a física idiótica hawkingiana do século XX (Einstein foi só um último brilho de um "longo século XIX sem lembranças") estabelece "12, 13, 14, enfim, um limite de dimensões enroladas" para o nosso universo?

 

Quando o inferno congelar o cristianismo será apenas uma fábula das mil e duas noites, o livro mais pitoresco de nossa cultura.

 

"Somente nessa esfera do pensamento numérico, apenas acessível a um círculo reduzidíssimo de pessoas, recebem caráter de realidade formações tais quais o sistema de números hiper-complexos - v.g.[p. ex.] os quarteniões[sic - quaterniões] do cálculo vectorial - bem como signos à primeira vista incompreensíveis como ∞n [infinito multiplicado por dado número finito de infinitos!]."

 

Spenglerismos perigosos: "Nesse cume supremo [teoria dos grupos], a Matemática ocidental - depois de ter esgotado todas as suas possibilidades internas, e após ter cumprido seu destino de ser a reprodução e a expressão mais pura da alma faustiana - encerra a sua evolução, no mesmo sentido em que a Matemática da cultura < antiga > o fez no século III a.C." Segundo ele, 400 anos de desenvolvimento teórico bastam para exaurir uma ciência.

 

"somos iguais aos matemáticos alexandrinos [meros aperfeiçoadores, podadores de uma planta multifacetada e genial já pronta e herdada - para ser bem matemático, aparamos as arestas, em "n" dimensões!]"


"A concepção do mundo como história tem suas raízes no terreno artístico."



Escrito por a mosca filosófica às 14:47
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"A morfologia do mecânico e do extenso, a ciência que descobre e ordena as leis naturais e os nexos causais, chama-se sistemática. A morfologia do orgânico, da história e da vida, de tudo quanto estiver dotado de direção e destino, chama-se fisiognomonia." [nome escabroso] "A concepção sistemática do mundo, no Ocidente, chegou ao seu apogeu no decorrer do século passado [XIX] e já o ultrapassou. A concepção fisiognomônica ainda não alcançou a sua fase culminante. Daqui a 100 anos, todas as ciências suscetíveis de subsistir em solo europeu serão fragmentos de uma única e imensa fisiognomonia. Eis o que significa < morfologia da História Universal >."

 

"A cultura é protofenômeno de toda a história universal, da passada como da futura." Sp. "Não convém estendermos as nossas buscas além do protofenômeno. Ali se encontra o limite." Goethe "Esse modo de encarar as coisas teria sido compreendido por Leibniz." Puxa-saco sem-vergonha

 

O Gótico foi a adolescência. Primavera negra da vida.

 

"Quanto mais uma cultura se avizinha do meio-dia da sua vida, tanto mais viril, mais austera, mais disciplinada, mais saturada, tornar-se-á a consciência da sua força, e suas características delinear-se-ão com crescente nitidez. (...) Nessa fase ocorrerão em toda parte momentos de brilhante perfeição."

 

"a música de Mozart (...) melancólica doçura dos últimos dias de outubro"

 

Classicismo: início da decrepitude. A tentativa falhada da grandiosidade.

 

"A alma torna a recordar-se tristemente - no Romantismo - da sua infância."

 

"Destino é o termo usado para designar uma certeza íntima indescritível."

 

"A causalidade nada tem que ver com o tempo, ao contrário do que costumam afirmar os kantianos."

 

"A angústia e o anelo são sempre vizinhos."

 

"É uma casualidade que Iago, um patife vulgar, tal como se encontra em toda parte, escolha por vítima logo Otelo, cuja personalidade tem contornos nada vulgares."

 

"Napoleão - que fica ainda à espera de um poeta suficientemente grande para compreendê-lo e plasmá-lo (...) foi ele, cuja alma se dedicava inteiramente ao combate contra a política inglesa, quem conduziu, justamente em virtude dessa luta, esse espírito ao triunfo no continente europeu." "o Ocidente encerrou naqueles dias a cultura aperfeiçoada pelo ancien régime, sob uma forma francesa, e realizou a transição para a civilização inglesa."

 

"Não há nenhuma ciência da História. Existe, entretanto, uma ciência preliminar, a que compila os fatos do passado."

 

"Assim deves ser. Não podes fugir de ti mesmo.

Assim o vaticinaram sibilas e profetas.

Nenhuma força, nenhum tempo desfaz

A forma amoldada que evolui na vida."

 

                                               Palavras Órficas

 

Objeção curta e grossa a Sp.: já que decaímos, por que se importar tanto?

 

"Essa visão filosófica [inédita], para a qual autorizam a nós, e somente a nós, a Matemática analítica, a música contrapontística e a pintura perspectivada"

 

P. 112: "Do menino de 5 anos até a mim há apenas um passo. Mas o recém-nascido fica separado do mesmo menino por uma distância formidável." Tolstoi

 

"quando o homem se torna homem e chega a conhecer a sua imensa solidão no Universo, revela-se o pavor cósmico sob a forma puramente humana do medo à morte"

 

"Kant complicou para si mesmo o acesso ao problema do tempo, porque o pôs em relação com a Aritmética, cuja essência não compreendia. Disso resulta que ele nos fala de um tempo fantasma, sem direção viva, um esquema espacial." Sobre a matemática como conhecimento apriorístico.

 

"A experiência da profundidade, com seu significado simbólico, é o que falta à criança, a qual já sabe sentir a distância, sem que esta fale a sua alma."

 

Em grego e em latim inexiste a palavra "espaço".

 

SUPREMAMENTE IMPORTANTE: "Dessa maneira de conceber a realidade tinha de originar-se, como arte predominante, a música instrumental dos grandes mestres do século XVIII, a única arte cujo mundo de formas mantém-se intimamente afim à intuição do espaço puro [infinito]. Esse sentimento primário, sempre evocado pelos momentos supremos de nossa música, a sensação de que a alma se desata, redimindo-se e dissolvendo-se no infinito, libertada de qualquer peso material, palpita também naquele anelo de profundidade, peculiar na alma faustiana, ao passo que as obras de arte < antigas > produzem sempre o efeito de um laço, de uma restrição, porquanto revigoram o sentimento corpóreo e obrigam os olhos a voltarem das distâncias longínquas a uma proximidade cheia de tranqüilidade e beleza."


"Aos princípios físicos da posição estática, à matéria e à forma, opusemos nós os princípios do movimento dinâmico, a força e a massa."


É estranho se sentir paralisado e liquefeito ao mesmo tempo, sem paredes e recipiente, mas sem nem ser qualquer tipo de conteúdo. Odiar ouvir grandes passagens musicais "desprevenido" (sempre se está), com algo por fazer ou engasgado, ou antes, p. ex., de ir ao banheiro. Porque o que menos se perdoa é transformar este raro e abençoado momento de redenção em angustiante tortura. Todos os males se espantam nesta cósmica experiência de balança da justiça e resumo da existência. Sim, valeu a pena, sim, eu descobri, eu acho, o tal sentido, oculto em mim e nas coisas o tempo todo - ei, espere, não fuja! Repetição. E Spengler tem a cara de pau de se achar um precursor!


"há muito tempo que se sentiu claramente que a divindade da Reforma e da Contra-Reforma não podia < aparecer > senão na tormenta desencadeada por uma fuga de órgão ou no andar solene de uma cantata ou missa."


China: "Em nenhum outro país, a paisagem tornou-se a tal ponto parte essencial da arquitetura. Essa cultura é a única na qual a jardinagem é uma arte religiosa de grande estilo."


"Ornamento, no mais alto sentido da palavra, é, finalmente, a escrita, e com ela, o livro, que é o próprio análogo da construção cultural, aparecendo onde esta aparece, e faltando quando esta faltar também."


"Qui n'a pas vécu avant 1789, ne connaît pas la douceur de vivre. (...) instantes de felicidade saturada, porém efêmera" Talleyrand



Escrito por a mosca filosófica às 14:42
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"Nada têm que ver com as personalidades dos diferentes artistas com sua vontade ou sua consciência. Pelo contrário, é o estilo que cria o tipo de artista. O estilo é, igual à cultura, um protofenômeno, na acepção mais rigorosa de Goethe (...) Foi um erro considerar como estilos diferentes as simples fases do mesmo estilo - o Românico, o Gótico, o Barroco, o Império"

 

imitar é limitar e limar ou mitar?

 

"Ora, as grandes artes costumam findar um belo dia, bruscamente. Isso se deu, p. ex., com a tragédia ática, depois de Eurípedes, com a escultura florentina, depois de Miguel Ângelo, e com a música instrumental, depois de Liszt, Wagner e Bruckner."

 

Monteverdi

 

"nossa música mais profunda, mais íntima, que é a dos instrumentos de corda. Sem dúvida alguma é o violino o mais nobre dentre todos os instrumentos inventados e aperfeiçoados pela alma faustiana, para que esta pudesse revelar-nos os seus últimos mistérios. Por isso é que os momentos mais transcendentes e sagrados da nossa música, os momentos da transfiguração completa, ocorrem nos quartetos de corda e nas sonatas de violino. Na música de câmara, a arte ocidental alcança o seu apogeu."

 

Eu sou antigo(tico).

 

"O Gótico abrangeu a vida inteira, até aos nossos mais ocultos recantos. Criou um homem novo, um mundo inédito. O Renascimento, por sua vez, apoderou-se de algumas artes plásticas e verbais, e a isso se limitou."

 

O fetiche spengleriano com o número 2000: "Na Grécia, a vigorosa rebeldia manifestou-se no século VII a.C. Portanto, teve que ocorrer no Ocidente do séc. XV."

 

"Falar de música antigótica representa uma contradição em si."

 

"hipóteses estapafúrdias, como a de um pretenso daltonismo dos gregos. Também Nie. falou dessa possibilidade (Aurora, 426)." Sobre o mar não ser azul para os Antigos...

 

"O amarelo e o vermelho - as cores euclidianas, apolíneas, politeístas" Engraçado que já havia imaginado o amarelo-ouro e o vermelho como paleta de cores da capa do meu sonhado livro.

 

"O azul e o verde - as cores faustianas, monoteístas"

 

"Em toda a grande pintura a óleo, desde Leonardo até ao fim do séc. XVIII, não há nenhuma tela destinada a ser exibida à luz crua do dia."

 

"A maneira grega de tratar o nu é a grande exceção, e somente nesse caso único logrou elevar-se à categoria de uma arte de primeira grandeza."

 

Como quer o gay, que todos sejam gays (alguns só não descobriram ainda), assim também quer o vegan (onívoros não se conhecem o suficiente). Você quer chupar um pau pável?

 

"Seu pensamento se concentrava nos homens consangüíneos que viviam a seu lado, e não se preocupava com as gerações vindouras. Por esse motivo, não houve jamais nenhuma outra arte que evitasse a representação aprofundada de crianças tão decididamente como fazia a grega."

 

"As Madonnas de Rafael preparam em seguida a transição do tipo barroco da mescla entre a mãe e a bem-amada, que se nos depara em Ofélia e em Margarida."

 

"A Helena da Ilíada é hetera [puta], em confronto com Kriemhild [Cremilda], a companheira maternal de Siegfried, ao passo que Antígona e Clitemnestra são amazonas."

 

"Com Miguel Ângelo termina a história da Escultura ocidental. O que vem depois dele são erros e reminiscências." reminiscências de ciências rebuscadas ruminadas, manadas de bois levados aonde mana o nada.

 

"Leonardo descobriu a circulação do sangue."

 

"Miguel Ângelo desejava forçar a ressurreição de um mundo de formas mortas. Leonardo pressentia no futuro um mundo novo. Goethe suspeitava que tal mundo não existia. Entre eles estendem-se os 3 séculos maduros da arte faustiana."

 

"Bach e Händel são seguidos por Gluck, Stamitz, os filhos de Bach, Haydn, Mozart, Beethoven."

 

"O Impressionismo é o regresso à terra, depois de uma viagem às esferas da música beethoveniana e dos espaços siderais de Kant. O que Rousseau vaticinou com trágica precisão, o retorno à Natureza, realiza-se nessa arte agonizante."


"Kleist sentia em si, simultaneamente, Shakespeare e Stendhal, e com desesperado afã, eternamente insatisfeito, modificando e destruindo, empenhava-se em forjar a unidade de 200 anos de arte psicológica."


"Com Tristão [Wagner] morre a última das artes faustianas. Essa obra é a pedra gigantesca a encerrar a música ocidental." De fato, uma pedra interminável (e infumável) de 4h.


"Bach, Haydn, Mozart e milhares de outros músicos anônimos do séc. XVIII escreveram composições perfeitas, na mais apressada rotina cotidiana. Wagner, por sua vez, sabia que, para alcançar o cume, necessitava concentrar todas as suas energias e aproveitar cuidadosamente todas as melhores horas do seu talento artístico." "Tudo o que disse Nie. com relação a Wagner é aplicável a Manet também. Esse passo é, inevitavelmente, o último. (...) as artes plásticas ocidentais acabaram-se irrevogavelmente. O que hoje se produz sob a denominação de arte é impotência e mentira. Isso vale para a música posterior a Wagner tanto como para a pintura depois de Manet, Cézanne, Menzel e Leibl."


"temos o literato em lugar do poeta; assistimos à despudorada farsa do Expressionismo, apresentada como um trecho da História da Arte, organizada pelos negociantes de quadros"


"Toda Psicologia é uma Contrafísica." "Esse imaginário corpo psíquico - sou o primeiro a dizer isso claramente - não passa nunca do reflexo fiel da forma sob a qual o homem culto, chegado à maturidade, enxerga o mundo exterior."


"a noção suprema [da cultura faustiana]: a imortalidade do eu! É precisamente o que o autêntico russo considera como vão e desprezível. A alma russa, desprovida de vontade [?] e cujo símbolo primordial é a planície ilimitada, deseja desfazer-se e perder-se, anônima, subserviente, no mundo das irmãs, no mundo horizontal. Fazer penitência individual é para ela um sintoma de vaidade ocidental, considerada como pecado da mesma forma que a ambição de alcançar o céu. Nechludov, herói de Tolstói, cuida do seu eu moral como das suas unhas. Raskolnikov, porém, não passa de algo que faz parte de um < nós >. Sua culpa é a culpa de todos. O simples ato de atribuir ao pecado o caráter de propriedade individual revela arrogância e presunção. Certos traços dessa mentalidade encontram-se também na idéia mágica da alma."


"Em última análise não há nenhuma diferença entre o espaço profundo e a vontade. Nos idiomas < antigos >, faltam termos tanto para aquele como para esta."



Escrito por a mosca filosófica às 14:41
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Parênteses sobre Jesus e as estranhas profecias do Velho T.: "< O filho do homem > é uma tradução errada, equívoca de barnasha. Não se trata de expressar a relação filial, mas a fusão impessoal com o plano humano."

 

"A < vontade > de Napoleão e a energia de Napoleão são coisas tão diferentes como, p. ex., a força ascensional e o peso."

 

"Muito elucidativa se me afigura a linguagem do Direito Romano, que melhor e mais espontaneamente do que a Poesia exprime o sentimento fundamental da alma romana."

 

"certos conceitos físicos, tais quais o campo de força e o potencial, que nenhum grego teria sido capaz de compreender." "Kant condensou definitivamente o que a filosofia barroca procurava sem cessar, a pretensão de domínio que a alma manifesta com relação a tudo quanto não for ela." "e a mesma tendência manifesta-se no conceito matemático-físico do vetor."

 

"O que para nós é < Deus >, Deus como alento do Universo, como força onipotente, como a eficiência e a previdência onipresentes, isto mesmo é a < vontade >, transladada ao espaço imaginário da alma como reflexo do espaço cósmico, e sentida por nós, necessariamente, como uma realidade autêntica."

 

"A < vontade de Deus > é para nós um pleonasmo. Deus (ou < a Natureza >) é vontade e nada mais.

 

"Zeus não possui plenos poderes sobre o mundo."

 

"A cega necessidade que a consciência < antiga > vislumbra no cosmo, não depende de Zeus de maneira alguma." Condenado a acreditar no que é inacreditável para um ocidental. Debatendo-se, deblaterando-se e digladiando-se em vão.

 

"naquela passagem importantíssima de Homero em que Zeus levanta a balança do Destino, não para decidir da sorte de Heitor, mas para conhecê-la."

 

"o Ateísmo não constitui nenhuma exceção, conserva o mesmo sentimento cósmico."

 

"O < carpe diem >, a existência saturada, corresponde ao ponto de vista < antigo >, constitui a mais completa contradição de tudo quanto Goethe, Kant, Pascal, a Igreja e o Pensamento Livre consideravam valioso."

 

"O caráter torna possível uma biografia significativa, tal como Ficção e Realidade, de Goethe. As biografias tipicamente < antigas > de Plutarco são, em confronto com essa obra, apenas coleções de anedotas em ordem cronológica, porém não organizadas sob o ponto de vista de uma evolução histórica."

 

"Na época gótica, a entrada num convento, a renúncia à solicitude, à atividade, à vontade, era julgada um ato de sumo valor moral. Tratava-se do maior sacrifício que se podia imaginar: a imolação da vida. Mas, no Barroco, nem sequer os católicos sentiam assim. Lugar não de renúncia, mas de gozo inativo"

 

"a aparência e a gesticulação de uma pessoa, a maneira como se mostra em público, e portanto a essência mais própria do homem < antigo >."

 

"Que relação existe entre o passado interior de Édipo ou Orestes e o acontecimento destruidor que subitamente aparece em seu caminho? Mas no passado de Otelo - obra-prima de análise psicológica - não há nenhum traço, por insignificante que seja, que não esteja relacionado à catástrofe."

 

Essa sede de ler todos os livros só por ler, típica de um peixe dentro d'água hoje em dia. Édipo comer a mãe: um fato isolado. Hamlet comer o fantasma da mãe: masturbação idiossincrática.

 

"a modificação de sentido que sofreram as palavras < antigas > pathos e passio. Essa última fornou-se na era do império, pelo modelo da 1ª, e conservou seu sentido original na Paixão de Cristo. Na fase primitiva do Gótico verificou-se uma modificação do modo de sentir relativo ao seu significado. Isso ocorreu na linguagem dos tratados religiosos da Ordem Franciscana e dos discípulos de Joaquim de Floris. Como expressão de profundas emoções, que tendem a explodir, passio chegou finalmente a designar o dinamismo psíquico em geral. Com o sentido de força de vontade e de energia dirigida, a palavra foi em 1647 traduzida para o alemão por Zesen, que usou pela primeira vez o termo Leidens[c]haft."


O ENGODO DE... "O terror e a compaixão são, de fato, segundo escreve Aristóteles, os efeitos necessários que produzem as tragédias gregas sobre os espectadores < antigos >, e somente sobre eles. A almejada catarse não pode produzir-se no nosso sentimento senão à base do ideal da ataraxia [tranqüilidade plena]. A < alma > grega é puro presente, realidade imóvel, puntiforme."


Comovam-se comigo, porque eu não quero ir ao cinema hoje...


"o prazer causado pela reconquista do equilíbrio - eis o que se chama catarse. Ela pressupõe, no entanto, um sentimento vital que nos fica totalmente estranho. É quase impossível traduzir toda a laboriosidade estética, toda a arbitrariedade do Barroco e do Classicismo, sobre o fundo da irrestrita reverência aos livros antigos, para fazer-nos utilizar esse fundamento psíquico para a nossa tragédia também; e isso apesar do fato de que, na realidade, o efeito dessa última é precisamente o oposto: ela não é para nós a libertação de emoções passivas, estáticas, mas provoca, estimula e leva ao extremo emoções ativas dinâmicas, desperta os sentimentos primários, devido aos quais < somos homens >, resolutamente; a saber, a crueldade, o prazer que nos causam a tensão, o perigo, a ação violenta, o triunfo, o crime, a sensação beatífica daqueles que vencem e aniquilam. Este é o efeito que produz Shakespeare." He shakes with our feelings

                                                       [indubitavelmente]

A cada semana eu vivo um infinito diferente e inconseqüente.

"Eu estou furioso, Freeza!"                   Saia da sala do templo, já se passou muito tempo

Menos música de mariquinha, mais ação! Se bem que música de corno faz-nos viver o dobro! Todo dia que saio da academia. Quando nos recuperamos de uma ressaca, já estamos prontos para outra!


(cont.) "Figuras tais como Ricardo III, Don Juan, Fausto, Miguel Kohlhaas, Golo, personagens totalmente contrários à mentalidade < antiga >, provocam em nossa alma, em lugar de compaixão, uma profunda e misteriosa inveja, e em vez de terror, um estranho gozo de tormentos, um anelo de um tipo completamente diverso de com-padecimento." "Existia a possibilidade de uma tragédia poderosa, puramente faustiana, de formas e audácias jamais imaginadas. Porém essa tragédia não surgiu. O drama germânico, por grande que fosse Shakespeare, nunca superou o obstáculo de uma convenção mal compreendida. E a culpa disso reside na fé cega na autoridade de Aristóteles."


"Uma tragédia inspirada na música contrapontística, sem os entraves de uma restrição plástica, que para ela não tinha sentido algum!"


"[No teatro grego] colocava-se uma espécie de canudo na boca dos atores, a fim de imprimir à sua recitação o som de uma cantiga declamada monotonamente. § E notamos mais um pormenor que seria insuportável em qualquer tragédia de estilo genuinamente faustiano: a contínua presença do coro."


"Cada arte, cada cultura em geral tem sua hora significativa. A música do séc. XVIII é uma arte da escuridão, do momento em que se abrem os olhos do espírito. A escultura gótica é a arte da luminosidade sem nuvens. De noite o espaço cósmico vence a matéria"



Escrito por a mosca filosófica às 14:40
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"Shakesp., que nasceu quando falecia Miguel Ângelo, e cessou de escrever quando Rembrandt vinha ao mundo, alcançou o máximo de infinidade, de apaixonada superação de toda e qualquer restrição estética."

 

"Popular e superficial são para nós conceitos idênticos, tanto na arte como na ciência. Para os homens antigos, não foi assim. Nietzsche disse certa vez que os gregos eram < superficiais de tão profundos >."

 

"A grande multidão dos fiéis que freqüentavam as igrejas jamais conseguiu compreender as missas de Ockeghem ou Palestrina, e ainda menos as de Bach. Entediava-se ao ouvir Mozart ou Beethoven."

 

"A incipiente derrocada das ciências ocidentais, que claramente se percebe nos nossos dias, pode ser avaliada à base da sua evidente necessidade de produzir efeitos sobre as massas. E a circunstância do esoterismo rigoroso da época barroca parecer-nos hoje um tanto incômodo revela a diminuição das forças, o declínio do sentimento de distância; sentimento esse que admite e respeita tais limitações."

 

"a Física Teórica, a Matemática, a dogmática católica, talvez a jurisprudência também, lidam com uma roda seleta, pequeníssima, de entendidos. Justamente o técnico, em oposição ao leigo, é o que falta à Antiguidade, onde todos sabiam tudo. Onde a tensão entre esses 2 pólos começar a diminuir, extinguir-se-á também o sentimento faustiano da vida."

 

"Demócrito, que desejava criar nesse ponto o limite das coisas corpóreas e, necessariamente, teve que estabelecê-lo, imaginou uma camada de átomos, a envolver o cosmo como uma pele. Em contraste com isso, a nossa jamais saciada sede vai sempre em busca de mundos novos, cada vez mais distantes."

 

único mundo e pequeno

única vida, único povo...

Já desgostamos da amplidão.

 

SOMOS TODOS SOCIALISTAS?

 

"sob o prisma ético, não econômico, nós todos, sem exceção, somos socialistas, queiramos ou não, conscientemente ou não. Nem sequer o mais apaixonado adversário de qualquer < moral de rebanho >, Nietzsche, era capaz de limitar o seu zelo a si mesmo, em sentido < antigo >. Para Epicuro ficava absolutamente indiferente o que pensassem ou fizessem os demais. Mas todo o Zaratustra - se bem que afirme colocar-se além do bem e do mal - manifesta o pesar de ver os homens agirem de um modo antipático ao autor."

 

"a transvalorização geral é monoteísmo ético, é - para darmos à palavra um significado novo, mais profundo - socialismo. Todos os que se esforcem por melhorar o mundo são socialistas."

 

"O imperativo moral, como forma da moral, é faustiano, exclusivamente faustiano. Seria um erro estabelecer uma relação entre < o > Cristianismo e o imperativo moral. O homem faustiano não foi transformado pelo Cristianismo, mas ele próprio modificou a este" the incriado man página 33

 

"A vontade de potência, a evidenciar-se também no terreno da ética" [!] "Sua presença é um destino que temos de aceitar. Apenas a sua concepção consciente é o resultado de uma revelação ou de uma descoberta científica."

 

"A < mensagem salvadora > de Jesus, tanto como as de Zaratustra, de Mani[u?]/Manes/Manés (Maniqueu[*]), de Maomé, dos neoplatônicos e de todas as religiões mágicas afins, são benefícios misteriosos"

 

[*] fundador do Maniqueísmo no séc. III d.C. (?!), O Mestre do Sincretismo.

 

"O ideal ético do homem < antigo > é o que foi produzido pela tragédia. A catarse revela nesse ponto o seu sentido mais profundo. O que o drama realizava num momento solene os estóicos queriam prolongá-lo por toda a vida, almejando a paz estatuária e o ethos isento de vontade. Ora, o ideal budista do nirvana, formulado tardiamente, mas bem indiano e latente já na época védica, não parece ele muito afim com a catarse grega? [NÃO!] Seria, de fato, bastante fácil imaginar Sócrates, Epicuro e, sobretudo, Diógenes passando à beira do Ganges. Numa das nossas metrópoles ocidentais, Diógenes seria um louco insignificante."

 

Hebbel - Nibelungo (triologia) / Judith / Holofernes

 

A "besta loura" eram os homens do Renascimento Italiano.

 

"a rebeldia de Lutero, na qual se revelava o paganismo nórdico a enfrentar o paganismo romano"

 

Spengler era um protonazi ingênuo.

 

"A dialética destrói a cultura. Olhemos o desfile dos grandes nomes do séc. XIX, que para nós se ligam a esse espetáculo impressionante: Schopenhauer, Hebbel, Wagner, Nietzsche, Ibsen, Strindberg, e constataremos aquele fato que Nie., no fragmentário prefácio à sua obra fundamental, inconclusa, denominou de < advento do niilismo >: Não há nenhuma cultura importante em que isso tenha deixado de acontecer." "Não se trata de transformações políticas e econômicas, nem sequer de modificações incisivas da vida religiosa ou artística. Nem tampouco nos defrontamos com algo palpável, como fatos reais, mas com a essência de uma alma que acaba de esgotar integralmente as suas possibilidades."

 

"O imperativo categórico é apenas a fórmula de algo que para Kant não era problema. Não se pode dizer o mesmo a partir de Zenão e Schopenhauer. Nesse ponto começa a ética civilizada, que não é o reflexo lançado pela vida sobre o conhecimento, mas pelo contrário. Sente-se qualquer coisa artificial, meio falsa, nesses sistemas elucubrados, que dominam os primeiros séculos de todas as civilizações. Agora desaparece a metafísica de estilo grandioso, desaparece toda a intuição pura" "A filosofia até Kant, Aristóteles e às doutrinas Ioga e Vedanta, fôra uma seqüência de poderosos sistemas universais, dentro dos quais a ética formal ocupava um lugar secundário."

 

"são o Budismo, o Estoicismo e o Socialismo fenômenos finais, que se equivalem morfologicamente. Isso se aplica também ao Budismo, cujo último sentido sempre foi interpretado erroneamente em tempos anteriores. Ele não é um movimento puritano, como p. ex. o Islã e o Jansenismo; não é nenhuma religião nova e nem sequer pode ser considerado como religião do gênero dos Vedas e dos ensinamentos do apóstolo SP. É o sentimento básico da civilização indiana" "Somente alguns séculos mais tarde originou-se da concepção budista da vida - que não reconhece nem a Deus nem à metafísica - uma religião de felás, baseada na teologia bramânica, fossilizada havia muito, e além dela, em velhíssimos cultos primitivos."


"A quinta-essência dessa mentalidade totalmente profana, nada metafísica, encontra-se na célebre prédica de Benares, sobre as < 4 sagradas verdades do sofrimento >, por meio das quais o príncipe-filósofo conquistou seus primeiros adeptos. As raízes de tal concepção acham-se na filosofia racionalista, atéia, de Sankhya, cuja atitude em face do mundo é tacitamente pressuposta"



Escrito por a mosca filosófica às 14:38
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"Deparamos com 3 tipos de niilismo, usando o termo no sentido que lhe conferia Nie. (...) niilista faustiano; niilista apolíneo; o indiano" [promover; assistir; afastar-se, respectivamente]


"O Budismo - que somente um diletante da pesquisa religiosa comparará com o Cristianismo - quase que não pode ser definido pelo vocabulário das línguas ocidentais. É, todavia, lícito falar de um nirvana estóico, mencionando a personalidade de Diógenes. Também cabe estabelecer o conceito de um nirvana socialista, tendo-se em mira a fuga da luta pela vida, que a Europa cansada procura disfarçar pelas palavras de paz mundial, humanismo e fraternidade entre os homens. Mas nada disso chega às misteriosas profundezas do nirvana budista."


"A essência de toda cultura é religião; por conseguinte, a essência de toda civilização é irreligião."


"Reparemos na semelhança notável que existe entre numerosos bustos romanos e os rostos dos homens de ação americanos, realistas dos nossos dias, ou também, embora menos claramente, entre esses últimos e certos retratos egípcios do Império Novo."


"O Socialismo ético - a despeito de suas ilusões de primeiro plano - não é nenhum sistema de compadecimento, de humanismo, de paz e de solicitude, mas um sistema a expressar a vontade de potência."


"Entre nós tanto como na China e no Egito, a vida conta somente quando for ação."


"O socialista - Fausto moribundo da 2ª parte"


"O 3º Império é o ideal germânico, um eterno amanhã ao qual devotaram a sua vida todos os grandes homens, desde Joaquim de Floris até Nie. e Ibsen - setas do anelo, lançadas à riba de lá, como diz Zara."


"Nie. se perde em generalidades nebulosas, ao enfrentar a orientação futura, o destino. Sua crítica da decadência é irrefutável; sua teoria do super-homem não passa de uma miragem."


"a partir de Rousseau, já não há esperança para o homem faustiano, no que se refere ao grande estilo de vida. Algo se acabou. A alma nórdica esgotou as suas possibilidades íntimas"


"todo esse esforço infatigável não é senão a auto-ilusão desesperada de uma alma que não pode nem deve repousar. Dessa situação trágica - inversão do motivo de Hamlet [aquele que queria o repouso tumular, quiçá o bom sono pós-coito no leito materno...] - originou-se a forçada concepção nietzscheana do eterno retorno; concepção na qual seu próprio autor nunca acreditou com a consciência tranqüila, mas que manteve, todavia, a fim de salvar para a sua pessoa a idéia de uma missão."


Schopenhauer - Sobre a Vontade na Natureza


Wagner - Arte e Clima


Dühring - O Valor da Vida


"Nie. - AFZara., a vontade de potência, porém sob um disfarce romântico."


Ibsen - John Gabriel Borkman


Bernard Shaw - Major Bárbara


Kierkegaard - Tratado Sobre o Desespero


P. 224: "a mecânica pura pressupõe um dogma, a saber, a imagem religiosa do Universo, tal como a concebiam os séculos góticos, e esse dogma é que torna a mecânica um patrimônio espiritual da humanidade culta do Ocidente (...) Quaisquer objeções que a Física possa fazer à Religião recaem sobre a própria Física. Não existem outras representações que não as antropomórficas."


"A teoria atomística árabe é tão complicada que sua exposição, por enquanto, parece totalmente impossível."


"apesar de Kant, não existe a menor relação entre o número matemático e o tempo."


"As palavras < tempo > e < destino > põem a pessoa que as empregar instintivamente em contato com a própria vida, nas suas profundezas mais ocultas"


"A seqüência orgânica do conhecido produz a impressão de um movimento." "Toda a Física trata do problema do movimento, que abrange o problema da própria vida. Não trata dele na esperança de resolvê-lo qualquer dia. Antes, pelo contrário, ataca-o apesar de saber que ele é insolúvel, e justamente por isso."


Época homérica: 1.100 - 800 a.C.


"Aos romanos afigurava-se atéia a pretensão de Jeová, que desejava ser reconhecido como deus único. Um só deus era para ele[s] igual a nenhum deus."


"H. Hertz, o único judeu entre os grandes físicos do passado recente"


"Pessoa alguma compreendeu o que é propriamente a força centrífuga. Será a força da Terra, a girar em torno do seu eixo, a causa desse movimento, ou vice-versa? Ou serão ambos idênticos?"


"É escusado dizer que a obtenção, por enquanto intensa e ininterrupta, de resultados práticos ou, pelo menos, eruditos - uma e outra coisa faz[em] parte da história superficial de uma ciência, porquanto somente a história do seu simbolismo e do seu estilo chegam às profundezas" "começou a produzir-se a dissolução. Isso não era o efeito de uma ação proposital. As altas inteligências da nossa Física moderna nem sequer se dão conta do fato. Na fase correspondente, por volta de 200 a.C., a Física < antiga > chegara ao seu término. A análise alcançou sua meta com Gauss, Cauchy e Riemann."


"a teoria da relatividade, ao contrário do que nos faz crer uma ilusão perigosa, não pode ser nem confirmada nem refutada"


Um metro traspassado pela luz

é um círculo

uma bola

uma serpentina

mas não me fale da n-dimensão

membrana brana fibrana de sua

estultícia


"Convencemo-nos de que as representações atômicas de Rutherford e Bohrnada significam" "uma imagem a reproduzir um mundo planetário no interior de um átomo, ao passo que no passado se preferia a representação de enxames de átomos; estranha recaída no materialismo do séc. anterior; consideremos a rapidez com que hoje em dia os físicos constroem castelos de cartas, feitos de séries inteiras de hipóteses, a fim de abafarem qualquer objeção por uma nova hipótese, às pressas esboçada. Somente a mestria suprema da técnica experimental, própria do nosso século, é capaz de disfarçar o declínio do simbolismo"


"Sabe-se que a estatística serve, antes de mais nada, para caracterizar evoluções políticas e econômicas, i.e., históricas. Na mecânica clássica de Galileu e Newton, não teria havido lugar para ela."


"O fim do mundo, como conclusão de um desenvolvimento íntimo necessário - eis o crepúsculo dos deuses! Isso significa, pois, a teoria da entropia, como concepção derradeira, irreligiosa, do mito."



Escrito por a mosca filosófica às 14:37
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"Sir E. Whittaker exige a aplicação do conceito de < postulates [too late!] of impotence >. Na sua opinião, consiste seu valor na possibilidade de encerrar-se, um dia, qualquer campo da Física, assim como encerrou a Geometria euclidiana."

 

"A Antiguidade morreu igualmente, porém não se deu conta do seu trespasse, porque cria numa existência eterna. Viveu seus últimos dias num estado de irrestrita felicidade, saboreando cada qual deles isoladamente, como um presente dos deuses. Nós, muito ao contrário, conhecemos a nossa história. O Helenismo da última fase informa-nos sobre o curso que ela tomará. Sua expressão mais nítida é o culto das Ciências Exatas, da dialética, da demonstração, da experiência, da causalidade."

 

"manifestar-se-á uma tendência nova para a profundeza íntima, e que suspenderá a vontade de levar a ciência à vitória."

 

"A ciência exata dirige-se para o suicídio."

 

"< segunda religiosidade > (...) Os homens querem crer e não analisar."

 

"os livros não são nada, a não ser que vivam e atuem em pessoas que estejam à sua altura." Tamanho não é documento, mas muitas vezes é perda de tempo.

 

"hoje, os elementos químicos estão a ponto de converter-se em constantes matemáticas de relações complexas e variáveis."

 

Até os átomos morrem, por que não Eu?

E Marilyn Monroe explodiu em supernova

num supergrande peido,

isto é, uma nuvem de gás tóxico

Os tóxicos levam os jovens longe - à esquina da rua de casa

o apocalipse dos apocalipses

a genealogia do conceito de genealogia

 

"superação perfeita, integral, da aparência sensível"

"o caminho que conduz ao número puro é o retorno da consciência vigilante ao seu próprio mistério." "não é outra coisa que não a estrutura interna da intelecção dependente da palavra, e que imaginava ter superado a aparência"

"Quanto menos antropomórfica crê ser a Física, tanto mais o é."

"dissipam-se as nuvens, descortinando-se com perfeita nitidez a paisagem matutina."

"Uma música infinitesimal do cosmo ilimitado"

"Pode ser que esse grande testamento, de formas sumamente transcendentes, jamais chegue a ser lido."

 

Spengler - Discursos Antigos

 

P. 273: o massacre mexicano, exemplo único.

Os maias sumiram do mapa do dia para a noite e caíram num perfeito e acabado ostracismo: "Da literatura, conservaram-se 3 livros, que ninguém consegue ler." "Não há nesse mundo melhor exemplo para demonstrar o fato de que a história humana carece de sentido." Para ele, maias, astecas e incas era um complexo só.

 

"O japonês pertenceu outrora à civilização chinesa, e hoje faz ainda parte da civilização ocidental. Não há cultura japonesa, no sentido próprio da palavra. Cumpre, portanto, julgar de outra maneira o americanismo nipônico."

 

"as fases tardias - tão naturais, para os que nelas viveram - [têm] aquele caráter de duração solene, que os homens autenticamente cultos percebem com assombro, ao confrontarem-nas com o ritmo do seu próprio desenvolvimento."

 

"Prevejo organismos urbanos de 10 ou 20 milhões de habitantes, estendidos sobre vastíssimas áreas com edifícios em comparação com os quais os mais gigantescos da atualidade parecerão anões, e com planos de trânsito que hoje em dia se nos afigurariam malucos."


A QUEDA DA NATALIDADE E A CRISE DA MULHER-MÃE


"A grande modificação realiza-se quando o pensamento cotidiano de uma população altamente culta carece de < motivos > para incentivar a presença da criança. Começa então aquela limitação sábia da natalidade, que o próprio Políbio lamenta e qualifica de desgraça da Grécia. Inicialmente, esse declínio da natalidade costuma ser explicado pela miséria econômica. Posteriormente, porém, renuncia-se a qualquer explicação. A mulher primitiva, a campônia, é mãe. Todo o seu destino, anelado desde a infância, está incluído nessa palavra. Em seguida surge, no entanto, a mulher ibseniana, a companheira, a heroína de uma vasta literatura metropolitana, desde o drama nórdico até o romance parisiense. Em vez de filhos, essas criaturas têm conflitos psíquicos. O matrimônio é um projeto de arte aplicada."


Becker - A Cultura Mágica de Spengler


Eduard Meyer - A Decadência do Ocidente, de Spengler


"Não há oposição mais fundamental do que a que existe entre os niilismos russo e ocidental, como também entre os niilismos judeu-cristão e < antigo > da última fase." "Tosltói é a Rússia do passado; Dostoievsky é a R. do porvir. Sob certo aspecto, tem T. afinidade com Marx, Ibsen e Zola. (...) é um mestre do romance ocidental - Anna Karenina não foi nunca alcançada por nenhum outro escritor"


"o Bolchevismo e 1917 são a derradeira conseqüência do Petrinismo [Pedro, O Grande], a extrema humilhação do pensamento metafísico pelo pensamento social"


Sp. - Anos de Decisão 1933-53


Marx, se pudesse prever com mais exatidão o séc. XX em seu Capital: Haverá de ser tocada, a Revolução, necessariamente, por um povo estrangeiro.


"O que deu tamanha força à revolução russa não foi o ódio da Inteligência. Foi o povo que, sem ódio, impelido, simplesmente, pelo afã de curar-se de uma doença, aniquilou o mundo ocidental, por meio da sua escória, a qual, por sua vez, terá o mesmo destino."


Sobre a real origem politeísta do credo mágico-judaico: "São cultos que podem ser celebrados, mas aos quais ninguém pertence. (...) A idolatria que se combate pressupõe a realidade plena de ídolos e demônios. Os profetas israelitas jamais pensaram em negar Baal. (...) é Jesus, para os maniqueus, uma potência diabólica, porém perfeitamente real; o que não se deve fazer é dirigir-se a ele."


"Em Isaías XLI, aparece o próprio Ciro, celebrado como o Messias. Recebeu o grande criador do segundo Isaías a sua iluminação de um adepto de Zaratustra [o niilista persa]?"


Veio do Oriente o Livro de Jó, tratado aqui também como obra-prima. "mentalidade islamita e não judaica" "Mas um cérebro fariseu deturpou-o em seguida pela interpolação dos capítulos 32 a 37."



Escrito por a mosca filosófica às 14:33
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Jerusalém e a Mesopotâmia são os focos judeus que se desenvolvem com independência relativa, mais ou menos como alta cultura e cultura de massa. Tanto é que a destruição de Jerusalém e a Diáspora seriam fenômenos supervalorizados, porquanto só os sacerdotes e fariseus (a autêntica elite) participavam da versão dogmática da religião, em sua capital.

 

Jerusalém - sacerdócio também associado ao Talmude (sereno?)

Mesopotâmia - populacho também associado ao Apocalipsismo

 

"O Cristianismo é a única religião da História Universal na qual um destino humano do presente imediato se tenha tornado símbolo e centro da Criação inteira."

 

Se não fossem meus pais e parentela inoculando tristeza sem fadiga em mim, creio que a perspectiva de minha própria morte devido a alguma doença terminal não me abalaria at all. Mas sempre tem esse peso ordinário, ranço genealógico inexprimível.

 

Jesus bebeu a Cicuta e morreu.

Sócrates subiu, saiu pregando por aí.

- Vai uma sífilis, senhor?

 

"quando J. foi levado à presença de Pilatos, enfrentaram-se, direta e irreconciliavelmente, o mundo dos fatos e o mundo das verdades, entrando num conflito de tamanha clareza e gravidade simbólica que não há nenhuma cena comparável em toda a História Universal. Na célebre pergunta do procurador romano: < Que é verdade? >, está encerrado todo o sentido da História" "Eis o sentido derradeiro daquele momento em que se achavam frente a frente Pilatos e J. Num dos 2 mundos, no mundo histórico, o romano mandou crucificar o galileu; este era o seu destino. No outro mundo, Roma caiu vítima da maldição, e a Cruz ergueu-se como garantia da redenção; esta era a < vontade de Deus >."

 

Talvez isso explique a < religiãozinha > do Eduardo: havia uma oposição < esperar pelo Messias > x < esperar pelo Filho do Homem >. O primeiro era um redentor stricto sensu, das tribos judias; o segundo era uma concepção < universal > (ou pelo menos babilônica, i.e., extensiva a todo o Oriente Médio de então). O credo egoísta dos judeus messiânico-cristãos deve significar que o Redentor é só dos circuncidados e ninguém tasca! Quanto aos demais, se dividem entre aqueles que depositam fé ou não em Jesus como o Filho ecumênico.

 

Nenhum dos 12 apóstolos serviria exatamente para narrar as crônicas do Mestre. Era necessário um salto geracional até Paulo e Marcos. Data do 1º Evangelho cristão: ~65d.C. Começou em grego. Aliás, quanto eles não devem aos gregos...

 

Mudanças radicais de estilo: livros de Pedro e Jacó.

 

Marcião: "O justo é Mau; Jeová é Mau."

 

Spengler se refere aos versículos sobre o "Ajudador" que anotei ontem em João [Maomé e seus fãs também o farão]. Seriam referência a um segundo enviado, pós-Jesus, e não realmente a Igreja ou o E.S., como eu já vinha tecendo. Mani, no terceiro séc., autoproclamou-se ele.

 

"Plotino e Orígenes, um e outro discípulos do mesmo mestre, mostram que a escolástica da pseudomorfose [recebeu seus ideais por herança] consiste em desenvolver os conceitos e os pensamentos mágicos à base de textos platônicos e aristotélicos, por meio de uma interpretação sistematicamente contrária."

 

"Na realidade foi Sto. Agostinho o último dos grandes pensadores da escolástica árabe primitiva e não pode em absoluto ser considerado um espírito ocidental. Sua força consiste, como a de Tertuliano, na circunstância de suas obras não terem sido traduzidas para o latim, mas pensadas, imediatamente, nesse idioma sagrado da Igreja ocidental."

 

"Islã" é: isolamento-aperfeiçoamento; "Alcorão" é: leitura.

 

"O homem < antigo >, quando se acha num estado de sua excitação corpórea, adquire a faculdade de anunciar, incondicionalmente, o futuro."

 

não pronunciarás tal coisa

cearás (no Ceará)

e não recearás mais nada.

 

"A Mishná é um único e amplo comentário da Torá."

 

Universalismos: "Em Vendidad, 19, I, Zaratustra é tentado pelo Demônio."

 

"No Oriente, a vida dos profetas persas transforma-se numa epopéia de impressionantes contornos. Quando nasce Zarat., a sua risada ressoa através de todos os céus, e a Natureza responde-lhe."

 

"Mani foi crucificado pelos sacerdotes mandeístas, no ano de 276 d.C.." "Mani fundiu os pensamentos básicos de caldeus e persas com os do Cristianismo oriental, joanino. Identificou as figuras místicas do logos de S. João como o Vohu Mano pérsico e viu tanto nelas como no Zara. da lenda avesta e no Buda dos textos posteriores emanações divinas. Asseverou ser o Paracleto do Evangelho de S. João e o Saoshyant [Messias] dos persas."

 

"Quando o Concílio de Éfeso reconhecera < a que pariu Deus >, celebrou-se na cidade da famosa Diana uma autêntica orgia, no estilo das festas da Antiguidade."

 

"Por volta de 500 [d.C.!], encerram-se os trabalhos da elaboração do Talmude."


"Devemos considerar o Islã como o puritanismo de todo esse grupo das primeiras religiões mágicas"


"Se existissem verdades separadas das correntes da existência, não poderia haver história da verdade. Se existisse uma única religião eternamente certa, a história das religiões seria uma idéia impossível."


"Nesse ponto, começa o ascetismo < antigo >, que busca a libertação de tal existência corpórea euclidiana, mediante rigorosíssimos ritos de penitência, inclusive a morte voluntária. A partir do suicídio de Empédocles, o mesmo caminho avança até aos estóicos romanos e recua até < Orfeu >."


"cultos ctônicos e fálicos, festas e mistérios em torno do nascimento e da morte."


"A religião apolínea adorava o corpo; a órfica menosprezava-o; a de Deméter festejava os momentos em que ele se originava: o ato de gerar e o parto. Existia um misticismo a venerar timidamente, em doutrinas, símbolos e jogos, o enigma da vida. Mas, a seu lado, encontramos a orgia, porquanto o desperdício do corpo e o ascetismo são tão afins quanto a prostituição sacra e o celibato. Um e outro negam o tempo."


celibato

se lhe bato uma punheta


 

"a idéia do Olimpo, p. ex., nasceu na Tessália, donde se propagou, como patrimônio comum de todos os homens cultos" "não tem importância saber que Dioniso < provém > da Trácia; Apolo, da Ásia Menor; e Afrodite, da Fenícia."



Escrito por a mosca filosófica às 14:30
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Vou à Índia esperar a tua víndia.

 

"Completado o 1º milênio, Pedro Damiani e Bernardo de Clairvaux estruturaram o culto de Maria. Originaram-se então a Ave-Maria e a salutatio angelica" "Maria é a protetora, em cujo seio o homem pode abrigar-se" e mamar um pouquinho.

 

"Também o Diabo pode fazer milagres. E depara-se-nos algo que não existe em nenhuma outra religião primitiva; a saber, a cor simbólica. À Madona pertencem o branco e azul; ao D., o preto, o amarelo sulfuroso, o vermelho."

 

"Com os ardentes e carinhosos hinos a Maria, suba aos céus a fumaça de inúmeras fogueiras. Junto às catedrais, erguiam-se o patíbulo e a roda."

 

"Justamente porque o amor celestial encontrava o seu antro numa das duas figuras, estabelecia-se uma afinidade entre o amor profano e a outra, a figura do Diabo. A mulher é o pecado." "S. Tomás de Aquino desenvolveu a sinistra doutrina do íncubo e do súcubo."

 

Literatura Gótica: "Francesco della Mirandola redigiu o diálogo A Bruxa num latim elegantíssimo, a fim de prevenir do perigo iminente os homens cultos da sua roda. Quando Leonardo pintava a Sta. Ana, no apogeu do Renascimento elaborava-se em Roma, no latim mais castiço dos humanistas, o Martelo das Bruxas (1487)."

 

Só existe tempo porque tempo é modificação, porque hoje é o inverso de ontem e o contrário de amanhã. É a dança da flutuação do espírito de carne. Coisas diferentes subsistem sob os mesmos nomes. Dialética do eterno. Prisão do Sol e Lua viandantes. O bebê já nasce na roda da tortura.

 

"o mundo de Deus assemelhou-se, de século em século, mais e mais ao perpetum mobile."

 

O que vamos fazer com a eletricidade na idade trágica?

 

Acumulando conhecimento sobre acumuladores de conhecimento visando a fragmentar vidros perfeitos e fazer desmoronar castelos de cartas teóricas.

 

P: 366: "Mais um passo adiante, e já chegamos a Kant, em cuja terminologia ética surgiu finalmente o Diabo como conceito, sob a forma do mal radical."

 

"Pitágoras, Maomé e Cromwell encarnam em 3 culturas 1 e o mesmo movimento."

 

"Somente para os incultos, é indispensável a religião tradicional, opinou Aristóteles."

 

"método do euemerismo", quando numa dada sociedade o espírito crítico prevalece. "cuja denominação procede daquele sábio Euêmero, que, por volta de 300 a.C., declarou que as divindades antigas eram apenas homens que nos seus tempos distinguiram-se de algum modo." "É euemerista a interpretação do Inferno como consciência passada"

 

What I came to say was die in peace, this world is shit -- Jesus

 

"Mas quem redigiu a oração de graças a Zeus, uma das mais belas obras da 2ª religiosidade, já foi Clemente (falecido em 232 a.C.)."

 

"A teoria e a prática da vida, ensinada por Buda, haviam nascido do cansaço cósmico e do tédio intelectual. Não tinham a menor relação com problemas religiosos. Mas, já em princípios da < era imperial > indiana, em 250 a.C., aproximadamente, o próprio Buda tornara-se um ídolo sentado. Em lugar da teoria do Nirvana, compreensível exclusivamente aos eruditos, apareciam doutrinas cada vez mais plausíveis, acerca do Céu, do Inferno e da Redenção, que talvez procedam, em parte, também do estrangeiro, i.e., do apocalipse persa."

 

"No momento em que os métodos civilizados das metrópoles europeu-americanas tiverem alcançado a maturidade, cumprir-se-á o destino do judaísmo, pelo menos com relação ao mundo ocidental, uma vez que o mundo russo constitui um problema à parte."

 

"A história sem cultura das gerações sucessivas é feminina. O homem vive o destino e compreende a lógica do que deveio" "A mulher é história; o homem faz história." "e pelo fim torna a irromper violentamente o elemento meramente cósmico: a vida volta a ser < feminina >, não-histórica"

 

"Em forma estão lutadores, esgrimistas, futebolistas que executem fácil e espontaneamente as mais audaciosas façanhas. Em forma, está uma época da arte, para a qual a tradição se haja tornado natural, como o contraponto para Bach."

 

"Como classe social, porém, cria-se a si mesmo, assim como cria as mais nobres raças de animais e de plantas, das quais se cerca. Justamente isso é cultura, no sentido derradeiro e supremo da palavra."

 

"o conceito indiano da < 4ª casta >, a qual, como sabemos hoje, nunca existiu na realidade." "As castas aparecem em todas as culturas, porém somente nas suas últimas fases." "casta (...) o tempo do aperfeiçoamento como pretérito absoluto."

 

"Das aldeias sobe o ódio; dos castelos desce o desdém."

 

"Os oficiais do exército e os juízes formam classes, por derivarem da nobreza, ao contrário dos funcionários públicos, que são uma profissão."

 

"Por ter sua origem no sacerdócio, o sábio pertence a uma classe, ao passo que o artista é um profissional." Duplo profissional eu.

 

TESE: História do funcionalismo público no Brasil - que sub-área? Século XIX? Diplomatas? Minas e energia? C&T?

          História da greve na Ásia

 

"A massa, o 4º Estado, é o fim, é o nada radical."

 

P. 399: "Na Inglaterra, a vitória da gentry e a Declaration of Rights (1689) haviam de fato abolido o Estado. A palavra state, ainda corriqueira nos tempos dos Tudors, caiu em desuso, de maneira que já não é possível traduzir para o inglês as frases de Luís XIV: < L'état c'est moi! > e de Frederico o Grande: < Ich bin der erste Diener meines Staates > (Sou o primeiro servidor do meu Estado)."


"O absolutismo existe, porém se trata do absolutismo de uma representação de classes. O conceito de lesa-majestade é transferido para o Parlamento."



Escrito por a mosca filosófica às 14:29
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DIC - quirocracia: o governo dos punhos

 

"A literatura alemã de 1770, é uma única revolta de fortes personalidades individuais contra a poesia rigorosa."

 

"cumpre acrescentar que democracia e plutocracia significam uma e a mesma coisa."

 

"O estilo parlamentar [inglês] é totalmente idêntico à diplomacia de gabinete. Nessa origem antidemocrática reside o segredo dos seus êxitos."

 

"Hume foi o mestre de Adam Smith."

 

"Nada caracteriza mais claramente a decadência da forma política do que o aparecimento de poderes informes, que podemos denominar, pelo ex. mais famoso, Napoleonismo." "Guardar a forma, mesmo que isso esteja em contradição com o próprio proveito - eis a convenção sobre a qual se estriba a possibilidade do Parlamentarismo."

 

"Mirabeau lutou, solitariamente, e em vão, contra uma assembléia que < confundia a política com um romance >. Não só as 3 constituições mais doutrinárias da nossa era - a francesa de 1791, e as alemãs de 1848 e 1919 -, mas virtualmente todas as constituições querem ignorar o grandioso destino do mundo real que, desse modo, conseguem refutar." "É característico que nenhum texto constitucional conheça o dinheiro como fator político. Todas as constituições rezam pura teoria. Tal dualismo na essência da monarquia constitucional [e as repúblicas suas descendentes] não pode ser eliminado."

 

"O século XIX foi o dos gigantescos exércitos permanentes e do serviço militar obrigatório." "Os diplomatas já não negociam de côrte em côrte, mas de quartel-general em quartel-general."

 

"Quanto mais se atrasar a explosão, tanto mais ingentes [retumbantes; exagerados] se tornarão os recursos e mais insuportável a tensão. Esta é a forma faustiana, dinâmica, dos < Estados em luta >, durante o seu primeiro século. Mas com a descarga da 1ª Guerra Mundial, alcançou sua conclusão. Ora, os recrutamentos desses 4 anos contribuíram para superar o princípio do serviço obrigatório, oriundo da Revolução Francesa." "Em lugar dos exércitos permanentes, aparecerão aos poucos exércitos profissionais, compostos de voluntários entusiastas da guerra" "Mais duas gerações, e eles demonstrarão que sua vontade é mais forte do que a de todos os que adoram a vida tranqüila." "A Conferência da Paz em Haia (1907), foi o prelúdio da Guerra Mundial; a que terá lugar em Washinton, em 1921, preludiará novas guerras. (...) Resistir ou sucumbir - não há nenhuma outra alternativa." "Trata-se da época mais difícil que já se tenha apresentado na história das culturas superiores."

 

"o homem cesariano. Ele é quem aniquila a onipotência do dinheiro."

 

"Cem anos mais tarde, os próprios historiadores serão incapazes de compreender as divergências de outrora. Já nos dias de César, os elementos decentes da população quase que não tomavam parte nas eleições."

 

"Perecem os impérios, mas um bom verso perdura." Humboldt "Os bons versos perduram, sim, porém, para a aula da Literatura. Napoleão, por sua vez, reina íntimo de nós todos"

 

"É bem conhecido o fato de que nenhuma nova religião jamais modificou o estilo da existência."

 

"Não a verdade, o bem, o sublime, mas o romano, o puritano, o prussiano, são fatos."

 

"Os meios do presente serão por longos anos ainda os parlamentares: eleições e imprensa."

 

DIC - optimate: aristocrata; magnata.

 

"Uma classe possui instintos; um partido tem um programa; um séquito tem um senhor; eis o caminho que vai do patriarcado e da plebe até aos optimates e populares, e, dali, aos pompeianos e cesarianos."

 

"Faz tempo que Rousseau chegou a ser maçante e Marx não tardará a enfastiar-nos também. A fé nas suas doutrinas predominou nos tempos dos nossos avós; aos netos já se afigura como provincianismo. Em seu lugar, põe-se a germinar uma nova piedade resignada (...) a 2ª religiosidade."

 

Inflação da Idade Antiga? "Nas eleições do ano 54 a.C. a taxa de juro subiu de 4% para 8%, porque a maior parte da imensa quantidade de dinheiro circulante em Roma era aplicada na propaganda."

 

"3 semanas de atividade periodística, e toda gente terá reconhecido a verdade." "Outrora não era lícito pensar livremente; agora temos tal direito, porém somos incapazes de exercê-lo."

 

"A Civilização caracteriza, portanto, uma fase de cultura na qual a tradição e a personalidade já perderam a sua ascendência imediata e qualquer idéia deve ser convertida, mentalmente, em dinheiro, para que seja possível realizá-la."


"Trabalhando silenciosamente, o engenheiro é o verdadeiro senhor da Técnica e determina o seu destino. O pensamento do engenheiro corresponde, como possibilidade, à realidade da máquina. Houve quem receasse, num raciocínio tipicamente materialista, o esgotamento das minas de carvão. Mas, enquanto houver pioneiros técnicos de alta categoria, não precisa o mundo temer perigos dessa espécie. Somente quando faltarem recrutas para esse exército extinguir-se-á a Indústria."



Escrito por a mosca filosófica às 14:28
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HISTÓRIA DA ANATOMIA ATÉ O SÉCULO XVIII [1/2]

Excertos comentados da Encyclopédie de Diderot, D'Alembert et al.



 

ANATOMIE. s. f. (Ordre encycl. Entend. Raison, Philosophie ou Science, Science de la nat. Physiq. générale, particul. Zoologie, Anatomie simple & comparée.) C'est l'Art de disséquer ou de séparer adroitement les parties solides des animaux, pour en connoître la situation, la figure, les connexions, &c. Le terme Anatomie vient de A'NATEMNW, je coupe, je disseque. Il a différentes acceptions. S'il se prend, comme on vient de le dire, pour l'art de disséquer [Hannibal curtindo muito o artigo!], il se prend aussi pour le sujet qu'on disseque ou qu'on a disséqué; & quelquefois même pour la représentation en plâtre, en cire, ou de quelque autre maniere, soit de la structure entiere, soit de quelqu'une des parties d'un animal disséqué. Exemple: il y a au cabinet du Roi de belles anatomies en cire.”

 

Apesar da Anatomia não ser útil nem subsistir sozinha, sem complemento, reconhece-se que “le meilleur Anatomiste sera certainement le meilleur Medecin”.

 

“l'on ne peut trop loüer le courage d'Hérophile & d'Erasistrate, qui recevoient les malfaiteurs & qui les disséquoient tout vifs (...) & qui sacrifioient un petit nombre de méchans à la conservation d'une multitude d'innocens de tout état, de tout âge, & dans tous les siecles à venir.” “infelizmente não se pode hoje pegar emprestada a coragem de Herófilo de Calcedônia e Erasístrato, que recebiam  os malfeitores e que os dissecavam vivos (...) e que sacrificavam um pequeno número de bandidos para a conservação de uma multidão de inocentes de todas as classes, idades e de tantos séculos por vir.” “Qu'est-ce que l'humanité? sinon une disposition habituelle de coeur à employer nos facultés à l'avantage du genre humain?” “O que é < a humanidade >? senão uma disposição habitual do coração a empregar nossas faculdades em prol do gênero humano?” “De quelque maniere qu'on considere la mort d'un méchant, elle seroit bien autant utile à la société au milieu d'un amphithéatre que sur un échafaud” “De qualquer maneira que se considere a morte dum mau elemento, ela seria bem mais útil à sociedade no meio dum anfiteatro que sobre um cadafalso”

 

“il faut pour developper la formation d'un cheveu, plus de sagacité qu'il n'y en a dans toutes les têtes des hommes ensemble.” “para desenvolver a formação de um fio de cabelo, é necessário mais que a sagacidade que poderia haver em todas as cabeças dos homens reunidas.”

 

“l'homme vû au-dedans lui devint plus incompréhensible que quand il n'en connoissoit que la superficie” “o homem visto de dentro torna-se mais incompreensível que quando não se conhecia mais que sua superfície”

 

Autodissecação é crime? Só pra saber.

 

“O conhecimento do corpo é o fundamento da Teologia natural [seja lá que merda é essa – também citada por Kant em Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura (...), post imediatamente anterior, de 14/05/2016]. Cláudio Galeno [grego antigo], em seu livro sobre a formação do feto, executa, aos olhos dos Filósofos seus contemporâneos, um verdadeiro crime, ao meter-se em conjeturas audaciosas sobre a natureza e a formação do mundo. Tudo porque estes mesmos Filósofos ignoravam os elementos primordiais da estrutura dos corpos animados. Assim sendo, o conhecimento anatômico é requisito para se filosofar.”

 

“Les Peintres, les Sculpteurs, devront à l'étude plus ou moins grande qu'ils auront faite de l'Anatomie, le plus ou le moins de correction de leurs desseins. Les Raphaels, les Michel-Anges, les Rubens, &c. avoient étudié particulierement l'Anatomie.” “Os Pintores, os Escultores, devem ao estudo mais ou menos detalhado que fazem da Anatomia o muito ou pouco de correção que seus desenhos apresentam. Os Rafaéis, os Miquelângelos, os Rubens, etc. estudaram detidamente Anatomia.”

 

“il n'y a personne que la structure, la figure, la connexion, la communication des parties dont il est composé, ne puisse confirmer dans la croyance d'un Etre tout-puissant.” “não há ninguém cuja estrutura, figura, conexão e comunicação das partes de que é composto não possam confirmar a crença num Ser todo-poderoso.”

 

“Ressalte-se que os Antigos davam a todos os vasos sanguíneos indistintamente o nome de veias.”


Demócrito fôra tratado por Hipócrates. Escreveu livros sobre anatomia que se perderam.



Escrito por a mosca filosófica às 19:38
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HISTÓRIA DA ANATOMIA ATÉ O SÉCULO XVIII [2/2]

Empédocles, discípulo de Pitágoras: “Il attribuoit la génération des animaux à des parties de ces animaux mêmes, les unes contenues dans la semence du mâle, les autres dans la semence de la femelle. La réunion de ces parties formoit l'animal, & leur pente à se réunir occasionnoit l'appetit vénérien. Il comparoit l'oreille à un corps sonore que l'air vient frapper; la chair étoit, selon lui, un composé des quatre élémens; les ongles étoient une expansion des nerfs racornis par l'air & par le toucher; les os étoient de la terre & de l'eau condensées; les larmes & les sueurs, du sang attenué & fondu; les graines des plantes, des oeufs qui tombent quands ils sont mûrs, & que la terre fait éclorre; & il attribuoit la suspension des liqueurs dans les siphons à la pesanteur de l'air.” “Ele atribuía a geração dos animais às partes desses animais mesmo, umas contidas na semente do macho, outras contidas na semente da fêmea. A reunião dessas partes formava o animal, e sua propensão a se reunir ocasionava o apetite venéreo. Ele comparava a orelha a um corpo sonoro que o ar vem golpear; a carne era, segundo ele, um composto de 4 elementos; as unhas seriam uma expansão dos nervos endurecidos pelo ar e pelo tato; os ossos seriam terra e água condensados; as lágrimas e o suor, sangue atenuado e derretido; as sementes das plantas, ovos que tombavam ao chegar ao desenvolvimento completo, que a terra faria chocar; e ele atribuía a suspensão dos licores nos sifões ao pesadume do ar.”

 

“Alcmeão, outro discípulo de Pitágoras, foi o primeiro comprovado anatomista de animais, e defendia que os bodes respiravam pelas orelhas.”

 

“Algo capaz de honrar Alexandre o Grande mais que qualquer de suas vitórias militares é que ele forneceu a Aristóteles muito dinheiro e muitos homens, para que o filósofo aperfeiçoasse a ciência da natureza e estudasse as propriedades dos animais. (...) Pelo que podemos ver pelos dois pequenos volumes de Aristóteles sobre anatomia animal, ele empregou bem seu tempo e dinheiro.”

 

“Aristóteles, como faz Hipócrates, confunde nervos, ligamentos e tendões. Para ele, o cérebro é uma massa de água e terra, mas não a medula espinhal, de material mais nobre. (...) Acreditava que a concepção se fazia da mistura do sêmen com o sangue menstrual. Ele admite a presença de um gérmen na fêmea, mas ele não passaria de excremento [???].” “Acerca do sistema digestivo ele foi bem mais exato. (...) Nele, o sistema intestinal se divide em 4: jejunum, colon, coecum, & rectum” Adicionalmente, “foi provavelmente o primeiro que enfatizou a necessidade de desenhos anatômicos para aumentar o grau de precisão das explicações”.

 

Hérophile, senão Eudeme, foi o primeiro Nevrologista.” E devido aos termos técnicos que criou, Herófilo elevou a “ciência anatômica” ao status de “arte”. Dentre eles, temos poros óticos, artérias venosas, retina, membrana aracnoide, glandulae parastulae [??? – localizada no pênis].

 

Erasístrato, seu contemporâneo, descobriu que a urina se processa no rim e a existência da válvula tricúspide.

 

No início do Império Romano, tornou-se anti-ética a abertura de cadáveres. Pessoas mortas costumavam ser expostas ao fogo. Daí que bebês abandonados fossem a principal origem das observações inéditas que se faziam. Galeno, grande médico desse período, utilizou muitas vezes o corpo de macacos como substituto. Suas duas obras mais famosas: Administrations anatomiques [Administrações anatômicas] e L'usage des parties du corps humain [O uso das partes do corpo humano].

 

“Oribásio de Pérgamo, macaco de Galeno, não nos deixou nada que não estivesse nos livros de seu mentor e modelo-mor, a não ser a descrição das glândulas salivares.”

 

“Il s'écoula des siecles sans qu'il parût aucun Anatomiste; & l'on est presqu'obligé de sauter depuis Nemesius d'Emissa, jusqu'à Mundinus de Milan, sans être arrêté dans cet intervalle de plus de neuf cens ans, par une seule découverte de quelqu'importance.” “Passaram-se séculos  sem que surgisse um Anatomista sequer; e é-se quase obrigado a saltar, depois de Nemésio de Emissa, a Mondino de Luzzi (ou Liuzzi) [correção da origem de Mundinus e italianização de seu nome, já que a Internet discorda da Enciclopédia], sem ser-se interrompido, ao longo desse intervalo de 900 anos, por qualquer descoberta de relevo.” Mondino diz que o “orifício sexual” feminino é semelhante a um “bico de peixe”! Para ele, a membrana vaginal de origem, hoje conhecida como hímen, era o(a) velamentum. “Ele defende que os testículos das mulheres são cheios de cavidades e caroços glandulares, e que neles se engendra uma umidade demasiado parecida com a saliva, de onde nasce o prazer feminino, que ela só pode gastar no ato venéreo.” Ou seja, trata-se de uma miscelânea de várias opiniões falseadoras com outras tantas verdadeiras.

 

"A partir deste período do tempo, torna-se inviável citar todos os anatomistas importantes, ou não haveria fim para o verbete."

 

“On pourroit distribuer l'histoire générale de l'Anatomie en cinq parties: la premiere comprendroit depuis la création jusqu'à Hippocrate; la seconde, depuis Hippocrate jusqu'à Hérophile & Erasistrate; la troisieme, depuis Hérophile & Erasistrate jusqu'à Galien; la quatrieme, depuis Galien jusqu'à Vesale; & la cinquieme, depuis Vesale jusqu'à nous.” “Pode-se dividir a história geral da Anatomia em 5 partes: a primeira compreenderia desde sua criação até Hipócrates; a segunda, de Hipócrates a Herófilo & Erasístrato; a terceira, de Herófilo & Erasístrato a Galeno; a quarta, de Galeno até Vesale; e a quinta de Vesale até nós [meados do século XVIII].”

 

“Vesale descobriu o ligamento suspensor do pênis, e retificou um grande número de noções equivocadas e superstições de época. Sua obra foi considerada, inicialmente, um ataque a Galeno, mas suas descobertas prevaleceram com o tempo.”

 

“Berenger de Carpi efetuou a primeira cura registrada de doença venérea, através de fricções mercuriais (...) Nicolas Massa, em 1530, descreve bastante detalhadamente as divisões do escroto (...) O espanhol Michel Servet descobre e descreve, mas ainda de maneira um tanto rudimentar, a circulação sanguínea e batiza excentricamente seus livros, p. ex., Trinitatis erroribus, Christianismi restitutio. Volcher Coyter, em 1534, em Groningen, inicia experimentos e estudos sobre a incubação do ovo (...) em 1536, Guinterus d’Andernach descobre o pâncreas (...) Gabriel Falópio, ao estudar o útero, < descobre > a Trompa de Falópio, mas, como se conjectura que Herófilo e Rufus de Éfeso já conhecessem essa estrutura, seria melhor dizer < batiza >.”

 

Tropas de Falópio Contra o General Prepúcio – A Guerra do Século

 

1607 – Riolan, anatomista hábil, controverso e invejoso. Apesar de ter feito várias descobertas, como os apêndices lubrificantes do cólon e canais hepáticos e císticos, ficou mais conhecido por contestar descobertas de outros anatomistas, em muito maior número.

 

1634 – finalmente oficializa-se a descoberta da circulação do sangue, com Harvey. Esse avanço na medicina bane preconceitos e expressões hoje tornadas cômicas como o calor inato, o espírito vital, o úmido radical, etc.

 

1668 – Graaf inventa a seringa

 

1680 – Borelli se torna famoso ao tentar transformar os movimentos animais em equações matemáticas

 

Herman Boerhaave – considerado o maior médico do século XVIII

 

Agora procede-se a uma divisão didática da Anatomia: Anatomia humana, também chamada simplesmente de Anatomia ou Anthropologie (bizarre!); Anatomia comparada, em que se estudam também as anatomias animais.


"La division la plus ordinaire est celle qu'on fait en parties solides, & en parties fluides; ou en parties qui contiennent, & en parties qui sont contenues. (...) As partes sólidas são os ossos, nervos, músculos, artérias, veias, cartilagens, ligamentos, membranas, &c. As partes fluidas são o pus, o sangue, o leite, a gordura, o plasma, &c."



Escrito por a mosca filosófica às 19:35
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PROLEGÓMENOS A TODA A METAFÍSICA FUTURA QUE QUEIRA APRESENTAR-SE COMO CIÊNCIA

“A tradução segue de muito perto o tom e o sabor originais, procurando conservar a difícil tessitura do discurso kantiano, com seus parênteses, os longos e enredados períodos, o seu estilo pouco maleável.”

 

 

“nada pode ser dito que já o não tenha sido e isto pode também convir como uma predição infalível a toda a obra futura (...) nada é mais fácil do que encontrar para toda a novidade uma obra antiga que com ela tenha alguma semelhança.”

 

O Matador de Dragões que Comecem com M.

 

“A minha intenção é convencer todos os que crêem na utilidade de se ocuparem de metafísica de que lhes é absolutamente necessário interromper o seu trabalho, considerar como inexistente tudo o que se fez até agora e levantar antes de tudo a questão: < de se uma coisa como a metafísica é simplesmente possível >.”

 

“Parece quase ridículo que, enquanto todas as outras ciências progridem continuamente, ela ande constantemente às voltas no mesmo lugar” “nesse campo, não existe na realidade uma medida e um peso seguros para distinguir a profundidade da loquacidade trivial.”

 

“nunca é demasiado tarde para se tornar racional e sábio; mas, é sempre mais difícil pôr em movimento o discernimento, se ele chega tarde.”

 

uma metafísica inkantinente

 

“O camponês espera até o rio correr:

mas ele passa, ondulante, e sempre continuará a correr.”

Horácio

 

ele Hume da cara

 

“Só que o destino, desde sempre desfavorável à metafísica, quis que Hume não fosse compreendido por ninguém.”

 

“A metafísica e a moral são os ramos mais importantes da ciência; a matemática e a ciência da natureza nem sequer têm metade de tal valor.”

Hume, Ensaios, 4ª parte

 

 

“Quando o discernimento e a ciência declinam, apelar então, e não antes, para o senso comum, eis uma das subtis invenções dos tempos novos”

 

“O cinzel e o maço podem muito bem servir para trabalhar um pedaço de madeira, mas para gravar em cobre deve utilizar-se o buril.” “o entendimento são e o entendimento especulativo são ambos úteis, mas cada um no seu género: (...) na metafísica, onde o bom senso (...) muitas vezes não tem absolutamente qualquer juízo”

 

“Quando se parte de um pensamento fundamentado, pode-se esperar, graças a uma meditação contínua, ir mais longe do que o homem subtil a quem se deve a primeira centelha desta luz.”

 

humeano, demasiado humeano

                                               aziada aziaga metaproblemadofisco

troca o disco – lado B do UniversO

opostos se racham/traem

 

Um comentário sobre a Crítica da Razão Pura: “Aquela obra, que delineia a pura faculdade racional em toda a sua extensão e limites, permanece sempre o fundamento a que se referem os prolegómenos como simples exercícios preliminares”

 

para além do 7-cismo-a-1

 

“Nem todos têm o dom de escrever com tanta subtileza e, no entanto, de modo tão atraente ao mesmo tempo como David Hume, ou de maneira tão sólida e elegante como Moses Mendelsshon

 

quem pede perdão leva na cabeça uma dezena de culpas

 

Fazer planos é, muitas vezes, uma ocupação presunçosa e jactanciosa do espírito pela qual alguém se atribui a si uma aparência de génio criador ao exigir o que pessoalmente não se pode dar”

 

“Aqui está, pois, um tal plano, depois de acabada a obra, que pôde ser estabelecido segundo o método analítico, já que a própria obra teve absolutamente de ser redigida segundo o procedimento de exposição sintética, a fim de a ciência apresentar todas as suas articulações como a estrutura de uma faculdade cognoscitiva muito peculiar, na sua ligação natural.”

 

“a obscuridade assim caracterizada [uma desculpa habitual da sua própria preguiça ou impotência] tem também a sua utilidade”

 

“Não se pode apresentar um único livro, tal como se mostra um Euclides, e dizer: eis a metafísica, aqui encontrareis o fim mais nobre desta ciência, o conhecimento de um Ser supremo e de um mundo futuro, demonstrado a partir de princípios da razão pura.”

 

“as tentativas para realizar esta ciência foram, sem qualquer dúvida, a causa primeira do cepticismo que tão cedo surgiu, de uma concepção em que a razão reage tão violentamente contra si mesma, que esta só poderia ter brotado do total desespero de satisfação relativamente aos seus objetivos mais importantes.”


“O método analítico, enquanto oposto ao método sintético, é inteiramente diverso de um conjunto de proposições analíticas: significa apenas que se parte do que se procura, como se fosse dado, e se vai até às condições sob as quais unicamente é possível. Neste método de ensino, empregam-se muitas vezes apenas proposições sintéticas; a análise matemática é disso um exemplo; e seria melhor chamá-lo método regressivo, para o distinguir do método sintético ou progressivo. O nome de analítica designa também uma parte principal da lógica e é então a lógica da verdade, por oposição à dialéctica, sem que verdadeiramente se considere que os conhecimentos a ela pertencentes sejam analíticos ou sintéticos.”



Escrito por a mosca filosófica às 00:56
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PROLEGÔMENOS (cont.)

“não se possui até agora nenhuma filosofia transcendental”


O mesmo processus já conhecido: “Não obstante, como é que a intuição do objeto pode preceder o próprio objeto? § Se a nossa intuição fosse de natureza a representar coisas como elas são em si (...) conhecemos os objetos unicamente como eles podem aparecer (...) § Ora, o espaço e o tempo são aquelas intuições em que a matemática pura funda todos os seus conhecimentos e juízos, que se apresentam ao mesmo tempo como apodíticos e necessários (...) porque ela não pode proceder analiticamente, isto é, por desmembramento dos conceitos, mas apenas sinteticamente (...) A geometria toma por fundamento a intuição pura do espaço. A aritmética forma ela própria os seus conceitos de número pela adição sucessiva das unidades no tempo, e especialmente a mecânica pura só pode formar os seus conceitos de movimento mediante a representação do tempo.” Bela engenharia “[espaço e tempo] provam que são simples formas da nossa sensibilidade que devem preceder toda a intuição empírica” “Que o espaço completo (que já não é em si mesmo nenhum limite de um outro espaço) tenha três dimensões e que o espaço em geral não possa ter mais funda-se na proposição de que, num ponto, não pode haver mais de três linhas que se cortam retangularmente” “e, por consequência, a nossa dedução transcendental dos conceitos de espaço e de tempo explica igualmente a possibilidade de uma matemática pura que, sem uma tal dedução, poderia certamente ser concedida [concebida?], mas de nenhum modo compreendida”


“Que pode haver de mais semelhante e de mais inteiramente igual à minha mão ou à minha orelha que a sua imagem no espelho? E, no entanto, não posso substituir à imagem primitiva esta mão vista no espelho; pois, se era uma mão direita, ela é no espelho uma esquerda e a imagem da orelha direita é uma orelha esquerda, que de nenhum modo pode substituir-se à outra.” “as diferenças são intrínsecas, como o ensinam os sentidos” “Permanecerá sempre uma coisa notável na história da filosofia o ter havido um tempo em que até matemáticos, que eram ao mesmo tempo filósofos, começaram a duvidar, não certamente da exatidão das suas proposições geométricas enquanto se referiam ao espaço, mas do valor objetivo e da aplicação à natureza deste próprio conceito e de todas as suas determinações geométricas, porque receavam que uma linha na natureza não fosse talvez composta por pontos físicos e, por conseguinte, o verdadeiro espaço no objeto, por partes simples, embora o espaço que o geômetra possui no pensamento de nenhum modo assim possa ser constituído.” “Não viam que todos os objetos no espaço são simples fenômenos” Geometria, aka, a ciência que “contém o fundamento da possibilidade de todos os fenômenos exteriores (quanto à sua forma)” “o fundamento subjetivo de todos os fenômenos, a saber, a própria sensibilidade. É assim e não de outro modo que o geômetra pode ser protegido contra todas as chicanas de uma metafísica superficial em razão da realidade objetiva indiscutível das suas proposições, por estranhas que elas possam parecer”


“O idealismo consiste na afirmação de que não existem outros seres exceto os seres pensantes; as restantes coisas, que julgamos perceber na intuição, seriam apenas representações nos seres pensantes a que não corresponderia, na realidade, nenhum objeto exterior.”


“assim como aquele que não quer ver nas cores propriedades inerentes ao objeto em si mesmo, mas apenas ao sentido da vista enquanto suas modificações, não pode chamar-se um idealista, assim também a minha doutrina não pode denominar-se idealista pela simples razão de que, na minha opinião, ainda mais propriedades, sim, todas as propriedades que compõem a intuição de um corpo, pertencem apenas ao seu fenômeno; com efeito, a existência da coisa que aparece não é deste modo suprimida, como no idealismo verdadeiro, mas mostra-se unicamente que não a podemos conhecer pelos sentidos como ela é em si mesma.”


o mistério que não existe este é o mistério ou só a verdade crua imunda limpa escancarada simples como 2 e 2

não-sujeito não-oculto

imanifesto realista

 

“uma falsa e quase intencional objeção a minha teoria: que transforma em simples aparência todas as coisas do mundo sensível.” “a aparência não deve atribuir-se aos sentidos, mas ao entendimento, ao qual unicamente cabe proferir um juízo objetivo a partir do fenômeno.”

 

A última ilusão metafísica, a de que o tempo existe.


“o fenómeno, enquanto for utilizado na experiência, suscita a verdade, mas logo que ultrapassa os limites da mesma e se torna transcendente produz apenas a aparência.” E, aparentemente, Kant estava tão perto...


“Pelo facto de eu próprio ter dado à minha teoria o nome de idealismo transcendental, ninguém se pode arrogar a autoridade de o confundir com o idealismo empírico de Descartes, ou com o idealismo místico e fantasista de Berkeley” O mais engraçado é que no Apêndice (vide final do texto) Kant modifica totalmente essas nomenclaturas de idealismos.


“O conhecimento do que não pode ser um objeto da experiência seria hiperfísico”


A poeira que Kant varreu classudamente para debaixo do tapete deixou o século XIX com rinite.


“validade objectiva e validade universal necessária (para cada um) são conceitos intermutáveis, e embora não conheçamos o objecto em si mesmo, no entanto, se considerarmos um juízo como universalmente válido e, portanto, necessário, entendemos por tal a validade objectiva.” Os cara convencionalmente arrasta!


“que o quarto seja quente, o açúcar doce, o absinto desagradável, são juízos de um valor simplesmente subjectivo. Não pretendo que em todo o tempo, eu próprio ou qualquer outro deva assim sentir; estes juízos exprimem apenas uma relação de duas sensações ao mesmo sujeito, a saber, eu próprio, e também unicamente na minha disposição actual da percepção e não devem, pois, valer para o objecto: a tais juízos dou o nome de juízos de percepção.” “Quando o sol incide numa pedra, ela torna-se quente. Este juízo é um simples juízo de percepção e não contém nenhuma necessidade, seja qual for o número de vezes que eu e outros tenhamos percebido este fenómeno; as percepções encontram-se assim associadas apenas por hábito. Mas, se eu disser: o sol aquece a pedra, o conceito intelectual de causa sobrepõe-se à percepção, ligando necessariamente o conceito de calor ao conceito de luz solar, e o juízo sintético torna-se universalmente válido de modo necessário, por conseguinte objectivo, e de percepção transforma-se em experiência.”


a ciência pura já foi contaminada desde o ci.

assim contém-se um campo minado como?

isolando-o

com fita crepe.

especialidade da casa

adicione chocolate à torta

e não sirva ao judeu narigudo

que não guerreia só pensa


§24: “existe entre a realidade e o zero, i.e., o vazio total da intuição no tempo, uma diferença que tem uma grandeza porque, entre cada grau dado de luz e as trevas, entre cada grau de calor e o frio absoluto, cada grau de peso e a leveza absoluta, cada grau do cheio no espaço e o espaço inteiramente vazio, podem sempre pensar-se graus ainda menores, da mesma maneira que entre uma consciência e a plena inconsciência (obscuridade psicológica) podem ter lugar graus mais fracos; por conseguinte, não é possível nenhuma percepção que prove uma carência absoluta, por exemplo, nenhuma obscuridade psicológica que não possa ser considerada como uma consciência, que apenas é superada pelo estado mais forte, e assim acontece em todos os casos da sensação; eis porque o entendimento pode mesmo antecipar sensações, que constituem a qualidade própria das representações empíricas, graças ao princípio de que o real tem graus; e tal é a segunda aplicação da matemática (mathesis intensorum) à ciência da natureza.” No sonho é sempre pior. Estrada unilateral condensada.


Introduzo aqui este livro por meio destoutro; mas só conseguirá ler estoutro se ler o primeiro, o qual neste é explicado mas que o explica simultaneamente. Já vi isto antes em algum lugar! GLOSSÁRIO DE TERMOS INCOMPREENSÍVEIS QUE NADA EXPLICA APENAS DESEMBARAÇA A IGNORÂNCIA, OPS! Toma aqui o seu Certificado de Formado em Absurdo. Agora sim, o Mestre Trágico das Trevas Existenciais!


Luzes Nadificadoras do Proto-Sêmen pré-Uraniano


“a relação dos fenômenos, sua existência, não é matemática, mas dinâmica” só como conceitos de substância (a prioris) podem ser objetos do conhecimento/experiência. Mas logo irá se contradizer...



Escrito por a mosca filosófica às 00:55
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PROLEGÔMENOS (cont.)

Grandessíssimo FdP => FENÔMENO do PROLEGÔMENO

Fixação do Parecer

Fluidez da Pintura

Fimose do Pinto

Feriado do Pai

Forward ‘n’ Pratrás

FredP[r]egador

FriendPaunocu

Fricções&Pruridos

FraçõesdePotências

Facções&Partidos

Flechas-e-Pentes

Festime/ouPólvora

Faquir&nãocomerPudim

Fanatismo&Protestantismo

Fariseu&Pagão

Onde está Wall-E?

Forever&Prasempre

FocaDonoPresente

sim sou o dono!

FuturoDePois

depôs os reis

só sobrou

Zeus

Ficção:Profissão


EU SOU HUMILDE, NÃO NEGO, REFAÇO O MUNDO QUANDO PUDER: (§26 com cortes para “didatizar” a leitura) “O quadro dos princípios tirado da natureza do próprio entendimento segundo o método crítico mostra em si uma perfeição que o eleva muito acima de qualquer outro que alguma vez foi tentado, se bem que em vão, ou venha a ser tentado no futuro, falando das próprias coisas de modo dogmático” “neste [meu] quadro todos os princípios foram estabelecidos completamente e segundo um princípio [válido], de maneira que se pode estar certo que não existem mais quaisquer proposições fundamentais [a tecer] (uma satisfação que o método dogmático jamais pode obter)” “no entanto, isso está longe de ser o maior mérito do [meu] quadro.” [!!!]

 

úmida humildade humana secorgânica

túmulo chuvoso no campo de batalha

vermes insolentes

túmido tétrico e tépido

 

“embora a sensação nunca possa ser conhecida a priori, pode no entanto, ser distinguida como quantidade da percepção de qualquer outra da mesma espécie”

 

“O calor, a luz, etc., são num pequeno espaço tão grandes (segundo o grau) como num grande espaço; igualmente, as representações internas, a dor, a consciência, são em geral menores segundo o grau, se duram pouco ou muito. (...) num ponto e num momento, a quantidade é aqui tão grande como em todo o espaço ou tempo (...) só podem ser apreciados como quantidade pela relação de 1 a 0, pelo fato de cada sensação poder decrescer por uma infinidade de graus intermediários até desaparecer, ou crescer num certo tempo através de uma infinidade de momentos de aumento (...) Quantitas qualitatis est gradus

 

“recomendo que atenda a esta distinção entre a experiência e um simples agregado de percepções” Luan Indie e o gosto das folhas das árvores a priori FdP FindouaDiPirona FimDaPaciência FeminazisdestroemProtestos FaculdadedePensamentos contradição-em-termos FalênciadaPuberdade FazimentodoPrimogênito FalanDo&Peidandoprascousaemsiouperse

 

“minar pela base a dúvida de Hume.” basear pela mina a ruminada do Dude.

 

não tenho nenhuma noção dum conhecimento total possível

 

“os puros conceitos do entendimento não têm qualquer significado se se afastam dos objectos da experiência e se referem a coisas em si (noumena).”

 

“Os pensadores dogmáticos nunca imaginaram que o objetivo dos seus esforços houvesse de ser fixado tão perto”

 

“Mais de um naturalista da razão pura (por ele entendo aquele que se julga capaz de decidir questões de metafísica, sem ciência alguma) gostaria de alegar que, de há muito, não só pressentiu, mas até mesmo soube e compreendeu, graças ao espírito divinatório da sua sã razão, o que aqui é exposto com tanto aparato ou, se se preferir, com tanta pompa prolixa e pedantesca”

 

“seres inteligíveis particulares (noumena)”

 

O ABISMO DE KANT

 

“O entendimento, pois, justamente por aceitar fenômenos, admite também a existência de coisas em si; podemos, por conseguinte, dizer que a representação de tais seres, que estão na base dos fenômenos, portanto, de simples seres inteligíveis, não só é admissível, mas também inevitável. § A nossa dedução crítica de nenhum modo exclui tais coisas (noumena) (...) Admitem-se assim seres inteligíveis, só que com a insistência na regra de que não sabemos absolutamente nada a respeito destes (...) [Exemplo:] O conceito de causa contém uma regra [fantasma] segundo a qual [a] um estado se segue necessariamente outro; mas a experiência pode mostrar-nos apenas que muitas vezes, e, quando muito, comumente, a um estado das coisas sucede um outro, não conseguindo criar necessidade [prisão cartesiana]” fantasminhas camaradas que nem ao menos podemos saber se são mesmo camaradas, mas...-?

 

Eu estou dado, logo sou experiente.

 

Acostume-se com a imperfeição, ledo mortal, ex-vampiro! Demitido do cargo de deus. Queda. Bolinha de gude indecisa. Recidiva. Diva do recinto inclinado. Não é nada. Só rola, despreocupada. Intolerante, independente (!?).

 

Ouvindo The Years of Decay. Sim bólico.

 

Equiparar. É que peço que pare. Impeço, talvez? Como uma vestal de se vestir porque infecta a pureza.

 

Nunca o hoje foi tão hoje e impassível impassável.

 

Nunca tudo foi tão líquido e estou no mar.

 

Mareado.

 

Chateado preso no sólido iglu.

 

Buraco da camada de Gasoso new.

 

Buraco do rabo que cora. Cora, Lola, cora. Strip. Murder mordaça noturna. Cada mudança no seu turno. Escape do sonho perdido.

 

Você me sacaNEOu de novo.

Casa comigo ou não?

Castigo te casar na tua casta?

Gótico Castro Alves



Escrito por a mosca filosófica às 00:41
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PROLEGÔMENOS (cont.)

“o entendimento constrói para si um anexo [maior que a própria casa] sem se aperceber de que excedeu os limites”

 

“todos os noumena nada mais são do que representações” De quê?

 

Objeto oculto. Objeto o culto que se faz de qualquer coisa.

Ab jet-'o

 

Não espere o remédio fazer efeito

e te tirar da contracorrente

o remedeus

reme, Deus, para me alcançar

eu sou mais rápido

eu sou o Remador Diabo

A lisura do processo granulado

 

“não exigia uma maior reflexão ou mais discernimento do que extrair em geral, de uma língua, as regras do uso real das palavras e reunir assim os elementos de uma gramática, sem no entanto poder indicar a razão por que cada língua possui justamente esta característica formal e não uma outra”

 

“Se os Antigos tivessem tido esta idéia, todo o estudo do conhecimento puro da razão, que, sob o nome de metafísica, arruinou durante tantos séculos muitos bons espíritos, teria sem dúvida a nós chegado sob uma forma inteiramente diferente, e teria esclarecido o entendimento dos homens, em vez de o esgotar, como realmente aconteceu, em sutilezas obscuras e vãs”

 

separarmos pra pensar

se pararmos pra prensar

 

A metafísica como a ciência que chega para dialogar com as ciências e a matemática, apodíticas per se (mas a última mais). “que a metafísica é realmente subjetiva, pelo que nos interrogamos com razão como ela será possível.” “Sem a resolução desta questão, a razão jamais se satisfará a si mesma. O uso experimental, a que a razão confina o entendimento puro, não cumula toda a determinação própria da razão.” “a totalidade absoluta de toda a experiência possível não é em si mesma nenhuma experiência” deus-homem e sua necessidade “o autoconhecimento da razão pura, no seu uso transcendente (exuberante) será o único preservativo contra os extravios em que a razão se perde, quando ela se ilude quanto à sua destinação e refere de modo transcendente ao objeto em si o que apenas concerne ao seu próprio sujeito” Exuberante presunção.

 

“se enumeravam, de uma assentada, conceitos do entendimento e conceitos da razão, como se fossem de uma só e mesma espécie.”

 

conhecimento sujo e conhecimento safado e não-decantado nada potável salobro e negro espesso opaco

 

transcentediante

sem ter nada diante de si

apenas uma vaga luz

ih, maneiro

 

“Tão-pouco as idéias cosmológicas sobre o começo do mundo ou a sua eternidade (a parte ante) nos podem servir para explicar um acontecimento qualquer do próprio mundo. Finalmente, segundo uma máxima correcta da filosofia da natureza, devemos abster-nos de toda a explicação da disposição da natureza, tirada da vontade de um ser supremo, porque já não se trata de filosofia da natureza, mas é antes a confissão de que, para nós, se chegou ao fim.

 

“a natureza específica do nosso entendimento consiste em pensar tudo discursivamente, isto é, mediante conceitos, por conseguinte, mediante apenas predicados a que deve, pois, faltar sempre o sujeito absoluto.”

 

“todos os predicados do sentido interno se referem ao eu, e este não pode mais ser pensado como predicado de qualquer outro sujeito.” [mas] “o eu não é nenhum conceito” “Ora, nada mais é que o sentimento de uma existência sem o menor conceito e apenas representação daquilo a que se relaciona todo o pensamento (relatione accidentis).” “Este eu pensante (a alma), enquanto sujeito último do pensamento, pode certamente chamar-se substância [é inconsequente]” Este é o deus a que nos Permitimos! troca maiúsculas por Minúsculas!

 

“só se pode concluir para a permanência da alma na vida, pois a morte do homem é o fim de toda a experiência” “os metafísicos aplicam então confiadamente este princípio da permanência necessária da substância ao conceito de alma, enquanto substância, e concluíram pela sua persistência necessária depois da morte do homem (sobretudo porque a simplicidade desta substância deduzida da indivisibilidade da consciência lhes servia de garantia contra a destruição por decomposição).” Como se uma cadeira de madeira destruída ainda fosse uma cadeira. É mais cadeira do que um corpo não-cerebral é um corpo cerebral, de qualquer forma.

 

“O idealismo cartesiano distingue, pois, apenas a experiência externa do estado do sonho”

 

“eu mesmo, enquanto fenômeno do sentido interno, existo fora de minha representação própria?” R: “Não [para superar Descartes a resposta não poderia ser outra]” “o corpo significa também a coisa em si [conto da carochinha]”

 

“I. Tese – O mundo, segundo o tempo e o espaço, tem um começo (limite)

    Antítese – O mundo, segundo o tempo e o espaço, é infinito

(...) II. (...) III. (...) IV. (...)” “conflito inesperado que nunca pode pacificar-se pelo habitual método dogmático (...) e a razão vê-se assim dividida consigo mesma, situação acerca da qual se alegra o céptico [Hume, O Feliz]”

 

A física do crente, a Mecafísica.

 

“liberdade, o conceito que constitui o problema da metafísica.” “a liberdade não impede a lei natural dos fenómenos, da mesma maneira que esta não prejudica a liberdade no uso prático da razão”

 

O CÍRCULO A QUE PERTENCE A NOSSA LINHA RETA DE CADA DIA: “Com efeito, a este respeito, todo o começo da ação de um ser a partir de causas objetivas e relativamente a estes princípios determinantes, é sempre um primeiro começo, embora esta mesma ação seja na série dos fenómenos um começo subalterno, antes do qual deve ocorrer um estado da causa, que a determina, sendo também ele próprio determinado por uma causa próxima antecedente” TRADUÇÃO PARA HOJE EM DIA: Todo começo é um começo, mesmo não sendo um começo, manjou? Porque a coisa-em-si em si não é regida pelo tempo propriamente dito. Ops, estou – [efetiva]mente – adquirindo os vícios de linguagem kantianos, socorram-me (em Marrocos)!

 

“não existe causa absoluta do mundo sensível, no entanto este mundo está ligado a um ser necessário” ARGH! “a incompatibilidade destas duas proposições baseia-se unicamente no mal-entendido em estender o que vale apenas para os fenómenos às coisas em si e, em geral, em misturar estas duas coisas num só conceito.” estou entediado em entreter

 

“Por agora, não exijo mais nada; não posso esperar uma perfeita aprovação, mesmo do leitor mais atento.” “a minha crítica deve ser estudada: eis a única coisa que agora peço.” “adversários anônimos e, contudo, incompetentes.”

 

a legalização da especulação


“um sistema, sem o qual o nosso conhecimento não é senão fragmento, sem poder ser utilizado para o fim supremo (que é sempre apenas o sistema de todos os fins)” “seria um absurdo ainda maior se não admitíssemos nenhuma coisa em si [!!!] (...) se fizéssemos passar o nosso entendimento discursivo pelo protótipo de todo o entendimento possível



Escrito por a mosca filosófica às 00:37
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PROLEGÔMENOS (cont.)

“O ceticismo, na sua origem primeira, brota da metafísica e da sua dialética indisciplinada.” Uma espinha brota na minha cara, sem causa primeira. Adolescética. “começou-se a duvidar mesmo dos princípios da experiência.” “o bom senso afirmará sempre seus direitos; no entanto, surgiu assim uma confusão especial para a ciência” “Somente por uma determinação formal dos limites do uso da nossa razão é que poderá se remediar a confusão [para sempre]” Somente sempre é que podemos dar crédito ao aqui e agora.


ESQUEÇAM O QUE ESCREVI: “Quem pode, pois, suportar que nós cheguemos da natureza da nossa alma até à clara consciência do sujeito e, ao mesmo tempo, à convicção de que os seus fenómenos não podem explicar-se materialisticamente, sem perguntar, pois, o que será propriamente a alma e sem admitir para este fim um conceito de razão (de um ser imaterial simples)[!!!], embora não possamos demonstrar a sua realidade objetiva?” centuries Afogado... FODA


“Quem pode contentar-se com o simples conhecimento empírico em todas as questões cosmológicas acerca da duração e grandeza do mundo[?]” EU!


KANT, SEJA MAIS SINTÉTICO!


“toda a resposta conforme às leis fundamentais da experiência engendra sempre uma nova questão que, ao exigir ser respondida, mostra assim claramente a insuficiência de todas as espécies de explicação física” Kant a eterna criança da criação – o babyphilosopher atemporal


Insatisfeito com a insatisfação eu gritei, esperneei e parei a roda do tempo, capitão!


(Menos de) 2 séculos para ser soterrado por Spengler: “A extensão dos conhecimentos na matemática e a possibilidade de invenções sempre novas estendem-se até ao infinito” Só me deixe passar por essas 24 páginas, ó sabedoria ilimitada!...


“não existe na matemática progresso contínuo e uma aproximação a estas ciências [a metafísica e a moral, com “M” de mãe, a pura fertilidade...]” Ou seja: que as duas entre colchetes sejam finitas, não há dúvida para K., e com ele chega o momento de fechá-las a cadeado, consumá-las. O resto será pura manutenção de jardineiro doravante...


“A ciência da natureza jamais nos revelará o íntimo das coisas, isto é, o que não é fenómeno, podendo, no entanto, servir de princípio supremo


Vontade de responder com uma imagem. Mas o que é uma imagem senão zero ou infinitas ou inúmeras mas finitas imagens...


Já que não podemos perscrutar a alma deste estojo, ou deste tijolo, definamos Deus e saciemo-nos à vontade no Último Banquete Neoplatônico!


hino a plot-wist-ino

o avesso do avestruz

levando uma sova

7 a 1


no tocante no semblante no visante no ouvinte no cheirante

no peidante no cagante no sentante no comível no volúvel vomitável


espaço pleno x espaço vazio


“em todos os limites existe também algo de positivo, ao passo que as fronteiras contêm simples negações.”


chega, menino, você já passou de todas as fronteiras!... pro quarto agora! vá transcender noutro lugar!


o limite metafísico do brasil é o brasileiro, quem diria (o brasileiro)


“para lá delas, há ainda alguma coisa (embora jamais venhamos a saber o que essa coisa é”


a fronteira do sono com o torpor com a ignorância com as boas intenções

um ponto sem coordenadas nos planos XYZ do saber


ponto P de poesia a única fugassolução


“importa que o (permanentemente) desconhecido seja determinado” “Devemos portanto conceber puros números” e por que não vogais arianas? “O conceito deísta é um conceito racional inteiramente puro” estou livremente forçado a ser cristão pelas minhas predeterminações objetivas “As objeções de Hume contra o deísmo são fracas e nunca dizem respeito senão às provas, jamais ao princípio” a < coisa-em-si > do deísmo: o teísmo. [???]


pára que tá feísmo


“os seus argumentos perigosos referem-se todos ao antropomorfismo” “evitamos o antropomorfismo dogmático; permitimo-nos um antropormofismo simbólico


analogia: um conhecimento, segundo ele, perfeito. Ex: “o direito e a força motriz são coisas inteiramente dissemelhantes, mas existe na sua relação uma completa semelhança.” “o que é desconhecido em Deus, que nós chamamos amor” [???]


Em outros termos, para o fantasma basta a capa.


“o único meio possível de levar ao mais alto grau e sempre em acordo consigo no mundo sensível o uso da razão relativamente a toda a experiência possível é admitir igualmente uma razão suprema como causa de todas as conexões no mundo” “A expressão adequada aos nossos fracos conceitos será que pensamos o mundo como se a sua existência e a sua determinação interna promanassem de uma razão suprema


QUE BUFÃO! “A teologia natural é um conceito deste género, no limite da razão humana, porque se vê forçada a olhar para a idéia de um ser supremo (e, sob o aspecto prático, também para a de um mundo inteligível), não para determinar seja o que for relativamente a este ser puramente inteligível, por conseguinte, fora do mundo sensível, mas unicamente para dirigir o seu próprio uso no seio do mesmo, segundo princípios da maior unidade possível (tanto teórica como prática) e se servir para este fim da relação deste mundo a uma razão autónoma, como à causa de todas estas conexões, mas sem inventar assim um ser imaginário.”


"tudo o que se encontra na natureza deve estar estabelecido originalmente em vista de algum fim útil." “fora do sistema da metafísica, na antropologia” “o materialismo como uma concepção psicológica sem utilidade para a explicação da natureza” “idéias cosmológicas” x “natureza” “a razão, graças à idéia teológica, liberta-se do fatalismo, necessidade cega da natureza” [!!!]


“As idéias transcendentais servem, pois, se não para nos instruir positivamente, pelo menos para eliminar as afirmações audaciosas do materialismo, do naturalismo e do fatalismo, que estreitam o campo da razão, e para criar assim um espaço, fora do domínio da especulação, para as idéias morais”


O escólio do mundo é a morte de alguém.


A estiagem dos problemas filosóficos, matando os cérebros de fome...


“A metafísica é real mas apenas enganadora” “vã arte dialética” A única metafísica científica é a arte kantiana da Crítica. Estado crítico.


Toda geração tem seus próprios Jesuses Cristos.


“quem uma vez saboreou a crítica sente para sempre aversão por todo o palavriado (sic) dogmático” tragicamente verdadeiro em sua defasagem!


O PROFETA DO AUTODESAPARECIMENTO: “A crítica está para a habitual metafísica de escola justamente como a química está para a alquimia, ou como a astronomia para a astrologia divinatória.” Intentaré leer menos.



Escrito por a mosca filosófica às 00:35
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PROLEGÔMENOS - final

Em consequência dos princípios anteriormente enunciados: “unicamente a metafísica, entre todas as ciências, pode confiadamente contar conseguir ser levada à perfeição e a um estado estável, visto que ela não mais precisa de mudar e também já não é capaz de crescimento em virtude de novas descoberta” “A perspectiva certa de um saber tão determinado e circunscrito possui em si um encanto particular [a morfina da morte], se pusermos de lado toda a utilidade”

 

Toda a arte falsa, toda a ciência vã tem o seu tempo de duração; pois acaba por aniquilar-se a si mesma e a sua mais elevada cultura constitui simultaneamente a época da sua decadência. Este momento chegou agora para a metafísica: prova-o o estado em que ela caiu em todos os povos cultivados, quando aí se estudam com todo o ardor as ciências de todo o género. A antiga organização dos estudos universitários conserva ainda a sua sombra; uma única academia das ciências, ao propor ocasionalmente prémios, leva a uma e outra tentativa nesta matéria, mas ela já não se conta entre as ciências sérias e pode julgar-se por si mesmo como é que um homem brilhante, a quem se quisesse chamar um grande metafísico, aceitaria este elogio bem intencionado, mas dificilmente invejável para alguém.” É dos metafísicos que elas gostam mais... NESSE ÍNTERIM SEM FIM OS CAREQUINHAS TERÃO MUITO O QUE FAZER: “Mas embora tenha chegado incontestavelmente o tempo da decadência de toda a metafísica dogmática, falta ainda muito para se poder afirmar que o tempo da sua ressurreição, mediante uma crítica sólida e completa da razão, tenha, pelo contrário, já surgido. Todas as transições de uma inclinação para a inclinação oposta passam pelo estado de indiferença e este momento é o mais perigoso para um autor, mas, não obstante, segundo me parece, o mais favorável à ciência. [Santa moedinha de dois lados, santa bosta cheirosa e flor fedida, bátima!] Pois, quando o espírito de partido se extinguiu em virtude da dissolução total de antigas associações, as almas encontram-se na melhor disposição para escutarem pouco a pouco [você quer dizer que eu escrevo 1 página e meu neto 3?] sugestões de união num outro plano.”

 

“caminhos espinosos” – gafe de tradução?

 

“Desde que conheço a crítica, ao acabar a leitura de alguma obra de conteúdo metafísico que, pela precisão dos conceitos, pela variedade, ordem e fácil exposição, me agradasse e ao mesmo tempo cultivasse, nunca pude impedir-me de perguntar: fez este autor realmente avançar um passo à metafísica?” “Nenhuma observação pode ser mais legítima do que esta: até agora, a metafísica ainda não existiu como ciência.” “Só na ciência empírica da natureza podem ser permitidas conjecturas (por meio da indução e da analogia)” "Altas torres e os grandes homens da metafísica, em torno dos quais há geralmente muito vento, não me convêm."

 

KANT, O PÉSSIMO COM NOMENCLATURAS: “para obstar a todo o mal-entendido, de poder dar outra denominação à minha concepção (...) que me seja permitido chamá-la no futuro, como já antes se fez, idealismo formal [horrível!], ou melhor ainda, crítico, a fim de o distinguir do idealismo dogmático de Berkeley e do idealismo cético [crente!] de Descartes.” Idealismo de calçada: popular e concreto!

 

“As outras ciências e os outros conhecimentos possuem, contudo, o seu padrão. A matemática tem o seu em si mesma, a história e a teologia encontram-no nos livros profanos ou sagrados, a ciência da natureza e a medicina na matemática e na experiência, o direito nos livros sobre a legislação, e mesmo as coisas do gosto nos modelos dos Antigos. Mas, para julgar a coisa que se chama metafísica, deve primeiro encontrar-se o padrão (fiz uma tentativa para o determinar a ele e ao seu uso).”

 

“Se esta proposta não tivesse outro fundamento além da minha presunção de importância, que a vaidade atribui ordinariamente a todos os produtos próprios, seria indiscreta e mereceria ser rejeitada com indignação. No entanto, a filosofia especulativa encontra-se presentemente num estado tal que está em vias de se extinguir totalmente, embora a razão humana adira a ela por uma tendência inextinguível” “o interesse comum da razão, que a si cada vez mais se esclarece”

 

CRÍTICA DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA: “não estou inteiramente satisfeito com a minha exposição em certas secções da doutrina elementar, por exemplo, na dedução dos conceitos do entendimento ou na seção dos paralogismos da razão pura, porque uma certa extensão dos mesmos impede a claridade; em seu lugar, pode, pois, tomar-se como base do exame o que os prolegómenos aqui dizem relativamente a essas secções” Na falta de resenhadores competentes nos jornais, Kant também interpretou-os contra si próprio.

 

“Diz-se que os Alemães conseguem ir mais longe do que os outros povos naquilo que exige perseverança e aplicação persistente.” Diz-se isso de muitos povos, em verdade... “hoje, na Alemanha, quase não se sabe em que se pode ocupar, fora das ciências ditas úteis, de modo que não seja simples jogo, mas também uma ocupação mediante a qual se alcance um fim duradoiro.” Se a guerra não dizimasse tão depressa...

 

DEFINIÇÃO APRIORÍSTICA DE MONOMANIA: “A minha intenção não é exigir a quem quer que seja um simples seguimento das minhas teses, ou adular-me apenas com essa esperança, mas poderiam ocorrer, segundo o caso, ataques, repetições, restrições ou também a confirmação, a adição e o desenvolvimento; contanto que a questão seja estudada a partir do fundamento, não pode agora deixar de se constituir um sistema

 

BINGO: “o serviço que ela presta à teologia, ao libertá-la do juízo da especulação dogmática e ao pô-la em total segurança contra todos os ataques dos adversários deste género.” IMPRECAÇÕES AO HEREGE AGOSTINHO, DESDE O CRITICISMO UM FILÓSOFO (ANTI-)CRISTÃO (SEM O SABER) TÃO DESEMPREGADO QUANTO AQUELE OUTRO AGOSTINHO, O DA PROSAICA GRANDE FAMÍLIA: “O misticismo, que não pode surgir numa época esclarecida, a não ser dissimulando-se por detrás de uma metafísica escolástica, sob cuja proteção pode atrever-se a delirar, por assim dizer, com a razão, é expulso pela filosofia crítica deste seu último refúgio

 

PEQUENO GLOSSÁRIO SELETIVO DE SAIDEIRA, embora eu já tenha ficado muito loucão neste mar de sentenças e não precise de incentivos extras, metaeufóricos ou mundanos, gasosos ou líquidos:

 

"Bedingung der Möglichkeit — condição de possibilidade

Begriff – conceito

Bewusstsein – consciência

Ding an sich – coisa-em-si

Erkenntnis – conhecimento

Erscheinung – fenômeno

Gegenstand oder Objekt – objeto

Grundsatz – princípio

Notwendigkeit – necessidade

Raum – espaço

rein – puro

Schein – aparência

Ursache – causa

Urteil – juízo

Vernunft – razão

Wirkung – efeito

Zweck - fim"

 

Ich glaube, ich denke!

 

...

 

Zweck!



Escrito por a mosca filosófica às 00:30
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3K3B – KU-BRICK-KE-BRA[C]-KA-BEÇA

visual-memory.co-uk – excertos sobre 2 adaptações do superestimado diretor das páginas para a telona

 

“Some Kubrick films could be said to be over-represented on the Kubrick site while others are under-represented. < Lolita > (1962) is one of Kubrick's less discussed films; sandwiched between the box office triumph of < Spartacus > (1960) and the critical triumph of <  Dr. Strangelove > (1964), it is largely regarded as a failure, not just because the constraints of the MPAA Production Code meant that Kubrick was unable to dramatise the novel's erotic elements, but also because Kubrick is seen as not being able to find an adequate cinematic equivalent of Nabokov's wit and dazzling literary style.”

 

“While the book is a veritable palimp[in]sest of parodies—of Proust, Poe, Dostoyevsky, Sade—Kubrick opted to downplay style in a text in which style is of[f] the essence.”

 

“Most of the Nabokovian wit is displaced onto Peter Sellers as Clare Quilty, for Sellers’ shape-shifting capacity to mimic personages as diverse as Gabby Hayes and T.S. Eliot makes him an ambulatory intertext, a body of quotations whose very modus operandi is parodic in the best Nabokovian sense.”

 

“under the jacarandas of Hollywood, he worked for six months on the Lolita script. By midsummner, Nabokov handed Kubrick a 400-page screenplay that included unused material from the manuscript of the original novel. Kubrick asked for a shorter version. In September, Nabokov submitted a script half as long as his first one. [What a waste of time for a writer!]”

 

“And it should not be forgotten that Lolita represents Kubrick’s first effort at adapting to film the novelistic convention of the unreliable first-person narrator, an understanding of which will illuminate the narrational ironies of A Clockwork Orange and Barry Lyndon, two other films based on novels [Tackeray] that confuse point of view in much the same way that Lolita does.”

 

“Because of pressures from the Production Code and the Catholic Legion of Decency [ha-ha!], he could not sufficiently dramatize the erotic aspect of Humbert’s obsession with the nymphet. And even though Sue Lyon was thirteen when shooting began, she plays Lolita closer to fifteen than twelve. (In the novel we are told that the nymphet exists on an < enchanted island > between the ages of nine and fourteen.)” “She, of course, had a pre-Humbert affair with Quilty, who also uses Charlotte to capture the nymphet.”

 

“Vivian Darkbloom (in the novel, an anagram for Vladimir Nabokov)”

 

“Yet Humbert does not see his face in the reflexive mirror of Quilty's impersonations: he does not see that his romantic infatuation with an image rather than the reality of Lolita finds its demonic incarnation in Quilty and the obscure objects of his desire. Instead of expressing this important scene through the flourishes of a Wellesian chiaroscuro, as Nabokov's screenplay invites, Kubrick chooses to materialise the dreamy evasions of Humbert's character through a realistic depiction of Quilty's nightmare world.” “< Humbert Humbert died in prison of coronary thrombosis while awaiting trial for the murder of Clare Quilty. > This demure image twice seen, and the repetition of the call for < Quilty > that immediately precedes it, provide the film with an aural and visual Rosebud which, like a recurring dream-nightmare, frames Humbert's loss of vision in the dark obstacle course of the self.” “Throughout, Humbert has trouble dealing with the material and mechanical substance of a world that frustrates his every move.”

 

“In their last scene together, Humbert faces a new Lolita-no longer dreamy or magical, but bloated by pregnancy and wearing horn-rimmed glasses like Quilty-and sits with her on another bed”

 

With my little girl I’m gonna find pees and war.

 

*  *  *

 

It has been a long d(ec)ay.

 

Apocalypse Now, Platoon, and Full Metal Jacket, which are clearly the Big Three films about the war, are always going to be compared and contrasted. Francis Coppola's Apocalypse Now tried to filter Vietnam through Conrad's Heart of Darkness, and was clearly an attempt to mix surrealistic elements alongside of extremely realistic observations to provide a strong sense of the experience of serving in Vietnam. Oliver Stone's Platoon was, simply, based on Stone's own experiences, and he essentially used the simple techniques of a war film to provide a more authentic sense of what jungle warfare is like. Full Metal Jacket was based on author Gustav Hasford's own wartime experience alongside of his own efforts to compose a surrealistically-influenced novel about the war, but Kubrick apparently desired to use the story in an effort to explore what turns people into the killers they frequently become.”


“Personally, in my humble opinion, Platoon is the finest in giving the audience a sense of what jungle warfare is like: hot, tense, terrifying.”



Escrito por a mosca filosófica às 10:37
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A GEOGRAFIA DO SUBTERRÂNEO: apêndice [1/2]

Farscape (thrash, 1998-)

full-lenghts (2003, 2006, 2013)


“Farscape come (sic) from Brazil, but a Germanic influence is definitely evident here. It seems their daily dose of Kreator or Sodom or any other speed/black band rub off here, but never ever is it (sic) taken to different places [ironicamente, o nome da banda é seu avesso]. (...) It feels like a blast from the past, but there are much lesser annoying undertones of other retro-thrash outfits. For example < Thrash until you drop > actually sounds good. Any other new band who put the word < thrash > in the title of their songs, are (sic) usually trying so hard to stress they are (sic) a thrash band, and repeat it three or four times, maybe more throughout an album. [indireta ao Violator, quem sabe?] (...) These guys aren't actually trying to be different, or any more shocking than their heroes. They are just content playing thrash, and they love doing it.” Seducerofsouls85


lyrics (sample):

“I try to eat Christ's brain, the vomit reaches my throat” [lol]


Atomic Roar (thrash, 2003-)

full-lenghts (2009, 2011)


“Not only does the band PLAY old, but the mix sounds like the band recorded this in the garage next door to you on an 8-track in 1984. (...) The bass is a little difficult to notice, but yet again this is a common trait of early records. It doesn't need a well rounded sound, it's plodding right along with the guitars. Unfortunately, some of the tunes are forgettable (< Play Loud >< Metal Patrol >, etc), never really building up enough leather and spikes power. (...) the band sounds like they had immense fun putting this together and it certainly translates into their passion for the material. Even though the retro thing is < in >, not a lot of bands swim this deeply into the nostalgia pool.” autothrall


Whipstriker, na realidade o próprio codinome do autor Victor Vasconcellos (blackened speed, 2008-)

full-lenghts (2010(split), 2013(split))


“The reason for the association with black metal is easy to name: the singer sounds like Cronos for nearly 100 percent [refere-se ao próprio Whips., a pessoa – fiquei curioso].” Felix 1666


“Hailing from the < wild lands > of Rio de Janeiro, Whipstriker follows suit with three tracks of amped up blackened heavy/speed metal influenced by the likes of Venom, Tank and Motörhead. Led by the indefatigable Victor Whipstriker on bass and vocals, the band presents a solid mix of tempos and varying degrees of heaviness. Starting with < Grind ‘em Down >, Whipstriker presents one of their heaviest tracks in a while, with Victor’s garbled South American snarl taking center stage. The riffs meet at the center point between rollicking speed metal, fast and rangy punk rock and galloping thrash while the drums speed along to a thrashy, double kick beat. < Vengeance Day > focuses more on fast paced metal punk riffing and a chorus that is catchy as hell despite the raw and rangy approach. Closing with < Burn the Virgin’s Hole >, the band brings their early Venom worship to the forefront, with a slithering, anthemic sound calling to mind the fire of Black Metal or Welcome to Hell. (...) Whipstriker have certainly proven themselves to be among blackened metal’s elite” The Metal Observer


Diabolic Force (black deathrash, 2001-)

full-lenght (2009)



Escrito por a mosca filosófica às 22:54
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A GEOGRAFIA DO SUBTERRÂNEO: apêndice [2/2]

Apokalyptic Raids (black deathrash, 1998-Apocalyptic Raids até 2001-...)

4 full-lenghts (2001, 2003, 2005, 2010)


“In the world of music there are two types of imitators: those who mimic their idols and try to sell it as something wholly original and those who are unabashedly and admittedly doing nothing but emulating and worshiping their favorite bands. It shouldn’t be very difficult to figure out which group the Brazilian metal merchants Apokalyptic Raids falls into. Their name, album title and most song titles are taken straight from the catalog of Hellhammer and Celtic Frost. Known as Apocalyptic Raids (notice spelling) until 2001, the band switched the spelling of their name soon after the release of their seminal work Only Death is Real... At the time of this release, Apokalyptic Raids consisted of Necromaniac on vocals and guitars, Sub Umbra on bass and Adrameleck on drums. Everything about this band screams Hellhammer and early Celtic Frost worship, but that’s not always a bad thing, is it? (...) I’ve actually heard rumors that some of the songs were worked during the eighties, but I’ve never gotten confirmation on the truth of that statement. Sure, there was also Sarcófago melding the black, death and thrash genres into one at the time, but Apokalyptic Raids spurned creating their own sound in favor of continuing down the primitive, overgrown trail first blazed by Tom G. Warrior and company. I’ll be the first to admit that that little known footpath in the jungles of South America has now turned into a fully functional eight lane freeway, as there are bands popping up left and right attempting that old school melding of black, thrash and death metal, but there aren’t many bands that pull it off with the ease and sincerity of Apokalyptic Raids.” The Metal Observer


“The production is more mudded sounding compared to the last, where it has a filthy layer of smudge that's smeared with effects and rawness to an unhealthy degree. A.R. has no constraint to what's going on around them, venturing as far as their demented minds are willing to take them. Although, not as far as the < R > and certainly not before the < H >. What does this little, black secret spell? Go Apokalyptic Raids! Like the ageless profession: prostitution. Specifically, a prostitute who is willing to go that extra measure and do what it takes to put that sweet evil into her aging, needle-punctured arm. She might be hardly paid and doesn't have an afterthought of shame. Having a guiltless living that could be considered part-hobby, part-addiction, and with no clear way to get out of the trance. (...) The drums have the '80s in its sights, but the bass drum has a strange, muffled, crackling noise. In comparison with his other drums it is an oddity and sounds less loud, than, say, his snare. Then again, it probably just comes down to how they microphoned them and was most likely done on purpose as a contrast to the guitars. (...) the solos are a little more frequent and sound more scaled and, of course, rockishly sleazy. (...) This is a little less ferocious than the first, where that recording was a constant, unstoppable juggernaut.” Byrgan


“Another varying track, < Manifesto Politicamente Incorreto, > sounds like a forefronting hardcore/crust remembrance as it displays an all-quick and short song, accompanied with fast and slurred vocals and guitars strumming out three-chord furies. That's the only track that does that, notice the switch of language compared to the rest too.” Byrgan


“This also has a dash of Sabbath, namely with a piece in < Remember the Future >—strange place to sound the past?—where the guitar strums a few notes with a pause, Iommi trill included, while the drums unfold some Bill Ward-like solo with various undeniably '70s inspired hits around the drum set. (...) With the exception of one area, the momentum never peaks to a blast or other escalating speed that most are familiar with by now in extreme metal. This has some thrashier fast beats and a few others that are edging on a d-beat, but nothing that's pushing it to excessive limits. Think along the lines of a quicker band in the early to mid-'80s period—put them in a line up and it would be a close call from other adrenaline junkies from then (...) And like Venom and earlier Sodom he typically repeats the title phrase throughout the song. (...) And where would this be without the occasional upstarting Scrabble nightmare of an < ow >, an < ewggh > and, of course, an < oogghhh >, that worded out sound like various heavy objects to the gut: sledge hammer, baseball bat, lead pipe—the meanest of the mean of < laying around > blunt weapons. Just imagine the audio track for a hidden level to Hell that you've never played on < Final Fight. > [melhor metáfora, hahaha!] (...) Overall, for a non-modern sounding album with all of its eyes, fingers and toes pointed to the past, it still has a combination of a sense of exhilaration and danger, instead of being completely on the side of a straight terror or total bag of sappy fun [nostalgia piegas] like others have done when attempting to resurrect an older way of playing.” Byrgan [Estranhei a variedade da banda ser mais ampla que a das outras – mas Whip. só tocou baixo em apresentações no ano de 2008.]


Power From Hell (blackthrash, 2002-)

5 full-lenghts (2004, 2007, 2009, 2011, 2015)


[Banda usualmente de um homem só, "Sodomic".] "It is often said that this band is total Bathory worship, and this statement couldn't be any more true. Almost everything on this album sounds like Bathory's earlier recordings, namely the ones on the first < Scandinavian Metal Attack >, only slightly faster. (...) Bottom line is that the bass drum sticks out more than anything in this recording but it doesn't drown out the rest of the instruments or vocals. (...) The voice is pretty much what you would expect from black metal, only they truly sound dark and menacing like Quorthon's early vocal style rather than the sounds of being anally raped by an elephant that you will find in other modern black metal vocalists. (...) Power From Hell plays black metal the way it should have been played all along; raw, tough, and dark. If you have issues with album production then this one may not be for you. But there are shit albums out there **cough, Filipino Antichrist, cough** where the production is ten times worse that anything on this recording, and people actually claim to like that garbage" some_dude


Toxic Holocaust (blackthrash, 1999-)

5 full-lenghts (2003, 2005, 2008, 2011, 2013)


"the punk-influenced riffing goes beyond its simplistic origins just as it did for the classic bands like Venom and Celtic Frost that have an obvious influence on proceedings to create something both vicious and impossibly catchy. (...) < City of a million graves > is perhaps a hint at a slightly more developed future. A comparative leviathan at nearly 5 minutes long, for a regular thrash band it would be a fairly run of the mill arrangement, but is approaching prog by Toxic Holocaust standards." Radagast, Metal CD Ratings


Warhammer (black doom deathrash, 1994-2001, 2006-)

5 full-lenghts (1998, 1999, 2000, 2002, 2009)

Eu tenho o The Winter of Our Discontent (1º álbum) há anos no HD!


"German bands are renowned for doing things their way, often amounting to excellent results, not giving too much importance to what the press and < holier-than-thou > intelligentsias might say (partly, a sign of professionalism...), and so did Warhammer. If the country had managed to put out Sodom/Kreator/Destruction/Deathrow on the death-thrash map, so would this German purist black-death-thrasher of a trio make their claim to ‘Hammer’s abandoned sceptre, as a non-assuming dead-serious tribute, re-creating the aura of the old true cult. (...) < The Winter of Our Discontent > is a 39-minute elegy to the empty skull-throne chambers, while the < big Orc-music > plays in the backdrop. If, for Tom G. Warrior, the fantasy dark side of early Hellhammer/Celtic Frost was contemporary with obscure < power-metal-ironsmiths > like Cirith Ungol and Aragorn, plus Venom’s viciousness and the odd cinematic cue-lines from Arnie’s < Conan the Barbarian > role model, Warhammer, on their part, only had the < new tales > of Middle Earth as < recounted > by Count Varg (with Peter Jackson’s take on < The Ring > saga still 3 years ahead), as a far-fetched remote reference, thus being there hardly any common ground for such mythological connections, in their (pretty grim) worldview. (...) Gone was good old Satanic Slaughter’s nasty philosophical horror tales and welcomed were Volker’s socially and politically aware manifestos, brought forth with undeniable vehemence and canon Hellhammer verve" esgargarothoth


"No stuff for snobbish academics, just powerful metal." Felix 1666


Daqui a pouco mais familiarizado com estes reviewers que com os do GameFAQs...



Escrito por a mosca filosófica às 22:53
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A GEOGRAFIA DO SUBTERRÂNEO: Um estudo sobre a espacialidade das cenas de Heavy Metal do Brasil – Victor “Whipstriker” “the bassist” Vasconcellos/UFRJ

A matéria abaixo está segmentada em 7 partes e comenta o livro do título acima, ao mesmo tempo que intercalo as passagens entre aspas com pensamentos, poemas e chistes meus. Acima, uma coletânea de informações sobre as bandas nas quais o autor já tocou, retiradas do metalarchives, que achei por bem separar da matéria principal.


Ed. Verlag, 2015.


Referência a Orkut e MySpace como redes contemporâneas. As instâncias da moda dos últimos tempos da última semana estão mais vivas que Elvis, Raul, Josef Mengele, Michael Jackson e que a celebridade do penúltimo campeão do BBB ou The Voice (comentário válido para qualquer ano).

 

Mesmo 10 anos (ou 1000km?) podem representar uma enorme diferença nas catalogações de um movimento cinqüentenário como o HM: (P. 11) “Como exemplo de vertentes do Heavy Metal, podemos falar no Thrash Metal, Death Metal, Black Metal, Doom Metal, Metalpunk, Melodic Heavy Metal, Gore Metal, Gothic Metal etc.”

 


“Desde 1998 faço parte de bandas de Heavy Metal (Farscape, Atomic Roar, Whipstriker e Diabolic Force)” + O FDP ainda tocou em turnês com o Apokalyptic Raids, Power from Hell, Toxic Holocaust, Warhammer e Besthöven (Fonte: metal-archives)


* * *

ARTE OU DESBUNDE?

 

that knight, that knife night 9

hive

mare

maré


Capinando até o esgoto com uma foice inoxidável, atingi o cu do campocidade, com o ü evoluí de roceiro a roqueiro. Peguei o Lemmy e dirigi pela estrada assassina, o que me Hammett aos tempos antigos.


Waspwhip! Bela idéia de nome, não?!


As trevas da meta, o gol dos cvlt trvs.


lereiro-lereiro, o contrário de rolezeiro.


* * *



Escrito por a mosca filosófica às 22:41
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“O terceiro fato está ligado à intervenção feita pela prefeitura do Rio de Janeiro na estrutura física da Rua Ceará, logradouro no qual o Garage estava localizado. Essa rua tornou-se um ponto de encontro para a cena Rock carioca desde o final dos anos 90. Além do Garage, que era freqüentado por pessoas de vários grupos vinculados ao rock desde o início da década, uma série de bares surgiram em diversos pontos da rua, servindo como local de sociabilidade para cada um desses grupos. A Rua Ceará como um todo, incluindo a casa de shows e os bares, passou a ser o lugar-referência para pessoas ligadas ao Heavy Metal e a outros gêneros que derivaram do Rock. § O que nos interessa, sobretudo, é que a intervenção da prefeitura criou uma nova dinâmica nesse espaço. Se antes era um logradouro sem saída, que permitia o livre fluxo de pedestres e a exposição de mesas e cadeiras na rua, após a intervenção da prefeitura esse espaço passou a ser um ponto de interligação entre duas áreas da cidade, a Praça da Bandeira e o bairro de São Cristóvão. Antes dessa transformação a Rua Ceará funcionava mesmo como uma passarela, onde os atores pertencentes a diferentes grupos desfilavam e exibiam suas alteridades. Uma descrição detalhada dessa dinâmica pode ser encontrada em Lopes (2006 - vide fim do post), onde o autor nos fala tanto da morfologia da rua quanto sobre as atividades dos estabelecimentos e das pessoas que a freqüentavam no início dos anos 2000. § A partir da reflexão sobre esses três fatos passei a me perguntar que importância esses lugares (Garage, Rua Ceará e lojas especializadas) teriam para a cena de Heavy Metal no Rio. Haveria alguma relação entre a transformação desses espaços e o discurso sobre o fim da cena?” “São locais que passam a ser freqüentados com certa periodicidade e, dependendo de sua importância para o grupo, recebem pessoas de outras cidades e até mesmo de outras regiões. (...) É por meio desses espaços de sociabilidade que a cena fala, e essa comunicação é verbal, visual, musical e, muitas vezes, corporal (como veremos no caso do Heavy Metal).” “Os aspectos levantados nesta parte foram observados nos trabalhos de campo que realizei durante dois anos de pesquisa (entre 2010 e 2012).”


“A Galeria do Rock em São Paulo, por exemplo, é um espaço frequentado por pessoas oriundas de cidades distantes da capital e da região metropolitana. A área de influência deste lugar extravasa sobremaneira os limites da cidade. Não podemos, portanto, escolher a escala antes de observar o fenômeno. É a própria organização da cena e a área de influência desses espaços centrais que nos dizem a escala que deve ser adotada para compreender esta ou aquela cena.”


“Headbanger é o nome utilizado para se referir a indivíduos que escutam Heavy Metal e praticam o ato de < bater cabeça >. Outros elementos como o visual também estão associados a identificação (sic) do headbanger.”


“A organização da cena carioca é do tipo convergente-concentrada. Os fluxos convergem para o espaço de sociabilidade e ali permanecem concentrados durante todo o período de reunião do grupo, normalmente em noites do final de semana. Durante a madrugada ou pela manhã esses fluxos retornam aos seus locais de origem. Esse tipo de movimento também ocorre quando o encontro é realizado em lugares secundários, ou seja, em espaços que não apresentam tanta centralidade para o grupo e por isso recebem fluxos menores, menos periódicos e normalmente de áreas mais próximas. No caso do Rio de Janeiro, podemos citar o Bar Calabouço no bairro do Maracanã (Zona Norte), o Clube Mackenzie no Méier (Zona Norte), a casa Planet Music em Cascadura (Zona Norte), a boate Século XXI em Campo Grande (Zona Oeste), o estúdio Áudio Rebel em Botafogo (Zona Sul), o Teatro Odisséia na Lapa (Centro) e também em locais (sic) que extravasam os limites da cidade como o Barracão Show Beer em Duque de Caxias, o Espaço Convés no bairro do Gragoatá em Niterói e o Metallica Pub no centro de São Gonçalo. A freqüência destes locais e os fluxos que se dirigem até eles são bem menores se fizermos uma comparação com a Rua do Senado e o Underground Cultural.”


“De acordo com esses mesmos critérios percebi que a cena de São Paulo apresenta uma organização diferente, sendo do tipo convergente-dispersa. A Galeria do Rock, localizada no centro da capital paulista, é o principal ponto de encontro de headbangers desde a metade dos anos 90. Esse espaço é, sem dúvidas, o lugar referencial para a sociabilidade do Heavy Metal em São Paulo. Sua área de influência extravasa os limites da região metropolitana, chegando a alcançar até mesmo outros estados. No entanto, seu papel enquanto espaço central é diferente do caso carioca. Não se trata de um espaço onde as pessoas permanecem, mas de um ponto de encontro que reúne os headbangers para dar início a um novo deslocamento rumo aos locais de shows e bares onde acontece a sociabilidade do grupo durante a noite.”


A cena de Brasília é a síntese de fragmentação. Dispersão-desconcentração! O povo do Gama, o povo do Ingá, o povo do Recanto, o povo do Val, o povo da Candanga, o povo da Santa, o povo de Taguá... Um ou dois MANÍACOS fazem a mambembe interligação, mas um bando não ouve falar do outro. E aí vem o Iron Maiden, e apenas o pilotis vai, para pousar de aviãozinho e posar; mas os trves ficam de fora da festa, rindo com cachaça barata (pleonasmo).


“O terceiro tipo de organização foi observado no nordeste brasileiro. Existe uma similaridade nas cenas de algumas cidades nordestinas quando olhamos para a circulação dos fluxos de headbangers nessa região. O elemento comum é que elas se organizam de forma integrada. Parece não haver uma autossuficiência em cada uma delas, de forma que é quase necessário haver uma integração para que as cenas possam se manter e se reproduzir. Dito de outro modo, as cenas se organizam em conjunto com cenas de outras cidades e estados vizinhos, formando assim uma grande cena integrada. Isso quer dizer que os espaços de sociabilidade em uma cidade servem também como ponto de encontro para headbangers de cidades de outros estados. (...) Chamamos esse tipo de cena de itinerante-concentrada-integrada.” “notamos que há uma média de dois shows mensais nas cidades nordestinas. Enquanto isso, em São Paulo, em um único sábado podem ocorrer três ou quatro shows em áreas diferentes da cidade e da região metropolitana.”


“o site metal-archives.com é uma espécie [de] arquivo virtual sobre as bandas de Heavy Metal de todo o mundo.”

 

“Em um primeiro momento pensei que essa relação poderia ter consequências negativas para a pesquisa tendo em vista que eu estava me tornando meu próprio objeto de estudo e, sendo assim, corria o risco de não conseguir olhar para essas cenas com distanciamento necessário à realização de um trabalho científico. No entanto, a experiência que tinha a partir da vivência nessa cena (Rio de Janeiro) contribuiu de forma positiva para a pesquisa na medida em que eu já dispunha de um algum conhecimento prévio a respeito das práticas sociais e valores compartilhados por esse grupo. (...) Outros pesquisadores do tema também deixam claro sua inserção no Heavy Metal, como é o caso de Janotti Jr. (2002), Lopes (2006) e Campoy (2010, vide final).” “O processo de entrevistas talvez tenha sido o que mais me fez perceber que fazer parte da cena que estou estudando é uma vantagem para o desenvolvimento da pesquisa. Nas primeiras tentativas de entrevista, me apresentei como um estudante de geografia que estava fazendo um trabalho sobre as cenas Heavy Metal no Brasil. Nenhuma pessoa aceitou responder as questões. Logo pude lembrar-me da experiência narrada por Campoy (2010) sobre seu trabalho de campo com as cenas de < metal extremo > brasileiras.” “Os indivíduos ligados a este grupo possuem práticas sociais e valores próprios, mas mesmo assim estão enquadrados dentro do Heavy Metal por possuírem inúmeros elementos em comum com os outros estilos do < metal >. O Metal Extremo é caracterizado por possuírem um tipo de composição com músicas mais rápidas e pesadas, com utilização de vocais guturais. Os temas abordados em suas letras estão normalmente vinculados a uma esfera de horror, morte e crítica a símbolos e práticas religiosas tradicionais do cristianismo. Death Metal, Black Metal e Gore Metal são exemplos de sub-divisões do que Campoy (2010) considera como Metal Extremo.”


POR QUE NÃO FIZ UMA MONOGRAFIA NESTE ASSUNTO?


Porque sou muito perfeccionista, porque nunca me senti suficientemente identificado com o grupo dos roqueiros. Porque julguei que não havia nenhuma bibliografia disponível sobre o tema (ainda mais levando em consideração que eu queria falar especificamente sobre o Black Metal internacional e odiava a pouca representatividade das bandinhas-cosplay locais – o que igrejas sendo incendiadas na Noruega tinham mesmo a ver comigo, conosco?). Porque eu não queria passar um ano inteiro afundado num tema, mesmo que a bibliografia e fonte material brasiliense fossem riquíssimas. Porque a Sociologia é egoísta e pretensiosa, querendo ter autonomia para falar de tudo, mas seus alunos ficam confusos ao perceberem que na prática não se pode falar de nada, pois o espaço é da geografia, a economia é das ciências econômicas, o pensamento é da filosofia, a história é da história, as diferenças são da antropologia, a política é da ciência política, então o que nos resta? Francamente falando, nada além dum péssimo português e extreme embromation. Eu fui muito honesto comigo mesmo e me orgulho muito disso. Cada vez mais, conforme o tempo passa e olho para trás. Obrigado, de coração, Edson, Marcelo Medeiros, Arthur Trindade, pela oportunidade! Pude alçar voos magnânimos e incomparavelmente mais altos que esses de IBGE, clubinho do livro e secretaria de segurança do GDF... Se o sol vai derreter a cera dessas asas artificiais? Só o tempo dirá. Mas um sociólogo não pode ouvir o tempo. Ele não é empírico, correto, Kant?! Método sociológico ou: como-entrar-pelo-cano-não-sendo-o-Mario. Boa sorte!


“(no caso do Heavy Metal, como veremos mais a frente (sic), há por parte do grupo uma valorização – ou uma não problematização – do que é tosco, sujo, sombrio, feio e, deste modo, lugares que apresentam essas características acabam sendo investidos de significados < positivos >, o que não aconteceria por parte de outros grupos que compartilham outros valores e idéias)”


“Por fim, o conceito de sociabilidade, oriundo da sociologia de Georg Simmel, também possui grande importância em nossa argumentação.”


“A revista Roadie Crew, por exemplo, vem publicando matérias especificamente sobre cenas locais do Brasil. Nessas reportagens, os lugares de shows do passado e do presente e as bandas locais atuais ganham grande destaque. Resenhas de shows e álbuns também podem ser encontradas nesses materiais, o que nos possibilita saber a organização dos eventos (lugar, número de pessoas que frequentam, bandas que tocam etc) e sobre os novos lançamentos (que banda está lançando o que e através de qual gravadora).” “Exemplos de sites especializados em Heavy Metal são: Whiplash [UHHHH! Vaias para a Contigo dos headb.], Metal Pesado, Metal Devastation, Metal Maniacs, Thunder God Zine, Metal Vox, Recife Metal Law, Cabra Metal, Arena Metal PE, Altars of Metal, Ultimate Metal, Barons Hell. Com relação aos blogs podemos citar: Metal Reunion, Metal Brasileiro Underground, Brasil True Black Metal, Som Extremo, Sertão Metal PE, AMZ Metal, Inferno Notícias, Rock Out Zine, Metal Milicia 666, Arise Metal Blog Zine e muitos outros. Zines impressos também são preciosas fontes de informação e, dentre os que circulam no Brasil, destacam-se: Sepulchral Voice zine (SP), Revelações Abissais zine (PR), Falecido Zine (BA), Iiscröto Zine (SP), NFL zine (SP), Visual Aggression zine (SP), Mauá Zine (SP), Püke zine (SP), Máquina do Metal zine (PE), Metal Blood zine (DF) e outros.”



Escrito por a mosca filosófica às 22:37
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“Como sou músico permanente em três bandas, percebi que uma forma eficiente de conhecer várias cenas seria agendar viagens para tocar e ao mesmo tempo ter contato com diversas cenas locais de Heavy Metal no Brasil.” “A turnê aconteceria durante todo o mês de janeiro de 2012. As cidades contempladas nessa parte do trabalho foram: Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Natal (RN).” Definindo “trabalhando com o que gosta”. Onde estão meus conterrâneos cearenses? Também senti falta de São Luís no roteiro.

 

“Campoy (2010) tem toda sua argumentação baseada na idéia de que há uma disputa entre underground e mainstream no caso do Metal Extremo brasileiro. Para ele, inclusive, o underground do Metal Extremo existe a partir de uma permanente negação do mainstream. (...) defenderemos mais a frente (sic) a idéia de que não existe uma cena mainstream.”

 

“Hoje, a rede virtual cumpre um grande papel para a comunicação e divulgação de idéias de diversos tipos de coletividade. Esses sites muitas vezes são divididos por comunidades de interesse, como é o caso do Orkut e mais recentemente o Facebook. Através dos cartazes virtuais é possível de antemão identificar os lugares [em] que acontecem shows em uma cidade.”

 

“a maior parte dos entrevistados de São Paulo afirmou que a Galeria do Rock é o espaço mais significativo para o Heavy Metal na cidade, assim como os entrevistados do Rio de Janeiro afirmaram que a Rua Ceará, o bar Heavy Duty (que se localiza na mesma rua), e o bar Calabouço eram os espaços de convívio mais importantes do Rio naquele momento.”

 

“Há lugares para o agir comunicacional dessas coletividades, lugares onde suas ações ganham sentido e visibilidade.”

 

“OPS! QUERIDA, REFORMULEI AS CRIANÇAS!” (brincadeirinha com o nome dum filme): “Foi na noite de 16 de janeiro de 2010, em uma visita à Rua Ceará, que comecei a fazer minhas primeiras observações sobre a cena Heavy Metal do Rio de Janeiro. O curso de mestrado ainda não havia começado e eu era apenas um recém aprovado com um projeto que tinha como proposta investigar a relação entre geografia e imagens fotográficas de uma revista carioca da década de 1930.” “Tudo era diferente de quando comecei a frequentar o Garage no ano de 2000. Não havia mais cadeiras em frente aos bares, tampouco pessoas circulando pela rua e casais namorando entre os carros [houve algum retrocesso, conforme vi em 2016!]. A rua estava mais iluminada, porém silenciosa e deserta. Onde estavam os posers?” “Grupo que está vinculado ao estilo musical conhecido como Hard-Rock [Só a partir dessa tese, do zine Homicidal Maniac #3 (Agosto/15) e do Metal Archives pude perceber o quanto existe uma conotação negativa para o termo HR! Sempre chamei Black Sabbath e Deep Purple, ou mesmo Motörhead, por exemplo, de Hard rock!] ou Glam Metal. Apresentam um visual completamente diferente dos headbangers. Suas roupas são mais coloridas e é comum o uso de maquiagem feminina entre os homens. Exemplo de bandas que marcaram o estilo são Poison, Mötley Crue, Cinderella etc.” Muito instrutiva, também, a variação temporal ou geográfica que o termo POSER veio a apresentar. Um verdadeiro amante de Mötley Crue, pelo menos no DF do meu tempo, não seria chamado de poser, num lugar mais “tolerante”: ele é o que é, é o que aparenta, independentemente do som ser considerado ruim. Poser seria muito mais o metido a lenhador dos bosques que se apresenta como “metaleiro das trevas e norueguês nascido no lugar errado”, por exemplo. I.e., aquele que não é quem passa por ser.

 

“O Bar da Janela é de fato uma janela. Trata-se de uma janela de uma casa que se localiza ao lado do Garage e que era aberta para vender cerveja e petiscos como amendoim e biscoitos. [aprovado na minha visita etnográfica particular!]” “O Bar do Bigode, antes completamente ocupado por punks, estava vazio e tocava Forró. O Bar dos Grunges, no final da rua, não tinha mais nenhum adolescente com camisa de flanela quadriculada e era ocupado por pessoas < comuns >” “Vila Mimosa (o prostíbulo a céu aberto) [fedorento e vulgar demais até para um prostíbulo]” “Voltei pela mesma calçada, sozinho, e me dirigi para a porta do Bar Heavy Duty, onde ocorreria um show de Death Metal. Aos poucos as pessoas foram chegando e entrando no bar e nenhuma delas permanecia no lado de fora (na rua). O show não ficou muito cheio. Puxando as imagens pela memória, acredito que havia por volta de 70 ou 80 pessoas no interior do estabelecimento, número bem baixo se compararmos com a freqüência do período anterior.”

 

“existiria uma cena musical sem espaços de encontro? (...) Se não, quais seriam os espaços de referência para uma cena?” Deslocamento para o espaço digital, amigão.

 

"De acordo com Bennett e Peterson (2004), o termo < cena > foi usado originalmente por jornalistas para descrever um modo de vida marginal associado aos indivíduos ligados a um estilo de vida boêmio, a exemplo das pessoas relacionadas à música jazz nos Estados Unidos na década de 1940. Até os anos 90 esse termo ficou mais restrito ao discurso jornalístico"

 

"Zine é uma espécie de revista especializada em um determinado estilo e que normalmente é feito por pessoas que participam de uma cena. Nesses artefatos, é possível encontrar resenhas de shows e materiais de bandas da cena local. Sua produção é feita de forma independente e possui uma tiragem pequena, limitando-se em muitos casos a 50 ou 100 cópias. No Brasil, podemos ter acesso a vários zines como < Visual Aggression >, < Dark Gates >, < Náusea >, < Coven of Darkness >, dentre outros. Atualmente, muitos zines estão sendo feitos em formato virtual."

 

"Ora, a organização material de um espaço onde acontecem shows de Jazz é bem diferente daquela observada em apresentações de Heavy Metal. O comportamento do público em ambos os shows também não se parece e, por isso, cada um desses gêneros se organiza sobre um tipo de espaço particular, com uma morfologia característica que permite a operacionalização das ações que o grupo pretende realizar. As < rodas de pogo > e < stage dives > [de] que falamos acima não encontram sentido em um bar com mesas e cadeiras dispostas para pessoas assistirem a um show sentadas como acontece em um evento de Jazz."

 

"Em Recife tocamos em um teatro onde havia seguranças que, por ordem da gerência, inviabilizavam a prática do stage dive. Nesse mesmo espaço também era proibido o consumo de álcool. Ora, stage dives e bebidas alcoólicas são partes integrantes da cultura e da identidade do Heavy Metal. A impossibilidade de realizar essas práticas em um lugar o torna uma espécie de espaço < impróprio > para [a] organização da cena deste estilo musical." Na Argentina a cena realmente morreu.

 

"No Brasil, podemos citar a Mutilation Records e Absurd Records de São Paulo, Morbid Tales Records do Paraná, Kill Again Records de Brasília, Moribundo Records e Marquee Records do Rio de Janeiro etc. Nos Estado Unidos, talvez os melhores exemplos sejam as gravadoras Hell's Headbangers e Nuclear War Now. Na Europa, Iron Bonehead Productions, Bestial Invasion Records, Death Strike Records, Agipunk Records, Barbarian Wrath Records e muitas outras. No Japão, Deathrash Armageddon Records e Rock Stakk Records são bons exemplos deste tipo de comércio."

 

Pedro Poney, o hipócrita.

 

"Lima; Pereira & Cordeiro (2010), ao analisarem a formação da cena de Heavy Metal em Juazeiro do Norte, no Ceará, também apontam a importância de uma loja especializada para a sociabilidade headbanger na cidade."

 

"O processo de democratização da internet, que possibilitou a obtenção de músicas de forma gratuita, sem dúvida contribuiu para o fechamento de alguns estabelecimentos especializados em música Heavy Metal." Meu primeiro contato verdadeiro com a música. "Nos shows undergrounds desse estilo, é comum vermos mesas e balcões com diversos CDs, LPs, zines, camisas e panfletos expostos para venda e divulgação."

 

Deplorável: "muitas pessoas vão a shows exclusivamente para sociabilizar e encontrar amigos e pessoas ligadas à cena. Ouvimos diversas vezes falas com um conteúdo do tipo < eu nem curto muito essas bandas que vão tocar hoje, mas vim aqui encontrar a galera >."

 

"Estas, obedecendo a um padrão de tonalidade negra, emitem uma série de símbolos que o grupo valoriza. Logotipos de bandas, cruzes invertidas, crânios e pentagramas são estampados em camisas e jaquetas de couro preto ou jeans. Há uma visualidade tão marcada que qualquer < externo > é imediatamente percebido."

 

"Em grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo é muito difícil encontrarmos bandas que ensaiem e gravem em casa ou em garagens. O fato é que a maior parte das bandas precisa de um estúdio para praticar, compor e, futuramente, vir a gravar suas músicas. Atualmente a importância dos estúdios vem sendo diminuída em função da disponibilidade de novas tecnologias que permitem fazer gravações caseiras por um baixo custo. Existe hoje todo um aparato técnico que é capaz de simular um estúdio profissional em apenas um software." "é muito comum encontrarmos no catálogo de uma gravadora japonesa, (sic) títulos de bandas undergrounds do Brasil, Colômbia, EUA e Alemanha ao mesmo tempo." "No Rio de Janeiro, o programa < Guitarras > da Rádio Fluminense cumpria esse papel no passado, em um tempo onde era difícil ter contato com o que estava sendo produzido nas cenas Heavy Metal de outros países" Depoimento anônimo (?): "A Maldita era foda. Juntava uma galera no quarto de alguém e ficava todo mundo ouvindo o som e batendo cabeça. Eu comecei a curtir som ouvindo a Fluminense. Antes eu só conhecia rockzinho tipo Scorpions, Kiss, Queen e essas merdas. Na Fluminense descobri o Venom, Bathory, Kreator, Destruction... Só banda fodida. Essas bandas não tocavam em outra rádio porque eram sujas e violentas, falavam de satã e tinham um som podre. Foi aí que decidi montar banda, usar visual." "O Site myspace, por exemplo, tem um sistema de busca que relaciona estilo musical e cidade. Basta escolher < Heavy Metal - Tóquio > que aparecerão as bandas cadastradas desse estilo."



Escrito por a mosca filosófica às 22:31
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"O Wacken Open Air na Alemanha é o ponto de encontro anual para headbangers de todo o mundo. Excursões são organizadas em vários países para ir ao festival. No Brasil, a responsável pela viagem é a revista Roadie Crew de São Paulo. É essa revista que também organiza as seletivas brasileiras que escolhem a banda nacional que irá participar do evento que, por sua vez, é composto por bandas do mundo todo. Na Alemanha ainda existem outros festivais como o < Keep it True >, o < Heavy Metal Forces > e outros do mesmo nível. O Brasil não possui muita tradição de festivais estilo < open air >. Recentemente, no entanto, foi criado o festival < Zombie Ritual > que nos últimos quatro anos aconteceu na cidade de Rio Negrinho em Santa Catarina. As quatro edições contaram com bandas de diversas partes do país, sendo que em 2010 a banda polonesa Vader também integrou o < cast > do evento e em 2011 foi a vez da sueca Dark Funeral. Os festivais brasileiros normalmente acontecem em locais fechados, como é o caso do < Brutal Devastation > (MG) e do < Setembro Negro > (SP). [O Monsters of Rock é tão novo assim?] Ambos são direcionados para o sub-estilo do Heavy Metal conhecido como Metal Extremo e também abrem as portas para bandas de todo o Brasil."

 

"Baseado nas ideias de Weinstein (2000), delimitamos três dimensões que se conjugam para compor o universo do Heavy Metal: dimensão sonora, visual e verbal"

 

P. 59: “Não pretendemos fazer um histórico aprofundado do Heavy Metal, mesmo porque já existem muitos trabalhos que cumpriram esse papel. Por exemplo: Leão (1997), Weinstein (2000) e Christe (2010) [já dissecado no blog].”

 

“Como aponta Weinstein (2000), é muito difícil contar a história do Heavy Metal pois não existe um consenso sobre onde e quando esse gênero musical surgiu, quais seriam os músicos e bandas precursores e quais seriam suas influências básicas. Segundo a autora, os pesquisadores ingleses tendem a argumentar que o Heavy Metal surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1960, com a formação da banda Black Sabbath. Já os autores americanos afirmam que o gênero surgiu com outra banda inglesa, o Led Zeppelin, que teve grande influência nos EUA no final dos anos 1960 e durante a década de 1970. Por fim, ainda há outra linha argumentativa, explanada normalmente por comentadores americanos, que acredita na gênese do Heavy Metal a partir de bandas americanas como Iron Butterfly, Steppenwolf e Blue Cheer.”

 

“Autores como Berger (1999) associam a formação de bandas de Heavy Metal a áreas que estavam passando pelo processo de desconcentração industrial e que, por isso, possuíam altos índices de desemprego. Sendo assim, não apenas o Black Sabbath (com membros oriundos do bairro industrial de Aston em Birminghan), mas outras bandas e indivíduos que fizeram parte deste momento de gênese do Heavy Metal são originários de áreas industriais que passavam pelo processo de desindustrialização, principalmente no norte da Inglaterra e no meio-oeste dos EUA.”

 

“A transformação efetuada pelo heavy metal do lema hippie < LOVE >, distorcido em < EVIL >, anagrama e inverso simbólico (Weinstein, 2000); o abandono do nome hippie e flower power de < Earth > e a adoção do nome < Black Sabbath >, com a constatação de que a realidade dos músicos operários da fria e poluída Birmingham em crise de empregos estava muito distante da Califórnia – a ensolarada terra prometida dos hippies de camadas médias e boa parte dos universitários norte-americanos; o fim do sonho da revolução juvenil; e as perspectivas sombrias de projetos alternativos à música para os artistas de camadas desfavorecidas (os tradicionais empregos de baixa remuneração, carreiras no esporte ou o mundo do crime) – todos esses elementos se condensam na arte dos pioneiros do metal, numa espécie de visão de mundo romântica operária e um ethos < proud pariah > (...)” (LOPES, 2006, p. 95)

 

“valorização da força física masculina, disciplina (musical), técnicas manuais (agora utilizadas para tocar um instrumento), princípios anti-hierárquicos e anti-comerciais” “Outros elementos como o visual (roupas informais, cabelos longos, jaquetas de couro negro, botas etc), as drogas, a música psicodélica e a postura < rebelde >, segundo Weinstein (2000), são oriundos de uma mescla entre duas subculturas juvenis dos anos 1960: hippies e bikers”

 

“Na segunda metade da década surge o movimento que ficou conhecido como New Wave of British Heavy Metal (nova onda de heavy metal britânico) e que revelou bandas clássicas do gênero como Iron Maiden, Motörhead, Judas Priest, Venom, Saxon, Tank, Diamond Head e muitas outas que viriam a influenciar toda a geração seguinte dos anos 1980.”

 

“Assim como o Rock ‘n’ Roll adotou uma série de convenções oriundas do Rhythm and Blues, o código do Heavy Metal possui suas raízes na tradição do Blues Rock e do Acid Rock psicodélico.” “A característica fundamental das guitarras é a distorção, um ruído provocado propositalmente a partir da utilização de pedais eletrônicos. No Heavy Metal, a guitarra é o instrumento que conduz as melodias, que comumente são obtidas a partir de < power-chords >, um tipo de acorde que conjuga apenas duas notas (a nota principal e sua quinta) e produz uma sonoridade mais intensa e agressiva que a dos acordes normais que conjugam pelo menos quatro notas.” "O contra-baixo elétrico, muitas vezes também tocado com pedais de distorção, funciona como base para as guitarras. As notas graves emitidas por este instrumento colaboram ainda mais para a obtenção de uma sonoridade < pesada >."

 

“A cada novo subgênero que surgia as batidas se tornavam mais rápidas. Foi assim com o Thrash Metal, com o Death Metal, com o Black Metal e com o Grindcore, até chegar na variante mais rápida, o < Extreme Death Metal >, que chega a uma velocidade de 8 batidas por segundo.” Besteira. Krisiun ou Napalm Death? Tecnicamente (e não-tecnicamente, hehe!) não tem a menor importância qualquer um desses rótulos ou demarcações.

 

“O vocal não é privilegiado como na música Pop.”

 

“Black Sabbath, Black Angel, Black Axe, Black Invocation, Black Chariot, Black Funeral, Dark Funeral, Dark Throne (SIC), Dark Tranquility, Dark Angel, Death Angel, Death, Acid Death, Bestial Death, Calvary Death, Death Strike, Death Evil, Evil Army, Evil Child, Evil Dead, Sign of Evil, Evil Priest, Judas Priest, Priest of Death, After Death, Death Strike, Living Death, Total Death, Deathhammer, Hammerfall, Iron Hammer, War Hammer (SIC), Hellhammer, Hell on Earth, Hell Mentor, Nocturnal Hell, Nocturnal, Nocturnal Worshipper, Nocturnal Graves, Grave, Grave Desecrator, Gravewurm, Grave Reaper, Mass Grave, Unholy Grave, Unholy Cult, Unholy Force, Cruel Force, Diabolic Force, Iron Force, Iron Maiden, Iron Angel, Iron Dogs, Iron Fist.”

 

“a já extinta banda carioca Falkirk, que se auto-intitulava < Viking Metal > e se apresentava com visual viking (maquiagem característica, saias e espadas).”

 

“O ato de banguear talvez seja a ação mais valorizada pelos headbangers de uma forma geral, isto é, trata-se de uma prática realizada por pessoas de todos os subgêneros, incluindo os mais lentos como o Doom Metal.”

 

“Algumas bandas em atividade antes do festival puderam, então, gravar discos, enquanto outras surgiam: Kripta, Explicit Hate, Necromancer, Extermínio, Metralion, Inquisição, Kronus, Metalmorphose, Deathrite, Sadom e Anschluss. Os subgêneros destas bandas parecem ser, em maioria, heavy metal tradicional, thrash e death metal, cantados majoritariamente em inglês.” “Este < período de ouro > ocorreu de 1985 à (sic) 1987, quando o organizador e idealizador do Caverna I e II faleceu. De 1987 à 1993 os shows continuaram acontecendo, mas com uma periodicidade menor.” Cena musical atrasada em pelo menos uns 15 anos em relação ao Primeiro Mundo.

 

“Semana passada rolou Possessed ate em Recife e o Rio ficou de fora novamente...Fora Exodus e Tankard ano passado que não vimos tb.”

 

97: a barafunda conceitual do “rock alternativo”: “duas bandas de rock alternativo não têm necessariamente características em comum”

 

“O termo < Hardcore > começou a ser utilizado no final dos anos 70 e início dos anos 80 para se referir as (sic) bandas punks que tocavam de forma mais rápida e agressiva que suas antecessoras do conhecido movimento Punk 77.” “O Hardcore Novaioquino, segundo Mader (1998), é uma subdivisão do Hardcore que tem sua origem em Nova Iorque (EUA) e pode ser exemplificado com uma sonoridade característica de bandas como Cro-Mags, Biohazard e Agnostic Front, conjuntos que misturam letras políticas e som cru e rápido. Já o Hardcore Melódico, representado por bandas como Bad Religion, NOFX e Pennywise, não necessariamente trata de temas políticos em suas letras, e sua musicalidade se aproxima mais da música pop, utilizando arranjos mais elaborados e com melodias mais claras e < harmoniosas >.”

 

“Para alugar a quadra de um clube esportivo em um bairro de classe média como o Méier é necessário receber um público numeroso que, por sua vez, deverá pagar mais caro pelos ingressos, o que nem sempre é possível no caso do Heavy Metal. Prova disso é que as seletivas do Wacken dos anos seguintes foram transferidas para um local menor e com aluguel mais barato: a boate Século XXI em Campo Grande (Zona Oeste).” “Outros quatro espaços fizeram parte dessa nova configuração da cena de Heavy Metal no Rio de Janeiro. Dois deles, Bangu Atlético Clube e Parada Obrigatória, estão localizados no Bairro de Bangu, zona oeste carioca.”

 

“O banheiro do Bar do Bigode fica tão sujo no decorrer da noite que a maior parte das pessoas opta por urinar nos muros próximos ao bar ou entre os carros estacionados e abandonados pelas calçadas.” “O ápice da concentração acontece por volta de 1 hora da madrugada.”



Escrito por a mosca filosófica às 22:29
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“Há também aqueles casos onde headbangers se encontram em grandes espaços públicos como a Lapa, ou seja, em espaços onde há uma sociabilidade da cidade em geral e não apenas de grupos específicos. Mas esses encontros são irregulares, não possuem nenhuma periodicidade, tampouco reúnem muitas pessoas.”

 

“O Underground Cultural está localizado na Rua do Senado, área central do Rio de Janeiro. Há duas formas fundamentais de se chegar ao local. (...) As ruas do entorno são mal iluminadas e com poucos transeuntes. Há um grande número de moradores de rua, prostitutas e usuários de drogas pelas calçadas.” “O espaço não é uma casa de shows, mas um depósito de bebidas. O térreo é utilizado durante o dia para a comercialização destes produtos. O segundo andar, por sua vez, é uma construção improvisada. Para chegar até [a] área destinada ao evento é preciso subir uma escada suja e estreita, com degraus não muito homogêneos.” “Quando adentrei o local onde estava ocorrendo o show, no segundo andar, tive a impressão de estar no inferno (para usar um termo recorrente no Heavy Metal). O local não possui janelas e por isso a temperatura é algo indescritível. O suor dos headbangers evapora e pinga do teto como uma chuva salgada.” Que dedê... “O ar, umedecido pelo suor, é extremamente poluído com fumaça de cigarros. Não há circulação ou ventilação, apenas uma única e pequena janela atrás do balcão de madeira, sempre tumultuado pela grande demanda por cerveja.” “Os assuntos nas rodas de bate-papo são fundamentalmente os mesmos: recomendação de bandas novas; história do Heavy Metal; boatos que envolvem pessoas da cena; planos para organização de eventos futuros etc. A cena é o assunto.”  “Além da periodicidade de eventos (cerca de três vezes por mês), o espaço recebe pessoas e bandas de todas as áreas da região metropolitana e não raro tocam conjuntos de outros estados e países. Há um verdadeiro deslocamento em direção a esse espaço, que atrai headbanger[s] dos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Mesquita, Belfort Roxo (sic) e também das várias partes da capital (zona norte, oeste e sul).” Rio, a cidade que não tem nascer do sol (zona leste)...

 

Senador cearense, cruzando a seca a nado.

 

“No Rio de Janeiro a sociabilidade noturna dos shows contrasta com a interação diurna da galeria de São Paulo.”

 

“Desembarquei na rodoviária do Tietê por volta de 11 horas da manhã e peguei o metrô em direção ao centro da cidade. Desci na estação São Bento e fui andando para a galeria da Avenida São João. Ao redor da galeria já é possível visualizar várias pessoas circulando com roupas pretas, mas essas pessoas não necessariamente são headbangers. A Galeria do Rock, assim como a Rua Ceará do Rio de Janeiro, é frequentada por vários grupos: headbanger[s], grunges, posers, emos, góticos, rockabillys e punks. Além desses grupos há também pessoas ligadas ao Hip-Hop e indivíduos que circulam com intuito [de] utilizar os serviços disponíveis na galeria como estúdios de tatuagem e piercing, lojas de calçados, roupas e acessórios, cabelereiros etc. Entrei na galeria e me dirigi para a loja Mutilation Records, no segundo andar. Trata-se uma loja especializada que vende CDs, LPs, revistas e camisas de Heavy Metal underground, daí o motivo de escolher esse destino. Seria bem provável que encontrasse headbangers no estabelecimento. No caminho do térreo ao segundo andar me saltou aos olhos a facilidade com que podemos identificar a que grupo as pessoas pertencem (...) As camisas com logotipos de bandas, o tipo de calça, o modelo de tênis ou bota, o corte de cabelo, a maquiagem, as tatuagens, todos esses elementos são artifícios utilizados propositalmente para marcar a diferença, ou seja, para afirmar a inserção em um grupo e estabelecer uma diferenciação com os demais. Nesse percurso vi pouquíssimos headbangers, todos eles andando sozinhos pelas escadas e corredores. Quando cheguei à Mutilation não encontrei < ninguém >, apenas o dono da loja e sua funcionária no balcão. As primeiras conversas do campo foram estabelecidas nesse momento. (...) Procurei saber sobre a frequência de headbangers na loja. A resposta, ao mesmo tempo que justificava o vazio do estabelecimento (sic) me dava uma informação importante: a maior parte das pessoas só < colam no rolê > depois do almoço e no fim da tarde.”

 

“Há várias lojas especializadas em Heavy Metal além da Mutilation: Hellion, Mechanix, Die Hard, Paranoid, Relics e outras que apesar de não serem especializadas vendem produtos ligados a esse estilo como a grande loja de LPs Baratos Afins e estabelecimentos que disponibilizam apenas o < visual > (camisas, botas, pulseiras, spikes, broches, patchs(sic)).”

 

Boatos de que o gato de botas não tinha pulso nem pulseiras para ir a um show de rock ‘n’ roll. Camisa-de-força; chapéu; cabelo longo; que bosta de broche, meu amigo? Vai me espetar com seus espinhos, ou vai tolerar uma aproximação (dilema do amigo dorme-porco-sujo-espinho)? Só bate quem entra na roda ou só entra na roda quem bate? Só mosha quem se mata.

 

“Nas < lojas comuns > de shoppings ou em grandes lojas de departamento é impossível encontrar CDs e LPs de bandas undergrounds. Os LPs, inclusive, já não são comercializados nesses espaços comuns há muitos anos.” “As lojas de roupas, além de maiores (sic) eram as que estavam mais cheias.” Posers. “O entorno, mais do que a loja em si, parecia ser fundamentalmente um ponto de encontro. Em alguns minutos outros headbangers conhecidos e desconhecidos chegaram e se juntaram a nós. Eles vinham de Osasco, Mauá, Guarulhos, Suzano, Santo André (municípios da região metropolitana) e de áreas da capital como Santana, Penha, Lapa, Carrão e Guaianazes. Dessas pessoas, apenas 2 entraram na loja para ver os produtos. Por volta das 17h horas, já com um grupo de mais ou menos 15 pessoas, descemos para um bar localizado no subsolo da galeria. Outros headbangers já estavam por lá e o grupo agora se tornava maior, com mais de 30 pessoas. É preciso deixar claro que entre esses headbangers não há necessariamente uma relação de amizade. Muitos se conhecem de vista por frequentarem a galeria e outros locais de shows, mas não é uma regra que se cumprimentem e estabeleçam uma comunicação verbal. Nessa parte do corredor do subsolo existem dois bares. Um deles reunia os headbangers e o outro, em frente, pessoas de diferentes estilos, mais notadamente emos e rockabilies (sic). (...) Obviamente as pessoas se cruzam e circulam no meio dos outros grupos para ir ao banheiro ou comprar uma cerveja no balcão, mas é possível observar uma clara diferenciação espacial pelo modo como se concentram em conjunto.” “Às 18:30 a galeria começa a fechar suas portas e todos são obrigados e se retirar. Imerso no grupo, acompanhei os headbangers, que se dirigiram para um bar próximo à Galeria do Rock. Permanecemos neste bar por duas horas e demos início a um movimento rumo ao show no 7Beer. Foram mais ou menos 20min de caminhada com aquele grupo de pessoas que vestiam calças justas de cor preta ou jeans, camisas com logotipos de bandas estampados, coletes jeans/couro com patches grudados e tênis brancos de cano alto ou coturnos de couro negro.”

 

“As atividades comerciais da rua são bares estilo boteco, 6 lojas de autopeças e mecânica (semelhança com a Rua Ceará no Rio), um estacionamento de carros, depósito de bebidas (semelhança com a Rua do Senado no Rio), loja de xerox/informática e pequenos armazéns que vendem produtos de limpeza e alimentação.” “A primeira banda começou a tocar por volta de 21:30 e a última acabou as (sic) 4 da manhã. Foi uma apresentação de Heavy Metal típica, bem parecida com as que eu já estava acostumado a assistir: a maior parte das pessoas bebe cerveja e/ou bate cabeça enquanto assiste os shows, outros se batem nas rodas de pogo e promovem saltos do palco sobre o público enquanto as bandas executam um som rápido, com guitarras destorcidas (sic) e vocais rasgados ou guturais.” “Nessa ocasião estavam tocando bandas de São Paulo (SP), Santos (SP), Sorocaba (SP), Osasco (SP), São Roque (SP) e uma de Lima (Peru), todas do subgênero Black Metal.”

 

“o famoso corpse-paint (literalmente pintura de cadáver), um tipo de maquiagem branca e preta que faz com que seja impossível identificar o rosto do indivíduo. Essas maquiagens comumente lembram a face de demônios, assim como os pseudônimos utilizados pelos membros.”

 

“< Morávamos relativamente perto da Woodstock, e todo sábado reuníamos a turma e rolava uma excursão a pé, uns 30min de caminhada, pra passar o dia inteiro torrando embaixo do sol na frente da loja e gastar as parcas economias de moleque em discos de vinil >. André Matos da banda Angra (retirado de http://collectorsroom.blogspot.com.br/ [blog muito bom ainda na ativa])”

 

“A associação da loja com o Heavy Metal, no entanto, só aconteceu a partir de 1982, quando o proprietário foi a Londres e se deparou com centenas de jovens que vestiam camisas e calças pretas. Era o movimento da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) que estava em alta no Reino Unido e o proprietário da Woodstock viu a possibilidade de obter lucros se fizesse a comercialização do Heavy Metal no Brasil também. Depois disso Walcir passou a ir com frequência a Londres para comprar discos de Heavy Metal e revender no Brasil, até que montou sua própria gravadora e passou a lançar discos internacionais no país.”

 

“É certo que existem pessoas vinculadas ao Heavy Metal que não utilizam roupas e acessórios característicos. Mas de fato esses indivíduos constituem uma minoria quase insignificante.” “Normalmente as pessoas que abrem mão do visual são aquelas que continuam ouvindo Heavy Metal mas que não participam mais dos encontros do grupo. São as pessoas que < saíram da cena >. Sair da cena, no contexto headbanger, significa não comparecer aos eventos, não ter mais banda, não colaborar com zines ou, ainda, não freqüentar os espaços de sociabilidade.”



Escrito por a mosca filosófica às 22:27
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“O primeiro trabalho de campo com intuito de aplicar questionários fora da Galeria do Rock aconteceu na Fofinho Rock Bar, casa localizada no bairro Belém, parte leste do centro de São Paulo. Trata-se de uma casa de shows tradicional que existe desde 1971. Nesses quarenta anos de existência inúmeras bandas de Heavy Metal se apresentaram/apresentam ao vivo no local. No entanto, a experiência que tive na Fofinho foi diferente de um show. Na noite em questão o evento era baseado na audição de < som mecânico >.” “Normalmente esses eventos possuem uma banda clássica a ser privilegiada durante a noite, e o DJ toca seus sons durante 4h consecutivas: < especial Metallica >, < especial Venom >, < especial Judas Priest > etc. Na ocasião a banda do som mecânico era o Kreator (Thrash Metal da Alemanha). Como de costume, na porta do evento já era possível ver vários headbangers conversando em pequenos grupos, a maior parte deles vestindo calças jeans justas, coletes jeans com patchs (sic) costurados e tênis brancos, visual característico das bandas de Thrash Metal. Há dois bares ao lado da Fofinho que servem como ponto de encontro para headbangers antes dos eventos. Um dos bares inclusive possui uma jukebox na qual é possível colocar moedas para ouvir bandas de Heavy Metal. Como já vimos anteriormente, a interação em um bar próximo à casa de shows é muito comum em eventos de Heavy Metal. Algumas pessoas, inclusive, permanecem nesses bares e não entram no local onde vai se realizar o show”

 

“(até mesmo a opção de não < pogar > já parece comunicar algo).”

 

“Porém, eis que no meio da noite uma outra forma de sociabilidade se realizou. Três headbangers iniciaram uma briga com combate físico. Procurei saber o motivo enquanto aplicava alguns questionários. A razão era que um deles estava vestindo uma camisa de uma banda que, segundo os outros dois headbangers, era de um conjunto de < white >. O termo < White > é utilizado para se referir às bandas de White Metal, um subgênero que se diferencia dos outros pelas letras que, ao invés de tratarem de temas comuns como satanismo, guerras e morte, falam sobre cristianismo e < assuntos do bem>. A sonoridade das bandas de White Metal segue os mesmos padrões das bandas de Heavy Metal tradicionais, mas ao mesmo tempo optam por uma temática lírica que é o extremo oposto do que o estilo como um todo valoriza. Há uma relação de opostos: Black Metal versus White Metal, satanismo versus cristianismo, inferno versus paraíso, queimar bíblias em um show versus ler trechos da bíblia em uma apresentação. Se existe um < inimigo > para os headbangers, principalmente para os mais radicais, esse inimigo é o indivíduo que ouve e/ou toca em bandas de White Metal. No entanto, existe um ponto que une os inimigos, ou seja, há um fator comum de agregação que faz com que ambos estejam convivendo em um mesmo espaço. Esse ponto é a sonoridade do Heavy Metal.” O Fofinho é fofo mas não o suficiente para nós 2. “O Garage da Rua Ceará, por exemplo, também chegou a abrir as portas para shows de bandas de White Metal, incluindo aí a banda paulista Anti-Demon. [+ Virgin Blackdica da Brenda]” “Enfim, o fato é que a briga é uma relação social, uma forma de se comunicar. O mais interessante é que essas brigas acontecem em lugares específicos ou, se estamos nos fazendo entender, elas ocorrem justamente nos lugares de sociabilidade de uma cena. Dificilmente haverá uma briga de headbangers no meio da rua ou em uma praça qualquer.” “no caso específico dos anos 80 os inimigos em questão eram os < carecas >, grupo nacionalista e conservador que historicamente é rival de punks e headbangers).”

 

“Durante o bate-papo < informal > descobri que alguns headbangers não frequentam mais a Galeria do Rock por acharem que é um < espaço de boy >, termo pejorativo para indicar um lugar frequentado por < falsos headbangers >. Questionei-me sobre a importância da Galeria Nova Barão para a sociabilidade heavy metal em SP.”

 

“Pegamos o metrô no centro e descemos na estação Bresser. O caminho da estação até a casa de shows é feito a pé e dura cerca de 15 minutos. A paisagem é nitidamente associada ao processo de desindustrialização.” “O show daquela noite reunia bandas de Thrash e Death Metal. O espaço interno do Cervejazul não é muito grande. Há um palco de mais ou menos 4 metros de largura e um pequeno bar. As paredes são completamente tomadas por pichações, o que cria um certo clima de < decadência >.”

 

“O Espaço Quilombaque fica localizado a cerca de 100 metros da estação de trem. Ao desembarcar, descemos as escadas e já estávamos na rua do evento (Travessa Cambaratiba). Trata-se de um espaço cultural originado em 2005 com intuito de promover eventos ligados à música popular, oficinas de arte, dança e educação ambiental, palestras sobre política e cultura e prática de esportes como a capoeira. Os eventos de Heavy Metal neste espaço são muito recentes e datam mesmo de 2012.” “Não existe nenhum compartimento destinado exclusivamente para as bandas, o que é muito comum nas apresentações de bandas undergrounds, onde músicos e público são formados praticamente pelas mesmas pessoas e, portanto, não há necessidade de haver uma separação.” “A plataforma ferroviária foi tomada por pessoas vestindo preto.”

 

Black Angel, black metal peruano!

 

P. 144: hilário zine “Morte ao White!!!” assinado por Pagan Priestess. Escrevo isso enquanto ouço Overkill no talo ao lado de pelo menos um crente e colegas coniventes com seu papo-furado. Cri, cri, cri...

 

“[Nordeste] Os sites de internet que disponibilizam informações sobre eventos e acontecimentos da cena são voltados fundamentalmente para o presente. Além disso, a presença de headbangers mais antigos, ou seja, aqueles que vivenciaram a cena no passado, também é ínfima nos shows. Os headbangers mais novos, por sua vez, arriscam palpites sobre a organização das cenas nos anos 1980 e 1990, mas não conseguem detalhar com precisão como o grupo se organizava no passado”

 

“A cena de Salvador é um tanto quanto carente de espaços de sociabilidade. De acordo com as entrevistas, nos últimos anos estão acontecendo shows em três lugares fundamentais: Irish Pub (na Orla), Clube de Engenharia (Centro) e na garagem de um Motoclube em um bairro de classe média próximo ao centro. A cidade também não possui lojas especializadas em Heavy Metal, apenas uma loja onde é possível encontrar camisas de bandas deste estilo.”

 

“Percebi que há um grande movimento de pessoas do eixo Salvador – Feira de Santana. Essas duas cidades são as que produzem os maiores fluxos de headbangers da cena metal baiana como um todo.”

 

“Em meio a todas aquelas pessoas de bermudas, chinelos e camisetas de verão sem manga, estavam grupos de headbangers que usavam calças e camisas pretas, botas e jaquetas de couro.”

 

“Um outro fato que me chamou atenção foi uma briga ocorrida na porta do evento em Salvador (...) Neste caso, um integrante do Motoclube (sic) que se dizia racista, expulsou um headbanger negro do evento batendo-lhe com um banco de madeira nas costas. Todos ficaram apavorados com a violência e o evento acabou naquele momento. Fim de noite, entramos no carro e fomos de volta para a casa do produtor. No dia seguinte, o show seria em Aracajú (sic!) (SE).”

 

Um palhaço sabe a sua plateia, conhece os picadeiros da cidade.

 

“[Aracaju-SE] O palco, que não existe no cotidiano do espaço, foi montado sobre caixas de cerveja. Os banheiros também não existiam. Todos que quisessem fazer suas necessidades fisiológicas deveriam se encaminhar para uma espécie de < matagal > atrás do palco, um local sem nenhuma iluminação que era dividido com pessoas usando drogas e fazendo sexo. (...) A aparelhagem era bem deficiente e o som, consequentemente, ruim. O palco, um pedaço de madeira, tremia sobre as caixas de cerveja.” “Quando saí, não precisei abordar ninguém. Pelo contrário, fui abordado por um grupo de pessoas que estavam interessadas em saber sobre a cena do Rio de Janeiro e da Região Sudeste em geral.”

 

“os headbangers da capital não respeitam as pessoas vindas do interior.”

 

“Se não há um público suficiente para que os gastos do evento sejam pagos, vai haver prejuízo e os produtores locais dificilmente farão novos eventos.”

 

“Dentre essas < cidades sem cena > que possuem headbangers mas não dispõem de espaços de encontro, podemos citar Arapiraca (AL), Teotônio Vilela (AL), Itabaiana (SE) e, ainda mais secundariamente, Cícero Dantas (BA).”

 

“[Maceió-AL] Era verão e estava um calor insuportável. Mesmo assim a maior parte dos headbangers estavam (sic) vestidos de preto, usando botas e jaquetas de couro (ou jeans). (...) A maior parte desses headbangers, por mais que mantenham tons escuros em suas roupas cotidianas, não utilizam botas e jaquetas de couro no dia-a-dia”



Escrito por a mosca filosófica às 22:25
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“Assim que expusemos o merchandising da banda em uma mesa, formou-se um aglomerado de pessoas querendo comprar os materiais. Os shows, como vimos anteriormente, também cumprem um papel no sentido de promover a circulação, venda e troca de materiais relacionados ao underground de um estilo musical. Em cidades que não possuem lojas, um evento significa ter a possibilidade de adquirir materiais. E mais do que isso, adquirir materiais  por um preço relativamente barato pois estes não incluem o valor dos fretes cobrados pelos vendedores virtuais”

 

“De fato, elas [Recife, Campina Grande, João Pessoa e Netal] são os principais nós deste conjunto por promoverem o maior número de eventos e por possuírem o maior número de bandas, headbangers e locais de encontro. No entanto, várias outras cidade se integram ao conjunto de forma secundária, como é o caso de Caruaru (PE), Gravatá (PE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Macaparana (PE), Bayeux (PB), Conde (PB), Patos (PB), Areia (PB), Guarabira (PB), Santa Rita (PB), Macaíba (RN), Mossoró (RN), Parnamirim (RN) e outras.”

 

“Pela localização, tá ligado, entre Salvador e Fortaleza, duas grandes cidades do nordeste, Recife acabou se tornando um ponto meio que estratégico pra shows de pequeno e de grande porte. (...) Normalmente em pelo menos 90% dos casos o ponto de referência pra shows de Metal na cidade é o bairro do Recife Antigo, que fica na região portuária e histórica da cidade, tá ligado? (...) A periodicidade de eventos varia, velho. (...) Até nego do Ceará eu já vi por aqui”

 

heavy duty heaven dirty

 

“[Hellcife] Um primeiro olhar ao redor me fez lembrar da Rua Ceará no Rio de Janeiro. Pelas calçadas, vários jovens vestidos de preto bebendo cerveja e vinho. Outros estavam deitados pelo chão dormindo, muito provavelmente por conta da embriaguez. As calçadas também eram ocupadas por mesas de bar, de modo que todos os transeuntes precisavam caminhar pelo meio da rua.”

 

moço, me vê uma cerveja-quente e um cachorro frio!

 

“Perguntei o motivo deles estarem ali parados na porta sem entrar no show da banda americana, já que estavam vindo de outras cidades. Disseram-me que havia várias pessoas de Campina Grande e Natal assistindo aquele show e, como eles não tinham dinheiro para pagar a entrada, estavam ali esperando os amigos saírem para depois irem em direção ao nosso show.”

 

“pode parecer irrelevante mas não é, trata-se da impossibilidade de vender bebidas alcoólicas no interior do teatro. (...) Um dos headbangers do lado de fora não cansava de repetir em voz alta: < Velho, Metal é cerveja... Metal é cerveja >. (...) o próprio organizador do evento tentou resolver: com uma fita isolante e um barbante, criou uma espécie de varanda na porta do teatro e disponibilizou um isopor com latas de cerveja para serem vendidas do lado de fora. Todos eram obrigados a consumir as bebidas ali mesmo antes de entrar.” A improvisação inigualável do povo brasileiro.

 

“Dois ou três headbangers subiram no palco para praticar um stage-dive, aquela ação onde as pessoas pulam do palco sobre as outras da platéia. Um dos headbangers foi violentamente empurrado de volta para o público por um dos seguranças.” Stage dive involuntário? ”O show continuou com um clima desagradável. Entre uma música e outra, ouvia[m]-se xingamentos vindos de todos os lados em direção aos seguranças. (...) Sem cerveja e sem stage-dive, o Teatro Maurício de Nassau foi condenado pelos headbangers.” Convicted in life.

 

“[Campina Grande] A vizinhança era formada basicamente por estabelecimentos comerciais que ficam fechados a (sic) noite. Isso é um elemento quase fundamental para que shows de Heavy Metal possam acontecer sem maiores problemas. Quando há uma vizinhança formada por residências é comum o dono do espaço ter problemas com a polícia em função do alto número de reclamações, que são baseadas em argumentos como < incômodo pelo som excessivamente alto até de madrugada > (...) grande número de pessoas que urinam na própria rua, gerando um odor desagradável no dia seguinte ao evento [não que se tenha de esperar até o dia de amanhã para sentir o < futum >...] (...) Sem exceção, em todos os shows de Heavy Metal que frequentei durante a turnê, o público ficava por pelo menos uma ou duas horas do lado de fora antes de adentrar o espaço do show.” The scene helpers?! “Muitas preferem ficar do lado de fora conversando e bebendo cerveja.” Não gostam de música.

 

“Nenhum outro grupo relacionado a um estilo musical possui uma identificação tão forte com termos como < inferno >, < morte >, < destruição > etc.”

 

“O Vitrola Bar era completamente diferente do Teatro Maurício de Nassau de Recife. Trata-se de um bar pequeno e estreito. Na frente existe uma varanda onde as pessoas sentam em algumas mesas enquanto conversam em voz alta e bebem cerveja. Saindo dessa parte, entra-se no espaço onde os shows são realizados. Não existe palco, ou seja, as bandas tocam no chão e têm um contato direto (diríamos corporal) com o público. Se no teatro de Recife o stage-dive era proibido, aqui essa prática era a regra. No entanto, isso acontecia de forma improvisada pois, como não havia palco, não existia a possibilidade de subir para pular, mas mesmo assim as pessoas saltavam do chão sobre as outras e navegavam no ar sobre os braços e cabeças do público [ < floor-dives! >]. Durante nossa apresentação existia um verdadeiro contato físico, de modo que os headbangers esbarravam na banda durante todo o show. Se essa atitude nos fazia errar algum acorde, não havia o menor problema[,] pois a qualidade do som também não era das melhores e, sendo assim, não era perceptível se as músicas estavam ou não sendo comprometidas.”

 

“[João Pessoa] A primeira banda já tinha começado a tocar, mas preferi sair do Pogo [Bar] em função do grande calor no interior do espaço. A maior parte das pessoas ainda não tinha entrado.”

 

"[Natal] O show teve início por volta das 23 horas. A maior parte das pessoas

permaneceu do lado de fora durante toda a apresentação da primeira banda. Dentro do Cultura Clube, neste momento, tinha cerca de vinte pessoas. Quando a segunda banda começou não houve praticamente nenhuma mudança, isto é, os headbangers permaneceram na parte externa. Éramos a terceira banda a se apresentar na noite e nosso show também foi visto por poucas pessoas. Havia uma contradição instalada, pois o número de pessoas do lado de fora era muito maior que na parte interna. (...) Nesse momento havia um carro particular que, com a mala aberta, tocava músicas de Heavy Metal para os que estavam nas calçadas. Algumas pessoas chegavam a praticar os atos de bater cabeça e tocar air-guitar ao lado do carro. Havia um show à parte do lado de fora."

 

"As pessoas que andavam pelas calçadas próximas vestiam bermudas, chinelos e camisetas claras e sem mangas, o que estabelecia de imediato uma diferenciação visual entre elas e os headbangers de jaquetas de couro e calças pretas. Em Maceió, um ônibus passou na porta do show e um rapaz gritou da janela: < é tudo doido, é tudo doido! >."

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:

 

CAMPOY, Leonardo Carbonieri. Trevas Sobre a Luz. O Underground do Heavy Metal Extremo no Brasil. São Paulo: Alameda Editorial, 2010.

LOPES, Carlos. Guerrilha! A história da Dorsal Atlântica. Rio de Janeiro, Beat Press Editora, 1999.

LOPES, Pedro Alvim. Heavy Metal no Rio de Janeiro e a dessacralização de símbolos religiosos: a música do demônio na cidade de São Sebastião das Terras de Vera Cruz. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006.



Escrito por a mosca filosófica às 22:22
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:08 SERIAL EXPERIMENTS RAFA

present hahaha

RELIGION RAFAGODIC

 

Quando finalmente nos tornamos deus, parecemos o centro das atenções no mundo "real", o que se chama comumente "paranóia". Significa apenas a aquisição da Força. Como no sonho, todos parecem perceber a sua presença como ponto focal de todas as percepções. Mas eles são máscaras, massinha, eles são você. O que não é você são as idéias se digladiando lá fora. Quem é o seu melhor amigo? Ele realmente existiu alguma vez? Estou pelado menos para mim. Who is this destruction? Quem são os pais de deus? O lixo cósmico insano pervertido chamado Vontade. Quem tudo observa não observa a Si mesmo. Quando se é deus se é zero. Quando se é carne se é circuito circular. Se é não é. O inconsciente de Deus. Homicídio ou suicídio tanto faz. Perfume universão 1.0 My Nail is more important than the world Shinj'e suis? J'ai eu moi


Imaginem um deus adolescente

coitadas das criaturas

 



Escrito por a mosca filosófica às 00:05
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INTELECTUAL DE ESQUERDA

Depois de muito tempo sem dialogar com meus leitores diretamente e sem emitir qualquer posicionamento pessoal sobre o presente imediato, tenho que registrar um desabafo. Serve como um esclarecimento para os outros e até como um marco para mim mesmo. Muito criticado pelo caráter abstrato de meus escritos e poemas, e invariavelmente acusado de “escrever para não ser entendido” por amigos ou colegas próximos, que me instam a mudar o meu jeito ou técnica, mas ao mesmo tempo premido por mim mesmo e mais ninguém a expressar meu ponto de vista soberano, inicio esta comunicação tempestiva!

 

No decorrer da minha vida como autor, que posso dizer que começou em 2008, quando atingi o nível de excelência de estilo pelos meus próprios critérios, nunca me afirmei literalmente isso ou aquilo. Considerava essa uma postura limitada, repulsiva, redundante, degradante. Que eu viesse a público me estereotipar, quando sou o maior destruidor de dogmas que conheço, que absurdo! Submetido a pechas como niilista, blasé ou louco, jamais esmoreci, e jamais concordei, em uma linha sequer, que deveria me definir por categorias simples como as veiculadas pela mídia ou as tão citadas em papos de botequim, sempre desconstruindo argumentos e chavões ao meu redor, desconfiando de qualquer “novidade”. Chegou, no entanto, a hora de ser mais incisivo, rude e “maniqueísta” diante do que se desenrola na minha vida pessoal e no Brasil, ou seja, no interior e no exterior, no dentro e no fora, na alma e nas ruas:

 

Talvez alguns dos rótulos que eu já aceitasse, desde aquela época, fossem “escritor” e “poeta”, porque nunca me ofenderam em nenhum grau. Intelectual já me soava um termo pejorativo. Passei toda a minha graduação em uma universidade federal com nojo de ser identificado como “mais um” dentre essas figuras que amam os holofotes, microfones e o estardalhaço. Alguém à frente do seu tempo, forçosamente indiferente aos problemas contemporâneos, já que o presente é problemático e decadente e não adianta se debater em torno disso - como sabe aquele que conhece minhas referências filosóficas –, para fugir dessa realidade insossa me ocultava atrás de personagens criados para fazer as vezes de profetas acerca do Ocidente e nostálgicos em relação a um passado heróico do homem antigo: o Ocidental Obscuro, o Judeu Maometano, a Mosca Filosófica, o Messias (que seria o protagonista duma ficção que, agora, julgo impraticável redigir), o Mestre Trágico do Existir... Todos esboços de um Super-homem nietzschiano ou de um neo-brâmane, o representante, nascido cedo demais, de uma nova casta destinada a redimir e readestrar a humanidade (mera quimera?). Pode até ser que nada disso seja falho, em si. Mas me sufoca como nunca sufocou antes não falar da politiquinha do dia-a-dia, do que vai efetivamente acontecer na minha vida, que não durará mais do que dez, vinte, trinta, quarenta, quiçá cinquenta anos a partir desta data. Por isso, nunca me assumi de esquerda, de direita, sequer apolítico, ateu, pagão, anarquista, reacionário, aristocrata, neutro, etc., etc. Não aceitei sequer o carimbo de metaleiro ou otaku, com asco dessas pechas de minorias, embora escute metal e veja animes o dia todo, ou pelo menos toda semana reserve tempo para isso!

 

Sou todo o itálico dos parágrafos acima. O termo “intelectual de esquerda” é um pleonasmo, um pleonasmo necessário. Registro aqui que finalmente entendo e manifesto conscientemente esta missão, este destino, que cabe ao intelectual honesto. Ao intelectual honesto de Terceiro Mundo. E diante da falta de conceitos ou sinais verbais que possam me definir melhor, finalmente me aceito um – difamado, desgastado, malcompreendido, mas ainda assim um – intelectual. E intelectuais de direita não existem. No máximo conseguem ser um imitador de Jó, o babaca lendário que não se revoltou quando tinha todas as razões para se revoltar.



Seja pela sensibilidade anormal que ultimamente vem me causando mau humor ao não pôr logo os pingos nos is; ou porque percebi que meu espaço, como um “igual”, nem superior nem inferior aos meus concidadãos (olha que concessões eu faço a gente tão pequenina!), vem sendo tomado pelos desarvorados, é hora de bradar SOU ISSO E AQUILO como nunca fiz antes. Por dois motivos: para retomar meu espaço e para me sentir melhor comigo mesmo, que é afinal o segredo por trás de todas as outras felicidades. Enquanto eu permanecia calado e pensando que expor qualquer idéia sobre a política de hoje seria debalde, o fascismo (ódio na forma do social) e o cristianismo ideológico de meus irmãos cresceram. E não há nada mais grave. Com efeito, quem não respeita minorias deve ter seus direitos políticos cassados. E não se precisa ir muito longe. Nossos parentes e colegas de repartição já atingiram esse nível de suicídio e/ou decomposição mental. Os evangélicos brasileirinhos são avatares fascistas de nossa época, a reencarnação do mal, não devemos hesitar em afirmar, porque não seguem a Lei e não suportam os preceitos básicos de uma democracia funcional (vis-à-vis a nominal). Deve ser-lhes declarada guerra, e a todos os seus semelhantes. Sou um intelectual de esquerda que não terá receio do estereótipo a partir de agora: minha missão é sempre denunciar e me opor. Sangue do meu sangue se for preciso. E para deixar bem explícito: revolução, enquanto evolução histórica da burguesia, não; comunismo, não; Estado de direito com democracia representativa, sim. Como disse, essa é apenas uma forma didática de expor o que quero para hoje, e quanto ao que será do mundo no século XXII, isso não me importa nestas considerações. Em suma: faço apologia do poder absoluto da votação popular nas eleições quadrienais e da constituição em vigor; repudio detratores do PT; gosto pra caralho da Dilma e do Lula; sou a favor do MST e dos sindicatos trabalhistas; acho que quem tem a mesma visão que a minha deve mesmo é aterrorizar nas ruas vestido de preto ou de vermelho e mandar os verde-e-amarelo se foderem (embora eu prefira ficar em casa apenas rindo e incentivando); que as universidades têm como responsabilidade representar a esquerda, e devem ser espalhafatosas nisso; e que imbecis que fazem alusão aos militares no poder devem ser satanizados e castigados, de formas as menos democráticas possíveis, se possível, se é que me entendem. Não devemos estender o tapete dos direitos humanos a “pessoas” que consideram a Bíblia um “presente divino” a ser compreendido “holisticamente” em pleno 2016, quando esse “livro” não passa de uma colcha de retalhos, de um material infecto elaborado por milhares de mãos venenosas, ou seja, puro nonsense, que ajuda a explicar por que somos, ao nosso modo, a nossa maneira moderninha, decadentes, cristãos e nonsense. Dei o meu recado, agora vocês me conhecem um pouquinho melhor... E sou um cabeludo porra-louca em plena forma, sim senhor!



Escrito por a mosca filosófica às 11:18
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GUTENBERG

impressão

            ionismo

         [s]

      losão

      r[o]dutivo

      a[c]to

      í[o]



Escrito por a mosca filosófica às 21:58
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O PÁLIDO FERIDO

violeta crise de nervos

severa crise de servos

cerebral crise de grelos

grilos na cabeça

o vampiro se transformou em morcego

se enterrou no caixão debaixo da terra

e comeu as minhocas

a cabeça não está mais cheia

os dentes, amolecidos

rósea névoa, crise de vento

friorenta neve violenta



Escrito por a mosca filosófica às 14:29
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POEMA DROGADO

o LSD desmente Kant.

o LSDesmente Kant

oLSdesmentkant

       odesmantqent

                        desmantelamento desmonte do carro no qual trafegava a humanitas menscheinro de bosta

 

você é como uma (((nuvem))) transparente à porta.

 

 

0.



Escrito por a mosca filosófica às 19:21
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Complemento (REVI-) a O HOMEM QUE CONTRARIOU A DIALÉTICA VERSUS S&(-S ÃO) TADO

30 dias depois comendo no deserto

iludido que está faminto...

 

os di(a)let(ic)os caídos de Deus

 

Deleuze quer acreditar

Ele sabe que não se deseja

Só quer desejar

Quer o querer

Quer o patético

de novo pela primeira vez

mas é tão patético

moderno

moderado onde não deve

falso exacerbado,

que não consegue

 

O princípio que não é principiado. Vontade de desejo em menores escala e grau. Nem sequer se pode macrodesejar (colega Baudrillard). Moléculas de desejo de devir. O que deve vir não é o que há de vir – não há co-relação. Deleuze muito quer, com pouca força e visibilidade. A barreira a fronteira esquizo o atrapalha. Fissura de conjunto. Freud ainda se erige inapelável. É o Édipo, com um querer muito forte e a propagação de histórias...

 

Desejo simulado. Pelo menos, não ficcionalizado. Como tudo poderia desembocar teleologicamente naquilo que nem Marx quis desejar ou demonstrar? Deleuze revolucionário. Ele aponta o caminho ideado. Boldrillard é mais amargo, pesado, realisticamente metafísico. Já tomei e comi meu partido. Fuzzilado barulhento embaixo.


Um conceito forte e descontrolado. Conceito de conceitos sem direção. É o apropriado. O século XX é arte, mas não é pragmático. Quem viveu para ver o século XXI, como os mais antigos, aprendeu o que é a Verdadeira Fé, não apenas seu mal-delineado desejo.



Escrito por a mosca filosófica às 21:20
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A HORA DO CABELO CRESCER (O HOMEM VEIO DO HEAVY METAL)

Eu incorporei a língua

Eu liquidei o sentido

Eu liquidifiquei o sorvete açucarado de emoções

Eu dispensei a glicose

Eu belisquei a coerência

Resvalei no absurdo

Eu comi um linguado encorpado

Eu intitulei minha obra

com um título

falso

Eu signifiquei e descodifikey

O.K.?

Morrei!

Ponha os molhos de barba

Fora do corpo

e depois que secarem diga

ao seu amigo assim:

havia tirado para higienizar

agora estão de volta

transmutados

os mesmos

de antes.

Apliquei na bolsa

virei uma mulher

de crânio liso

Lucy in the jungle

with radiation

and crazy theories

This is an inappropriate angle

to see the bundle



Escrito por a mosca filosófica às 16:22
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PONTO DE SATURAÇÃO Nº 2 – MAS A AVENTURA RECOMEÇA

Estou quase retrocedendo aos 10 pontos do CASO com “c” de Ceariba.

S.O.S. => sujeira ominosa mas sadia?

Defecando os últimos resíduos regurgitantes de academia do meu corpo. Como principalmente não fazer amigos e não influenciar ninguém.

re(tro)cesso da CAPES e das preocupações

    tro----ço mais complicado, sô!

intolerantes que seja tarde

amigos com “a” de ansiedade

                           angústia

                           atraso

                           asco

                           asfixia

                           apenas

                           artimanha

                           aula de dor

                           alta do hospital

                           articulação

                           artéria

                           alcatraz

                           arbusto

                           assusto

                           amusing atrocity

                           apego que eu apago

                           auto lá

                           azia

                           até nunca mais...

Aí sim! Ainda bem! Abrem-se novas possibilidades...

Arfo atrás de algo mais alto e além

atarefados augúrios

alho acebolado contigo

atalho a ser bolado sem ti

agasalho a ser vestido por um só

abrigo

astigmatismo

aliança

Brenda

C D E Finalmente saí do “A”. Estou pronto para

  o

    n

      t

        i

         n

           u

             a

               r

 

binário cartucho disco DVD e então?

em Banjo-Kazooie hoje à noite juntei 10 favos. Eles me dão energia extra. Sou seu urso. Uma dupla parceria. Como seu livro e sua orelha, dedicatória. Passei de fase. Até matei o tubarão que sempre nos assalta na praia. Onde estão os 5 Jinjos? Criaturas tão raras quanto araras azuis, com asas angelicais...

do porto pacífico



Escrito por a mosca filosófica às 17:52
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FLAMAS

entidades cíclicoclínicas

cínicocílicas

sicilianosilícios

cirílico-sinos

cocascocadas

lírico-nosso

coce-nisso

licor Ciro

Cirilocéu

rico

sin



Escrito por a mosca filosófica às 13:52
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Soldado Maisso

Satã vendeu minhalma

pra mim mesmo de novo

ele não aguentou

eu pior que ele

alma soldada com aço inox

saldo zero vendido! quem dá menos

sou um dado

que deu 6

vezes

6

3D

 

dado mais

Sodoma

rrento sô!

 

tá vendo só, Satã, no sótão solitário?

eu só!

solvente

gente

debaixo do subterrâneo do sol brilhosó assim mesmo para

não ter a alma redimidassalvacinada

 

isso não sou eu

soul my sold

satafate em 1000 pedaços

ful

me

queima

come

e cy

fei



Escrito por a mosca filosófica às 13:06
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SONHOS REVELADORES DÃO CÃIBRAS

Sigma, letra grega. Ian, Raquel Kojoroski, irmãos Molina, outros rostos conhecidos antigos figurantes: eu reencontro muita gente de meu passado. Mas convivo também com meus colegas contemporâneos, Pablo, João e a professora Marianna, para dizer alguns.

 

O lugar onde eu estudotrabalho tem 2 acessos, 2 andares, um é temido, porque com meus sapatos e o piso se torna escorregadio; as secretárias e faxineiras não têm boas caras. E sempre dou de cara com alguém que adora reclamar. Por isso eu prefiro sempre o patamar superior, onde o chão gruda ao invés de deslizar e as pessoas parecem não estar obcecadas por controlar o seu horário de entrada (o primeiro andar, digo, o andar descrito em primeiro lugar, parecia uma redação de jornal).

 

Ao mesmo tempo, tudo se resumia a uma secretaria de curso ou escola. Começo a divagar e perambular por amplos, claros e agitados corredores, sabendo que o primeiro horário já começou. Seria matemática? Uma mistura tal de ensino médio com vida de funcionário, só posso imaginar na minha união conjugal (eu sou mais velho que a Brenda, que será médica). Algo na minha cabeça me alerta de que eu passei muito tempo fora e agora a impressão que os outros têm sobre mim será radicalmente modificada. Eu me aperfeiçoei e vou causar boa impressão, grita uma certeza íntima misturada com expectativa dentro de mim. Alguns professores podem até agir de má vontade tendo em vista tudo que já fiz, mas terão de cedo ou tarde dar o braço a torcer. Vou convencê-los a mudar de opinião. Eu cruzo muitos corredores, interseções, bifurcações, subo e desço escadas, encontro companheiros, mas nada da sala... Mudaram o local?! Vão nos deixar entrar, afinal? Vejo que outras pessoas que estavam na minha frente nos estágios da vida agora estão no segundo ano, e eu estou no terceiro. Época mais idílica?

 

De repente eu vinha da educação física, precisava me trocar. Fui a um vestiário que parecia mais o meu banheiro. Matei um rato (era pequeno) com a ajuda de um martelo pesado e exagerado. Os azulejos quebravam. Às vezes o prejuízo da higiene é maior do que se deixar tudo sujo? Eu lavei meus tênis antes de calçá-los porque tive medo de contrair uma infecção.

 

Então eu me ajeitei para entrar numa fila onde as pessoas ficavam sentadas. Já estavam todos uniformizados de verde e branco, menos eu que vestia uma camisa do Harry Potter, que trouxe de casa por engano. É uma fila de piquenique! Os professores farão um sarau ou alguma apresentação inaugural... Meu cabelo está grande de novo, já caiu com a gravidade como o de um headbanger, e irrita a vista, mas não vou prender com liga, a Brenda disse que estraga e quebra os fios. Tenho certeza que deixei crescer porque ela aumentou minha auto-confiança, e no homem, em certos homens, essa coisa de cabelo tem um não sei quê de tamanho de pau. Meus cachos estão hidratados, nem parece que não passei o condicionador!

 


Acordei pensando que acessei uma verdade proibida, aterrissei no estado de inspiração messiânica, Maomé quer-bem-me-quer?! Epi-fenômeno-fania. Que mania! Com isso você vê se pára... brisa. Chove chuva sem irradiar. Toca o alarme e vou trabalhar. Mas, au! Tive cãibras na perna esquerda ao tentar sair da cama... Ontem fiquei com preguiça de comer uma banana.



Escrito por a mosca filosófica às 07:01
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S&S REVISITED VERSUS O HOMEM QUE CONTRARIOU A DIALÉTICA

Simulacra & Stimulation

                  estimulaxante

I can't retreat all this meat from my teeth.

Reluctant as though you(r) may be...

trance&dance

transe&dane-se

The east, at least.

 

viragem voraz

virose rosa as a rose

whip! zás-trás

la vie en... zero

varo a noite vingada

da traição armada

inútil escapar da fenda

 

There in the sun a dead start,

cogumelo rosa venenoso de Hiroshimario

postumo póst-humor, pós-tumor

 

* * *

 

aos-cílios de cuscuzteio para a mulher mulamanca máquiada

com quiabo

e laquê

 

o'melet'e me be an egg!

 

Eu sou Bill Microsoft, ou Windows Gate? Todos os portões se abrem, mas um vírus entra em Tróia. Juíndous do Mundo MicroSolar. Ploft! Versão Final 0.0

 

O dia que o mais miserável banguela chinês será mais rico que todas as ações da Nike. Corre atrás do tênis!

 

sou dinâmica e velocidade tão puras que inerciam... Na vida do artista tudo é glacial e nunca muda.

 

O futuro do mundo é um grande Já(la)pão. Do mundo, i.e., deste mundo. Velho e negativo. Fraturado e sorridente; e, pensando bem, não há engraxates, e os sapatos permanecem limpos! Ah, deixa eu me esticar na minha quase-cama...

 

uh, a garota tem cílios

man também tem cílios

se eu não tivesse olhos eu não veria os cílios

os filhos das filhas

só o cego extirpa sua própria linhagemfamília

sou cego no sossego?

ou morcego das noites atribuladas sigo na agitação dos mares broncos?

rumo a novos continentes negrotons

 

trabalho demente do operário trabalho elementar do operário trabalho demente do elemento trabalho de mão de mente do erário demento ele mente

 

O capitalismo irá acabar quando eu todos os meus livros resolver queimar retardado a fazer elucubrações braçais embaraçosas

poços viçosos de muita angústia

preto poço do conhecimento

 

A fala é uma falta, a escrita é uma estria. A cirurgia foi um sucesso, a marca é atroz e produz orgulho, será mostrada e demonstrada para todo o sempre no corpo anti-perene do ser-sendo comendo e sendo comido devorado pelas próprias estrias magnetiquespirituais subliminares de primeira plana. Chama que arde poética sem cicatrizar nem ferir morais preexistentes e quentes.

 

Doidivanitas subsolus

 

O papel do dólar não deixa nunquinha de ser uma expressão assaz irônica!

 

O nada do papel & o papel do nada

 

 

a flutuação e afogamento das moedas veladas pelos fardas-pretas



Escrito por a mosca filosófica às 19:50
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CONCEPÇÕES DE PESSOA E A EMERGÊNCIA DO INDIVÍDUO MODERNO

Ana Maria Jacó-Vilela

 

“O interesse pela ação política é substituído pela paidéia – a educação, a formação. Neste período, firmam-se as filosofias helênicas, principalmente o estoicismo e o epicurismo, cuja influência se expande à medida que, como outras produções culturais gregas, são assimiladas pelo novo Império Romano.” Ganho de potência na suposta decadência

 

“O sábio é um ideal inatingível” tingível: não pode pintar o sábio.


“ouvir em silêncio, para depois pensar, é uma arte a ser aprendida por toda a vida”



Escrito por a mosca filosófica às 18:54
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APRENDENDO LIBRAS COMO 2ª LÍNGUA – NÍVEL BÁSICO

CEFET/SC, NEPES

 

"c) Movimento, que é um < parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções (...) O movimento que as mãos descrevem no espaço ou sobre o corpo pode ser em linhas retas, curvas, sinuosas ou circulares em várias direções e posições > (BRITO, 1995)"

 

"é importantíssimo que você compreenda que esta língua não é a língua de um país mas, (sic) é a língua de um povo que se auto-denomina de Povo Surdo." "Nem todos os surdos se identificam como surdos, há aqueles que ouvem pouco e/ou usam a oralidade identificando-se como deficientes auditivos, (...) logo não se tem uma definição exata do termo."

 

"- Você é ouvinte?"

 

"a escrita da língua de sinais está ainda em fase de pesquisas e aceitação"

 

"Na Libras (sic) não [há](sic!) desinencias (sic) para gênero(maculino e feminino)(sic)."

 

P. 20: alfabeto e números manuais

Não é tão fácil quanto aparenta. O 5 parece a caracterização de um coelho. O 1 e o 2 são, digamos, “alemães” (o 1 é um “joinha”), mas o 3 e o 4 não. O 6, o 7 e o 9 são os que mais se aproximam da forma do algarismo em si.

O polegar recuado ou à frente diferencia, respectivamente, o A e o 8. Mas já não consigo distinguir 8 e S.

O B é como um PARE!

O D é como apontar para o céu. Mas assim também é o G.

O H, o J, o K, o Y e o Z se tratam de movimentos mais complexos/decompostos no tempo.

O "O" é como um C mais fechado e o nosso brasileiríssimo “vai tomar no c...”.

P é como a Tesoura do Pedra, Papel & Tesoura.

O W é um “3” na vertical (o 3 precisa ser enunciado na horizontal, pelo menos na maioria dos contextos).

O Y é um hang loose.

 

O(a) autor(a) da cartilha gosta muito de futebol...

 

“Juan Pablo Bonet (1579-1620) publicou o primeiro livro sobre surdos com o título  < Reduccion de las letras y arte para ensenãr a hablar a los mudos >, onde apresenta a ilustração de alfabeto manual. Disponível em http://www.cervantesvirtual.com/portal/signos/index.html


Um capítulo da história do Sign Writing. Disponível em: http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html.” Artigo malescrito por uma doutoranda CAPES e com quase-nenhuma informação.


“Atualmente, o Sign Writing se encontra em uso em vários países, como Dinamarca, Irlanda, Itália, México, Nicarágua, Holanda, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e em fase de pesquisa no Brasil. (CAPOVILLA, 2002).”

 

“No Brasil o primeiro espaço destinado à educação de surdos foi cedido pelo Imperador Dom Pedro II o qual convidou o professor surdo francês Hernest Huet (conhecido também como Ernest) para ensinar a alguns surdos nobres. Depois de aproximadamente um ano, em 26 de setembro de 1957 [?!?! – ou deveriam ser 100 anos ou era 1857!], foi fundado o Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro, atualmente denominado Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES.” “Para o público feminino somente em 1931 foi criado o externato com oficinas de costura e bordado.”

 

“O decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005 em seu Capítulo V determina que < Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras – Língua Portuguesa. >”


“Através da língua de sinais pode-se discutir política, economia, psicologia, física, matemática, filosofia, física quântica e outros temas.” Eu gostaria de ver estes dois últimos em particular...Não parece ser verdade, já que maioria dos diálogos demonstrativos apresenta apenas verbos no infinitivo, afora outras tantas limitações, que tornam até uma conversa com o caixa para abrir uma conta algo jocoso.



Escrito por a mosca filosófica às 15:22
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OUR BLOOD THEIR SEMEN

Andrea Dworkin

 

—Um clássico de ficção científica.—PROJETO VINDOURO: publicação em formato livro com heterônimo; vindo o ouro a gente publica!

 

“< You write like a man, > an editor wrote me on reading a draft of a few early chapters of Woman Hating [estréia da autora como... autora]. < When you learn to write like a woman, we will consider publishing you. > This admonition reminded me of a guidance counselor in high school who asked me as graduation approached what I planned to be when I grew up. A writer, I said. He lowered his eyes, then looked at me soberly. He knew I wanted to go to a superb college; he knew I was ambitious. < What you have to do, > he said, > is go to a state college—there is no reason for you to go somewhere else—and become a teacher so that you’ll have something to fall back on when your husband dies.”

 

“In the years following the publication of Woman Hating, it began to be regarded as a feminist classic.”

 

O que dizer de um escritor ainda frustrado em termos de vendagem dotado de um pênis – deveria eu culpar minha própria impotência apenas? Talvez digam, me censurando, que eu escrevo como uma mulher!

 

“I had written it as a birthday present to myself.”

 

“I had a fine and growing reputation as a speaker and writer; but still, there was no money for me. (...) I got angry responses from women: how could the author of Woman Hating be such a scummy capitalist pig” “The editor who decided to publish Our Blood did not particularly like my politics, but she did like my prose.”

 

Ódio à Mulher foi escrito por uma escritora mais jovem, uma escritora mais insensível e mais esperançosa, ambas as coisas. Esse livro é mais disciplinado, mais sombrio, mais rigoroso, e num certo sentido mais ardoroso.”

 

Surpreendentemente, Dworkin é seu sobrenome masculino. A mãe dela possui a mesma profissão que a minha (a burocrática). E, surpreendentemente, seus avós também eram primos; mas os maternos, não os paternos.

 

“You think I’m stupid. [Mom] I denied it then, but I know today that she was right. And indeed, what else could one think of a person whose only concern was that I clean up my room, or wear certain clothes, or comb my hair another way.”

 

Os previsíveis obsessão genealógica e neologismos.

 

“tudo é política”

 

Feminismo é doença. Prefiro feminilidade! Como dizem que não há nada mais conservador que um revolucionário no poder, é bem verdade que não há nada mais patriarcal do que uma fêmea redimida de sua “condição subjugada”.

 

Perguntemos a Helena como deveríamos tocar nossas guerras.

 

“Men have written the scenario for any sexual fantasy you have ever had or any sexual act you have ever engaged in.”

 

“I think that men will have to give up their precious erections and begin to make love as women do together.” Que pena que impotência sexual seja um dos maiores motivos para o abandono feminino da relação... They don’t love or even tolerate our limp penises! They want hard, imposing, gruesome cocks.

 

É claro que defeitos tinham de ser encontrados num dos maiores escritores russos; e que seu “casamento problemático” seria parcial e sadisticamente dissecado... Mas quem inventou o Sadismo foi um homem! Se uma mulher tivesse compreendido Tolstoi, ele não teria sido Tolstoi. Aliás, poucos homens compreendem Tolstoi.

 

girinocídio

 

Why does she write America with a “k”? I dunno the key.

 

“Kramer and Sprenger, two Dominican monks named by Pope Innocent VIII, wrote a text called the Malleus Maleficarum.” “First, Jesus Christ was born, suffered, and died to save men, not women; therefore, women were more vulnerable to Satan’s enticements.” “This excess of carnality originated in Eve’s very creation: she was formed from a bent rib.”

 

“All wickedness is but little to the wickedness of a woman”

 

Se toda a literatura pregressa foi masculina (e não há motivos para creditar àquela gerada por Dworkin menos masculinidade, como se ela fosse a Jesus Cristo das vaginas), a autora é assaz ingrata com “quem a colocou” no posto de poder de que ela usufrui hoje. Porque, querendo ou não, sendo bem-sucedida ou não, ela já é ouvida. Ela já é propagada na Internet. E o “patriarcado pornógrafo” lhe deu esse poder, fato do qual não se pode fazer abstração.

 

“Under patriarchy, every woman’s son is her potential betrayer and also the inevitable rapist or exploiter of another woman.”

 

“that we will have to divest ourselves of all traces of the masochism we have been told is synonymous with being female.”

 

“Our ignorance was so complete that we did not know that we had been consigned from birth to that living legal and social death called marriage. We imagined, in our ignorance, that we might be novelists and philosophers. A rare few among us even aspired to be mathematicians and biologists. We did not know that our professors had a system of beliefs and convictions that designated us as an inferior gender class, and that that system of beliefs and convictions was virtually universal—the cherished assumption of most of the writers, philosophers, and historians we were so ardently studying.”

 

“herstorian”


As concepções antropológicas de A. Dworkin não são errôneas (ao contrário das histiográficas): realmente nas sociedades ditas selvagens, ágrafas ou mitológicas a mulher é, ainda, “objeto”. Não obstante, citar aspas de autores de milênios passados para justificar o combate ao machismo no século XX não faz o menor sentido. Le Morte d’Arthur [Sir Thomas Malory] is the classic work on courtly love. It is a powerful romanticization of rape.” “A man cannot be convicted of raping his own wife.” Não sou um especialista em legislação, mas é questão de nos perguntarmos o quanto a questão evoluiu desde os anos 70.



Escrito por a mosca filosófica às 16:24
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OUR BLOOD THEIR SEMEN (cont.)

“In addition, rape is our primary emblem of romantic love. Our modem writers, from D. H. Lawrence to Henry Miller to Norman Mailer to Ayn Rand, consistently present rape as the means of introducing a woman to her own carnality.” Não tenho palavras para descrever a estultícia disfarçada de astúcia de uma mulher que nivela Ayn Rand e Henry Miller, delimitando-os e incorporando-os ao mesmo clube. No mundo da liberdade feminista (a utopia de Dworkin), a arte será censurada tanto quanto (ou mais terrivelmente que) na Rússia czarista ou stalinista, pois qualquer referência ficcional a um estupro seria tratada como a realização ou apologia do ato, é o que depreendo da leitura. Como vimos, no fim, ela só deseja, mesmo, a boa e velha igualdade de gêneros, embora argumente o contrário, isto é, fundar uma nova organização social a-hierárquica: pois que na prática seu plano de fundação do novo resulta em que a mulher seja a tirana da espécie humana nos séculos que hão de vir; e de uma forma que jamais conhecemos na História, pois haveria um controle universal e perfeito do fazer-artístico, digno de um Grande Irmão ou dos mais pessimistas romances políticos já roteirizados.

 

A noção de que a mulher casada é a “puta de 1 só” deve ser a mais antiga do mundo; a esse respeito, recomendo a leitura de um artigo meu que comentava Simmel, em 07 de outubro de 2008, neste mesmo XTudoTudo6: http://xtudotudo6.zip.net/arch2008-10-01_2008-10-31.html. (e lá se vão 66 meses!)

 

“Simple murder would not have involved the horror, the insulting violation of personhood, the degradation, the devastating affront to the dignity, and the sensation of bodily filth that time has not washed off. Nor would it have led to years of startled awakenings from sound sleep, the cold sweats at noises in the dark, the palpitations of the heart at the sound of a deep male voice, the horribly repeated image of two large muscular hands approaching her throat, the rumbling voice that promised to kill her if she struggled or tried to scream, the unbearable vision of being found on the floor of her own home, lying half naked and dead with her legs ridiculously spread.” Então o estupro se torna mais grave que o homicídio, e não é um jurista decidindo, é Dworkin! Certamente ela não iria gostar de ser brasileira e ouvir do Maluf “Estupra mas não mata”. Mas será que todas as vítimas sobreviventes gostariam de ter morrido? Bom, aí a questão da escolha subjetiva dos depoimentos vem à tona, mas deixemos como está, afinal o livro é dela; assim como estes comentários depreciativos são meus. A propósito, receito a leitura deste curto texto jornalístico sobre o tratamento dado pela mídia a “acusados de” assassinato e “acusados de” estupro, sem falar na explicação da célebre e polêmica frase do Paulo Maluf: http://ppavesi.blogspot.com.br/2015/05/estupra-mas-nao-mata.html.

 

“She had cancer, and she planned her death with great dignity, but I believe that it was the rape, not the cancer, that distressed her unto death.” A autora tem poderes divinatórios e paranormais.

 

“All women live in constant jeopardy, in a virtual state of siege. That is, simply, the truth.” Eu não gostaria de ver Andrea Dworkin mediando um debate. Seria a pior juíza e moderadora jamais encontrada para estabelecer a ponte racional e desarmada entre dois pontos de vista antagônicos. Creio mesmo que ela conseguiria atear fogo num auditório sem álcool, pólvora, isqueiro, fósforos, faísca ou material inflamável de qualquer ordem ou natureza... Ela conseguiria incendiar um pedaço de madeira podre e encharcado... Uma xamã toda-poderosa, divindade da flama do ódio e do rancor!

 

“In Amir’s study of 646 rape cases in Philadelphia in 1958 and 1960, a full 43% of all rapes were multiple rapes (16% pair rapes, 27% group rapes). (...) A women’s group on campus demanded that the fraternity be thrown off campus to demonstrate that the university did not condone gang rape. No action was taken against the fraternity by university officials or by the police. (...) All of the male university authorities who investigated the alleged gang rape determined that the victim was a slut.”

 

“The fact is, as these two stories demonstrate conclusively, that any woman can be raped by any group of men.” Eu apenas negritei as palavras que demolem completamente qualquer vestígio de honestidade da autora. Aqueles que me lêem que já tiverem cursado Métodos Científicos na universidade me compreenderão perfeitamente. Temos aqui a Rainha do Achismo e da Opinião tentando dobrar o mundo aos seus rascunhos de argumentos como o Homem de Aço dobraria uma barra de ferro num corpo-a-corpo contra um assaltante a banco.

 

“Even in a racist society, male bonding takes precedence over racial bonding.” “When a black man rapes a black woman, no act of aggression against a white male has been committed, and so the man’s right to rape will be defended. It is very important to remember that most rape is intraracial”

 

 

Até agora nenhuma linha sobre os inocentes que federam anos na prisão por terem sido julgados estupradores pela Lei Misógina Universal. Bem-vindo ao mundo em que você dormirá de consciência limpa e tranqüila, cidadão justo e honesto, mas despertará algemado sem poder se defender dentro de um devido processo legal (DPL, uma das bases da democracia moderna): “New rape laws are needed. These new laws must: (...) (2) eliminate the need for a rape victim to be physically injured to prove rape; (3) eliminate the need to prove lack of consent; (4) redefine consent to denote < meaningful and knowledgeable assent, not mere acquiescence >; (5) lower the unrealistic age of consent [Aqui eu confesso que não entendo: será que a autora quer aumentar a taxa de estupros reduzindo a idade em que a mulher pode ser impunemente vitimada (se é que pode, mas é o que acontece na prática, com a frouxa aplicação da Lei, então de qualquer forma não importa o que a Lei estipular, se ela será descumprida...)? Mas em seguida eu entendo o raciocínio de Dworkin: ela pretende baixar a maioridade penal para que < homens > de 12 ou 14 anos possam ser incriminados por seus atos libidinosos, como < retirar a virgindade da colega de classe >; pois no momento em que ela reclamar que foi assediada e não houve consenso, sem provas, ser-lhe-á dada razão; não se carece de exame de corpo de delito, de testemunhas ou de qualquer outra comprovação a fim de fazê-lo; pressupomos a boa-fé universal do sexo ex-frágil.]; (6) eliminate as admissible evidence the victim’s prior sexual activity or previous consensual sex with the defendant” [Os concurseiros brasileiros lembrar-se-ão de algumas súmulas do STF que os professores de Direito gostam de explanar em sala de aula. Uma delas ficou famosa por inocentar um... inocente... (que crime hediondo!), que havia sido acusado de estuprar uma menor de 12 anos... Até que ficou claro, pelo depoimento de toda uma cidade (não só de homens), que ela era uma das "saidinhas" e "meretrizes" mais ativas da região, assemelhava ter muito mais idade, ocultou-o do paquerante/paquerado/paquerador (estou tendo o cuidado de sequer chama-lo de vítima), foi explicitamente lasciva e queria mais do que ninguém consumar o ato sexual. Não fosse, portanto, o juiz levar em conta os testemunhos da vila e os profusos antecedentes da moça, cuja vivência não era o de uma menina de 12 anos típica, mas o de uma mulher com muitos anos de história para contar, um pobre coitado estaria atrás das grades ajudando a sobrecarregar nosso falido sistema prisional, dividindo a cela, por exemplo, com cafetões deliberados e – pasmem – estupradores genuínos!! O que mais me deixa pasmo é que Dworkin realmente acha que com sua varinha de condão pode e deveria detonar – reformular seria eufemismo inverídico e tão ingênuo como o réu acima citado – todos os princípios basilares do milenar Direito Romano segundo os quais há presunção de inocência para qualquer acusado, em qualquer contexto, se os fatos (palavra amada por Andrea) não existirem, ou seja, se as versões forem dúbias e duvidosas. Uma facínora com, o pior de tudo, mania de grandeza de Da Vinci! Sua truculência me faz repensar na possibilidade de democracias proibirem a circulação de certos livros pelo bem público. Nem o Mein Kampf mal-interpretado poderia ser tão daninho socialmente hoje em dia! Até porque todos sabem quem foi Hitler, mas ninguém sabe quem foi Dworkin... Ou... quase nenhum “peniano” (por falta de palavra melhor) o sabe; e aí mora o perigo... Além do mais, só para complementar o comentário, uma mulher que tenha realizado sexo consensual com o parceiro 99x, se a Lei for como Dworkin desejaria, no momento em que se enfastiar do dito-cujo, na < centésima fodinha >, poderá simular um estupro; ou melhor, pode nem sequer ter havido uma centésima fodinha; basta que ela deponha na delegacia que houve sexo compulsório, seu namorado como perpetrador; como ela não precisará dar indício nenhum de veracidade... Bom, não preciso entrar em pormenores ou explicar a cadeia (i)lógica da confusão – vocês sabem muito bem aonde eu quero chegar.] A proposta em sua forma completa, para que eu não seja acusado de editar só as piores partes, encontra-se em Rape: The First Sourcebook for Women.



Escrito por a mosca filosófica às 16:23
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OUR BLOOD THEIR SEMEN (cont.)

No mundo pintado por Dworkin, em que todos são garanhões, eu realmente sou um fiasco: pois a despeito de tudo me encontro sexualmente inativo há anos. Devo ser uma excrescência da Natureza. Aquela exceção que comprova a regra, que justifica a realidade do mundo.


Investigando meu tapete com uma lupa para ver se eu encontro alguma pulga estupradora.


“Statements such as < Rape is a crime against men too > or < Men are also victims of rape > do more harm than good. (...) These

truths are too bitter for us to bear.”


“For instance, it is the habit and custom of men to discuss with each other their sexual intimacies with particular women in vivid and graphic terms.” Porém, não é o hábito das companheiras. “Women are raped often by the male friends of their male friends.”


"Rape is also effectively sanctioned by men who harass women on the streets and in other public places" Então há alguns meses eu era o maior estuprador do twitter... “who tell or laugh at misogynistic jokes” Não rir de uma boa piada misógina seria como resistir às cócegas de um especialista em fazer cócegas. Como não gargalhar?! “who write stories or make movies where women are raped and love it” Exemplo: Dworkin – Our Blood. “who consume pornography” A humanidade toda vai para o inferno. “who insult specific women” Não sabia que todas as mulheres eram senadoras: agora possuem imunidade! “who ridicule women in our struggle for dignity.” Nunca fiz isso, Dworkin. Onde você me viu fazendo-o? "Men who do these are implicated in the crime of rape.” “A man’s identity is located in his conception of himself as the possessor of a phallus; a man’s worth is located in his pride in phallic identity. The main characteristic of phallic identity is that worth is entirely contingent on the possession of a phallus. Since men have no other criteria for worth, no other notion of identity, those who do not have phalluses are not recognized as fully human.”


follow the fully phallus


“No Princípio era o Estupro” Seria o 1º verso do Fausto se ele fosse escrito por A.D. (Anno Domini?). Vamos Dizer que estamos no décimo primeiro ano da nova sociedade (considerando que a autora morreu em 2005...).


“A fêmea é uma fêmea em virtude de certa falta de qualidades; temos de olhar a natureza feminina como afligida por uma deficiência natural.” Aristóteles


sing the single signet of the sinners


“When men do not see a cock, they do not in fact see anything (...) for instance, they may imagine that the vagina is a hole filled with teeth (...) Somehow, the illusion is that women contain an internal space which is an absence and which must be filled—either by a phallus or by a child, which is viewed as an extension of the phallus.”


Mulher, o corpo do niilismo.


“To be left, for her, means to be left empty . . . Such hurt can be re-experienced in each menstruation (...) and it becomes a permanent scar in the menopause.” Erik Erikson


O mundo aborta para sempre. Aborta até suas gerações. E gera seus abortos.


Mulheres não são passivas... diante de baratas.


Little Red Riding Hood teria sido a primeira heroína fabulosa?

Little Head Hiding Wood, oh so Rude

Mas quem não pensa como eu diria que é apenas uma manifestação consciente transmitida de geração em geração de um estupro freudiano não-concluso...


“We might say that in bearing a son, she has had a phallus inside her empty space for nine months, and that that assures her of approval which she could not earn in any other way.” 9 9 9


“the son will inevitably betray the mother by becoming a man (...) But for a mother the project of raising a boy is the most fulfilling project she can hope for.” Sim, de certa forma eu sou o eu-ideal de minha mãe.


“his birthright to power against her and her kind” não deixa de ser irônico que o Alemão tenha surgido dos dialetos saxões e que < Kind > seja criança.


A pós-modernidade tem essência feminina: excessivamente tagarela e vã, em busca da resposta “quem sou eu?”.


A GENIALIDADE


As conclusões de Dworkin não são, por exemplo, distintas das de Rousseau – a única diferença é se aborrecer com o que conclui. Outra diferença é ter de demonstrar e escancarar toda a bibliografia que ela, uma mulher, consultou para escrever seu fino livro [duplo sentido]. Rousseau não perdia tempo com essa vaidade. Ele mandava que queimassem livros. Livro, o ícone masculino. Decadente e desnecessário numa vida moderna feia e falsa.


Contornos de Skinner no “condicionamento” descrito por D. Se ela soubesse que o lugar do superior é tão frio, insular e pungente quanto o seu lugarzinho solitário de “bicho rebaixado”, ela desistiria de lutar pela “supremacia”... Mas a única solidão que ela conhece é a do ressentimento coletivo. Não se pode ser “incompreendido pela metade da terra” e deixar de lado o líquido que enche metade do copo (este não é um recipiente “vazio”, como o corpo da mulher). Mas o argumento sempre será o de que “somente eu e outras ilhas chamadas mulheres me entendem, se entendem entre si”. Não existe “raça de gênios”, se por raça se entender um sinal exterior ou uma continuidade ingênita que os una. Os gênios são intermitentes e descontínuos no tempoespaço, meras aberrações ou acidentes, personalidades fortuitas. E naturalmente incomunicáveis, a sua maneira. Claro que o conceito de gênio pode ser chamado de “píncaro do machismo”, se olharmos do lado rosa e antigenioso da questão!


Quando a Bíblia diz que Deus não permite a ninguém sofrer mais do que seria capaz de suportar em vida, talvez não resida aí a resposta de por que nunca existiu uma Socratesa, uma Mozart, uma Raffaella Sanzio?


Entender o ato de ser mãe como um dom vai muito além de quem interpreta este ser (eterno, sagrado) como uma função, um mero “estar-se(rvi)ndo ([par]a algo)”, castigo, servidão.


Sei que não gostei dum livro quando sinto mais vontade de falar do que de ler. O mesmo me aconteceu com Boaventura Santos. Me punha cego às letras, surdo a minha própria voz que o recitava. No fundo só queria redigir poemetos baseados em seus colóquios solitários e femininos. O lado masoquista disso é que a tarefa acaba durando mais do que deveria.


* * *


minha língua é muito complexa e labiríntica mas ao final ela encontra o final, o âmago de tua boca, a tua glote.


escapando de mergulhar na fogueira espiritual chamado frieza social

bruxo não sou


* * *


O que é mais grave: uma mulher não saber cozinhar ou eu não saber dirigir? Carros nada mais são do que a modalidade gourmet do andar.


“Like a rat, a woman will try to avoid those high-voltage electric shocks which seem to mine the maze. She too wants the legendary Big Cheese at the end.” Ok, isso ficou ambíguo!



Escrito por a mosca filosófica às 16:19
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OUR BLOOD THEIR SEMEN (cont.)

POEMA DA BALADA

 

ba(da)lada badala(da) (d)o relógio

lógico, vem logo

seu louco!

quero colo,

quero (te proteger da sua) co(li)ca

alcoólico licantropo

 

* * *

 

“It [The debility; the fear] increases not arithmetically as she gets older, but geometrically.” Mas aqui temos uma doutora em matemática das almas!

 

eu [me] e[qui]voco[,] meus erros

 

DESTINO DO MOVIMENTO FEMINISTA

 

Que eu tenha de relembrar o quanto Dworkin está equivocada e extrair argumentos de uma manga ou cartola demonstra o quanto seu livro é exagerado e nunca correspondeu a qualquer realidade tangível para pessoas do nosso tempo (porque se ela estivesse certa tudo o que diz constituiria novidade; talvez novidade seja o meu “discurso reacionário-machista”, pois faz tempo que ele saiu de moda, e agora, na sua ressurreição ou reemissão, é como se fosse inédito; quanto a Dworkin, Our Blood não passa de um capricho nostálgico, talvez – nós sabemos o quanto cada mulher está bem-inteirada, inconscientemente, de qualquer argumento apresentado neste livro, como se fosse parte constituinte de seu batalhado dia-a-dia). Se ele pôde ser lido na década de 70? Eu não sei; mas hoje não faz o menor sentido. Não envelheceu bem. Mas que Dworkin seja ou tenha se tornado supérflua deveria ser um bom sinal para as mulheres que a apreciam. Pode ser indício de que a revolução transcendental de Andrea foi locupletada. E agora, o que fazer?! Se a mulher continuar a guerra, pode ser que o belicismo fizesse parte de suas entranhas, de seus instintos, e a guerra não seja assim um ato tão masculino... Havendo uma guerra, necessariamente haverá duas... Apenas para reviver aquele momento. Somos (todos e todas) uns saudosistas... Saudosista sempre foi com “a” no final, ah! Precisa-se de uma Metafísica do Pós-Patriarcado. Quem será a corajosa fundadora desta nova ordem feminina geral?!

 

filosofiasco

filosôfago

filosofadiga, fia diga

não se cale,

mas se case,

mesmo assim.

 

* * *

 

“no series of economic or legal reforms will end male domination.”

 

lame é anagrama de male

 

Dworkin, o Zumbi das mulheres.

 

“Our first task, as feminists, is to learn to see with our own eyes.” Caverna de Platão – sou uma so(m!)bra, mas sei quão é bom ser carne. Na verdade todos somos carnes e nada sabemos de densidade...

 

O último grau do niilismo é criar abismos onde não há. Ficcionalizar sobre uma dupla essência do Homem, forçar a ruptura dos siameses ou, pior, do homem de duas cabeças. Resolver o mundo pela ficção criada pelo mundo. O Barão de Munchhausen se puxando para cima do poço pelo próprio rabo de cavalo, diria um Marx! Qual o seu esteio? Nada mais do que o estéril.

 

O “nós” revolucionário não é figurativo: ou ele é nós ou não há, é falacioso. Por isso nunca houve. Há sempre um eu para se multiplicar nessas horas. We the (restricted) people, we the women... We the workers... We the loners... We the... Weed... We the weak... We the wee... We’d (maybe next week), but we won’t.

 

“women endure the ordeal of giving birth.” And the ordeal of repeating that without end.

 

Nascer é heróico, convenhamos.

 

“No phallic hero, no matter what he does to himself or to another to prove his courage, ever matches the solitary, existential courage of the woman who gives birth.” Talvez os aborteiros sejam uns hipócritas que só querem destituir a mulher do seu posto de heroína...

 

O COPO MEIO TRANSBORDANTE

 

O copo inquieto que pula é macho

é um copulador

Não passa de um sem-essência,

de vidro, superficial

Só não vamos quebrá-lo

porque precisamos dele.

 

* * *

 

Uma pergunta que sempre quis fazer: a Mulher Invisível do Quarteto Fantástico pode se enxergar enquanto ativa o seu poder? Num dia que me sinto feio eu gostaria de ativar o poder da invisibilidade invertido: ficar invisível e vampiresco ao espelho apenas para mim!

 

Energia é sempre o que vem de fora. O homem é tão extrovertido e centrífugo quanto seu falo. A mulher é centrípeta, implosiva, amargurada. Uma estrela que vira buraco-negro.

 

“We have not pushed a button, or organized a military unit, to do the work of emotionally and physically sustaining life.”

 

Aquela sensação indescritível de que, ao mesmo tempo que já disse tudo que podia, A.D. ainda não falou nada (de substancial). Não se pode chamar seu livro de manifesto de uma geração ou preâmbulo de uma revolução. É uma exortação pueril que não se compara sequer à primeira página do prefácio de uma obra efetivamente revolucionária, das que já usufruímos abundantemente na história huma(sculi)na.

 

Uma feminazi citando Anne Frank é uma inebriante, gasosa e bombástica ironia.

 

 

Não consigo imaginar o livro verbalizado numa voz calma, só imagino um palanque e a histeria. Mas Nietzsche, o mais radical jamais lido, nunca precisou de força vocal para fazer ruir a concrética e monumental modernidade... Isso porque era um homem delicado. É de se perguntar se já houve algum poeta que nas raias do desespero gritasse tanto quanto D., e gritasse tão em vão.



Escrito por a mosca filosófica às 16:17
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OUR BLOOD THEIR SEMEN (cont.)

SEXISMO, RACISMO, EXISTENCIALISMO

 

A mania do americano é misturar negros com bugalhos. A < questão racial > serve de metáfora para tudo, inclusive para questões que não existem, como a você-sabe-qual. “It was understood that racism was a festering pathology (... ) And yet, when it comes to your own lives, you do not make the same claim. Sexism is a festering pathology too.” A premissa é muito boa. Ou ainda não reconhecemos isso, já que a < guerra dos sexos > nunca atingiu uma intensidade tão brutal quanto a da libertação civil negra nos EUA, ou sexismo e misoginia não são patologias, são ficções, hipérboles, lamúrias barulhentas, onipresentes, mas incapazes de sensibilizar, exatamente como, vamos dizer, a dengue e os deslizamentos, para pegar dois dramas tão brasileiros e tão característicos desta estação durante a qual escrevo quanto as telenovelas são caracteristicamente noturnas: todos os anos causam revolta, maior ou menor, mais ativa ou mais passiva, mas não cessam de se repetir e não podem interromper o fluxo da vida ou a verdade do mundo. Porque desde que há o pensamento de < classe > (classe de berço, uma grande distorção do conceito marxiano) é necessário pensar num < todo >, ou fingir pensar num todo. Se fôssemos nos preocupar com a raça humana como um todo, a doença ou a tragédia dominical nos derrubariam em definitivo. Mas contra a dengue e contra os deslizamentos basta não ser o doente, basta não morar e nem ter parentes no morro. Trazendo a comparação de volta, para muitas mulheres, basta com não ser a vítima de um sistema cujo motor é a desigualdade (de gênero, um tipo a mais, não o único ou o número 1 inconteste). E já é grande coisa. Porque o irrealizável (erradicação do mosquito, inexistência de tragédias cíclicas, fim da opressão de um grupo por outro), quando se torna a meta, pode nos tornar, por sua vez, indiferentes para o perfeitamente alcançável. Porque viver neste mundo como um indivíduo (uma indivídua) < como um outro qualquer >, por mais mesquinho que pareça, deve ser hoje exequível como meta para qualquer um, para qualquer uma, desde que se possua < brios e coragem >, como A.D. reza em sua cartilha. Todavia, ambicionar a felicidade universal com base nesse primeiro (e, talvez, em prol da real felicidade do dono do desejo, também o último) anseio, não seria megalomania absoluta, pretensão imprudente, punível por si só? Não regridamos aos filósofos clássicos, com suas perguntas < O que é a felicidade geral? >, porque a autora já avançou para um tempo em que essa noção se tornou inconsciente, inconsequente, simplória. É um “must”. Devemos lutar não só pelo que não compreendemos como também pelo que não existe. Quase um ragnarok do Novo Mundo (luta cíclica, grandiosa mas gratuita e sem-fim). Portanto, entre a inverossímil hipótese de que ainda não tenhamos sequer pressentido a profundidade da < questão da mulher > e a de que na verdade deliramos sobre o nada, porque a questão já foi pior, já foi resolvida, já é coisa do passado, é conservada apenas como fóssil liberado para estudo e recordação – tudo isso dentro do paradigma extremo e incondicional de Dworkin (viver ou morrer; estamos vivos e vivas, isso é o que importa!) –, eu prefiro ficar com a segunda opção. É mais científica e até mais sentimental, também. Talvez eu devesse chamar o feminismo de “mãe com TOC”, porque por mais irrelevante que seja o filho não arrumar a cama ela insistirá no ponto, sem cessar, sem titubear... No século XXI não deveria mais haver um idealismo de tal envergadura literalmente escravizando almas por vidas inteiras; quando poderiam, respeitando os sacrifícios dos antepassados, estar vivendo as suas, os seus próprios projetos, a famosa “liberdade” que nos foi brindada pelos existencialistas, em condenação. Mas digressiono muito além do que ambicionava...

 

Uma pi(t)adinha (de pimenta) para (des)contrair: os negros resolveram seu problema de segregação relativamente rápido; os gays também não levaram muitas décadas; por que então a mulher demora tanto? R: Porque ela quer ficar bem bonita para a festa e ainda não escolheu a roupa que vai usar!

 

“Sexism festers when we are raped, or when we are married.” Então por que se importar? Eu também não gosto de ser míope, deveria agredir meu oftalmologista por não conseguir me curar a não ser com muito tempo, dinheiro e certas mentirinhas consoladoras?

 

“Every social form of hierarchy and abuse is modeled on male-over-female domination.” Veja por exemplo o caso russo: Trotsky era a mulherzinha. OBS: No blog eu assino como < A mosca filosófica >. Gostaria de saber quem é o homem-mosquito que me abusa.

 

Sobre a Emenda da Igualdade de Direitos, jamais aprovada, que a autora tanto cita. Aparentemente, os Estados Unidos não gostam de esconder, juridicamente falando, que devem ditar as normas mundiais: “Section 1. Equality of rights under the law shall not be denied or abridged by the United States or by any State on account of sex. [negrito meu]” Apenas pitoresca curiosidade.

 

“If we were not women – if we were male workers, or male blacks, or male anybodies – it would be enough for us to delineate the facts of our own oppression” Se não fôssemos alemães... – H. Ah, como a vida seria fácil se eu fosse um súdito da Rainha, não é mesmo?! Se eu não tivesse de lutar pela minha existência, isto é, para conquistar territórios, lutar contra o fraco parasita que oprime nosso potencial!... Feminismo: o último maniqueísmo; a doçura do cristianismo secular.

 

O poeta sofre, porque ele não tem dinheiro, queria ter dinheiro, mas se tivesse dinheiro ele não seria poeta, e ele só quer ser ele mesmo...

 

Resmungo minha depressão, mas não perderia meu tempo com doenças de outros corpos...

 

 

Tapar o sol com a peneira evita que fiquemos cegos.



Escrito por a mosca filosófica às 16:16
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OUR BLOOD THEIR SEMEN (cont. - final)

O PERIGO QUE CORRE A VÍTIMA QUE GENEALOGIZA O ABSOLUTO

 

“Once female slavery is established as the diseased groundwork of a society, racist and other hierarchical pathologies inevitably develop from it.” Dois problemas: anteriormente Dworkin afirmara que a exploração da mulher foi e é eterna na humanidade, não respeitando sistema produtivo, Estado-nação ou qualquer outra barreira ou divisão concebível. Se ela diz que “ao se estabelecer” a escravidão feminina “abre margens” para patologias hierárquicas como a racista (que ela adora envolver em comparações estapafúrdias, como já vimos de perto), então ou ela se desmente, parindo uma genealogia, ou ela tem de se virar para responder por que ainda haveria misoginia em tempos não-racistas. Dizer que sempre seremos racistas não satisfaz, porque então Martin Luther foi inútil, negros não deveriam ser assalariados, não poderiam pegar ônibus de brancos e deveriam ter seu título de eleitor cassado. O sentido de “racista” neste conjunto é: racismo poderoso o suficiente para suprimir direitos, tornar os negros sub-humanos. Portanto, se a mulher não for sub-humana, a sociedade não é misógina. Eu pergunto: é misógina? Este foi um problema, apesar de ter se desdobrado em duas possibilidades igualmente indesejáveis para as feministas. O outro é: e se Dworkin estiver certa, e a mulher foi sempre uma sub-classe? Mas e se na segunda ponta, no seu “além/um dia/qualquer dia”, só o que existir também for exploração? Ora, temos de encarar essa possibilidade. Se em sistemas produtivos e condições históricas tão divergentes entre si a mulher sempre foi a besta de carga do homem, porque imaginar que em qualquer um dos outros 999 modos de produção possíveis ela não estaria submetida à mesma situação? Constatação que não é cínica se se pensar cinismo como falta de escrúpulo, mas que é cínica se cínico for aquele que não conclui raciocínios com sofismas, apenas pelo prazer de enunciar um < final feliz > das coisas comovedoras (chamaríamos essa postura de tartufismo ou polianismo, a depender do século): em suma, o meu cínico é um analista autêntico e honesto, como a própria A.D. pede. Doloroso, sim, perceber que este cenário pode ser bem real, e que < o dia prometido > pode não chegar nunca. No entanto, “nada de novo sob o eterno sol que arde”. Todas estas metáforas naturalistas da autora podem ser empregadas sem prejuízo algum para dizer tudo ao contrário do que ela disse. E nem por isso ganharei um Pulitzer. Tampouco me refestelo com a situação, se ela for fática: como homem, eu constato que há uma situação de poder inelutável, intransformável, ainda que indesejável (até para mim, que “pago” eternamente por um crime que não cometo ou cometo muito menos que muitos outros da minha “espécie”). A observação prolongada das sociedades leva a crer que não existe alternativa.

 

* * *

 

“It was the Portuguese who first really devoted themselves to the abduction and sale of blacks. They developed the Atlantic slave trade.”

 

A essa altura, nem vale a pena criticar os esforços mesquinhos da autora em comparar quem sofria mais, se o negro ou a negra escravos... Já me estiquei mais do que o homem-borracha nestas considerações.

 

O prefácio de Segundo Sexo deve valer mais a pena (e os olhos) que essas 120 páginas (já que das 140 páginas as 20 últimas apenas rep[r]isam, de salto alto e destrambelhadamente, as mesmas idéias – preconceitos ruinosos – de Dwork.).

 

“The 2 most effective means of contraception are the pill and the I.U.D. The pill is poisonous and the I.U.D. is sadistic.” “We are feminine to the degree that our mental faculties are annihilated or repudiated.”

 

“Literature is always the most eloquent expression of cultural values; and pornography articulates the purest distillation of those values. In literary pornography, where female blood can flow without the real restraint of biological endurance, the ethos of this murderous male-positive culture is revealed in its skeletal form: male sadism feeds on female masochism” Falou a santa Lama.

 

“women are pissed on and shit on (...) rectums are torn, mouths are ravaged, cunts are savagely bludgeoned by penis after penis, dildo after dildo” Não deixa meu pau duro! “Tipically in pornography, some of this gruesome cruelty takes place in a public context. A man has not thoroughly mastered a woman—he is not thoroughly a man—until her degradation is publicly witnessed and enjoyed. (...) Ownership is proven when a man can humiliate a woman in front of, and for the pleasure of, his fellows, and still she remains loyal to him.” A boa puta à rua torna? Autora começa a delirar: “In the same way, and for the same reasons, she is forced to watch the man who possesses her exercising his sexual sadism against other women.”

 

Tentando ofender e ultrajar, mas...: “The common erotic project of destroying women makes it possible for men to unite into a brotherhood (...) This idealized view of male fellowship exposes the essentially homosexual character of male society. (...) We think that we live in a heterosexual society because most men are fixated on women as sexual objects” KEEP CALM AND STAY LESBIAN

 

“As the saying goes, women are made for love—that is, submission. (...) the proof of love is that she is willing to be destroyed by the one whom she loves, for his sake.” Para amar o corpo como se deve amar, também é necessário aprender a desprezar. Dworkin não despreza, apenas ama. Seu amor é oco, seu coração é oco, sua cabeça é oca, sua buceta é um negativo, como ela mesma diz. E, no fim, ela mesma se objetifica plenamente. Uma legítima Kant da razão prática. “The primary transaction which express this female submission and this male possession, in pornography as in life, is the act of fucking.” “For the male, fucking is a compulsive act” “During penetration, the male’s whole being is his penis” Poxa, eu pensei que tivesse 1,83m de altura! “the rest of the body is insensate, dead.” “masculinity is nothing in and of itself; in and of itself it does not exist; it has reality only over and against” Tanto faz. O mundo não é uma abstração e nunca estaremos sozinhos no mundo. Sempre teremos companheiras. “How can an act so saturated with the dread of loss of self, of loss of penis, be pleasurable? How can an act so obsessive, so anxiety-ridden, be characterized as pleasurable?” “there is literally nothing in the act of fucking, except accidental clitoral friction”

 

No piquete feminazi, a greve você sabe como é. É uma putaria só!

 

free ction pussies

 

* * *

 

 

Nada do que eu disse anteriormente me impede de amar profundamente a feminista radical Brenda Melo!



Escrito por a mosca filosófica às 16:15
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TEMOR E TREMOR

“Descartes fez o que disse e disse tudo o que fez. Ah! Ah! Eis uma coisa pouco comum em nossos dias!”


“Para ele [mim, na realidade: Kierkegaard abusa da terceira pessoa autobiograficamente, ainda mais em prefácios], escrever é um luxo suscetível de ganhar tanto mais significação e evidência quanto menos leitores e compradores tiver para as suas obras.” Não deixa de ser irônico que... algum dia alguém me cite assim pensando o mesmo que eu estou pensando agora acerca de K.?!?... “O autor prevê a sua sorte, passará completamente despercebido.” “treme ao pensar que tal censor – inflexível como aquele homem que, para satisfazer a ciência da pontuação, dividia o seu discurso contando as palavras: 35 até o ponto e vírgula, 50 até o ponto final – o desfaça em parágrafos.” O Kindle, também ironicamente, abole e cria seus próprios parágrafos e modifica a leitura  “Não é sistema, isto nada tem que ver com o sistema. Desejo-lhe toda a felicidade possível, tal como a todos os dinamarqueses interessados pelo ônibus, porque jamais será uma torre o que eles elevarão.”


“e Deus pôs Abraão à prova e disse-lhe: toma o teu filho, o teu único filho, aquele que amas, Isaac; vai com ele ao país de Morija e, ali, oferece-o em holocausto sobre uma das montanhas que te indicarei.”


“Quando chega o tempo do desmame, a mãe enegrece o seio, porque manter o seu atrativo será prejudicial ao filho que o deve abandonar.” “Quando chega o tempo do desmame, a mãe fica triste pensando que ela e o filho se irão separar; que o menino, a princípio sob o seu coração e depois embalado no seio, nunca mais se encontrará tão perto dela.”


“Isaac, porém, já não tinha fé.”


“O poeta é o gênio da recordação.” “O poeta nada tira do seu próprio fundo, mas guarda ciosamente aquilo que lhe é entregue sob custódia.” “Tal é a sua atividade, sua humilde tarefa, seu leal serviço na mansão do herói.” Aquiles também ama Homero.


“Tornou-se velho e Sara foi escarnecida na sua terra.” “Que significa ser o eleito de Deus? É ver recusado o desejo de juventude na primavera da vida, para só obter tal favor na velhice, depois de grandes dificuldades.” “Assim o Senhor se divertia com Abraão! Eis que, depois de ter realizado milagrosamente o absurdo, queria agora ver sua obra reduzida a nada. Que loucura!” “Jacó foi pai de 12 filhos e só a 1 amou; Abraão teve somente um, aquele a quem amava.” “[Abraão] nunca se antecipou em súplicas senão quando o justo castigo desabou sobre Sodoma e Gomorra.” “Abraão, pai venerável! Segundo pai do gênero humano!”


“Só o que trabalha tem pão, diz um velho provérbio inspirado no mundo exterior e visível e, coisa curiosa, adaptando-se mal à esfera que é, por excelência, a sua.”


“o espírito da lâmpada mágica obedece ao seu possuidor, Nuredino ou Aladino [Aladino ou Aladim significa: nobreza da fé]”


“Orfeu, ludibriado pelos deuses, a quem deram um fantasma em vez de Eurídice; e sofreu tal decepção porque foi um efeminado sem coragem, um mero tangedor de lira e não um homem.”


“Gerações sem número souberam de cor, palavra por palavra, a história de Abraão; mas quantos tiveram insônias por sua causa?” “trabalhar e penar para entendê-la.” “O que se omite na história do patriarca? A angústia.”


“O nosso homem tragicômico regressa à casa desejoso de imitar Abraão: não é acaso, seu filho, o maior de todos os bens?” “O sermão do pastor é já em si assaz ridículo”


“Compreender Hegel deve ser muito difícil, mas a Abraão, que bagatela! Hegel é um prodígio; mas que coisa fácil quando se trata de superar Abraão! Pela minha parte já despendi bastante tempo para aprofundar o sistema hegeliano e de nenhum modo julgo tê-lo compreendido”


“quem do infinito da alma, proprio motu et propriis auspiciis, efetua o infinito movimento, sem o poder remediar, só na dor conserva Isaac.” “O absurdo consiste em que Deus, pedindo-lhe o sacrifício, devia revogar a sua exigência no instante seguinte. (...) surpreendeu-o o desenlace, mas já então também havia por um duplo movimento recobrado o seu primitivo estado, e foi por isso que recebeu Isaac com a mesma alegria que sentira pela primeira vez.” Essas divindades testadoras... “Abraão acreditou, não que um dia fosse ditoso no céu, mas que seria cumulado de alegrias cá na terra.” “a amargura enlouquece o homem”


“me inclino sete vezes perante o seu nome e setenta e sete vezes perante o seu ato.”


“amar a Deus sem fé é refletir-se sobre si mesmo, mas amar a Deus com fé é refletir-se no próprio Deus.”


“Não valeria mais dedicar-se à fé e não será mesmo revoltante ver como toda a gente a quer superar? Onde se pensa chegar quando, hoje, proclamando-o de tantas maneiras, se recusa o amor? Sem dúvida ao saber do mundo, ao mesquinho cálculo, à miséria e à baixeza, a tudo enfim que possa fazer-nos duvidar da divina origem do homem.”


Diz um velho ditado que quem não transa não teme.


“nem o merceeiro é capaz de ser tão inteiramente deste mundo como ele [o cavaleiro da fé]! Regozija-se por tudo e por tudo se interessa. Ele está realmente naquilo que faz. Respeita os domingos. Vai à Igreja. Nem um olhar celeste, nem um só vestígio de incomensurabilidade o trai. (...) aquela maneira saudável e possante de cantar os salmos só pode provar que ele tem um ótimo peito. Depois do almoço vai até a floresta. Entretém-se com o que vê: o bulício da multidão, os novos autocarros, o espetáculo do Sund [canal]... (...) No caminho sonha na refeição que, seguramente, a mulher lhe preparou para o regresso: uma novidade – quem sabe? – uma cabeça de borrego [carneiro; alternativamente, pessoa muito tranquila] au gratin e, ainda por cima, talvez bem guarnecida... (...) Nem Esaú teve assim tanto apetite! Coisa curiosa: se a mulher não cozinhar o prato esperado, conserva exatamente o mesmo humor. (...) Já em casa, apóia-se ao peitoril da janela aberta, olha a praça para onde dá a sala e segue tudo que se passa. Vê escapulir-se um rato para dentro da sarjeta da rua, observa as crianças que brincam (...) Possui a tranquilidade de espírito de uma jovem de 16 anos. Não é, portanto, um gênio. À noite fuma cachimbo. Dir-se-ia então um salsicheiro na beatitude do fim do dia. Vive em despreocupação folgazã. (...) a mínima coisa é sempre realizada em função do absurdo. (...) Converte em resignação infinita a profunda melancolia da vida (...) diverte-se com uma tal tranquilidade, que, parece, nada há de mais certo que este mundo finito. E, no entanto, toda essa representação do mundo que ele figura é nova criação do absurdo. (...) Muitos vivem dominados pelos cuidados e prazeres do mundo: assemelham-se àqueles que vão à festa sem dançar. Os cavaleiros do infinito são bailarinos a quem não falta elevação. Saltam no ar e logo voltam a cair, o que não deixa de constituir passatempo divertido e nada desagradável à vista. Mas de cada vez que recaem não podem, logo no primeiro momento, guardar completo equilíbrio. Por instantes vacilam indecisos, o que logo mostra que são estranhos ao mundo [o cavaleiro da resignação infinita ou “herói trágico”, dentre outros sinônimos, como já veremos, é distinto do cavaleiro da fé, prodígio, etc., previamente descrito pelo autor; dir-se-ia, numa primeira impressão ou de forma apressada, seu antípoda, mas K. demonstrará como na realidade o cavaleiro da fé é o fruto, e o da resignação infinita é a semente; este é pré-requisito para aquele; são dois estágios existenciais de completude espiritual usufruídos por raros mortais, parcela ínfima da humanidade]. (...) Inútil vê-los no ar. (...) exprimir o impulso sublime num passo terreno; eis o único prodígio de que só é capaz o cavaleiro da fé. § Como tal maravilha pode induzir em erro, vou descrever os movimentos num caso preciso suscetível de aclarar a sua relação com a realidade (...) Enamora-se um jovem de uma princesa [mas não podia ser o contrário de uma princesinha?], e de tal forma que a substância da sua vida se concentra neste amor. Entretanto a situação não consente que o amor se realize, quer dizer, não se pode traduzir a idealidade em realidade. (...)



Escrito por a mosca filosófica às 19:33
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TEMOR E TREMOR - cont.

O cavaleiro da resignação infinita (...) nem pela maior glória desse mundo renuncia ao seu amor. Não é assim tão pateta. Começa a se assegurar que esse amor é realmente para ele a substância da vida. Sente a alma demasiado sã e orgulhosa para permitir que o acaso se apodere da menor parcela do seu destino. Não é covarde pois não receia que o seu afeto penetre até o âmago dos seus mais ocultos pensamentos nem que envolva, como apertada rede, cada uma das articulações da consciência; e mesmo que o torne desgraçado jamais se poderá dele desligar. Experimenta então deliciosa voluptuosidade com deixá-lo vibrar em cada um dos seus nervos; no entanto a sua alma vive a mesma solenidade que a daquele que esvaziou a taça de veneno e sentiu o líquido infiltrar-se, gota a gota, no sangue... porque esse instante é vida e morte. Quando assim absorveu totalmente o amor e nele mergulhou, tem ainda a coragem de tudo ousar e arriscar. Com um simples volver de olhos abarca toda a vida, reúne os seus velozes pensamentos que, como pombos de regresso ao ninho, acorrem ao menor sinal; agita a varinha mágica e então todos se dispersam ao sabor dos ventos. Mas, quando regressam, como tristes mensageiros, para lhe anunciar a impossibilidade, permanece calmo, agradece-lhes e, ficando só, empreende o seu movimento. O que acabo de dizer apenas tem sentido se o movimento se efetua normalmente. De início o cavaleiro [resignado] deve ter a força de concentrar toda a substância da vida e todo o significado da realidade num único desejo. No caso de o não conseguir, a alma encontra-se, desde o princípio, dispersa no múltiplo e jamais poderá chegar a realizar o movimento. Conduzir-se-á, na vida, com a prudência dos capitalistas (...) [se não agir assim, prudentemente,] correrá incessantemente atrás dos problemas da vida, sem nunca entrar na eternidade; porque, no preciso momento em que está prestes a alcançá-la, aperceber-se-á, subitamente, de que se esqueceu de alguma coisa, e daí a necessidade de dar meia volta. Pensa então: Mais adiante poderei realizar o movimento; porém, com tais considerações, nunca o poderá conseguir (...)§ O cavaleiro [resignado, ainda] efetua portanto o movimento, mas qual? Acaso esquecerá ele tudo, já que aí há também uma espécie de concentração? Não! Porque o cavaleiro não se contradiz nunca e haverá contradição em esquecer a substância de toda a sua vida enquanto se continua sendo o mesmo. Não sente nenhum desejo de converter-se em outro homem e de maneira alguma vê nessa transformação sinal de grandeza humana. Somente as naturezas inferiores [a categoria mais frequente na raça humana: os que não são cavaleiros resignados e, muito menos, da fé], esquecidas de si mesmas, se podem tornar em um outro novo. Assim, a borboleta esqueceu completamente que já um dia foi larva; talvez ainda venha a esquecer que foi borboleta e a tal ponto que possa converter-se em peixe. As naturezas profundas nunca perdem a recordação de si mesmas e nunca podem chegar a ser outra coisa que o que já foram [evolução adorniana do precoce maduro – para mais detalhes, ler meu MÍNIMA MORALIA, 26/02/15, parágrafo em vermelho após “início da 3ª parte” – link direto: http://xtudotudo6.zip.net/arch2015-02-01_2015-02-28.html]. O cavaleiro, portanto, recordar-se-á de tudo, mas essa recordação será precisamente a fonte de sua dor; no entanto, graças à sua infinita resignação, encontra-se reconciliado com a vida. O seu amor pela princesa tornou-se, para ele, a expressão de um amor eterno e tomou caráter religioso; transfigurou-se num amor cujo objeto é o ser eterno, o qual, sem dúvida, recusou ao cavaleiro favorecê-lo, mas, pelo menos, tranquilizou-o dando-lhe a consciência eterna da legitimidade do seu amor, sub uma forma de eternidade que realidade alguma lhe poderá arrebatar. São os jovens e os loucos que se gabam de que para o homem tudo é possível; mas no mundo do finito [das pessoas comuns, prosaicas] há muitas coisas que são impossíveis. Mas o cavaleiro torna o impossível possível encarando-o sob o ângulo do espírito, e exprime esse ponto de vista dizendo que a ele renuncia. (...) E o cavaleiro sente, às vezes, os obscuros impulsos do desejo que despertam a recordação; ou então ele mesmo a provoca; porque é demasiado orgulhoso para admitir que aquilo que foi a substância de toda a sua vida nasceu de um efêmero momento. Conserva sempre jovem esse amor que à medida que juntos envelhecem se torna cada vez mais belo. Não deseja de modo nenhum a intervenção do finito (...) A partir do instante em que realizou o movimento, a princesa encontra-se perdida para ele. Não tem necessidade de sentir esses arrepios nervosos que a paixão provoca na presença da bem-amada, nem de outros fenômenos parecidos. Tampouco tem necessidade de lhe dirigir, em sentido finito, perpétuos adeuses, visto que tem dele uma recordação eterna; sabe muito bem que os amantes ávidos de se verem, ainda uma vez mais, têm razões para mostrar esse interesse e para suporem que se encontram pela última vez; porque ambos virão a fazer todo o possível para mutuamente se esquecerem um do outro. Descobriu esse grande segredo que é dever-nos bastar a nós próprios mesmo quando amamos. Deixou de se interessar dum ponto de vista terreno [finito] pelo que fez a princesa, e é isso justamente que constitui a prova de que ele executou o movimento infinito [am I a fraud?]. Aí temos a oportunidade de verificar se o movimento do Indivíduo é verdadeiro ou falaz [Indivíduo, com letra maiúscula, sempre designa, para K., aquele indivíduo que ultrapassou a coletividade e efetuou este movimento de infinito]. Um há que, julgando tê-lo realizado, sentiu ao rodar o tempo, e tendo a princesa mudado de conduta (desposou, por exemplo, um príncipe) sentiu, dizia, a sua alma perder a elasticidade da resignação. Imediatamente se apercebeu de que não havia realizado o movimento como convinha, porque quem se resignou infinitamente basta-se a si próprio. O cavaleiro não abandona a resignação, o seu amor conserva a frescura do primeiro momento, não o deixa nunca e isso precisamente porque realizou o movimento infinito. A conduta da princesa não o poderia perturbar; nos outros, as leis que regem seus atos, e, fora deles, as premissas das suas resoluções. Se, pelo contrário, a princesa está na mesma disposição de espírito, verá desabrochar a beleza do amor. Ela própria entrará na ordem dos cavaleiros onde se não é admitido por votação mas donde é membro quem quer que tenha a coragem de se apresentar sozinho; entrará nesta ordem que assim prova a sua perenidade não estabelecendo diferença entre o homem e a mulher. Deste modo conservará a juventude e a frescura do seu amor, assim terá feito calar o seu tormento, ainda que, de acordo com certa tradicional canção, não esteja todas as noites junto do seu senhor. Estes dois amantes terão então alcançado a união para a eternidade, numa harmonia praestabilita de tal forma indestrutível que, se alguma vez chegasse o momento favorável à expressão do seu amor no tempo (de que não têm preocupação finita, senão conheceriam a velhice), achar-se-iam em condições de iniciar o noivado no ponto mesmo de que teriam partido se tivessem contraído matrimônio [!]. Aquele que compreende isto, homem ou mulher, nunca pode ser enganado, porque só as naturezas inferiores imaginam que o são. Nenhuma jovem a quem falte esta nobreza sabe amar verdadeiramente; mas aquela que a possui não poderá sentir-se decepcionada pelas astúcias e sutilezas do mundo. § A resignação infinita implica a paz e o repouso; aquele que a deseja, aquele que não se aviltou rindo-se de si próprio (vício mais terrível que o excesso de orgulho), pode fazer a aprendizagem deste movimento doloroso, sem dúvida, mas que leva à reconciliação com a vida. A resignação infinita é parecida com a camisa do velho conto: o fio é tecido com lágrimas e lavado com lágrimas, a camisa é também cosida com lágrimas, mas, ao cabo, protege melhor que ferro e aço. O defeito da lenda é que um terceiro pode tecer o pano. Ora, consiste o segredo da vida em que cada um deve coser a sua própria camisa e, coisa curiosa, o homem pode fazê-lo tão perfeitamente como uma mulher. A resignação infinita implica o repouso, a paz e a consolação no seio da dor, sempre com a condição de que o movimento seja efetuado normalmente. Eu não teria, contudo, muito trabalho se quisesse escrever um grosso volume onde passasse revista aos desprezos de toda espécie, às situações completamente alteradas, aos movimentos abortados que me foi dado observar no decurso da minha modesta experiência. Acredita-se muito pouco no espírito e, no entanto, ele é indispensável para realizar este movimento, que interessa não ser unicamente o resultado de uma dura necessitas que, quanto mais vai agindo tanto mais duvidoso torna o seu caráter normal. § Se, por exemplo, se pretende que a fria e estéril necessidade deve intervir necessariamente no movimento, declara-se, deste modo, que ninguém pode viver a morte antes de morrer realmente, o que se me afigura ser grosseiro materialismo. Mas, em nossos dias, não há quem se preocupe muito em realizar movimentos puros [isso é quimericamente difícil. Hard as iron!]. Se alguém, desejando aprender a dançar, dissesse: Durante séculos gerações sucessivas estudaram e aprenderam as posições; já é tempo de eu tirar disto algum proveito e portanto vou já dedicar-me às danças francesas, as pessoas não deixariam de se rir; mas, ao entrar no mundo do espírito, este raciocínio torna-se perfeitamente plausível. Pois que é a cultura? Eu sempre acreditei que era o ciclo que o Indivíduo percorria para chegar ao conhecimento de si próprio; e aquele que recusa segui-lo obtém um muito magro proveito de ter nascido na mais preclara das épocas. § A resignação infinita é o último estádio que precede a fé, pois ninguém a alcança antes de ter realizado previamente esse movimento; porque é na resignação infinita que, antes de tudo, tomo consciência do meu valor eterno, e só então se pode alcançar a vida deste mundo pela fé [uma “finitude infinita”, muito mais nobre que a do cidadão banal, se me permitem o complemento]. Observemos agora o cavaleiro da fé, no caso citado. Age exatamente como o outro; renuncia infinitamente ao amor, substância da sua vida; apaziguou-se na dor; então dá-se o prodígio; realiza um movimento ainda mais surpreendente do que todos os anteriores. Com efeito diz: Eu creio, sem reserva, que obterei o que amo em virtude do absurdo, em virtude da minha fé de que tudo é possível a Deus [tino]. O absurdo não pertence às distinções compreendidas no quadro próprio da razão. Não se pode identificar com o inverossímil, o inesperado, o imprevisto. No momento em que o cavaleiro se resigna, convence-se segundo o humano alcance, da impossibilidade. Tal é o resultado do exame racional que tem a energia de fazer. Porém, pelo contrário, do ponto de vista do infinito, subsiste a possibilidade no seio da resignação; mas esta posse é, também, uma renúncia sem ser entretanto por isso um absurdo para a razão, visto que esta conserva o direito de sustentar que, no mundo finito onde ela é soberana, a coisa é e continua a ser uma impossibilidade. O cavaleiro da fé tem também lúcida consciência desta impossibilidade; só o que o pode salvar é o absurdo, o que concebe pela fé. Reconhece, pois, a impossibilidade e, ao mesmo tempo, crê no absurdo; porque, se alguém imagina ter a fé sem reconhecer a impossibilidade de todo o coração e com toda a paixão da sua alma, engana-se a si próprio e o seu testemunho é absolutamente inaceitável, pois que nem sequer alcançou a resignação infinita. § A fé não constitui, portanto, um impulso de ordem estética; é de outra ordem muito mais elevada, justamente porque pressupõe a resignação [quase um insulto a nós estetas – mas este supertrecho é brilhante demais para deixar passar batido!]. Não é o instinto imediato do coração, mas o paradoxo da vida. Assim, quando uma jovem, apesar de todas as dificuldades, conserva a certeza de que o seu desejo se realizará, essa certeza não tem relação alguma com a fé, apesar da sua educação cristã e talvez mesmo de um ano inteiro de catecismo. Está convencida porque é uma ingênua e inocente rapariguinha. Essa convicção enobrece-lhe o ser, sem dúvida, concedendo-lhe uma grandeza sobrenatural, e a tal ponto que pode, como um taumaturgo [milagreiro], conjurar as forças finitas da vida e até fazer chorar as pedras, enquanto que, por outro lado, consegue também, no meio da sua perplexidade, dirigir-se tanto a Herodes como a Pilatos, comovendo o mundo inteiro com as suas súplicas. Semelhante conduta é muito louvável e, com esta jovem, podem-se aprender muitas coisas, exceto uma: a arte dos movimentos; porque a sua convicção não ousa olhar de frente a impossibilidade nem aceitar a dor da resignação. § É-me lícito, portanto, afirmar que importa possuir força, energia e liberdade de espírito para realizar o movimento infinito da resignação, inclusivamente para que a sua execução seja possível. Todavia o resto deixa-me estupefato. Rodopia-me o cérebro dentro da cabeça; porque, depois de ter realizado o movimento da resignação e tudo obter em virtude do absurdo, ver assim integralmente realizado todo o desejo está acima das forças humanas: é um prodígio. Mas posso ver que a certeza da jovem não é senão leviandade comparada com a inquebrantável firmeza da fé, ainda mesmo quando tenha reconhecido a impossibilidade. Todas as vezes que pretendo realizar esse movimento turvam-se-me os olhos ao mesmo tempo que uma admiração sem reservas se apodera de mim e uma terrível angústia me esmaga a alma. Que é isto, com efeito, senão tentar Deus? Contudo, este é o movimento da fé; e sê-lo-á sempre, mesmo que a filosofia, para obscurecer os conceitos, pretenda fazer-nos acreditar que é ela que possui a fé, mesmo, que a teologia queira agrilhoar a si a todo o custo.



Escrito por a mosca filosófica às 19:30
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TEMOR E TREMOR - cont.

§ A resignação não implica [necessariamente] a fé; porque o que eu adquiro no seio da resignação é a minha consciência eterna; e é isso um movimento estritamente filosófico que tenho a coragem de efetuar quando é requerido e que posso infligir a mim próprio; porque, de cada vez que uma circunstância finita me vai ultrapassar, imponho a mim próprio o jejum até o instante de realizar o movimento; porque a consciência da minha eternidade é o meu amor para com Deus e este amor é tudo para mim. Para alguém se resignar, não é indispensável a fé, mas ela é precisa para obter a mínima coisa para além da minha consciência eterna: é esse o paradoxo. Confundem-se muitas vezes os movimentos. Diz-se que é preciso fé para renunciar a tudo [Ingá, família Calil de ponta-cabeça]; torna-se vulgar ouvir, o que é ainda mais singular, pessoas a lamentarem-se por ter perdido a fé, e, quando alguém procura averiguar que grau da escala alcançaram, verifica-se, com espanto, que chegaram, precisamente, ao ponto em que devem realizar o movimento infinito da resignação. Por ela renuncio a tudo; é um movimento que realizo sozinho e, se me abstenho, é razão disso a covardia, a moleza, a falta de entusiasmo; não tenho, portanto, o sentido da alta dignidade mais eminente que a do censor geral de toda a república romana. Exerço esse movimento graças ao meu próprio esforço, e a minha recompensa sou eu próprio na consciência da minha eternidade, mergulhado em uma bem-aventurada harmonia com o meu amor pelo ser eterno. Pela fé, a nada renuncio; pelo contrário, tudo recebo, e, o que é mais notável, no sentido atribuído àquele que possui tanta fé como um grão de mostarda, porque então poderá transportar montanhas. É necessária uma coragem puramente humana para renunciar a toda a temporalidade a fim de ganhar a eternidade; mas pelo menos conquisto-a e não posso, uma vez na eternidade, renunciar a ela sem contradição. Porém torna-se indispensável a humilde coragem do paradoxo para alcançar então toda a temporalidade em virtude do absurdo [o momento da viragem], e esta coragem só a dá a fé [depreende-se de toda esta exuberante palestra: o único maior que o eterno: o mundo]. Por ela, Abraão não renunciou a Isaac; por ela, ao contrário, obteve-o. Aquele jovem abastado [Novo Testamento] teria podido despojar-se de tudo o que possuía em troca de resignação; depois disso, o cavaleiro da fé poderia dizer-lhe: Reaverás cada um dos teus centavos graças ao absurdo; acreditas nisso? [Mas e o desinteresse? Não é o amante do paradoxo um cínico, venal?] E estas palavras não devem ser, de forma alguma, indiferentes ao jovem; porque, se acaso tudo deu por estar cansado, a sua resignação deixa muito a desejar. § Todo o problema reside na temporalidade, no finito. Posso, graças às minhas forças, renunciar a tudo e encontrar a paz e o repouso na dor [Bingo! Aquisição dos estóicos]. Posso enfim a tudo acomodar-me: mesmo se o cruel demônio, mais terrível do que a morte, terror dos homens, mesmo se a loucura me surgisse aos olhos no seu trajo de bufão e me fizesse compreender pelo aspecto que me era chegada a vez de o vestir, podia ainda salvar a alma, se porventura mais importasse em mim o triunfo do meu amor para com Deus do que a felicidade terrestre [finita]. Um homem pode ainda, nesse derradeiro momento, concentrar toda a sua alma num único olhar para o céu, donde emana todo o dom perfeito, e esse olhar será compreendido por ele e por aquele que procura, como sinal de que permanece, apesar de tudo, fiel ao seu amor. Vestirá então tranqüilamente o trajo da loucura. A alma, assim despida desse romantismo [secularismo; finitude], vendeu-se, quer tenha sido pelo preço dum reino quer por uma miserável moeda de prata. Não consigo porém obter pelas minhas próprias forças a mínima coisa que participe do mundo finito; porque, constantemente, emprego minha força a renunciar a tudo. Posso espontaneamente renunciar à princesa, e em lugar de me lamentar, devo alcançar a alegria, paz e repouso na dor; mas não posso por meus próprios meios voltar a obtê-la, pois utilizo toda a força a ela renunciar. Mas pela fé, diz o assombroso cavaleiro, pela fé receberás a princesa em virtude do absurdo. Ai de mim, que não posso fazer esse movimento. Quando o tento, então tudo se altera e volto a refugiar-me na dor da resignação. Sou capaz de nadar no vazio, peso todavia demasiado para realizar esse movimento místico. Não consigo existir de tal maneira que a minha oposição à existência traduza, a cada momento, a mais maravilhosa e a mais serena harmonia com ela. E, no entanto, deve ser magnífico obter a princesa. Constantemente o repito. O cavaleiro da resignação que não o diz é um mentiroso que nunca conheceu o menor desejo, nem mesmo soube guardar a juventude do desejo no seio da dor. Talvez deva felicitar-se por ter secado a fonte do desejo e ter embotado a flecha da dor: mas não é um cavaleiro [é um mundano, do pior tipo]. Uma alma bem nascida que surpreendesse em si tais sentimentos desprezar-se-ia e recomeçaria de novo, e, sobretudo, não suportaria ser o agente do seu próprio engano. E, no entanto, deve ser maravilhoso obter a princesa. Contudo, o cavaleiro da fé é o único feliz, o herdeiro direto do mundo finito, enquanto que o cavaleiro da resignação é um estranho vagabundo. O maravilhoso é obter também a princesa, viver alegre e feliz, dia após dia, com ela, (mas é concebível que o cavaleiro da resignação obtenha também a princesa; a minha alma, porém, viu claramente a impossibilidade da sua felicidade futura). O maravilhoso é viver a cada momento assim ditoso e contente em virtude do absurdo, vendo em cada instante a espada suspensa sobre a cabeça da bem-amada, encontrando não o repouso na dor da resignação, mas a alegria em virtude do absurdo. Aquele que for capaz disso é grande, é o único homem realmente grande, e só o pensar naquilo que ele realiza enche-me a alma de emoção, porque nunca recusei admirar as grandes ações. § Se agora cada um dos meus contemporâneos, ao negar-se a recorrer à fé [movimento 1 dos “especiais”], avaliou realmente o que há de terrível na vida e compreendeu Daub quando diz que um soldado, sozinho, de arma carregada, junto de um depósito de pólvora, em uma noite de tempestade, alimenta singulares pensamentos; se realmente cada um dos que se negarem a recorrer à fé tem a força de alma necessária para compreender que o desejo era irrealizável e é capaz de permanecer só com esse pensamento; se cada um dos que recusam permanecer na fé encontrou o apaziguamento na dor e através dela; se cada um conseguiu realizar, além disso, o prodigioso (e, se acaso não fez o precedente, não tem razão para se lamentar porque se trata efetivamente da fé [é possível, inconscientemente, ser fervoroso?]); se reouve as coisas deste mundo em virtude do absurdo; então estas linhas constituem o maior elogio feito aos homens do meu tempo, escrito por um deles, que somente conseguiu realizar o movimento da resignação. Mas então por que se não mantêm na fé, por que ouvimos, às vezes, dizer que as pessoas coram ao confessar que têm fé? Eis o que não posso conceber. Se alguma vez conseguisse realizar esse movimento, partiria para o futuro numa carruagem puxada por quatro cavalos. § E é assim de fato. Acaso o espírito da mesquinha burguesia que observo na vida e que não julgo pelas minhas palavras, mas pelos meus atos, não será realmente o que parece? E será ela o verdadeiro prodígio? Podemos admiti-lo, porque o nosso herói da fé oferecia uma flagrante semelhança com esse espírito; não se tratava de um humorista nem de um ironista, mas de alguma coisa de muito diferente. Em nossos dias fala-se demasiado de ironia e de humor, sobretudo aquelas pessoas que não conseguiram nunca fazer nada, mas que, apesar disso sabem explicar tudo. Pessoalmente não desconheço essas duas paixões, sei um pouco mais acerca delas do que se diz nas coleções alemãs e germano-dinamarquesas. Sei, por conseqüência, que são essencialmente diferentes da paixão da fé. A ironia e o humor refletem-se sobre si próprios e pertencem, por isso, à esfera da resignação infinita; encontram seus motivos no fato de o indivíduo ser incomensurável com a realidade. § Apesar do mais vivo desejo, não posso efetuar o último, o paradoxal movimento da fé, quer ele seja dever ou outra coisa. Tem alguém o direito de afirmar que pode fazê-lo? Cabe-lhe a ele decidir [“Has he ever tried to be happy?” Black Sabbath]; é um assunto entre ele e o ser eterno, objeto da fé, saber se pode, a esse respeito, acomodar-se. O que está ao alcance de qualquer homem é o movimento da resignação infinita e, pela minha parte, não hesitaria em acusar de covardia quem quer que se julgasse incapaz de o realizar. Porém, em relação à fé, já é uma outra questão. Não é permitido a ninguém fazer acreditar aos outros que a fé tem pouca importância ou é coisa fácil, quando é, pelo contrário, a maior e a mais penosa de todas as coisas. § A história de Abraão é interpretada de outra maneira. Celebra-se a graça de Deus que outorgou Isaac pela segunda vez; em toda a história não se vê senão uma prova. Uma prova: é dizer muito e pouco: e, no entanto, passou-se em menos tempo do que leva a contá-lo. Cavalga-se no Pégaso e, num abrir e fechar de olhos, está-se em Morija, avista-se o cordeiro; esquece-se de que Abraão fez a caminhada ao passo lento do seu burro, que levou três dias de viagem e que lhe foi necessário um pouco de tempo para acender o fogo, ligar Isaac e afiar a faca. § No entanto, faz-se o elogio de Abraão. O pregador pode dormir sossegado até o último quarto de hora que antecede o seu discurso, e o auditório pode adormecer escutando-o, porque, de um lado e de outro, tudo se passa sem dificuldades nem inconvenientes. Mas, se há na assembléia um homem atingido de insônia, talvez regresse a casa e, sentando-se no seu canto, pense: Tudo isso se resume num momento; espera apenas um minuto, verás o cordeiro e a prova terá terminado. Se o orador o surpreende nesta disposição, imagino que vai avançar para ele, muito digno, para o invectivar: Miserável! Como podes abandonar a tua alma a tal loucura! Não há milagre [prodígio] algum e toda a vida é uma prova!, e à medida que vai falando, inflama-se, sente-se cada vez mais contente consigo mesmo; e de tal maneira que, se durante o sermão sobre Abraão não se congestionara, sente agora incharem-lhe as veias da testa. E talvez acabe mesmo por perder o fôlego e a palavra, se o pecador lhe responder com tranquila dignidade: Olha que eu queria pôr em prática o teu sermão de domingo passado. § Ou nos é necessário eliminar de uma vez a história de Abraão, ou então temos que compreender o espantoso e inaudito paradoxo que dá sentido à sua vida, para que possamos entender que o nosso tempo pode ser feliz como qualquer outro [Abraão morreu e eu já não me sinto muito bem...], se possuir a fé [existem factualmente duas ou mais formas de se chegar à verdade; a fórmula anticristã pode ser considerada a verdadeira fé a qual busca esse tempo; o novo pathos; uma vez que não se depende de Deus para consumar seu próprio movimento, ou não de um só]. Se Abraão não é um zero, um fantasma, um personagem de opereta [e ele não é Filho de Deus tampouco], o pecador nunca será culpado de tentar imitá-lo; mas convém reconhecer a grandeza da sua conduta para ajuizar se tem a vocação e a coragem de afrontar uma prova semelhante. A única contradição do pregador consiste em que faz de Abraão um personagem insignificante, ao mesmo tempo que exorta a tomá-lo como exemplo. § Urge então abster-nos de pregar acerca de Abraão. Creio, no entanto, que não. Se porventura tivesse que falar sobre ele, pintaria antes de mais a dor da prova. Para terminar, sorveria como sanguessuga toda a angústia, toda a miséria e todo o martírio do sofrimento paternal para apresentar o de Abraão, fazendo notar que, no meio das suas aflições, ele continuava a crer. Recordaria que a viagem durou três dias e ainda uma boa parte do seguinte; e mesmo esses três dias e meio duraram infinitamente mais tempo que os milhares de anos que me separam do patriarca. Chegado a esse ponto, lembraria que, segundo a minha opinião, todos podem dar meia volta antes de subir a Morija, que todos podem a cada momento arrepender-se da decisão e voltar para trás. Agindo desta maneira, não corro nenhum perigo nem receio, sequer, de despertar em alguns o desejo de sofrerem a prova tal como Abraão. Mas, se alguém quer introduzir uma edição popular de Abraão convidando todos a imitá-lo, cai no ridículo. § É agora meu propósito extrair da sua história, sob forma problemática, a dialética que comporta para ver que inaudito paradoxo é a fé, paradoxo capaz de fazer de um crime um ato santo e agradável a Deus, paradoxo que devolve a Abraão o seu filho, paradoxo que não pode reduzir-se a nenhum raciocínio, porque a fé começa precisamente onde acaba a razão.


“Carecendo de estudos aprofundados e usando e abusando de certas frases, a algumas pessoas se ouve dizer que uma luz brilhante ilumina o mundo cristão, enquanto o paganismo se encontra mergulhado nas trevas.”


“como diz Boileau, um tolo encontra sempre um tolo ainda maior que o admira. A fé é justamente aquele paradoxo segundo o qual o Indivíduo se encontra como tal acima do geral, sobre ele debruçado (não em situação inferior, pelo contrário, sendo-lhe superior) [a prometida explicação do Indivíduo como conceito em letra maiúscula em Kierk.] e sempre de tal maneira que, note-se, é o Indivíduo quem, depois de ter estado como tal subordinado ao geral, alcança ser agora, graças ao geral, o Indivíduo, e como tal superior a este; de maneira que o Indivíduo como tal encontra-se numa relação absoluta com o absoluto.“A fé é este paradoxo; se assim não suceder (são estas as consequências que rogo ao leitor tenha constantemente presentes no seu espírito, porque seria fastidioso recordá-las a cada passo), se assim não suceder, jamais houve fé”



Escrito por a mosca filosófica às 19:29
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TEMOR E TREMOR - cont.

“A história de Abraão comporta esta suspensão teleológica da moralidade.” “no lance não é, nem por um só momento, herói trágico, mas algo muito diferente: um crente ou um assassino. Falta-lhe a instância intermediária que salva o herói trágico.” “quando o áugure [oráculo] cumpre a sua tarefa e declara que o deus reclama o sacrifício de uma jovem, o pai deve então, heroicamente, efetuar tal sacrifício.” “Oh, busto encantador, oh, belas faces, cabelos loiros e doirados. (Ifigênia em Áulide, v. 687).” “Porém, todo o homem bem-nascido, toda a mulher generosa compreenderá Jefté e todas as virgens de Israel invejarão a virgem imolada; porque para que serviria a vitória assim obtida pelo voto, se Jefté não o respeitasse? Não seria ela retirada ao seu povo?” “se Jefté, sem estar ligado por um voto de que dependessem os destinos do seu povo, tivesse dito à filha: chora durante dois meses a tua breve juventude, porque te vou imolar [o mais encantador deste caso é que a promessa foi generalizada e abstrata, e a virgem foi eleita acidentalmente, ou seja, foi mais culpa de sua afoiteza ao ir receber o pai vitorioso que dele próprio]; se Brutus houvesse tido um filho irrepreensível e mesmo assim mandasse os litores executá-lo, quem os teria compreendido? Se, em resposta à pergunta: por que agiste assim? tivessem dito: é uma prova à qual fomos submetidos, tê-los-iam compreendido melhor?” “A diferença que separa o herói trágico de Abraão salta aos olhos. O primeiro continua ainda na esfera moral.” “Se pudéssemos evocar a ira da divindade, essa cólera teria unicamente por objeto Abraão, cuja conduta é assunto estritamente privado, estranho ao geral [pré, mas, também, noutro sentido, pós-pactual].” “o herói trágico renuncia ao certo pelo mais certo, e o olhar pousa nele com confiança. Mas aquele que renuncia ao geral para alcançar algo mais elevado, mas diferente, que faz?” “Não se pode chorar Abraão. Aproximamo-nos dele com um horror religiosus


“graças te sejam dadas, nobre Shakespeare, que podes dizer todas as coisas, absolutamente todas, tal como elas são!”


“Ao negar-se que esta forma se presta à repetição de tal forma que não seja o pecado, Abraão está condenado.” Uma exceção fundadora; mas não fundadora de um precedente! Pode-se até repetir Prometeu... Não seremos mais ou menos culpados que ele... Todos quereriam ser Aquiles... Contudo, ninguém quereria ser Abraão...


“Como é que, por conseguinte, o Indivíduo se assegura de que está autorizado? É muito fácil regular a vida pela idéia do Estado ou da sociedade.”


“porque se o nosso tempo tem o defeito de não produzir heróis, tem em compensação a vantagem de nos dar deles caricaturas.” “séculos, senão milênios, separam-nos das aflições da vida; não receiam que semelhantes aventuras se repitam; que diria a polícia e os jornais?”


“Se o homem que quer agir pretende chegar logo ao resultado, nunca começará nada.” “sente-se curiosidade por conhecer o resultado como se se tratasse da conclusão de um livro, nada se quer saber da angústia, da tribulação ou do paradoxo. (...) E, no entanto, não há ladrão de igrejas condenado a trabalhos forçados, que seja um criminoso tão vil como o especulador do sagrado, e Judas, que vendeu o seu mestre por trinta dinheiros, não é mais desprezível do que o traficante de ações heróicas.” “e ninguém pensa que se engrandece pelo fato de lhe ter saído o prêmio na loteria [tem certeza?].”


“Maria, indubitavelmente, deu à luz o filho graças a um milagre, mas no decorrer de tal acontecimento foi como todas as outras mulheres, e esse tempo é o da angústia, da tribulação e do paradoxo.” “No entanto, que outra mulher foi mais ofendida do que Maria?” “Ela não é, de maneira alguma, uma formosa dama que brinca com um deus-menino, e até me sinto revoltado ao dizer isto e muito mais ao pensar na afetação e ligeireza de tal concepção.”


“E [Abraão e Maria] não se tornaram grandes por terem escapado à tribulação, ao desespero e ao paradoxo, mas precisamente porque sofreram tudo isso.” “ou Abraão foi a cada momento um assassino, ou então estamos em presença de um paradoxo que escapa a todas as mediações.”


“é na paixão que toda a vida humana encontra a sua unidade, e a fé é uma paixão.”


"Se digo, segundo esta relação, que é um dever amar Deus, enuncio uma simples tautologia, sendo aqui tomado Deus no sentido totalmente abstrato [limita-se à esfera da resignação] de divino, de geral, de dever."


"já Sócrates foi mais longe, muito mais longe, enquanto que, no caso contrário, não a alcançou [a fé]. Fez o movimento infinito do ponto de vista intelectual. A sua ignorância não é outra coisa senão a resignação infinita."


"amor para com Deus pode levar o cavaleiro da fé a dar ao seu amor para com o próximo a expressão contrário do que, do ponto de vista moral, é o dever. Se assim não é, a fé não tem lugar na vida, é uma crise, e Abraão está perdido, visto que cedeu." "o pai deve amar o filho. Esta relação moral está referida ao relativo e opõe-se à relação absoluta [para além da simples resignação] com Deus."


"Um cavaleiro da fé não pode de maneira alguma socorrer um outro. Ou o Indivíduo se transforma em cavaleiro da fé, carregando ele mesmo o paradoxo, ou nunca chega realmente a sê-lo."


"< se alguém vem a mim e não odeia [aborrecer, em tradução alternativa; e ama mais do que a mim na pior e definitiva delas...] seu pai [and mother, na Bíblia anglófona], sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs e até sua própria vida, não pode ser meu discípulo. > Lucas 14:26 Esta frase é violenta; quem a poderia escutar?"


"a coragem da fé é o único ato de humildade." "O dever absoluto pode então levar à realização que a moral proibiria, mas de forma alguma pode incitar o cavaleiro da fé a deixar de amar." "É somente no instante em que o seu ato está em contradição absoluta com o seu sentimento, que ele sacrifica Isaac."


"A idéia de igreja, com efeito, não difere qualitativamente da de Estado, desde que o Indivíduo pode entrar aí pela mediação"


"Evita-se, geralmente, citar textos como este de Lucas. Receia-se libertar o homem das cadeias" "pensa-se que existir como Indivíduo é a mais fácil das coisas e por conseguinte interessa constranger os homens a alcançarem o geral." "O herói trágico renuncia a si mesmo para exprimir o geral; o cavaleiro da fé renuncia ao geral para se converter em Indivíduo." "Se supomos relativamente fácil ser Indivíduo, pode-se estar seguro de que não se é cavaleiro da fé: porque os pássaros em liberdade e os gênios vagabundos não são os homens da fé."


É fácil ser pássaro. Difícil é ter asas e não voar. Ah, Ícaro! O barato que sai caro... Desse não se pode dizer que estivesse fazendo cera aos 45 do segundo tempo...


"Para eles, é louco e não pode ser compreendido por ninguém. E no entanto, louco é o menos que se pode dizer. Se não se olha para ele deste ângulo, então considera-se hipócrita, e tanto mais cruelmente quanto mais alto trepou pelo escarpado caminho."


"somente Sara sentiu vacilar a sua fé, e induziu Abraão a tomar Agar como concubina; mas por isso teve de a expulsar."


"trata por tu o Senhor, a quem até mesmo o herói trágico não fala senão na terceira pessoa."


"Só o Indivíduo pode decidir-se se está verdadeiramente em crise ou se é um cavaleiro da fé." "Uma dezena de sectários dão-se as mãos; não compreendem absolutamente nada acerca das crises de solitude que esperam o cavaleiro da fé e às quais não pode subtrair-se porque seria ainda mais terrível abrir caminho com demasiada audácia." "sofre por não poder fazer-se compreender, mas não sente nenhuma vã necessidade de guiar os outros. A sua dor é a sua segurança; ignora o vão desejo; a sua alma é demasiado séria para isso." "O verdadeiro cavaleiro da fé é uma testemunha; nunca um mestre; nisso reside a sua profunda humanidade muito mais significativa que essa frívola participação na felicidade ou na desgraça de outrem, honrada com o nome de simpatia, quando afinal não passa de pura vaidade."


"a fé não é a primeira imediatidade, mas imediatidade ulterior. A primeira imediatidade é do domínio estético, e aqui a filosofia hegeliana pode ter razão."


"Sócrates foi o mais interessado dos homens que viveram, e a sua vida a mais interessante das vidas vividas" "O interessante é, aliás, uma categoria limite, nos confins da estética e da ética."


"um ou dois predicados podem revelar um mundo." "o pensador de há muito fatigado com a superficial onisciência dos vulgarizadores sistemáticos."


"Daí ser o efeito produzido por uma tragédia grega análogo à impressão que se recebe ao ver uma estátua de mármore à qual falta o poder do olhar. A tragédia grega é cega. (...) Um filho mata seu pai, mas só então sabe que é parricida. Uma irmã sacrifica o irmão, cujo parentesco só lhe é revelado no momento decisivo. Esse gênero de trágico não pode, de forma alguma, convir à nossa época de reflexão. O drama moderno desembaraçou-se do destino" "Se se oculta algo que não tem sentido, temos uma comédia"



Escrito por a mosca filosófica às 19:19
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TEMOR E TREMOR - cont. - final

"a estética faz caso omisso do tempo"


"A idéia estética contradiz-se desde que tenha de ser executada na realidade."


 

"Ora, sem dúvida alguma, as lágrimas são um terrível argumentum ad hominem, e comovem por vezes aquele que nada ainda demovera."


"Amor ao deixar Psiqué, diz-lhe: Se tu guardares silêncio, darás ao mundo uma criança que será deus, mas se atraiçoares o segredo, será homem."


"Geralmente são as vicissitudes do mundo finito que se encarniçam como espíritos malignos contra os amantes, procurando separá-los; mas o amor tem o céu a seu lado e eis porque esta santa aliança triunfa de todos os inimigos."


"não sou poeta; deixo-me guiar simplesmente pela dialética." "mestre de dança com quem o poeta se confunde hoje com freqüência."


"é-lhe impossível entregar-se fielmente a uma rapariga, porque é apenas um tritão [monstro marinho]." "os sedutores até a conhecem, podemos mesmo dizê-lo, de olhos fechados, e lançam-se sobre ela como o tubarão sobre a presa." "o único recurso contra o sedutor é a inocência." "no mundo do espírito, só é enganado quem se engana a si próprio."


"Não merece a vida que dela se riam quando aos vinte anos já se alcançou a suprema sabedoria?"


"Quando se efetuou o movimento do claustro, não resta senão um, o do absurdo." "quantos têm a franqueza de reconhecer o que podem e aquilo de que não são capazes? E se acaso um se encontra, não é sobretudo entre as pessoas de menor cultura e principalmente entre as mulheres?"


"Seria de fato necessária à nossa época a ridícula aparição de um profeta para ter um motivo de riso?"


"Sara é uma jovem que nunca amou; conserva ainda essa felicidade da rapariga que constitui o seu precioso título de prioridade na vida, o seu Vollmachtbrief zum Glücke"


"quando a desgraça vem de fora, ainda se pode encontrar alguma consolação."


"Porque nunca alguém escapou ou escapará ao amor enquanto houver beleza e olhos para ver (Longi Pastoralia, Prólogo, 4)." Um cego de nascença pode amar no mesmo sentido que nós?


 

"E leia-se ainda a narração do momento das núpcias, se as lágrimas não velarem os olhos"


"O monólogo do primeiro ato de Ricardo III vale mais que todos os sistemas de moral sem sombra dos terrores da vida ou do seu significado"


"dogs bark at me, as I hait by them."


"Sempre se quis olhar para as bruxas, duendes, gnomos, etc., como se fossem monstros. Que injustiça! Melhor seria acusar a vida de haver ela própria depravado esses seres como madrasta que desnatura as crianças que não são seus filhos."


"Sabe Deus quais são as leituras dos nossos jovens poetastros! Os seus estudos consistem, na maior parte, em decorar rimas."


"cada época tem o seu Fausto" "o meu Fausto liga-se de tal forma à idéia que não pertence a esses sábios incrédulos que do alto das suas cátedras reservam uma hora por semestre para duvidar"


"Ouvem-se, por vezes, pessoas que se lamentam ao verem um excêntrico provocar o turbilhão da dúvida: Se pelo menos não tivesse dito nada!, exclamam."


"Hegel nada compreendia da ironia"


"Se as pessoas que, nos nossos dias, vão lançando palavras ao vento a respeito da idéia de comunidade se dessem somente ao trabalho de ler o Novo Testamento, talvez pensassem de outra maneira."


"Este herói trágico intelectual deve ter e guardar a última palavra, o que freqüentemente se procura dar de forma cômica. (...) Tomemos Sócrates como exemplo. (...) Se, por acaso, Sócrates se tivesse calado nessa crise de morte, haveria atenuado o efeito da sua vida" "nenhum poeta se pode aproximar de Abraão"


“cada geração recomeça como se fosse a primeira, nenhuma tem uma tarefa nova além da tarefa da anterior, e não chega mais longe, a menos que haja atraiçoado a sua obra, que se haja enganado a si própria.” “Quando as crianças, num dia feriado, esgotaram antes do meio-dia todo o ciclo dos jogos e exclamam com impaciência: não há ninguém que invente um jogo novo?, prova isso que essas crianças estão mais desenvolvidas e mais adiantadas que as da mesma geração anterior para quem os jogos conhecidos bastavam para preencher um dia?” “essa meiga seriedade, que é sempre necessário possuir para brincar”


“É preciso ir mais além, é preciso ir mais além. Esta necessidade é velha sobre a terra.” “o obscuro Heráclito disse: não se pode mergulhar duas vezes no mesmo rio. Heráclito tinha um discípulo: este não se deteve aí e por isso foi mais além acrescentando: nem mesmo uma vez o podemos fazer. Pobre Heráclito, que teve um tal discípulo! A sua frase foi, com esta correção, transformada na fórmula eleática que nega o movimento: e no entanto esse discípulo apenas desejava ser um discípulo de Heráclito, que fosse mais além que seu mestre e não regressasse àquilo que Heráclito havia abandonado.” Trágica circunferência. Como podemos ver por passagens anteriores, este movimento é deletério e pernicioso. K. fecha magistralmente sua obra, usando da arte que tanto conhece, a ironia. O defeito de nossa época é tentar ir além, e de fato ir, verborragicamente; mas sem saber do que diz. Afinal, o movimento da fé é o último e definitivo. Ele é insuperável. Teria sido melhor para o discípulo de Heráclito, neste caso, conservar o silêncio.



FIM DO LIVRO P.D. A SEGUIR, TEMOS AS NOTAS, OU DO TRADUTOR, OU DO EDITOR OU DO PRÓPRIO K.:


“Dizia-se dantes: < Desgraçadamente a vida não é como o sermão do pastor >; talvez chegue o tempo em que poderá dizer-se < Felizmente a vida não é como o sermão do pastor, porque a vida, apesar de tudo, tem algum sentido, enquanto o sermão não tem nenhum. >.”


“A mediação é uma quimera que, em Hegel, tudo deve explicar e que constitui, ao mesmo tempo, a única coisa que ele jamais tentou explicar.” Para K., a mediação, sozinha, não explica o movimento da fé.


“o nosso tempo tem, em certo sentido, demasiada saúde para morrer porque o fato de morrer constitui um dos mais notáveis saltos que existem.”


“O herói trágico renuncia ao desejo para cumprir o dever. Para o cavaleiro da fé desejo e dever são igualmente idênticos, mas encontra-se na necessidade de renunciar a um e a outro. (...) O herói trágico exprime um dever superior, mas não absoluto.


“Lessing não foi somente um dos cérebros mais compreensivos de Alemanha; não foi unicamente servido por uma rara segurança de erudição, que permite apoiar-se com toda a confiança nas suas análises, sem receio de ser enganado por citações sem sentido, por frases semicompreendidas, extraídas de coleções duvidosas, ou ser desorientado pela ruidosa publicação de novidades que os antigos haviam exposto muito melhor, ele teve ao mesmo tempo o dom extremamente raro de explicar o que havia compreendido. E nisso se manteve; nos nossos dias vai-se mais longe: explica-se o que se não compreendeu.


“Um amante enganou-se; viu a bem-amada à luz da lâmpada e supôs que tinha cabelos castanhos, mas, de dia, ela é loura e é a irmã que encarna o ideal. Eis ainda assunto para poesia. Em minha opinião, todo homem deste gênero é um Labão bastante insuportável na vida, e merece ser assobiado quando quer fazer algo de importante em poesia.”


“A estética é a mais infiel de todas as ciências. Quem quer que a tenha amado verdadeiramente, torna-se, de certa maneira, desgraçado; mas aquele que nunca foi atraído por ela é e ficará um pecus [rebanho; ovelha].”


“é preciso antes de tudo penetrar em si mesmo para descobrir a predisposição para o mal. Não é mister que [eu] aluda a Pitágoras e Sócrates, os dois representantes propriamente ditos do conhece-te a ti mesmo característico da concepção grega da vida”


“Jamais existiu gênio algum sem laivos de demência.”


“o ironista sabe que se pode ainda, por um instante, permitir à mulher esconder os olhos atrás do leque, enquanto fala, mas que ela ri por debaixo da máscara”



Escrito por a mosca filosófica às 19:15
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NIETZSCHE & A FILOSOFIA - Deleuze

--2/1/15 a 19/4/15--


"O ser da força é o plural" "E o ponto no qual se dá a ruptura de N. com Scho. é preciso: trata-se justamente de saber se a vontade é una ou múltipla."


Eu... Eu não valho nada. Eu só... Eu só valho massacrando outros e sendo massacrado por outros.


"O pluralismo tem às vezes aparências dialéticas; ele é seu inimigo mais esquivo, o único inimigo profundo." "Dizer que a dialética é um trabalho e o empirismo um gozo basta para caracterizá-los."


À procura de um dragão. Com "d" de desafio.


"A Origem da Tragédia silenciava sobre o cristianismo, não identificara o cristianismo."


Dionísio contra o Maior Super-Herói do Mundo


"A flor é a antítese da folha, ela < refuta > a folha, eis aí uma descoberta célebre cara à dialética."


O meu pingue-pongue é irregular, você não pode me ganhar!


"a santa Trindade, o sonho prodigioso da má consciência."


E quando a tragédia bate a sua porta?


Um som cheio de brio. Um sombreiro sombrio.


Tudo que tem início, meio e fim tem uma moral.


Os meios justificam outros meios.


"A dialética, em geral, não é uma visão trágica do mundo, mas, ao contrário, a morte da tragédia"


dialética estacionária de mi'alma pela meta-de


Uma obra cheia de dobras, sobras e man-obras.


Estou tão sem fala quanto um filme de 1920.


De ti me livro para ler um livro.


"Em relação ao cristianismo os gregos são crianças. Sua maneira de depreciar a existência, seu < niilismo >, não tem a perfeição cristã." "a existência é culpada, mas são os deuses que assumem a responsabilidade da falta. Esta é a grande diferença entre a interpretação grega do crime e a interpretação cristã do pecado." "Mas esta grande diferença diminui com a reflexão."


P. 18: "Na verdade, raramente levou-se tão longe, em todas as direções, a eterna tarefa de depreciar a vida. Mallarmé é o lance de dados, mas revisto pelo niilismo, interpretado em perspectivas da má consciência e do ressentimento."


"Ressentimento não é psicologia, mas, sem o saber, toda nossa psicologia é a do ressentimento." Como as pregações do Dr. Peixoto.


válvula de escalpe

valvulva de escape

válvula de resgate centrípeta,

gravidade


dores muscular-espirituais


"Devemos compreender que o instinto de vingança é o elemento genealógico de nosso pensamento, o princípio transcendental de nossa maneira de pensar. A luta de Nie. contra o niilismo e o espírito de vingança significará, portanto, a derrubada da metafísica, fim da história como história do homem, transformação das ciências. E, na verdade, nem mesmo sabemos o que seria um homem desprovido de ressentimento. Um homem que não acusasse e não depreciasse a existência, seria ainda um homem, pensaria ainda como um homem? Já não seria algo distinto do homem, quase o super-homem?"


Por que não me mato hoje? Ora, porque quero me transformar ainda algumas vezes e fruir as diferenças e porque quero pensar no que responder para essa pergunta mais tarde, daqui 20 anos, quem sabe.


"Nenhum filósofo, ao descobrir aqui ou ali a essência da vontade, deixou de gemer sobre sua própria descoberta." "Não se deve esperar estar na infelicidade, é preciso começar na felicidade, em plena maturidade viril, no fogo desta alegria ardente" N. "< Um ser mais poderoso, um sábio desconhecido - que se chama si. Ele habita teu corpo, ele é teu corpo. > A verdadeira ciência é a da atividade, mas a ciência da atividade é também a ciência do inconsciente necessário."



Escrito por a mosca filosófica às 16:38
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NIETZSCHE & A FILOSOFIA - Deleuze (cont.)

O eterno retorno do não-mesmo: "não é absolutamente um pensamento do idêntico, mas sim um pensamento sintético, pensamento do absolutamente diferente que exige um princípio novo fora da ciência."


A tarântula sempre me persegue, mas nunca me alcança

Um brinde ao ser, digo, ao nada, de copo cheio

Os gregos, agora posso dizer, eram fracos


"A infinidade do tempo passado significa apenas que o devir não pôde começar do devir, que ele não é algo que se tornou. Isto é, o tempo passado sendo infinito, o devir teria atingido seu estado final se tivesse um estado final. ...e não teria saído do estado inicial se tivesse algum." [para minha plaxão paitônica]


Quantos infinitos precisarão passar para você ser minha?

Quantos microssegundos?


"O instante que passa jamais poderia passar se já não fosse passado ao mesmo tempo que presente, se o presente não passasse por si mesmo"


o IDIOMALUCO que falava todas as línguas mas não entendia.


buraco do negrume, cheio de chorume

perdeu o lume

despencou do cume

levante, se arrume

pisador de estrume

afie o seu gume

escore no tapume

cuspa o azedume

não respire, só fume

assim serás imune

suas palavras serão

só perfume


"Por um lado Sócrates não compreendeu, por outro não ouviu, excessivamente animado pelo ressentimento dialético e pelo espírito de vingança. Logo ele, tão exigente para com os outros, tão minucioso quando lhe respondem..." 


tateeiaatéacharte


Genealogia da M.: "Essa necessidade de chegar à aristocracia é profundamente distinta das aspirações da alma aristocrática, é o mais eloqüente e o mais perigoso sintoma de sua ausência."



Escrito por a mosca filosófica às 16:36
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NIETZSCHE & A FILOSOFIA - Deleuze (cont.)

VdP: "Mas a natureza superior do grande homem reside em ser diferente dos outros, incomunicável, de um outro nível."


Ecce Homo: "Em toda a minha vida não se encontra um único traço de luta, sou o oposto de uma natureza heróica"



e tchê homo, o homem-gaúcho


Vale mais o que quer morrer ou viver?

Só sei que vale menos o que quer viver para sempre


P.42: "Finalmente, com Nietzsche em relação a Kant dá-se o mesmo que com Marx em relação a Hegel. Mas essa analogia, longe de aproximar M. e N., separa-os ainda mais profundamente. Isto porque a dialética nasceu da crítica kantiana tal qual era. Nunca teria havido a necessidade de recolocar a dialética de pé, nem de modo algum < fazer dialética >, se a própria crítica não estivesse inicialmente de cabeça para baixo."


"A estranha declaração de Leibniz pesa ainda sobre a filosofia: produzir verdades novas, mas, sobretudo, < sem derrubar os sentimentos estabelecidos >"


P. 50: "A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a ninguém e não contraria ninguém não é uma filosofia. Ela serve para prejudicar a tolice, faz da tolice algo de vergonhoso." "Fazer homens livres, i.e., homens que não confundam os fins da cultura com o projeto do Estado, da moral ou da religião. Vencer o negativo e seus falsos prestígios."


A escavação do reencontro


"a mistificação da filosofia começa a partir do momento em que esta renuncia a seu papel..." "Após Lucrécio, como é possível perguntar ainda: para que serve a filosofia?"


Algumas coisas noivam melhor com o silêncio. Só não casam porque o silêncio não diz "sim".


Eu preciso da tolice... em níveis homeopáticos.

Se de perto ninguém é normal, de longe todos o são.


P. 54: "Concluir-se-á imediatamente daí que nenhuma felicidade, nenhuma serenidade, nenhuma esperança, nenhum orgulho, nenhum gozo do instante presente poderiam existir sem a faculdade do esquecimento" N.


"Em N., assim como em Freud, a teoria da memória será a teoria de duas memórias."


Excelente nota de rodapé sobre a relação Nie.-Freud. O 2º teve um discípulo rebelde, Otto Rank: "sou para Freud o que N. era para Schopenh." - livro: A Vontade de Felicidade. Mais um que entendeu "o erro de Aristóteles". Vamos recrutar os tipos?

 

"o homem do ressentimento é um cão" "É [o sacerdote judeu] que concebe o amor, um novo amor, que os cristãos assumem, como a conclusão, o coroamento, a flor venenosa de um ódio inacreditável."


"sobre as falsificações de N. pelos nazistas, cf. o livro de M.P. NICOLAS, De Nietzsche a Hitler (Fasquelle, 1936)."


Excerto de Além do Bem e do Mal:

"o gosto pelo Antigo Testamento é uma pedra de toque da grandeza ou da mediocridade das almas... Ter colocado juntos, numa mesma capa, o Antigo Testamento e o Novo, que é, em todos os sentidos, o triunfo do gosto rococó, para fazer deles um único e mesmo livro, a Bíblia, o Livro por Excelência, é talvez o maior despudor e o pior pecado contra o espírito do qual a Europa literária se tornou culpada."


"Em tudo isso encontra-se a ambição de N.: mostrar que, lá onde os dialéticos vêem antíteses ou oposições, existem diferenças mais sutis para descobrir, coordenações e correlações mais profundas para avaliar"


Bergson - As Duas Fontes



P. 63: cultura para N: "Lembrar-se da promessa feita não é lembrar-se de que foi feita em tal momento passado, mas de que se deve mantê-la em tal momento futuro." [grifos meus]


"É minha culpa, este é o grito de amor com o qual, nossas sereias, atraímos os outros e os desviamos de seu caminho."


Anticristo: "A alegre mensagem foi seguida de perto pela pior de todas: a de São Paulo. Quantas coisas esse dysangéliste sacrificou ao ódio!"


VdP I 366,390: "SP < interpretou > a morte de Cristo como se Cristo morresse por nossos pecados"


- Você vai pagar pra ver?

- Eu já paguei há muito tempo.


Ainda não chegamos à neura ortográfico-sintática de Deuslize.


taedium vitae


"O que é piedade? É essa tolerância para com os estados da vida próximos do zero."


Sobre Jesus: "Dava uma nobreza ao niilismo passivo [fase 3], quando os homens ainda estavam no niilismo negativo [fase 1], quando o niilismo reativo [fase 2] apenas iniciava." Uma ordem lógico-didática do niilismo difícil de engolir. "Cristo não era judeu nem cristão, mas budista"



Escrito por a mosca filosófica às 16:28
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NIETZSCHE & A FILOSOFIA - Deleuze (cont. - final)

Deus está morto.

O homem marxista está morto.

Um Eu qualquer está morto, e eu já me sinto muito bem.

 

"A dialética ignora os deslocamentos topológicos, as variações tipológicas." "toda sua teoria da má consciência deve ser compreendida como uma reinterpretação da consciência infeliz hegeliana"

 

"um sintoma, nada mais do que um sintoma" "Na verdade, para o olho do genealogista, o trabalho do negativo é apenas uma grosseira aproximação dos jogos da vontade de poder."

 

Arvon - Aux sources de l'existencialisme

 

"Stirner fere a verdade da dialética no próprio título de seu grande livro: O Único e sua Propriedade."

 

"Rivalizando com a teologia, a antropologia faz de mim a propriedade do Homem." "Sabemos o que significam as famosas transformações hegelianas: elas não esquecem de conservar piedosamente. A transcendência permanece transcendente no seio do imanente." "O eu não é tudo, mas destrói tudo." Stirner "A dialética gosta da história e a controla, mas ela própria tem uma história da qual sofre e a qual não controla." "sempre tratou-se, para Marx, de parar esse escorregador fatal." "um último avatar [da dialética], o avatar socialista" "A dialética tem menos aventuras do que avatares" Merleau-Ponty - Les aventures de la dialectique

 

Rei Alfa e Rei Ômega ao seu dispor. Quando estaremos no meio de nossa entrevista?

 

"o niilismo é o conceito a priori da história universal: por isso vencer o niilismo, liberar o pensamento da má consciência e do ressentimento, significa superar o homem, destruir o homem, mesmo o melhor."

 

Ênfase excessiva no agora. É, qual é o seu problema?

Não é nada!

 

"É preciso defender os fortes contra os fracos, mas sabe-se o caráter desesperado desse empreendimento. O forte pode opor-se aos fracos, mas não ao devir-fraco que é o seu, que lhe pertence sob uma solicitação mais sutil."

 

"Os visitantes de Z. não se sentem como falsos homens superiores, sentem o homem superior que são como algo falso. (...) é como objetivo atingido que ele é também objetivo falhado." "Devemos portanto recusar toda interpretação que apresente o s-h como tendo sucesso ali onde o homem superior fracassa. O s-h não é um homem que se ultrapassa e consegue se ultrapassar. Entre o s-h e o homem superior a diferença é de natureza, tanto na instância que os produz como no objetivo que eles atingem" "Não podemos também seguir uma interpretação como a de Heidegger que faz do s-h a realização e mesmo a determinação da essência humana." O s-h é o contrário do h-s. Cuidado na travessia da ponte!

 

P. 76: "Não acreditemos que o s-h de N. seja um sobrelanço: difere do homem, do eu, por natureza." "nova maneira de sentir" ad infinitum... Não existe quem diga: "Olá! Hoje eu sou um ex-tolo!" Já se nasce com a MARCA. Para ser um Rbn. ou Rf. Estava na natureza do Luan ler mal e ter voz grossa. Certas vezes "sempre soubemos" de algo. O tempo só traz carimbos e confirmações. Nossa preciosa arma contra todas as Lvs. do mundo! É como se todo esse tempo se tratasse de desvendar minhas próprias biografias... autorizadas com certeza. Eu autorizei amanhã.

O poetanalista que escreve coisas lindas pra família. De mordacidade adormecida  e invisível, inigualável. Portal honra devo ser agraciado. Um dia. O tímido imoral, sedentário corredor de uma cidade só. Que não pára num engarrafamento para comprar um carro. Negro por dentro. Semi-árido por dentro. Nada de São nem Seu Francisco. Ouvidos muito talentosos os meus, que sabem (in)filtrar (con)t(e)údo. Tudo cone. Come tudo sem contenção.

 

A armadilha dos h-s no livro IV: "Deus sentiu piedade pelo homem, essa piedade foi a causa de sua morte; a piedade pelo homem superior é a tentação de Z. que o faria morrer por sua vez."

 

"Aproximar-nos-emos de uma solução à medida que compreendermos por que a transmutação constitui o niilismo acabado. A crítica dos valores conhecidos até este dia só será uma crítica radical e absoluta, que exclua todos os compromissos, se for conduzida em nome de uma transmutação, a partir de uma transmutação." "< Até este dia > designa o dia da transmutação."

 

P. 80: o que quer morrer: "pai e ancestral do s-h." "Ponto supremo focal ou transcendente, Meia-noite" Na práxis, o último dos homens é só o penúltimo homem.

 

Resumo do aprendizado de ontem (18/4): Super-homem, o ser novamente falível.

Pân-tanatos, a vontade de morrer em todo canto, fazendo o homem-animal chafurdar. Ninguém ouve seu eco, a vegetação espessa é uma barreira sonora. Ignora-se um Tarzan. Ignora-se. Sagra-se macaco-gênioso.

 

O bom fumante nunca deixa a cinza cair como peteca.

 

"afirmar nada mais é [para o asno] que carregar, assumir. Aquiescer ao real tal qual é, assumir a realidade tal qual é." Contra Prof. Rodrigo Dantas.

 

"O mundo não é verdadeiro, nem real, mas vivo." "Viver é avaliar."

 

"Enquanto a mulher ama o homem, enquanto é mãe, irmã, esposa do homem, mesmo que seja do homem superior, ela é apenas a imagem feminina do homem: o poder feminino permanece acorrentado na mulher."

 

Ah, pô, Dite cu!

 

"Zaratustra inteiro é afirmativo: Mas Z. não é a afirmação inteira, nem o mais profundo da afirmação."

 

"Não há compromisso possível entre Hegel e Nie."

 

"O asno sob a pele do leão é o que Nie. chama < o homem deste tempo >."



Escrito por a mosca filosófica às 16:23
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AS MULHERES E O FOOTBALL

É bem verdade que muita mina gosta de futebol. Mas elas ainda estão na pré-História nisso se comparadas com os homens.


Só existem 2 classes de mulher: as que não acompanham/não sabem nada/odeiam futebol e as completamente fanáticas, que perdem as estribeiras.


Elas não sabem ser um meio-termo, não aprenderam ainda a "naturalizar" o gosto pelo esporte bretão.


Eu não gostaria de namorar uma mina assim: deixa o namorado chupando o dedo e adia todos os compromissos, enverga sua camisa de time europeu e, pra ela, durante aquelas 2h, só existe aquele canal de TV. Ou é isso ou ela desiste de vez de acompanhar. Não é capaz de ser casual.



Escrito por a mosca filosófica às 16:18
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PASSADO PROFÉTICO

30/3/15

 

tudo nele é ativo ou acionado...

embora pareça e pereça um escravo

eu escrevo

quando se vingar é o outro vingar,

já não há mais sentido, só vagar

quem se vinga da pinga só bebe ressaca

quem ressente a emoção só empalidece de raiva

quem reinassopra, não morde

rês sem timento

sem a coisa

timorato tímido

morra, mito!

 

Alerta vermelho da minha cabeça. Não pede minha opinião para emitir a sua. O alerta diz: desperta, eles não são quem dizem que são! Você vai sofrer as chagas, pagar por se misturar com a gentalha. Retalhar suas amizades. Vai engordar, enfeiar, deformar, até reencontrar o seu caminho. Vai sofrer a punição que a promessa encerrava no reverso da moeda, como um adorno a uma escultura tosca já chegou a insinuar. Tremeliques e risinhos, cruel demais de suportar. Rafael com RÁ! de rabisco. Obelisco. Basilisco. Manda rezar o bispo. Olha o que você fez: a tua obra! Lembre-se que enquanto você não vir um ônibus, sempre se mantém fiel a si mesmo. Dá uma pausa de vez em quando, pra desfrutar do ambiente, da promessa.

 

A superficialidade não me favorece.

Dê-me um lago negro em que me enterrar.

Pra ficar irreconhecível e no meu terreno

auferir vantagens, finalmente

Ao ferir os sentimentos

de quem olha torto desdenhoso

porque não estou na moda

porque minha barba é rota

barba-ruiva

bárbara ruiva



Escrito por a mosca filosófica às 20:25
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A GENEALOGIA DO GOL

duplamente renitente

bate de frente, não há quem agüente

 

A vontade de nada é o limite último daquele universo regido pela vontade, onde não cabe nenhum nada, a não ser o da vontade, o patrocinado pelo querer, o querido.

 

Só o reativo pode vencer o reativo. Guerra de espelhos.

 

Só o reativo pode vencer o ativo. Ironia.

 

Como o homem-bomba que se suprime para vencer

o establishment morre sentado no vaso, de bobeira

ou porque aciona sem querer a bomba atômica -

ele venceu!

 

Sufocado pela minha própria glória, eu sigo escravo.

Nos bastidores é que se entende o universo.

No universo em si, já não se sabe mais onde está, e quais são as regras.

Pedi bangu e fui com tudo até a minha meta.

Pedi bangu e fui, contudo, até a minha meta (gol contra)

Pedi bangu e fui conde volta

tragou o gol contra - estragou



Escrito por a mosca filosófica às 20:15
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POEMA DO PSEUDO AD ETERNUM

Desdo infinito estou aqui nessa poltrona, cagando pra vida

Significa que ou minha bunda de caveira está mui dura e dormente,

ou já estive aqui antes mas hoje não mais, só não sei disso,

embora saiba, isto é,

só não sei o meu aqui agora, mas na verdade teria que ser lugar nenhum, porque não é nenhum outro lugar

Coopreendeu? Comptou?

Por que eu? E não uma [ma]ria[na] ou um[a] car[olin]a estranho?


               [E]d[u]ardo na testa do Inferno


É claro, é manifesto

se estive aqui já produzi os efeitos necessários

bem antes de nascer qualquer coisa, dragão, eu ou homem

e se fizeram sentir antes de existir sentimento, eu lamento

frustrar suas expectativas

de vivas autonomias

Não há conflito, só um rito sumário

que se repete desde a época dos sumérios

ou pensando bem de povos vários

Por que me odeias tanto, chama sem chão?

Não ia chegar ao fundo do seu ódio nem sob empurrões

Escuto trovões, são sua consciência querendo se redimir de si mesma.

Peça qualquer prato como última refeição,

pode ser qualquer carne, qualquer suco, detox ou sujo.

 

 

Não é legal quando pensamos com eles, segundo eles, lá fora?

Sobre essa coisa toda, essa crise dos 20 anos,

chamada Verdade? Descobrir que se é vapor de carne, ondulando nas raias e freqüências de rádio misteriosas

sintonizadas em círculo? Rebelde comigo próprio, in-expulso, de boina, prestes a ir comprar sua maior alforria francesa para a cabeça?

Ir ao shopping e à cabeleireira

Tudo podia ser indireta indispensável da grande despensa chamada dispensa das obrigações. Você é o homem indiscreto mais indicado

 

Meu alarme, meu relógio, meu opróbrio

Minha música, seu dilúvio, minha culpa

Na ordem lógica meditamos primeiro para crer depois.

Pois assim é mais metafísico,

menos enjoativo

 

Pluriversos poema sempre em aberto

Duvido você viver sem um ciclo

mergulhando de cabeça e de ponta- pera... que ponta?


Ex-tou ex-aureolado, exaltado, autuado, exaurido



Escrito por a mosca filosófica às 00:35
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - De Mulher para Mulher // GERADOR DE LERO-LERO INFINITO: Em busca do moto perpétuo movido a excremento. Um incremento para a inteligência do prosador prolixo.

Cara Tonide S. Silva,

 

                Venho por meio desta carta pública tergiversar sobre o primeiro capítulo de seu livro - cujo título é bastante sugestivo - "O porquê de este mundo não ser melhor - Políticos, Religiosos, Empresários.". O que tenho a dizer é de grande importância para mim (um(a) não-mulher), mas nada mudará quanto às perspectivas, esperanças e modos de ser das mulheres-leitoras de todas as condições (a empregada doméstica, figura em extinção; a dona de casa tradicionalista, talvez "a machista" de hoje em dia; a emancipada, feminista clássica ou eu diria pós-moderna, em voga no momento). E, antes que minhas palavras sejam mal-interpretadas, informo que aquilo que eu tenho a dizer também nada mudará na perspectiva dos "homens dos séculos XX e XXI", foco desta reflexão. Não sei se consigo subdividi-los, por minha parte, em garanhões-vitoriosos, fracassados, intermediários, homens-feministas e expurgados do jogo (os homossexuais), como a senhora parece querer fazer em dado momento (ainda que por vezes utilizando-se do simples silêncio e das entrelinhas, como veremos). Arrisco-me, entretanto, a abordar diversos assuntos que eu não vi contemplados nas páginas de "O porquê". É esse o porquê de eu decidir finalmente avançar, mais metódico e, como logo ficará claro, mais intransigente.

                O livro chegou as minhas mãos por uma nossa amiga em comum que, porquanto não foi consultada sobre a possibilidade de ser aqui evocada, prefiro manter em anonimato. As circunstâncias precisas não importam: ganhei este livro de presente; posto que sou escritor amador, fico contente em conhecer materiais de colegas do ramo, obras do submundo, arduamente concebidas e levadas a cabo, e às vezes capazes de emanar ao círculo do mainstream, atingindo alguma notoriedade. Nunca a de um best-seller, o que revoltaria minhas narinas e me demoveria da idéia de entrar em contato com o autor felizardo, tornado então profissional - ainda assim, como negar que nossa meta, nós, os escritores de qualquer estirpe, é a do êxito ideológico e comercial, a despeito do perigo de que ele assassine nossa promissora carreira?

                Em conversa com esta mesma amiga que me regalou o livro, após ter iniciado a leitura, eu disse que discordava veementemente de tudo o que a autora afirmara até então. Mas que ao mesmo tempo não poderia deixar de reconhecer estar usufruindo, durante a tarefa, de uma experiência extremamente agradável, em decorrência de uma certa hilaridade predominante nas linhas. Deliberado ou não, esse efeito hilariante causado pelo texto é digno de elogios e engrandece sua autora. São poucos os livros que insistimos em ler mesmo quando não cessam de nos renegar, humilhar, espezinhar, insultar, menosprezar, estereotipar e, na pior das pontas, adular.

                Fato é que eu poderia proceder a uma crítica avassaladora sem sequer minha intervenção direta, apenas citando os trechos que se contradizem incessantemente aqui e ali, bancar o deus literário imparcial. Todavia, considero este método muito cruel e “desumano” (vocábulo muito corriqueiro no livro “O porquê”). Por isso, assim será a minha crítica: uma carta-resposta à Sra. Tonide, em tom franco e sincero, que tanto dialoga com ela quanto se abre aos infindáveis leitores do meu blogue. Acabo de explicar, sem minúcias excessivas mas também sem ligeirezas e varridas indelicadas e superficiais, minhas razões para esta estranha comunicação.

                Em primeiro lugar, quanto ao conteúdo linear do livro, deixe-me dizer-lhe que a prosa ensaística é um gênero literário morto. Já nada se pode provar ou argumentar com base em textos da espessura do Romantismo, ou de um Neo-classicismo ou Enciclopedismo pré-revolucionários. Esta carta mesmo é suicida, embora quem assina não vá se matar após consumá-la. É que, se eu quisesse realmente chegar a algum lugar, instruir alguém, mexer com o âmago do espírito de um ser pensante, moralizar, teria escolhido a modalidade dos aforismos. Frases soltas e enxutas, a única forma de ser verdadeiro e não-paradoxal hoje em dia. Tudo o mais é floreio e vaidade.

                 Como a senhora Tonide escolheu a prosa e o ensaio, meu trabalho foi facilitado. Não me acomodarei, achando que a batalha já esteja ganha. Se é que há batalha, neste caso. O que há é um sermão: admoestador, mas puro em sua sinceridade de ouro. Estou me referindo à minha carta. Quanto ao objeto de meu discurso, o discurso alheio, se a oradora fosse mais enxuta, certamente ganharia em coesão e coerência. Contudo, o capítulo se estende desmesuradamente e todas as construções de seu “feminismo hippie-revolucionário avant-garde” são desconstruídas pelos poderes coercitivo, reacionário e arcaico de seu próprio pensamento, que é uno e redondo, inconfundível. Um estilo trágico de auto-desmonte argumentativo. Todo o edifício é demolido e desmantelado pelo próprio pedreiro, pelo próprio artífice. A diferença entre o feminismo e o machismo inerentes da autora consiste tão-só no Tempo. Basta passar de uma página à outra para virar a chave e se estontear com o pêndulo semovente de sua dialética de cordinha, sem sair do lugar. Pensando bem, será mesmo difícil para mim: o trabalho já está todo realizado, o que posso fazer além de ligar todos os pontos que se oferecem à vista?

                Eu sugeriria, por exemplo, a inclusão de um Glossário na segunda edição da obra. Uma das primeiras expressões de Tonide, jamais explicada no decurso de sua sabatina, é o “Ser Superior”. Não careceria de definição se se tratasse de um livro religioso. Porém, a autora é atéia demais para admitir que estejamos falando do Deus cristão ou qualquer outro autocrata monoteísta. E, ao mesmo tempo, cri-cri demais para aceitar uma deidade pagã, a-moralista. De qualquer forma, ela não poderia querer uma entidade que não estabelecesse desde já as regras de convivência a não ser que remetesse a um politeísmo, procedimento que não se divisa nem de longe em “O porquê”. Mas este ser cuja identidade ignoramos, o "Ser Superior", permeia de cabo a rabo a "análise social" da mestra Tonide. O porquê da presença dessa forma de se referir a uma divindade ou a uma causa original, causa que não podemos compreender ou decifrar em momento algum, o último recurso de sua retórica, nós ignoramos, neste tímido começo. Talvez no decorrer dos parágrafos fique mais clara a associação: falar de Deus quando o assunto são o homem e a mulher (antes de colapsar para um emaranhado de caos e redundâncias adjacentes) - um belo subterfúgio para não concluir nada; afinal, no frigir dos ovos, "só Deus é que sabe".

                Por enquanto, voltemos ao homem e à mulher. A linha de raciocínio inicial de Tonide é irrepreensível, para uma feminista classificada aquém da ortodoxia, do xiitismo ou do radicalismo supremo do movimento. Ela prega a igualdade homem-mulher em detrimento de um conflito feroz capaz de provar, após "algumas baixas", que a mulher é o "sexo excelente". Teria sido um péssimo começo para um ensaio que não se propõe a ser de ficção científica dar ouvidos a essas minorias e correntes mais degradantes e nefastas, muitas delas com ativistas marginalizados socialmente e, ao mesmo tempo, patrocinados pelos recursos de reputadas universidades federais e estaduais; em suma, órgãos do governo orientados para a esquerda que desejam um fato novo na questão do gênero, isto é, o "aperfeiçoamento" das últimas conquistas do movimento; o aperfeiçoamento até o seu último grau. Resta saber se ele é exeqüível sem deitar por terra todos os sérios esforços da ala moderada que trouxeram a mulher até aqui. Felizmente, Tonide evitou esse passo em falso e enveredou pelas chamadas feministas moderadas, as que pregam a igualdade absoluta e na verdade a dissolução paulatina do conceito de "gênero", que perderia o sentido. Haverá ainda um grupo de conformistas, as "vítimas alienadas do patriarcado", mas este grupo só será citado no livro para ser denegrido - ou será que possivelmente poderíamos empreender cross-overs; rumo ao um feminismo de coalizão, consensual e unido, forte para... subjugar o homem? igualar as coisas um pouco mais do que já estão igualadas? continuar a grande mulher por detrás de um grande homem, se possível liberando-a do fardo de ter de procurar empregos e deixar o lar às moscas, como não sucede desde a era de ouro? Ainda não sabemos, precisamos ir mais a fundo.



Escrito por a mosca filosófica às 22:43
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - parte 2

               É aí que a confusão mental da autora mescla elementos impensáveis tentando encontrar o eldorado, o santo graal, a pedra filosofal das curas das chagas do mundo. Uma sintetizadora ousada, eu diria! Como feminista inicialmente identificada com o grupo das moderadas - em que pese estar claro que ela não segue musas e ídolas, está sozinha nessa cruzada e cultiva, no máximo, simpatias difíceis de rastrear, considerando-se inclusive a cabeça de um novo movimento anódino de renovação espiritual da humanidade -, seria natural que a reivindicação "mercado de trabalho para as trabalhadoras" fosse inaugural em sua exposição. É um belo slogan, sem embargo também o ponto fraco do núcleo das moderadas. Logo ficará claro por que o hiperdimensionamento de um conceito pode perturbar o raciocínio mais bem-intencionado: a palavra "trabalho", ou todas as derivativas do substantivo, que, na obra, comparecem sempre em negrito. Nem o Ser Superior mereceu tamanha honraria!

                Se a autora fosse um representante do reino animal (como tantos enumerados em seu livro, ao lado das páginas mais sérias, com jocosos poemas "entoados" por animais - mas isso é assunto para outro parágrafo) e eu fosse uma sábia dona de casa, ela seria o rato e eu já teria armado a ratoeira com um suculento queijo às portas de sua toca, e... pimba! a arapuca em si, isto é, o prendedor de queijo (e de rabos de rato), eu chamaria de “mercado de trabalho”. E o animal foi domesticado! Não que houvesse qualquer alternativa: não existe o mundo selvagem. A resposta para o enigma é simples: quando a mulher não trabalhava não existia trabalho, nem para Marx nem para Rosa Luxemburgo. Posso parecer muito obscuro ou pretensioso, a depender do(a) leitor(a), mas veja se a declaração abaixo, de Tonide, não é o sumo do ingênuo: "Depois de tantas lutas e humilhações, temos que ser mais cautelosas e observadoras para nos infiltrarmos no mercado de trabalho que, egoisticamente, até há pouco tempo era direcionado somente aos homens." Exatamente: cauteloso ou não, observador ou não, o rato, a ratazana, se se quiser, sempre morde o queijo.

                Para Tonide, a marcha da igualdade entre os sexos, com fé no "Ser Superior", já está na sua reta de chegada. Talvez Tonide pense que no que dependesse da bravura das mulheres o panorama hoje já seria outro. Viveríamos o paraíso da comunhão mulherhomem, homemmulher, onde ninguém é primeiro, ninguém é segundo. O problema está no atual rei da cocada, o Homem, que como um rei francês do século XVIII, recusa-se a ver a realidade: a derrocada é inevitável. Este rei se chama machão. É quando Tonide generaliza muitas condutas masculinas, hipostasia ou mesmo fabrica algumas de nossas características que a destemida autora perde o fio da meada. O que ela não pode compreender de longe (ou de fora) ela julga muito mais dramático e brutal. Seu raciocínio seria apenas digno de pena e de boas risadas sarcásticas, se não prejudicasse inteiramente a causa feminista que ela advoga com ardor e insuspeição. Normalmente, por pensar conhecer bem o homem, Tonide termina por desconhecer a mulher, após muito tempo que o é. Quando um homem é óleo (mas será mesmo óleo?), ela sente a necessidade de designar a mulher água. Porque hoje, segundo ela, estamos em guerra, e não nos misturamos, verdadeiramente. Homens são de Marte, mulheres de Vênus, etc., etc. Mas o que poderia acontecer, neste inocente joguinho de dicotomias, se qualquer um dos sexos ficasse isento de instrumentos para buscar sua sonhada igualdade (doravante, pelo bem do desvelar argumentativo do texto, sempre pensaremos com a cabeça de Tonide, e não a nossa)?

                A teoria histórico-psicológica de Tonide Silva é fenomenal (não confundir com fenomenológica): 1) o homem nunca acreditou na ascensão feminina; essa é a típica afirmação encontrada nesta obra, em todas as suas páginas, sem qualquer verossimilhança com os relatos da História e do estudo da mente humana; 2) < o lado mais aguçado que temos, que é a parte sentimental > O quadro do homem frio e calculista, opressor histórico, uno e múltiplo, desta mesma mulher, a sempre esperançosa, que desejava e lutava pela "mudança", em todos os tempos. Sua virtude é a sensibilidade; antes da mulher, ela só poderia ser encontrada no macaco em sua forma mais aperfeiçoada (o mamífero mais complexo antes da raça humana). Mas a mulher elevou este princípio à enésima potência, em que pese ter nascido das costelas de Adão, o frio; ou então, em outra versão, mais científica, a despeito de ter vivido sempre com ele, seu par perfeito desde os tempos das cavernas. O que nos leva a considerar que macacas devem ser as únicas portadoras de sentimento. Macacos machos são apenas primatas embotados - não me mordam!

               Ok, Tonide, a senhora pode estar empregando apenas uma figura de linguagem, enfatizando um talento superior de cada metade. O nosso, a soberba do tirano; o seu, tudo o que toca e faz tocar o coração de si e dos outros. Independentemente da dificuldade de se conceber um estado de harmonia perpétua entre estes dois seres tão diferentes, continuemos comprando a idéia...

                Conforme meu texto desce rumo a outra e outra página, rumo a outra e outra tela da barra de rolagem, não posso deixar de perder o tom grave e sereno, distanciado, e inflamar-me aos poucos, chegando às raias do sardônico e, quiçá, do desrespeitoso, tumultuador impiedoso que eu sou. Pareço ser a prova viva de que a senhora Tonide é bem-vivida, e não falou, até a página 14 de seu libelo, nenhuma besteira considerável. Mas não pense que esta matreira escritora não acorra, em seu mal-disfarçado ressentimento, a gracinhas condecorativas, ou seja, trechos ríspidos, ou simplesmente chistosos, que reforçam, pacientemente, paulatinamente, o ponto principal: o homem é um fracassado, pois não obedece os desígnios do trabalho, a criação máxima do "Ser Superior". A singela < cuidados com o companheiro, que mais parece um inválido > é uma das primeiras sentenças deste filão. Ela serve para justificar a jornada dupla de trabalho da mulher como um martírio causado pelo homem: já que ele não sabe nem quer aprender a limpar a casa, só o belo sexo poderá atuar nesta frente, sem abdicar da outra, recém-aberta (provavelmente porque lá, também, os homens não dão conta do recado).

                Atenção para a continuação: < a crise de invalidez deles só 'ataca' quando estão em seus lares, porque fora de suas casas tem (sic) uma energia inesgotável, praticam variados esportes e sexualmente são uns verdadeiros garanhões. > Deve ser graças à energia inesgotável do homem no trabalho que a mulher não consegue boas colocações. Percebe-se quando a megalomania da oprimida autora de saias começa a prejudicar a própria causa.

                Tonide, uma autoproclamada defensora da liberdade, não lida muito bem com a liberdade concedida ao solteiro (e à solteira) em nenhuma das seguintes duas hipóteses (que basicamente são todas as possíveis): quando ele é o ser-sozinho esclarecido; e quando ele se transforma no estar-em-busca-de-alguém, ou seja, quer abandonar a solteirice. Segundo ela, os machos não deveriam usar a ultrapassada retórica da esposinha boazinha que vai cuidar deste babaca desatento sujeito a tantos perigos por aí. Ela preferiria as seguintes palavras na boca de um homem que vai à caça: < Preciso me casar e compartilhar tudo com a minha companheira, ajudando-nos mutuamente. Que gracinha! >. A menos que as aspas tenham sido inseridas no lugar errado ou trate-se de um erro tipográfico, o < Que Gracinha! > faz mesmo parte do discurso.

                É conhecida a predileção do intelectual de esquerda pelo termo < companheiro > e seu feminino, o < companheira >, para se referir a membros da classe trabalhadora, os homens e mulheres inocentes do devir histórico, ou pelo menos da formação capitalista, oprimidos pela máquina. Não que, pela necessidade de demarcar o trabalho burguês com tanta pompa, Tonide possua amplas ou mesmo razoáveis noções de Karl Marx, mas entre alguns de seus seguidores e entre os comunistas (marxistas, antimarxistas ou nenhum dos dois) este termo é correntíssimo. Veremos a seguir o uso contínuo mais chulo que esse tipo de expressão tornada antiquada e ridícula pelos opositores do comunismo poderia comportar:

                Já que as companheiras aprenderam a trabalhar fora, < os companheiros, desempregados, podem usar nossos tanques, lavando, passando roupas >. É nessa toada que a pobre Tonide, na ânsia de apontar culpados, começa a ferir os seus: < os serviços de uma auxiliar doméstica raramente são satisfatórios >. E, para quem não achou tão torpe até agora, aqui vem mais uma ilação aleatória, incluindo o sempre bem-escolhido termo < companheiro >, acerca da inclinação do homem à esbórnia e ao jogo, ilação que termina em bravata: < Outro fato a ser considerado é que, com as mulheres trabalhando fora de casa, o dinheiro de seus companheiros sempre sobra para gastar longe de suas famílias; mas não pensem os homens que as verdadeiras mulheres irão voltar à submissão. >.

                Mas, como o homem é um bicho bruto, quando usa a arma da sedução carinhosa torna-se imbatível, não importa quão hábil e perspicaz seja a < companheira >: < Geralmente, os homens nos dão pouco carinho e afeto. Quando tomam tal atitude, cedemos e fazemos tudo o que querem. > De fato, tentando contemporizar, Tonide chega a bajular o sexo ex-viril: < Grande parte dos homens é sutil, sagaz, fala pouco e observa muito. > Mas cuidado para, tentando agradar gregos e troianos, não perder os dois. Pode ser tarde demais para conseguir adeptos a suas teorias quando este efeito bajulador tiver produzido todo seu impacto.



Escrito por a mosca filosófica às 22:42
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - parte 3

                Desafio, pois, as feministas mais concisas e avançadas a não se sentirem ultrajadas por esta "lição de beleza" para a qual a palavra presunção não faz ainda justiça: < Quase todas as mulheres trazem consigo idéias deturpadas a respeito da beleza feminina e se preocupam em demasia com ela, usando recursos desnecessários, como: maquiagem, anéis, brincos, colares, sapatos de salto alto, diversos tipos de presilhas para colocar nos cabelos, unhas compridas e pintadas em cores variadíssimas e uma infinidade de tipos de cintos com fivelas enormes, chegando ainda à extravagância de colocar lentes de contato só para mudar a cor dos olhos perdendo muito tempo com toda essa indumentária. > Desde tempos imemoriais esses artigos foram empregados, de variadas formas, com múltiplas freqüência e intensidade, não só pelo sexo feminino como pelo masculino, que muitas vezes foi o lançador da tendência (como o célebre exemplo do salto-alto do Rei-Sol nos atesta). Mesmo sem esse precedente impossível de ignorar, Tonide, a senhora deveria se preocupar, talvez, em tentar convencer todos os homens que ainda não aderiram à metrossexualidade a aderirem ao expediente da maquiagem, já que o hábito entre os dotados-de-pênis cresceu assustadoramente e o das mulheres jamais regredirá. Além disso, a maquiagem pode servir como protetor solar, o que a autora certamente chamaria de "fútil preocupação", uma vez que é necessário valorizar a natureza... Muitos autores - falo agora de gente séria - defendem o abandono de artigos como perfumes, que desorientam o sexo oposto quanto a sua preferência e instinto sexual e estandardizam as escolhas, por exemplo, mas seria utópico esperar por uma modificação no quadro ainda que estivesse evidente que a utilização de essências só acarreta prejuízos ao corpo humano ou ao sentido do olfato. Por isso, qualquer autor deveria ignorar estas celeumas e procurar substância para seus livros em outros assuntos.

                Tonide Silva dirá que a inculcação da crença no Papai Noel é perniciosa, mas ela própria tem suas convicções retiradas de contos de fadas e certa dificuldade em enxergar sua rigidez conceitual "ao espelho": < Espelho meu, produzida e enfeitada como fiquei, para aonde (sic) irei? A resposta vai ser taxativa: Para um picadeiro. Temos que ter a mente mais aberta, procurando adquirir mais conhecimento para ampliar nossa beleza interior, essa sim, é importantíssima para nós >. O que é mais grosseiro, acreditar na "beleza interior" (talvez exista, para os arquitetos e decoradores) ou humilhar palhaços (outro exemplo de homem que se maquia para ganhar a vida)? Quando se trata de duas opções que nos são facultadas pelo ódio e ressentimento da Sra. Tonide Silva, nunca temos tempo demais para meditar.

                Contudo, incrivelmente, a autora consegue voltar atrás um parágrafo à frente e deixar seu leitor atônito, caso ainda se trate, por milagre, de uma alma sedenta por aderir às conclusões da escritora e trilhar um caminho na questão do feminismo: < Devemos nos preocupar em conservar a beleza exterior, que o nosso Ser Superior nos deu, muito importante e exclusiva. > Como é possível notar, o Ser Superior vem para preencher lacunas que a autora achou por bem não permitir na versão final de seus escritos. Um dos cernes da dissertação é manifestado na mesma passagem: < Temos que ter muito bom senso para não confundirmos, de forma nenhuma, liberdade com libertinagem. Não podemos colaborar com a desestruturação da família. Ela sempre foi, e continuará sendo, o alicerce de tudo. > A família, obviamente. A instituição burguesa. Mesmo quando estamos diante de um autodeclarado revolucionário, o velho atavismo irrompe, mais forte do que nunca. < Mulheres casadas ou concubinadas estão sempre lamentando sobre a infidelidade de seus companheiros (...) No sexo, não pode haver competição. No desfecho, todos sairão perdendo: homens, mulheres e filhos. Esses últimos, coitados, nem fazem parte dela e saem prejudicados > A demonização do sexo extra-conjugal é muito mais antiga que o próprio casamento, eu diria. Tonide soube se livrar de muitos preconceitos em sua trajetória de mulher sofrida, mas seguiu cega para alguns dos principais. O moralismo da autora terminará por infectar o seu partido também na questão das relações amorosas extra-maritais, como já vimos acontecer há algumas páginas: < Eram raríssimos os casos de mulheres que mantinham relações sexuais paralelas ao casamento. Hoje, esse tipo de procedimento aumentou assustadoramente. (...) É necessário que as mulheres percebam que lhes faltam condições emocionais, nessas situações, para se igualarem aos homens que se portam de maneira irracional. > Nem parece que um dos baluartes defendidos pela autora era o da liberdade incondicional! Outro paradoxo que chama bastante atenção: o homem é o irracional par excellence, mas a mulher é a única emotiva do par. Subitamente, quando adentra-se o terreno do pecado, a irracionalidade do hominídeo se torna vantajosa, pois ele, a-emotivo, não sofre com seus atos libidinosos. A mulher, então, perde a capacidade de raciocinar ao se sentir traída; e também ao trair, já que a culpa (e quem muito pensa muito fabrica culpas) se abaterá sempre mais sobre ela, o ser mais responsável do conjunto.

                < Grande parte dos homens machões [Não sabemos de onde foram extraídos estes parâmetros estatísticos um pouco vagos, por assim dizer; mas talvez a saída da autora seja justificar que "homem machão" é com efeito apenas uma minoria dentre os homens casados] agem (sic) como se fossem garanhões. > Lembremos que, quase no início de seu livro, Tonide acusou os homens explicitamente de esbanjarem energia fora de casa, ou seja, de serem ipsis litteris garanhões. Não apenas simularem ou pretenderem ser. Deixemos mais esta inconciliação pelo caminho ou seria impraticável terminarmos isto ainda hoje.

                Foucault Tonide ainda atribuirá ao passado remoto a "imutabilidade cafajestosa" do homem: < Na verdade, de tão cegos, são dignos de pena, porque isso é uma espécie de amnésia hereditária e crônica. > Foi também uma enfermidade inventada no momento mesmo da confecção da obra. Os filhos do casal ocuparão boa parte das próximas reflexões da autora, já que tocamos no termo "hereditariedade": < todos querem ter pênis grande [por causa da criação que receberam]. Aqueles que o têm pequeno sentem-se humilhados, pois acham que é o tamanho do pênis que os tornam (sic) mais cobiçados pelas mulheres. Quanto ao tamanho, não influi em nada, e sim como está sendo elaborada a relação sexual. Se homem e mulher alcançarem carinhosamente (ou brutalmente) os pontos eróticos um do outro, satisfeitos ficarão. > O mito mais antigo da humanidade reexplorado pela original feminista que quer um mundo melhor. Mas, admito, a inserção do < brutalmente > salvou o parágrafo do completo fiasco. Aumentou o nível de serotonina no meu organismo.

                Mas não demora muito até que Tonide volte a nos deprimir e decepcionar, subestimando a sabedoria popular de pais e mães no tocante às futuras relações sexuais de seus filhos: < Principalmente o pai machão, (sic) tece comentários usando expressão vulgar na presença do filho, dizendo: Quando este menino crescer, vai comer ou transar com todas as meninas do bairro, não vai escapulir nenhuma ... Entretanto, jamais prega que sua filhinha irá fazer o mesmo. § Ao mesmo tempo, não percebe [nunca percebe; apenas a autora percebe todos os fenômenos sociais] que outros pais machões, no mesmo bairro, estão colocando na cabecinha de seus filhos [esponjas meramente receptoras] as mesmas idéias. E então, seus machões, (sic) vão comer quem? § Não conseguem enxergar a extensão do mal [só a autora] (...) Não é um potrinho que vai nascer. O homem não tem o mesmo privilégio de um garanhão. Seu filho só tem uma mãe, a biológica. Os pais precisam da união para suprir a mãe-natureza. > Confesso que ainda não terminei de interpretar este trecho final. Ele deve ter sido redigido intencionalmente polissêmico e intrincado!

                O show de horrores prossegue com um elencamento das diferenças da menina e do menino na educação caseira. A menina é instruída a se sentir inferior ao garoto, obviamente, por mais que saibamos que a mãe-natureza (o < Ser Superior >) as privilegie como mais precoces; porém, o lobo do homem, que é o machão, corrompe esta natureza rousseauniana. Até que se chega ao ponto de deturpar a arte. Não qualquer arte, mas a própria arte da escrita, que, imagino, prega a autora, deveria se restringir às mulheres, favorecidas com um talento inato para algo tão sensível e fora do alcance de simples garanhões irracionais: < comumente a mulher associa sexo com sentimento. Os machões só vêem na mulher o sexo, e quando mantêm um relacionamento amoroso dão tudo de si, são carinhosos, gentis, se tornam até poetas para ela sentir o máximo de prazer sexual. Agem desse modo não é pensando na mulher, mas em si mesmos, porque pensam que assim se tornarão uns machões irresistíveis, cobiçados e disputados. > Se tornam até poetas, estes garanhões! Eu, com minha vida sexual movimentadíssima, sou o exemplo perfeito. Afinal, escrever para mim está em segundo plano: o que vale é atrair peitos e bundas para o meu blog. Ainda que eu não saiba como estes me poderiam ser úteis já que não se enviam comentários com estas partes do corpo. Não existe poeta masculino desinteressado. E disparou-se a maior blasfêmia da história da Literatura. Quem diria que seria num livro de punhos candangos? < sem nenhum motivo aparente [seria conseqüência da ditadura da beleza interior?], somos trocadas por outra e aí ficamos sozinhas com os filhos pequenos, ou no ventre, sofrendo, lamentando e nos questionando. (...) Mas ele me ama! Tenho certeza que me ama! É sempre assim quando vai embora um machão boêmio e egoísta. Lá se foi ele a persuadir outras e outras, usando o mesmo artifício. Estamos vivendo um momento de transição com a evolução da mulher. > Ignorem a última frase, que está mais sem sentido como desfecho do parágrafo do que o trânsito de uma megalópole depois de uma pane de semáforos. Atenhamo-nos ao que vem antes: quase posso adivinhar a história de vida de Tonide Silva, muito embora não consiga conferir os detalhes no Google. Depois deste desabafo quase pessoal (pressentimos que seja), Tonide não pode se segurar: soltará outra das suas bravatas e invectivas ferozes: < Os homens que são machões tem (sic) que ter cuidado para não aumentarem o número de mulheres revoltadas [infelizmente eles sempre aumentarão, já que estão sempre fornicando e tendo filhos indesejáveis], ou crescer a revolta das que já o são. A revolta é semente plantada, e dela nasce a vingança [!]. > Às vezes a guarda baixa, um autor se descuida e despe a máscara, no que, ato contínuo, se arrepende. Mas era tarde: o livro já tinha ido para a gráfica. Podemos ver as veias de Tonide S. Silva dilatando-se em sua fronte, enquanto espuma de repulsa e rancor pela metade maldita e maligna da humanidade, estes Adões desumanos de micro-instrumento totalmente coberto pela folhagem (embora eles sejam uns exibicionistas incorrigíveis), tão tiranos, ah, tão tiranos!



Escrito por a mosca filosófica às 22:40
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - parte 4

               Apesar do designativo feminino para o animal, "a águia", em prosas-poemas fechadas espalhadas em torno da argumentação central do capítulo sobre a situação das mulheres (como se fossem boxes informativos em revistas semanais), Tonide se utiliza do pássaro como metáfora do irracionalismo machista. Logo à abertura de seu "percurso aéreo" (e eu diria que lunar e louco) de uma página, a autora deixa claro mais uma vez que a arte das Musas também é permeada pela guerra dos sexos: < Vamos viajar pelo mundo nas asas da poesia, semeando bons instintos. > Como acabamos de ver, poetizar com honestidade e castidade no coração é um privilégio feminino. Por sorte, ela é uma autora. Mas, ambígua e ávida por utilizar contrastes em seu estilo, nem sempre bem-matizados, ela deixa claro que quem discursa é um homem, através de sua caneta: < Sou irracional e impulsionada pelos instintos. Nós, águias, acasalamos para toda a vida. Os casais de minha espécie são fiéis uns aos outros e se mantêm unidos até que a morte os separe. > A indireta atingiu em cheio a cupidez masculina. Estou dorido, inclusive. Mas não parou ainda: < Nós não abandonamos os nossos filhos, e sim os educamos com carinho, de forma equilibrada (...) E vocês, desumanos (que pensam que são racionais), já não estão raciocinando por se considerarem racionais. [Aqui o meu cérebro deu um nó - as especulações ganharão um ar sociológico absolutamente desconcertante, acompanhe:] (...) Só há pobres porque existem ricos. Ou são semelhantes só na forma física? > Infelizmente, deste trecho em diante Tonide investirá cada vez mais na parte social do problema, que diz pouco respeito ao homem e a mulher em sua conflituosa relação microscópica (uma vez que a miséria não distingue o sexo), e descairá em lugares-comuns acerca da origem da pobreza, o que irá prejudicar um pouco a temática e a fluidez de seu capítulo, e também o andamento de minha carta.

                Cedo ou tarde, Tonide abordaria o já polêmico (sem necessidade de que ela force e polemize) tema da fertilização in vitro, que eu prefiro chamar, neste contexto, de "linha de montagem do garanhão anônimo". < com essa tal produção independente querem menosprezá-los [as mulheres deveriam combater os homens com mais inteligência, não fazendo pouco caso deles e sendo tão explícitas no ato do desprezo], fazendo deles somente reprodutores [mas a própria autora já afirmou categoricamente que é isso mesmo]. Independente da nossa vontade, a função deles com seus filhos [que eles sempre abandonam] não é só essa [ejaculá-los enquanto ainda gametas], embora ajam como se fosse [então na verdade o Ser Superior ainda não ejaculou essa verdade transcendental em nossas cabeças; deve ser um lapso temporário; o problema é que 1000 anos para nós podem ser só 1 segundo para o Ser]. Não podemos nos esquecer da criança que faz parte desse plano diabólico, sem opção. > Tudo que contrarie a instituição familiar é obra satânica.

                Não podia faltar o "poema do garanhão", à página 23: < (é o cavalo quem fala) (...) Sou garanhão boêmio de linhagem, despreocupado do futuro. Nem a escuridão de uma noite sem luar me impede de farejar uma égua no cio. [Infelizmente nós, homens desumanos e irracionais, não temos esta capacidade] (...) tenho o privilégio de os meus filhos terem duas mães (a mãe biológica e a mãe natureza) para protegê-los. >.

                Rompendo minha promessa inicial, e me consagrando como um ser vil e pusilânime, em quem o convívio com este livro me transformou em meia hora, devo agora citar várias passagens e comentá-las jocosamente na sequência, em formato quase-aforismático, com o fito de não desperdiçar a oportunidade de deixar a misantropia um pouco de lado e compartilhar os prazeres sociais (as risadas) com os outros. Por fim, me dou conta: como sou fraco, não resisto à tentação de humilhar os meus próprios colegas de profissão!

 

 

"Homens e mulheres devem se colocar em suas reais posições, de macho e de fêmea." Supernaturalização das genitálias?

 

"Não é errando que vamos acertar" Talvez o Ser Superior seja dotado desta intensa capacidade...

 

"Seria necessário que todos fizéssemos uma auto-análise para aprendermos a dominar os instintos irracionais." Uma frase para refundar a Psicanálise! Devo iniciar meu tratamento me postulando: o que me faz ler um livro da senhora? "Esses instintos nos homens são tão fortes que boa parte quer ser pai só para provar, para si mesmos e para a sociedade, a sua masculinidade, não assumindo, posteriormente, nenhuma responsabilidade ou participação na educação de seus próprios filhos; e no caso de dar alguma ajuda financeira, o fazem sob coação jurídica." Realmente uma prova de ferro. Mas o macho exemplar não tem receio da cadeia (por falta de depósito da P.A.). Ele se tornará o alfa em qualquer bando. "São raríssimos os casos em que a mulher não assume seus filhos sozinha." 0,2% dos casos, talvez.

 

"Nós, mulheres, viemos ao mundo com uma tarefa maior do que a dos homens. Para os homens, conceber um filho é sempre momento de prazer. Nesse ato, a grande maioria deles está despreocupada, relaxada e traz na consciência apenas a irresponsabilidade aplicada pelos pais" Todo mundo diz que homem não entra em trabalho de parto, mas conheço homens que foram paridos tantas vezes quanto as mulheres!

 

"É impossível querer mudar a natureza feminina; precisamos nos auto-valorizar e ficar felizes por sermos tão sensíveis" Mas nada de perfume ou unha feita!

 

"Costumamos comentar que os homens são mulherengo (sic), e que só pensam em sexo. Embora tenhamos de admitir que realmente sejam assim, estamos sendo injustas com eles, pois não realizam o ato sozinhos." Decida-se, madame!

 

"Pode-se comparar o sexo com a água. (...) Sem ela não há vida, mas também pode nos matar."

 

"A natureza [poxa, logo a mãe!] não foi generosa com as mulheres, deixando-nos com a menstruação, a menopausa, a gestação, o parto, a amamentação, todos os cuidados em geral com o filho." E a poesia, não se esqueça. Mas talvez se a amamentação fosse transferida para os homens, aliviássemos vossa carga... Imagine o casal com crianças de colo do amanhã: enquanto o pai amamenta os filhos em seu seio másculo, a mãe dá as costas para lavar a louça!

 

"Nós, mulheres, temos uma maior parcela de culpa por omitirmos que a raiz do machismo sempre esteve e está em nossas mãos." Dê mais destaque a essa sua declaração. Ela está perdida no meio do capítulo, sem conectores, sem continuar ou iniciar um assunto, num parágrafo isolado!

 

"Os pais devem entender que na cabecinha dos bebês ficará o que eles colocarem." Se o brasileiro soubesse que éramos todos tábulas rasas, faltaria calculadora nas lojas de R$1,99 e seríamos o paraíso dos engenheiros. E, claro, engenheiras.

 

"As mães têm que ir < aparando as asas dos meninos >, a fim de que estes cresçam com sensibilidade" Eis que temos novos eufemismos para a castração edipiana; e a mãe, a mais nova igual sobre a terra, também cumpre a função de carrasco nesse novo esquema.

 

"E, ainda, aparecem uns gaiatos que, sem se dar conta do que falam, dizem que < por trás de um grande homem existe uma grande mulher >."

 

"Todos nós somos filhos de um só pai, nosso Ser Superior. Assim sendo, ninguém é de ninguém." Assinado: pessoa que acredita no casamento. O mais chocante é que menos de 20 linhas depois... "Se viemos ao mundo um dependendo do outro, querendo ou não, forma-se uma família."

 

"Vamos analisar: se os pais morrem na hora do nascimento do seu filho, mesmo assim ele vai ser criado. Se o filho não levar seus pais até a sepultura, estes serão sepultados. [Se eu não escrever essa carta, ela será escrita.] (...) e sempre haverá alguém que faça por nós o que não fizemos." Os ecologistas anseiam que sim!


"Todos nós, seres < desumanos > deste planeta, temos que nos tornar mais observadores e enxergar que de tudo o que existe no mundo nada se acaba, mas transforma-se, renova-se, multiplica-se." Eu achava que apenas se conservava. "Nosso Ser Superior nos deixou de tudo, e de uma forma adequada para que não exista egoísmo [Deus deve ser tão bom quanto alguns livros...]. No entanto, a grande maioria dos pais vem passando esse egoísmo de geração para geração (...) É por isso que a cada dia que passa está ficando insuportável a convivência entre as pessoas." Mas os livros, ah, esses são obras-primas sempre! Bom, deixa eu ver se entendi a Genealogia do Mal: 1º) Deus criou tudo; 2º) Erradicou o Egoísmo; 3º) Os seres < desumanos > (ou seria DEUS-humanos?) tiraram o Egoísmo e o Nada da cartola. Assim, somos perpetuamente ególatras mas estamos sempre carentes de alguma coisa.



Escrito por a mosca filosófica às 22:39
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - parte 5

"Os pais têm idéia fixa de preparar os filhos só para terem cursos superiores e, com isso, ganharem muito dinheiro." Ouvi dizer que os parentes do pessoal da pedagogia andaram lotando a secretária eletrônica de Dona Tonide com perguntas...

 

"A natureza é sábia, nos dá horário para tudo que existe em nosso planeta: na hora certa nasce o Sol" 6:00, 6:01 ou 6:02? "Como podemos enxergar, não há vida sem hora precisa, e muito menos sem trabalho." Um inglês do século XIX já havia aprendido essa lição.

 

"Como a grande maioria sabe, todos nós temos metade masculina e metade feminina" Ah, é? Agora a senhora também é uma machorra?

 

"quando nos entendemos por gente já estamos aqui no planeta." "Os idosos sofrem com a deformação de seu físico, mas só tem (sic) que aceitar."

 

"por quê (sic) não aceitar o homossexualismo? (...) Essa rejeição absurda que os heterossexuais carregam consigo contra o homossexualismo só nos traz graves problemas, com a revolta dos homossexuais com seus gestos desengonçados e modo extravagante de ser, rebolando em excesso ao andar, desafinando a voz etc. Tudo isso é uma forma de agredir os heterossexuais, mas, inconscientemente, estão prejudicando a si mesmos." Tonide finalmente toca no assunto da homossexualiDADE, que eu pensei, até a p. 28, ter sido expurgado do debate. Mas se essa é a forma com que ela defende os homossexuais, deixemos para lá, realmente... "leis mundiais para com o homossexualismo super tardias (...) Em nosso país é preciso, com urgência urgentíssima, que sejam feitas - estou falando em leis, mas os legisladores podem querer criar emendas, no lugar do que nunca existiu (nas leis), e aí é preciso cuidado, para que < a emenda não fique pior do que o soneto >." A piada do pavê que não poderia faltar.

 

"Voltando ao esquema montado pelo nosso Ser Superior, dentro dele o dinheiro só nos dá conforto físico." Poxa, e tanta gente deixando de pagar o seu Pilates...

 

PÉROLAS SOBRE AS CRIANÇAS

 

"É nas crianças que está a esperança de um mundo melhor. Temos que ajudá-las a desenvolver seu lado humano" Não sei por onde começar, já que sou um garanhão. "É uma crueldade o que fazemos com as crianças. Se  a criança nos faz perguntas, a resposta é sempre mentirosa." Eu tentei explicar Relatividade Especial para o meu filho de 3 anos. É claro que consegui. Eu disse que a Luz que emana do Ser Superior é o único Absoluto. "São tratadas como se fossem umas dementes." Deve ser por isso que dizem que tenho a idade mental de um garoto de 5 anos. "Temos que fazê-las entender que a escola é uma extensão de sua casa. O professor tem que ser respeitado e ser chamado pelo seu nome, ou de professor, pois realmente é o que ele é." Achei que o tio visitasse a extensão de nossa casa. "As crianças são presenteadas com brinquedos que estimulam o lado mau, porém inocente, que está dormindo dentro delas. (...) Temos que presenteá-las com algo que lhes mostre a importância do trabalho. [Você ouviu: não dê armas de brinquedo para as crianças, providencie umas de verdade: jamais minta!] (...) principalmente quando perdem horas e horas em frente a uma TV, iguais a uns tolinhos [dementes], assistindo a filmes e desenhos mentirosos, que apresentam criaturas físicas horríveis, caindo a todo instante das alturas, sem morrer, dando rajadas de tiros umas contra as outras sem sofrerem nenhum arranhão [E o pior: desenhos que apresentam mulheres bonitas sem maquiagem!]. Sem falar nos homens que voam: homens nunca voam e não voarão jamais." Quero dizer que neste ponto não pude me conter e verti lágrimas. Minha última ilusão foi desfeita; mas Goku continuará acalentando meu coração em minhas tristes lembranças... "Pode-se dizer, por unanimidade, que não aceitariam que os cueiros de um menino fossem bordados com flores violetas. Mas, com um girassol ou um elefante podem. Violetas, margaridas, abelhinhas e formiguinhas são para as meninas. Para os meninos, os brinquedos são máquinas agrícolas, caminhões, aviões etc. as meninas ficam com fogão, panelinhas, armário de cozinha, boneca e carrinho de boneca [mas elas sempre batem o carrinho de boneca, essas barbieiras de cueiros!]. Temos que embaralhar tudo isso, deixando as crianças livres para brincar, acabando com esses preconceitos infundados." Eu sugeriria a implementação de quinas duras e facas com ponta. "Por excesso de afeição com os filhos [É uma crueldade!] (...) As mães, principalmente, se pudessem, mastigariam os alimentos para que os filhos se esforçassem só para engolir." "A vida não pode ser vivida só de trabalho. As mães, principalmente, passam a viver a vida dos filhos, sufocando-os e esquecendo a sua." Ué, então é melhor viver só de trabalho! "...e nos tornamos, na visão dos filhos, uns coitadinhos." Uns tolinhos que assistem TV. "Por exemplo, o normal é todo ser vivo ter apetite, alimentar-se, mas, vejam só a incoerência da grande maioria dos pais: comumente, as mães dão comida na boca do filho de onze ou doze anos de idade, como se este não fosse gente, e sim um periquito. A criança, desde que já tenha condições de segurar o talher, deve se alimentar com suas próprias mãozinhas." Ou um ou outro: talheres ou as mãos! "A corredeira da água de uma cachoeira, por mais que quiséssemos, não inverte o seu curso para trás. [Isso porque você não gosta de desenho animado japonês...]. Por falta de observação, querem inverter a natureza de seus filhos. (...) Se começam a namorar e ter uma vida sexual aos catorze anos, não pode porque está precoce. Se deixam para começar aos quarenta, também é motivo de preocupação, porque está tardio, e assim por diante. Não existe um tempo exato [mas se até o Sol tem a hora certa!]" Vamos convir que 14-40 para perder a virgindade é um intervalo bem razoável. "o que faz a grande maioria dos pais? (...) Querem moldá-los, fabricá-los como se fabrica uma lingüiça." Escreverei uma tese de (a)mestrado (o obediente antiacadêmico) sobre as profundas raízes das analogias freudianas em nossas vidas. "Os pais, sejam de classe rica, média ou pobre, desde os primeiros passos de seus filhos, têm que ensiná-los a independência, que só se consegue através do trabalho." ABAIXO O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE! "Os pais têm o dever de fazer seus filhos perceberem que eles chegaram a este mundo como todos os seus semelhantes. Chegaram só com a vida. Os (sic) que encontraram feito foi resultado do trabalho de alguém. E deixá-los livres para que suas mentes possam flutuar em busca de novas descobertas." Exceto quando estiverem TRABALHANDO. Aí eles têm que viver a REALIDADE e TRABALHAR. Porque HOMEM NÃO VOA e MENTE NÃO FLUTUA. "Os pais têm que ser realistas e aceitarem (sic) que o filho nasce deles [é melhor fazer um exame de DNA primeiro], mas a partir do momento em que é cortado o cordão umbilical, é mais um ser único, que temos que respeitar como tal. Já que é um ser especial, só ele mesmo saberá como satisfazer seus desejos." Nem que ele só dê TRABALHO aos outros. (E aqui os amigos marxistas reconhecerão o duplo sentido da frase - pode ser o futuro patrão!) "Os pais tem (sic) que se tornarem (sic!) soltos, para que possam dar aos seus filhos o melhor de si. O que seria o melhor?" O melhor pai é o Tio João, soltinho, soltinho... "Grande parte das crianças e adolescentes de hoje não sabe distinguir um porco de um jabuti [acho que você quis dizer javali], uma galinha de um ganso, uma beterraba de uma folha de alface... Seriam capazes de confundir um filé mignon de vaca com um bucho de cabrito." "A incoerência dos pais é tamanha que dão aos filhos que têm saúde perfeita o mesmo tratamento dados (sic) aos deficientes. E analisem bem o procedimento de quase todos os pais: levam e buscam seus filhos do colégio, do cinema, das festas etc. são moças e rapazes com um metro e setenta, um metro e oitenta de altura, respectivamente, não depositando o mínimo de crédito nos filhos [mas eles usam o cartão de débito], na sua infância e adolescência."

 

"Precisamos de pessoas com idéias novas e criativas para desvendar os mistérios do nosso universo e multiplicar as riquezas infinitas, que o nosso Ser Superior nos deixou." A NASA co-financiou apocrifamente esse projeto (o livro de Tonide).

 

"A natureza se encarregará de tudo. Cada um é cada um." Cada um por si e o Ser Superior por ninguém.


"Nascemos nus, porém, completos; mas só com a vida." Experimentemos dizer tudo ao revés e continuará fazendo sentido! MORREMOS VESTIDOS E INCOMPLETOS; ALÉM DE TAMBÉM SEM A MORTE. "não sabemos a hora em que vamos passar para o andar de cima, ou de baixo" Eu saio pontualmente às 7:30.



Escrito por a mosca filosófica às 22:38
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O PORQUÊ DE ESTE MUNDO NÃO SER MELHOR - parte 6

ÊNFASE TRABALHISTA

 

"nós, racionais, não encontramos nossos alimentos prontos, temos que trabalhar constantemente e descobrir cada vez mais a melhor forma de nos alimentar física e espiritualmente." Em breve virão os agrotóxicos para a alma. "O trabalho em nada influencia a virilidade sexual." Chaplin chegava pronto pra dar umazinha na esposa. "Demônios do além não existem. Os demônios somos nós mesmos com o nosso egoísmo e, principalmente, aqueles que os pais não fizeram criar o hábito do trabalho [O Anjinho da Mais-Valia]. Eles passam a usar de todas as artimanhas para roubar, matar e sugar o suor dos trabalhadores." Assim não precisaríamos mais de toalhas, pense bem! "Ainda no reino animal, os pais ensinam seus filhotes a caçar para comer; depois de aprenderem, os deixam e cada um vai cuidar de sua própria vida. Não existe volta, nunca acontece de um filhote voltar à toca dos pais e ficar esperando que cacem para ele." Ainda bem que a família é o mais imp... OPA! "Mas o que faz a maioria dos pais? Dão de tudo aos filhos na infância e adolescência, sem receber nada em troca. Não podemos nos esquecer que, querendo ou não, para manter nossas vidas em equilíbrio, só o conseguimos através da troca." A Ética do Desinteresse "Vamos comparar o trabalho com o adubo." TRABALHO é uma merda! "Não se aduba uma planta depois de adulta. Para que cresça forte e cheia de vida, temos que adubá-la ao plantar, ainda em forma de mudinha [quando a criança se tornar falante poderá passar o dia trabalhando], caso contrário ela vai crescer fraca e pode até morrer." "Pode-se dizer que quase cem por cento das pessoas consideram o trabalho doméstico inferior [inclusive a senhora, numa de suas frases preconceituosas já citadas]. As próprias mulheres o subestimam, e não percebem que estão compactuando com os homens, fortalecendo cada vez mais o preconceito contra elas mesmas. (...) É uma pena não terem consciência de que < dona-de-casa > é um trabalho importantíssimo e de grande responsabilidade. Infelizmente, nós mulheres, sempre trocamos os valores." Falar o quê... "O fato de a grande maioria das pessoas falarem (sic) com desdém que mal sabem (sic) fritar um ovo [nunca me orgulhei disso], e pensando que isso as (sic) torna importantes e charmosas (sic), demonstra, na verdade, o seu despreparo e a sua ignorância. Acham é que nem de arte-culinária, pressupostamente, deveríamos entender bem, ignorando que preparar um alimento nutritivo e delicioso é também uma arte" Está aí o Master Chef que não nos deixa mentir. Desculpe pelo excesso de (sic)'s, mas não suporto falta de concordância no texto dos outros! "Geralmente, quando querem agredir alguém, uma de suas tiradas mais comuns e freqüentes, com o intuito de aniquilar seu agressor (sic!), é mandá-lo lavar roupas ou pilotar um fogão." "somos incapazes de criar algo novo para substituir o que o nosso Ser Superior nos deixou: o trabalho." Ué, e todo aquele papo de idéias novas e criativas? Tonide, a última palavra em materialismo histórico! Tô achando que esse Ser Superior é o Muricy!... "Temos que colaborar com os cientistas, pois eles não conseguirão descobrir tanto remédio para curar infinidades de doenças, que (sic) a maior parte delas (sic) vem sendo criada por nós mesmos, pela nossa imensa falta de higiene." Viu, seus mentes-sujas! "As atrizes e os atores sobem em cima das camas e dos assentos, como sofás etc. Calçados com os sapatos sujos, passam para a humanidade pouca higiene, ou nenhuma. Que incoerência! Que horror!" Que horror! "Os filmes policiais, dramas, faroestes, novelas, etc. surtem um efeito de auto-ensinamento para a < desumanidade > de como roubar, matar, ludibriar, em alto estilo."

 

"Se estão vivos no momento, é porque escaparam das fatalidades, mas estão caminhando para o fim." Leu Sartre.

 

REATA O FIO DE RACIOCÍNIO ORIGINAL, AINDA QUE POR POUCO TEMPO

 

"Nós, as mulheres, sentimo-nos desoladas por falta de cavalheirismo dos homens, que por sua vez, tratam com ironia o fato de estarmos buscando igualdade. Pensam eles: Querem ser iguais? Que sejam em tudo." Apologia ao Travequismo!

 

"todos os conflitos interpessoais são criados por nós mesmos. Eles no fundo, não existem." Achei que só o Ser Superior tinha brevê de criador.

 

"Boa parte dos homens está sempre falando com menosprezo: < Isso é coisa de mulher! > Como se fôssemos todas um bando de desequilibradas. E o pior é que em várias ocasiões eles estão cobertos de razão. Muitas se portam de forma deprimente quando vão assistir a qualquer tipo de apresentação de artistas. Por exemplo: arrancam os cabelos, choram, dão chiliques, atiram seus pertences no palco, inclusive calcinhas, muitas delas até cheirando mal. Querem abraçá-los e beijá-los. Parece que são extra-terrestres. Os homens não se comportam assim, pois, percebem que é muita pobreza de espírito das pessoas que agem dessa maneira" "os artistas são obrigados a andar com segurança a tiracolo para protegê-los da loucura das mulheres." "Assediar os artistas, ou qualquer pessoa considerada famosa, pedindo autógrafo, é perda de tempo de quem pede e de quem dá. Não traz nenhuma utilidade e só supervaloriza o outro e, automaticamente, diminui quem faz tal pedido." Pois eu quero muito o seu autógrafo, Tonide S. Silva!

 

"como fazer uma boa política? Basta reduzir os gastos e dar incentivo à produção." Começou a aula de Teoria Política Moderna e vocês nem me acordaram!

 

CASAMENTO